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Meio Ambiente

O antigo Lixão da Estrutural, em Brasília, era o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina. Foi fechado em 2018 para recebimento de resíduos domésticos, mas continua recebendo entulhos da construção civil - Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Creative Commons

Brasil é o 4 º maior produtor de lixo plástico no mundo

By Desastre Ambiental, Meio Ambiente
O antigo Lixão da Estrutural, em Brasília, era o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina. Foi fechado em 2018 para recebimento de resíduos domésticos, mas continua recebendo entulhos da construção civil - Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Creative Commons

O antigo Lixão da Estrutural, em Brasília, era o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina. Foi fechado em 2018 para recebimento de resíduos domésticos, mas continua recebendo entulhos da construção civil – Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Creative Commons

O Brasil é o 4 º maior produtor de lixo plástico no mundo. É o que aponta o levantamento realizado pelo WWF com base nos dados do Banco Mundial. O país produz 11,3 milhões de toneladas e fica atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia em matéria de produção. 91 % desse total, 10,3 milhões de toneladas, são coletadas (91%). Porém, apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas, número muito abaixo da média global de reciclagem plástica (9%) e um dos piores índices indicados pela pesquisa.

A maior parte do lixo plástico brasileiro, 7,7 milhões de toneladas, vai para aterros sanitários e 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartados de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto.

O estudo analisou a relação com o plástico em mais de 200 países, e apontou que o Brasil produz, em média, aproximadamente 1 quilo de lixo plástico por habitante a cada semana.


“É hora de mudar a maneira como enxergamos o problema: há um vazamento enorme de plástico que polui a natureza e ameaça a vida. O próximo passo para que haja soluções concretas é trabalharmos juntos por meio de marcos legais que convoquem à ação os responsáveis pelo lixo gerado. Só assim haverá mudanças urgentes na cadeia de produção de tudo o que consumimos”, afirma Mauricio Voivodic, Diretor Executivo do WWF-Brasil, no site da instituição.

Escala global

Segundo a pesquisa do WWF, o volume de plástico que chega aos oceanos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano, o que equivale a 60 aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos dias. Nesse ritmo, até 2030, haverá 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2 e mais de 104 milhões de toneladas de plástico poluindo nossos ecossistemas.

“Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza”, afirma Marco Lambertini, Diretor-Geral do WWF-Internacional, no site da instituição.

A ingestão de plástico já foi registrada em mais de 240 espécies. A maior parte dos animais desenvolve úlceras e bloqueios digestivos que resultam em morte, uma vez que o plástico muitas vezes não consegue passar por seu sistema digestivo. Na foto, uma tartaruga Verde (Chelonia mydas) com um saco de plástico próximo a boca, no recife de Moore, Austrália. A sacola foi removida pelo fotógrafo antes que a tartaruga tivesse a chance de comê-la – Foto: Troy Mayne/ WWF/ Divulgação

O estudo também traz conclusões alarmantes: “O plástico não é inerentemente nocivo. É uma invenção criada pelo homem que gerou benefícios significativos para a sociedade. Infelizmente, a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável de uso único transformou esta inovação em um desastre ambiental mundial.

Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000. Este problema tem apenas algumas décadas e, ainda assim, 75% de todo o plástico já produzido já foi descartado.”

Soluções possíveis

O estudo do WWF também aponta possíveis soluções para estimular a criação de uma cadeia circular de valor ao plástico. Os cuidados necessários propostos oferecem uma orientação para os setores público e privado, indústria de reciclagem e consumidor final, de modo que todos consumam menos plástico virgem (o plástico novo) e estabeleçam uma cadeia circular completa.

As principais sugestões do relatório seguem abaixo:

  • Cada produtor ser responsável pela sua produção de plástico – O valor de mercado do plástico virgem não é real pois não quantifica os prejuízos causados ao meio ambiente e também não considera os investimentos em reúso ou reciclagem. É necessário haver mecanismos para garantir que o preço do plástico virgem reflita seu impacto negativo na natureza e para a sociedade, o que incentivaria o emprego de materiais alternativos e reutilizados.

