Category

Notícias

Green Nation exibe e premia obras com temática ambiental em São Paulo

By | Conservação, Meio Ambiente, Notícias | No Comments

A Mostra Competitiva Green Nation divulga, exibe e premia obras produzidas em qualquer parte do mundo com temática ambiental, de sustentabilidade ou inovação social em três categorias: Filmes (Animação, Ficção e Documentário), Fotografia e Ilustração. O evento gratuito acontecerá em São Paulo, no Pavilhão das Culturas Brasileiras do Parque Ibirapuera de 25 a 31 de março de 2019.

Organizada pela Green Nation – em parceria com a Wildlife Conservation Film Festival, Anima Mundi, ISWA e Urban Arts – a mostra irá exibir o Festival Anual de filmes de Natureza e Conservação Ambiental, com obras de diversos países e com direito à presença de diretores para um bate-papo. Os participantes podem acompanhar palestras com vivências, tendências e casos de sucesso.

O Onçafari, um de nossos clientes, estará presente no evento com uma palestra para apresentar o trabalho de conservação com onças-pintadas e lobos-guarás no dia 29, às 14h.

Além disso, instalações interativas de realidade virtual. Será possível sobrevoar rios em uma asa-delta, mergulhar de submarino em diferentes oceanos, viajar no tempo em uma nave espacial para trazer códigos genéticos de espécies extintas, visitar a Estação Comandante Ferraz na Antártica, são algumas das opções.

Você vai viver experiências transformadoras em temas como água, reciclagem, alimentação, inovação, tecnologia e muito mais. Uma inspiradora maneira de refletir sobre o mundo que temos e aquele que queremos construir.

Para quem deseja participar da mostra e concorrer ao troféu de ganhador, o envio de obras pode ser feito até dia 24 de março pelo site da Green Nation. As melhores obras serão expostas no Pavilhão das Culturas Brasileiras Durante o período do evento.

No final do Evento, no dia 31 de março, os troféus da 5a mostra competitiva de conteúdo multimídia serão entregues às melhores produções Fotográficas, de Ilustração, Animação, Documentário e Ficção.

Participe e vote.

Ave ameaçada inspira criação de reserva e modelo de negócio para conservação

By | Animais ameaçados de extinção, Conservação, Notícias, Projetos de conservação | No Comments

Bicudinho-do-brejo fêmea (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

O bicudinho-do-brejo é uma ave ameaçada de extinção que serviu de inspiração para a criação de uma reserva em uma região reconhecida pela ONU como Área Úmida de Importância Internacional e para a criação de um ateliê que usa a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza.

Tudo começou na primavera de 1995, dois ornitólogos, Bianca Reinert e Marcos Bornschein armaram as redes para capturar aves em um brejo no litoral do Paraná. O objetivo era estudar o comportamento do carretão, um pássaro típico da Mata Atlântica. Eles já faziam o trabalho há quatro anos e já conheciam praticamente todas as espécies da região. Foi então que um pequeno passarinho passou por baixo da rede. O animal era diferente de tudo o que eles já haviam observado naquele local. Poderia ser uma descoberta? Era muito difícil, pois ninguém descrevia uma espécie nova de ave no Brasil há muitos anos.

Bicudinho-do-brejo macho (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

Os biólogos começaram uma busca pela ave misteriosa. Mas o animal era tão pequeno que passava entre os buracos da rede ou desviava do obstáculo. Demoraram algumas semanas até conseguirem capturar o bicho. Foi então que veio a confirmação. Eles tinham nas mãos uma espécie de ave que nunca havia sido descrita pela ciência. Reinert e Bornschein descreveram o bicudinho-do-brejo (Formicivora acutirostris), uma ave encontrada em áreas alagadas, endêmica da região meridional litorânea do Paraná e do nordeste de Santa Catarina.

