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Gustavo Figueirôa

Toxinas naturais podem ter causado a morte de centenas de elefantes em Botsuana

By | Animais ameaçados de extinção, Desastre Ambiental | No Comments

Desde março de 2020, mais de de 350 carcaças de elefantes foram encontradas no delta do Okavango, em Botsuana – sul da África. As causas das mortes foram um grande mistério, gerando um mar de discussão na comunidade científica. O principal intuito de tanta investigação é evitar mais mortes ainda e que estas saiam do controle sem nenhuma causa definida.

No início, algumas hipóteses foram levantadas, como caça predatória, envenenamento natural por Anthrax, e até mesmo o surgimento de uma nova doença. Amostras de materiais biológicos dos animais mortos foram analisadas e, embora os resultados não sejam 100% conclusivos, parece que o verdadeiro vilão foi identificado. 

Morte de elefantes em Botsuana segue cercada de mistérios. Foto: Divulgação/BBC

 

Toxinas naturais encontradas na água

 

Diversos exames foram, e ainda estão sendo realizados em laboratórios de diversos países e, com base no resultado de alguns testes, pesquisadores descobriram que a causa dessas mortes provavelmente está associado a toxinas naturais presentes na água. 

O chefe do Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais, Cyril Taolo, em entrevista com a G1 explicou que algumas bactérias podem produzir veneno naturalmente, principalmente em água estagnada e que, apesar de não terem estabelecido uma conclusão sobre a causa das mortes, os resultados preliminares apontam para as toxinas naturais.

Envenenamento e o surgimento de uma nova doença são possibilidades em análise. Foto: Divulgação/BBC

 

 

Dificuldades impostas pela pandemia

 

As fatalidades em Botsuana estão sendo observadas desde março, mas por conta do Coronavírus e suas limitações, o diagnóstico exato está demorando mais do que o previsto para ser concluído. 

Alguns testes importantes para fechar o veredito ainda não obtiveram resultados e para se chegar a uma conclusão realmente assertiva, é necessário analisar todos os resultados, eliminando todas as possíveis causas. 

Elefantes mortos em Botsuana.. Foto: Divulgação/BBC

 

Mudanças Climáticas e Coronavírus: qual a relação entre os dois?

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Não categorizado | No Comments

No dia 16 de março, celebramos o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. Este dia foi criado com o objetivo de chamar atenção das pessoas para os riscos associados às alterações no clima, assim como para as ações que devemos tomar para reduzir ao máximo os impactos dessas mudanças em nosso planeta. A única certeza que temos até agora, é que as mudanças já estão causando efeitos catastróficos em algumas partes do mundo, e causarão ainda mais. A conta já está alta e uma hora vai chegar com maior força. Cabe a nós decidirmos o quão grande será a conta que virá.

Fonte: Imagem da internet

 

Causas e efeitos do aquecimento global

Já é comprovado há tempos pela ciência que a ação humana tem intensificado e acelerado essas mudanças diretamente. A principal fonte causadora do aquecimento global é o aumento da emissão de gases de efeito estufa (GEEs), como o metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e primariamente o dióxido de carbono (CO2), entre outros.  A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, perda de biodiversidade e uso irracional dos recursos naturais, são as maiores causas de emissão desses gases na atmosfera. No Brasil, a maior parte das emissões de GEEs é causada pelo desmatamento, seja por meio do corte ou queimada de árvores.

Emissão de gases do efeito estufa na atmosfera. Fonte: Internet

 

O aumento da temperatura média da Terra já está mostrando efeitos diretos em diferentes cenários, como os níveis recordes de derretimento de geleiras nos polos, aumento do nível dos oceanos,  tempestades mais intensas, períodos de secas mais prolongados, entre outros fatores que influenciam a vida de bilhões de pessoas no mundo. Cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), já comprovaram que a temperatura do planeta está 0,8 grau mais quente, e que, se nada for feito para interromper o ciclo das mudanças climáticas, esse aumento pode atingir alarmantes 1,5 graus.

