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Bond da Conservação: Kristine Tompkins

By Bond da Conservação, Conservação, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje falaremos sobre Kristine Tompkins, presidente e co-fundadora da Tompkins Conservation, mulher de importância incalculável para a natureza. Junto a seu marido, Douglas Tompkins, ela ajudou na proteção de mais de 15 milhões de acres (ou seja, quase 9 milhões de campos de futebol) de Parques Nacionais no Chile e na Argentina, dentre várias outras ações para a conservação da biodiversidade, como a reintrodução de espécies em seus ecossistemas. Continue acompanhando e a inspiração será garantida!

 

Foto: Tompkins Conservation

 

Esquiadora, no mundo da moda! 

Kristine nasceu no estado da Califórnia e cresceu em meio à natureza, no rancho de seu bisavô. Ela sempre amou a vida ao ar livre, e sempre que podia, visitava os Parques Nacionais dos Estados Unidos, para caminhar, escalar e ter seu momento com a natureza. Quando adolescente, mudou-se para cursar o Colégio de Idaho, quando começou a competir em corridas de esqui. 

Após se formar, ela voltou para a Califórnia e trabalhou com Yvon e Malinda Chouinard. Na época, eles estavam fundando uma empresa, a Patagonia, Inc, varejista de roupas para atividades ao ar livre. Por mais de 20 anos, ela foi CEO desse empreendimento que cresceu incansavelmente! 

Kristine ressalta que trabalhar com Yvon foi fundamental para a sua mudança de visão do mundo. Afinal, Yvon, junto a sua esposa Malinda, sempre adotaram uma postura sustentável na empresa, agindo diferente de qualquer outra à época. Para eles, o lucro não era o único objetivo. Como exemplo de uma de suas ações, eles doavam 10% de todo o lucro para organizações ambientais.

 

Foto: carnegiescience.edu

 

Mudança de continente, estado civil, propósito e… de vida

Em 1993, ela saiu da Patagônia, Inc. e decidiu se mudar para a América do Sul para morar junto a seu antigo amigo Douglas Tompkins, fundador da The North Face Inc. e co-fundador da Esprit. Aventureiros, juntos eles já haviam viajado muito e perceberam que os lugares que amavam, estavam sendo degradados. 

Assim, Douglas teve a ideia de comprar terras e devolvê-las ao governo em forma de Parques Nacionais. E, o lugar onde viram que isso era possível, era na América do Sul. Quando Kris se mudou, ele tinha acabado de comprar 42.000 acres de florestas na região dos lagos do Chile.

 

Kristine e Douglas. Foto: Tompkins Conservation

 

Não demorou para eles se casarem (1994) e uma linda história de amor e comprometimento começar. Unidos também em propósito, eles fundaram a Tompkins Conservation e em mais de 25 anos de trabalho árduo, protegeram mais terras do que qualquer outra pessoa na história

 

Tompkins Conservation e os Parques Nacionais!

Kristine no Parque Nacional da Patagônia. Foto: Tomás Munita – National Geographic Portugal

 

Criada com o intuito de proteger ecossistemas em forma de Parques Nacionais, a Tompkins Conservation já protegeu 15 milhões de acres no Chile e na Argentina. Esses, distribuídos em 15 Parques Nacionais, novos, ou que foram expandidos, e 2 novos Parques Nacionais marinhos. 

Na Argentina estão os: El Piñalito Provincial Park, Parque Nacional da Patagônia, de Iberá, El Impenetrable, Perito Moreno, Monte León e o Marinho. E no Chile, os: Parque Nacional da Patagônia, Pumalín Douglas Tompkins, Isla Magdalena, Cerro Castillo, Melimoyu, Hornopirén, Yendegaia, Corcovado, Kawésqar e o Marinho. Clique aqui para explorar cada um deles.

 

Parque Nacional da Patagônia. Foto: Tompkins Conservation

 

Bom, você já deve estar se perguntando o motivo da escolha de transformar terras em parques. E aqui, já te contamos as respostas. Eles geram empregos duradouros para as comunidades de seu entorno e geram bem-estar a todos que os visitam, afinal, conecta as pessoas à natureza. E, como Kris disse, quando as pessoas gostam do local e estão envolvidas, elas cuidam, ajudando em sua conservação. 

Como se não bastasse, vários parques distribuídos em terra e mar, contribuem para o equilíbrio climático, e claro, são fundamentais para a biodiversidade que abrigam. Quanto mais terras protegidas, menor a fragmentação de habitat e menor o número de extinção de espécies.

 

Kris transfere a gestão do Parque Nacional Pumalín Douglas Tompkins para o governo chileno. Foto: Tompkins Conservation

 

Projetos de Refaunação

Além das terras protegidas, com a coordenação de Kristine e seu marido, a Fundação criou mais de 20 projetos de conservação e monitoramento, entre eles, destacam-se os projetos de refaunação na Argentina e no Chile. Para isso foi criado o Rewilding Argentina e o Rewilding Chile, organizações sem fins lucrativos que executam os projetos de reintrodução.  

 

Relação de Parques Nacionais criados e espécies reintroduzidas pela Tompkins Conservation.
Fonte: Tompkins Conservation

 

Com a reintrodução das espécies-chave, fundamentais ao ecossistema, em seus lares, espera-se a regeneração e auto sustentabilidade dos ambientes e assim, uma atuação humana mínima no local. 