    ●      Zero vazamento de plástico nos oceanos – O custo da reciclagem é afetado pela falta de coleta e por fatores como lixo não confiável, ou seja, misturado ou contaminado. As taxas de coleta serão maiores se a responsabilidade pelo descarte correto for colocada em empresas produtoras dos produtos de plástico e não apenas no consumidor final, uma vez que serão encorajadas a buscar materiais mais limpos desde seu design até o descarte.

    ●      Reúso e reciclagem serem base para o uso de plástico – A reciclagem é mais rentável quando o produto pode ser reaproveitado no mercado secundário. Ou seja, o sucesso desse processo depende de que valor esse plástico é negociado e seu volume (que permita atender demandas industriais). Preço, em grande parte, depende de qualidade do material, e essa qualidade pode ser garantida quando há poucas impurezas no plástico, e quando ele é uniforme em geral, oriundo de uma mesma fonte. Um sistema de separação que envolva as empresas produtoras do plástico ajuda a viabilizar esta uniformidade e volume, ampliando a chance de reúso.

    ●      Substituir o uso de plástico virgem por materiais reciclados. Produtos de plástico oriundo de uma única fonte e com poucos aditivos reduzem os custos de gerenciamento desses rejeitos e melhoram a qualidade do plástico para uso secundário. Por isso o design e o material de um produto são essenciais para diminuir esse impacto, e cabe às empresas a responsabilidade por soluções. “Criar uma cadeia circular de valor para o plástico requer melhorar os processos de separação e aumentar os custos por descarte, incentivando o desenvolvimento de estruturas para o tratamento de lixo”, afirma Gabriela Yamaguchi, Diretora de Engajamento do WWF-Brasil, no site da WWF.

Para saber mais faça o download do estudo completo em português https://promo.wwf.org.br/solucionar-a-poluicao-plastica-transparencia-e-responsabilizacao?_ga=2.237901189.465206353.1553859541-1926107061.1528726091

O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre

By Conservação, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Notícias

O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre, essa frase e imagens impactantes de animais sendo asfixiados por plástico fazem parte da campanha que a ONG Sea Shepherd Conservation Society (SSCS), em parceria com as agências de publicidade Tribal Worldwide Sao Paulo e DDB Guatemala, lançou para chamar a atenção para a gravidade da poluição dos oceanos no planeta.

Os números são alarmantes. Segundo a ONU, 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos e são responsáveis pela morte de mais de um milhão de aves marinhas, 100 mil mamíferos marinhos e incontáveis peixes todos os anos Um estudo realizado pela Universidade de Exeter, Laboratório Marinho de Plymouth e Greenpeace apontou que o plástico é encontrado em todas as espécies de tartarugas marinhas do planeta. Projeções divulgadas no Fórum Econômico Mundial de Davos em 2016 apontam que os oceanos terão mais plásticos do que peixes em 2050.

Infelizmente, uma ação pequena e impensada em nossa vida diária pode causar danos enormes à natureza sem que a gente perceba. Nesta campanha, pretendemos remediar isso alcançando o maior número possível de pessoas, conscientizando o público para o fato de que, com passos pequenos e fáceis, podemos garantir que cenas terríveis como essa não aconteçam”, afirma Guiga Giacomo, diretor executivo de criação da Tribal Worldwide São Paulo.

A campanha da Sea Shepherd também apresenta sugestões para a redução do consumo de plástico na rotina diária. Parar de usar canudos, colherinhas de café, copos, pratos e talheres descartáveis, sacolas e garrafas plásticas, comprar a granel, são algumas sugestões da ONG para evitar o consumo de embalagens. Cada um de nós precisa fazer a sua parte para termos oceanos mais limpos.

