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Instituto de Sebastião Salgado já recuperou 2000 nascentes no Vale do Rio Doce

By Conservação, Educação ambiental, Notícias

Fazenda Bulcão, antes (2001), e depois de ser transformada em RPPN e passar por reflorestamento com plantas nativas da Mata Atlântica (2019) – Foto: Facebook do Instituto Terra

1998. Aimorés, Minas Gerais. O casal Sebastião Salgado e Lélia Wanick estava muito triste com o cenário de degradação ambiental em que se encontrava a antiga fazenda da família. Na Fazenda Bulcão, o córrego havia secado, restavam pouquíssimas árvores, o solo era pobre e os animais já não frequentavam o lugar. “Era tão degradante. Nós ficamos tão tristes e nós choramos”, comenta Lélia durante uma entrevista ao programa Sempre um Papo. “Ali, naquela hora me veio uma ideia que, francamente, acho que foi a melhor ideia que eu tive na minha vida. Eu falei: vamos plantar uma floresta aqui! A gente fechou o olho e viu tudo verdinho. Sebastião, na mesma hora, adorou a ideia e a gente começou a trabalhar pra ver como a gente ia plantar essa floresta.”

Eles mobilizaram parceiros, captaram recursos e fundaram o Instituto Terra, uma organização com a missão de contribuir para o processo de recuperação ambiental e o desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica, em especial na região do Vale do Rio Doce.

Lélia Wanick e Sebastião Salgado na RPPN Fazenda Bulcão – Foto: Facebook do Instituto Terra

Desde o início, o instituto tinha o objetivo de despertar a conscientização ambiental sobre a necessidade de restaurar e conservar a floresta. “Nós destruímos tudo. Hoje nós não temos mata ciliar, nós não temos cobertura que permita as nascentes sobreviverem… Não tem milagre! Se a gente quiser sobreviver na sociedade que temos hoje, nós temos que refazer uma parte do que nós destruímos”, diz Salgado em uma entrevista ao programa Sempre um Papo.

Eles transformaram a propriedade da família na Reserva Natural do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Bulcão, com 609 hectares. As primeiras mudas foram plantadas em dezembro de 1999 e, ano após ano, com o apoio de associados, foi possível plantar mais de dois milhões de árvores de mais de 290 espécies nativas da Mata Atlântica. Com a restauração da cobertura vegetal, voltaram os cursos d’água e os animais.

RPPN Fazenda Bulcão – Foto: Facebook do Instituto Terra

Dessa iniciativa surgiu o Programa Olhos D’Água que tem o objetivo de resgatar os recursos hídricos da Bacia do Rio Doce. Aproximadamente 2 mil nascentes foram recuperadas. 1.022 famílias de pequenos produtores rurais receberam gratuitamente assistência técnica, materiais para construção de cercas e para a instalação de miniestações de tratamento de esgoto, além de mudas para reflorestamento das áreas.

Com ações de reflorestamento no Vale do Rio Doce, o instituto plantou 6 milhões de mudas de árvores de aproximadamente 300 espécies nativas da Mata Atlântica e recuperou uma área de 21,1 milhões de metros quadrados, o equivalente à soma de 2.995 campos de futebol. A maior parte dessas mudas foi produzida no viveiro do próprio instituto, que tem capacidade de produzir 1 milhão de mudas por ano.

Logo do Instituto Terra – Foto: Facebook do Instituto Terra

Eles também criaram o Centro de Educação e Recuperação Ambiental (CERA), onde mais de 70 mil pessoas (professores, alunos, produtores rurais, técnicos agrícolas, ambientais e florestais) já receberam algum tipo de treinamento da ONG desde sua fundação.

O Instituto Terra transformou uma antiga fazenda de gado, totalmente degradada, em uma floresta rica, onde as nascentes voltaram a jorrar e os animais conseguem achar abrigo. Sebastião e Lélia mostraram ao mundo que é possível recuperar a Mata Atlântica. Só depende de nós.

