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Bond da Conservação

Bond da Conservação: Kristine Tompkins

By Bond da Conservação, Conservação, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje falaremos sobre Kristine Tompkins, presidente e co-fundadora da Tompkins Conservation, mulher de importância incalculável para a natureza. Junto a seu marido, Douglas Tompkins, ela ajudou na proteção de mais de 15 milhões de acres (ou seja, quase 9 milhões de campos de futebol) de Parques Nacionais no Chile e na Argentina, dentre várias outras ações para a conservação da biodiversidade, como a reintrodução de espécies em seus ecossistemas. Continue acompanhando e a inspiração será garantida!

 

Foto: Tompkins Conservation

 

Esquiadora, no mundo da moda! 

Kristine nasceu no estado da Califórnia e cresceu em meio à natureza, no rancho de seu bisavô. Ela sempre amou a vida ao ar livre, e sempre que podia, visitava os Parques Nacionais dos Estados Unidos, para caminhar, escalar e ter seu momento com a natureza. Quando adolescente, mudou-se para cursar o Colégio de Idaho, quando começou a competir em corridas de esqui. 

Após se formar, ela voltou para a Califórnia e trabalhou com Yvon e Malinda Chouinard. Na época, eles estavam fundando uma empresa, a Patagonia, Inc, varejista de roupas para atividades ao ar livre. Por mais de 20 anos, ela foi CEO desse empreendimento que cresceu incansavelmente! 

Kristine ressalta que trabalhar com Yvon foi fundamental para a sua mudança de visão do mundo. Afinal, Yvon, junto a sua esposa Malinda, sempre adotaram uma postura sustentável na empresa, agindo diferente de qualquer outra à época. Para eles, o lucro não era o único objetivo. Como exemplo de uma de suas ações, eles doavam 10% de todo o lucro para organizações ambientais.

 

Foto: carnegiescience.edu

 

Mudança de continente, estado civil, propósito e… de vida

Em 1993, ela saiu da Patagônia, Inc. e decidiu se mudar para a América do Sul para morar junto a seu antigo amigo Douglas Tompkins, fundador da The North Face Inc. e co-fundador da Esprit. Aventureiros, juntos eles já haviam viajado muito e perceberam que os lugares que amavam, estavam sendo degradados. 

Assim, Douglas teve a ideia de comprar terras e devolvê-las ao governo em forma de Parques Nacionais. E, o lugar onde viram que isso era possível, era na América do Sul. Quando Kris se mudou, ele tinha acabado de comprar 42.000 acres de florestas na região dos lagos do Chile.

 

Kristine e Douglas. Foto: Tompkins Conservation

 

Não demorou para eles se casarem (1994) e uma linda história de amor e comprometimento começar. Unidos também em propósito, eles fundaram a Tompkins Conservation e em mais de 25 anos de trabalho árduo, protegeram mais terras do que qualquer outra pessoa na história

 

Tompkins Conservation e os Parques Nacionais!

Kristine no Parque Nacional da Patagônia. Foto: Tomás Munita – National Geographic Portugal

 

Criada com o intuito de proteger ecossistemas em forma de Parques Nacionais, a Tompkins Conservation já protegeu 15 milhões de acres no Chile e na Argentina. Esses, distribuídos em 15 Parques Nacionais, novos, ou que foram expandidos, e 2 novos Parques Nacionais marinhos. 

Na Argentina estão os: El Piñalito Provincial Park, Parque Nacional da Patagônia, de Iberá, El Impenetrable, Perito Moreno, Monte León e o Marinho. E no Chile, os: Parque Nacional da Patagônia, Pumalín Douglas Tompkins, Isla Magdalena, Cerro Castillo, Melimoyu, Hornopirén, Yendegaia, Corcovado, Kawésqar e o Marinho. Clique aqui para explorar cada um deles.

 

Parque Nacional da Patagônia. Foto: Tompkins Conservation

 

Bom, você já deve estar se perguntando o motivo da escolha de transformar terras em parques. E aqui, já te contamos as respostas. Eles geram empregos duradouros para as comunidades de seu entorno e geram bem-estar a todos que os visitam, afinal, conecta as pessoas à natureza. E, como Kris disse, quando as pessoas gostam do local e estão envolvidas, elas cuidam, ajudando em sua conservação. 

Como se não bastasse, vários parques distribuídos em terra e mar, contribuem para o equilíbrio climático, e claro, são fundamentais para a biodiversidade que abrigam. Quanto mais terras protegidas, menor a fragmentação de habitat e menor o número de extinção de espécies.

 

Kris transfere a gestão do Parque Nacional Pumalín Douglas Tompkins para o governo chileno. Foto: Tompkins Conservation

 

Projetos de Refaunação

Além das terras protegidas, com a coordenação de Kristine e seu marido, a Fundação criou mais de 20 projetos de conservação e monitoramento, entre eles, destacam-se os projetos de refaunação na Argentina e no Chile. Para isso foi criado o Rewilding Argentina e o Rewilding Chile, organizações sem fins lucrativos que executam os projetos de reintrodução.  

 

Relação de Parques Nacionais criados e espécies reintroduzidas pela Tompkins Conservation.
Fonte: Tompkins Conservation

 

Com a reintrodução das espécies-chave, fundamentais ao ecossistema, em seus lares, espera-se a regeneração e auto sustentabilidade dos ambientes e assim, uma atuação humana mínima no local. 

Algumas das ações de reintrodução, foram a soltura de onças-pintadas e ariranhas nas áreas úmidas da Argentina, no Parque Nacional de Iberá. A estimativa populacional das onças indica que só existiam cerca de 200 indivíduos em todo o país, em Iberá inclusive, havia um descontrole populacional de presas, devido à falta do predador. Já as ariranhas haviam sido extintas da Argentina. 