Hora do Planeta 2019: sábado é dia de apagar as luzes contra as mudanças climáticas

By Aquecimento Global, Conservação, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Notícias

Você ficaria uma hora no escuro em um ato simbólico pela Terra? No próximo sábado (30) das 20h30 às 21h30 o WWF convida todos para apagarem as luzes durante a Hora do Planeta, um ato simbólico contra as mudanças climáticas e seu impacto na biodiversidade e na vida das pessoas que ajuda na criação da consciência sobre a importância de ações sustentáveis.

A iniciativa, criada em 2007, em Sidney, na Austrália, engaja cada vez mais cidades ao redor do mundo a cada ano. Em 2018, a Hora do Planeta teve a participação de cidades e municípios em 188 países e territórios, contabilizando mais de 17 mil ícones ou monumentos apagados. O Brasil teve uma grande participação, envolvendo mais de cem cidades e 1500 monumentos.

No site do WWF Brasil é possível acompanhar todos os desdobramentos da campanha e adesões. Também dá pra acessar materiais de divulgação e saber das ações de engajamento. Pelo mapa da participação é possível saber que cidades já confirmaram presença no movimento.

Green Nation exibe e premia obras com temática ambiental em São Paulo

By Conservação, Meio Ambiente, Notícias

A Mostra Competitiva Green Nation divulga, exibe e premia obras produzidas em qualquer parte do mundo com temática ambiental, de sustentabilidade ou inovação social em três categorias: Filmes (Animação, Ficção e Documentário), Fotografia e Ilustração. O evento gratuito acontecerá em São Paulo, no Pavilhão das Culturas Brasileiras do Parque Ibirapuera de 25 a 31 de março de 2019.

Organizada pela Green Nation – em parceria com a Wildlife Conservation Film Festival, Anima Mundi, ISWA e Urban Arts – a mostra irá exibir o Festival Anual de filmes de Natureza e Conservação Ambiental, com obras de diversos países e com direito à presença de diretores para um bate-papo. Os participantes podem acompanhar palestras com vivências, tendências e casos de sucesso.

O Onçafari, um de nossos clientes, estará presente no evento com uma palestra para apresentar o trabalho de conservação com onças-pintadas e lobos-guarás no dia 29, às 14h.

Além disso, instalações interativas de realidade virtual. Será possível sobrevoar rios em uma asa-delta, mergulhar de submarino em diferentes oceanos, viajar no tempo em uma nave espacial para trazer códigos genéticos de espécies extintas, visitar a Estação Comandante Ferraz na Antártica, são algumas das opções.

Você vai viver experiências transformadoras em temas como água, reciclagem, alimentação, inovação, tecnologia e muito mais. Uma inspiradora maneira de refletir sobre o mundo que temos e aquele que queremos construir.

Para quem deseja participar da mostra e concorrer ao troféu de ganhador, o envio de obras pode ser feito até dia 24 de março pelo site da Green Nation. As melhores obras serão expostas no Pavilhão das Culturas Brasileiras Durante o período do evento.

No final do Evento, no dia 31 de março, os troféus da 5a mostra competitiva de conteúdo multimídia serão entregues às melhores produções Fotográficas, de Ilustração, Animação, Documentário e Ficção.

Participe e vote.

Aquecimento global: ursos-polares famintos invadem arquipélago russo

By Animais ameaçados de extinção, Aquecimento Global, Conservação, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Notícias

Ursos-polares famintos reviram o lixo em busca de comida no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia – Foto: The Sun/Reprodução

Ursos-polares invadiram e deixaram a pequena cidade de Belushya Guba, localizada no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia, em estado de emergência. Os animais estavam famintos, reviravam lixeiras e vasculhavam prédios à procura de comida (veja o vídeo do The Guardian abaixo).

Mais de 50 ursos foram avistados na região, deixando os 2.500 moradores do vilarejo assustados e com medo de sair nas ruas e mandar seus filhos para a escola.

