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Bond da Conservação: quem é Carla Sássi e o GRAD Brasil

Carla Sássi é a presidente e fundadora do GRAD Brasil, uma das principais referências brasileiras na resposta a animais em desastres. Ao longo dos anos, ela ajudou a transformar uma pauta frequentemente invisível em protocolos, legislação e operações de campo nas maiores tragédias socioambientais do país.

Neste especial do Bond da Conservação, você conhece a história da mulher que ajudou a transformar a resposta a animais em desastres em uma frente organizada no Brasil. Uma jornada feita de técnica, coragem, indignação, política pública e uma convicção difícil de dobrar: quando um desastre acontece, não há distinção, todas as vidas importam igualmente.

Quem é Carla Sássi?

Carla Maria Sássi de Miranda, é médica-veterinária, bacharel em Direito, bombeira civil, ativista da causa animal e uma das principais referências brasileiras na resposta a animais em desastres.

Sua trajetória reúne experiência em clínica médica, resposta emergencial, gestão ambiental, proteção animal, resgate de fauna e atuação política, incluindo um mandato como vereadora em Conselheiro Lafaiete (MG) e a fundação do GRAD Brasil em 2011.

Ao longo dos anos, seu nome passou a ser associado a grandes operações em tragédias brasileiras, mas também à construção de uma agenda mais ampla, que relaciona proteção animal, saúde coletiva, segurança das comunidades e defesa ambiental.

No centro dessa trajetória está uma ideia fundamental: animais não são elementos secundários em situações de crise. Eles fazem parte das famílias, das paisagens, dos ecossistemas, das economias locais e dos vínculos afetivos que sustentam a vida de muitas comunidades.

Legenda: Carla Sássi durante palestra no Primeiro Congresso Estadual de Combate à Crueldade Animal, realizado no Rio de Janeiro em 25 de abril.
Fonte: Acervo GRAD Brasil

A formação de Carla abrange Medicina Veterinária, bacharelado em Direito e especializações em clínica e cirurgia de animais silvestres, gestão ambiental e resgate de fauna. Ela também é bombeira civil, credencial que amplia sua atuação em cenários de risco e protocolos de segurança em campo.

Na prática, essa formação múltipla permitiu que Carla desenvolvesse uma leitura rara sobre os desastres. Para atuar em cenários extremos, não basta saber tratar ferimentos ou retirar animais de áreas de risco, é preciso compreender protocolos, logística, legislação, comportamento animal, biossegurança, articulação com órgãos oficiais e, muitas vezes, o sofrimento humano que acompanha a perda ou separação de um animal.

Essa visão também se aproxima do conceito de Saúde Única, que considera a conexão entre saúde humana, saúde animal e saúde ambiental. Em um país cada vez mais afetado por enchentes, queimadas, rompimentos de barragens, deslizamentos e outros eventos extremos, essa abordagem se tornou indispensável.

O ativismo como essência

Na biografia de Carla Sássi, o ativismo não aparece como um detalhe da trajetória. Ele é a própria força que organiza sua atuação pública.

Sua paixão pela causa animal atravessa diferentes frentes: o atendimento veterinário, a resposta em campo, a defesa de políticas públicas, o controle populacional de cães e gatos, o combate a zoonoses, a proteção da fauna silvestre e a presença em grandes tragédias socioambientais.

Mas não se trata de um ativismo apenas discursivo. Em Carla, a defesa dos animais ganhou forma operacional, técnica e política. Sua indignação diante do abandono, do sofrimento e da invisibilidade dos animais em cenários de crise foi transformada em método, equipe, protocolo, instituição e incidência pública.

É justamente aí que sua trajetória ganha força para a conservação. Carla ajudou a mostrar que defender animais não é um gesto isolado de compaixão. É também um campo de saúde pública, gestão de riscos, justiça ambiental, proteção da biodiversidade e responsabilidade social.

O ponto de virada: a tragédia da Região Serrana

Um marco decisivo na trajetória de Carla Sássi ocorreu em 2011, durante a tragédia provocada pelas fortes chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Naquele contexto, Carla organizou uma mobilização saindo de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, para auxiliar pessoas e animais em Nova Friburgo. A ação, que inicialmente parecia uma resposta pontual, prolongou-se por semanas, resultou no resgate de mais de 200 animais e evidenciou a inexistência de protocolos oficiais para fauna em desastres no Brasil.

A experiência teve efeito fundador. Ao chegar em uma região devastada, Carla e os voluntários que a acompanhavam se depararam com uma realidade dura: o Brasil não tinha estruturas permanentes e especializadas para atender animais em situações de desastre.

Havia animais feridos, perdidos, ilhados ou separados de suas famílias. Havia tutores desabrigados, comunidades traumatizadas e uma ausência quase completa de protocolos voltados à fauna, aos animais domésticos e aos animais de produção.

