Skip to main content
Category

Conservação

Bond da Conservação: Kristine Tompkins

By Bond da Conservação, Conservação, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje falaremos sobre Kristine Tompkins, presidente e co-fundadora da Tompkins Conservation, mulher de importância incalculável para a natureza. Junto a seu marido, Douglas Tompkins, ela ajudou na proteção de mais de 15 milhões de acres (ou seja, quase 9 milhões de campos de futebol) de Parques Nacionais no Chile e na Argentina, dentre várias outras ações para a conservação da biodiversidade, como a reintrodução de espécies em seus ecossistemas. Continue acompanhando e a inspiração será garantida!

 

Foto: Tompkins Conservation

 

Esquiadora, no mundo da moda! 

Kristine nasceu no estado da Califórnia e cresceu em meio à natureza, no rancho de seu bisavô. Ela sempre amou a vida ao ar livre, e sempre que podia, visitava os Parques Nacionais dos Estados Unidos, para caminhar, escalar e ter seu momento com a natureza. Quando adolescente, mudou-se para cursar o Colégio de Idaho, quando começou a competir em corridas de esqui. 

Após se formar, ela voltou para a Califórnia e trabalhou com Yvon e Malinda Chouinard. Na época, eles estavam fundando uma empresa, a Patagonia, Inc, varejista de roupas para atividades ao ar livre. Por mais de 20 anos, ela foi CEO desse empreendimento que cresceu incansavelmente! 

Kristine ressalta que trabalhar com Yvon foi fundamental para a sua mudança de visão do mundo. Afinal, Yvon, junto a sua esposa Malinda, sempre adotaram uma postura sustentável na empresa, agindo diferente de qualquer outra à época. Para eles, o lucro não era o único objetivo. Como exemplo de uma de suas ações, eles doavam 10% de todo o lucro para organizações ambientais.

 

Foto: carnegiescience.edu

 

Mudança de continente, estado civil, propósito e… de vida

Em 1993, ela saiu da Patagônia, Inc. e decidiu se mudar para a América do Sul para morar junto a seu antigo amigo Douglas Tompkins, fundador da The North Face Inc. e co-fundador da Esprit. Aventureiros, juntos eles já haviam viajado muito e perceberam que os lugares que amavam, estavam sendo degradados. 

Assim, Douglas teve a ideia de comprar terras e devolvê-las ao governo em forma de Parques Nacionais. E, o lugar onde viram que isso era possível, era na América do Sul. Quando Kris se mudou, ele tinha acabado de comprar 42.000 acres de florestas na região dos lagos do Chile.

 

Kristine e Douglas. Foto: Tompkins Conservation

 

Não demorou para eles se casarem (1994) e uma linda história de amor e comprometimento começar. Unidos também em propósito, eles fundaram a Tompkins Conservation e em mais de 25 anos de trabalho árduo, protegeram mais terras do que qualquer outra pessoa na história

 

Tompkins Conservation e os Parques Nacionais!

Kristine no Parque Nacional da Patagônia. Foto: Tomás Munita – National Geographic Portugal

 

Criada com o intuito de proteger ecossistemas em forma de Parques Nacionais, a Tompkins Conservation já protegeu 15 milhões de acres no Chile e na Argentina. Esses, distribuídos em 15 Parques Nacionais, novos, ou que foram expandidos, e 2 novos Parques Nacionais marinhos. 

Na Argentina estão os: El Piñalito Provincial Park, Parque Nacional da Patagônia, de Iberá, El Impenetrable, Perito Moreno, Monte León e o Marinho. E no Chile, os: Parque Nacional da Patagônia, Pumalín Douglas Tompkins, Isla Magdalena, Cerro Castillo, Melimoyu, Hornopirén, Yendegaia, Corcovado, Kawésqar e o Marinho. Clique aqui para explorar cada um deles.

 

Parque Nacional da Patagônia. Foto: Tompkins Conservation

 

Bom, você já deve estar se perguntando o motivo da escolha de transformar terras em parques. E aqui, já te contamos as respostas. Eles geram empregos duradouros para as comunidades de seu entorno e geram bem-estar a todos que os visitam, afinal, conecta as pessoas à natureza. E, como Kris disse, quando as pessoas gostam do local e estão envolvidas, elas cuidam, ajudando em sua conservação. 

Como se não bastasse, vários parques distribuídos em terra e mar, contribuem para o equilíbrio climático, e claro, são fundamentais para a biodiversidade que abrigam. Quanto mais terras protegidas, menor a fragmentação de habitat e menor o número de extinção de espécies.

 

Kris transfere a gestão do Parque Nacional Pumalín Douglas Tompkins para o governo chileno. Foto: Tompkins Conservation

 

Projetos de Refaunação

Além das terras protegidas, com a coordenação de Kristine e seu marido, a Fundação criou mais de 20 projetos de conservação e monitoramento, entre eles, destacam-se os projetos de refaunação na Argentina e no Chile. Para isso foi criado o Rewilding Argentina e o Rewilding Chile, organizações sem fins lucrativos que executam os projetos de reintrodução.  

 

Relação de Parques Nacionais criados e espécies reintroduzidas pela Tompkins Conservation.
Fonte: Tompkins Conservation

 

Com a reintrodução das espécies-chave, fundamentais ao ecossistema, em seus lares, espera-se a regeneração e auto sustentabilidade dos ambientes e assim, uma atuação humana mínima no local. 

Algumas das ações de reintrodução, foram a soltura de onças-pintadas e ariranhas nas áreas úmidas da Argentina, no Parque Nacional de Iberá. A estimativa populacional das onças indica que só existiam cerca de 200 indivíduos em todo o país, em Iberá inclusive, havia um descontrole populacional de presas, devido à falta do predador. Já as ariranhas haviam sido extintas da Argentina. 

 

Centro de Reabilitação de Onças-Pintadas em Iberá. Foto: Rewilding Argentina

 

Várias outras espécies foram contempladas no programa, como tamanduás-bandeira, nandús-de-Darwin (uma ave parente das emas), araras-vermelhas, diferentes espécies de cervídeos, entre muitas outras. Clique aqui para ver todas as escolhidas e os Parques Nacionais contemplados.

 

Reintrodução com monitoramento de tamanduá-bandeira, extinto localmente, no Parque Nacional de Iberá, Argentina. Foto: Tompkins Conservation

 

Admiração mundial 

Desde 2005, a Tompkins Conservation desenvolve um trabalho de referência para projetos de reintrodução espalhados pelo mundo. E desde sua origem, há mais de 25 anos, desenvolve um trabalho simplesmente de tirar o fôlego com a conservação de áreas protegidas.