Porém, desde sua descoberta, a espécie já estava ameaçada de extinção. Algumas áreas de habitat foram reduzidas por incêndios, loteamentos e aterros sanitários. Além disso, perturbações por tráfego de barcos durante a época de reprodução, extração de areia das margens dos rios, substituição da vegetação nativa por braquiária (uma grama da África) e a pecuária são outros problemas enfrentados pelo bicudinho.

Mirante da Reserva Bicudinho-do-brejo. Foto: Hudson Garcia/ Reprodução do Facebook

Para tentar mudar essa história, em 2009, Reinert, Bornschein e mais três amigos – Christoph Hrdina, Iracema Suassuna, e Ricardo Lopes (marido de Reinert) – criaram a Reserva Bicudinho-do-brejo em Guaratubá, Paraná. A região foi reconhecida pela ONU como uma Área Úmida de Importância Internacional, em parte devido ao brejo, onde o bicudinho ocorre, funcionar como um filtro para a água dos rios e berçário para peixes e animais aquáticos.

No entanto, em 2016, Bianca não conseguia mais trabalhar no campo por conta de um câncer. Ela começou a fazer colares de argila. Foi quando Ricardo se interessou pelo trabalho e modelou um passarinho de cerâmica. Naquele momento, eles decidiram criar o Ateliê Bicudinho-do-brejo.

Bianca Reinert encontrou na arte uma nova forma de homenagear o bicudinho-do-brejo – Foto: Ricardo Lopes

Com a ideia de utilizar a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza, Bianca e Ricardo passaram a confeccionar peças de cerâmica que remetem à biodiversidade brasileira e o mundo dos animais. “Iniciamos esse trabalho pensando somente na renda que teríamos para ajudar no projeto da reserva. Do valor arrecadado, uma parte fica para o projeto e outra para as despesas do ateliê. Nessa iniciativa sempre fomos eu e ela[Bianca], mas contamos com a ajuda de algumas pessoas que embarcaram nessa jornada com a gente”, conta Lopes. A venda dos produtos é realizada pelas redes sociais e em algumas lojas de aromaterapia.

Para Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário, apoiadora do projeto, negócios também podem e devem gerar formas de conservação da natureza. “Está mais do que na hora de entendermos que a conservação não deve contar apenas com recursos de caráter filantrópico, mas também com recursos privados. No caso do bicudinho, a reserva tem potencial de captar recursos e o ateliê apoia na sensibilização de atores de outras áreas do conhecimento para a causa.”

Bicudinhos-do-brejo de cerâmica são cuidadosamente esculpidos por Ricardo – Foto: Ricardo Lopes

Infelizmente, em setembro de 2018, Bianca faleceu devido à doença. “Ela foi uma lutadora sem igual, uma lição de força, coragem e perseverança, tanto na sua vida pessoal quanto na sua dedicação pela proteção do bicudinho-do-brejo”, escreveu seu marido.

No mesmo ano, a Reserva quase fechou as portas devido a dificuldades financeiras, mas com ações para arrecadar recursos – como venda de artesanato e livros e participações em exposições e eventos – Ricardo conseguiu manter o projeto. Hoje, o marido de Bianca continua na busca de parcerias para continuar a luta pela conservação do bicudinho-do-brejo.

Se você se interessou pelo trabalho com o bicudinho-do-brejo, acesse a campanha de financiamento coletivo Eu Meto o Bico e ajude uma espécie ameaçada de extinção. Mas corra, porque a campanha se encerra no dia 17/03/2019.

Considerada extinta, subespécie de felino raro é vista pela primeira vez em 30 anos

By | Animais ameaçados de extinção, Conservação, Não categorizado, Notícias | No Comments

Considerada uma espécie vulnerável a extinção, a pantera-nebulosa é um dos felinos mais enigmáticos do mundo. Recentemente uma subespécie endêmica da ilha de Taiwan, considerada extinta há mais de 5 anos, não vista desde 1983, a Pantera-nebulosa Formosa (Neofelis nebulosa brachyura) pode ter sido avistada nas dependências da ilha.

