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Conservação

Um milhão de espécies de plantas e animais estão ameaçadas de extinção

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Um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas da extinção. Esse é o dado conclusivo divulgado no relatório de 1.800 páginas pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES), da Organização das Nações Unidas (ONU). O levantamento teve a participação de 145 pesquisadores espalhados por 50 países, e está sendo considerado o mais complexo e abrangente estudo sobre perdas do meio ambiente.

O leopardo-das-neves é uma das espécies mais raras de felinos do mundo, também em risco de extinção. Foto: Abujoy/ Creative commons

Analisando mais de 15 mil pesquisas científicas e dados governamentais, foram identificados os cinco principais motivos para tamanho impacto sobre a vida de tantas espécies: perda do habitat natural, exploração dos recursos naturais, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.

Entre os números apontados estão a queda de 20%, desde 1900, na média de espécies nativas nos principais habitats do planeta – atualmente, mais de um terço dos mamíferos marinhos estão ameaçados, por exemplo; e a duplicação das emissões de gás carbônico no mundo desde 1980, o que elevou a temperatura média do planeta.

Com dificuldades para conseguir caçar focas, ursos-polares podem morrer de fome – Foto: Andreas Weithpolar/ Creative Commons

O estudo também alerta, entre outros temas, para a pesca desenfreada: segundo o relatório, em 2015, 33% da vida dos mares estava sendo pescada em nível insustentável. E outros vários pontos importantes, como a poluição causada pelos plásticos, que
aumentou dez vezes desde 1980, e a influência dos fertilizantes em áreas costeiras, que já produziram uma área de “zona morta” oceânica maior que o Reino Unido.

A ingestão de plástico já foi registrada em mais de 240 espécies.  Na foto, uma tartaruga Verde (Chelonia mydas) com um saco de plástico próximo a boca, no recife de Moore, Austrália. A sacola foi removida pelo fotógrafo antes que a tartaruga tivesse a chance de comê-la.
Foto: Troy Mayne/ WWF/ Divulgação

No fim, se resta um caminho de otimismo, o estudo indica que há caminhos objetivos e reais para um trabalho que implemente regras e conceitos de produção mais sustentável. Por exemplo, uma agricultura mais planejada e a redução do desperdício
de alimentos, o que já impactaria vários dos pontos levantados como problemáticos.

Uma certeza nós temos: só temos este planeta, se não cuidarmos dele agora, pode ser tarde demais no futuro.

Quitridiomicose: doença causada por fungo dizima 501 espécies de anfíbios

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Sapo da espécie Atelopus limosus morto pela quitridiomicose, doença causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis – Foto: Brian Gratwicke/ Creative Commons

A quitridiomicose é causada por fungos do gênero Batrachochytrium e é responsável pela maior perda de biodiversidade atribuível a um único patógeno (organismo causador de doença) em toda a história, afirmaram cientistas na revista Science no mês passado.

Nos últimos 50 anos, pelo menos 501 espécies de anfíbios sofreram declínios em suas populações provocadas pelo microrganismo. Em alguns casos as espécies ficaram restritas a 10% de sua distribuição original e os pesquisadores acreditam que 91 foram completamente extintas.

Benjamin Scheele, pós-doutorando na Australian National University, na Austrália, e primeiro autor do artigo disse em entrevista à Agência FAPESP que esses números são conservadores, porque é provável que o patógeno tenha causado o declínio de muitas outras espécies ainda desconhecidas pela ciência. “Esse fenômeno pode ser particularmente relevante na região neotropical [que compreende a América Central, incluindo parte do México e dos Estados Unidos, todas as ilhas do Caribe e a América do Sul], onde há muitas espécies não descritas”.

O fungo se aloja na pele de anfíbios adultos, prejudica a respiração e leva a morte por parada cardíaca. Quando se instala em girinos, parasita a região da boca e dos dentículos, dificulta a alimentação e compromete o crescimento.

O Brasil possui 50 espécies com populações afetadas: 38 sofreram declínio e 12 foram extintas. Algumas populações mostram indícios de recuperação, enquanto outras permanecem desaparecidas.