Kris e Doug já receberam diversos prêmios, como o prêmio Lowell Thomas, do Clube de Exploradores de Nova York, o Prêmio Anual de Turismo no Mercado Mundial de Turismo em Londres, o Prêmio de Conservação da Biodiversidade da América Latina da Fundação BBVA, entre vários outros. Inclusive, em 2018, ela recebeu a Medalha Carnegie de Filantropia, sendo a primeira conservacionista a recebê-la!

Infelizmente, em 2015, Doug faleceu após um quadro de hipotermia, ao cair de um caiaque na Patagônia Chilena. Mas Kristine segue forte com a missão que os dois começaram, expandindo mais áreas no Chile e na Argentina. Em 2018, ela inclusive assinou, junto à presidente do Chile, Michelle Bachelet, um decreto criando mais cinco Parques Nacionais e expandindo outros três, em um total de 10 milhões de acres de novas terras protegidas no país. Fantástico!

 

Kris e Michelle assinando o decreto de expansão dos Parques Nacionais no Chile.
Foto: Tompkins Conservation

 

Eles sonharam alto e conseguiram. E são uma verdadeira fonte de inspiração e coragem para todos nós seguirmos os nossos sonhos e ajudarmos o mundo, à nossa maneira! O planeta agradece o seu belo e importante trabalho, Kristine!

E claro, caso já esteja planejando visitar alguns dos Parques, a Tompkins Conservation pensou em uma rota para você conhecer os da Patagônia Chilena. Com vistas e paisagens deslumbrantes, a rota tem extensão de 2.700km e percorre 17 Parques Nacionais. Saiba mais aqui.

 

Texto por: Jéssica Amaral Lara

Revisado por: Diego Rugno

Um comércio com rastro de sangue: o tráfico de aves no Brasil

By Animais ameaçados de extinção, Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Notícias

Você sabia que cerca de 37.937.619 milhões de aves são mantidas nas casas dos brasileiros? Esses dados foram coletados a partir da Pesquisa Nacional de Saúde em parceria com o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013. Provavelmente o número deve ser maior atualmente, quase 10 anos depois.

Destas quase 40 milhões de aves, grande parte foi obtida através do tráfico de animais silvestres. Venha entender quão fundo é este problema no texto que fizemos.

 

A beleza e riqueza do nosso país tropical

Foto: Eduardo Fragoso

O Brasil sempre é lembrado quando os assuntos são biodiversidade e beleza das aves, isso porque, dentre todas as espécies aviárias espalhadas pelo mundo, 10% delas estão abrigadas neste país.

A variedade e abundância de espécies silvestres, unidas à ineficiência e fraude da fiscalização e à baixa condição de vida de certas populações, atraem pessoas ao tráfico e comércio de animais, tornando-o, assim, um dos mercados mais lucrativos do mundo.

 

As maiores vítimas desse comércio

Estimar o volume do tráfico de fauna no Brasil é uma tarefa muito difícil, visto que os dados mantidos pelos órgãos governamentais competentes são, muitas vezes, imprecisos, desatualizados e fragmentados.

Um estudo recente adotou uma metodologia de estimativa baseada no número de apreensões feitas pela força policial ao longo de algumas décadas, que levou à constatação de que dentre as 30 espécies mais confiscadas do tráfico, 24 delas são aves, o que corresponde a 80% do comércio de animais silvestres para fins domésticos.

 

Mas por que esse comércio é tão lucrativo e utilizado?

A maioria dos caçadores e coletores provém de famílias pobres, que encontram neste comércio uma fonte de renda extra. Por isso, sujeitam-se a fornecer os animais aos pequenos e médios traficantes por um preço baixíssimo, buscando maiores quantidades para aumentar o lucro.

Os traficantes, por sua vez, cientes de todas as possibilidades de corrupção e desvio de fiscalização, fazem com que esses animais cheguem até os principais consumidores (que, no Brasil, se encontram principalmente nas regiões Sul e Sudeste), contribuindo para que essa comercialização de aves alcance a marca de cerca de 7 a 23 bilhões de dólares por ano. 

Foto: Crueldade à venda

 

Quais são as aves mais contrabandeadas do mundo?

Listamos agora 5 das principais espécies indevidamente comercializadas:

 

1 – Canário da Terra

Sicalis flaveola (Linnaeus, 1766)

Foto: Alejandro Bayer

Esta espécie pertence à ordem Passeriformes e família Thraupidae, sendo mais frequentemente encontrada em regiões secas do território brasileiro. Caracteriza-se pela coloração amarelo-olivácea, tamanho médio de 13,5 cm de comprimento e cerca de 20g de peso. Além, é claro, do seu belo e forte canto, motivo pelo qual a faz estar entre as 5 espécies mais traficadas do Brasil.

Está categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

2 – Coleirinho

Sporophila caerulescens (Vieillot, 1823)

Foto: Claudio Cesar

Esse passeriforme da família Thraupidae recebe esse nome devido ao inconfundível colar de penas brancas e negras presente na região do pescoço. Está distribuído ao longo de grande parte do território brasileiro, com exceção da Região Amazônica e Nordeste.

Ele se tornou alvo da captura indiscriminada devido à sua habilidade cantora, estando categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

3 – Trinca-ferro

Saltator similis (D’Orbigny & Lafresnaye, 1837)

Foto: Frodoaldo Budke

Este é um outro passeriforme da família Thraupidae apreciado pelos brasileiros devido ao seu canto. E seu som é tão marcante que faz com que seja frequentemente submetido a competições e torneios de cantos por seus donos.

Embora esteja categorizado como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção, há evidências de que possa estar ameaçado localmente em algumas regiões de sua ocorrência, situação resultante do tráfico.

 

4 – Pássaro-preto

Gnorimopsar chopi (Leverkühn, 1889)

Foto: Guia Animal

Também conhecido como Chopim, este passeriforme faz parte da família Icteridae e pode ser encontrado em todas as regiões brasileiras, com exceção da Amazônia. Possui uma beleza ímpar com a sua coloração negra brilhante, além de ser considerado o pássaro canoro mais melodioso do país.

É categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

5 – Papagaio-verdadeiro

Amazona aestiva (Linnaeus, 1758) – NT

Foto: Octavio Campos Salles

O Papagaio-verdadeiro é um psittaciforme da família Psittacidae e encontra-se entre os animais mais popularmente procurados para a domesticação, isso se dá devido à sua capacidade de imitar a voz humana, beleza e comportamento dócil.