Algumas das ações de reintrodução, foram a soltura de onças-pintadas e ariranhas nas áreas úmidas da Argentina, no Parque Nacional de Iberá. A estimativa populacional das onças indica que só existiam cerca de 200 indivíduos em todo o país, em Iberá inclusive, havia um descontrole populacional de presas, devido à falta do predador. Já as ariranhas haviam sido extintas da Argentina. 

 

Centro de Reabilitação de Onças-Pintadas em Iberá. Foto: Rewilding Argentina

 

Várias outras espécies foram contempladas no programa, como tamanduás-bandeira, nandús-de-Darwin (uma ave parente das emas), araras-vermelhas, diferentes espécies de cervídeos, entre muitas outras. Clique aqui para ver todas as escolhidas e os Parques Nacionais contemplados.

 

Reintrodução com monitoramento de tamanduá-bandeira, extinto localmente, no Parque Nacional de Iberá, Argentina. Foto: Tompkins Conservation

 

Admiração mundial 

Desde 2005, a Tompkins Conservation desenvolve um trabalho de referência para projetos de reintrodução espalhados pelo mundo. E desde sua origem, há mais de 25 anos, desenvolve um trabalho simplesmente de tirar o fôlego com a conservação de áreas protegidas.

Kris e Doug já receberam diversos prêmios, como o prêmio Lowell Thomas, do Clube de Exploradores de Nova York, o Prêmio Anual de Turismo no Mercado Mundial de Turismo em Londres, o Prêmio de Conservação da Biodiversidade da América Latina da Fundação BBVA, entre vários outros. Inclusive, em 2018, ela recebeu a Medalha Carnegie de Filantropia, sendo a primeira conservacionista a recebê-la!

Infelizmente, em 2015, Doug faleceu após um quadro de hipotermia, ao cair de um caiaque na Patagônia Chilena. Mas Kristine segue forte com a missão que os dois começaram, expandindo mais áreas no Chile e na Argentina. Em 2018, ela inclusive assinou, junto à presidente do Chile, Michelle Bachelet, um decreto criando mais cinco Parques Nacionais e expandindo outros três, em um total de 10 milhões de acres de novas terras protegidas no país. Fantástico!

 

Kris e Michelle assinando o decreto de expansão dos Parques Nacionais no Chile.
Foto: Tompkins Conservation

 

Eles sonharam alto e conseguiram. E são uma verdadeira fonte de inspiração e coragem para todos nós seguirmos os nossos sonhos e ajudarmos o mundo, à nossa maneira! O planeta agradece o seu belo e importante trabalho, Kristine!

E claro, caso já esteja planejando visitar alguns dos Parques, a Tompkins Conservation pensou em uma rota para você conhecer os da Patagônia Chilena. Com vistas e paisagens deslumbrantes, a rota tem extensão de 2.700km e percorre 17 Parques Nacionais. Saiba mais aqui.

 

Texto por: Jéssica Amaral Lara

Revisado por: Diego Rugno

Conheça 9 mulheres-chave para a conservação da biodiversidade!

By Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Conheça 9 mulheres-chave para a conservação da biodiversidade!

 

Instituído em 1975 pela ONU, hoje, dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A escolha do dia foi inspirada por um protesto na Rússia em 1917, onde milhares de mulheres reivindicavam por melhores condições de vida e se posicionavam contra a Primeira Guerra Mundial.

Protesto em 1917. Foto: Getty Images via BBC

Bom, neste dia tão importante, viemos homenagear 9 (das várias) mulheres, que têm um papel-chave na conservação da biodiversidade. Mulheres que com certeza fazem parte do Bond da Conservação e são fonte de inspiração para todos nós! Continue aqui conosco e confira:

 

Dian Fossey

Dian Fossey. Foto: Robert I. M. Campbell, National Geographic Creative.

Dian fez dos gorilas-da-montanha a sua família e os defendeu dos caçadores furtivos, com unhas e dentes. Seus esforços foram fundamentais para as populações desses animais, que estavam à beira da extinção, se recuperarem.

Seu belo trabalho ficou conhecido mundialmente e inclusive, ela foi tema do filme: A Montanha dos Gorilas (1988). Claro, ela também foi tema do nosso blog, em que contamos a trajetória dessa mãe, não só dos gorilas, mas da história da conservação. Clique e relembre sua história!

 

Suzana Pádua

Suzana Pádua. Foto: IPÊ

Referência nacional e internacional na área da Educação Ambiental, Suzana é doutora em desenvolvimento sustentável e mestre em educação ambiental. É também uma das fundadoras do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, onde atualmente é presidente. Saiba mais sobre ela.

 

Sylvia Earle

Sylvia Earle. Foto: Acervo Sylvia Earle Twitter

Uma das maiores referências mundiais em vida marinha. Sylvia Earle é uma cientista que ao longo de sua carreira, defendeu de diversas formas a proteção dos oceanos, participou de várias expedições e mergulhou por mais de sete mil horas.

E não para por aí, ela fundou também, a organização Mission Blue, que tem como objetivo explorar, conservar e proteger os oceanos por meio da criação de áreas protegidas, chamadas de pontos de esperança. A sua trajetória, você confere aqui.

 

Patrícia Médici

Patrícia Médici. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Outra grande pesquisadora Patrícia ajudou a fundar o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas quando ainda era estudante e é responsável pela criação do maior banco de dados do mundo sobre as antas. Conheça-a melhor!

 

Karen Strier

Karen Strier. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Karen é antropóloga, professora e presidente da Sociedade Internacional de Primatologia. Além de tudo isso, ela é fundadora do Projeto Muriquis de Caratinga, em Minas Gerais, projeto fundamental à recuperação das populações do maior primata das Américas.