 

Centro de Reabilitação de Onças-Pintadas em Iberá. Foto: Rewilding Argentina

 

Várias outras espécies foram contempladas no programa, como tamanduás-bandeira, nandús-de-Darwin (uma ave parente das emas), araras-vermelhas, diferentes espécies de cervídeos, entre muitas outras. Clique aqui para ver todas as escolhidas e os Parques Nacionais contemplados.

 

Reintrodução com monitoramento de tamanduá-bandeira, extinto localmente, no Parque Nacional de Iberá, Argentina. Foto: Tompkins Conservation

 

Admiração mundial 

Desde 2005, a Tompkins Conservation desenvolve um trabalho de referência para projetos de reintrodução espalhados pelo mundo. E desde sua origem, há mais de 25 anos, desenvolve um trabalho simplesmente de tirar o fôlego com a conservação de áreas protegidas.

Kris e Doug já receberam diversos prêmios, como o prêmio Lowell Thomas, do Clube de Exploradores de Nova York, o Prêmio Anual de Turismo no Mercado Mundial de Turismo em Londres, o Prêmio de Conservação da Biodiversidade da América Latina da Fundação BBVA, entre vários outros. Inclusive, em 2018, ela recebeu a Medalha Carnegie de Filantropia, sendo a primeira conservacionista a recebê-la!

Infelizmente, em 2015, Doug faleceu após um quadro de hipotermia, ao cair de um caiaque na Patagônia Chilena. Mas Kristine segue forte com a missão que os dois começaram, expandindo mais áreas no Chile e na Argentina. Em 2018, ela inclusive assinou, junto à presidente do Chile, Michelle Bachelet, um decreto criando mais cinco Parques Nacionais e expandindo outros três, em um total de 10 milhões de acres de novas terras protegidas no país. Fantástico!

 

Kris e Michelle assinando o decreto de expansão dos Parques Nacionais no Chile.
Foto: Tompkins Conservation

 

Eles sonharam alto e conseguiram. E são uma verdadeira fonte de inspiração e coragem para todos nós seguirmos os nossos sonhos e ajudarmos o mundo, à nossa maneira! O planeta agradece o seu belo e importante trabalho, Kristine!

E claro, caso já esteja planejando visitar alguns dos Parques, a Tompkins Conservation pensou em uma rota para você conhecer os da Patagônia Chilena. Com vistas e paisagens deslumbrantes, a rota tem extensão de 2.700km e percorre 17 Parques Nacionais. Saiba mais aqui.

 

Texto por: Jéssica Amaral Lara

Revisado por: Diego Rugno

Bond da Conservação: Arnaud Desbiez

By Bond da Conservação, gigantes da conservação, Personagens da conservação, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje iremos conversar sobre Arnaud Léonard Jean Desbiez, um zoólogo PhD em Manejo de Biodiversidade pelo Instituto de Conservação e Ecologia de Durnell (DICE), Universidade de Kent, UK. Ou ainda: o homem por trás de um dos maiores projetos de conservação do Brasil, o Programa de Conservação do Tatu-Canastra.

Arnauld é um conservacionista associada à RZSS desde 2007. Foto: RZSS Conservation

Se você leu esse nome e estranhou a escrita, você está no caminho certo: Arnaud não é brasileiro! Na verdade, ele é parisiense. Que chique, não? Apesar de ter nascido na França, ele relata que frequentemente se mudava junto a sua família para Nova York , e por isso, tem o francês e o inglês como língua nativa.

A primeira escolha: a sua paixão!

Independente do lugar em que estava, ele não consegue se lembrar de querer outra coisa na vida a não ser trabalhar com animais. E foi assim que, em 1995, decidiu-se pela graduação de Zoologia na McGill University no Canadá, sendo esse o seu primeiro grande passo para a vida de renomado biólogo conservacionista. 

Iniciou a sua vida de zoólogo trabalhando como tratador de zoológico, mas após alguns anos, sentiu pulsar em seu coração uma imensa vontade de trabalhar com animais livres na própria natureza, “o que me levou a embarcar em uma jornada que me levou por seis diferentes países para trabalhar com uma diversidade de espécies, comunidades e crenças.” 

Depois de ter feito paradas em países como Argentina, Belize e Nepal, em 2002, aos 28 anos, chegou ao Mato Grosso do Sul do Brasil, onde reside há mais de 20 anos. E, claro, onde tem feito muita história em prol da conservação.

Os tatus-canastra fazem tocas de até 6 metros de profundidade em cerca de 20 a 30 minutos. Foto: WFN

Depois de peregrinar tanto por esse mundo, você sabe o que fez Arnaud se instalar por aqui? O Tatu-Canastra!

Aliás, você já ouviu falar sobre esse animal? Se sim, pode ter certeza que foi por causa do trabalho árduo dele e sua equipe.

Início do projeto

Em 2010, o Dr. Arnaud Desbiez deu início ao Projeto de Conservação do Tatu-Canastra – núcleo financiado pela Royal Zoological Society of Scotland (RZSS) – estabelecendo um estudo pioneiro de longo prazo sobre a ecologia e biologia da espécie, além de buscar compreender a sua função ecológica.

Mas quem é o Tatu-Canastra?

Arnaud gosta de chamá-lo de “fóssil vivo”,  pois são cobertos por uma armadura dura e robusta como uma canastra – daqui vem o nome – e são enormes, medindo cerca de 1,5 m da ponta do nariz até a ponta da cauda, além de pesarem, em média, 50 kg. Uma característica que o intriga ainda mais, é o comprimento de sua garra, que pode chegar a até 15 cm, maior do que as garras de um urso!

