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Um comércio com rastro de sangue: o tráfico de aves no Brasil

By Animais ameaçados de extinção, Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Notícias

Você sabia que cerca de 37.937.619 milhões de aves são mantidas nas casas dos brasileiros? Esses dados foram coletados a partir da Pesquisa Nacional de Saúde em parceria com o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013. Provavelmente o número deve ser maior atualmente, quase 10 anos depois.

Destas quase 40 milhões de aves, grande parte foi obtida através do tráfico de animais silvestres. Venha entender quão fundo é este problema no texto que fizemos.

 

A beleza e riqueza do nosso país tropical

Foto: Eduardo Fragoso

O Brasil sempre é lembrado quando os assuntos são biodiversidade e beleza das aves, isso porque, dentre todas as espécies aviárias espalhadas pelo mundo, 10% delas estão abrigadas neste país.

A variedade e abundância de espécies silvestres, unidas à ineficiência e fraude da fiscalização e à baixa condição de vida de certas populações, atraem pessoas ao tráfico e comércio de animais, tornando-o, assim, um dos mercados mais lucrativos do mundo.

 

As maiores vítimas desse comércio

Estimar o volume do tráfico de fauna no Brasil é uma tarefa muito difícil, visto que os dados mantidos pelos órgãos governamentais competentes são, muitas vezes, imprecisos, desatualizados e fragmentados.

Um estudo recente adotou uma metodologia de estimativa baseada no número de apreensões feitas pela força policial ao longo de algumas décadas, que levou à constatação de que dentre as 30 espécies mais confiscadas do tráfico, 24 delas são aves, o que corresponde a 80% do comércio de animais silvestres para fins domésticos.

 

Mas por que esse comércio é tão lucrativo e utilizado?

A maioria dos caçadores e coletores provém de famílias pobres, que encontram neste comércio uma fonte de renda extra. Por isso, sujeitam-se a fornecer os animais aos pequenos e médios traficantes por um preço baixíssimo, buscando maiores quantidades para aumentar o lucro.

Os traficantes, por sua vez, cientes de todas as possibilidades de corrupção e desvio de fiscalização, fazem com que esses animais cheguem até os principais consumidores (que, no Brasil, se encontram principalmente nas regiões Sul e Sudeste), contribuindo para que essa comercialização de aves alcance a marca de cerca de 7 a 23 bilhões de dólares por ano. 

Foto: Crueldade à venda

 

Quais são as aves mais contrabandeadas do mundo?

Listamos agora 5 das principais espécies indevidamente comercializadas:

 

1 – Canário da Terra

Sicalis flaveola (Linnaeus, 1766)

Foto: Alejandro Bayer

Esta espécie pertence à ordem Passeriformes e família Thraupidae, sendo mais frequentemente encontrada em regiões secas do território brasileiro. Caracteriza-se pela coloração amarelo-olivácea, tamanho médio de 13,5 cm de comprimento e cerca de 20g de peso. Além, é claro, do seu belo e forte canto, motivo pelo qual a faz estar entre as 5 espécies mais traficadas do Brasil.

Está categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

2 – Coleirinho

Sporophila caerulescens (Vieillot, 1823)

Foto: Claudio Cesar

Esse passeriforme da família Thraupidae recebe esse nome devido ao inconfundível colar de penas brancas e negras presente na região do pescoço. Está distribuído ao longo de grande parte do território brasileiro, com exceção da Região Amazônica e Nordeste.

Ele se tornou alvo da captura indiscriminada devido à sua habilidade cantora, estando categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

3 – Trinca-ferro

Saltator similis (D’Orbigny & Lafresnaye, 1837)

Foto: Frodoaldo Budke

Este é um outro passeriforme da família Thraupidae apreciado pelos brasileiros devido ao seu canto. E seu som é tão marcante que faz com que seja frequentemente submetido a competições e torneios de cantos por seus donos.

Embora esteja categorizado como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção, há evidências de que possa estar ameaçado localmente em algumas regiões de sua ocorrência, situação resultante do tráfico.

 

4 – Pássaro-preto

Gnorimopsar chopi (Leverkühn, 1889)

Foto: Guia Animal

Também conhecido como Chopim, este passeriforme faz parte da família Icteridae e pode ser encontrado em todas as regiões brasileiras, com exceção da Amazônia. Possui uma beleza ímpar com a sua coloração negra brilhante, além de ser considerado o pássaro canoro mais melodioso do país.

É categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

5 – Papagaio-verdadeiro

Amazona aestiva (Linnaeus, 1758) – NT

Foto: Octavio Campos Salles

O Papagaio-verdadeiro é um psittaciforme da família Psittacidae e encontra-se entre os animais mais popularmente procurados para a domesticação, isso se dá devido à sua capacidade de imitar a voz humana, beleza e comportamento dócil.

Para que possam chegar nas mãos dos consumidores, esses animais passam por situações extremamente estressantes, como a ingestão obrigatória de bebidas alcoólicas para impedir que façam barulho e contenção total em tubos de PVC para transporte em malas.

Sua classificação no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção como Quase Ameaçado (NT) está diretamente relacionada ao grande volume do comércio da espécie.

 

Um perigo iminente

Como foi possível ver, muitas dessas espécies não estão categorizadas em estados preocupantes de conservação, entretanto, a pressão exploratória exercida sobre essas espécies é praticamente insustentável. As capturas são feitas com frequência e sem critério algum, além de se concentrarem nas épocas reprodutivas.

Por fim, é importante destacar que o impacto ecológico não se dá somente pela eliminação da espécie de seu ambiente natural, mas também na redução das populações, que leva ao desaparecimento de interações ecológicas significativas em um ecossistema.

Como em toda extinção existe um começo, não seria surpreendente o fato de que no futuro  essas espécies entrem para a lista de animais em risco de extinção, caso medidas eficientes para o combate ao tráfico não sejam colocadas em prática.