Confira o texto que fizemos, relembrando a sua trajetória.

 

Flávia Miranda

Flávia Miranda. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Uma mulher incrível, referência mundial em estudos do grupo dos tamanduás, tatus e preguiças: Flávia Miranda!

Flávia que, desde o Colégio, já se interessava por tamanduás que rondavam seu alojamento, teve uma longa história com esses animais em sua trajetória acadêmica. O resultado? Muita pesquisa e inclusive a fundação do Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil! Leia sobre Flávia e a inspiração será garantida!

 

Jane Goodall

Jane Goodall. Fonte: neverapart.com

A primatologista que mudou o conhecimento humano sobre os chimpanzés, com certeza é inspiração e exemplo de coragem e dedicação.

Jane fez importantes descobertas sobre os chimpanzés do Parque Nacional de Gombe National, tornou-se PhD em etologia, pesquisadora da National Geographic e ativista ambiental. Saiba mais sobre ela aqui.

 

Neca Marcovaldi

Neca Marcovaldi. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

Neca é oceanógrafa e co-fundadora do Projeto Tamar. O projeto visa a proteção das tartarugas marinhas da costa brasileira e seus resultados são admiráveis.

Em 38 anos de atuação, o Tamar conseguiu devolver mais de 37 milhões de filhotes ao mar, melhorar o status de conservação das espécies com ocorrência no Brasil e empregar 1200 trabalhadores, 80% deles locais! Conheça Neca Marcovaldi!

 

Neiva Guedes

Neiva Guedes. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Uma verdadeira mãe para as araras-azuis. Dentre suas várias atribuições, Neiva é bióloga e doutora em Zoologia, professora, pesquisadora e presidente do Instituto Arara Azul (@institutoararaazuloficial).

Ela também é membro de alguns grupos coordenados pelo IBAMA, como é o caso do Comitê para conservação e manejo da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e do Grupo de Trabalho para recuperação da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Veja aqui a sua história.

 

Nós, da Greenbond (e todo o mundo) agradecemos a contribuição de cada uma de vocês para a proteção de nossa biodiversidade! Além de inspiradoras e fantásticas, vocês conseguem mostrar bem ao mundo, a força e determinação que as mulheres possuem!

Feliz Dia Internacional das Mulheres!

 

 

Por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

IBAMA: Saiba mais sobre o órgão ambiental brasileiro

By Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente

IBAMA: Saiba mais sobre o órgão ambiental brasileiro

Hoje, dia 22 de fevereiro é comemorado o aniversário da criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). No dia 22 de fevereiro de 1989, foi promulgada a Lei nº 7.735, responsável por criar o órgão federal que integra a gestão ambiental do país.

 

Fonte: Internet/Google/Reprodução

 

Fusão de órgãos

Até então, existiam várias entidades que atuavam separadamente na área ambiental. A Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) era responsável pelo trabalho político e de gestão e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), responsável pela gestão de florestas. Além deles, a Superintendência da Borracha (SUDHEVEA) viabilizava a produção da borracha e a Superintendência da Pesca (SUDEPE) fazia a gestão pesqueira.

Cada um desses órgãos, com seus diferentes âmbitos de atuação foram extintos para a criação de um órgão único que integrasse toda a gestão ambiental: o IBAMA. A decisão foi tomada apenas após a participação do Brasil na Conferência das Nações Unidas para o Ambiente Humano, em 1972. O evento foi considerado o pontapé inicial já que, após o mesmo, houve pressão interna e externa para a criação de uma gestão ambiental integrada.

Apesar do órgão integrado apresentar a vantagem de ter uma linha de seguimento única para toda a gestão, sua criação também o torna mais suscetível a ataques e cortes. Além disso, a lei de criação do IBAMA amparou apenas os servidores dos extintos órgãos que eram de cargos efetivos, com a promessa de um concurso público para preenchimento emergencial das demais vagas.

 

Foto: IBAMA

 

Contexto histórico

Criado ao final da década de 1980, o IBAMA herdou problemas ambientais graves. As décadas de 1970 e 1980, período de crescente urbanização no Brasil, foram marcadas pela construção de empreendimentos com grande impacto, como a Transamazônica e a Foz do Iguaçu. Além de outros que levaram a desastres ambientais, como a autorização para uso de agente laranja como desfolhante em Tucuruí e o acidente radioativo em Goiânia com Césio 137.

 

Foto: Vinícius Mendonça – Ibama

 

Não suficiente, os índices de desmatamento, caça e pesca predatória se mostravam alarmantes, com os jacarés do Pantanal e as baleias à beira de extinção. Além de tudo, havia ainda os crescentes conflitos entre comunidades tradicionais e seringueiros, que teve como ápice a morte de Chico Mendes.

 

Atribuições

Com uma herança atribulada, o IBAMA recebeu, então, a responsabilidade de executar a política e gerir de forma integrada a área ambiental no Brasil.

Entre as suas atribuições, cabe ao IBAMA executar a Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei 6.938/81. Além disso, o órgão deve conceder ou não licenças ambientais para projetos na esfera federal, o controle de qualidade ambiental, a autorização para uso de recursos naturais (água, plantas, animais, solo, etc.), além da fiscalização, monitoramento e controle ambiental.

 

Foto: Felipe Guimarães – SOS Pantanal

Seus objetivos são citados como a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental, além de assegurar o desenvolvimento econômico, com o uso sustentável dos recursos naturais.