Apesar de seu corpo e tamanho impressionantes e sua ampla distribuição pela América do Sul, é muito difícil encontrar esse animal andando por aí, pois ele possui o hábito de se manter entocado durante o dia em buracos de até 6 metros de profundidade, saindo apenas durante a noite.

Quando capturam um indivíduo, estudam sua saúde do animal e o monitoram por cerca de 2 anos. Foto: ICAS

Antes do início do projeto, o tatu-canastra era um animal completamente desconhecido, ” […] nem o dono da fazenda onde funciona nossa base, que nasceu e foi criado aqui, tinha visto um desses animais antes de iniciarmos o projeto.”

Esse desconhecimento da espécie foi um motivo especial para que ele e a equipe se determinassem a trabalhar incansavelmente para revelar os mistérios desse animal. Para isso, equipamentos de transmissão de rádio, armadilhas fotográficas, levantamentos de tocas, monitoramento de recursos, mapeamento de recursos e entrevistas com a população local foram imprescindíveis para o surgimento dos primeiros resultados. 

O empenho e determinação de Arnauld possibilitaram o conhecimento da importância ecológica da espécie, revelando-se como engenheira do ecossistema, uma vez que quando abandona as suas tocas, elas servem de abrigo e refúgio para outras 30 espécies. 

Arnaud trabalhou junto com os cineastas para capturar boas imagens para seu documentário. Foto: WFN

A emoção de sonhar junto com colaboradores

Falando em resultados iniciais, Arnaud tem um carinho especial pela instituição do Chester Zoo, pois ela foi um dos primeiros zoológicos a apoiar o projeto quando ele era apenas um sonho, quando a equipe nem tinha certeza que seria capaz de encontrar o animal. Esse financiamento foi importantíssimo para que se desenvolvessem e alcançassem resultados tão prósperos hoje. 

Um desses resultados visíveis é o reconhecimento da espécie Tatu-canastra como uma das 5 espécies indicadoras para a criação de áreas protegidas. O que significa que, após 5 anos do início do projeto, uma espécie até então misteriosa, passou a defender medidas de conservação de habitat. Incrível, não é?

O sorriso de quem ama o que faz! Foto: Cincinnati Zoo

Indo muito mais além…

Frente aos incríveis resultados obtidos na descrição da espécie de tatu, Dr. Arnaud e sua equipe voltaram a atenção para uma outra espécie icônica e muito ameaçada: o tamanduá-bandeira, lançando a iniciativa “Bandeiras e Rodovias”. Esse projeto visa a avaliação do impacto das estradas do Cerrado nas populações dessa espécie, esperando que o acompanhamento da espécie e futuros resultados forneçam informações importantes para uma reformulação das estratégias de gerenciamento de estradas no Brasil. Mais uma vez, é ele quem se encontra responsável pela coordenação geral desse programa de conservação.

Do Tatu-Canastra ao Bandeira! Foto: National Geographic

Fundação do ICAS

Para dar suporte administrativo a esses dois projetos que coordena, Arnauld fundou, em 2018, a ONG ICAS – Instituto de Conservação de Animais Silvestres. Diante da seriedade e reconhecimento dos projetos coordenados por esse homem, essa instituição já conta com o apoio de 40 zoológicos e aquários do mundo todo!

Reconhecimento mundial

Em 2015, ele foi reconhecido como um grande nome da conservação mundial, sendo premiado com o Whitley Award –  um Oscar da conservação – pelas mãos da princesa Anne da Inglaterra, em cerimônia na Royal Geographical Society, em Londres. Mas não para por aí, porque além disso, seu trabalho foi apresentado na National Geographic, BBC Nature e recentemente, ganhou espaço em um documentário de 60 minutos na PBS.

Princesa Anne da Inglaterra entregando o Whitley Award para Arnaud. Foto: Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ)

Fala sério… que história impressionante e inspiradora! O nosso muito obrigado por tamanho empenho e dedicação na conservação de nossos animais simpáticos. Sabemos que, com certeza, houve muitos desafios, mas a sua perseverança ganhou uma visibilidade internacional e o nosso eterno carinho.

 

Texto por Aléxia Ferraz

Revisado por Jéssica Amaral Lara

 

Conheça 9 mulheres-chave para a conservação da biodiversidade!

By Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Conheça 9 mulheres-chave para a conservação da biodiversidade!

 

Instituído em 1975 pela ONU, hoje, dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A escolha do dia foi inspirada por um protesto na Rússia em 1917, onde milhares de mulheres reivindicavam por melhores condições de vida e se posicionavam contra a Primeira Guerra Mundial.

Protesto em 1917. Foto: Getty Images via BBC

Bom, neste dia tão importante, viemos homenagear 9 (das várias) mulheres, que têm um papel-chave na conservação da biodiversidade. Mulheres que com certeza fazem parte do Bond da Conservação e são fonte de inspiração para todos nós! Continue aqui conosco e confira:

 

Dian Fossey

Dian Fossey. Foto: Robert I. M. Campbell, National Geographic Creative.

Dian fez dos gorilas-da-montanha a sua família e os defendeu dos caçadores furtivos, com unhas e dentes. Seus esforços foram fundamentais para as populações desses animais, que estavam à beira da extinção, se recuperarem.

Seu belo trabalho ficou conhecido mundialmente e inclusive, ela foi tema do filme: A Montanha dos Gorilas (1988). Claro, ela também foi tema do nosso blog, em que contamos a trajetória dessa mãe, não só dos gorilas, mas da história da conservação. Clique e relembre sua história!

 

Suzana Pádua

Suzana Pádua. Foto: IPÊ

Referência nacional e internacional na área da Educação Ambiental, Suzana é doutora em desenvolvimento sustentável e mestre em educação ambiental. É também uma das fundadoras do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, onde atualmente é presidente. Saiba mais sobre ela.