Pantera-nebulosa, espécie considerava vulnerável pela IUCN. Fonte: Ltshears (Creative commons)

Em 2013, após mais de 13 anos de pesquisa cientifica com câmeras trap espalhadas pelas florestas de Taiwan, inúmeras armadilhas e horas de campo sem nenhum registro da pantera-nebulosa formosa na ilha, cientistas concluíram que a subespécie podia ser considerada extinta na natureza. Um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Chiang Po-jen, afirma acreditar que alguns animais ainda existam na região, porém em números insignificantes. Chiang afirma ainda :

“Uma floresta com panteras-nebulosas é diferente de uma floresta sem panteras-nebulosas. Uma floresta sem panteras é uma floresta morta”

Porém, alguns aldeões e moradores de regiões remotas de Taiwan dizem ter visto o animal caçando cabras na região e até caminhando próximos à estrada. O diretor do distrito da Floresta Taitung, afirma que tem esperanças de confirmar os boatos, por isso novas pesquisas serão realizadas na área a fim de confirmar cientificamente a existência do felino no local.

Apesar de nao ser vista há décadas, pesquisadores relutam em colocar a espécie oficialmente como extinta.
Foto: Khaled Azam Noor/Shutterstock

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, especialista em manejo e conservação de fauna.

 

Aquecimento global: ursos-polares famintos invadem arquipélago russo

By | Animais ameaçados de extinção, Aquecimento Global, Conservação, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Notícias | No Comments

Ursos-polares famintos reviram o lixo em busca de comida no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia – Foto: The Sun/Reprodução

Ursos-polares invadiram e deixaram a pequena cidade de Belushya Guba, localizada no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia, em estado de emergência. Os animais estavam famintos, reviravam lixeiras e vasculhavam prédios à procura de comida (veja o vídeo do The Guardian abaixo).

Mais de 50 ursos foram avistados na região, deixando os 2.500 moradores do vilarejo assustados e com medo de sair nas ruas e mandar seus filhos para a escola.

Os animais começaram a chegar em dezembro. Cercas foram colocadas ao redor de alguns locais para proteção. No entanto, os ursos não se intimidam mais com policias, cachorros e sirenes que eram utilizados para afastá-los anteriormente.

Especialistas foram enviados ao local para sedar os animais e retirá-los do vilarejo, já que a caça de ursos é proibida na Rússia, e a agência federal de Meio Ambiente negou autorizações para abatê-los. Porém, segundo as autoridades locais, no caso de todas as medidas falharem, o abate pode ser a única solução.

O urso-polar (Ursus maritimus) é considerado vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) e se tornou o grande símbolo na luta dos conservacionistas contra o aquecimento global – Foto: Schliebe, Scott/ Domínio público

Ursos-polares x Aquecimento global

Classificado como vulnerável segundo a Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), o urso-polar sofre cada vez mais com o aquecimento global. Atualmente, o mar congela cada vez mais tarde e derrete cada vez mais cedo. Isso faz com que os animais tenham menos tempo para caçar focas, seu principal alimento.

Com menos tempo sob o gelo, os ursos são forçados a nadar distâncias cada vez maiores até encontrar uma foca descansando na superfície. Com isso, eles perdem mais energia caçando do que ganham ao se alimentarem e são forçados a procurar outras formas de se alimentarem. Esses desequilíbrio energético pode ser fatal e, se o degelo continuar, o destino da espécie pode ser a extinção.

Com dificuldades para conseguir caçar focas, ursos-polares podem morrer de fome – Foto: Andreas Weithpolar/ Creative Commons

Com objetivo de chamar a atenção para os desafios enfrentados pelos ursos-polares num Ártico cada vez mais quente, a Polar Bear International (Urso Polar Internacional) organiza o Dia Internacional do Urso-Polar (International Polar Bear Day), celebrado em 27 de fevereiro.