Para atingir tais objetivos, o IBAMA foi capacitado com o poder de polícia ambiental. Incluem-se aqui as seguintes funções: Implantação do Cadastro Técnico Federal, aplicação de inspeções ambientais e penalidades administrativas, geração e divulgação de informações pertinentes ao meio ambiente, monitoramento ambiental, principalmente relacionado à prevenção e controle do desmatamento, queimadas e incêndios florestais, apoiar, implementar programas de educação ambiental, desenvolver sistemas de informação e desenvolver padrões para a gestão do uso de recursos animais, pesqueiros e florestais, entre outros.

Em 2007, foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), assumindo a Unidade Nacional de Conservação do IBAMA. Desde então, o ICMBio tornou-se o órgão dedicado à gestão da unidade de conservação federal, que abrange cerca de 9% do território brasileiro. Nesse sentido, resta ao IBAMA apenas capacidades complementares – a capacidade de atuar em determinada questão quando o ICMBio deixa de atuar.

 

O IBAMA nos dias atuais

Atualmente, o IBAMA já fez grandes avanços, fortalecendo a questão ambiental no país. A legislação, fiscalização, monitoramento e controle ambiental foram ampliados e melhorados. No entanto, nos últimos anos o órgão vem sofrendo com a redução de verba.

Em 2021, o órgão contava com seu menor quadro de funcionários dos últimos 20 anos, tendo uma queda de 58,7% no número de servidores. Desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder, essa queda se intensificou, tendo perdido 17,7% do quadro de funcionários em apenas 3 anos.

Até 2021, o IBAMA contava com apenas 668 agentes ambientais em todo o país, destes apenas 281 são aptos para a fiscalização, sendo os outros inaptos por questões de idade, doenças ou comorbidades. Em 2010, eram 1.311 fiscais em atuação. Se somado isso à intensificação dos problemas ambientais, como o aumento nos índices de desmatamento e queimadas, fica nítida a necessidade de novas contratações.

 

Foto: Fernando Augusto – IBAMA

 

Após anos de espera, finalmente foi lançado um novo concurso, porém o número publicado foi de apenas 586 vagas, um número muito abaixo do necessário. Segundo a Nota Técnica Nº 16/2020 lançada pelo IBAMA, o órgão teria a necessidade de contratação para um total de 2.311 cargos, quase quatro vezes o número de vagas ofertadas.

Sendo assim, é necessário estarmos cada vez mais atentos com o desmonte que esse órgão vem sofrendo, especialmente pela tamanha importância que ele tem.

 

Texto por Lidiane Nishimoto

Revisado por Jéssica Amaral Lara

As estampas selvagens invadiram a GreenBond!

By Conservação, Educação ambiental, Eventos de Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Nosso último projeto mal saiu do forno e já nos enche de orgulho: a WildingTone! Inspirada na Natureza e no sistema PANTONE®, a marca apresenta a forma que traduzimos a beleza selvagem em comunicação visual. A partir desta iniciativa, esperamos dar mais alguns passos para alcançar o nosso objetivo principal: conectar as pessoas a favor da biodiversidade!

 

 

Inspiração #1: Natureza 

 

A natureza, com suas cores e formas, sempre influenciou artistas, cientistas, engenheiros e etc., na criação de suas obras. Sob um olhar mais atento de nossa equipe aos seus padrões de camuflagem, mimetismo, suas curvas e cores, a natureza também virou inspiração para designs incríveis desenvolvidos pelos profissionais da GreenBond. Surgiu então, a grande ideia: criar padrões baseados nas cores selvagens e torná-los parte do nosso dia a dia, por meio de produtos úteis e sustentáveis.

 

 

Inspiração #2: PANTONE®

 

Boa parte da nossa inspiração para a criação da marca também veio da PANTONE®, que é considerada uma verdadeira autoridade em cores! Ela é mundialmente conhecida por seus sistemas e tecnologias de ponta, desenvolvidos para processos que envolvem cores com reprodução precisa, desde as etapas de seleção e comunicação até o controle final das colorações. O nome PANTONE® é conhecido mundialmente como a linguagem padrão para a comunicação em todas as fases do processo de gerenciamento de cores. A mesma linguagem é utilizada e reconhecida pelo designer, fabricante, revendedor e consumidor, nos mais diversos setores industriais.

Durante os últimos 50 anos, a marca desenvolveu e aprimorou o conceito do seu sistema de combinação de cores. Adaptou-se para diversas indústrias, onde a reprodução fiel das cores são críticas, incluindo tecnologia digital, têxteis, plásticos, arquitetura e interiores.

 

Classic Blue 19-4052 é a cor oficial de 2020. (Foto: Instagram @pantonebr)

 

Anualmente, a PANTONE® dita a tendência de cores no mundo todo! A partir de inovações e novas combinações, a marca lança a cor oficial de cada ano, guiando criações de design e produções ao redor do globo. Essa é a verdadeira função de uma autoridade: inspirar o mundo! 

 

Cores exclusivas da WildingTone

 

De acordo com Diego Arruda, co-fundador da GreenBond e idealizador da WildingTone, as cores seguem padrões estrategicamente pensados. ”Basicamente, nosso trabalho consistiu em olhar para os padrões da natureza e catalogar essas cores com o código hexadecimal da PANTONE®, respeitando-as da forma que aparecem nos animais.” 

A criação dos códigos se baseia, primeiramente, nos 6 grupos animais existentes. Eles são divididos em: WF (peixes ou animais marinhos), WI (invertebrados), WR (répteis), WB (aves), WA (anfíbios) e WM (mamíferos). 