Histórico

A doença só foi descoberta em 1998, mas o pico dos declínios populacionais ocorreu nos anos 1980. Isso prejudicou os trabalhos de mensuração de impacto. As regiões tropicais da Austrália e das Américas Central e do Sul foram as mais afetadas. Ásia, África, Europa e América do Norte apresentam declínios populacionais relativamente baixos.

A maior parte dos especialistas defende que uma linhagem virulenta do fungo, originária da Ásia, chegou à América Central e se espalhou em direção à América do Sul. É provável que esse processo foi favorecido pelo transporte de anfíbios para consumo humano ou para o mercado de animais de estimação.

Combate à doença

Novas pesquisas e monitoramento intensivo da quitridiomicose com tecnologias emergentes são necessários para identificar mecanismos de recuperação de espécies afetadas e para desenvolver ações de combate ao fungo.

Para os autores do estudo, políticas de biossegurança efetivas e a redução imediata no tráfico de animais silvestres são medidas essenciais para reduzir o risco de disseminação de novas doenças em um mundo globalizado.

O artigo Amphibian fungal panzootic causes catastrophic and ongoing loss of biodiversity, de Ben C. Scheele et al, pode ser lido em http://science.sciencemag.org/cgi/doi/10.1126/science.aav0379.

O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre

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O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre, essa frase e imagens impactantes de animais sendo asfixiados por plástico fazem parte da campanha que a ONG Sea Shepherd Conservation Society (SSCS), em parceria com as agências de publicidade Tribal Worldwide Sao Paulo e DDB Guatemala, lançou para chamar a atenção para a gravidade da poluição dos oceanos no planeta.

Os números são alarmantes. Segundo a ONU, 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos e são responsáveis pela morte de mais de um milhão de aves marinhas, 100 mil mamíferos marinhos e incontáveis peixes todos os anos Um estudo realizado pela Universidade de Exeter, Laboratório Marinho de Plymouth e Greenpeace apontou que o plástico é encontrado em todas as espécies de tartarugas marinhas do planeta. Projeções divulgadas no Fórum Econômico Mundial de Davos em 2016 apontam que os oceanos terão mais plásticos do que peixes em 2050.

Infelizmente, uma ação pequena e impensada em nossa vida diária pode causar danos enormes à natureza sem que a gente perceba. Nesta campanha, pretendemos remediar isso alcançando o maior número possível de pessoas, conscientizando o público para o fato de que, com passos pequenos e fáceis, podemos garantir que cenas terríveis como essa não aconteçam”, afirma Guiga Giacomo, diretor executivo de criação da Tribal Worldwide São Paulo.

A campanha da Sea Shepherd também apresenta sugestões para a redução do consumo de plástico na rotina diária. Parar de usar canudos, colherinhas de café, copos, pratos e talheres descartáveis, sacolas e garrafas plásticas, comprar a granel, são algumas sugestões da ONG para evitar o consumo de embalagens. Cada um de nós precisa fazer a sua parte para termos oceanos mais limpos.

Hora do Planeta 2019: sábado é dia de apagar as luzes contra as mudanças climáticas

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Você ficaria uma hora no escuro em um ato simbólico pela Terra? No próximo sábado (30) das 20h30 às 21h30 o WWF convida todos para apagarem as luzes durante a Hora do Planeta, um ato simbólico contra as mudanças climáticas e seu impacto na biodiversidade e na vida das pessoas que ajuda na criação da consciência sobre a importância de ações sustentáveis.

A iniciativa, criada em 2007, em Sidney, na Austrália, engaja cada vez mais cidades ao redor do mundo a cada ano. Em 2018, a Hora do Planeta teve a participação de cidades e municípios em 188 países e territórios, contabilizando mais de 17 mil ícones ou monumentos apagados. O Brasil teve uma grande participação, envolvendo mais de cem cidades e 1500 monumentos.

No site do WWF Brasil é possível acompanhar todos os desdobramentos da campanha e adesões. Também dá pra acessar materiais de divulgação e saber das ações de engajamento. Pelo mapa da participação é possível saber que cidades já confirmaram presença no movimento.