Os animais começaram a chegar em dezembro. Cercas foram colocadas ao redor de alguns locais para proteção. No entanto, os ursos não se intimidam mais com policias, cachorros e sirenes que eram utilizados para afastá-los anteriormente.

Especialistas foram enviados ao local para sedar os animais e retirá-los do vilarejo, já que a caça de ursos é proibida na Rússia, e a agência federal de Meio Ambiente negou autorizações para abatê-los. Porém, segundo as autoridades locais, no caso de todas as medidas falharem, o abate pode ser a única solução.

O urso-polar (Ursus maritimus) é considerado vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) e se tornou o grande símbolo na luta dos conservacionistas contra o aquecimento global – Foto: Schliebe, Scott/ Domínio público

Ursos-polares x Aquecimento global

Classificado como vulnerável segundo a Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), o urso-polar sofre cada vez mais com o aquecimento global. Atualmente, o mar congela cada vez mais tarde e derrete cada vez mais cedo. Isso faz com que os animais tenham menos tempo para caçar focas, seu principal alimento.

Com menos tempo sob o gelo, os ursos são forçados a nadar distâncias cada vez maiores até encontrar uma foca descansando na superfície. Com isso, eles perdem mais energia caçando do que ganham ao se alimentarem e são forçados a procurar outras formas de se alimentarem. Esses desequilíbrio energético pode ser fatal e, se o degelo continuar, o destino da espécie pode ser a extinção.

Com dificuldades para conseguir caçar focas, ursos-polares podem morrer de fome – Foto: Andreas Weithpolar/ Creative Commons

Com objetivo de chamar a atenção para os desafios enfrentados pelos ursos-polares num Ártico cada vez mais quente, a Polar Bear International (Urso Polar Internacional) organiza o Dia Internacional do Urso-Polar (International Polar Bear Day), celebrado em 27 de fevereiro.

A ong estimula as pessoas a usar menos energia produzida por combustíveis fósseis porque reduzir as emissões de carbono pode retardar e até impedir o aquecimento global e salvar o gelo marinho que os ursos polares necessitam para caçar com eficiência.

Segundo relatório da ONU sobre as mudanças climáticas, é preciso reduzir nossas emissões de carbono ou as pessoas terão que enfrentar desastres naturais, desde secas e inundações até grandes tempestades. Ou seja, enfrentar o aquecimento global não é só benéfico para nós, mas é essencial para a humanidade.

GreenBond a empresa que arrecada recursos para projetos de conservação

By Conservação, Ecoturismo, GreenBond, Meio Ambiente, Não categorizado

Gustavo (na frente) e Diego (atrás), fundadores da GreenBond, no Pantanal – Foto: Gustavo Figueiroa

Fundada por um veterinário especialista em marketing digital e um biólogo conservacionista, a GreenBond é uma empresa de impacto socioambiental que usa estratégias de comunicação para captar recursos para projetos de conservação através de leis de incentivo, produções de eventos e campanhas de crowdfunding. “O grande diferencial da GreenBond é selecionar projetos de conservação de acordo com as metodologias mais utilizadas em relação à governança, transparência, e credibilidade das Ongs” diz Diego Rugno Arruda, o veterinário especialista em marketing digital.

A equipe da GreenBond analisa os projetos de conservação, monta e executa estratégias para otimizar a captação de recursos e busca possíveis apoiadores que se identificam com as instituições. “Quando entendemos como a Ong funciona e qual o trabalho que ela executa, conseguimos fazer um “match” para o tipo de pessoa física ou o tipo de pessoa jurídica mais adequada”, diz Diego.

“Um dos nossos objetivos é fomentar uma lei que permita abater impostos para financiar projetos de conservação. Uma Lei Rouanet para a área ambiental”, diz Gustavo Figueiroa, o biólogo conservacionista. “Nós queremos estimular um ambiente onde as pessoas tenham vontade de trabalhar pela conservação, tanto pela paixão quanto pela remuneração.”