O segundo passo é numerar o código de acordo com a ordem de criação, ou seja, “1” para o primeiro, “2” para o segundo e assim por diante. Neste momento, já estamos indo para a 21ª criação! 

A terceira etapa é baseada no nome científico de cada animal. Serão usadas as primeiras letras de cada nome para compor o restante do código. Por exemplo, o nome científico do peixe-napoleão é Cheilinus undulatus, logo, serão usadas as letras “c” e “u” em sua classificação.

O código final do peixe-napoleão ficou: WF (por tratar-se de um peixe) + -p (indicação de patern) + 1 (por ter sido nossa primeira criação) + Cu (Cheilinus undulatus). Resultado final: WF-p1Cu. 

Por fim, adicionamos o hexadecimal da própria PANTONE®, o que indica o tom exato da coloração presente nos animais. 

 

Influenciadores

 

Por nossos designs serem divididos em grupos de animais (aves, seres marinhos, mamíferos, répteis, anfíbios e invertebrados), resolvemos escolher 6 embaixadores, cada um representando a conservação de um grupo. Cada embaixador escolheu um projeto de conservação que será apoiado com a venda dos produtos.

 

Seres Marinhos

 

Para os seres marinhos, escolhemos a Maysa Santoro, bióloga e ambientalista, que trabalha como educadora ambiental e se dedica a causas de conservação do meio ambiente em ONGs de resgate de fauna silvestre, no Brasil e na África do Sul. Ela também gera conteúdos áudio visual com a finalidade de tornar o meio ambiente visto e valorizado pelas pessoas.

 

Maysa Santoro

 

O instituto que será beneficiado será o VIVA Instituto Verde Azul. O instituto nasceu em 2014 com o desejo de ensinar as pessoas sobre a beleza, inteligência e os mistérios das baleias, golfinhos e outros animais, e atua com pesquisas científicas em Ilhabela e Abrolhos.

 

 

Biólogas apaixonadas realizam trabalhos de educação ambiental, campanhas contra a caça e exploração animal, produção de livros infantis, sempre com o objetivo de tocar o coração das pessoas para desenvolverem a consciência ambiental para um mundo melhor, mais “VERDE AZUL” para todos os seres do Planeta.

 

Foto: Rafaela Souza

 

Anfíbios

 

Para representar os anfíbios, escolhemos o Dr. Thiago Silva-Soares, ou Thiago Biotrips, um biólogo especialista em nestes seres. Doutor em zoologia pelo Museu Nacional, começou a viajar no Brasil para pesquisar a herpetofauna. Hoje, suas viagens biológicas ao redor do mundo visam conectar as pessoas à natureza de forma mais íntima e exótica.

 

Thiago Silva-Soares

 

A instituição que ele escolheu, é o seu próprio projeto de conservação, o HerpetoCapixaba. A Mata Atlântica do Estado do Espírito Santo compreende uma grande diversidade de anfíbios e répteis, mas há ainda muito o que se conhecer e desvendar acerca deles. Dentro desse cenário, o Herpeto Capixaba, projeto fundado em Outubro de 2017, busca trazer o estado da arte à herpetologia no Espírito Santo, através da pesquisa, educação e difusão científica, pilares unidos em prol do conhecimento e conservação da herpetofauna.

 

 

Invertebrados

 

Representando o grupo dos invertebrados, escolhemos os amigos Ricardo Brugnera e Guilherme Limberger, gaúchos e crescidos no interior, que descobriram juntos a paixão pelos insetos ainda como colegas na graduação em Ciências Biológicas. Atualmente, como pesquisadores, lideram o projeto Insetos do Brasil que visa a preservação e difusão de conhecimento sobre os insetos e demais invertebrados brasileiros, alcançando públicos de todo o país pelas redes sociais.

 

Ricardo e Guilherme

 

O projeto tem como principais objetivos a conservação dos insetos e popularização da entomologia, além de desmistificar fake news e quebrar preconceitos entre a sociedade, estes animais e demais invertebrados, através das redes sociais.

 

 

Répteis

 

Como embaixadora dos reptilianos, escolhemos a Daniela Sifuentes, paulista de 29 anos graduada em ciências biológicas pela UFMT. Nascida e criada em São Paulo, resolveu cursar biologia no interior do Mato Grosso. Atualmente trabalha com monitoramento e resgate de fauna silvestre, com ênfase na herpetofauna. Trabalha com educação ambiental e faz divulgação científica no Instagram.

 

 

A iniciativa escolhida por ela para apoiarmos é o Projeto Jibóia-do-ribeira. A espécie Corallus cropanii, considerada por especialistas como uma das mais raras do mundo, ocorre somente no Vale do Ribeira e ficou 64 anos sem ser vista viva.

 

 

O Projeto de Conservação da Jibóia do Ribeira foi criado em 2016, com o objetivo de unir os esforços e estreitar a relação entre os cientistas e a comunidade local. Essa parceria proporcionou o encontro de dois exemplares, e é uma ferramenta crucial para elaborar estratégias para a conservação dessa espécie tão fascinante.

 

Corallus copranii – Jibóia-do-ribeira

 

Mamíferos

 

Para os mamíferos, escolhemos a Bio Educação Digital, uma Startup criada e conduzida por Beatriz Morais, que valoriza acima de tudo o ser humano e a natureza, e principalmente sua relação com ela. Trabalhando com cursos, congressos e muito conteúdo online sobre diversas áreas da ciência, um dos compromissos mais fortes da Bio ED e de toda a equipe é a conservação da nossa fauna e flora, através de educação ambiental, divulgação científica e transformação social.