 

Não faça parte disso!

Não contribua você também com esse comércio que deixa rastros de sangue, lembre-se: Silvestre não é pet. Há muitas formas de admirar a beleza dessas espécies sem privá-las de sua liberdade.

 

Texto por Aléxia Ferraz

Revisado por Gustavo Figueirôa

IBAMA: Saiba mais sobre o órgão ambiental brasileiro

By Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente

IBAMA: Saiba mais sobre o órgão ambiental brasileiro

Hoje, dia 22 de fevereiro é comemorado o aniversário da criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). No dia 22 de fevereiro de 1989, foi promulgada a Lei nº 7.735, responsável por criar o órgão federal que integra a gestão ambiental do país.

 

Fonte: Internet/Google/Reprodução

 

Fusão de órgãos

Até então, existiam várias entidades que atuavam separadamente na área ambiental. A Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) era responsável pelo trabalho político e de gestão e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), responsável pela gestão de florestas. Além deles, a Superintendência da Borracha (SUDHEVEA) viabilizava a produção da borracha e a Superintendência da Pesca (SUDEPE) fazia a gestão pesqueira.

Cada um desses órgãos, com seus diferentes âmbitos de atuação foram extintos para a criação de um órgão único que integrasse toda a gestão ambiental: o IBAMA. A decisão foi tomada apenas após a participação do Brasil na Conferência das Nações Unidas para o Ambiente Humano, em 1972. O evento foi considerado o pontapé inicial já que, após o mesmo, houve pressão interna e externa para a criação de uma gestão ambiental integrada.

Apesar do órgão integrado apresentar a vantagem de ter uma linha de seguimento única para toda a gestão, sua criação também o torna mais suscetível a ataques e cortes. Além disso, a lei de criação do IBAMA amparou apenas os servidores dos extintos órgãos que eram de cargos efetivos, com a promessa de um concurso público para preenchimento emergencial das demais vagas.

 

Foto: IBAMA

 

Contexto histórico

Criado ao final da década de 1980, o IBAMA herdou problemas ambientais graves. As décadas de 1970 e 1980, período de crescente urbanização no Brasil, foram marcadas pela construção de empreendimentos com grande impacto, como a Transamazônica e a Foz do Iguaçu. Além de outros que levaram a desastres ambientais, como a autorização para uso de agente laranja como desfolhante em Tucuruí e o acidente radioativo em Goiânia com Césio 137.

 

Foto: Vinícius Mendonça – Ibama

 

Não suficiente, os índices de desmatamento, caça e pesca predatória se mostravam alarmantes, com os jacarés do Pantanal e as baleias à beira de extinção. Além de tudo, havia ainda os crescentes conflitos entre comunidades tradicionais e seringueiros, que teve como ápice a morte de Chico Mendes.

 

Atribuições

Com uma herança atribulada, o IBAMA recebeu, então, a responsabilidade de executar a política e gerir de forma integrada a área ambiental no Brasil.

Entre as suas atribuições, cabe ao IBAMA executar a Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei 6.938/81. Além disso, o órgão deve conceder ou não licenças ambientais para projetos na esfera federal, o controle de qualidade ambiental, a autorização para uso de recursos naturais (água, plantas, animais, solo, etc.), além da fiscalização, monitoramento e controle ambiental.

 

Foto: Felipe Guimarães – SOS Pantanal

Seus objetivos são citados como a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental, além de assegurar o desenvolvimento econômico, com o uso sustentável dos recursos naturais.

Para atingir tais objetivos, o IBAMA foi capacitado com o poder de polícia ambiental. Incluem-se aqui as seguintes funções: Implantação do Cadastro Técnico Federal, aplicação de inspeções ambientais e penalidades administrativas, geração e divulgação de informações pertinentes ao meio ambiente, monitoramento ambiental, principalmente relacionado à prevenção e controle do desmatamento, queimadas e incêndios florestais, apoiar, implementar programas de educação ambiental, desenvolver sistemas de informação e desenvolver padrões para a gestão do uso de recursos animais, pesqueiros e florestais, entre outros.

Em 2007, foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), assumindo a Unidade Nacional de Conservação do IBAMA. Desde então, o ICMBio tornou-se o órgão dedicado à gestão da unidade de conservação federal, que abrange cerca de 9% do território brasileiro. Nesse sentido, resta ao IBAMA apenas capacidades complementares – a capacidade de atuar em determinada questão quando o ICMBio deixa de atuar.

 

O IBAMA nos dias atuais

Atualmente, o IBAMA já fez grandes avanços, fortalecendo a questão ambiental no país. A legislação, fiscalização, monitoramento e controle ambiental foram ampliados e melhorados. No entanto, nos últimos anos o órgão vem sofrendo com a redução de verba.

Em 2021, o órgão contava com seu menor quadro de funcionários dos últimos 20 anos, tendo uma queda de 58,7% no número de servidores. Desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder, essa queda se intensificou, tendo perdido 17,7% do quadro de funcionários em apenas 3 anos.

Até 2021, o IBAMA contava com apenas 668 agentes ambientais em todo o país, destes apenas 281 são aptos para a fiscalização, sendo os outros inaptos por questões de idade, doenças ou comorbidades. Em 2010, eram 1.311 fiscais em atuação. Se somado isso à intensificação dos problemas ambientais, como o aumento nos índices de desmatamento e queimadas, fica nítida a necessidade de novas contratações.

 

Foto: Fernando Augusto – IBAMA

 

Após anos de espera, finalmente foi lançado um novo concurso, porém o número publicado foi de apenas 586 vagas, um número muito abaixo do necessário. Segundo a Nota Técnica Nº 16/2020 lançada pelo IBAMA, o órgão teria a necessidade de contratação para um total de 2.311 cargos, quase quatro vezes o número de vagas ofertadas.

Sendo assim, é necessário estarmos cada vez mais atentos com o desmonte que esse órgão vem sofrendo, especialmente pela tamanha importância que ele tem.