A ong estimula as pessoas a usar menos energia produzida por combustíveis fósseis porque reduzir as emissões de carbono pode retardar e até impedir o aquecimento global e salvar o gelo marinho que os ursos polares necessitam para caçar com eficiência.

Segundo relatório da ONU sobre as mudanças climáticas, é preciso reduzir nossas emissões de carbono ou as pessoas terão que enfrentar desastres naturais, desde secas e inundações até grandes tempestades. Ou seja, enfrentar o aquecimento global não é só benéfico para nós, mas é essencial para a humanidade.

Muro de Trump trará consequências irreparáveis para o meio ambiente

By | Conservação, Meio Ambiente, Notícias | One Comment

Já existem 56 postos de controle e barreiras em quase 1/3 dos quase 3,2 mil quilômetros da fronteira dos EUA com o México. Esse trecho mostra cerca que separa o povoado de Tijuana, no México (à direita) de San Diego, nos Estados Unidos   – Foto: Domínio Público

O presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, pediu a liberação de US$ 5,7 bilhões (R$ 21,5 bilhões) ao congresso americano (de maioria democrata) para a expansão do muro na fronteira entre o México e os EUA com o objetivo de impedir a entrada de imigrantes ilegais pelo sul do país. Como o plano não foi aprovado, Trump se recusava a assinar qualquer medida que não incluía recursos para o projeto. Esse impasse durou 35 dias, a mais longa paralisação parcial do governo americano na história.

Em janeiro, o presidente cedeu e assinou uma lei que permitia financiar o governo federal até a próxima sexta-feira (15) que não incluía recursos para a construção do muro. Agora, republicanos e democratas fizeram um novo acordo provisório que prevê uma verba de aproximadamente 1,3 bilhões de dólares para construir 88,5 quilômetros de muro, bem longe da proposta inicial do presidente.

Carro da polícia americana faz patrulha beirando o muro na fronteira de EUA e México na dunas de Algodones, Califórnia – Foto: Domínio público

No entanto, além dos problemas de imigração, que estão sendo muito discutidos, uma questão está sendo deixada de lado: Quais as consequências que o muro traria para o meio ambiente?

“Independentemente do que for construído, será prejudicial ao habitat natural” disse Bob Dreher, advogado que lidera os programas de conservação Defenders of Wildlife, em entrevista para a National Geographic

Ameaças ao meio ambiente

Com mais de 3 mil quilômetros a fronteira dos Estados Unidos com o México é uma região rica em biodiversidade que inclui 6 biomas diferentes, composta por desertos, bosques e pântanos de água doce e de água salgada. Os muros representam uma barreira para animais e plantas nativos, aumentam a erosão do solo, alteram os fluxos hídricos naturais e os padrões de queimadas, atuam como represas e causam enchentes durante a temporada de chuvas

As onças-pintadas costumavam andar pelas margens do Rio Grande, mas praticamente desapareceram do Texas: en:User:Cburnett/Creative Commons

Cerca de 115 espécies encontradas nos EUA ficariam separadas de 50% ou mais de seu habitat ao sul da fronteira, segundo artigo da revista científica Bioscience. Essa divisão física separa populações, limita a capacidade de animais circularem para procurar alimentos, água e parceiros. Além disso, o muro impede que animais selvagens escapem de queimadas, inundações ou ondas de calor e atrapalham migrações de mamíferos que circulam entre os dois países.

A impossibilidade de cruzar a fronteira fragmentou populações de antilocapras e diminuiu as chances de restabelecimento das colônias de lobos-cinzentos, onças-pintadas e jaguatiricas no lado norte-americano. Chris Bugbee, pesquisador sênior do CATalyst, disse na página do grupo no Facebook. “Se alguma vez existisse uma barreira física sólida que abrangesse toda a fronteira, como planejado por nossa atual administração, seria game over para onças-pintadas e jaguatiricas neste país. Esse destino é inaceitável.”