Comparativo da cobertura de gelo no polo norte entre 1984 e 2016. Fonte: Internet

 

Coronavírus X Mudanças Climáticas

Por coincidência, a data caiu bem em meio a uma crise mundial de saúde, a pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Você deve estar se perguntando o porquê de citarmos a pandemia no meio de um texto sobre mudanças climáticas. Bom, a relação aqui vem em um nível de estrutura societária. Entenda, o surto de coronavírus é grave, porém a previsão dos cientistas é que dentro de 4 meses tudo comece a voltar ao normal. Mesmo assim, o surto está levando ao fechamento de aeroportos e fronteiras, esvaziamento das prateleiras em supermercados, cancelamento de grandes eventos, além da superlotação de hospitais.

Fonte: Internet

Imagine agora, caso o nível do mar suba mais ainda e milhares de cidades costeiras fiquem inabitáveis. Isso geraria uma migração em cadeia de centenas de milhões de pessoas para o interior dos continentes, podendo causar uma ruptura nas estruturas sociais que existem hoje. Recursos ficariam escassos, espaço para moradias seriam ainda mais disputados e a ordem pública entraria em grave risco.

 

Faça sua parte!

Neste Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, deixamos o nosso alerta, nosso tijolo em um muro que está sendo construído há anos por cientistas que, muitas vezes, não são ouvidos. As ações para diminuir a intensidade das mudanças climáticas devem ser tomadas já, não há mais tempo para prorrogação. Você pode fazer a sua parte.

Utilize os recursos naturais de forma mais consciente. Reduza o consumo de matérias-primas, reutilize todo o material que for possível ser reaproveitado. Escolha produtos e serviços de empresas que respeitam e se preocupam com a saúde do meio ambiente. Nós acreditamos na mudança!

 

 

Incêndios na Austrália: entenda a gravidade

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas | No Comments

A Austrália é hoje o foco das atenções do mundo devido às catástrofes climáticas que vem enfrentando. Há meses, incêndios florestais devastam áreas enormes de florestas por todo o país, sendo considerada a pior onda de incêndio da história para os australianos.

 

Helicóptero despejando água durante o incêndio. Fonte: Reprodução G1

Causas do incêndio

 

Diferente do Brasil, a maioria dos incêndios na Austrália são provocados por causas naturais, surgindo da combinação de temperaturas acima dos 40 graus, ventos fortes e tempo muito seco. Lá, os incêndios são comuns e acontecem todos os anos. Porém, a situação tem ficado mais complicada com o passar dos anos, devido ao efeito direto das mudanças climáticas do aquecimento global.

 

Canguru fugindo do incêndio. Fonte: G1

 

Dois dos principais fenômenos que controlam o clima, tem influência direta nos incêndios. Os fenômenos são conhecidos como: DOI (Dipolo do Oceano Índico) e MAS (Modo Anular Sul).

O DOI é a oscilação de temperatura no mar ao leste e oeste do oceano Índico. Quando a combinação da diferença na temperatura da superfície do mar indicam índices positivos, significa que haverá menos chuvas na Austrália. Já o MAS, é o movimento norte-sul do cinturão de ventos. Quando os índices são negativos, também significa menos chuvas na região.

Em 2019, o cenário foi uma combinação de DOI (+) e MAS (-), ou seja, os extremos para pouca chuva. Somado às altas temperaturas, geraram este cenário desolador. É um efeito raro, porém foi intensificado pelo aquecimento global.

 

Números da catástrofe

 

Nestes 4 meses de fogo contínuo, autoridades e pesquisadores estimam que:

  • Cerca de 500 milhões de animais morreram (entre mamíferos, anfíbios, aves, répteis…);
  • 1/3 da população de coalas foi dizimada;
  • Mais de 100.000 pessoas desalojadas de suas casas;
  • Mais de 25 pessoas mortas;
  • Mais de 8 milhões de hectares queimados.

 

Canguru carbonizado após passagem do fogo. Fonte: Internet

Diferença entre a Austrália e o Brasil

 

Incêndios florestais não são um problema apenas na Austrália. Recentemente, passamos por um período grave de focos de fogo por todo o país. As queimadas ficaram mais evidentes na Amazônia, mas também afetaram gravemente o Pantanal e Cerrado.

No Brasil, a maior parte dos incêndios registrados foram na Amazônia, uma mata úmida que não pega fogo naturalmente. Aqui, a maioria dos incêndios são criminosos, colocados para a limpeza de área previamente desmatadas. Ou seja, boa parte dos incêndios na Amazônia ocorreram em áreas onde as árvores já foram derrubadas.