 

 

Como instituição beneficiada, foi escolhido o Instituto Pró-Tapir, um Programa de Monitoramento e Proteção dos Ungulados, mamíferos com casco que atuam principalmente na dispersão de sementes e manutenção das florestas. Para proteger essas e outras espécies, na Mata Atlântica, o Pró-Tapir realiza pesquisas em grandes áreas da biologia, como Ecologia, Genética e Saúde Ambiental, além de trabalhos voltados à educação ambiental e divulgação científica. Contribuem há 10 anos na conservação da biodiversidade e seguem plantando novas ideias!

 

 

Aves

 

Representando o grupo das aves, escolhemos Andrey Naves, youtuber e criador de aves há muitos anos. Através desta paixão, a conservação se tornou seu propósito de vida, onde atualmente, tenta levar este mundo para o maior número de pessoas possível em seu canal no Youtube e sua conta no Instagram, afim de unir forças em prol da biodiversidade.

 

Andrey Naves

 

A instituição escolhida para apoiar foi o ICFau. O Instituto para Criação e Conservação da Fauna (ICFau) é uma organização sem fins lucrativos, criado com o propósito de contribuir com geração de dados científicos, técnicas de manejo e reprodução de espécimes ameaçadas, com a intenção de aumentar seus números, para que sejam utilizadas em programas de conservação.

 

 

Busca também atuar em ações de educação ambiental, por meio da conscientização e estratégias socioambientais, com foco nas comunidades que coabitam as áreas de ocorrência das espécies trabalhadas.

 

Mutum-de-alagoas (Mitu mitu). Uma das aves mais raras e ameaçadas do mundo

 

10% dos valores arrecadados com cada linha, será revertido para os projetos selecionados pelos embaixadores.

 

Captação de recursos para conservação

 

Após muitos estudos e fontes de inspiração, nossa equipe começou o desenvolvimento das cores e padrões baseados nos mais diversos animais selvagens presentes na natureza. Os designs ganharam forma física ao estampar produtos frequentemente utilizados em nosso dia a dia, como canecas, mousepads, bonés, chinelos, máscaras de proteção, entre outros.

 

 

As redes sociais são nossas principais vitrines, ou seja, é por meio delas que exibimos os padrões criados, o resultado final já estampado nos produtos e por onde recebemos os pedidos de compras. Tudo facilmente encontrado no mesmo canal, sem burocracias e/ou complicações. A produção é toda realizada sob demanda, para evitar desperdícios de material. 

A ideia da WildingTone é reverter parte dos lucros obtidos a partir das vendas para auxiliar na proteção da biodiversidade. Os recursos serão doados aos projetos de conservação que atuam na preservação da fauna e flora brasileira. 

Para conferir todos os padrões desenvolvidos pela WildingTone, acesse nosso Instagram e Facebook. Não esqueça de fazer os seus pedidos e, assim, entrar para o #Bond da conservação!

Durante a quarentena, animais selvagens voltam a ocupar espaços antes tomados por humanos

By Conservação, Educação ambiental, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas

Com o surto da pandemia do COVID-19, muitos países decretaram isolamento social, fazendo com que milhões de pessoas deixassem de circular em locais públicos. Porém, o pode ser ruim para uns, é o oposto para outros. Você acredita que esse isolamento de nós humanos está trazendo benefícios para a natureza?

Foto de Stefan-elbe

 

Diante de tantos acontecimentos negativos, percebemos algo animador: a natureza está respondendo de uma forma positiva ao caos!

O isolamento e a redução da quantidade de pessoas nas cidades permitiu que a vida selvagem voltasse a ocupar os espaços antes tomados por multidões, mesmo que de forma tímida. Selecionamos alguns exemplos de como a fauna tem ocupado espaços antes tomados por nós, confira abaixo:

Vida selvagem volta a ativa na Inglaterra

Toupeiras, estão aparecendo com maior frequência em trilhas que antes ficavam lotadas de pessoas. A calmaria acaba liberando a vida selvagem para novos locais em busca de comida e para ocupar território!

Toupeira/Wikimedia Commons

 

Jake Fiennes, gerente de conservação da reserva natural nacional de Holkham, disse que sua equipe estava empolgada em registrar o que está acontecendo na praia de Norfolk/Inglaterra:

“Temos um número anual de visitantes superior a um milhão e, de repente, no pico da época de reprodução, eles não estarão aqui. A natureza está apenas dizendo: ‘Ahhh, agora é tudo para nós mesmos’”.

Com o isolamento, os funcionários da reserva notaram mais gaviões, furões e veados nas trilhas, que antes eram cheias de visitantes:

“O maior impacto que poderemos ver será nas aves costeiras”, disse Fiennes. Ele espera que a paralisação seja positiva para os pássaros que nidificam na praia”

Foto: Ernie Jane /Alamy

 

Tartarugas retomam praias na Índia

Nas costas Indianas, sem turistas, tartarugas retornam em grande quantidade para fazer seus ninhos! Sem turistas nas costas de Odisha, na Índia, e sem caçadores furtivos que costumam caçá-las nesse período, as tartarugas-oliva (Lepidochelys olivacea) retornaram em centenas nas praias de Gahirmatha e Rushikulya Rookery. O bloqueio adotado pelo país permitiu que as criaturas se reproduzam nas melhores condições. Embora a presença deles fosse esperada, milhares de espécimes se espalharam pela praia Rushikulya em menos de uma semana.