A construção do muro pode levar à extinção da jaguatirica nos EUA – Foto: United States Fish and Wildlife Service/ Domínio público

A limitação da migração também impacta a dispersão de sementes de algumas espécies e, em alguns casos, a germinação ficaria prejudicada, já que algumas sementes  precisam passar pelo sistema digestório de animais para se desenvolver.

Presidente dos EUA, Donald Trump, visitando protótipos de muro de fronteira em San Diego em março de 2018 – Foto: Domínio público

Acreditava-se que o Rio Gande, a fronteira oficial entre México e EUA era um obstáculo natural à construção de uma barreira. O canal do rio muda de tempos em tempos e, caso os EUA optassem por construir o muro ao norte, cederiam o controle das terras que ficariam ao sul para o México, isolando propriedades de cidadãos americanos do lado do país vizinho.

Mas esse pensamento mudou e o congresso já aprovou verba para o inicio das obras ao norte do rio. As propostas incluem muros que irão atravessar sete áreas de preservação de vida selvagem no Texas. O Centro Nacional de Borboletas do estado foi notificado de que o muro irá colocar 70% do santuário do lado mexicano.

Mas a principal ameaça é que a construção do muro não precisa atender as exigências de mais de 30 das leis ambientais mais rigorosas dos EUA. A Lei das Espécies em Extinção, a Lei Nacional de Políticas Ambientais, a Lei do Ar Puro e a Lei da Água Limpa não se aplicam nesse caso graças à Lei REAL ID, aprovada pelo Congresso Americano em 2005 em resposta aos ataques terroristas de 11/09. Ela autoriza o Departamento de Segurança Interna a deixar de cumprir qualquer lei em nome da segurança nacional.

Janet Napolitano, ex-governadora do estado de Arizona e secretária de Segurança Interna do Presidente Barack Obama, ficou famosa por sua declaração: “Mostre-me um muro de 15 metros que lhe mostrarei uma escada de 16 metros”. Na foto, dois homens escalam a cerca da fronteira entre México e EUA em Douglas, Arizona – Foto: Domínio público

Instituto de Sebastião Salgado já recuperou 2000 nascentes no Vale do Rio Doce

By | Conservação, Educação ambiental, Notícias | 34 Comments

Fazenda Bulcão, antes (2001), e depois de ser transformada em RPPN e passar por reflorestamento com plantas nativas da Mata Atlântica (2019) – Foto: Facebook do Instituto Terra

1998. Aimorés, Minas Gerais. O casal Sebastião Salgado e Lélia Wanick estava muito triste com o cenário de degradação ambiental em que se encontrava a antiga fazenda da família. Na Fazenda Bulcão, o córrego havia secado, restavam pouquíssimas árvores, o solo era pobre e os animais já não frequentavam o lugar. “Era tão degradante. Nós ficamos tão tristes e nós choramos”, comenta Lélia durante uma entrevista ao programa Sempre um Papo. “Ali, naquela hora me veio uma ideia que, francamente, acho que foi a melhor ideia que eu tive na minha vida. Eu falei: vamos plantar uma floresta aqui! A gente fechou o olho e viu tudo verdinho. Sebastião, na mesma hora, adorou a ideia e a gente começou a trabalhar pra ver como a gente ia plantar essa floresta.”

Eles mobilizaram parceiros, captaram recursos e fundaram o Instituto Terra, uma organização com a missão de contribuir para o processo de recuperação ambiental e o desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica, em especial na região do Vale do Rio Doce.

Lélia Wanick e Sebastião Salgado na RPPN Fazenda Bulcão – Foto: Facebook do Instituto Terra

Desde o início, o instituto tinha o objetivo de despertar a conscientização ambiental sobre a necessidade de restaurar e conservar a floresta. “Nós destruímos tudo. Hoje nós não temos mata ciliar, nós não temos cobertura que permita as nascentes sobreviverem… Não tem milagre! Se a gente quiser sobreviver na sociedade que temos hoje, nós temos que refazer uma parte do que nós destruímos”, diz Salgado em uma entrevista ao programa Sempre um Papo.