Rompimento de barragem da Vale no MS traria danos irreversíveis ao Pantanal

By Desastre Ambiental, Notícias

Pantanal do Mato Grosso do Sul pode ser atingido por rejeitos de mineração em caso de rompimento de barragem de Gregório, em Corumbá – Foto: Paul Williams/ Creative Commons

A barragem de Gregório está localizada em Corumbá (MS), possui capacidade de 9,3 milhões de m³ de rejeitos de minério de ferro e, em caso de rompimento, traria prejuízos permanentes ao Pantanal. “Muitos danos seriam irreversíveis, principalmente, aos recursos hídricos da região,” diz, Ricardo Eboli Gonçalves Ferreira, diretor-presidente do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) em entrevista à Campo Grande News.

A barragem de Gregório pertence à Vale, é a maior barragem do Pantanal e é classificada com potencial de dano alto pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e é similar à de Brumadinho (MG), que rompeu na última sexta-feira (25) e tinha capacidade de 12 milhões de m³.

A barragem de Gregório fica localizada na região do Morro do Urucum, em Corumbá (MS) – Foto: Reprodução/Google Maps

Além de Gregório, existem duas outras barragens classificadas na categoria “dano potencial alto” pela ANM porque um possível rompimento poderia atingir até 250 pessoas em áreas rurais e prejudicaria a fauna e a flora do Pantanal.

Na segunda-feira (28), o Imasul anunciou a formação de um grupo de trabalho – composto por agentes e técnicos do Ibama, ANM, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental e Defesa Civil – que tem o objetivo de fiscalizar todas as barragens de rejeitos do estado.

Após o que ocorreu em Brumadinho, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de MS quer se certificar que às barragens em Corumbá não correm risco de provocar uma tragédia de grandes proporções e espera que a vistoria tranquilize o Estado e a comunidade que vive no local.

Barragem fica a 22km do Rio Paraguai, e menos de 20km das regiões alagadas do Pantanal de Corumbá. – Fonte: Reprodução Google Maps

Nova barragem de rejeitos se rompe em Minas Gerais, resíduos podem ir para Rio São Francisco

By Notícias

Uma barragem da mineradora Vale, se rompeu nesta sexta-feira (25/01/19) novamente no estado de Minas Gerais, na cidade de Brumadinho, próxima a Belo Horizonte.

Em nota da Agência Brasil, a empresa Vale do Rio Doce, liberou uma nota à pouco dizendo:

As primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Ainda não há confirmação se há feridos no local. A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens

Imagem do rompimento da barragem. Fonte: Corpo de bombeiros/divulgação

 

Os dejetos do reservatório de rejeitos de minério foi todo despejado no Rio Paraopeba, que deságua no Rio São Francisco. Ainda não se tem muitas notícias do ocorrido, porém os danos ambientais serão catastróficos. O rompimento ocorre pouco mais de 4 após o rompimento da barragem de Mariana, considerado o maior acidente ambiental de todos os tempos no Brasil, e até hoje sem punição para os envolvidos.

Imagem do rompimento da barragem de Brumadinho. Fonte: redes sociais.

 

Fragata-de-trindade: a luta para salvar uma espécie criticamente ameaçada de extinção

By Conservação, Notícias

 

Fragata-de-trindade (Fregata trinitatis). Com uma população de menos de 30 indivíduos, a espécie endêmica da Ilha da Trindade está criticamente ameaçada de extinção – Foto: Divulgação

Na remota Ilha da Trindade, no Espírito Santo, as últimas aves da espécie Fregata trinitatis lutam pela sobrevivência. Nos últimos 500 anos navegadores que utilizavam o local como ponto de parada entre a América e a África queimaram árvores e trouxeram animais como ratos, cabras e porcos. A vegetação foi destruída, as aves terrestres que dependiam de plantas para a alimentação foram totalmente extintas. A fragata-de-trindade se alimenta de peixes e é capaz de voar grandes distâncias sem pousar em terra firme, por isso conseguiu resistir. O problema é que ela depende de árvores para se reproduzir. Sem um lugar para construir ninhos, a população começou a diminuir. Hoje existem menos de 30 indivíduos e a espécie se encontra criticamente ameaçada de extinção.