Foto: revista pazes/tartarugas retornando para a praia

 

Vida nova nos canais de Veneza

Conhece os canais de Veneza, na Itália? Um fato curioso é que mesmo sendo canais navegáveis, principalmente para o turismo, trata-se de um esgoto a céu aberto.

Devido à quarentena, houve uma drástica redução no fluxo de pessoas nas cidades do país. Gôndolas deixaram de circular nos canais da cidade, e sem circulação de pessoas, a água dos canais, normalmente turvas, ficaram translúcidas ao ponto de peixes ficarem visíveis. Com isso, foi possível avistar golfinhos nos canais, que antes era quase impossível.

Foto: internet

 

Mas não se engane, nem tudo são flores. Segundo conservacionistas, o impacto não é totalmente positivo: alguns crimes contra a vida selvagem acabam passando batidos, já que algumas autoridades estão impossibilitadas de realizar o monitoramento.

Fatos como estes citados acima nos colocam para pensar no quanto a vida humana interfere na vida selvagem. Bastou algumas semanas em casa para que a natureza comece a dar as caras e revelar o quanto interferimos em seu curso natural.

Cientistas afirmam: contato com a natureza pode evitar depressão e estresse

By Ecoturismo, Meio Ambiente

Contato com áreas naturais reduz as chances de desenvolver ansiedade, depressão e estresse – Foto: Pixabay

Pesquisas comprovam que o contato com a natureza traz benefícios para a saúde. Praticar atividades ao ar livre, em lugares afastados de centros urbanos, reduzem as chances de desenvolver ansiedade, depressão, estresse, previnem contra doenças cardíacas e precisam ser incorporadas na rotina das pessoas como forma de tratamento preventivo.

Uma pesquisa da Universidade de Chiba, no Japão, reuniu 168 voluntários, colocou metade para passear em florestas e o grupo restante para andar em centros urbanos. As pessoas que tiveram contato com a natureza mostraram, em média, uma diminuição de 16% no cortisol (hormônio do estresse), 4% na frequência cardíaca e 2% na pressão arterial.

Segundo Mário Negrão, neurologista e psicoterapeuta cognitivo, é possível notar uma melhora significativa no aparelho digestivo, nas alergias e na resistência a bactérias e infecções. Porém, o mais importante é a sensação de bem-estar.

A agitação dos grandes centros urbanos prejudica a saúde física e mental. As poluições sonora, visual e atmosférica somadas ao enclausuramento do dia a dia contribuem com o desencadeamento de problemas pulmonares, cardíacos e emocionais.  “Quando você coloca um indivíduo em uma cidade sem muita natureza, você está colocando-o em um ecossistema hostil, onde tudo que o rodeia é artificial. É comprovado que isso gera um impacto imenso na saúde”, relata Negrão.

Na Austrália, um estudo produzido na Universidade Deakin mostra que a natureza oferece momentos de liberdade e relaxamento às pessoas, possui um impacto positivo no estado mental dos indivíduos e reduzir sintomas de ansiedade e depressão.

Fotografia é um dos hobbies mais buscados por amantes da natureza.

Na Holanda, pesquisadores do Centro Médico Universitário de Amsterdã constataram que pessoas que vivem próximas da natureza reduzem em 21% as chances de desenvolverem depressão. Os benefícios também envolvem melhora na qualidade do sono, no desenvolvimento cognitivo, na imunidade, nos problemas cardíacos e pulmonares, além de uma redução na ansiedade, na tensão muscular e na possibilidade de desenvolver doenças como obesidade e diabetes.

Para Teresa Magro, doutora em Ciências Florestais e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a sensação de bem-estar também está relacionada ao que fazemos no ambiente natural. “Só o fato de olhar uma paisagem, fazer um passeio em um parque ou em uma área com menos barulho, já nos dá uma sensação de relaxamento”, afirma.

“Os benefícios fornecidos pela natureza – como ar puro, água, regulação microclimática, redução de partículas poluentes, relaxamento mental e físico, entre outros – e sua conexão com a saúde das pessoas devem ser vistos pela sociedade e pelo poder público como uma prioridade. Ter espaços verdes acessíveis e bem cuidados próximos da população estimula a visitação e a prática de atividades, o que resulta em indivíduos mais relaxados e produtivos”, completa a gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Leide Takahashi.

Saltos do Rio PReto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - Foto: Fábio Paschoal

Saltos do Rio PReto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Foto: Fábio Paschoal

Caça e Fotografia: A mesma essência, objetivos opostos

By Conservação

Imaginem esta cena:

No meio da floresta em um ambiente selvagem, o sujeito espera pacientemente pelo tão sonhado momento, sentado na caçamba de um carro ou numa plataforma em meio às árvores. Silêncio total, nenhum movimento brusco, apenas o som da própria respiração alternando entre ofegante e controlada apesar da adrenalina aumentar a cada segundo enquanto o animal se aproxima.

É chegado o momento, enfim a criatura silvestre se aproxima.  Espreitando o animal, o sujeito se prepara com seu equipamento municiado. Com o animal posicionado na mira, o dedo vai ao gatilho lentamente, esperando o momento perfeito. Tudo pronto, hora de agir. O dedo pressiona o gatilho e então….  Click! 

 

 

Ué?!

Esta pequena narrativa acima poderia muito bem ser a descrição de um caçador munido de seu rifle, esperando para matar um animal muito cobiçado e levar sua carcaça para casa, assim como também se encaixa perfeitamente na descrição de um fotógrafo amante da natureza, munido de sua super câmera com lente telescópica, fotografando um animal que ele sonhava a anos registrar.