Já na Austrália, os incêndios consomem florestas em pé – lembrando que o desmatamento é a principal causa do aquecimento global. A maior parte das queimadas acontecem por causas naturais, assim como no Cerrado brasileiro. Porém, estão sendo intensificadas e mais extensas devido às alterações climáticas dos últimos anos.

 

Entenda melhor a diferença nesta arte criada pelo Hugo Fernandes, do Instagram @hugofernandesbio

 

A situação na Austrália é gravíssima! A tendência é que os próximos anos sejam mais perigosos, pois a cada ano que passa, as condições para o fogo tem ficado mais propícias. As mudanças climáticas não estão batendo em nossa porta, estão invadindo e devastando tudo pela frente. Não há mais tempo para negacionismo, precisamos agir já!

 

Um milhão de espécies de plantas e animais estão ameaçadas de extinção

By | Animais ameaçados de extinção, Aquecimento Global, Conservação, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas | No Comments

Um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas da extinção. Esse é o dado conclusivo divulgado no relatório de 1.800 páginas pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES), da Organização das Nações Unidas (ONU). O levantamento teve a participação de 145 pesquisadores espalhados por 50 países, e está sendo considerado o mais complexo e abrangente estudo sobre perdas do meio ambiente.

O leopardo-das-neves é uma das espécies mais raras de felinos do mundo, também em risco de extinção. Foto: Abujoy/ Creative commons

Analisando mais de 15 mil pesquisas científicas e dados governamentais, foram identificados os cinco principais motivos para tamanho impacto sobre a vida de tantas espécies: perda do habitat natural, exploração dos recursos naturais, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.

Entre os números apontados estão a queda de 20%, desde 1900, na média de espécies nativas nos principais habitats do planeta – atualmente, mais de um terço dos mamíferos marinhos estão ameaçados, por exemplo; e a duplicação das emissões de gás carbônico no mundo desde 1980, o que elevou a temperatura média do planeta.

Com dificuldades para conseguir caçar focas, ursos-polares podem morrer de fome – Foto: Andreas Weithpolar/ Creative Commons

O estudo também alerta, entre outros temas, para a pesca desenfreada: segundo o relatório, em 2015, 33% da vida dos mares estava sendo pescada em nível insustentável. E outros vários pontos importantes, como a poluição causada pelos plásticos, que
aumentou dez vezes desde 1980, e a influência dos fertilizantes em áreas costeiras, que já produziram uma área de “zona morta” oceânica maior que o Reino Unido.

A ingestão de plástico já foi registrada em mais de 240 espécies.  Na foto, uma tartaruga Verde (Chelonia mydas) com um saco de plástico próximo a boca, no recife de Moore, Austrália. A sacola foi removida pelo fotógrafo antes que a tartaruga tivesse a chance de comê-la.
Foto: Troy Mayne/ WWF/ Divulgação

No fim, se resta um caminho de otimismo, o estudo indica que há caminhos objetivos e reais para um trabalho que implemente regras e conceitos de produção mais sustentável. Por exemplo, uma agricultura mais planejada e a redução do desperdício
de alimentos, o que já impactaria vários dos pontos levantados como problemáticos.

Uma certeza nós temos: só temos este planeta, se não cuidarmos dele agora, pode ser tarde demais no futuro.

Considerada extinta, subespécie de felino raro é vista pela primeira vez em 30 anos

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Considerada uma espécie vulnerável a extinção, a pantera-nebulosa é um dos felinos mais enigmáticos do mundo. Recentemente uma subespécie endêmica da ilha de Taiwan, considerada extinta há mais de 5 anos, não vista desde 1983, a Pantera-nebulosa Formosa (Neofelis nebulosa brachyura) pode ter sido avistada nas dependências da ilha.