Para tentar mudar essa história, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, desenvolveram ninhos artificiais com uma plataforma para as aves pousarem e colocarem gravetos. Eles serão instalados na Ilha da Trindade em postes que irão simular o papel das árvores. Alguns dos ninhos terão fragatas-de-trindade empalhadas e emitirão sons da espécie acasalando para estimular a reprodução das aves reais.

A ideia é que as fragatas se sintam atraídas pelos sons, cheguem perto para investigar, vejam as aves empalhadas e percebam que elas podem utilizar os postes para a construção de ninhos sem nenhum problema.

Aves empalhadas serão utilizadas em alguns ninhos artificiais para tentar fazer com que as fragatas-de-trindade reais usem os ninhos artificiais – Foto: Patrícia Serafini

Projetos com ninhos artificiais para fragatas já tiverem sucesso em outras partes do mundo, mas essa é a primeira tentativa no Brasil. Para a analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, Patricia Serafini, essa pode ser a última chance da espécie. “Nós precisávamos de uma estratégia rápida e acabamos optando pelos ninhos artificiais. É a primeira vez que esse projeto é testado no país, então, ainda não sabemos qual será a taxa de eficiência. Iremos adaptar de acordo com o comportamento das aves”, explica.

Outras aves como a fragata-grande, a noivinha, o petrel-de-trindade e o atobá-de-pé-vermelho também serão beneficiadas pelo programa. Para a pesquisadora, a forma ideal de garantir a continuidade das espécies seria por meio de uma restauração da vegetação natural, com translocação de mudas. Porém, o processo poderia demorar décadas e só estaria pronto quando as aves possivelmente já estivessem extintas. Mesmo assim, enquanto ornitólogos tratam das aves, botânicos e outros cientistas trabalham na recuperação da flora local, com a transposição de mudas para as ilhas. Segundo Serafini, as cabras foram retiradas da região em 2005, mas outras espécies invasoras, como os ratos, ainda são um desafio.

Para uma recuperação total é preciso proteger a vida marinha ao redor das ilhas. Hoje o arquipélago é uma Área de Proteção Ambiental, restringindo a pesca em determinadas regiões consideradas essenciais para o desenvolvimento das espécies, visando um equilíbrio ecológico. Atualmente, as atividades na região são fiscalizadas pela Marinha brasileira.

De acordo com o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Robson Capretz, ações de conservação da ilha já foram iniciadas no passado, mas no momento são necessárias estratégias para garantir a presença das espécies endêmicas no futuro. “Trabalhar com ilhas é super importante porque o fato de estarem isoladas pelo mar torna aqueles ecossistemas muito frágeis. Por isso, um grande trabalho de fiscalização deve ser feito por governo, Marinha e pesquisadores, para proteger esses ecossistemas nas unidades de conservação recém-criadas. Ainda assim é preciso fazer um diagnóstico da vegetação, dos ninhos e das aves para garantir a reprodução e a sobrevivência das espécies”, ressalta.

Essa iniciativa é essencial para melhorar a situação das fragatas-de-trindade e retirar a espécie da categoria criticamente ameaçada de extinção. Estamos torcendo para dar certo.

Plástico é encontrado em todas as espécies de tartarugas marinhas

By Conservação, Notícias

Todas as tartarugas marinhas possuem microplásticos em seus organismos – Foto: Domínio Público

Um estudo realizado pela Universidade de Exeter, Laboratório Marinho de Plymouth e Greenpeace apontou que partículas sintéticas com menos de 5 mm de comprimento (incluindo microplásticos) estão presentes em todas as espécies de tartarugas marinhas do planeta. 102 indivíduos encontrados nos oceanos Atlântico, Pacífico e Mediterrâneo foram analisados.

Mais de 800 partículas sintéticas foram encontradas, mas os pesquisadores testaram apenas parte do intestino de cada animal – então, estima-se que o número total de partículas seja cerca de 20 vezes maior.