 

Sylvia Earle

Sylvia Earle. Foto: Acervo Sylvia Earle Twitter

Uma das maiores referências mundiais em vida marinha. Sylvia Earle é uma cientista que ao longo de sua carreira, defendeu de diversas formas a proteção dos oceanos, participou de várias expedições e mergulhou por mais de sete mil horas.

E não para por aí, ela fundou também, a organização Mission Blue, que tem como objetivo explorar, conservar e proteger os oceanos por meio da criação de áreas protegidas, chamadas de pontos de esperança. A sua trajetória, você confere aqui.

 

Patrícia Médici

Patrícia Médici. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Outra grande pesquisadora Patrícia ajudou a fundar o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas quando ainda era estudante e é responsável pela criação do maior banco de dados do mundo sobre as antas. Conheça-a melhor!

 

Karen Strier

Karen Strier. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Karen é antropóloga, professora e presidente da Sociedade Internacional de Primatologia. Além de tudo isso, ela é fundadora do Projeto Muriquis de Caratinga, em Minas Gerais, projeto fundamental à recuperação das populações do maior primata das Américas.

Confira o texto que fizemos, relembrando a sua trajetória.

 

Flávia Miranda

Flávia Miranda. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Uma mulher incrível, referência mundial em estudos do grupo dos tamanduás, tatus e preguiças: Flávia Miranda!

Flávia que, desde o Colégio, já se interessava por tamanduás que rondavam seu alojamento, teve uma longa história com esses animais em sua trajetória acadêmica. O resultado? Muita pesquisa e inclusive a fundação do Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil! Leia sobre Flávia e a inspiração será garantida!

 

Jane Goodall

Jane Goodall. Fonte: neverapart.com

A primatologista que mudou o conhecimento humano sobre os chimpanzés, com certeza é inspiração e exemplo de coragem e dedicação.

Jane fez importantes descobertas sobre os chimpanzés do Parque Nacional de Gombe National, tornou-se PhD em etologia, pesquisadora da National Geographic e ativista ambiental. Saiba mais sobre ela aqui.

 

Neca Marcovaldi

Neca Marcovaldi. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

Neca é oceanógrafa e co-fundadora do Projeto Tamar. O projeto visa a proteção das tartarugas marinhas da costa brasileira e seus resultados são admiráveis.

Em 38 anos de atuação, o Tamar conseguiu devolver mais de 37 milhões de filhotes ao mar, melhorar o status de conservação das espécies com ocorrência no Brasil e empregar 1200 trabalhadores, 80% deles locais! Conheça Neca Marcovaldi!

 

Neiva Guedes

Neiva Guedes. Foto: João Marcos Rosa / Mulheres na Conservação

Uma verdadeira mãe para as araras-azuis. Dentre suas várias atribuições, Neiva é bióloga e doutora em Zoologia, professora, pesquisadora e presidente do Instituto Arara Azul (@institutoararaazuloficial).

Ela também é membro de alguns grupos coordenados pelo IBAMA, como é o caso do Comitê para conservação e manejo da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e do Grupo de Trabalho para recuperação da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Veja aqui a sua história.

 

Nós, da Greenbond (e todo o mundo) agradecemos a contribuição de cada uma de vocês para a proteção de nossa biodiversidade! Além de inspiradoras e fantásticas, vocês conseguem mostrar bem ao mundo, a força e determinação que as mulheres possuem!

Feliz Dia Internacional das Mulheres!

 

 

Por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

Bond da Conservação: Neca Marcovaldi

By Animais ameaçados de extinção, Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos conversar sobre Neca Marcovaldi, oceanógrafa e co-fundadora do Projeto Tamar. Uma mulher admirável, com uma história encantadora! Vem conhecê-la conosco!

 

Neca em 2015. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

 

Tudo pelo mar: de uma vida urbana a uma bem rural

 

Foto: Museu da Pessoa (Acervo Pessoal)

 

Maria Ângela Marcovaldi, mais conhecida como Neca Marcovaldi, nasceu em 1958 na grande cidade de Porto Alegre. Lá ela não tinha contato com o mar, mas desde pequena ia para a praia com sua família e já sabia que o amava tanto, que um dia mudaria para uma cidade no litoral.

Essa admiração e vontade de estar perto do oceano, a fez cursar Oceanografia. Na época, esse curso só existia em uma faculdade em toda a América Latina, na Faculdade de Rio Grande (FURC). E assim, Neca mudou de cidade, de rotina, de amigos.

Sua nova casa, que mais lembrava um sítio, ficava em zona rural, a 30km da cidade mais próxima. Lá ela morava com outros estudantes e também com vários animais silvestres, que cuidavam para o Zoológico de Porto Alegre. Que baita mudança de vida!

 

Explorando a costa brasileira

 

Neca em 1990. Foto: Divulgação/Projeto Tamar

 

Durante a graduação, Neca e seus amigos tinham uma enorme vontade de explorar o litoral brasileiro. E, muitas vezes, o Museu Oceanográfico financiava a busca de material malacológico (moluscos como ostras e caramujos) para seu acervo. Bom, foi juntando a fome com a vontade de comer, que a turma foi para vários pontos da costa buscar material para o Museu e claro, conhecer o litoral. Isso os permitiu conhecer ambientes como Fernando de Noronha, Abrolhos e Atol das Rocas.

Inclusive, foi em uma dessas expedições, para o Atol das Rocas, uma em que ela não havia participado, quando tinha acabado de entrar para o curso, que essa mesma turma viu um pescador capturando tartarugas-marinhas fêmeas que estavam indo para as praias desovar. Assustados, eles registraram tudo e tentaram salvá-las, conseguindo resgatar metade delas.