Pantera-nebulosa, espécie considerava vulnerável pela IUCN. Fonte: Ltshears (Creative commons)

Em 2013, após mais de 13 anos de pesquisa cientifica com câmeras trap espalhadas pelas florestas de Taiwan, inúmeras armadilhas e horas de campo sem nenhum registro da pantera-nebulosa formosa na ilha, cientistas concluíram que a subespécie podia ser considerada extinta na natureza. Um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Chiang Po-jen, afirma acreditar que alguns animais ainda existam na região, porém em números insignificantes. Chiang afirma ainda :

“Uma floresta com panteras-nebulosas é diferente de uma floresta sem panteras-nebulosas. Uma floresta sem panteras é uma floresta morta”

Porém, alguns aldeões e moradores de regiões remotas de Taiwan dizem ter visto o animal caçando cabras na região e até caminhando próximos à estrada. O diretor do distrito da Floresta Taitung, afirma que tem esperanças de confirmar os boatos, por isso novas pesquisas serão realizadas na área a fim de confirmar cientificamente a existência do felino no local.

Apesar de nao ser vista há décadas, pesquisadores relutam em colocar a espécie oficialmente como extinta.
Foto: Khaled Azam Noor/Shutterstock

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, especialista em manejo e conservação de fauna.

 

Nova barragem de rejeitos se rompe em Minas Gerais, resíduos podem ir para Rio São Francisco

By | Notícias | No Comments

Uma barragem da mineradora Vale, se rompeu nesta sexta-feira (25/01/19) novamente no estado de Minas Gerais, na cidade de Brumadinho, próxima a Belo Horizonte.

Em nota da Agência Brasil, a empresa Vale do Rio Doce, liberou uma nota à pouco dizendo:

As primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Ainda não há confirmação se há feridos no local. A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens

Imagem do rompimento da barragem. Fonte: Corpo de bombeiros/divulgação

 

Os dejetos do reservatório de rejeitos de minério foi todo despejado no Rio Paraopeba, que deságua no Rio São Francisco. Ainda não se tem muitas notícias do ocorrido, porém os danos ambientais serão catastróficos. O rompimento ocorre pouco mais de 4 após o rompimento da barragem de Mariana, considerado o maior acidente ambiental de todos os tempos no Brasil, e até hoje sem punição para os envolvidos.

Imagem do rompimento da barragem de Brumadinho. Fonte: redes sociais.

 

Ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro é condenado por improbidade administrativa

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Nesta quarta-feira (19/12) a Justiça condenou o Ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, futuro Ministro do Meio Ambiente do próximo governo, por improbidade administrativa. Ricardo Salles, era investigado e acusado pelo Ministério Público de fraudar o processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, durante seu mandato como secretário estadual de São Paulo.

Salles é acusado de diversas irregularidades no procedimento de elaboração e aprovação do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) da Várzea do Rio Tietê.  De acordo com o Ministério Público, ele teria modificado mapas elaborados pela Universidade de São Paulo (USP), alterado minuta do decreto do plano de manejo e promovido perseguição a funcionários da Fundação Florestal, com o propósito de beneficiar setores empresariais, em especial empresas de mineração e filiadas à Fiesp, segundo a matéria do G1.

Ricardo Salles, futuro ministro do Meio Ambiente. Fonte: Reprodução/Globo News

Segundo a denuncia, os citados agiram com intenção de “beneficiar setores econômicos, notadamente a mineração, e algumas empresas ligadas à Fiesp [Federação das Indústrias de São Paulo]”, e  “também foram modificados mapas elaborados pela Universidade de São Paulo a pedido da Fundação Florestal e a própria minuta de decreto do Plano de Manejo da mesma APA”.

Ainda cabe recurso ao futuro ministro, mas a pergunta que não cala é: Será que Bolsonaro manterá Salles como ministro, mesmo depois de assumir que não toleraria condenados da justiça em seu governo?

China permite comércio de ossos de tigres e chifres de rinoceronte novamente

By | Conservação, Notícias | No Comments

Em um gigantesco passo para trás na conservação, a China reabre as portas para a comercialização de produtos oriundos de tigres e rinocerontes, prática que estava banida no país  há 25 anos. Nesta segunda-feira (29/10) a China anunciou a retomada de um comércio que desde 1993 era considerado ilegal.

Peles de tigres apreendidas. Fonte: WWF

Segundo o primeiro-ministro Chinês, Li Keqiang, a liberação será apenas para casos particulares, para utilização em “tratamentos médicos” e “pesquisas cientificas”.

Para se ter acesso a estes produtos será necessária uma autorização especial e apenas os médicos de hospitais reconhecidos pela Administração Nacional de Medicina Tradicional poderão utilizá-los

Ressalta Keqiang.