“O efeito dessas partículas sobre as tartarugas é desconhecido”, diz a autora principal do estudo, Emily Duncan, do Centro de Ecologia e Conservação do Campus Penryn, na Universidade de Exeter, na Cornualha.“Seu pequeno tamanho significa que elas podem passar pelo intestino sem causar um bloqueio, como é frequentemente relatado com fragmentos maiores de plástico”, conta a pesquisadora. “No entanto, o trabalho futuro deve se concentrar em saber se os microplásticos podem afetar os organismos aquáticos de forma mais sutil. Por exemplo, eles podem possivelmente conter contaminantes, bactérias ou vírus, ou podem afetar a tartaruga em nível celular ou subcelular. Isso requer mais investigação.”

Penelope Lindeque, do Laboratório Marinho de Plymouth, alerta: “No nosso trabalho ao longo dos anos, encontramos microplásticos em quase todas as espécies de animais marinhos que observamos; de minúsculos zooplânctons na base da teia alimentar passando por larvas de peixes, golfinhos e agora tartarugas. Este estudo fornece mais evidências de que todos nós precisamos ajudar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos liberados em nossos mares e manter oceanos limpos, saudáveis ​​e produtivos para as gerações futuras”.

O perigo do plástico não se restringe às micropartículas. Um relatório elaborado pela Proteção Animal Mundial alerta para uma ameaça cada vez mais comum nos oceanos, a pesca fantasma.

 

 

 

Japão retomará caça de baleias em seu território

By Notícias

Baleia Minke e seu filhote de 1 ano de idade, levado a bordo do navio japonês Nisshin Maru – Foto: Australian Customs and Border Protection Service/CC BY-SA 3.0 au

O secretário-geral do Gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, informou hoje (26) que o Japão vai se retirar da Comissão Internacional da Baleia (IWC na sigla em Inglês). A intenção é retomar a caça comercial de baleias no país a partir de julho de 2019, seguindo os métodos da IWC para calcular as cotas para determinar o número de baleias capturadas.

De acordo com Suga, o Japão caçará baleias apenas em suas águas territoriais e zonas econômicas exclusivas, sem avanços para o Oceano Antártico nem no Hemisfério Sul. O secretário-geral também afirmou que o país procura meios de promover a caça de baleias de maneira sustentável por mais de 30 anos, mas sem sucesso nas negociações com os países contrários à caça comercial.

O Japão era membro da IWC desde 1951. A organização, criada há sete décadas para garantir a preservação dos cetáceos e impedir sua caça indiscriminada nos oceanos, impôs a proibição da caça comercial em 1986, depois de algumas espécies chegarem próximas à extinção devido à pesca predatória. A Comissão também foi responsável pela aprovação da Declaração de Florianópolis, que reafirma o banimento da caça comercial de baleias em águas internacionais.

Desde 1987, o Japão permite que se matem baleias apenas com fins científicos (segundo informações oficiais). Porém, críticos e organizações de proteção dos animais afirmam que o programa é usado para encobertar a caça comercial, já que a carne é vendida no mercado. Os japoneses alegam que comer carne de baleia faz parte da cultura do país.

O governo do país planeja enviar delegações para alguns países anti-caça de baleias para buscar compreensão.

 

Mudanças climáticas podem levar à extinção de 10% das espécies de anfíbios da Mata Atlântica

By Mudanças Climáticas, Notícias

Perereca-das-folhagens (Phyllomedusa rohdei), endêmica da Mata Atlântica – Foto: Renato Augusto Martins/CC BY-SA 4.0

Sapos rãs e pererecas endêmicas da Mata Atlântica estão em perigo. As mudanças climáticas podem levar à extinção até 10% das espécies de anfíbios do bioma em cerca de 50 anos. Os regimes de temperatura e chuva previstos para ocorrer entre 2050 e 2070 serão fatais para espécies que habitam pontos específicos da região e possuem menor adaptação à variação do clima.