 

Texto por Lidiane Nishimoto

Revisado por Jéssica Amaral Lara

Bond da Conservação: Neca Marcovaldi

By Animais ameaçados de extinção, Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos conversar sobre Neca Marcovaldi, oceanógrafa e co-fundadora do Projeto Tamar. Uma mulher admirável, com uma história encantadora! Vem conhecê-la conosco!

 

Neca em 2015. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

 

Tudo pelo mar: de uma vida urbana a uma bem rural

 

Foto: Museu da Pessoa (Acervo Pessoal)

 

Maria Ângela Marcovaldi, mais conhecida como Neca Marcovaldi, nasceu em 1958 na grande cidade de Porto Alegre. Lá ela não tinha contato com o mar, mas desde pequena ia para a praia com sua família e já sabia que o amava tanto, que um dia mudaria para uma cidade no litoral.

Essa admiração e vontade de estar perto do oceano, a fez cursar Oceanografia. Na época, esse curso só existia em uma faculdade em toda a América Latina, na Faculdade de Rio Grande (FURC). E assim, Neca mudou de cidade, de rotina, de amigos.

Sua nova casa, que mais lembrava um sítio, ficava em zona rural, a 30km da cidade mais próxima. Lá ela morava com outros estudantes e também com vários animais silvestres, que cuidavam para o Zoológico de Porto Alegre. Que baita mudança de vida!

 

Explorando a costa brasileira

 

Neca em 1990. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

 

Durante a graduação, Neca e seus amigos tinham uma enorme vontade de explorar o litoral brasileiro. E, muitas vezes, o Museu Oceanográfico financiava a busca de material malacológico (moluscos como ostras e caramujos) para seu acervo. Bom, foi juntando a fome com a vontade de comer, que a turma foi para vários pontos da costa buscar material para o Museu e claro, conhecer o litoral. Isso os permitiu conhecer ambientes como Fernando de Noronha, Abrolhos e Atol das Rocas.

Inclusive, foi em uma dessas expedições, para o Atol das Rocas, uma em que ela não havia participado, quando tinha acabado de entrar para o curso, que essa mesma turma viu um pescador capturando tartarugas-marinhas fêmeas que estavam indo para as praias desovar. Assustados, eles registraram tudo e tentaram salvá-las, conseguindo resgatar metade delas.

Na época, não havia relatos de tartarugas marinhas no Brasil, e logo, quando os estudantes contaram para seus professores o que tinham visto, mesmo com fotos, o fato pareceu piada! Mas eles não desistiram e relataram o caso também para o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) que mais tarde deu origem ao IBAMA. E que ótimo que contaram, pois o IBDF propôs, anos depois, que parte dos estudantes percorressem a costa, levantando informações sobre as tartarugas-marinhas e também, sobre os peixes-bois. E assim fizeram um milagre: de 1980 a 1982, o grupo de cerca de 4 estudantes, incluindo a Neca, percorreram do Rio de Janeiro ao Amapá basicamente a pé, levantando a distribuição desses animais e também suas ameaças.

 

Surgimento do Projeto TAMAR (e do Projeto Peixe-boi)

 

Tartaruga-cabeçuda. Foto: Projeto Tamar.

 

Ao conhecer melhor as ameaças que os animais enfrentavam, os 4 exploradores se dividiram, criando projetos sobre os grupos estudados, o Projeto Tamar, para conservação das tartarugas-marinhas, e o projeto para a conservação do peixe-boi (e que belo trabalho eles fazem até hoje!).

E foi com o início do Tamar, que ela mudou novamente de cidade: uma das primeiras iniciativas no projeto foi a criação de três bases, onde ocorriam ao menos duas espécies de tartarugas. Neca ficou com a base da Praia do Forte, na Bahia, mudando quase que para o outro lado do país. Inclusive, ela comenta que o choque cultural foi imenso.

 

Projeto Tamar – 1990. Foto: Museu da Pessoa (Acervo Pessoal)

 

Desde então, ela dedica sua vida ao Projeto Tamar. Foram muitas conquistas e claro, muita luta. Com muito esforço, Neca e sua equipe conseguiram colocar os pescadores, suas famílias, a comunidade local e hoje, o Brasil e o mundo inteiro ao seu lado na luta pela conservação das tartarugas marinhas. Neste vídeo, do canal do Projeto Tamar, e neste feito pelo Instituto Tamanduá, ela conta mais sobre as etapas do Projeto. Com um árduo trabalho eles conseguiram a admiração coletiva de todos nós e viraram uma referência na conservação da biodiversidade.

Até a pandemia, eram 1200 trabalhadores envolvidos no projeto, 80% deles, membros das comunidades, em 23 locais na costa brasileira. É de tirar o fôlego, né? E claro, digo até a pandemia, pois infelizmente o projeto também sentiu os impactos decorrentes do isolamento. Afinal, o turismo e consequente venda de produtos nas lojas físicas das bases é uma enorme fonte de renda ao Tamar. E é por isso que, caso você consiga, indicamos ajudar o projeto comprando na lojinha virtual.

 

Neca, músico Lenine, Nina, Guy e Ricardo Soavinski. Foto: Acervo/ICMBio

 

Junto ao Tamar, outra história de vida: Guy Marcovaldi

Nessa missão de vida, Neca teve um companheiro fundamental, o seu marido Guy Marcovaldi, também fundador do Tamar.

 

Guy Marcovaldi. Foto: Agência Petrobrás

 

Juntos desde a faculdade, Guy também dedicou sua vida às tartarugas marinhas. Com o estabelecimento do projeto, por vezes, enquanto Neca ficava na base da praia do Forte, Guy ficava em outras bases. Mas sempre davam um jeito de se encontrar.

O casal tem uma filha, Nina Marcovaldi, que atua na coordenação do projeto e comentários à parte, neste ano terá um bebê. Neca e Guy serão vovôs!