Dali em diante, Carla transformou uma iniciativa emergencial em um projeto contínuo de organização, capacitação e resposta. O que começou como uma mobilização solidária passou a desenhar uma nova frente de atuação no país.

O que é o GRAD Brasil?

Legenda: Capacitação realizada em 2025 pelo GRAD Brasil.
Fonte: Acervo GRAD Brasil/Diego Bavarelli

O GRAD Brasil, Grupo de Resposta a Animais em Desastres, é uma organização especializada na resposta a animais em situações de desastre.

A entidade se tornou referência nacional por atuar em emergências envolvendo animais domésticos, silvestres e de produção, além de famílias multiespécie afetadas por eventos extremos.

Sob a liderança de Carla Sássi, o GRAD deixou de ser apenas uma rede voluntária de socorro e passou a se consolidar como uma organização voltada à capacitação, mobilização, busca, resgate, triagem, atendimento veterinário, cuidado sanitário, acolhimento temporário, logística de insumos e destinação responsável de animais atingidos por tragédias.

A relevância do GRAD se explica por um elemento central da visão de Carla: em desastres, os animais não são um tema secundário. Eles integram os territórios afetados, as dinâmicas familiares, a economia local, a saúde ambiental e a própria dignidade das comunidades atingidas.

Essa leitura ajudou a ampliar no debate público a noção de que a resposta humanitária precisa incluir também a proteção animal e a preservação da fauna nativa.

O que é resposta a animais em desastres?

A atuação de Carla Sássi ajudou a ampliar a compreensão pública sobre a resposta a animais em desastres.

Embora o termo “resgate” seja mais conhecido pelo público, a atuação em desastres envolvendo animais é muito mais ampla. A resposta inclui busca, retirada de áreas de risco, triagem, atendimento veterinário, manejo sanitário, acolhimento temporário, logística de insumos, articulação com órgãos públicos, destinação responsável e acompanhamento pós-emergência.

Legenda: Atendimento a animal silvestre recebido na sede do GRAD Brasil, com apoio da Polícia Militar Ambiental. Na imagem, um gato-mourisco.
Fonte: Acervo GRAD Brasil

O resgate é uma etapa importante, mas não resume a complexidade do trabalho.

Durante muito tempo, a presença de cães, gatos, cavalos, bovinos, aves e animais silvestres em áreas atingidas era tratada como consequência paralela das tragédias. A prioridade, naturalmente, recaía sobre as vidas humanas, mas a ausência de protocolos para animais gerava novos riscos, sofrimentos e perdas.

Em situações de enchente, por exemplo, muitas famílias se recusam a deixar suas casas se não puderem levar seus animais. Em áreas rurais, animais de produção podem representar sustento, segurança alimentar e vínculo econômico. Em áreas naturais, a fauna silvestre sofre com queimaduras, deslocamento, perda de habitat, fome, sede e maior exposição a atropelamentos, predação, doenças e conflitos com humanos.

Ao insistir que os animais precisam entrar no planejamento de resposta, Carla ajudou a transformar uma pauta frequentemente vista como “menor” em uma questão de saúde pública, proteção social e conservação ambiental.

Essa é uma das maiores contribuições de sua trajetória: mostrar que a resposta a animais em desastres não compete com o atendimento humano. Ela o complementa. Em muitos casos, inclusive, viabiliza uma resposta mais segura, mais eficiente e mais humana para todos os envolvidos.

Carla Sássi e a Medicina Veterinária de Desastres

A trajetória de Carla Sássi também está ligada ao fortalecimento da Medicina Veterinária de Desastres no Brasil.

Esse campo trata do papel da Medicina Veterinária em situações de emergência, incluindo diagnóstico de risco, atendimento clínico, triagem, manejo, biossegurança, bem-estar animal, vigilância sanitária e articulação com equipes de resposta.

Na prática, a Medicina Veterinária de Desastres exige preparo técnico para cenários em que quase nada funciona em condições ideais. Há lama, fumaça, áreas interditadas, estruturas colapsadas, tutores desabrigados, animais feridos, riscos biológicos, falta de insumos, decisões rápidas e forte pressão emocional.

Legenda: Atendimento realizado no final de abril, em uma operação que resgatou mais de 50 animais em situação de possível maus-tratos.
Fonte: Acervo GRAD Brasil

Carla Sássi ajudou a dar visibilidade a esse campo ao atuar em grandes tragédias brasileiras e ao defender que o atendimento aos animais deve ser planejado, treinado e integrado aos sistemas de resposta.

O trabalho do GRAD, sob sua liderança, também passou a envolver capacitações, palestras, ações preventivas e fortalecimento de uma cultura de segurança e responsabilidade compartilhada diante dos desastres.