Os hospitais só podem adquirir os produtos vindos de criadouros comerciais de tigres e rinocerontes – não incluindo os animais de zoológicos – onde os animais são criados para fins comerciais. Especialistas estimam que cerca de 6,500 tigres são criados nestas fazendas para fins comerciais em toda a China.

Fazenda de criação de tigres para fins comerciais. Fonte: Internet

 

Consequências devastadoras

Apesar da medida controlar o uso e restringir a comercialização apenas de criadores comerciais – não permitindo animais oriundos da natureza – essa liberação preocupa muito os ambientalistas e especialistas em conservação de todo o mundo. Este ato vai na contramão das políticas de redução da demanda por esses produtos no mercado asiático, podendo servir de “combustível” que vai aquecer mais ainda o mercado negro e a caça predatória destes animais, agravando ainda mais a situação das espécies ameaçadas.

Rinoceronte morto com chifre retirado. Fonte: internet

 

Pele e presas de tigres expostas. Fonte: internet

Estima-se que existam somente 3,900 tigres selvagens no mundo, um número assustador que coloca em perigo crítico a sobrevivência da espécie na natureza.

 

Especialistas em alerta

Leigh Henry, Diretor de Políticas de Vida Selvagem da organização WWF (Fundo Mundial para a Natureza) diz:

“A decisão da China de legalizar este mercado de fazendas de criação de tigres e rinocerontes, reverte 25 anos de progresso feito na redução da demanda por estes produtos na medicina tradicional chinesa e na criação de leis mais severas”

Tigresa com filhotes. Fonte: internet

Margaret Kinnaird, responsável por biodiversidade da organização completa:

”A retomada do comércio legal poderá não apenas servir para encobrir o tráfico clandestino, mas também para estimular uma demanda que havia baixado quando a proibição entrou em vigor”

Ossos e pele de tigre expostas. Fonte: internet

 

Em tempos sombrios, percebemos que o ser humano toma passos contrários em relação a conservação do ambiente natural, tomando um rumo perigoso que coloca em cheque a nossa própria existência.

Agora é a hora de nos unirmos e lutar contra atrocidades, pois talvez essa seja a última geração que ainda pode fazer algo para salvar o que resta de biodiversidade em nosso planeta.

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em manejo e conservação da fauna silvestre

Cofundador na GreenBond

 

 

 

 

 

Onça parda é flagrada predando veado-catingueiro no interior paulista

By | Conservação, Notícias | No Comments

No último dia 20 de Agosto, foi registrada uma sequência raríssima de ser filmada na natureza: uma predação de onça parda (Puma concolor).

A onça parda também é conhecida por seus diferentes nomes populares, tais como: Puma, Leão-baio, Leão-da-montanha ou Suçuarana.

Confira o vídeo da predação:

 

Monitoramento de fauna no reflorestamento

A cena foi registrada durante uma campanha de monitoramento de fauna desenvolvido e implantado pela Ambiens Soluções Ambientais, à serviço da Tijoá Energia, empresa que tem a concessão da Usina Hidrelétrica Três Irmãos.

Biólogos da Ambiens em monitoramento de fauna

A UHE Três Irmãos está reflorestando todo o entorno da represa como parte de um programa de recuperação ambiental para mitigar os danos causados pela inundação. O reflorestamento está indo muito bem e muitas espécies ameaçadas estão voltando a aparecer nas áreas restauradas.

Após identificar o local para instalar a câmera, em uma das parcelas do reflorestamento que estava sendo monitorada, o biólogo Gustavo Gáspari ligou o equipamento e foi embora deixando a câmera trap (ou armadilha fotográfica), que é acionada por movimentos, trabalhar.

 

Uma cena rara

O que ninguém esperava era que a onça parda fosse abater o veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) bem na frente do equipamento, que registrou a sequência quase completa do abate (menos o momento do primeiro ataque).

Veado-catingueiro (Mazama gouazoubira). Foto: Gustavo Figueirôa

As suçuaranas são animais de hábitos noturnos, muito reservados e evitam ao máximo o contato com seres humanos, o que torna quase impossível que um registro de predação como esse seja feito com facilidade.

