Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis e heroínas que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar da mãe dos gorilas-da-montanha, mulher que foi fundamental para a conservação desses animais: Dian Fossey!

Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

 

 

Quem foi Dian Fossey? 

Dian Fossey, foi uma norte-americana, nascida na Califórnia em 1932 e já possuía um grande carinho pelos animais desde pequena. Aos 6 anos, inclusive já cursava aulas de equitação. Mas, embora gostasse tanto deles, ela acabou se formando em outra área, Terapia Ocupacional e trabalhou em vários hospitais. 

Ao se mudar para uma fazenda próxima ao hospital que trabalhava na época, ajudou nas atividades que envolviam os animais e a sua paixão por eles, aflorou novamente, principalmente, após o retorno de uma amiga que havia feito uma viagem para África. Isso foi o suficiente para Dian decidir, que precisava viajar e conhecer a diversidade de animais de lá. Determinada, por anos juntou recursos e programou sua primeira viagem. 

Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

 

Conhecendo a África

Em 1963… finalmente, a sua primeira viagem para África! Na verdade, um tour no qual ela visitou vários países. Os dois últimos foram o Congo, onde, 4 anos antes, o zoólogo George Schaller havia feito o primeiro estudo com os gorilas-da-montanha. E a Tanzânia, onde visitou o Louis Leakey, que plantou a semente em seu coração para trabalhar com grandes primatas. Louis contou sobre Jane Goodall e seu trabalho com chimpanzés e também, sobre as ameaças que os grandes primatas sofriam. 

De volta à América do Norte, Dian voltou a trabalhar no hospital. Até que, o destino levou Louis a dar palestras próximo à região em que ela morava. É claro que Dian foi falar com ele e assim surgiu a oportunidade de liderar um projeto com gorilas na África. E aí, o grande trabalho de sua vida começou!

 

Queridos Gorilas 

Em seu primeiro encontro com os gorilas, nas montanhas de Virunga, Dian se apaixonou. Como ela disse em sua autobiografia (livro: Gorillas in the Mist) “Foi sua individualidade combinada com a timidez de seu comportamento que permaneceu a impressão mais cativante desse primeiro encontro com o maior dos grandes macacos”. 

Um tempo depois, iniciou seus estudos na região. Com o passar do tempo, os gorilas foram habituando à sua presença, e ela, ia identificando cada gorila pelas marcas em seu focinho. Foram meses de estudos, interrompidos pela intensificação das questões políticas locais. Dian teve que atravessar a fronteira e mudar o local de estudo para o Parque Nacional dos Vulcões, na Ruanda. 

 

Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

 

 

Centro de Pesquisa Karisoke 

Já em Ruanda, fundou em 1967 o Centro de Pesquisa Karisoke. Seu objetivo era estudar a demografia, organização social e ecologia dos gorilas. E ali, começou novamente o longo processo de habituação com os gorilas que ela havia acabado de conhecer.

Centro de Pesquisa de Karisoke. Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

 

Em 1968, a National Geographic Society enviou o fotógrafo Bob Campbell para registrar seu trabalho com os gorilas e com seus belos registros, os gorilas, antes conhecidos como perigosos, passaram aos poucos a serem vistos como animais gentis. Além disso, Dian passou a ser conhecida por seu incrível trabalho.

Cientista

Uma de suas poucas pausas na vida na África foi em 1970, quando se matriculou no departamento de comportamento animal do Darwin College, Cambridge e estudou até obter o seu doutorado. Ela sentia que precisava de uma formação adequada na área para realizar o seu trabalho. 

Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

Ameaças aos gorilas

As ameaças aos gorilas ficaram cada vez mais claras. Uma delas eram os caçadores furtivos que colocavam armadilhas no chão, para capturar principalmente antílopes e búfalos, mas que também pegavam os gorilas. Com os gorilas, os caçadores vendiam sua carne ou souvenirs, como cinzeiros feitos das mãos. Ou ainda, vendiam seus filhotes. Outra, eram os criadores de gados, que frequentemente os levavam para o Parque. 

Para combatê-los, Dian tentava de tudo, inclusive enfrentamento cara-a-cara, o que a levou a fazer vários inimigos. Na tentativa de estimular que os guarda-parques também ajudassem, fiscalizando, ela fornecia botas e outros equipamentos de trabalho.

Dian com os filhotes Pucker Puss e Coco. Vinte gorilas de sua família foram mortos para que os filhotes fossem capturados e vendidos. Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

Todo o esforço não foi suficiente para os caçadores pararem. Inclusive, um dos gorilas mais queridos por ela, o Digit (nome dado devido a um dedo machucado em sua mão), foi esfaqueado e morto. Ele era um dos gorilas mais fotografados por Bob e podemos falar, que era bem conhecido pelo mundo! Sua morte gerou comoção para a causa. E então, Dian criou o Digit Fund para arrecadar dinheiro para ações contra caça-furtiva e outras ameaças. Mais tarde, esse fundo passou a ser chamado de Dian Fossey Gorilla Fund.

 

Livro “Gorillas in the Mist” 

Uma outra pausa em sua vida com os gorilas foi em 1980, quando mudou-se para Nova York, trabalhando como professora visitante associada da Universidade Cornell. Lá, aproveitou para escrever sobre seu trabalho com os gorilas, em seu livro publicado 3 anos depois: Gorillas in The Mist.

Dian e seu livro Gorillas in The Mist. Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

Assassinato 

Após voltar à Ruanda, Dian foi assassinada em sua cabana, com seus quase 54 anos. Infelizmente, o crime tratado como uma vingança pessoal, nunca foi solucionado. Ela foi enterrada ao lado de seus amigos gorilas.

Túmulo de Dian (e de Digit). Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

Em Ruanda, Dian ficou conhecida como Nyiramacibili, a “mulher que vive sozinha na floresta”. E em todo o mundo, ficou conhecida como a mulher que deu tudo de si pela conservação dos gorilas. Uma mulher fantástica, uma conservacionista nata, cheia de determinação, princípios e empatia por esses gigantes da montanha. Uma fonte de inspiração para todos nós! 

Felizmente, nós ainda podemos ajudar suas ações, doando para o Dian Fossey Gorilla Fund. O fundo destina recursos para a proteção dos gorilas e para a educação e sensibilização para a causa das pessoas que moram próximas a eles. 

Caso queira conhecê-la ainda melhor, Dian foi tema do filme: A Montanha dos Gorilas (1988). Caso você não tenha assistido, nós recomendamos, vale muito a pena!

 

 

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

 

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