Essa é a conclusão do artigo Expected impacts of climate change threaten the anuran diversity in the Brazilian hotspots (Impactos esperados das mudanças climáticas ameaçam a diversidade de anuros em hotspots brasileiros), publicado na revista Ecology and Evolution. O estudo fez um levantamento dos anfíbios do Cerrado e da Mata Atlântica, identificou as preferências climáticas de cada espécie nas diferentes áreas em que foram encontradas e traçou modelos para estimar se os locais com climas favoráveis para os animais irão expandir ou reduzir em 2050 e 2070.

Sapo pingo-de-ouro (Brachycephalus ephippiu), endêmico da Mata Atlântica – Foto: Renato Augusto Martins/CC BY-SA 4.0

Os pesquisadores analisaram 350 das 550 espécies encontradas na Mata Atlântica e 155 das 209 espécies do Cerrado e concluíram que 37 espécies da Mata Atlântica (10,6% do total) e 5 do Cerrado devem ser extintas entre 2050 e 2070. Dessas 42 espécies, apenas cinco estão ameaçadas, segundo a Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção.

Os cenários previstos também sugerem que as mudanças climáticas podem ser responsáveis por uma homogeneização dos anfíbios do Cerrado. Isso significa que espécies mais generalistas – que se adaptam a habitats diferentes e suportam variações maiores de temperatura e umidade – devem expandir seus territórios.

Pesca fantasma ameaça quase 70 mil animais marinhos por dia no Brasil

By Conservação, Notícias

Tartaruga marinha presa em rede fantasma – Foto: Doug Helton/NOAA/NOS/ORR/ERD/Domínio Público

Pelo menos 640.000 toneladas de equipamentos de pesca são abandonados, perdidos ou descartados nos nossos oceanos a cada ano.

Esses materiais, denominados de petrechos fantasmas, acabam aprisionando e mutilando milhões de animais marinhos – incluindo espécies ameaçadas de baleias, focas, tartarugas, peixes e crustáceos. No Brasil, estima-se que até 69 mil animais marinhos sofram as consequências desse problema por dia.  O fenômeno é conhecido como pesca fantasma e, na maioria dos casos, causa lacerações, infecções e danos que interferem no comportamento e na capacidade dos animais de evitar predadores ou leva à morte por afogamento, sufocamento ou estrangulamento.

“Além do sofrimento causado à fauna marinha e dos reflexos negativos à conservação das espécies, as redes de pesca abandonadas, que são feitas de material plástico, têm um alto impacto ambiental pela demora em sua decomposição, até 600 anos”, explica João Almeida, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial. “A estimativa é que 5 a 30% do declínio populacional de algumas espécies pode ser atribuído à pesca fantasma. Essa prática pode ser o principal fator para a redução drástica das populações de botos-cor-de-rosa e o tucuxis, na Amazônia”, afirma o gerente.

Peixes e outros animais podem ficar presos em petrechos fantasmas, como esta rede, e acabam morrendo – Foto: World Animal Protection/Danie Pohl

Esses resultados foram revelados pelo relatório Maré Fantasma – Situação atual, desafios e soluções para a pesca fantasma no Brasil ,da ONG Proteção Animal Mundial (World Animal Protection) em colaboração com ONU Meio Ambiente, Instituto Baleia Jubarte e WWF-Brasil. o lançamento ocorreu na última sexta-feira (7), em São Paulo, durante o evento Oceano Plástico: como escapar desse emaranhado?

O estudo também apontou que mais de 6 mil toneladas de redes de pesca são produzidas ou importadas por ano no Brasil e estimou que mais de meia tonelada (580 kg) desse material pode ser abandonado ou perdido nos mares brasileiros diariamente. Esses petrechos fantasmas são encontrados em 70% da costa brasileira (em 12 dos 17 estados), incluindo Áreas de Proteção Ambiental.