Para que possam chegar nas mãos dos consumidores, esses animais passam por situações extremamente estressantes, como a ingestão obrigatória de bebidas alcoólicas para impedir que façam barulho e contenção total em tubos de PVC para transporte em malas.

Sua classificação no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção como Quase Ameaçado (NT) está diretamente relacionada ao grande volume do comércio da espécie.

 

Um perigo iminente

Como foi possível ver, muitas dessas espécies não estão categorizadas em estados preocupantes de conservação, entretanto, a pressão exploratória exercida sobre essas espécies é praticamente insustentável. As capturas são feitas com frequência e sem critério algum, além de se concentrarem nas épocas reprodutivas.

Por fim, é importante destacar que o impacto ecológico não se dá somente pela eliminação da espécie de seu ambiente natural, mas também na redução das populações, que leva ao desaparecimento de interações ecológicas significativas em um ecossistema.

Como em toda extinção existe um começo, não seria surpreendente o fato de que no futuro  essas espécies entrem para a lista de animais em risco de extinção, caso medidas eficientes para o combate ao tráfico não sejam colocadas em prática.

 

Não faça parte disso!

Não contribua você também com esse comércio que deixa rastros de sangue, lembre-se: Silvestre não é pet. Há muitas formas de admirar a beleza dessas espécies sem privá-las de sua liberdade.

 

Texto por Aléxia Ferraz

Revisado por Gustavo Figueirôa

Conheça 9 mulheres-chave para a conservação da biodiversidade!

By Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Conheça 9 mulheres-chave para a conservação da biodiversidade!

 

Instituído em 1975 pela ONU, hoje, dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A escolha do dia foi inspirada por um protesto na Rússia em 1917, onde milhares de mulheres reivindicavam por melhores condições de vida e se posicionavam contra a Primeira Guerra Mundial.

Protesto em 1917. Foto: Getty Images via BBC

Bom, neste dia tão importante, viemos homenagear 9 (das várias) mulheres, que têm um papel-chave na conservação da biodiversidade. Mulheres que com certeza fazem parte do Bond da Conservação e são fonte de inspiração para todos nós! Continue aqui conosco e confira:

 

Dian Fossey

Dian Fossey. Foto: Robert I. M. Campbell, National Geographic Creative.

Dian fez dos gorilas-da-montanha a sua família e os defendeu dos caçadores furtivos, com unhas e dentes. Seus esforços foram fundamentais para as populações desses animais, que estavam à beira da extinção, se recuperarem.

Seu belo trabalho ficou conhecido mundialmente e inclusive, ela foi tema do filme: A Montanha dos Gorilas (1988). Claro, ela também foi tema do nosso blog, em que contamos a trajetória dessa mãe, não só dos gorilas, mas da história da conservação. Clique e relembre sua história!

 

Suzana Pádua

Suzana Pádua. Foto: IPÊ

Referência nacional e internacional na área da Educação Ambiental, Suzana é doutora em desenvolvimento sustentável e mestre em educação ambiental. É também uma das fundadoras do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, onde atualmente é presidente. Saiba mais sobre ela.

 

Sylvia Earle

Sylvia Earle. Foto: Acervo Sylvia Earle Twitter

Uma das maiores referências mundiais em vida marinha. Sylvia Earle é uma cientista que ao longo de sua carreira, defendeu de diversas formas a proteção dos oceanos, participou de várias expedições e mergulhou por mais de sete mil horas.

E não para por aí, ela fundou também, a organização Mission Blue, que tem como objetivo explorar, conservar e proteger os oceanos por meio da criação de áreas protegidas, chamadas de pontos de esperança. A sua trajetória, você confere aqui.

 

Patrícia Médici

Patrícia Médici. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Outra grande pesquisadora Patrícia ajudou a fundar o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas quando ainda era estudante e é responsável pela criação do maior banco de dados do mundo sobre as antas. Conheça-a melhor!

 

Karen Strier

Karen Strier. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Karen é antropóloga, professora e presidente da Sociedade Internacional de Primatologia. Além de tudo isso, ela é fundadora do Projeto Muriquis de Caratinga, em Minas Gerais, projeto fundamental à recuperação das populações do maior primata das Américas.

Confira o texto que fizemos, relembrando a sua trajetória.

 

Flávia Miranda

Flávia Miranda. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Uma mulher incrível, referência mundial em estudos do grupo dos tamanduás, tatus e preguiças: Flávia Miranda!

Flávia que, desde o Colégio, já se interessava por tamanduás que rondavam seu alojamento, teve uma longa história com esses animais em sua trajetória acadêmica. O resultado? Muita pesquisa e inclusive a fundação do Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil! Leia sobre Flávia e a inspiração será garantida!

 

Jane Goodall

Jane Goodall. Fonte: neverapart.com

A primatologista que mudou o conhecimento humano sobre os chimpanzés, com certeza é inspiração e exemplo de coragem e dedicação.

Jane fez importantes descobertas sobre os chimpanzés do Parque Nacional de Gombe National, tornou-se PhD em etologia, pesquisadora da National Geographic e ativista ambiental. Saiba mais sobre ela aqui.

 

Neca Marcovaldi

Neca Marcovaldi. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

Neca é oceanógrafa e co-fundadora do Projeto Tamar. O projeto visa a proteção das tartarugas marinhas da costa brasileira e seus resultados são admiráveis.

Em 38 anos de atuação, o Tamar conseguiu devolver mais de 37 milhões de filhotes ao mar, melhorar o status de conservação das espécies com ocorrência no Brasil e empregar 1200 trabalhadores, 80% deles locais! Conheça Neca Marcovaldi!

 

Neiva Guedes

Neiva Guedes. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Uma verdadeira mãe para as araras-azuis. Dentre suas várias atribuições, Neiva é bióloga e doutora em Zoologia, professora, pesquisadora e presidente do Instituto Arara Azul (@institutoararaazuloficial).

Ela também é membro de alguns grupos coordenados pelo IBAMA, como é o caso do Comitê para conservação e manejo da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e do Grupo de Trabalho para recuperação da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Veja aqui a sua história.

 

Nós, da Greenbond (e todo o mundo) agradecemos a contribuição de cada uma de vocês para a proteção de nossa biodiversidade! Além de inspiradoras e fantásticas, vocês conseguem mostrar bem ao mundo, a força e determinação que as mulheres possuem!

Feliz Dia Internacional das Mulheres!

 

 

Por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

IBAMA: Saiba mais sobre o órgão ambiental brasileiro

By Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente

IBAMA: Saiba mais sobre o órgão ambiental brasileiro

Hoje, dia 22 de fevereiro é comemorado o aniversário da criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). No dia 22 de fevereiro de 1989, foi promulgada a Lei nº 7.735, responsável por criar o órgão federal que integra a gestão ambiental do país.