Green Nation exibe e premia obras com temática ambiental em São Paulo

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A Mostra Competitiva Green Nation divulga, exibe e premia obras produzidas em qualquer parte do mundo com temática ambiental, de sustentabilidade ou inovação social em três categorias: Filmes (Animação, Ficção e Documentário), Fotografia e Ilustração. O evento gratuito acontecerá em São Paulo, no Pavilhão das Culturas Brasileiras do Parque Ibirapuera de 25 a 31 de março de 2019.

Organizada pela Green Nation – em parceria com a Wildlife Conservation Film Festival, Anima Mundi, ISWA e Urban Arts – a mostra irá exibir o Festival Anual de filmes de Natureza e Conservação Ambiental, com obras de diversos países e com direito à presença de diretores para um bate-papo. Os participantes podem acompanhar palestras com vivências, tendências e casos de sucesso.

O Onçafari, um de nossos clientes, estará presente no evento com uma palestra para apresentar o trabalho de conservação com onças-pintadas e lobos-guarás no dia 29, às 14h.

Além disso, instalações interativas de realidade virtual. Será possível sobrevoar rios em uma asa-delta, mergulhar de submarino em diferentes oceanos, viajar no tempo em uma nave espacial para trazer códigos genéticos de espécies extintas, visitar a Estação Comandante Ferraz na Antártica, são algumas das opções.

Você vai viver experiências transformadoras em temas como água, reciclagem, alimentação, inovação, tecnologia e muito mais. Uma inspiradora maneira de refletir sobre o mundo que temos e aquele que queremos construir.

Para quem deseja participar da mostra e concorrer ao troféu de ganhador, o envio de obras pode ser feito até dia 24 de março pelo site da Green Nation. As melhores obras serão expostas no Pavilhão das Culturas Brasileiras Durante o período do evento.

No final do Evento, no dia 31 de março, os troféus da 5a mostra competitiva de conteúdo multimídia serão entregues às melhores produções Fotográficas, de Ilustração, Animação, Documentário e Ficção.

Participe e vote.

Ave ameaçada inspira criação de reserva e modelo de negócio para conservação

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Bicudinho-do-brejo fêmea (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

O bicudinho-do-brejo é uma ave ameaçada de extinção que serviu de inspiração para a criação de uma reserva em uma região reconhecida pela ONU como Área Úmida de Importância Internacional e para a criação de um ateliê que usa a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza.

Tudo começou na primavera de 1995, dois ornitólogos, Bianca Reinert e Marcos Bornschein armaram as redes para capturar aves em um brejo no litoral do Paraná. O objetivo era estudar o comportamento do carretão, um pássaro típico da Mata Atlântica. Eles já faziam o trabalho há quatro anos e já conheciam praticamente todas as espécies da região. Foi então que um pequeno passarinho passou por baixo da rede. O animal era diferente de tudo o que eles já haviam observado naquele local. Poderia ser uma descoberta? Era muito difícil, pois ninguém descrevia uma espécie nova de ave no Brasil há muitos anos.

Bicudinho-do-brejo macho (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

Os biólogos começaram uma busca pela ave misteriosa. Mas o animal era tão pequeno que passava entre os buracos da rede ou desviava do obstáculo. Demoraram algumas semanas até conseguirem capturar o bicho. Foi então que veio a confirmação. Eles tinham nas mãos uma espécie de ave que nunca havia sido descrita pela ciência. Reinert e Bornschein descreveram o bicudinho-do-brejo (Formicivora acutirostris), uma ave encontrada em áreas alagadas, endêmica da região meridional litorânea do Paraná e do nordeste de Santa Catarina.

Porém, desde sua descoberta, a espécie já estava ameaçada de extinção. Algumas áreas de habitat foram reduzidas por incêndios, loteamentos e aterros sanitários. Além disso, perturbações por tráfego de barcos durante a época de reprodução, extração de areia das margens dos rios, substituição da vegetação nativa por braquiária (uma grama da África) e a pecuária são outros problemas enfrentados pelo bicudinho.

Mirante da Reserva Bicudinho-do-brejo. Foto: Hudson Garcia/ Reprodução do Facebook

Para tentar mudar essa história, em 2009, Reinert, Bornschein e mais três amigos – Christoph Hrdina, Iracema Suassuna, e Ricardo Lopes (marido de Reinert) – criaram a Reserva Bicudinho-do-brejo em Guaratubá, Paraná. A região foi reconhecida pela ONU como uma Área Úmida de Importância Internacional, em parte devido ao brejo, onde o bicudinho ocorre, funcionar como um filtro para a água dos rios e berçário para peixes e animais aquáticos.