Na época, não havia relatos de tartarugas marinhas no Brasil, e logo, quando os estudantes contaram para seus professores o que tinham visto, mesmo com fotos, o fato pareceu piada! Mas eles não desistiram e relataram o caso também para o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) que mais tarde deu origem ao IBAMA. E que ótimo que contaram, pois o IBDF propôs, anos depois, que parte dos estudantes percorressem a costa, levantando informações sobre as tartarugas-marinhas e também, sobre os peixes-bois. E assim fizeram um milagre: de 1980 a 1982, o grupo de cerca de 4 estudantes, incluindo a Neca, percorreram do Rio de Janeiro ao Amapá basicamente a pé, levantando a distribuição desses animais e também suas ameaças.

 

Surgimento do Projeto TAMAR (e do Projeto Peixe-boi)

 

Tartaruga-cabeçuda. Foto: Projeto Tamar.

 

Ao conhecer melhor as ameaças que os animais enfrentavam, os 4 exploradores se dividiram, criando projetos sobre os grupos estudados, o Projeto Tamar, para conservação das tartarugas-marinhas, e o projeto para a conservação do peixe-boi (e que belo trabalho eles fazem até hoje!).

E foi com o início do Tamar, que ela mudou novamente de cidade: uma das primeiras iniciativas no projeto foi a criação de três bases, onde ocorriam ao menos duas espécies de tartarugas. Neca ficou com a base da Praia do Forte, na Bahia, mudando quase que para o outro lado do país. Inclusive, ela comenta que o choque cultural foi imenso.

 

Projeto Tamar – 1990. Foto: Museu da Pessoa (Acervo Pessoal)

 

Desde então, ela dedica sua vida ao Projeto Tamar. Foram muitas conquistas e claro, muita luta. Com muito esforço, Neca e sua equipe conseguiram colocar os pescadores, suas famílias, a comunidade local e hoje, o Brasil e o mundo inteiro ao seu lado na luta pela conservação das tartarugas marinhas. Neste vídeo, do canal do Projeto Tamar, e neste feito pelo Instituto Tamanduá, ela conta mais sobre as etapas do Projeto. Com um árduo trabalho eles conseguiram a admiração coletiva de todos nós e viraram uma referência na conservação da biodiversidade.

Até a pandemia, eram 1200 trabalhadores envolvidos no projeto, 80% deles, membros das comunidades, em 23 locais na costa brasileira. É de tirar o fôlego, né? E claro, digo até a pandemia, pois infelizmente o projeto também sentiu os impactos decorrentes do isolamento. Afinal, o turismo e consequente venda de produtos nas lojas físicas das bases é uma enorme fonte de renda ao Tamar. E é por isso que, caso você consiga, indicamos ajudar o projeto comprando na lojinha virtual.

 

Neca, músico Lenine, Nina, Guy e Ricardo Soavinski. Foto: Acervo/ICMBio

 

Junto ao Tamar, outra história de vida: Guy Marcovaldi

Nessa missão de vida, Neca teve um companheiro fundamental, o seu marido Guy Marcovaldi, também fundador do Tamar.

 

Guy Marcovaldi. Foto: Agência Petrobrás

 

Juntos desde a faculdade, Guy também dedicou sua vida às tartarugas marinhas. Com o estabelecimento do projeto, por vezes, enquanto Neca ficava na base da praia do Forte, Guy ficava em outras bases. Mas sempre davam um jeito de se encontrar.

O casal tem uma filha, Nina Marcovaldi, que atua na coordenação do projeto e comentários à parte, neste ano terá um bebê. Neca e Guy serão vovôs!

 

Neca, Nina e Guy Marcovaldi. Foto: Revista Trip – UOL

 

Caso queiram conhecer melhor a história do casal e do Tamar, Nina, como protagonista, junto à Jeep, fez uma série narrando a trajetória de seus pais, para assistir é só clicar aqui.

 

Nina Marcovaldi na série em parceria com a Jeep. Foto: Draft

 

Um belo ser humano!

Neca no 38º Simpósio Internacional de Tartarugas-marinhas, Japão. Foto: Projeto Tamar

 

O trabalho de Neca rendeu, além de vários importantes prêmios, como o Heroes of the Planet, pela revista Times, uma inspiração enorme para a população no geral e para nós que trabalhamos na área. Ela tem com si, um aspecto chave para quem deseja ir longe: a perseverança. Como ela mesmo disse, em uma entrevista ao Museu da Pessoa:

“A primeira (lição que tirei da minha carreira) mesmo é perseverança. Eu entendo que a gente vive num país que tem muita dificuldade ainda e se não houver muita vontade de se fazer alguma coisa e tentar mudar automaticamente, não acontece. Então, eu continuo mesmo o Tamar maior, mesmo já tendo realizado uma boa parte do que eu gostaria, cada dia é um dia de batalha, de luta e continua tendo milhões de dificuldades, milhões de coisas boas, mas que a gente não pode parar de lutar, né?”

E é isso mesmo Neca, nunca podemos parar de lutar! Agradecemos infinitamente o seu trabalho, a sua dedicação, e a você ser assim, um belo ser humano, dotado de perseverança como é!

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

Bond da Conservação: Chico Mendes

By Bond da Conservação, Conservação, GreenBond, Meio Ambiente

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos conversar sobre uma das maiores referências do Brasil na luta contra o desmatamento, afinal, hoje (15/12/21) esse importante herói da conservação faria 77 anos! Vamos falar sobre Chico Mendes!

Foto: Wikimedia Commons

 

Seringueiro

Nascido no ano de 1944 em Xapuri, Acre, Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, cresceu em uma família de seringueiros.