 

Fonte: Internet/Google/Reprodução

 

Fusão de órgãos

Até então, existiam várias entidades que atuavam separadamente na área ambiental. A Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) era responsável pelo trabalho político e de gestão e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), responsável pela gestão de florestas. Além deles, a Superintendência da Borracha (SUDHEVEA) viabilizava a produção da borracha e a Superintendência da Pesca (SUDEPE) fazia a gestão pesqueira.

Cada um desses órgãos, com seus diferentes âmbitos de atuação foram extintos para a criação de um órgão único que integrasse toda a gestão ambiental: o IBAMA. A decisão foi tomada apenas após a participação do Brasil na Conferência das Nações Unidas para o Ambiente Humano, em 1972. O evento foi considerado o pontapé inicial já que, após o mesmo, houve pressão interna e externa para a criação de uma gestão ambiental integrada.

Apesar do órgão integrado apresentar a vantagem de ter uma linha de seguimento única para toda a gestão, sua criação também o torna mais suscetível a ataques e cortes. Além disso, a lei de criação do IBAMA amparou apenas os servidores dos extintos órgãos que eram de cargos efetivos, com a promessa de um concurso público para preenchimento emergencial das demais vagas.

 

Foto: IBAMA

 

Contexto histórico

Criado ao final da década de 1980, o IBAMA herdou problemas ambientais graves. As décadas de 1970 e 1980, período de crescente urbanização no Brasil, foram marcadas pela construção de empreendimentos com grande impacto, como a Transamazônica e a Foz do Iguaçu. Além de outros que levaram a desastres ambientais, como a autorização para uso de agente laranja como desfolhante em Tucuruí e o acidente radioativo em Goiânia com Césio 137.

 

Foto: Vinícius Mendonça – Ibama

 

Não suficiente, os índices de desmatamento, caça e pesca predatória se mostravam alarmantes, com os jacarés do Pantanal e as baleias à beira de extinção. Além de tudo, havia ainda os crescentes conflitos entre comunidades tradicionais e seringueiros, que teve como ápice a morte de Chico Mendes.

 

Atribuições

Com uma herança atribulada, o IBAMA recebeu, então, a responsabilidade de executar a política e gerir de forma integrada a área ambiental no Brasil.

Entre as suas atribuições, cabe ao IBAMA executar a Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei 6.938/81. Além disso, o órgão deve conceder ou não licenças ambientais para projetos na esfera federal, o controle de qualidade ambiental, a autorização para uso de recursos naturais (água, plantas, animais, solo, etc.), além da fiscalização, monitoramento e controle ambiental.

 

Foto: Felipe Guimarães – SOS Pantanal

Seus objetivos são citados como a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental, além de assegurar o desenvolvimento econômico, com o uso sustentável dos recursos naturais.

Para atingir tais objetivos, o IBAMA foi capacitado com o poder de polícia ambiental. Incluem-se aqui as seguintes funções: Implantação do Cadastro Técnico Federal, aplicação de inspeções ambientais e penalidades administrativas, geração e divulgação de informações pertinentes ao meio ambiente, monitoramento ambiental, principalmente relacionado à prevenção e controle do desmatamento, queimadas e incêndios florestais, apoiar, implementar programas de educação ambiental, desenvolver sistemas de informação e desenvolver padrões para a gestão do uso de recursos animais, pesqueiros e florestais, entre outros.

Em 2007, foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), assumindo a Unidade Nacional de Conservação do IBAMA. Desde então, o ICMBio tornou-se o órgão dedicado à gestão da unidade de conservação federal, que abrange cerca de 9% do território brasileiro. Nesse sentido, resta ao IBAMA apenas capacidades complementares – a capacidade de atuar em determinada questão quando o ICMBio deixa de atuar.

 

O IBAMA nos dias atuais

Atualmente, o IBAMA já fez grandes avanços, fortalecendo a questão ambiental no país. A legislação, fiscalização, monitoramento e controle ambiental foram ampliados e melhorados. No entanto, nos últimos anos o órgão vem sofrendo com a redução de verba.

Em 2021, o órgão contava com seu menor quadro de funcionários dos últimos 20 anos, tendo uma queda de 58,7% no número de servidores. Desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder, essa queda se intensificou, tendo perdido 17,7% do quadro de funcionários em apenas 3 anos.

Até 2021, o IBAMA contava com apenas 668 agentes ambientais em todo o país, destes apenas 281 são aptos para a fiscalização, sendo os outros inaptos por questões de idade, doenças ou comorbidades. Em 2010, eram 1.311 fiscais em atuação. Se somado isso à intensificação dos problemas ambientais, como o aumento nos índices de desmatamento e queimadas, fica nítida a necessidade de novas contratações.

 

Foto: Fernando Augusto – IBAMA

 

Após anos de espera, finalmente foi lançado um novo concurso, porém o número publicado foi de apenas 586 vagas, um número muito abaixo do necessário. Segundo a Nota Técnica Nº 16/2020 lançada pelo IBAMA, o órgão teria a necessidade de contratação para um total de 2.311 cargos, quase quatro vezes o número de vagas ofertadas.

Sendo assim, é necessário estarmos cada vez mais atentos com o desmonte que esse órgão vem sofrendo, especialmente pela tamanha importância que ele tem.

 

Texto por Lidiane Nishimoto

Revisado por Jéssica Amaral Lara

Bond da Conservação: Neca Marcovaldi

By Animais ameaçados de extinção, Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos conversar sobre Neca Marcovaldi, oceanógrafa e co-fundadora do Projeto Tamar. Uma mulher admirável, com uma história encantadora! Vem conhecê-la conosco!

 

Neca em 2015. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

 

Tudo pelo mar: de uma vida urbana a uma bem rural

 

Foto: Museu da Pessoa (Acervo Pessoal)

 

Maria Ângela Marcovaldi, mais conhecida como Neca Marcovaldi, nasceu em 1958 na grande cidade de Porto Alegre. Lá ela não tinha contato com o mar, mas desde pequena ia para a praia com sua família e já sabia que o amava tanto, que um dia mudaria para uma cidade no litoral.

Essa admiração e vontade de estar perto do oceano, a fez cursar Oceanografia. Na época, esse curso só existia em uma faculdade em toda a América Latina, na Faculdade de Rio Grande (FURC). E assim, Neca mudou de cidade, de rotina, de amigos.