 

Neca, Nina e Guy Marcovaldi. Foto: Revista Trip – UOL

 

Caso queiram conhecer melhor a história do casal e do Tamar, Nina, como protagonista, junto à Jeep, fez uma série narrando a trajetória de seus pais, para assistir é só clicar aqui.

 

Nina Marcovaldi na série em parceria com a Jeep. Foto: Draft

 

Um belo ser humano!

Neca no 38º Simpósio Internacional de Tartarugas-marinhas, Japão. Foto: Projeto Tamar

 

O trabalho de Neca rendeu, além de vários importantes prêmios, como o Heroes of the Planet, pela revista Times, uma inspiração enorme para a população no geral e para nós que trabalhamos na área. Ela tem com si, um aspecto chave para quem deseja ir longe: a perseverança. Como ela mesmo disse, em uma entrevista ao Museu da Pessoa:

“A primeira (lição que tirei da minha carreira) mesmo é perseverança. Eu entendo que a gente vive num país que tem muita dificuldade ainda e se não houver muita vontade de se fazer alguma coisa e tentar mudar automaticamente, não acontece. Então, eu continuo mesmo o Tamar maior, mesmo já tendo realizado uma boa parte do que eu gostaria, cada dia é um dia de batalha, de luta e continua tendo milhões de dificuldades, milhões de coisas boas, mas que a gente não pode parar de lutar, né?”

E é isso mesmo Neca, nunca podemos parar de lutar! Agradecemos infinitamente o seu trabalho, a sua dedicação, e a você ser assim, um belo ser humano, dotado de perseverança como é!

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

Dia Internacional do Tigre: a importância da próxima década

By Animais ameaçados de extinção, Conservação, Eventos de Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Onde você se vê em 10 anos? Essa é uma pergunta que muitos consideram difícil e que a maioria de nós já precisou responder. Sejam lá quais forem seus planos para a próxima década, sua resposta, a minha e a de todos seres vivos começará com o mesmo primeiro passo: estar vivo. Pode parecer fácil para nós, seres humanos, estarmos vivos pela próxima década, mas, para um animal que corre alto risco de extinção, estar vivo nos próximos 10 anos pode ser um verdadeiro milagre. E hoje, 29/07/2020, no Dia Internacional do Tigre, alertamos sobre a necessidade de preservação e conservação da espécie para que as próximas décadas se tornem realidade.

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) | Foto: Basotxerri

 

“Você vai ouvir o meu rugido!”

 

O tigre (Panthera tigris) faz parte da família dos Felídeos, que tem como características o focinho curto, cabeça arredondada, além de serem mamíferos carnívoros. Tendo uma distribuição variada pelo continente asiático, possuem habitats naturais como bosques, florestas úmidas e estepes geladas, o que proporcionou ao animal se desenvolver em 9 subespécies. Infelizmente, 3 delas encontram-se extintas e as outras 6 correm sério risco de extinção.


Tigre Siberiano (Panthera tigris altaica) – A maior das subespécies dos tigres possui machos chegando a 3m de comprimento e pesando cerca de 300kg. Já as fêmeas possuem 2,6m e pesam entre 100kg e 160kg. Tem pelos de coloração amarelo claro com linhas mais espaçadas, num tom mais próximo ao marrom e com cabeça e abdômen esbranquiçados.

 

Tigre-Siberiano (Panthera tigris altaica) | Foto: Chrumps

 

Tigre-do-sul-da-China (Panthera tigris amoyensis) – Contam com machos medindo aproximadamente 2,5m e pesando cerca de 150kg; e fêmeas com 2,3m e 110kg. Possuem uma coloração mais amarelada que a do tigre siberiano e conta com linhas dorsais mais próximas.

 

Tigre-do-sul-da-China (Panthera tigris amoyensis) | Foto: J. Patrick Fischer

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) – O segunda maior subespécie, é uma das populações de grande felinos mais ameaçadas de extinção no planeta. Possui duas variedades de coloração, conhecidas popularmente como tigre branco e tigre dourado. Os machos medem cerca de 2,9m e pesam 220kg, já as fêmeas medem 2,5m e pesam 140kg.

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) | Foto: Stephenekka

 

Tigre-da-Indochina (Panthera tigris corbetti) – Menores que os tigres-de-bengala, essa subespécie encontra-se extinta na China mas ainda possui populações na Tailândia, Mianmar, Vietnã, Camboja e em Laos. Os machos possuem 2,7m e pesam cerca de 180kg, enquanto as fêmeas têm aproximadamente 2,4m e pesam 115kg.

 

Tigre-da-Indochina (Panthera tigris corbetti) | Foto: Avda

 

Tigre-de-Sumatra (Panthera tigris sumatrae) – Sua população é a que possui a pelagem com coloração mais escura entre todas, além de possuir riscas duplicadas em tons de preto. É a menor das subespécies vivas, com os machos medindo 2,4m e pesando 120kg e as fêmeas com 2,2m e 90kg.

 

Tigre-de-Sumatra (Panthera tigris sumatrae) | Foto: Daderot

 

Tigre-Malaio (Panthera tigris jacksoni) – Esta subespécie fazia parte da classificação Tigre-da-Indochina até 2004, quando estudos do investigador Stephen J. O’Brien identificaram que os Tigres-Malaios possuíam diferenciação genética o suficiente para serem considerados uma subespécie. Seu nome científico é uma homenagem a Peter Jackson, um cineasta neozelandês que defendeu ativamente a preservação dos tigres por mais de 40 anos. Esse fato causou certo descontentamento em autoridades e instituições locais que preferiam que o nome científico honrasse seu local de origem, visto que o animal é ícone nacional da Malásia.

