Onde você se vê em 10 anos? Essa é uma pergunta que muitos consideram difícil e que a maioria de nós já precisou responder. Sejam lá quais forem seus planos para a próxima década, sua resposta, a minha e a de todos seres vivos começará com o mesmo primeiro passo: estar vivo. Pode parecer fácil para nós, seres humanos, estarmos vivos pela próxima década, mas, para um animal que corre alto risco de extinção, estar vivo nos próximos 10 anos pode ser um verdadeiro milagre. E hoje, 29/07/2020, no Dia Internacional do Tigre, alertamos sobre a necessidade de preservação e conservação da espécie para que as próximas décadas se tornem realidade.

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) | Foto: Basotxerri

 

“Você vai ouvir o meu rugido!”

 

O tigre (Panthera tigris) faz parte da família dos Felídeos, que tem como características o focinho curto, cabeça arredondada, além de serem mamíferos carnívoros. Tendo uma distribuição variada pelo continente asiático, possuem habitats naturais como bosques, florestas úmidas e estepes geladas, o que proporcionou ao animal se desenvolver em 9 subespécies. Infelizmente, 3 delas encontram-se extintas e as outras 6 correm sério risco de extinção.


Tigre Siberiano (Panthera tigris altaica) – A maior das subespécies dos tigres possui machos chegando a 3m de comprimento e pesando cerca de 300kg. Já as fêmeas possuem 2,6m e pesam entre 100kg e 160kg. Tem pelos de coloração amarelo claro com linhas mais espaçadas, num tom mais próximo ao marrom e com cabeça e abdômen esbranquiçados.

 

Tigre-Siberiano (Panthera tigris altaica) | Foto: Chrumps

 

Tigre-do-sul-da-China (Panthera tigris amoyensis) – Contam com machos medindo aproximadamente 2,5m e pesando cerca de 150kg; e fêmeas com 2,3m e 110kg. Possuem uma coloração mais amarelada que a do tigre siberiano e conta com linhas dorsais mais próximas.

 

Tigre-do-sul-da-China (Panthera tigris amoyensis) | Foto: J. Patrick Fischer

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) – O segunda maior subespécie, é uma das populações de grande felinos mais ameaçadas de extinção no planeta. Possui duas variedades de coloração, conhecidas popularmente como tigre branco e tigre dourado. Os machos medem cerca de 2,9m e pesam 220kg, já as fêmeas medem 2,5m e pesam 140kg.

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) | Foto: Stephenekka

 

Tigre-da-Indochina (Panthera tigris corbetti) – Menores que os tigres-de-bengala, essa subespécie encontra-se extinta na China mas ainda possui populações na Tailândia, Mianmar, Vietnã, Camboja e em Laos. Os machos possuem 2,7m e pesam cerca de 180kg, enquanto as fêmeas têm aproximadamente 2,4m e pesam 115kg.

 

Tigre-da-Indochina (Panthera tigris corbetti) | Foto: Avda

 

Tigre-de-Sumatra (Panthera tigris sumatrae) – Sua população é a que possui a pelagem com coloração mais escura entre todas, além de possuir riscas duplicadas em tons de preto. É a menor das subespécies vivas, com os machos medindo 2,4m e pesando 120kg e as fêmeas com 2,2m e 90kg.

 

Tigre-de-Sumatra (Panthera tigris sumatrae) | Foto: Daderot

 

Tigre-Malaio (Panthera tigris jacksoni) – Esta subespécie fazia parte da classificação Tigre-da-Indochina até 2004, quando estudos do investigador Stephen J. O’Brien identificaram que os Tigres-Malaios possuíam diferenciação genética o suficiente para serem considerados uma subespécie. Seu nome científico é uma homenagem a Peter Jackson, um cineasta neozelandês que defendeu ativamente a preservação dos tigres por mais de 40 anos. Esse fato causou certo descontentamento em autoridades e instituições locais que preferiam que o nome científico honrasse seu local de origem, visto que o animal é ícone nacional da Malásia.

 

Tigre-Malaio (Panthera tigris jacksoni) | Foto: Hans Stieglitz

 

† Tigre-de-Bali (Panthera tigris balica) – Naturais de ilha de Bali, na Indonésia, foram caçados até serem extintos em 1937, pois os moradores acreditavam que eles representavam o “mal”. A subespécie era frequentemente comparada à suçuaranas e leopardos devido ao seu tamanho pequeno e ao seu peso – metade dos Tigres-Siberianos.

 

Tigre-de-Bali (Panthera tigris balicai) | Foto: Hary Atwell

 

† Tigre-de-Java (Panthera tigris sondaica) –  Extinto na década de 1970, como resultado de destruição de seu habitat natural na ilha indonésia de Java e da caça desenfreada, existem provas limitadas de sua existência. Entre elas: poucas fotos, uma impressão de sua pata descoberta em 1997, assim como pelos e fezes encontrados em 2004.

 

Tigre-de-Javai (Panthera tigris sondaica) | Foto: F. W. Bond

 

† Tigre-do-Cáspio ou Tigre-Persa (Panthera tigris virgata) – A mais ocidental das subespécies de tigres foi provavelmente extinta também na década de 1970. Muito utilizada no Coliseu de Roma, foi alvo de perseguições em diversos países, principalmente na Rússia czarista: por conta de programas de colonização, acreditava não haver mais espaço para o tigre.