Sua nova casa, que mais lembrava um sítio, ficava em zona rural, a 30km da cidade mais próxima. Lá ela morava com outros estudantes e também com vários animais silvestres, que cuidavam para o Zoológico de Porto Alegre. Que baita mudança de vida!

 

Explorando a costa brasileira

 

Neca em 1990. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

 

Durante a graduação, Neca e seus amigos tinham uma enorme vontade de explorar o litoral brasileiro. E, muitas vezes, o Museu Oceanográfico financiava a busca de material malacológico (moluscos como ostras e caramujos) para seu acervo. Bom, foi juntando a fome com a vontade de comer, que a turma foi para vários pontos da costa buscar material para o Museu e claro, conhecer o litoral. Isso os permitiu conhecer ambientes como Fernando de Noronha, Abrolhos e Atol das Rocas.

Inclusive, foi em uma dessas expedições, para o Atol das Rocas, uma em que ela não havia participado, quando tinha acabado de entrar para o curso, que essa mesma turma viu um pescador capturando tartarugas-marinhas fêmeas que estavam indo para as praias desovar. Assustados, eles registraram tudo e tentaram salvá-las, conseguindo resgatar metade delas.

Na época, não havia relatos de tartarugas marinhas no Brasil, e logo, quando os estudantes contaram para seus professores o que tinham visto, mesmo com fotos, o fato pareceu piada! Mas eles não desistiram e relataram o caso também para o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) que mais tarde deu origem ao IBAMA. E que ótimo que contaram, pois o IBDF propôs, anos depois, que parte dos estudantes percorressem a costa, levantando informações sobre as tartarugas-marinhas e também, sobre os peixes-bois. E assim fizeram um milagre: de 1980 a 1982, o grupo de cerca de 4 estudantes, incluindo a Neca, percorreram do Rio de Janeiro ao Amapá basicamente a pé, levantando a distribuição desses animais e também suas ameaças.

 

Surgimento do Projeto TAMAR (e do Projeto Peixe-boi)

 

Tartaruga-cabeçuda. Foto: Projeto Tamar.

 

Ao conhecer melhor as ameaças que os animais enfrentavam, os 4 exploradores se dividiram, criando projetos sobre os grupos estudados, o Projeto Tamar, para conservação das tartarugas-marinhas, e o projeto para a conservação do peixe-boi (e que belo trabalho eles fazem até hoje!).

E foi com o início do Tamar, que ela mudou novamente de cidade: uma das primeiras iniciativas no projeto foi a criação de três bases, onde ocorriam ao menos duas espécies de tartarugas. Neca ficou com a base da Praia do Forte, na Bahia, mudando quase que para o outro lado do país. Inclusive, ela comenta que o choque cultural foi imenso.

 

Projeto Tamar – 1990. Foto: Museu da Pessoa (Acervo Pessoal)

 

Desde então, ela dedica sua vida ao Projeto Tamar. Foram muitas conquistas e claro, muita luta. Com muito esforço, Neca e sua equipe conseguiram colocar os pescadores, suas famílias, a comunidade local e hoje, o Brasil e o mundo inteiro ao seu lado na luta pela conservação das tartarugas marinhas. Neste vídeo, do canal do Projeto Tamar, e neste feito pelo Instituto Tamanduá, ela conta mais sobre as etapas do Projeto. Com um árduo trabalho eles conseguiram a admiração coletiva de todos nós e viraram uma referência na conservação da biodiversidade.

Até a pandemia, eram 1200 trabalhadores envolvidos no projeto, 80% deles, membros das comunidades, em 23 locais na costa brasileira. É de tirar o fôlego, né? E claro, digo até a pandemia, pois infelizmente o projeto também sentiu os impactos decorrentes do isolamento. Afinal, o turismo e consequente venda de produtos nas lojas físicas das bases é uma enorme fonte de renda ao Tamar. E é por isso que, caso você consiga, indicamos ajudar o projeto comprando na lojinha virtual.

 

Neca, músico Lenine, Nina, Guy e Ricardo Soavinski. Foto: Acervo/ICMBio

 

Junto ao Tamar, outra história de vida: Guy Marcovaldi

Nessa missão de vida, Neca teve um companheiro fundamental, o seu marido Guy Marcovaldi, também fundador do Tamar.

 

Guy Marcovaldi. Foto: Agência Petrobrás

 

Juntos desde a faculdade, Guy também dedicou sua vida às tartarugas marinhas. Com o estabelecimento do projeto, por vezes, enquanto Neca ficava na base da praia do Forte, Guy ficava em outras bases. Mas sempre davam um jeito de se encontrar.

O casal tem uma filha, Nina Marcovaldi, que atua na coordenação do projeto e comentários à parte, neste ano terá um bebê. Neca e Guy serão vovôs!

 

Neca, Nina e Guy Marcovaldi. Foto: Revista Trip – UOL

 

Caso queiram conhecer melhor a história do casal e do Tamar, Nina, como protagonista, junto à Jeep, fez uma série narrando a trajetória de seus pais, para assistir é só clicar aqui.

 

Nina Marcovaldi na série em parceria com a Jeep. Foto: Draft

 

Um belo ser humano!

Neca no 38º Simpósio Internacional de Tartarugas-marinhas, Japão. Foto: Projeto Tamar

 

O trabalho de Neca rendeu, além de vários importantes prêmios, como o Heroes of the Planet, pela revista Times, uma inspiração enorme para a população no geral e para nós que trabalhamos na área. Ela tem com si, um aspecto chave para quem deseja ir longe: a perseverança. Como ela mesmo disse, em uma entrevista ao Museu da Pessoa:

“A primeira (lição que tirei da minha carreira) mesmo é perseverança. Eu entendo que a gente vive num país que tem muita dificuldade ainda e se não houver muita vontade de se fazer alguma coisa e tentar mudar automaticamente, não acontece. Então, eu continuo mesmo o Tamar maior, mesmo já tendo realizado uma boa parte do que eu gostaria, cada dia é um dia de batalha, de luta e continua tendo milhões de dificuldades, milhões de coisas boas, mas que a gente não pode parar de lutar, né?”

E é isso mesmo Neca, nunca podemos parar de lutar! Agradecemos infinitamente o seu trabalho, a sua dedicação, e a você ser assim, um belo ser humano, dotado de perseverança como é!

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

Grande e Ameaçado: Conheça o Sistema de Recifes do Amazonas

By amazonia, Animais ameaçados de extinção, Conservação, Educação ambiental, GreenBond, Meio Ambiente, Notícias

Descoberto há poucos anos, o Grande Sistema de Recifes do Amazonas conta com cerca de 56 mil quilômetros quadrados, área equivalente ao Estado da Paraíba. 