 

Tigre-Malaio (Panthera tigris jacksoni) | Foto: Hans Stieglitz

 

† Tigre-de-Bali (Panthera tigris balica) – Naturais de ilha de Bali, na Indonésia, foram caçados até serem extintos em 1937, pois os moradores acreditavam que eles representavam o “mal”. A subespécie era frequentemente comparada à suçuaranas e leopardos devido ao seu tamanho pequeno e ao seu peso – metade dos Tigres-Siberianos.

 

Tigre-de-Bali (Panthera tigris balicai) | Foto: Hary Atwell

 

† Tigre-de-Java (Panthera tigris sondaica) –  Extinto na década de 1970, como resultado de destruição de seu habitat natural na ilha indonésia de Java e da caça desenfreada, existem provas limitadas de sua existência. Entre elas: poucas fotos, uma impressão de sua pata descoberta em 1997, assim como pelos e fezes encontrados em 2004.

 

Tigre-de-Javai (Panthera tigris sondaica) | Foto: F. W. Bond

 

† Tigre-do-Cáspio ou Tigre-Persa (Panthera tigris virgata) – A mais ocidental das subespécies de tigres foi provavelmente extinta também na década de 1970. Muito utilizada no Coliseu de Roma, foi alvo de perseguições em diversos países, principalmente na Rússia czarista: por conta de programas de colonização, acreditava não haver mais espaço para o tigre.

 

Tigre-do-Cáspioi (Panthera tigris virgata) | Foto: Autor desconhecido

 

Maior felino do mundo, o tigre é um dos mais letais caçadores do reino animal! Seu nome vem do iraniano e significa “flecha”, por ter como principais características a agilidade, o silêncio e a atuação certeira. Possui olfato, audição e visão apuradas. Podemos destacar, inclusive, sua visão noturna, que os permite terem uma grande vantagem contra suas presas. Além do mais, possuem um corpo musculoso que o proporciona uma força capaz de abater presas de até 900kg!

 

Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) | Foto: Marvin Gerrald

 

Sua alimentação é variada, caçando de gatos selvagens a porcos, veados, antílopes, ursos e bovinos. O felino é capaz de consumir até 18kg de carne de uma única vez e 45kg por dia, o que o permite ficar alguns dias sem se alimentar. Por ser um predador silencioso, mesmo sendo bem ativo durante a manhã, prefere a noite para realizar suas caçadas, principalmente para se proteger contra os caçadores e se camuflar ainda mais no ambiente.
As patas acolchoadas com unhas retráteis os permitem rastejar silenciosamente até suas presas. Suas garras longas e encurvadas os permitem, além de subir em árvores, arrastar suas caças por grandes distâncias.

Diferentemente de outros felinos, os tigres, assim como as onças-pintadas, são ótimos nadadores e gostam de se banhar, seja para brincar e se refrescar quando filhotes; seja para caçar e cruzar lagos e rios quando adultos.
Sua língua apresenta papilas afiadas e espinhosas que rasgam peles, penas e carne ao lambê-las por várias vezes. Seus fortes rugidos podem causar calafrios e paralisar qualquer animal que os ouve, inclusive, seres humanos!
Por ser um animal solitário, é muito raro encontrar agrupamentos de tigres, com exceção das fêmeas e de seus filhotes. Porém, quando se encontram em uma caçada,  dividem suas presas, e quando em grupo, deixam que as fêmeas e os filhotes se alimentem primeiro. As listras de seu corpo funcionam como impressões digitais humanas e nenhum tigre tem listras iguais aos outros, o que os torna únicos. Fêmeas dão à luz de 1 a 5 filhotes e são as responsáveis por criar suas proles, se encontrando com os machos apenas para a reprodução. 

 

A ferocidade do animal humano

 

Presente em mitos, lendas, religiões, filmes, literaturas e outras diversas representações culturais, o tigre é um dos animais que mais desperta o interesse nos seres humanos desde os tempos antigos. Símbolo nacional de países como Índia, Bangladesh, Malásia e Coreia do Sul, mascote de diversas equipes esportivas e empresas ao redor do mundo – até mesmo de marca de cereais de café da manhã, rs – o tigre pode não ser mais uma figura presente nas vidas das gerações futuras. O felino é essencial para a manutenção de um ecossistema saudável. No entanto, a espécie tem sido vítima do mais feroz e implacável predador de nosso planeta: o ser humano.

Através dos séculos e das regiões, os tigres sofrem com a maior ameaça à sua espécie, a caça e o contrabando. Por ter a pele, as garras, dentes e os ossos muito visados para usos comerciais e medicinais em alguns países asiáticos, as populações de tigres selvagens vem diminuindo drasticamente a ponto de que, hoje, todas as subespécies de tigres correm altos riscos de extinção. Segundo estimativas da WWF e da Global Tiger Forum realizadas em 2016, com uma queda de 97% de toda a população desde o início do século XX, existem cerca de 4.000 indivíduos selvagens sobreviventes da espécie. Em locais como Bali e Java, suas respectivas subespécies encontram-se extintas graças a caça praticada de maneira implacável. Ainda assim, existem outras causas diretas e indiretas que tem contribuído para o desaparecimento dos tigres. 

A agricultura, a colonização e a expansão urbana também têm sido duras com os animais. Isso porque reduziram drasticamente para apenas 7% seus habitats naturais, o que prejudica diretamente sua sobrevivência e por consequência, sua reprodução. O desmatamento das grandes florestas asiáticas em busca de madeira ou para serem transformadas em campos agrícolas, bem como o aquecimento global também são fatores prejudiciais à preservação da espécie, pois afetam diretamente seu habitat natural.

 

Tigre-Siberiano (Panthera tigris altaica) | Foto: S. Taheri

 

Dez anos podem ser o que separam a espécie de seu fim, caso a sociedade continue em um ritmo irrefreável de destruição da natureza. Há dez anos, em 29/07/2010, na região de São Petersburgo, na Rússia, foi criado o Dia Internacional do Tigre, com o plano de que esta data servisse para reiterar a importância da conservação da espécie e da preservação da fauna e da flora que os abrigam e alimentam.