Para conseguir arrecadar recursos para projetos de conservação, a GreenBond trabalha em diferentes frentes:

  • Estabelecimento de uma estratégia de comunicação (com enfoque em mídias sociais), específica para cada projeto, com o objetivo de criar uma relação mais próxima entre pessoas, empresas, governo e Ongs e estimular parcerias entre o setor privado e o terceiro setor.
  • Produção e promoção de produtos e eventos que voltem recursos para a conservação
  • Criação de campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding) que promovam causas ambientais

A ideia é que a GreenBond se torne uma referência no mundo da conservação da biodiversidade. “A gente deseja criar uma boa relação com as empresas para que elas percebam que vale a pena investir no meio ambiente. Hoje os consumidores estão cada vez mais ávidos por consumir produtos sustentáveis e arrecadar recursos pra esses projetos via marketing de causa é algo muito interessante e ainda pouco explorado no Brasil”, diz Diego.

Uma perspectiva pessoal

Meu primeiro contato com a GreenBond foi no Pantanal, o lugar que mais amo nesse planeta e onde conheci Diego e Gustavo. Eu estava guiando um grupo do Onçafari, o primeiro cliente da empresa. Eles estavam produzindo conteúdo e conhecendo a equipe do projeto.

Por uma feliz coincidência fui escalado para guiá-los durante um dia na maior planície inundável do mundo. Conversamos um pouco e percebi que compartilhávamos a mesma paixão pela conservação e a mesma vontade de fazer a diferença por um mundo mais sustentável.

Eu (à esquerda, fora do carro) no dia que conheci o Diego (à direita, sem chapéu ou boné) e o Gustavo (autor da foto)

Sou biólogo e jornalista e fui repórter e editor de National Geographic Brasil por 5 anos. A conservação sempre fez parte do meu trabalho, mas desde que saí da revista essa pauta andava afastada da minha vida. Assim que voltei pra São Paulo me encontrei com o Diego e o Gustavo e, após uma rápida reunião, me juntei ao Bond.

Hoje meu coração bate mais forte porque eu respiro conservação todos os dias. Faço produção de conteúdo, com enfoque nos blogs dos nossos clientes, e sinto que cada linha que eu escrevo é cheia de significado. O trabalho e o prazer estão juntos novamente porque eu tenho a certeza de que a Greenbond faz a diferença para a construção de um mundo melhor.

Muro de Trump trará consequências irreparáveis para o meio ambiente

By Conservação, Meio Ambiente, Notícias

Já existem 56 postos de controle e barreiras em quase 1/3 dos quase 3,2 mil quilômetros da fronteira dos EUA com o México. Esse trecho mostra cerca que separa o povoado de Tijuana, no México (à direita) de San Diego, nos Estados Unidos   – Foto: Domínio Público

O presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, pediu a liberação de US$ 5,7 bilhões (R$ 21,5 bilhões) ao congresso americano (de maioria democrata) para a expansão do muro na fronteira entre o México e os EUA com o objetivo de impedir a entrada de imigrantes ilegais pelo sul do país. Como o plano não foi aprovado, Trump se recusava a assinar qualquer medida que não incluía recursos para o projeto. Esse impasse durou 35 dias, a mais longa paralisação parcial do governo americano na história.

Em janeiro, o presidente cedeu e assinou uma lei que permitia financiar o governo federal até a próxima sexta-feira (15) que não incluía recursos para a construção do muro. Agora, republicanos e democratas fizeram um novo acordo provisório que prevê uma verba de aproximadamente 1,3 bilhões de dólares para construir 88,5 quilômetros de muro, bem longe da proposta inicial do presidente.

Carro da polícia americana faz patrulha beirando o muro na fronteira de EUA e México na dunas de Algodones, Califórnia – Foto: Domínio público

No entanto, além dos problemas de imigração, que estão sendo muito discutidos, uma questão está sendo deixada de lado: Quais as consequências que o muro traria para o meio ambiente?