Quer saber mais sobre esse ecossistema fascinante? Vem conferir!

Foto: Greenpeace

Recifes de Corais – o que são e qual a sua importância

Com uma aparência peculiar, fixados ao solo e com cores marcantes, os corais são frequentemente confundidos com plantas. Por outro lado, ao reparar seus exoesqueletos de carbonato de cálcio, que dão uma aparência rígida, eles são também confundidos com rochas. Mas a realidade é que se tratam de animais, os chamados antozoários. 

Esses animais se fixam às superfícies, dando origem às colônias que são conhecidas como recifes de corais. E quanta importância eles possuem, afinal eles são fundamentais para o ambiente onde vivem e até mesmo para nós e com apenas alguns exemplos, vamos te mostrar o porquê. 

Em meio aos recifes outros animais fazem sua morada, como peixes, que inclusive colocam seus ovos ali. Parte deles com relevância econômica. Além da rica biodiversidade que abrigam, eles ajudam na proteção das zonas costeiras das ondas decorrentes de tempestades. Sem falar em sua beleza encantadora, que os torna alvo de turismo, o que gera renda para a comunidade local.  

 

Formações Gigantescas

Em grande quantidade, recifes podem resultar em formações imensas, que podem ser vistas até mesmo do espaço, como é o caso da Grande Barreira de Coral australiana.

Grande Barreira de Corais da Austrália. Foto: NASA

 

No Brasil, há também uma importante formação que recebe o nome de Grande Sistema de Recifes do Amazonas. Após décadas de suspeitas, com a presença de animais que apenas ocorrem em locais com formações coralíneas, em 28 de janeiro de 2017 foram divulgadas as primeiras fotos dessa gigantesca formação. E é por isso que, ontem, dia 28 de janeiro, foi celebrado o Dia Mundial dos Corais da Amazônia.

Foto: Greenpeace

 

O Grande Sistema de Recifes do Amazonas

O rio Amazonas, o maior do mundo, despeja 200 mil metros cúbicos de água doce por segundo no Oceano Atlântico. Essa água, rica em sedimentos e de aparência barrenta, bloqueia a maior parte da luz do sol. Em alguns pontos, a luminosidade não passa de 2%.

 

Foto: Lance Willis – National Geographic Brasil

 

É um dos últimos locais que se esperaria encontrar um recife, mas mesmo assim, em 2012, o pesquisador Rodrigo Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez uma descoberta surpreendente. Um extenso recife foi encontrado a cerca de 120 quilômetros da margem do rio Amazonas.

 

Foto: Jornal da USP

 

A descoberta foi considerada uma das mais importantes no âmbito da biologia marinha nos últimos anos, e, apesar do peso dessa novidade, ainda existem poucos estudos desse sistema de recifes do Amazonas. Ou seja, ainda há muitas características para serem apresentadas sobre ele. Estima-se que apenas 5% desse ecossistema tenha sido estudado até então.

Diferente dos famosos recifes coralíneos, esse ecossistema é formado majoritariamente por algas calcárias. Estes crescem em ambientes mais fundos e menos luminosos, mas ainda há a presença significativa de uma biodiversidade que ocorre apenas nessa região.

 

Foto: Ronaldo F. F. – Greenpeace

 

Além da biodiversidade única e seu valor como ecossistema, esse recife é extremamente promissor no que diz respeito à produção de fármacos. Existe o potencial da presença de bactérias ainda não conhecidas pela ciência, o que pode agregar valor tanto na preservação quanto na sua exploração farmacêutica.

Mas o certo é que esse recife já beneficia a preservação do ecossistema local. Sua existência impede que a região seja explorada, uma vez que a degradação seria iminente naquele local, principalmente pelo setor petrolífero.

 

Empresas Petrolíferas

Há anos ameaçada pela indústria petroleira, a região em que se encontra o Grande Sistema de Recifes do Amazonas seria explorada pela empresa francesa Total e a britânica BP. Após ações de combate à exploração e de conscientização, lideradas principalmente pelo Greenpeace, o Ibama negou a licença ambiental à Total para perfuração no local.

 

Foto: Greenpeace

 

Apesar disso, a empresa insistiu em seus planos através da transferência de sua participação à Petrobrás, enquanto a BP continua no projeto. Por isso, apesar de uma vitória ter sido conquistada, é importante nos mantermos atentos às ameaças e em defesa dessa riqueza nacional.

Por isso é importante divulgar o conhecimento sobre o Grande Sistema de Recifes do Amazonas e sua importância. Que tal compartilhar esse texto para começar?

 

Texto por Lidiane Nishimoto

Revisado por Jéssica Amaral Lara

Bond da Conservação: Chico Mendes

By Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos conversar sobre uma das maiores referências do Brasil na luta contra o desmatamento, afinal, hoje (15/12/21) esse importante herói da conservação faria 77 anos! Vamos falar sobre Chico Mendes!

Foto: Wikimedia Commons

 

Seringueiro

Nascido no ano de 1944 em Xapuri, Acre, Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, cresceu em uma família de seringueiros.

Casa em que Chico Mendes morou em Xapuri, reformada e transformada em Centro de Memória. Foto: ebiografia.com

 

Os seringueiros extraem látex das árvores seringueiras, nativas da floresta Amazônica. A extração do látex é o primeiro passo para a produção da borracha natural.

Extração de látex em seringueira. Foto: Gilson Essenfelder, Sítio Pandorama.

 

Durante toda a sua infância e adolescência, Chico acompanhou seus pais no trabalho. Aos 11 anos ele, inclusive, já extraia látex. Neste meio, ele percebia as difíceis condições que esses trabalhadores tinham que aguentar. Os seringueiros viviam em um regime de exploração, em que qualquer forma de oposição não era permitida e ainda, viviam endividados, já que em troca de seu trabalho, eles recebiam produtos industrializados, produtos pelos quais eles não conseguiam pagar.

Tal regime se mantinha pois, desde 1945, a borracha deixou de ser um importante produto de exportação, e esse modelo de exploração era o que ainda trazia resultados para a economia local. Viver nessa realidade foi suficiente para Chico querer mudar a vida dessas pessoas.

 

Sindicatos e vida política

Diferente da maioria dos seringueiros, Chico foi alfabetizado aos 16 anos por um refugiado político que vivia próximo a ele, Euclides Fernandes Távora. O que foi fundamental para ele fazer parte da diretoria do primeiro sindicato que surgiu no Acre, em 1975, o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia.

Dois anos depois, ele participou da fundação do Sindicato de sua cidade, Xapuri, onde mais tarde, em 1983, ele seria eleito presidente. Também em 1977 foi eleito vereador pelo MDB e já em 1980, junto a Lula, fundou o PT.