Desde então, muitas fundações e projetos têm se esforçado na implementações de medidas que visam reduzir os efeitos prejudiciais das ações humanas que afetam os tigres, suas presas e seus habitat. A WWF também tem liderado uma campanha global para tentar, até o ano de 2022 (ano do tigre), dobrar o número de tigres selvagens e garantir a proteção a longo prazo da espécie.

Nos próximos dez anos será necessário continuar lutando, juntos, com olhos de tigre, pela conservação da fauna. Devemos manter a esperança de que um dia possamos reverter a sua ameaça de extinção, proporcionando a oportunidade desse animal raro e fascinante dar novamente o primeiro e mais importante passo rumo a uma nova década, repletos de vida.

 

Texto escrito por Lucas de Araújo

Dia Internacional da Vida Selvagem: Sustentando toda a vida na Terra

By Animais ameaçados de extinção, Conservação, Desastre Ambiental, Educação ambiental, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente

Hoje, 03 de março, é comemorado o Dia Internacional da Vida Selvagem. O dia foi criado pela ONU, em 2013, com o objetivo de celebrar a fauna e a flora, além de alertar sobre importância em conservar as espécies selvagens do mundo. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo, sendo o Pantanal um dos grandes refúgios desta vida toda.

Foto de Diego Rugno

 

 

Fragilidade da vida selvagem

 

Certamente a vida selvagem não é abundante como anos atrás. Fatores como caça ilegal, desmatamento, aquecimento global, poluição de rios e mares, entre outros, influenciam na negativamente na vida animal. Mas o que estamos fazendo para mudar esse futuro?

Estudos recentes sugerem que os prováveis índices de extinção, atualmente, sejam de 100 à 1.000 extinções por 10.000 espécies em 100 anos, o que é muito elevado. Isso leva a crer que nós estamos mesmo à beira da sexta extinção em massa.

O relatório do Planeta Vivo (Living Planet Report – LPR), divulgado no segundo semestre de 2016, aponta que, em média, a abundância das espécies de vertebrados diminuiu 58% desde 1970 e, se as atuais tendências continuarem, até 2020 esse declínio chegará a 67%. Mesmo quando as metas projetadas pelas Nações Unidas são de acabar com a perda da biodiversidade até 2020.

Foto de Diego Rugno

 

Atitudes para virar o jogo

 

Tanto atividades individuais, quanto apoiar alguma organização ou ação sustentável, são muito bem-vindas! 

Evitar o uso de materiais que demoram muito para dissipar/extinguir ou que sejam mais difíceis de reutilizar ou reciclar, é também um jeito de fazer a sua parte, como por exemplo: canudos de papel. 

Jogar lixo na rua? Jamais! Lembre-se, agora você é uma nova pessoa e quer proteger o meio ambiente e os animais! Segurar o lixo até uma lixeira não mata ninguém, não é mesmo?

Importante também conhecer sobre os animais e não matá-los, mesmo que seja um intruso em sua residência. Essa busca de conhecimento é fundamental para entender, por exemplo, que os gambás são ótimos controladores de pragas, como escorpiões, baratas, entre outros insetos.

Dirigir com cuidado nas estradas para não matar os animais é também um diferencial e uma atitude essencial.

Foto de Gustavo Figueiroa/Irara atropelada

 

Apoiar instituições, organizações ou uma pequena ação que ajuda o meio ambiente e a vida animal é simples, fácil e rápido!

Foto de Diego Rugno

 

Eventos no Brasil e no mundo

 

Nesse dia tão especial, vão acontecer alguns eventos no Brasil e no mundo todo! No próprio site oficial da Wild Life Day, é possível encontrar o mais próximo de você. No Brasil, acontecerão nos estados: Bahia, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

  • Na Bahia, no ICMBio e ACTP, em Patamunté;
  • Em Goiás, no Instituto Jurumi, que fica em Brasília;
  • Em Minas Gerais, no Centro de Conservação dos saguis-da-serra, em Viçosa;
  • No Espírito Santo, no Acqua Sub, em Guarapari;
  • No Rio de Janeiro, no Parque Nacional da Tijuca, na própria capital;
  • Em São Paulo, no Parque Zoológico Municipal de Bauru, em Bauru e Zoológico de São Paulo, na capital.

Foto de Diego Rugno

 

Nós apoiamos esse tipo de evento a favor da vida selvagem e do meio ambiente. Para saber mais sobre nossos trabalhos e clientes, é só acessar nosso site!

O que esperar de 2020?

By GreenBond

Nosso primeiro ano completo de atuação foi incrível! Nos trouxe ótimos parceiros, ações e resultados, como você viu em nossa retrospectiva

Para 2020, esperamos continuar florescendo as sementes plantadas em 2019. Então, trouxemos reforços para a nossa equipe, aumentamos o portfólio de parceiros, fizemos cursos de capacitação e mergulhamos de cabeça no marketing de conservação.  

 

POR DENTRO DA GREENBOND 

Conheça o perfil de cada colaborador que faz da GreenBond uma empresa tão promissora: 

 

Nome: Diego Arruda 

Profissão: Veterinário 

Ponto forte: O céu é o limite

O Diego é formado em medicina veterinária, mas além do amor pelos bichos, também tem alma de vendedor. Hoje, é especialista em marketing digital, formado pela ESPM, e conseguiu unir suas duas paixões em um único propósito: marketing de conservação. 

Munido de criatividade, pensamentos extremamente estratégicos e bastante conhecimento sobre a fauna, ele é um dos fundadores da GreenBond e peça chave em todas as operações realizadas pela empresa. O sangue do #Bond corre em suas veias e, se depender de seus planos, só o céu é o limite. 