Principais feitos de Carla Sássi

Entre os principais feitos de Carla Sássi estão a criação do GRAD Brasil (2011), a atuação em tragédias como Mariana (2015), Brumadinho (2019), as queimadas no Pantanal e as enchentes no Rio Grande do Sul (2024), além de um mandato como vereadora em Conselheiro Lafaiete (MG), onde levou a pauta animal para o campo legislativo.

A organização, sob sua liderança, acumulou atuação em eventos como a tragédia da Região Serrana do Rio de Janeiro, o rompimento da barragem de Mariana, o desastre de Brumadinho, as queimadas no Pantanal, enchentes em diferentes estados e outras emergências envolvendo animais.

Esses episódios consolidaram Carla como uma liderança de linha de frente, capaz de organizar equipes, enfrentar condições extremas e insistir no cuidado com os animais mesmo quando a atenção pública tende a concentrar-se apenas nas perdas humanas e materiais.

Em cada uma dessas situações, sua atuação ajudou a mostrar que grandes desastres ambientais não atingem apenas estruturas físicas ou indicadores ecológicos abstratos. Eles atingem corpos, vínculos, rotinas, relações familiares, paisagens inteiras e todas as formas de vida que dependiam daqueles ambientes.

Esse olhar é um dos diferenciais da trajetória de Carla Sássi. Ela entende o desastre como uma fratura ampla, na qual humanos, animais e ambiente adoecem juntos e, por isso, precisam ser considerados de forma integrada.

Região Serrana do Rio de Janeiro

A tragédia da Região Serrana, em 2011, foi o ponto de partida para a criação do GRAD Brasil.

A mobilização liderada por Carla em Nova Friburgo revelou a ausência de estruturas especializadas para animais em desastres e deu origem a uma resposta que, anos depois, se tornaria referência nacional.

Mariana

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015, foi considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil até então: a lama de rejeitos da mineradora Samarco percorreu cerca de 650 km pela bacia do Rio Doce, atingindo fauna, flora e comunidades inteiras.

Nesse contexto, a atuação voltada aos animais reforçou a necessidade de protocolos específicos para emergências ambientais de grande escala, especialmente em situações de contaminação, deslocamento de comunidades e destruição de ambientes.

Brumadinho

O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, causou mais de 270 mortes e contaminou o Rio Paraopeba. A onda de lama atingiu animais domésticos, de produção e fauna silvestre em toda a zona de impacto, evidenciando a necessidade de protocolos integrados de resposta.

A presença de animais atingidos pela lama, pelo isolamento de áreas e pela ruptura das comunidades evidenciou novamente que desastres desse porte exigem respostas integradas. Em ambientes de alto risco, a resposta a animais em desastres demanda cautela, paciência, preparo técnico e articulação com outras forças de atuação.

Pantanal

Legenda: Carla Sássi abastecendo cocho durante atuação do GRAD Brasil no Pantanal, em 2024.
Fonte: Acervo GRAD Brasil

A atuação de Carla Sássi no Pantanal é especialmente relevante quando pensamos em conservação da biodiversidade. O bioma, reconhecido como a maior planície alagável contínua do planeta, tem enfrentado eventos extremos cada vez mais graves, com incêndios florestais, secas severas e impactos diretos sobre a fauna.

Quando o fogo avança, os animais não sofrem apenas no momento das chamas. Muitos sobrevivem com queimaduras, lesões respiratórias, desidratação, fome e perda de abrigo. Outros são obrigados a se deslocar para áreas onde podem entrar em conflito com estradas, propriedades rurais, cães domésticos ou populações humanas.

Nesse contexto, a resposta emergencial envolvendo fauna silvestre deixa de ser uma ação pontual e passa a fazer parte de uma estratégia maior de conservação.

Salvar um animal ferido não resolve sozinho a crise ecológica, mas reduz sofrimento, produz dados, mobiliza a sociedade e ajuda a colocar a fauna no centro do debate sobre mudanças climáticas e gestão ambiental.

Rio Grande do Sul

Legenda: Atuação do GRAD Brasil nas enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, uma das maiores operações já realizadas pela organização.
Fonte: Acervo GRAD Brasil

Nas enchentes de maio de 2024 que atingiram o Rio Grande do Sul, o maior desastre climático da história do estado, com mais de 2 milhões de pessoas afetadas, o GRAD Brasil atuou no resgate e atendimento de animais domésticos, de produção e silvestres, dando visibilidade nacional à resposta especializada em fauna.

A atuação de Carla Sássi e do GRAD nesse contexto reforçou uma mensagem que ela defende há anos: o planejamento de desastres precisa considerar os animais antes, durante e depois da emergência.