 

Tigre-do-Cáspioi (Panthera tigris virgata) | Foto: Autor desconhecido

 

Maior felino do mundo, o tigre é um dos mais letais caçadores do reino animal! Seu nome vem do iraniano e significa “flecha”, por ter como principais características a agilidade, o silêncio e a atuação certeira. Possui olfato, audição e visão apuradas. Podemos destacar, inclusive, sua visão noturna, que os permite terem uma grande vantagem contra suas presas. Além do mais, possuem um corpo musculoso que o proporciona uma força capaz de abater presas de até 900kg!

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) | Foto: Marvin Gerrald

 

Sua alimentação é variada, caçando de gatos selvagens a porcos, veados, antílopes, ursos e bovinos. O felino é capaz de consumir até 18kg de carne de uma única vez e 45kg por dia, o que o permite ficar alguns dias sem se alimentar. Por ser um predador silencioso, mesmo sendo bem ativo durante a manhã, prefere a noite para realizar suas caçadas, principalmente para se proteger contra os caçadores e se camuflar ainda mais no ambiente.
As patas acolchoadas com unhas retráteis os permitem rastejar silenciosamente até suas presas. Suas garras longas e encurvadas os permitem, além de subir em árvores, arrastar suas caças por grandes distâncias.

Diferentemente de outros felinos, os tigres, assim como as onças-pintadas, são ótimos nadadores e gostam de se banhar, seja para brincar e se refrescar quando filhotes; seja para caçar e cruzar lagos e rios quando adultos.
Sua língua apresenta papilas afiadas e espinhosas que rasgam peles, penas e carne ao lambê-las por várias vezes. Seus fortes rugidos podem causar calafrios e paralisar qualquer animal que os ouve, inclusive, seres humanos!
Por ser um animal solitário, é muito raro encontrar agrupamentos de tigres, com exceção das fêmeas e de seus filhotes. Porém, quando se encontram em uma caçada,  dividem suas presas, e quando em grupo, deixam que as fêmeas e os filhotes se alimentem primeiro. As listras de seu corpo funcionam como impressões digitais humanas e nenhum tigre tem listras iguais aos outros, o que os torna únicos. Fêmeas dão à luz de 1 a 5 filhotes e são as responsáveis por criar suas proles, se encontrando com os machos apenas para a reprodução. 

 

A ferocidade do animal humano

 

Presente em mitos, lendas, religiões, filmes, literaturas e outras diversas representações culturais, o tigre é um dos animais que mais desperta o interesse nos seres humanos desde os tempos antigos. Símbolo nacional de países como Índia, Bangladesh, Malásia e Coreia do Sul, mascote de diversas equipes esportivas e empresas ao redor do mundo – até mesmo de marca de cereais de café da manhã, rs – o tigre pode não ser mais uma figura presente nas vidas das gerações futuras. O felino é essencial para a manutenção de um ecossistema saudável. No entanto, a espécie tem sido vítima do mais feroz e implacável predador de nosso planeta: o ser humano.

Através dos séculos e das regiões, os tigres sofrem com a maior ameaça à sua espécie, a caça e o contrabando. Por ter a pele, as garras, dentes e os ossos muito visados para usos comerciais e medicinais em alguns países asiáticos, as populações de tigres selvagens vem diminuindo drasticamente a ponto de que, hoje, todas as subespécies de tigres correm altos riscos de extinção. Segundo estimativas da WWF e da Global Tiger Forum realizadas em 2016, com uma queda de 97% de toda a população desde o início do século XX, existem cerca de 4.000 indivíduos selvagens sobreviventes da espécie. Em locais como Bali e Java, suas respectivas subespécies encontram-se extintas graças a caça praticada de maneira implacável. Ainda assim, existem outras causas diretas e indiretas que tem contribuído para o desaparecimento dos tigres. 

A agricultura, a colonização e a expansão urbana também têm sido duras com os animais. Isso porque reduziram drasticamente para apenas 7% seus habitats naturais, o que prejudica diretamente sua sobrevivência e por consequência, sua reprodução. O desmatamento das grandes florestas asiáticas em busca de madeira ou para serem transformadas em campos agrícolas, bem como o aquecimento global também são fatores prejudiciais à preservação da espécie, pois afetam diretamente seu habitat natural.

 

Tigre-Siberiano (Panthera tigris altaica) | Foto: S. Taheri

 

Dez anos podem ser o que separam a espécie de seu fim, caso a sociedade continue em um ritmo irrefreável de destruição da natureza. Há dez anos, em 29/07/2010, na região de São Petersburgo, na Rússia, foi criado o Dia Internacional do Tigre, com o plano de que esta data servisse para reiterar a importância da conservação da espécie e da preservação da fauna e da flora que os abrigam e alimentam.

Desde então, muitas fundações e projetos têm se esforçado na implementações de medidas que visam reduzir os efeitos prejudiciais das ações humanas que afetam os tigres, suas presas e seus habitat. A WWF também tem liderado uma campanha global para tentar, até o ano de 2022 (ano do tigre), dobrar o número de tigres selvagens e garantir a proteção a longo prazo da espécie.

Nos próximos dez anos será necessário continuar lutando, juntos, com olhos de tigre, pela conservação da fauna. Devemos manter a esperança de que um dia possamos reverter a sua ameaça de extinção, proporcionando a oportunidade desse animal raro e fascinante dar novamente o primeiro e mais importante passo rumo a uma nova década, repletos de vida.

 

Texto escrito por Lucas de Araújo

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