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Nome: Gustavo Figueirôa

Profissão: Biólogo 

Ponto forte: Mega versátil 

O Gustavo é biólogo conservacionista, sempre viveu no meio dos bichos e cultiva um grande amor pelo universo selvagem. Trabalhou como biólogo de campo durante muito tempo, mas com o passar dos anos, também se descobriu fotógrafo de natureza, editor de vídeos, redator e um grande comunicador. 

Sua extensa bagagem de campo, conhecimento sobre a fauna e comprometimento com as atividades de comunicação fazem dele uma carta coringa, ou seja, é possível confiar em sua capacidade para realizar qualquer tarefa da GreenBond. Também é um dos fundadores da empresa e tem o DNA do #Bond em sua essência. 

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Nome: Letícia Amado 

Profissão: Publicitária 

Ponto forte: Criativa como ninguém 

Ao contrário dos meninos, a Letícia começou sua carreira pelo marketing e descobriu só depois a paixão por animais selvagens e conservação. Especialista em marketing digital, também pela ESPM, ela trouxe para a GreenBond sua experiência como redatora em agências de publicidade e veículos de comunicação. 

O gosto por livros, filmes, séries, peças de teatro e qualquer outra forma de entretenimento lhe concedeu um belo repertório, tornando sua criatividade bem afiada! Juntando a habilidade para escrita, com duas fontes de conhecimento muito ricas (Diego e Gustavo), ela torna a GreenBond capaz de produzir conteúdos autorais de muita qualidade. 

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Nome: Raphael Parmezani 

Profissão: Publicitário 

Ponto forte: Comprometido – missão dada é missão cumprida 

Raphael é publicitário, também especialista em marketing digital pela ESPM. Integrante mais recente da GreenBond, ele começa agora em 2020 e traz consigo um português impecável (quase um dicionário humano), além da ampla experiência com redes sociais de um grande banco nacional. 

O comprometimento com suas tarefas é, de longe, o ponto mais forte. Dedicado, estudioso e muito organizado, foi uma contratação certeira para nós. Seja bem-vindo ao nosso #Bond, Rapha! 

 

PARCEIROS DE PESO

A nossa equipe é, com toda a certeza, parte muito importante do trabalho. Mas sem os parceiros, não seríamos a mesma GreenBond.

Hoje, temos o prazer de trabalhar com Onçafari, SOS Pantanal, Biofaces e Mamirauá. Acreditamos no potencial de cada um na conservação do meio ambiente. Por isso, damos o nosso melhor para fortalecer e aumentar ainda mais esse impacto! 

Para 2020, tivemos a honra de agregar um novo parceiro: Documenta Pantanal. A iniciativa consiste em um conjunto de ações e projetos coordenados, com o intuito de: documentar; tornar conhecida a beleza e o valor natural da região do pantanal brasileiro; além de promover o diálogo entre as forças produtivas, academia, instituições/organizações na busca de soluções implementáveis de consenso.

Foto: Luciano Candisani/Documenta Pantanal

 

Usaremos todo o nosso conhecimento em biodiversidade pantaneira e técnicas de comunicação para dar mais força à iniciativa, tornando seus esforços de conservação do Pantanal ainda mais efetivos! 

 

O que esperar de 2020? Novos desafios, grandes parcerias e uma equipe ainda mais unida. Sabemos que juntos somos mais fortes, por isso buscamos conectar pessoas, tecnologia e natureza. Vem pro nosso #Bond! 😉 

Resgate de animais silvestres dobra na cidade de São Paulo

By Animais ameaçados de extinção, Conservação, Educação ambiental

Tem aumentado o volume de animais silvestres resgatados nos ambientes das grandes cidades. Pelo menos é o que apontam os números da cidade de São Paulo nos últimos anos, influenciados por alguns fatores que ajudam a entender como viver nos centros urbanos é também se relacionar com a conservação.

Milhares de aves foram resgatas em São Paulo – Foto: Cecioka CC

Nos últimos cinco anos, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente atendeu 29 mil animais silvestres a partir de diferentes motivos, como tráfico de animais, acidentes ou mesmo telefonemas de moradores. E o número dobrou nesse período: saltou de pouco mais de 4 mil em 2014 para 8,5 mil em 2018.

O levantamento, divulgado pela Folha de S. Paulo, aponta que o avanço dos animais no perímetro urbano se deu pelas obras de infraestrutura (principalmente o Rodoanel), o tráfico de animais pela internet e a popularização do serviço municipal de resgate de animais após o surto de febre amarela em 2017-18.

A reportagem conta a história, por exemplo, de um imenso jabuti encontrado no baú de um caminhão. Resgatado, ele foi para um centro de manejo e conservação onde vive com mais de 700 animais.

Um inspetor conta também que investigou casos em que as pessoas trocavam carros por pássaros de até R$150 mil. Há ainda a história de uma píton-burmesa de mais de dois metros que foi encontrada com mais de 200 animais na casa de um criador clandestino – trata-se de uma das cinco maiores espécies de cobras do mundo.

Enfim, exemplos que mostram que, mesmo morando nas grandes metrópoles, a atenção à conservação da fauna é permanente. Todos estão sujeitos a estar próximos de casos como os citados.

Caça e Fotografia: A mesma essência, objetivos opostos

By Conservação

Imaginem esta cena:

No meio da floresta em um ambiente selvagem, o sujeito espera pacientemente pelo tão sonhado momento, sentado na caçamba de um carro ou numa plataforma em meio às árvores. Silêncio total, nenhum movimento brusco, apenas o som da própria respiração alternando entre ofegante e controlada apesar da adrenalina aumentar a cada segundo enquanto o animal se aproxima.

É chegado o momento, enfim a criatura silvestre se aproxima.  Espreitando o animal, o sujeito se prepara com seu equipamento municiado. Com o animal posicionado na mira, o dedo vai ao gatilho lentamente, esperando o momento perfeito. Tudo pronto, hora de agir. O dedo pressiona o gatilho e então….  Click! 

 

 

Ué?!