Carla Sássi e a conservação da biodiversidade

Sob o ponto de vista da conservação da biodiversidade, a trajetória de Carla Sássi tem especial relevância porque sua atuação incide justamente nos momentos em que ecossistemas entram em colapso.

Rompimentos de barragens, enchentes, queimadas e deslizamentos produzem mortalidade, deslocamento de fauna, perda de habitat e agravamento de desequilíbrios ecológicos.

Ao liderar operações de resposta e atendimento em áreas atingidas, Carla contribuiu para reduzir perdas adicionais de animais, proteger espécies em situação de risco e inserir a fauna no centro das respostas emergenciais.

Essa atuação é importante porque reafirma que conservar a biodiversidade não significa apenas preservar áreas intactas. Significa também agir quando a vida silvestre é atingida por colapsos ambientais e humanos.

É nesse ponto que a atuação de Carla se torna tão relevante.

Ela ajudou a mostrar que os animais precisam ser considerados antes, durante e depois dos desastres. Antes, por meio de prevenção, capacitação e planejamento. Durante, por meio de busca, resgate, atendimento e triagem. Depois, por meio de destinação responsável, cuidado sanitário, monitoramento e reconstrução de vínculos.

Atuação local e saúde pública

Legenda: Entrega de alimentação animal para comunidade indígena durante atuação do GRAD Brasil em 2023.
Fonte: Acervo GRAD Brasil

Embora tenha projeção nacional, Carla Sássi também construiu uma atuação importante em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais.

Seu trabalho local esteve associado a políticas de proteção animal, controle populacional de cães e gatos, vigilância ambiental e controle de zoonoses.

Entre os projetos ligados à sua trajetória estão o Quem Ama Castra e o Combate e Controle da Esporotricose, ações que articulam proteção animal e saúde pública.

Esse aspecto é central para compreender seu perfil: Carla não trata a causa animal como um assunto periférico, mas como tema diretamente ligado à qualidade de vida urbana, ao cuidado coletivo e à prevenção de doenças.

Também há menções à sua responsabilidade técnica na Associação Lafaietense de Proteção aos Animais, a ALPA, reforçando seu envolvimento com estruturas concretas de acolhimento, atendimento e organização da pauta animal no município.

Carla Sássi na política

Outro capítulo importante da trajetória de Carla Sássi é sua atuação política.

Ela foi vereadora em Conselheiro Lafaiete, levando para a Câmara Municipal uma pauta construída na prática: proteção animal, saúde pública, inclusão social, controle populacional, estruturação de políticas permanentes e defesa de direitos.

Sua passagem pela política mostra uma dimensão essencial de seu ativismo. Carla compreendeu que a defesa dos animais não poderia depender apenas de voluntariado, como se a causa vivesse eternamente de improviso, vaquinha e boa vontade.

Para se tornar política pública, a proteção animal em desastres precisa de lei, orçamento, estrutura, fiscalização, planejamento e continuidade.

Esse movimento é importante porque mostra uma ativista que não abandonou a luta ao ocupar um espaço institucional. Ao contrário: levou a causa para dentro dele.

O legado de Carla Sássi

Legenda: Carla Sássi durante palestra no Primeiro Congresso Estadual de Combate à Crueldade Animal, realizado no Rio de Janeiro em 25 de abril.
Fonte: Acervo GRAD Brasil

O legado de Carla Sássi ainda está em construção, mas alguns de seus efeitos já são claros.

Ela ajudou a dar visibilidade nacional à resposta a animais em desastres. Fortaleceu a compreensão de que proteção animal, saúde pública e conservação ambiental estão conectadas. Contribuiu para consolidar o GRAD Brasil como referência no país. Levou a causa animal para o campo da política pública. E mostrou que, em uma emergência, a vida precisa ser protegida em sua complexidade.

Sua trajetória também ajudou a mudar o vocabulário da resposta a desastres no Brasil.

Hoje, falar em famílias multiespécie, fauna atingida, Saúde Única, protocolos sanitários, resposta técnica e assistência animal em emergências parece mais natural do que há alguns anos. Essa mudança não aconteceu sozinha. Ela foi construída por pessoas que insistiram em olhar para onde quase ninguém olhava.

Carla Sássi é uma dessas pessoas.

Uma ativista com formação técnica, uma veterinária com leitura política, uma liderança de campo com visão de saúde pública. Carla Sássi entendeu cedo que proteger animais em desastres não é gesto acessório. É parte da resposta, da conservação e do cuidado com a vida. Sua contribuição segue em campo.

Confira outras histórias do Bond da Conservação e conheça as personalidades que estão moldando a conservação da biodiversidade no Brasil.

Redação: Diego Arruda

Revisão: Juliana Badari