No entanto, em 2016, Bianca não conseguia mais trabalhar no campo por conta de um câncer. Ela começou a fazer colares de argila. Foi quando Ricardo se interessou pelo trabalho e modelou um passarinho de cerâmica. Naquele momento, eles decidiram criar o Ateliê Bicudinho-do-brejo.

Bianca Reinert encontrou na arte uma nova forma de homenagear o bicudinho-do-brejo – Foto: Ricardo Lopes

Com a ideia de utilizar a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza, Bianca e Ricardo passaram a confeccionar peças de cerâmica que remetem à biodiversidade brasileira e o mundo dos animais. “Iniciamos esse trabalho pensando somente na renda que teríamos para ajudar no projeto da reserva. Do valor arrecadado, uma parte fica para o projeto e outra para as despesas do ateliê. Nessa iniciativa sempre fomos eu e ela[Bianca], mas contamos com a ajuda de algumas pessoas que embarcaram nessa jornada com a gente”, conta Lopes. A venda dos produtos é realizada pelas redes sociais e em algumas lojas de aromaterapia.

Para Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário, apoiadora do projeto, negócios também podem e devem gerar formas de conservação da natureza. “Está mais do que na hora de entendermos que a conservação não deve contar apenas com recursos de caráter filantrópico, mas também com recursos privados. No caso do bicudinho, a reserva tem potencial de captar recursos e o ateliê apoia na sensibilização de atores de outras áreas do conhecimento para a causa.”

Bicudinhos-do-brejo de cerâmica são cuidadosamente esculpidos por Ricardo – Foto: Ricardo Lopes

Infelizmente, em setembro de 2018, Bianca faleceu devido à doença. “Ela foi uma lutadora sem igual, uma lição de força, coragem e perseverança, tanto na sua vida pessoal quanto na sua dedicação pela proteção do bicudinho-do-brejo”, escreveu seu marido.

No mesmo ano, a Reserva quase fechou as portas devido a dificuldades financeiras, mas com ações para arrecadar recursos – como venda de artesanato e livros e participações em exposições e eventos – Ricardo conseguiu manter o projeto. Hoje, o marido de Bianca continua na busca de parcerias para continuar a luta pela conservação do bicudinho-do-brejo.

Se você se interessou pelo trabalho com o bicudinho-do-brejo, acesse a campanha de financiamento coletivo Eu Meto o Bico e ajude uma espécie ameaçada de extinção. Mas corra, porque a campanha se encerra no dia 17/03/2019.

Considerada extinta, subespécie de felino raro é vista pela primeira vez em 30 anos

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Considerada uma espécie vulnerável a extinção, a pantera-nebulosa é um dos felinos mais enigmáticos do mundo. Recentemente uma subespécie endêmica da ilha de Taiwan, considerada extinta há mais de 5 anos, não vista desde 1983, a Pantera-nebulosa Formosa (Neofelis nebulosa brachyura) pode ter sido avistada nas dependências da ilha.

Pantera-nebulosa, espécie considerava vulnerável pela IUCN. Fonte: Ltshears (Creative commons)

Em 2013, após mais de 13 anos de pesquisa cientifica com câmeras trap espalhadas pelas florestas de Taiwan, inúmeras armadilhas e horas de campo sem nenhum registro da pantera-nebulosa formosa na ilha, cientistas concluíram que a subespécie podia ser considerada extinta na natureza. Um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Chiang Po-jen, afirma acreditar que alguns animais ainda existam na região, porém em números insignificantes. Chiang afirma ainda :

“Uma floresta com panteras-nebulosas é diferente de uma floresta sem panteras-nebulosas. Uma floresta sem panteras é uma floresta morta”

Porém, alguns aldeões e moradores de regiões remotas de Taiwan dizem ter visto o animal caçando cabras na região e até caminhando próximos à estrada. O diretor do distrito da Floresta Taitung, afirma que tem esperanças de confirmar os boatos, por isso novas pesquisas serão realizadas na área a fim de confirmar cientificamente a existência do felino no local.