Chico Mendes no Sindicato de Xapuri. Foto: Infográficos Estadão

Em meio à vida sindical e política… Sai borracha, entra desmatamento 

Por volta de 1970, a borracha já não era nada lucrativa. Com a entrada do governo militar, viu-se a necessidade de uma nova forma de ocupação da Amazônia. Palavras do general Castelo Branco, era necessário “Integrar, para não entregar”. Para isso, o governo priorizou a especulação fundiária da Amazônia para abrir espaço para a pecuária. E claro… com ela, veio muito… muuito desmatamento. E também, muita resistência. Afinal, os seringueiros não ficaram parados!

Em uma tentativa de tentar frear o desmatamento, os seringueiros e suas famílias se uniram sob a liderança do fundador do Sindicato de Brasiléia, Wilson Pinheiro e foram à luta. Chico, que já fazia parte da diretoria do sindicato, participou das ações.

Uma das formas de luta ficou conhecida como “Empate às derrubadas”. Nela, os seringueiros explicavam aos contratados pelos pecuaristas para desmatar, a importância das florestas para suas famílias, convidava-os a se tornarem seringueiros e desmontavam seus acampamentos, impedindo o desmate.

Empates às derrubadas. Foto: EBC

 

Várias eram as ações lideradas por Wilson, muitas, grandiosas. E com isso, vários eram os seus inimigos. Em 1980 ele foi assassinado dentro da sede do sindicato. Chico, tomou a liderança das ações.

 

O líder Chico Mendes

Foto: Homero Sérgio/Folha Imagem

 

Chico liderou diversas ações contra o desmatamento, inclusive, Empates às derrubadas. Mas foi quando liderou o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, que suas ações ganharam repercussão nacional e internacional.

Durante o encontro foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e foi proposta a criação da “União dos Povos da Floresta”. Nessa união, índios e seringueiros deveriam se unir, afinal, eles têm o mesmo objetivo: proteger as florestas e sofrem as mesmas pressões. Também foi proposto a criação de Reservas Extrativistas, locais onde a floresta e seus povos seriam respeitados.

A partir daí, pessoas de vários países entraram em contato com Chico, que expôs suas lutas e os problemas locais. Com seu trabalho reconhecido também internacionalmente, Chico ganhou vários prêmios, inclusive o Prêmio Global 500 da ONU.

 

Família

Chico e Ilzamar. Foto: Wikimedia commons

 

Além de grande líder, Chico era um grande pai. Ele possuía três filhos, Ângela, do primeiro casamento, e um casal, Elenira e Sandino, do segundo casamento, com sua esposa Ilzamar.

Chico com seu filho Sandino. Foto: Wikimedia commons

 

Assassinato

Após suas batalhas ganharem repercussão, Chico sofria cada vez mais ameaças de seus inimigos. Infelizmente, no dia 22 de dezembro, uma semana após seu aniversário de 44 anos, ele foi assassinado.

Ele foi morto a tiros de escopeta, no quintal de sua casa, por Darci Alves, que cumpria ordens de seu pai, o fazendeiro Darly Alves. Os assassinos foram condenados a 19 anos de prisão, mas ficaram presos somente 3 anos, quando fugiram. Anos depois foram recapturados.

 

O legado de Chico Mendes permanece vivo!

Foto: Acervo Digital: Dept. de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM/AC

 

Nos anos após sua morte, foram criadas as primeiras Reservas Extrativistas, categoria de Unidade de Conservação que se mantém até hoje. Uma delas, com 931 mil hectares, tem o seu nome: Reserva Extrativista Chico Mendes.

Chico também foi homenageado quase 20 anos depois, quando foi criado o órgão ambiental responsável por gerir todos os tipos de Unidade de Conservação: o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Esse herói nunca será esquecido. Ele sempre será sinônimo de resistência, de defesa de nossos povos e de nossa floresta. Ele sempre será inspiração para todos nós, que seguimos na luta contra o desmatamento, que seguimos lutando pela conservação de nossa biodiversidade.

Hoje, na data em que ele faria aniversário, relembramos a sua história e o seu legado. Assim como Chico nos inspirou a escrever essa matéria, esperamos ter inspirado vocês, com a sua história.

 

Caso queira conhecê-lo melhor, recomendamos o documentário “Eu Quero Viver” (1989), que você encontra neste link:

https://youtu.be/_Ad2UJNRK5E

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Diego Arruda

Ficha animal: Mico-leão-dourado

By Animais ameaçados de extinção, Conservação

Um pequeno primata de beleza estonteante. Com seus pelos de cor vibrante, variando de dourado a vermelho-dourado, esse bichinho já chamou atenção de muita gente! Tanta gente, que acabou quase sendo extinto. 

Conheça o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), o mascote da conservação da biodiversidade.

Parque para o mico-leão-dourado

Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia). Foto: Isto É dinheiro

 

Classificação 

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Mammalia

Ordem: Primates

Família: Callitrichidae

Gênero: Leontopithecus

Espécie:  Leontopithecus rosalia

 

Ocorrência

O mico-leão-dourado, Leontopithecus rosalia, é uma espécie endêmica da Mata Atlântica do Rio de Janeiro e Espírito Santo, sendo que atualmente se encontra extinto na região do Espírito Santo.

 

Mapa de ocorrência do mico-leão- dourado. Imagem: wikipedia

 

Características

Sem dúvidas a característica que mais se destaca nos micos-leões-dourados é a pelagem densa em tons de dourado a  vermelho-dourado. Não existe diferenciação de cor e tamanho entre machos e fêmeas. Possuem caudas compridas que permitem que se locomovam com muita destreza pela vegetação arborícola. 

O comprimento médio dos indivíduos é de 587 mm com o  peso de 500g a 700g, sendo os maiores do seu gênero.

 

Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia). Foto: O eco

 

Quais são os hábitos da espécie?

Os mico-leão-dourado são considerados animais onívoros, ou seja, comem de tudo um pouco. Sua alimentação varia desde frutos, animais invertebrados à até pequenos vertebrados. Eles podem se alimentar de mais de 60 espécies de plantas e sabe a melhor parte? Eles eliminam as sementes dos frutos que comem inteirinhas nas fezes, sendo ótimos jardineiros de nossas florestas.  Além disso, também controlam a população de aves  Fazem ou não fazem um ótimo serviço ecossistêmico? 

 

Reprodução

O mico-leão-dourado vive cerca de oito anos e pode se reproduzir uma ou duas vezes por ano. Quando nascem os filhotes, tanto o pai quanto a mãe ajudam na criação.