Tubarão preso em uma rede fantasma – Foto: Marcus Davis

Um petrecho realiza pesca fantasma até se tornar inativo (por degradação, grande exposição ao sol, atrito, salinidade, etc), o que pode durar centenas ou até milhares de anos para ocorrer. Vale lembrar que mesmo após inativos, esses equipamentos continuam liberando componentes químicos no ambiente marinho, contaminando solos, água e organismos aquáticos.

tartarugas presas em uma rede fantasma - Foto: Projeto Tamar Brazil/Marine Photobank

tartarugas presas em uma rede fantasma – Foto: Projeto Tamar Brazil/Marine Photobank

Outro problema é que a pesca fantasma se torna cíclica, principalmente pela durabilidade dos petrechos. Linhas de nylon podem durar séculos no ambiente, tornando os petrechos fantasmas um elemento de alto risco para a fauna por muitos anos.  Os animais presos podem atrair outros animais, especialmente os detritívoros (animais que se alimentam de restos orgânicos de origem vegetal ou animal). Estes animais também acabam ficando emaranhados nos petrechos, morrem e atraem mais indivíduos. Esse ciclo só se encerra quando o petrecho fantasma é retirado ou degradado.

Para reverter essa situação, a Proteção Animal Mundial promove a campanha Sea Change que visa chamar a atenção para a pesca fantasma e conscientizar o governo, o setor privado e a população para que medidas comecem a ser tomadas no Brasil. “Para implementar políticas eficazes contra a pesca fantasma é preciso saber onde há maior incidência desse impacto e quais espécies são mais prejudicadas. Por isso, esse estudo é tão importante”, afirma Helena Pavese, diretora executiva da Proteção Animal Mundial.  “No Brasil o conhecimento sobre a pesca fantasma ainda é muito incipiente. São Paulo e Santa Catarina são os únicos estados que apresentam estudos consistentes”, completa a diretora.

João Almeida, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial (no centro), recolhe petrechos fantasmas – Foto: World Animal Protection/Noelly Castro

A Proteção Animal Mundial atua contra a pesca fantasma por meio de três frentes: reduzir o descarte inadequado de redes de pesca; remover os petrechos e promover soluções inovadoras de reciclagem para os equipamentos; apoiar os esforços de resgates seguros de animais emaranhados.

Para ver o relatório divulgado na íntegra, acesse: https://www.worldanimalprotection.org.br/pescafantasma

Peixe preso em uma rede fantasma – Foto: Marcus Davis

Pantera branca: onça-parda com leucismo é registrada no RJ pela primeira vez

By Conservação, Notícias

O primeiro registro de onça-parda (Puma concolor) com leucismo do mundo. O animal foi fotografado na Serra dos Órgãos, em Petrópolis, no RJ — Foto: ICMBio/Divulgação

O primeiro registro do mundo de uma onça-parda com leucismo foi divulgado na última quinta-feira (6) pelo ICMBio. A imagem foi feita em no Parque Nacional Serra dos Órgãos (Parnaso), em Petrópolis e faz parte de um estudo que será publicado no periódico científico Cat News, da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), em 2019.

A bióloga Cecília Cronemberger, que lidera a pesquisa, explicou em entrevista ao G1 que o animal foi flagrado por armadilhas fotográficas, durante um trabalho de monitoramento que envolvia 24 estações de amostragem que ocorreu entre 2010 e 2016. O felino é um macho jovem e foi fotografado em 2013 em dois pontos diferentes. Porém, nos anos seguintes, a onça não foi mais vista na região e seu paradeiro permanece desconhecido. A pesquisa foi interrompida em 2016 por falta de verba, mas Cronemberger diz que a ideia é conseguir financiamento ou parceiros novos para retomar o estudo.

Leucismo x Albinismo
O leucismo é uma mutação genética que causa a despigmentação em algumas partes do corpo. É diferente de albinismo que é a ausência total de melanina (veja também o post: Onça-preta e onça-pintada são animais da mesma espécie)

Aligátor albino – Foto: HawkeyeLonewolf/Creative Commons

Na natureza animais leucísticos e albinos são extremamente raros. Imagine um aligátor (réptil da mesma família do jacaré) caçando. Ele fica imóvel, próximo à superfície da água, tentando se passar por um tronco flutuante. Quando uma possível presa se aproxima para beber água, não percebe que o jacaré está ali e acaba virando refeição. Para um aligátor albino é mais fácil ser confundido com um picolé de baunilha gigante do que com um tronco flutuante. Seria muito difícil enganar qualquer animal.