Apesar de nao ser vista há décadas, pesquisadores relutam em colocar a espécie oficialmente como extinta.
Foto: Khaled Azam Noor/Shutterstock

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, especialista em manejo e conservação de fauna.

 

Aquecimento global: ursos-polares famintos invadem arquipélago russo

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Ursos-polares famintos reviram o lixo em busca de comida no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia – Foto: The Sun/Reprodução

Ursos-polares invadiram e deixaram a pequena cidade de Belushya Guba, localizada no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia, em estado de emergência. Os animais estavam famintos, reviravam lixeiras e vasculhavam prédios à procura de comida (veja o vídeo do The Guardian abaixo).

Mais de 50 ursos foram avistados na região, deixando os 2.500 moradores do vilarejo assustados e com medo de sair nas ruas e mandar seus filhos para a escola.

Os animais começaram a chegar em dezembro. Cercas foram colocadas ao redor de alguns locais para proteção. No entanto, os ursos não se intimidam mais com policias, cachorros e sirenes que eram utilizados para afastá-los anteriormente.

Especialistas foram enviados ao local para sedar os animais e retirá-los do vilarejo, já que a caça de ursos é proibida na Rússia, e a agência federal de Meio Ambiente negou autorizações para abatê-los. Porém, segundo as autoridades locais, no caso de todas as medidas falharem, o abate pode ser a única solução.

O urso-polar (Ursus maritimus) é considerado vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) e se tornou o grande símbolo na luta dos conservacionistas contra o aquecimento global – Foto: Schliebe, Scott/ Domínio público

Ursos-polares x Aquecimento global

Classificado como vulnerável segundo a Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), o urso-polar sofre cada vez mais com o aquecimento global. Atualmente, o mar congela cada vez mais tarde e derrete cada vez mais cedo. Isso faz com que os animais tenham menos tempo para caçar focas, seu principal alimento.

Com menos tempo sob o gelo, os ursos são forçados a nadar distâncias cada vez maiores até encontrar uma foca descansando na superfície. Com isso, eles perdem mais energia caçando do que ganham ao se alimentarem e são forçados a procurar outras formas de se alimentarem. Esses desequilíbrio energético pode ser fatal e, se o degelo continuar, o destino da espécie pode ser a extinção.

Com dificuldades para conseguir caçar focas, ursos-polares podem morrer de fome – Foto: Andreas Weithpolar/ Creative Commons

Com objetivo de chamar a atenção para os desafios enfrentados pelos ursos-polares num Ártico cada vez mais quente, a Polar Bear International (Urso Polar Internacional) organiza o Dia Internacional do Urso-Polar (International Polar Bear Day), celebrado em 27 de fevereiro.

A ong estimula as pessoas a usar menos energia produzida por combustíveis fósseis porque reduzir as emissões de carbono pode retardar e até impedir o aquecimento global e salvar o gelo marinho que os ursos polares necessitam para caçar com eficiência.

Segundo relatório da ONU sobre as mudanças climáticas, é preciso reduzir nossas emissões de carbono ou as pessoas terão que enfrentar desastres naturais, desde secas e inundações até grandes tempestades. Ou seja, enfrentar o aquecimento global não é só benéfico para nós, mas é essencial para a humanidade.

GreenBond a empresa que arrecada recursos para projetos de conservação

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Gustavo (na frente) e Diego (atrás), fundadores da GreenBond, no Pantanal – Foto: Gustavo Figueiroa

Fundada por um veterinário especialista em marketing digital e um biólogo conservacionista, a GreenBond é uma empresa de impacto socioambiental que usa estratégias de comunicação para captar recursos para projetos de conservação através de leis de incentivo, produções de eventos e campanhas de crowdfunding. “O grande diferencial da GreenBond é selecionar projetos de conservação de acordo com as metodologias mais utilizadas em relação à governança, transparência, e credibilidade das Ongs” diz Diego Rugno Arruda, o veterinário especialista em marketing digital.