Casa em que Chico Mendes morou em Xapuri, reformada e transformada em Centro de Memória. Foto: ebiografia.com

 

Os seringueiros extraem látex das árvores seringueiras, nativas da floresta Amazônica. A extração do látex é o primeiro passo para a produção da borracha natural.

Extração de látex em seringueira. Foto: Gilson Essenfelder, Sítio Pandorama.

 

Durante toda a sua infância e adolescência, Chico acompanhou seus pais no trabalho. Aos 11 anos ele, inclusive, já extraia látex. Neste meio, ele percebia as difíceis condições que esses trabalhadores tinham que aguentar. Os seringueiros viviam em um regime de exploração, em que qualquer forma de oposição não era permitida e ainda, viviam endividados, já que em troca de seu trabalho, eles recebiam produtos industrializados, produtos pelos quais eles não conseguiam pagar.

Tal regime se mantinha pois, desde 1945, a borracha deixou de ser um importante produto de exportação, e esse modelo de exploração era o que ainda trazia resultados para a economia local. Viver nessa realidade foi suficiente para Chico querer mudar a vida dessas pessoas.

 

Sindicatos e vida política

Diferente da maioria dos seringueiros, Chico foi alfabetizado aos 16 anos por um refugiado político que vivia próximo a ele, Euclides Fernandes Távora. O que foi fundamental para ele fazer parte da diretoria do primeiro sindicato que surgiu no Acre, em 1975, o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia.

Dois anos depois, ele participou da fundação do Sindicato de sua cidade, Xapuri, onde mais tarde, em 1983, ele seria eleito presidente. Também em 1977 foi eleito vereador pelo MDB e já em 1980, junto a Lula, fundou o PT.

Chico Mendes no Sindicato de Xapuri. Foto: Infográficos Estadão

Em meio à vida sindical e política… Sai borracha, entra desmatamento 

Por volta de 1970, a borracha já não era nada lucrativa. Com a entrada do governo militar, viu-se a necessidade de uma nova forma de ocupação da Amazônia. Palavras do general Castelo Branco, era necessário “Integrar, para não entregar”. Para isso, o governo priorizou a especulação fundiária da Amazônia para abrir espaço para a pecuária. E claro… com ela, veio muito… muuito desmatamento. E também, muita resistência. Afinal, os seringueiros não ficaram parados!

Em uma tentativa de tentar frear o desmatamento, os seringueiros e suas famílias se uniram sob a liderança do fundador do Sindicato de Brasiléia, Wilson Pinheiro e foram à luta. Chico, que já fazia parte da diretoria do sindicato, participou das ações.

Uma das formas de luta ficou conhecida como “Empate às derrubadas”. Nela, os seringueiros explicavam aos contratados pelos pecuaristas para desmatar, a importância das florestas para suas famílias, convidava-os a se tornarem seringueiros e desmontavam seus acampamentos, impedindo o desmate.

Empates às derrubadas. Foto: EBC

 

Várias eram as ações lideradas por Wilson, muitas, grandiosas. E com isso, vários eram os seus inimigos. Em 1980 ele foi assassinado dentro da sede do sindicato. Chico, tomou a liderança das ações.

 

O líder Chico Mendes

Foto: Homero Sérgio/Folha Imagem

 

Chico liderou diversas ações contra o desmatamento, inclusive, Empates às derrubadas. Mas foi quando liderou o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, que suas ações ganharam repercussão nacional e internacional.

Durante o encontro foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e foi proposta a criação da “União dos Povos da Floresta”. Nessa união, índios e seringueiros deveriam se unir, afinal, eles têm o mesmo objetivo: proteger as florestas e sofrem as mesmas pressões. Também foi proposto a criação de Reservas Extrativistas, locais onde a floresta e seus povos seriam respeitados.

A partir daí, pessoas de vários países entraram em contato com Chico, que expôs suas lutas e os problemas locais. Com seu trabalho reconhecido também internacionalmente, Chico ganhou vários prêmios, inclusive o Prêmio Global 500 da ONU.

 

Família

Chico e Ilzamar. Foto: Wikimedia commons

 

Além de grande líder, Chico era um grande pai. Ele possuía três filhos, Ângela, do primeiro casamento, e um casal, Elenira e Sandino, do segundo casamento, com sua esposa Ilzamar.

Chico com seu filho Sandino. Foto: Wikimedia commons

 

Assassinato

Após suas batalhas ganharem repercussão, Chico sofria cada vez mais ameaças de seus inimigos. Infelizmente, no dia 22 de dezembro, uma semana após seu aniversário de 44 anos, ele foi assassinado.

Ele foi morto a tiros de escopeta, no quintal de sua casa, por Darci Alves, que cumpria ordens de seu pai, o fazendeiro Darly Alves. Os assassinos foram condenados a 19 anos de prisão, mas ficaram presos somente 3 anos, quando fugiram. Anos depois foram recapturados.

 

O legado de Chico Mendes permanece vivo!

Foto: Acervo Digital: Dept. de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM/AC

 

Nos anos após sua morte, foram criadas as primeiras Reservas Extrativistas, categoria de Unidade de Conservação que se mantém até hoje. Uma delas, com 931 mil hectares, tem o seu nome: Reserva Extrativista Chico Mendes.

Chico também foi homenageado quase 20 anos depois, quando foi criado o órgão ambiental responsável por gerir todos os tipos de Unidade de Conservação: o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Esse herói nunca será esquecido. Ele sempre será sinônimo de resistência, de defesa de nossos povos e de nossa floresta. Ele sempre será inspiração para todos nós, que seguimos na luta contra o desmatamento, que seguimos lutando pela conservação de nossa biodiversidade.

Hoje, na data em que ele faria aniversário, relembramos a sua história e o seu legado. Assim como Chico nos inspirou a escrever essa matéria, esperamos ter inspirado vocês, com a sua história.