Mas nem sempre a falta de pigmento é um problema, às vezes pode até ser a solução. Cavernas são ambientes privados de luz e, consequentemente de plantas. Os recursos disponíveis são escassos e ocasionais. Nessas condições é necessário economizar o máximo de energia possível. Como a produção de melanina gastaria preciosas calorias, indivíduos que não a produzem têm mais chances de sobreviver. Isso pode ter ocorrido durante a evolução dos troglobitas (animais que vivem exclusivamente em cavernas), animais que não possuem pigmentação e, em casos mais extremos, não têm olhos. Do que adianta enxergar se você está sempre no escuro, não é mesmo?

Proteus anguinus, um troglobita - Foto: Boštjan Burger/ Wikimedia Commons

Proteus anguinus, um anfíbio troglobita – Foto: Boštjan Burger/ Wikimedia Commons

 

Onçafari lança campanha de financiamento coletivo pela conservação da onça-pintada

By Conservação, Notícias, Onça-pintada

O Onçafari começou a campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) Calendário Onçafari 2019 – deixe seus dias mais selvagens para continuar a luta pela preservação das onças-pintadas e dos lobos-guarás, promover a conservação do meio ambiente e contribuir com o desenvolvimento socioeconômico das regiões de atuação do projeto.

Para participar é simples: escolha o valor da sua contribuição e sua recompensa no site https://ajude.oncafari.org/, faça um rápido cadastro, selecione a forma de pagamento e pronto. Você irá adquirir um calendário exclusivo que inclui as datas comemorativas mais importantes para o meio ambiente, fotos incríveis das nossas onças-pintadas e lobos-guarás e, de quebra, ainda contribui para que o Onçafari continue seu trabalho de conservação.

O projeto foi fundado em 2011 por Mario Haberfeld, ex-piloto de Fórmula Indy que resolveu se dedicar integralmente a conservação da vida selvagem. O objetivo é aumentar o interesse dos fazendeiros no turismo de observação de animais, atrair turistas interessados em ver o animal, gerar novas oportunidades de emprego para as pessoas da região, ajudar na conservação do felino e, consequentemente, de seu habitat.

Todos os recursos serão destinados para custear os salários dos biólogos, veterinário, guias e colaboradores do Onçafari e permitirá que a organização continue atuando em 6 frentes diferentes:

  • Ecoturismo: habituação de animais, como a onça-pintada e o lobo-guará, à presença de veículos de safári para que eles sejam vistos com mais frequência e por mais tempo por turistas. É importante dizer que o processo não envolve métodos de domesticação (como o oferecimento de comida) e os felinos selecionados permanecem selvagens.
  • Ciência: Monitoramento do comportamento de animais frente à atividade de ecoturismo com o objetivo de avaliar o estado de saúde de cada indivíduo e fazer pesquisas em ecologia e fisiologia das onças-pintadas e lobos-guarás, aumentando assim o conhecimento científico sobre as espécies e potencializando sua proteção.
  • Rewild: Estruturação de projetos de pesquisa com foco em reintrodução de onças-pintadas na natureza, em parceria com o CENAP-ICMBio. Uma importante ferramenta para a recuperação de populações ameaçadas de extinção.
  • Social: Atuação direta com as comunidades locais onde nossos projetos estão inseridos. Fornecemos uniformes e materiais didáticos para alunos e professores em escolas locais, realizamos palestras sobre profissões que promovem ascensão social e disponibilizamos atendimento na área da saúde (odontológico, médico e veterinário) em comunidades próximas.
  • Florestas: Preservação de áreas de interesse ecológico. Mantemos propriedades que abrigam áreas de mata nativa ou em regeneração com o objetivo de protegê-las. Além de auxiliarmos na criação de unidades de conservação e áreas de proteção.
  • Educação: O Onçafari Education tem por objetivo conscientizar a população sobre a importância da preservação da biodiversidade, através de palestras, atividades de campo, filmes e eventos.

Para saber mais sobre a campanha acesse https://ajude.oncafari.org/ e faça a sua doação.