A equipe da GreenBond analisa os projetos de conservação, monta e executa estratégias para otimizar a captação de recursos e busca possíveis apoiadores que se identificam com as instituições. “Quando entendemos como a Ong funciona e qual o trabalho que ela executa, conseguimos fazer um “match” para o tipo de pessoa física ou o tipo de pessoa jurídica mais adequada”, diz Diego.

“Um dos nossos objetivos é fomentar uma lei que permita abater impostos para financiar projetos de conservação. Uma Lei Rouanet para a área ambiental”, diz Gustavo Figueiroa, o biólogo conservacionista. “Nós queremos estimular um ambiente onde as pessoas tenham vontade de trabalhar pela conservação, tanto pela paixão quanto pela remuneração.”

Para conseguir arrecadar recursos para projetos de conservação, a GreenBond trabalha em diferentes frentes:

  • Estabelecimento de uma estratégia de comunicação (com enfoque em mídias sociais), específica para cada projeto, com o objetivo de criar uma relação mais próxima entre pessoas, empresas, governo e Ongs e estimular parcerias entre o setor privado e o terceiro setor.
  • Produção e promoção de produtos e eventos que voltem recursos para a conservação
  • Criação de campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding) que promovam causas ambientais

A ideia é que a GreenBond se torne uma referência no mundo da conservação da biodiversidade. “A gente deseja criar uma boa relação com as empresas para que elas percebam que vale a pena investir no meio ambiente. Hoje os consumidores estão cada vez mais ávidos por consumir produtos sustentáveis e arrecadar recursos pra esses projetos via marketing de causa é algo muito interessante e ainda pouco explorado no Brasil”, diz Diego.

Uma perspectiva pessoal

Meu primeiro contato com a GreenBond foi no Pantanal, o lugar que mais amo nesse planeta e onde conheci Diego e Gustavo. Eu estava guiando um grupo do Onçafari, o primeiro cliente da empresa. Eles estavam produzindo conteúdo e conhecendo a equipe do projeto.

Por uma feliz coincidência fui escalado para guiá-los durante um dia na maior planície inundável do mundo. Conversamos um pouco e percebi que compartilhávamos a mesma paixão pela conservação e a mesma vontade de fazer a diferença por um mundo mais sustentável.

Eu (à esquerda, fora do carro) no dia que conheci o Diego (à direita, sem chapéu ou boné) e o Gustavo (autor da foto)

Sou biólogo e jornalista e fui repórter e editor de National Geographic Brasil por 5 anos. A conservação sempre fez parte do meu trabalho, mas desde que saí da revista essa pauta andava afastada da minha vida. Assim que voltei pra São Paulo me encontrei com o Diego e o Gustavo e, após uma rápida reunião, me juntei ao Bond.

Hoje meu coração bate mais forte porque eu respiro conservação todos os dias. Faço produção de conteúdo, com enfoque nos blogs dos nossos clientes, e sinto que cada linha que eu escrevo é cheia de significado. O trabalho e o prazer estão juntos novamente porque eu tenho a certeza de que a Greenbond faz a diferença para a construção de um mundo melhor.

Muro de Trump trará consequências irreparáveis para o meio ambiente

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Já existem 56 postos de controle e barreiras em quase 1/3 dos quase 3,2 mil quilômetros da fronteira dos EUA com o México. Esse trecho mostra cerca que separa o povoado de Tijuana, no México (à direita) de San Diego, nos Estados Unidos   – Foto: Domínio Público

O presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, pediu a liberação de US$ 5,7 bilhões (R$ 21,5 bilhões) ao congresso americano (de maioria democrata) para a expansão do muro na fronteira entre o México e os EUA com o objetivo de impedir a entrada de imigrantes ilegais pelo sul do país. Como o plano não foi aprovado, Trump se recusava a assinar qualquer medida que não incluía recursos para o projeto. Esse impasse durou 35 dias, a mais longa paralisação parcial do governo americano na história.

Em janeiro, o presidente cedeu e assinou uma lei que permitia financiar o governo federal até a próxima sexta-feira (15) que não incluía recursos para a construção do muro. Agora, republicanos e democratas fizeram um novo acordo provisório que prevê uma verba de aproximadamente 1,3 bilhões de dólares para construir 88,5 quilômetros de muro, bem longe da proposta inicial do presidente.