Eles transformaram a propriedade da família na Reserva Natural do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Bulcão, com 609 hectares. As primeiras mudas foram plantadas em dezembro de 1999 e, ano após ano, com o apoio de associados, foi possível plantar mais de dois milhões de árvores de mais de 290 espécies nativas da Mata Atlântica. Com a restauração da cobertura vegetal, voltaram os cursos d’água e os animais.

RPPN Fazenda Bulcão – Foto: Facebook do Instituto Terra

Dessa iniciativa surgiu o Programa Olhos D’Água que tem o objetivo de resgatar os recursos hídricos da Bacia do Rio Doce. Aproximadamente 2 mil nascentes foram recuperadas. 1.022 famílias de pequenos produtores rurais receberam gratuitamente assistência técnica, materiais para construção de cercas e para a instalação de miniestações de tratamento de esgoto, além de mudas para reflorestamento das áreas.

Com ações de reflorestamento no Vale do Rio Doce, o instituto plantou 6 milhões de mudas de árvores de aproximadamente 300 espécies nativas da Mata Atlântica e recuperou uma área de 21,1 milhões de metros quadrados, o equivalente à soma de 2.995 campos de futebol. A maior parte dessas mudas foi produzida no viveiro do próprio instituto, que tem capacidade de produzir 1 milhão de mudas por ano.

Logo do Instituto Terra – Foto: Facebook do Instituto Terra

Eles também criaram o Centro de Educação e Recuperação Ambiental (CERA), onde mais de 70 mil pessoas (professores, alunos, produtores rurais, técnicos agrícolas, ambientais e florestais) já receberam algum tipo de treinamento da ONG desde sua fundação.

O Instituto Terra transformou uma antiga fazenda de gado, totalmente degradada, em uma floresta rica, onde as nascentes voltaram a jorrar e os animais conseguem achar abrigo. Sebastião e Lélia mostraram ao mundo que é possível recuperar a Mata Atlântica. Só depende de nós.

Rompimento de barragem da Vale no MS traria danos irreversíveis ao Pantanal

By | Desastre Ambiental, Notícias | One Comment

Pantanal do Mato Grosso do Sul pode ser atingido por rejeitos de mineração em caso de rompimento de barragem de Gregório, em Corumbá – Foto: Paul Williams/ Creative Commons

A barragem de Gregório está localizada em Corumbá (MS), possui capacidade de 9,3 milhões de m³ de rejeitos de minério de ferro e, em caso de rompimento, traria prejuízos permanentes ao Pantanal. “Muitos danos seriam irreversíveis, principalmente, aos recursos hídricos da região,” diz, Ricardo Eboli Gonçalves Ferreira, diretor-presidente do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) em entrevista à Campo Grande News.

A barragem de Gregório pertence à Vale, é a maior barragem do Pantanal e é classificada com potencial de dano alto pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e é similar à de Brumadinho (MG), que rompeu na última sexta-feira (25) e tinha capacidade de 12 milhões de m³.

A barragem de Gregório fica localizada na região do Morro do Urucum, em Corumbá (MS) – Foto: Reprodução/Google Maps

Além de Gregório, existem duas outras barragens classificadas na categoria “dano potencial alto” pela ANM porque um possível rompimento poderia atingir até 250 pessoas em áreas rurais e prejudicaria a fauna e a flora do Pantanal.

Na segunda-feira (28), o Imasul anunciou a formação de um grupo de trabalho – composto por agentes e técnicos do Ibama, ANM, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental e Defesa Civil – que tem o objetivo de fiscalizar todas as barragens de rejeitos do estado.

Após o que ocorreu em Brumadinho, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de MS quer se certificar que às barragens em Corumbá não correm risco de provocar uma tragédia de grandes proporções e espera que a vistoria tranquilize o Estado e a comunidade que vive no local.