 

A história do mico-leão-dourado, um dos símbolos da complexa relação entre homens e natureza | Blog da Amélia Gonzalez | G1

Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia). Foto: G1

 

Conservação

Acreditem, a existência desses primatas a muito pouco tempo esteve por um triz. 

Quando os europeus chegaram ao Brasil, se depararam com uma fauna exuberante  e se encantaram com tanta beleza. 

O mico-leão-dourado foi um dos animais fortemente traficados pelos europeus quando eles chegaram ao Brasil. Eles ficaram tão encantados com a beleza do animal que o levaram para a Europa para o ter como animal de estimação. 

Ah, mais isso foi antes, né? Hoje em dia as pessoas já sabem que isso é errado? Ai que você se engana. Até hoje, os poucos indivíduos que ainda restam, ainda são perseguidos por traficantes para a venda para pessoas que ¨amam muito os animais¨. Amor estranho esse, é? Que priva a liberdade de um ser vivo, causando até a extinção da espécie?

A destruição da Mata Atlântica também é um grande problema enfrentado pelo mico-leão-dourado . Com a perda do seu habitat natural, hoje eles estão confinados em fragmentos de matas em apenas oito cidades do Rio de Janeiro.

A população de micos-leão-dourados chegou a se restringir a apenas 200 animais ao todo, sendo considerados  “criticamente ameaçado” de extinção

Graças aos esforços de muitos pesquisadores, que se dedicaram a salvar essa espécie da extinção, a população dos micos-leões-dourados teve um aumento considerável.  Atualmente, a espécie passou a ser classificada como “ameaçada” de extinção e estima-se que existam  menos 2,5 mil indivíduos na natureza.

Por toda a sua importância ecológica, os micos-leão-dourados tem sido utilizados como espécie determinante para a preservação da Mata Atlântica, principalmente no Estado do Rio de Janeiro.

 

Vencemos uma batalha pela conservação, mas a luta ainda é árdua. Enquanto tiverem pessoas destruindo nossa fauna, estaremos a postos!

 

Ficha animal: Bicudo (Sporophila maximiliani)

By Animais ameaçados de extinção, Conservação, Ecoturismo

Já ouviu falar dos bicudos? 

São pequenos passarinhos extremamente ameaçados de extinção mas que tem despertado a atenção de uma galera da conservação. 

 

Há mais de 50 anos não eram vistas espécies de bicudo nativas no Brasil e há mais de 80 anos não eram vistas em MG — Foto: Alice Lopes/Acervo Pessoal

Bicudo Macho. Imagem: Alice Lopes.

 

Características

Também conhecido como bicudo-do-norte (SP), bicudo-preto e bicudo-verdadeiro, o bicudo (Sporophila maximiliani) é um passeriforme pequeno da família Thraupidae ( entre 14,5 e 16,5 centímetros de comprimento). 

Os machos adultos apresentam coloração preta, com uma mancha branca na parte externa das asas. As fêmeas e os filhotes apresentam coloração parda, em tons de castanho. Os jovens machos começam a adquirir a plumagem de adulto por volta dos 12 meses de idade.

Seu bico, que dá nome à espécie é bastante robusto, sendo facilmente diferenciado dos demais  sporophilas devido a sua grande proporção em relação a cabeça.

 

Confira algumas informações sobre os bicudos, aves da família de sanhaçus e saíras — Foto: Arte/TG; Ilustração/Tomas Sigrist

 

Canto

O canto dos bicudos lembra o som de uma flauta e ocorrem variações regionais e individuais. Apesar de serem praticamente inexistentes na  natureza, em cativeiro são bastante abundantes sendo muito apreciados em campeonatos de canto. 

 

Bicudo macho. Imagem: Criadouro São Miguel.

 

Hábitos

Pouquíssimo se sabe sobre seus hábitos em vida livre. Além de serem naturalmente muito raros, são considerados já extinto em várias regiões onde ocorria.

Acredita-se pelos poucos estudos que existem e basicamente por relatos populares que a espécie habita pastos alagados, veredas com arbustos, bordas de capões de mata, brejos, beiras de rios e lagos, aparentemente em locais próximos à água.

São animais territorialistas, sendo encontrados em pares que defendem seus territórios contra invasores. 

 

A ave fêmea dos bicudos se difere por apresentar tons pardos, se opondo ao preto forte dos machos — Foto: Alice Lopes/Acervo Pessoal

Bicudo fêmea. Imagem: Alice Lopes

 

Reprodução

A estação reprodutiva vai de outubro a março, podendo um casal ter até três ninhadas no período. Cada postura varia de 2 a 3 ovos e o período de incubação vai de 13 a 15 dias. 

 

Alimentação 

Sua dieta se assemelha com os demais sporophilas, sendo composta por capim-navalha (Hypolytrum pungens), navalha-de-macaco (Hypolytrum schraerianum) ou a tiririca (Cyperus rotundus). 

Distribuição geográfica 

Os bicudos, originalmente eram encontrados no Amapá, leste e sudeste do Pará, Maranhão e Rondônia e, localmente, no Nordeste e Centro-oeste do País, de Alagoas ao Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, estendendo-se para oeste até Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso. Encontrado localmente também da Nicarágua ao Panamá e em todos os demais países amazônicos, com exceção do Suriname.

 

Municípios onde os observadores do WikiAves registraram ocorrências da espécie bicudo (Sporophila maximiliani).

 

 

Principais ameaças 

Por serem bastante apreciados por humanos os bicudos sofreram uma grande pressão de captura e hoje são já são considerados extintos em alguns estados como Rio de Janeiro e São Paulo.

Acredita-se também que os animais possam sofrer com envenenamento por agrotóxico devido a sua eventual alimentação em plantações de arroz.

 

Projetos desenvolvidos

Buscando alterar o seu crítico estado de conservação, pesquisadores de aves realizam importantes pesquisas e buscas pela espécie.

Após quase 3 anos de busca, em fevereiro de 2020, pesquisadores do WAITA Instituto de Pesquisa e Conservação encontram uma pequena população de Bicudos no leste de Minas Gerais e os vem monitorando desde então. 

Haviam mais de 80 anos que a ave não era encontrada em Minas e o reencontro trouxe esperança.

“Renova nossas energias e esperanças de vê-lo repovoando o Estado. Esse registro possibilitará diversos estudos comportamentais sobre habitat, alimentação e reprodução, que são praticamente inexistentes e serão fundamentais para subsidiar um futuro programa de reintrodução”. Alice Lopes, bióloga do WAITA.