 

Caso queira conhecê-lo melhor, recomendamos o documentário “Eu Quero Viver” (1989), que você encontra neste link:

https://youtu.be/_Ad2UJNRK5E

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Diego Arruda

Bond da Conservação: Dian Fossey

By Bond da Conservação, gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis e heroínas que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar da mãe dos gorilas-da-montanha, mulher que foi fundamental para a conservação desses animais: Dian Fossey!

Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

 

 

Quem foi Dian Fossey? 

Dian Fossey, foi uma norte-americana, nascida na Califórnia em 1932 e já possuía um grande carinho pelos animais desde pequena. Aos 6 anos, inclusive já cursava aulas de equitação. Mas, embora gostasse tanto deles, ela acabou se formando em outra área, Terapia Ocupacional e trabalhou em vários hospitais. 

Ao se mudar para uma fazenda próxima ao hospital que trabalhava na época, ajudou nas atividades que envolviam os animais e a sua paixão por eles, aflorou novamente, principalmente, após o retorno de uma amiga que havia feito uma viagem para África. Isso foi o suficiente para Dian decidir, que precisava viajar e conhecer a diversidade de animais de lá. Determinada, por anos juntou recursos e programou sua primeira viagem. 

Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

 

Conhecendo a África

Em 1963… finalmente, a sua primeira viagem para África! Na verdade, um tour no qual ela visitou vários países. Os dois últimos foram o Congo, onde, 4 anos antes, o zoólogo George Schaller havia feito o primeiro estudo com os gorilas-da-montanha. E a Tanzânia, onde visitou o Louis Leakey, que plantou a semente em seu coração para trabalhar com grandes primatas. Louis contou sobre Jane Goodall e seu trabalho com chimpanzés e também, sobre as ameaças que os grandes primatas sofriam. 

De volta à América do Norte, Dian voltou a trabalhar no hospital. Até que, o destino levou Louis a dar palestras próximo à região em que ela morava. É claro que Dian foi falar com ele e assim surgiu a oportunidade de liderar um projeto com gorilas na África. E aí, o grande trabalho de sua vida começou!

 

Queridos Gorilas 

Em seu primeiro encontro com os gorilas, nas montanhas de Virunga, Dian se apaixonou. Como ela disse em sua autobiografia (livro: Gorillas in the Mist) “Foi sua individualidade combinada com a timidez de seu comportamento que permaneceu a impressão mais cativante desse primeiro encontro com o maior dos grandes macacos”. 

Um tempo depois, iniciou seus estudos na região. Com o passar do tempo, os gorilas foram habituando à sua presença, e ela, ia identificando cada gorila pelas marcas em seu focinho. Foram meses de estudos, interrompidos pela intensificação das questões políticas locais. Dian teve que atravessar a fronteira e mudar o local de estudo para o Parque Nacional dos Vulcões, na Ruanda. 

 

Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

 

 

Centro de Pesquisa Karisoke 

Já em Ruanda, fundou em 1967 o Centro de Pesquisa Karisoke. Seu objetivo era estudar a demografia, organização social e ecologia dos gorilas. E ali, começou novamente o longo processo de habituação com os gorilas que ela havia acabado de conhecer.

Centro de Pesquisa de Karisoke. Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

 

Em 1968, a National Geographic Society enviou o fotógrafo Bob Campbell para registrar seu trabalho com os gorilas e com seus belos registros, os gorilas, antes conhecidos como perigosos, passaram aos poucos a serem vistos como animais gentis. Além disso, Dian passou a ser conhecida por seu incrível trabalho.

Cientista

Uma de suas poucas pausas na vida na África foi em 1970, quando se matriculou no departamento de comportamento animal do Darwin College, Cambridge e estudou até obter o seu doutorado. Ela sentia que precisava de uma formação adequada na área para realizar o seu trabalho. 

Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

Ameaças aos gorilas

As ameaças aos gorilas ficaram cada vez mais claras. Uma delas eram os caçadores furtivos que colocavam armadilhas no chão, para capturar principalmente antílopes e búfalos, mas que também pegavam os gorilas. Com os gorilas, os caçadores vendiam sua carne ou souvenirs, como cinzeiros feitos das mãos. Ou ainda, vendiam seus filhotes. Outra, eram os criadores de gados, que frequentemente os levavam para o Parque. 

Para combatê-los, Dian tentava de tudo, inclusive enfrentamento cara-a-cara, o que a levou a fazer vários inimigos. Na tentativa de estimular que os guarda-parques também ajudassem, fiscalizando, ela fornecia botas e outros equipamentos de trabalho.

Dian com os filhotes Pucker Puss e Coco. Vinte gorilas de sua família foram mortos para que os filhotes fossem capturados e vendidos. Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

Todo o esforço não foi suficiente para os caçadores pararem. Inclusive, um dos gorilas mais queridos por ela, o Digit (nome dado devido a um dedo machucado em sua mão), foi esfaqueado e morto. Ele era um dos gorilas mais fotografados por Bob e podemos falar, que era bem conhecido pelo mundo! Sua morte gerou comoção para a causa. E então, Dian criou o Digit Fund para arrecadar dinheiro para ações contra caça-furtiva e outras ameaças. Mais tarde, esse fundo passou a ser chamado de Dian Fossey Gorilla Fund.

 

Livro “Gorillas in the Mist” 

Uma outra pausa em sua vida com os gorilas foi em 1980, quando mudou-se para Nova York, trabalhando como professora visitante associada da Universidade Cornell. Lá, aproveitou para escrever sobre seu trabalho com os gorilas, em seu livro publicado 3 anos depois: Gorillas in The Mist.