Barragem fica a 22km do Rio Paraguai, e menos de 20km das regiões alagadas do Pantanal de Corumbá. – Fonte: Reprodução Google Maps

Nova barragem de rejeitos se rompe em Minas Gerais, resíduos podem ir para Rio São Francisco

By | Notícias | No Comments

Uma barragem da mineradora Vale, se rompeu nesta sexta-feira (25/01/19) novamente no estado de Minas Gerais, na cidade de Brumadinho, próxima a Belo Horizonte.

Em nota da Agência Brasil, a empresa Vale do Rio Doce, liberou uma nota à pouco dizendo:

As primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Ainda não há confirmação se há feridos no local. A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens

Imagem do rompimento da barragem. Fonte: Corpo de bombeiros/divulgação

 

Os dejetos do reservatório de rejeitos de minério foi todo despejado no Rio Paraopeba, que deságua no Rio São Francisco. Ainda não se tem muitas notícias do ocorrido, porém os danos ambientais serão catastróficos. O rompimento ocorre pouco mais de 4 após o rompimento da barragem de Mariana, considerado o maior acidente ambiental de todos os tempos no Brasil, e até hoje sem punição para os envolvidos.

Imagem do rompimento da barragem de Brumadinho. Fonte: redes sociais.

 

Fragata-de-trindade: a luta para salvar uma espécie criticamente ameaçada de extinção

By | Conservação, Notícias | No Comments

 

Fragata-de-trindade (Fregata trinitatis). Com uma população de menos de 30 indivíduos, a espécie endêmica da Ilha da Trindade está criticamente ameaçada de extinção – Foto: Divulgação

Na remota Ilha da Trindade, no Espírito Santo, as últimas aves da espécie Fregata trinitatis lutam pela sobrevivência. Nos últimos 500 anos navegadores que utilizavam o local como ponto de parada entre a América e a África queimaram árvores e trouxeram animais como ratos, cabras e porcos. A vegetação foi destruída, as aves terrestres que dependiam de plantas para a alimentação foram totalmente extintas. A fragata-de-trindade se alimenta de peixes e é capaz de voar grandes distâncias sem pousar em terra firme, por isso conseguiu resistir. O problema é que ela depende de árvores para se reproduzir. Sem um lugar para construir ninhos, a população começou a diminuir. Hoje existem menos de 30 indivíduos e a espécie se encontra criticamente ameaçada de extinção.

Para tentar mudar essa história, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, desenvolveram ninhos artificiais com uma plataforma para as aves pousarem e colocarem gravetos. Eles serão instalados na Ilha da Trindade em postes que irão simular o papel das árvores. Alguns dos ninhos terão fragatas-de-trindade empalhadas e emitirão sons da espécie acasalando para estimular a reprodução das aves reais.

A ideia é que as fragatas se sintam atraídas pelos sons, cheguem perto para investigar, vejam as aves empalhadas e percebam que elas podem utilizar os postes para a construção de ninhos sem nenhum problema.

Aves empalhadas serão utilizadas em alguns ninhos artificiais para tentar fazer com que as fragatas-de-trindade reais usem os ninhos artificiais – Foto: Patrícia Serafini

Projetos com ninhos artificiais para fragatas já tiverem sucesso em outras partes do mundo, mas essa é a primeira tentativa no Brasil. Para a analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, Patricia Serafini, essa pode ser a última chance da espécie. “Nós precisávamos de uma estratégia rápida e acabamos optando pelos ninhos artificiais. É a primeira vez que esse projeto é testado no país, então, ainda não sabemos qual será a taxa de eficiência. Iremos adaptar de acordo com o comportamento das aves”, explica.