Carro da polícia americana faz patrulha beirando o muro na fronteira de EUA e México na dunas de Algodones, Califórnia – Foto: Domínio público

No entanto, além dos problemas de imigração, que estão sendo muito discutidos, uma questão está sendo deixada de lado: Quais as consequências que o muro traria para o meio ambiente?

“Independentemente do que for construído, será prejudicial ao habitat natural” disse Bob Dreher, advogado que lidera os programas de conservação Defenders of Wildlife, em entrevista para a National Geographic

Ameaças ao meio ambiente

Com mais de 3 mil quilômetros a fronteira dos Estados Unidos com o México é uma região rica em biodiversidade que inclui 6 biomas diferentes, composta por desertos, bosques e pântanos de água doce e de água salgada. Os muros representam uma barreira para animais e plantas nativos, aumentam a erosão do solo, alteram os fluxos hídricos naturais e os padrões de queimadas, atuam como represas e causam enchentes durante a temporada de chuvas

As onças-pintadas costumavam andar pelas margens do Rio Grande, mas praticamente desapareceram do Texas: en:User:Cburnett/Creative Commons

Cerca de 115 espécies encontradas nos EUA ficariam separadas de 50% ou mais de seu habitat ao sul da fronteira, segundo artigo da revista científica Bioscience. Essa divisão física separa populações, limita a capacidade de animais circularem para procurar alimentos, água e parceiros. Além disso, o muro impede que animais selvagens escapem de queimadas, inundações ou ondas de calor e atrapalham migrações de mamíferos que circulam entre os dois países.

A impossibilidade de cruzar a fronteira fragmentou populações de antilocapras e diminuiu as chances de restabelecimento das colônias de lobos-cinzentos, onças-pintadas e jaguatiricas no lado norte-americano. Chris Bugbee, pesquisador sênior do CATalyst, disse na página do grupo no Facebook. “Se alguma vez existisse uma barreira física sólida que abrangesse toda a fronteira, como planejado por nossa atual administração, seria game over para onças-pintadas e jaguatiricas neste país. Esse destino é inaceitável.”

A construção do muro pode levar à extinção da jaguatirica nos EUA – Foto: United States Fish and Wildlife Service/ Domínio público

A limitação da migração também impacta a dispersão de sementes de algumas espécies e, em alguns casos, a germinação ficaria prejudicada, já que algumas sementes  precisam passar pelo sistema digestório de animais para se desenvolver.

Presidente dos EUA, Donald Trump, visitando protótipos de muro de fronteira em San Diego em março de 2018 – Foto: Domínio público

Acreditava-se que o Rio Gande, a fronteira oficial entre México e EUA era um obstáculo natural à construção de uma barreira. O canal do rio muda de tempos em tempos e, caso os EUA optassem por construir o muro ao norte, cederiam o controle das terras que ficariam ao sul para o México, isolando propriedades de cidadãos americanos do lado do país vizinho.

Mas esse pensamento mudou e o congresso já aprovou verba para o inicio das obras ao norte do rio. As propostas incluem muros que irão atravessar sete áreas de preservação de vida selvagem no Texas. O Centro Nacional de Borboletas do estado foi notificado de que o muro irá colocar 70% do santuário do lado mexicano.

Mas a principal ameaça é que a construção do muro não precisa atender as exigências de mais de 30 das leis ambientais mais rigorosas dos EUA. A Lei das Espécies em Extinção, a Lei Nacional de Políticas Ambientais, a Lei do Ar Puro e a Lei da Água Limpa não se aplicam nesse caso graças à Lei REAL ID, aprovada pelo Congresso Americano em 2005 em resposta aos ataques terroristas de 11/09. Ela autoriza o Departamento de Segurança Interna a deixar de cumprir qualquer lei em nome da segurança nacional.

Janet Napolitano, ex-governadora do estado de Arizona e secretária de Segurança Interna do Presidente Barack Obama, ficou famosa por sua declaração: “Mostre-me um muro de 15 metros que lhe mostrarei uma escada de 16 metros”. Na foto, dois homens escalam a cerca da fronteira entre México e EUA em Douglas, Arizona – Foto: Domínio público