Dian e seu livro Gorillas in The Mist. Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

Assassinato 

Após voltar à Ruanda, Dian foi assassinada em sua cabana, com seus quase 54 anos. Infelizmente, o crime tratado como uma vingança pessoal, nunca foi solucionado. Ela foi enterrada ao lado de seus amigos gorilas.

Túmulo de Dian (e de Digit). Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

Em Ruanda, Dian ficou conhecida como Nyiramacibili, a “mulher que vive sozinha na floresta”. E em todo o mundo, ficou conhecida como a mulher que deu tudo de si pela conservação dos gorilas. Uma mulher fantástica, uma conservacionista nata, cheia de determinação, princípios e empatia por esses gigantes da montanha. Uma fonte de inspiração para todos nós! 

Felizmente, nós ainda podemos ajudar suas ações, doando para o Dian Fossey Gorilla Fund. O fundo destina recursos para a proteção dos gorilas e para a educação e sensibilização para a causa das pessoas que moram próximas a eles. 

Caso queira conhecê-la ainda melhor, Dian foi tema do filme: A Montanha dos Gorilas (1988). Caso você não tenha assistido, nós recomendamos, vale muito a pena!

 

 

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

 

Bond da Conservação: David Attenborough

By Aquecimento Global, Bond da Conservação, Conservação, Datas comemorativas

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

O blog de hoje com certeza vai encher de ternura os corações de muita gente que cresceu vendo os documentários desse gigante. Vamos falar sobre um ambientalista que ao 96 anos não cansa de nos surpreender. E que, após pouco mais de quatro horas de sua primeira postagem no Instagram, atingiu a incrível marca de um milhão de seguidores. Já sabem de que estrela estamos falando?

Ninguém mais, ninguém menos, que David Attenborough.

 

David Attenborough

Imagem: BBC Studios/Alex Board

 

David Attenborough e a comunicação científica

David Attenborough nasceu no dia 8 de maio de 1926 na Inglaterra.  Ainda criança adquiriu uma enorme admiração pela natureza. 

 

David Attenborough fotografado ao lado do jovem príncipe Charles e da princesa Anne

Attenborough produz programas sobre animais desde os anos 1950. Nesta foto, ele mostra uma cacatua para um jovem príncipe Charles (no meio) e sua irmã, a princesa Anne. Imagem: GETTY IMAGES

 

David foi um colecionador ávido de tudo relacionado ao meio natural em sua infância, desde fósseis a espécimes vivos.  Anos mais tarde se formou em Ciências Naturais na Universidade de Cambridge. E na década de 50, começou a apresentar programas de TV sobre o reino animal, ingressando na BBC em 1952.

Em 1979, David lançou o que veio a ser um dos maiores destaques na sua carreira. Life on Earth, uma série de 13 episódios que revolucionou pela complexidade técnica e escala. A série foi um sucesso, assistida por aproximadamente 500 milhões de pessoas do mundo todo. 

Mesmo antes da existência das redes sociais, um dos episódios da série, que relata o encontro de Attenborough com um grupo de gorilas da montanha em Ruanda, viralizou, ocupando o 12º lugar em uma pesquisa de 1999, sobre os 100 melhores momentos da TV.

 

David Attenborough em seu encontro com gorilas. Imagem: John Sparks

 

Apesar de um pouco atrasado neste aspecto, em 2005, David passou a se posicionar publicamente em relação às mudanças climáticas. E em 2006, produziu dois documentários para a TV sobre elas.

“Desde que fiz o primeiro programa de televisão, há três vezes mais pessoas no planeta do que antes, e agora estamos percebendo o dano terrível que causamos”, disse ele à BBC.

“Cada respiração nossa, cada garfada de comida que comemos, vem do mundo natural em última instância e, se o danificarmos, prejudicamos a nós mesmos.”

 

David Attenborough em frente a uma multidão no festival Glastonbury em junho de 2019

David Attenborough é querido por jovens: no ano passado, foi recebido como uma estrela de rock durante sua aparição surpresa no festival de música Glastonbury. Imagem: GETTY IMAGES

 

O reconhecimento

Toda uma vida dedicada ao mundo natural não poderia passar despercebida. Além de ser uma inspiração para muitos ambientalistas mundo afora, David recebeu prêmios de vários governos e instituições, dezenas de títulos honorários de universidades em todo o mundo e tem seu nome em 20 espécies, incluindo um dinossauro, o Attenborosaurus conybeari (uma criatura marítima).

 

O esqueleto fossilizado de um dinossauro batizado em homenagem a David Attenborough

Esta espécie de dinossauro aquático batizadas com o nome de Attenborough. Imagem: BBC

 

David Attenborough no livro dos recordes 

Em 2020, David Attenborough entrou para o livro dos recordes ao criar uma conta no Instagram e atingir a meta de um milhão de seguidores em apenas 4h e 44 minutos.  Com esse tempo, bateu o record de David Beckham, Jennifer Aniston, Príncipe Harry e o Papa Francisco.

Em sua primeira postagem, David fez um vídeo de alerta abordando os desafios e importância de salvar o planeta afirmando ainda que “Salvar nosso planeta é agora um desafio de comunicação”.

Em pouco mais de um mês, o perfil de David bateu 6 milhões de seguidores. Vale ressaltar que o Instagram é uma rede social que atinge majoritariamente o público jovem e que David já passou dos seus 95 anos bem vividos. 

 

Sir David Attenborough

David Attenborough em sua primeira publicação no Instagram. Imagem: BBC

 

O que temos a concluir sobre esse bom senhor? Que ele fez, faz e fará a diferença na vida de muita gente!

Obrigada David, por toda inspiração, dedicação e por nós fazer apaixonar cada vez mais pelo nosso planeta e sua exuberante natureza!