Outras aves como a fragata-grande, a noivinha, o petrel-de-trindade e o atobá-de-pé-vermelho também serão beneficiadas pelo programa. Para a pesquisadora, a forma ideal de garantir a continuidade das espécies seria por meio de uma restauração da vegetação natural, com translocação de mudas. Porém, o processo poderia demorar décadas e só estaria pronto quando as aves possivelmente já estivessem extintas. Mesmo assim, enquanto ornitólogos tratam das aves, botânicos e outros cientistas trabalham na recuperação da flora local, com a transposição de mudas para as ilhas. Segundo Serafini, as cabras foram retiradas da região em 2005, mas outras espécies invasoras, como os ratos, ainda são um desafio.

Para uma recuperação total é preciso proteger a vida marinha ao redor das ilhas. Hoje o arquipélago é uma Área de Proteção Ambiental, restringindo a pesca em determinadas regiões consideradas essenciais para o desenvolvimento das espécies, visando um equilíbrio ecológico. Atualmente, as atividades na região são fiscalizadas pela Marinha brasileira.

De acordo com o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Robson Capretz, ações de conservação da ilha já foram iniciadas no passado, mas no momento são necessárias estratégias para garantir a presença das espécies endêmicas no futuro. “Trabalhar com ilhas é super importante porque o fato de estarem isoladas pelo mar torna aqueles ecossistemas muito frágeis. Por isso, um grande trabalho de fiscalização deve ser feito por governo, Marinha e pesquisadores, para proteger esses ecossistemas nas unidades de conservação recém-criadas. Ainda assim é preciso fazer um diagnóstico da vegetação, dos ninhos e das aves para garantir a reprodução e a sobrevivência das espécies”, ressalta.

Essa iniciativa é essencial para melhorar a situação das fragatas-de-trindade e retirar a espécie da categoria criticamente ameaçada de extinção. Estamos torcendo para dar certo.

Plástico é encontrado em todas as espécies de tartarugas marinhas

By | Conservação, Notícias | No Comments

Todas as tartarugas marinhas possuem microplásticos em seus organismos – Foto: Domínio Público

Um estudo realizado pela Universidade de Exeter, Laboratório Marinho de Plymouth e Greenpeace apontou que partículas sintéticas com menos de 5 mm de comprimento (incluindo microplásticos) estão presentes em todas as espécies de tartarugas marinhas do planeta. 102 indivíduos encontrados nos oceanos Atlântico, Pacífico e Mediterrâneo foram analisados.

Mais de 800 partículas sintéticas foram encontradas, mas os pesquisadores testaram apenas parte do intestino de cada animal – então, estima-se que o número total de partículas seja cerca de 20 vezes maior.

“O efeito dessas partículas sobre as tartarugas é desconhecido”, diz a autora principal do estudo, Emily Duncan, do Centro de Ecologia e Conservação do Campus Penryn, na Universidade de Exeter, na Cornualha.“Seu pequeno tamanho significa que elas podem passar pelo intestino sem causar um bloqueio, como é frequentemente relatado com fragmentos maiores de plástico”, conta a pesquisadora. “No entanto, o trabalho futuro deve se concentrar em saber se os microplásticos podem afetar os organismos aquáticos de forma mais sutil. Por exemplo, eles podem possivelmente conter contaminantes, bactérias ou vírus, ou podem afetar a tartaruga em nível celular ou subcelular. Isso requer mais investigação.”

Penelope Lindeque, do Laboratório Marinho de Plymouth, alerta: “No nosso trabalho ao longo dos anos, encontramos microplásticos em quase todas as espécies de animais marinhos que observamos; de minúsculos zooplânctons na base da teia alimentar passando por larvas de peixes, golfinhos e agora tartarugas. Este estudo fornece mais evidências de que todos nós precisamos ajudar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos liberados em nossos mares e manter oceanos limpos, saudáveis ​​e produtivos para as gerações futuras”.

O perigo do plástico não se restringe às micropartículas. Um relatório elaborado pela Proteção Animal Mundial alerta para uma ameaça cada vez mais comum nos oceanos, a pesca fantasma.