“Independentemente do que for construído, será prejudicial ao habitat natural” disse Bob Dreher, advogado que lidera os programas de conservação Defenders of Wildlife, em entrevista para a National Geographic

Ameaças ao meio ambiente

Com mais de 3 mil quilômetros a fronteira dos Estados Unidos com o México é uma região rica em biodiversidade que inclui 6 biomas diferentes, composta por desertos, bosques e pântanos de água doce e de água salgada. Os muros representam uma barreira para animais e plantas nativos, aumentam a erosão do solo, alteram os fluxos hídricos naturais e os padrões de queimadas, atuam como represas e causam enchentes durante a temporada de chuvas

As onças-pintadas costumavam andar pelas margens do Rio Grande, mas praticamente desapareceram do Texas: en:User:Cburnett/Creative Commons

Cerca de 115 espécies encontradas nos EUA ficariam separadas de 50% ou mais de seu habitat ao sul da fronteira, segundo artigo da revista científica Bioscience. Essa divisão física separa populações, limita a capacidade de animais circularem para procurar alimentos, água e parceiros. Além disso, o muro impede que animais selvagens escapem de queimadas, inundações ou ondas de calor e atrapalham migrações de mamíferos que circulam entre os dois países.

A impossibilidade de cruzar a fronteira fragmentou populações de antilocapras e diminuiu as chances de restabelecimento das colônias de lobos-cinzentos, onças-pintadas e jaguatiricas no lado norte-americano. Chris Bugbee, pesquisador sênior do CATalyst, disse na página do grupo no Facebook. “Se alguma vez existisse uma barreira física sólida que abrangesse toda a fronteira, como planejado por nossa atual administração, seria game over para onças-pintadas e jaguatiricas neste país. Esse destino é inaceitável.”

A construção do muro pode levar à extinção da jaguatirica nos EUA – Foto: United States Fish and Wildlife Service/ Domínio público

A limitação da migração também impacta a dispersão de sementes de algumas espécies e, em alguns casos, a germinação ficaria prejudicada, já que algumas sementes  precisam passar pelo sistema digestório de animais para se desenvolver.

Presidente dos EUA, Donald Trump, visitando protótipos de muro de fronteira em San Diego em março de 2018 – Foto: Domínio público

Acreditava-se que o Rio Gande, a fronteira oficial entre México e EUA era um obstáculo natural à construção de uma barreira. O canal do rio muda de tempos em tempos e, caso os EUA optassem por construir o muro ao norte, cederiam o controle das terras que ficariam ao sul para o México, isolando propriedades de cidadãos americanos do lado do país vizinho.

Mas esse pensamento mudou e o congresso já aprovou verba para o inicio das obras ao norte do rio. As propostas incluem muros que irão atravessar sete áreas de preservação de vida selvagem no Texas. O Centro Nacional de Borboletas do estado foi notificado de que o muro irá colocar 70% do santuário do lado mexicano.

Mas a principal ameaça é que a construção do muro não precisa atender as exigências de mais de 30 das leis ambientais mais rigorosas dos EUA. A Lei das Espécies em Extinção, a Lei Nacional de Políticas Ambientais, a Lei do Ar Puro e a Lei da Água Limpa não se aplicam nesse caso graças à Lei REAL ID, aprovada pelo Congresso Americano em 2005 em resposta aos ataques terroristas de 11/09. Ela autoriza o Departamento de Segurança Interna a deixar de cumprir qualquer lei em nome da segurança nacional.

Janet Napolitano, ex-governadora do estado de Arizona e secretária de Segurança Interna do Presidente Barack Obama, ficou famosa por sua declaração: “Mostre-me um muro de 15 metros que lhe mostrarei uma escada de 16 metros”. Na foto, dois homens escalam a cerca da fronteira entre México e EUA em Douglas, Arizona – Foto: Domínio público