O abate

Primeiro, a onça crava suas presas no pescoço do veado a fim de sufoca-lo até a morte. Esta é uma tática comum entre as onças pardas, pois não tem força suficiente para matar com uma mordida na base da nuca, como fazem as onças-pintadas (Panthera onca)

Onça parda por cima do veado-catingueiro mordendo seu pescoço

Após um tempo de luta, o felino consegue sufocar com sucesso sua presa. Exausta após a caçada, a onça recupera o folego enquanto olha para os lados para garantir que está sozinha.

  

Algum tempo depois, ela arrasta sua janta pelo chão da floresta para um local mais escondido, onde irá saborear os espólios de uma caçada bem sucedida. A ação toda ocorre em menos de 8 minutos.

 

Resultados positivos do reflorestamento

Desde 2015, quando o monitoramento começou a ser feito pela equipe de biólogos da Ambiens, já foram registradas mais de 240 espécies de aves e 30 espécies de mamíferos de médio e grande porte. Dentre eles: Anta (Tapirus terrestris), Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) além é claro da própria Onça parda (Puma concolor).

Tamanduá-bandeira registrado no interior de São Paulo. Foto: Gustavo Gaspari


Registro de anta por meio armadilha fotográfica instalada em área de reflorestamento da UHE Três Irmãos. Image: Tijoá Energia


Lobo-guará registrado no reflorestamento. Foto: Gustavo Gaspari

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em manejo e conservação de fauna

Cofundador na GreenBond

Aprovada a PROIBIÇÃO da caça comercial de baleias, mas caça científica continua permitida

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Na manhã desta quinta-feira (13/09) foi aprovada por grande maioria (67%) a Declaração de Florianópolis, que mantêm e reafirma o banimento da caça comercial de baleias em águas internacionais.

Turistas observando baleias na costa brasileira

O documento proposto pelo Brasil, reafirma a moratória vigente desde 1986, que proíbe a caça comercial de baleias e permite apenas a caça para fins científicos e a caça de subsistência praticada por aborígenes em comunidades tradicionais em regiões específicas.

Já na manhã desta sexta-feira (14/09), foi votada a proposta de liberar a caça comercial de baleias, feita pelo Japão.

Após todos os países se pronunciarem, por um placar de 41 x 27 o projeto Japonês foi negado, garantindo que a caça predatória para fins comerciais continue banida!

 

A Declaração de Florianópolis

A aprovação da Declaração de Florianópolis é um marco importantíssimo para a conservação destes mamíferos. O documento reafirma a posição do Brasil a favor da conservação das baleias e faz duras críticas à caça comercial e científica, afirmando que:

“caça comercial não é mais uma atividade econômica necessária”

“caça com fins científicos não é mais uma alternativa válida para responder às questões científicas dada a existência de abundantes métodos de pesquisa não letais”.

Baleia jubarte avistada em águas brasileiras

O documento também propõem que os recursos da Comissão Internacional das Baleias (CIB) sejam destinados exclusivamente para conservação, e não mais para a caça.

 

O outro lado da moeda

Apesar do resultado positivo conquistado neste quinta-feira, outras duas decisões tomadas pela CIB esta semana geraram polêmica e não vão de encontro ao objetivo conservacionista.

Na quarta-feira (12/09), foi rejeitada a proposta de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul.

Também na quarta-feira, a comissão aprovou a caça de 1.000 baleias para fins de subsistência em países como países como Estados Unidos, Rússia, Dinamarca (Groenlândia) e St. Vincent & Grenadines.

Baleia morta pelo principal navio baleeiro japonês, Yushin Maru

 

Os resultados da preservação

A trégua dos arpões tem trazido resultados muito positivos para a conservação das baleias. No Brasil, populações de baleias como a Jubarte e a Franca vem crescendo todos os anos.

Família de baleias-jubarte

Nesta temporada, 284 baleias franca foram vistas no litoral de Santa Catarina, batendo um recorde de avistamentos desde que a contagem começou a 31 anos atrás. Um recorde curioso que foi batido bem na época em que a Comissão Internacional de Baleias se reúne no litoral catarinense.

Família de baleias franca avistadas no litoral catarinense

Segundo a bióloga do instituto Australia, Karina Groch, a taxa média de crescimento anual da população de baleias é de 12% e isso está diretamente relacionado ao trabalho de preservação que é realizado há vários anos.

 

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Por:

Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em manejo e conservação da fauna silvestre

Cofundador na GreenBond