O conceito de ambos os cenários é o mesmo e o repórter do jornal El País, Victor Moriyama, nomeia este elemento em comum entre as 2 atividades de “espírito caçador”. Ou seja, adentrar à mata em busca de um animal específico, seja raro ou não, colocando o homem urbano em contato com a natureza a partir da mira de uma máquina, seja uma câmera fotográfica ou um rifle.

 

Foto 1: Melissa ao lado da caça                     Foto 2: Leão livre por Tamara Jim

A diferença é que em uma das opções o sujeito sai com a cabeça do animal que será empalhada e pendurada na parede de sua casa, enquanto em outra,  ele sai com um belo registro fotográfico que pode ser mostrado para pessoas do mundo todo e inspirá-las a conservar espécies ameaçadas.

Assim como na foto ao lado, onde na esquerda a apresentadora de TV americana Melissa Bachman posa ao lado de seu “troféu”, enquanto na direita, o troféu é a maravilhosa foto tirada por Tamara Jim, do maior predador da África, vivo.

 

 

Caça esportiva para conservação

 

A “caça esportiva” é utilizada em alguns países (como África do Sul, Zimbábue, Estados Unidos) como uma fonte alternativa de renda para a conservação, onde de uma forma legalizada e controlada por autoridades governamentais, caçadores pagam grandes quantias de dinheiro para caçar legalmente um animal (Diferente da caça furtiva ou seja, ilegal). Parte deste dinheiro vai para as comunidades locais e financiam ações para a conservação de espécies. Porém, este conceito é ainda muito controverso, e diversos estudos apontam que essa prática pode não estar ajudando na conservação quanto deveria.

Caçador posa ao lado de elefante recém-abatido

O argumento utilizado pelos defensores da caça como instrumento de conservação é de que fazendeiros podem manter grandes áreas de floresta preservadas, e não cederem ao desmatamento para agricultura, se receberem dinheiro por animais mortos por caça esportiva em sua propriedade.

 

Não entrarei no mérito de efetividade ou não desta prática neste post, pois isso demanda uma discussão mais aprofundada. Como foi citado acima, existem estudos pró-caça, mostrando dados positivos em relação ao dinheiro que a caça esportiva gera, assim como estudos mostrando dados e impactos negativos.

 

 

O objetivo deste post é comparar uma prática alternativa, assim como coloco a seguir mostrando o que a fotografia pode fazer pela conservação.

 

 

 

 

Fotografia e ecoturismo para conservação

 

Como citado acima, o argumento de atribuir um valor comercial à espécies silvestres a fim de convencer um fazendeiro preservar suas terras, pode ser aplicado igualmente ao ecoturismo.

Safári fotográfico no Pantanal – Fazenda San Francisco

E se ao invés de receber dinheiro de caçadores para sustentar-se, esse dinheiro viesse de fotógrafos e turistas do mundo todo que vão atrás de fotos incríveis de espécies ameaçadas?

Um exemplo prático de que pode dar certo, é o que vem sendo realizado no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda – MS, Pantanal Sul pelo Onçafari.

Onças-pintadas avistadas pela equipe do Onçafari. Foto: Gustavo Figueirôa

O projeto trabalha com a conservação e habituação de onças-pintadas para que possam ser avistadas mais facilmente por hóspedes e amantes da fotografia no mundo todo, aumentando drasticamente o fluxo de hóspedes na pousada. Desde que o Onçafari iniciou seus trabalhos na fazenda, o número de hóspedes cresceu 80%, assim como os avistamentos de onça-pintada, que cresceu 120% nos último 7 anos.

 

Foto: Adriano Gambarini

Um estudo realizado pelo biólogo e pesquisador Fernando Tortato, da ONG Panthera (Organização internacional que estuda grandes felinos no mundo todo), comprovou cientificamente os benefícios do ecoturismo.

 

O estudo concluído em 2017 aponta que em um intervalo de 1 ano, cerca de 6,8 milhões de dólares foram arrecadados através do turismo de observação de Onças, contra a perda hipotética de 120 mil dólares para o prejuízo que as onças causam por atacar animais de criação.

 

 

Atualmente, existem sites dedicados exclusivamente à fotografia de natureza, como o Biofaces. O site reúne fotógrafos profissionais e amadores, de todas as idades, gêneros, etnias e países, todos com ao menos duas características em comum: O amor pela natureza e fotografia.

Print da tela do site Biofaces.com

Conclusão

 

Da mesma forma que a caça pode gerar renda para ser investida em conservação, também podem a fotografia e o ecoturismo, de uma maneira muito mais limpa e menos egoísta.

O assunto é complexo, diversos pontos cabem dentro da discussão. Porém, o que é claro e indiscutível é o fato de que matar um animal por puro prazer não pode ser considerado um esporte e não cabe no perfil de uma população supostamente evoluída do século XXI.

Para finalizar, quero induzir à uma reflexão interessante.

Em um trecho retirado do livro do Comandante H. Pereira da Cunha, um conhecido caçador da época de 1950, o próprio autor e caçador cita:

O prazer da caça não consiste, de modo algum, apenas em matar os animais. Realmente, a morte do animal, seja ele pacífico ou agressivo,é a última das coisas que importa e talvez sem ela fosse a caçada ainda mais interessante”.

Livro caçando em África e olhando o mundo – Comandante H. Pereira da Cunha

 

Pois bem…. Se o prazer consiste na busca, na adrenalina de andar pela mata para encontrar o animal, porque não então trocar o covarde e frio rifle por uma bela e imponente câmera fotográfica?

 

 

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre

Cofundador da GreenBond