Esta pequena narrativa acima poderia muito bem ser a descrição de um caçador munido de seu rifle, esperando para matar um animal muito cobiçado e levar sua carcaça para casa, assim como também se encaixa perfeitamente na descrição de um fotógrafo amante da natureza, munido de sua super câmera com lente telescópica, fotografando um animal que ele sonhava a anos registrar.

O conceito de ambos os cenários é o mesmo e o repórter do jornal El País, Victor Moriyama, nomeia este elemento em comum entre as 2 atividades de “espírito caçador”. Ou seja, adentrar à mata em busca de um animal específico, seja raro ou não, colocando o homem urbano em contato com a natureza a partir da mira de uma máquina, seja uma câmera fotográfica ou um rifle.

 

Foto 1: Melissa ao lado da caça                     Foto 2: Leão livre por Tamara Jim

A diferença é que em uma das opções o sujeito sai com a cabeça do animal que será empalhada e pendurada na parede de sua casa, enquanto em outra,  ele sai com um belo registro fotográfico que pode ser mostrado para pessoas do mundo todo e inspirá-las a conservar espécies ameaçadas.

Assim como na foto ao lado, onde na esquerda a apresentadora de TV americana Melissa Bachman posa ao lado de seu “troféu”, enquanto na direita, o troféu é a maravilhosa foto tirada por Tamara Jim, do maior predador da África, vivo.

 

 

Caça esportiva para conservação

 

A “caça esportiva” é utilizada em alguns países (como África do Sul, Zimbábue, Estados Unidos) como uma fonte alternativa de renda para a conservação, onde de uma forma legalizada e controlada por autoridades governamentais, caçadores pagam grandes quantias de dinheiro para caçar legalmente um animal (Diferente da caça furtiva ou seja, ilegal). Parte deste dinheiro vai para as comunidades locais e financiam ações para a conservação de espécies. Porém, este conceito é ainda muito controverso, e diversos estudos apontam que essa prática pode não estar ajudando na conservação quanto deveria.

Caçador posa ao lado de elefante recém-abatido

O argumento utilizado pelos defensores da caça como instrumento de conservação é de que fazendeiros podem manter grandes áreas de floresta preservadas, e não cederem ao desmatamento para agricultura, se receberem dinheiro por animais mortos por caça esportiva em sua propriedade.

 

Não entrarei no mérito de efetividade ou não desta prática neste post, pois isso demanda uma discussão mais aprofundada. Como foi citado acima, existem estudos pró-caça, mostrando dados positivos em relação ao dinheiro que a caça esportiva gera, assim como estudos mostrando dados e impactos negativos.

 

 

O objetivo deste post é comparar uma prática alternativa, assim como coloco a seguir mostrando o que a fotografia pode fazer pela conservação.

 

 

 

 

Fotografia e ecoturismo para conservação

 

Como citado acima, o argumento de atribuir um valor comercial à espécies silvestres a fim de convencer um fazendeiro preservar suas terras, pode ser aplicado igualmente ao ecoturismo.

Safári fotográfico no Pantanal – Fazenda San Francisco

E se ao invés de receber dinheiro de caçadores para sustentar-se, esse dinheiro viesse de fotógrafos e turistas do mundo todo que vão atrás de fotos incríveis de espécies ameaçadas?

Um exemplo prático de que pode dar certo, é o que vem sendo realizado no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda – MS, Pantanal Sul pelo Onçafari.

Onças-pintadas avistadas pela equipe do Onçafari. Foto: Gustavo Figueirôa

O projeto trabalha com a conservação e habituação de onças-pintadas para que possam ser avistadas mais facilmente por hóspedes e amantes da fotografia no mundo todo, aumentando drasticamente o fluxo de hóspedes na pousada. Desde que o Onçafari iniciou seus trabalhos na fazenda, o número de hóspedes cresceu 80%, assim como os avistamentos de onça-pintada, que cresceu 120% nos último 7 anos.

 

Foto: Adriano Gambarini

Um estudo realizado pelo biólogo e pesquisador Fernando Tortato, da ONG Panthera (Organização internacional que estuda grandes felinos no mundo todo), comprovou cientificamente os benefícios do ecoturismo.

 

O estudo concluído em 2017 aponta que em um intervalo de 1 ano, cerca de 6,8 milhões de dólares foram arrecadados através do turismo de observação de Onças, contra a perda hipotética de 120 mil dólares para o prejuízo que as onças causam por atacar animais de criação.

 

 

Atualmente, existem sites dedicados exclusivamente à fotografia de natureza, como o Biofaces. O site reúne fotógrafos profissionais e amadores, de todas as idades, gêneros, etnias e países, todos com ao menos duas características em comum: O amor pela natureza e fotografia.

Print da tela do site Biofaces.com

Conclusão

 

Da mesma forma que a caça pode gerar renda para ser investida em conservação, também podem a fotografia e o ecoturismo, de uma maneira muito mais limpa e menos egoísta.

O assunto é complexo, diversos pontos cabem dentro da discussão. Porém, o que é claro e indiscutível é o fato de que matar um animal por puro prazer não pode ser considerado um esporte e não cabe no perfil de uma população supostamente evoluída do século XXI.

Para finalizar, quero induzir à uma reflexão interessante.

Em um trecho retirado do livro do Comandante H. Pereira da Cunha, um conhecido caçador da época de 1950, o próprio autor e caçador cita:

O prazer da caça não consiste, de modo algum, apenas em matar os animais. Realmente, a morte do animal, seja ele pacífico ou agressivo,é a última das coisas que importa e talvez sem ela fosse a caçada ainda mais interessante”.

Livro caçando em África e olhando o mundo – Comandante H. Pereira da Cunha

 

Pois bem…. Se o prazer consiste na busca, na adrenalina de andar pela mata para encontrar o animal, porque não então trocar o covarde e frio rifle por uma bela e imponente câmera fotográfica?

 

 

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre

Cofundador da GreenBond