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Projetos de conservação

Lives: marketing de conservação

By | Educação ambiental, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Projetos de conservação | No Comments

Quer ferramenta de comunicação mais em alta durante a quarentena do que as lives? Elas estão bombando! Neste blog, vamos mostrar as plataformas mais utilizadas para lives, e também vamos ensinar como montar sua live pelo Instagram!

E se você acha que a galera da conservação não pode surfar nesta onda, está muito enganado! O marketing aplicado na conservação tem tudo a ver com transmissões ao vivo e nós vamos provar.

 

Foto: internet

 

O tema conservação tornou-se um assunto bastante debatido por toda a internet. As tragédias que aconteceram em todo o mundo durante o ano foram consequências para o crescimento destes debates!

Sabendo disso, como um projeto de conservação pode enxergar esse “problema” e transformá-lo em oportunidade?

 

Oportunidade na quarentena

 

A obrigação de ficar em casa acabou aumentando a quantidade de lives nas redes sociais e com isso, tornou-se oportunidade para muita gente! O marketing de conservação não ficou fora dessa: projetos e causas aproveitaram para entrar nesse mundo de lives.

 

Foto: post Documenta Pantanal/Live entre Luciano Candisani e João Farkas falando sobre ‘Fotografia e conservação’

 

Unindo o útil ao agradável, muitas causas e projetos já aderiram e estão fazendo sucesso nas redes: um exemplo disso é a iniciativa Documenta Pantanal ter focado em lives semanais no mês passado. O Onçafari também não ficou de fora dessa! 

Além deles, a SOS Pantanal decidiu entrar no mundo das lives neste mês de maio e a Waita está semanalmente chamando outros projetos para conversar ao vivo! E aí, ficou interessado?

 

Como organizar a sua live?

 

Você tem dúvidas de como iniciar uma live? Saiba que existem algumas plataformas famosas para esse tipo de transmissão, sendo elas: Instagram, Facebook, Youtube, Twitch, etc. Aqui, vamos mostrar um passo a passo de como iniciar uma live em uma das plataformas mais famosas e que está bombando ultimamente com a quarentena, o Instagram:

 

Passo 1

Acesse o aplicativo e faça login.

 

Passo 2

Clique no ícone da câmera no canto superior esquerdo como se fosse fazer um stories.

 

Passo 3

Selecione a opção ‘Ao vivo’:

 

Foto: divulgação

 

Passo 4

Clique em Transmitir ao vivo para iniciar a sua live:

 

Foto: divulgação

 

Passo 5

Para terminar, clique em ‘Encerrar’ no canto superior direito.

 

Passo 6

Depois de finalizada a live, você pode salvar o vídeo no seu celular e compartilhar no IGTV:

 

Foto: divulgação

 

Uma dica importante: a duração de uma live é de uma hora. Depois desse período, o Instagram derruba automaticamente, sendo necessário iniciar uma nova! 

No meio da sua transmissão, é possível compartilhar imagens e vídeos que estão salvos na sua galeria. Para fazer isso é só clicar no quadradinho no canto inferior direito da tela e selecionar a imagem que será compartilhada. Para remover a imagem da tela, é só selecionar a opção de não usar nenhuma imagem:

 

Foto: divulgação

 

Como compartilhar perguntas feitas em stories recentes?

 

Você já viu o recurso dos stories de postar uma caixa onde as pessoas podem enviar perguntas para você responder depois? Pois é, essa ferramenta pode ser bastante útil na hora de preparar e fazer as suas lives.

No dia anterior você pode, por exemplo, pedir para os seus seguidores enviarem as perguntas que eles querem ver respondidas na transmissão.

 

Foto: divulgação

 

E na hora da live é só você clicar no ícone da carta com uma interrogação no meio e selecionar a questão que você quer compartilhar na tela enquanto está respondendo.

 

Como convidar outra pessoa para fazer parte da sua live?

 

Numa das atualizações mais recentes, o Instagram adicionou a possibilidade de convidar outra pessoa para participar da transmissão com você: basta iniciar uma live sozinho, aguardar a pessoa entrar e convidá-la, selecionando o item com ‘dois rostos’, que fica perto do rodapé.

O momento é ótimo para apostar em marketing digital e explorar ferramentas que antes não faziam tanto sentido. Informação relevante é sempre bem-vinda, principalmente quando ela aparece “na nossa cara” sem precisar de esforço.

 

Foto: divulgação

 

Se possível, transmita mensagens leves, positivas e entregue ao seu público um momento de “respiro” diante de tanta notícia ruim. Frequência e consistência também são fundamentais.

As lives nos permitem transmitir mensagens e conseguir mais apoio! Podem mostrar a realidade dos biomas brasileiros de forma verdadeira e é uma maneira de mostrar a realidade deles. Além também de poder debater com o público possíveis soluções e envolvê-los organicamente.

 

Lives que você não pode perder

 

  • A iniciativa Documenta Pantanal, no mês de abril, decidiu envolver pessoas conhecidas no mundo da conservação para discutir sobre o tema  conservação e foi um sucesso;
  • O Onçafari não ficou de fora e entrou no mundo das lives, com o próprio presidente, Mario Haberfeld, que está participando e conversando com pessoas envolvidas;
  • A SOS Pantanal vai fazer a primeira live essa semana, no dia 14 de maio;
  • A Waita está semanalmente chamando outros projetos para conversar ao vivo;

Não viu nenhuma ainda ou não começou a fazer? Corre que dá tempo! Nós do #Bond apoiamos essas iniciativas a favor da conservação e da biodiversidade.

Importância de doar em tempos de crise

By | Conservação, Educação ambiental, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Projetos de conservação | No Comments

Você já doou ou tem costume de doar para alguma organização ou projeto de conservação? Algumas pessoas têm receio de doar porque não sabem o destino das doações ou não conhecem a instituição. Mas saiba que a única fonte de renda das ONGs é a doação e em tempos de crise, passam por mais aperto, pois são as primeiras a pararem de receber a verba.

Foto: Larissa Nogueira/Via BBC News Brasil

 

Por quê doar?

 

Antes de mais nada: o que é uma ONG? ONG quer dizer: Organização Não Governamental. São organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos e são caracterizadas por ações de solidariedade no campo das políticas públicas e sociais, ou seja,  não são criadas para obterem lucro. O mesmo conceito vale para projetos de conservação!

Estas organizações atuam em diferentes áreas, como: social, ambiental, governamental, etc; e dependem de apoiadores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas.

Sobrevivem destes apoiadores, que injetam verba por meio de doações! Exemplo: no dia 11 de abril, nós do #Bond representamos o Onçafari no quadro ‘The Wall’, no Caldeirão do Huck para arrecadar fundos para reparar os danos causados pelo incêndio no Pantanal em setembro de 2019.

 

Foto: internet

 

Doar em tempos de crise

 

Assim como empresas, os projetos de conservação também estão sendo prejudicados pela crise, causada pelo COVID-19. Mas diferente das empresas, a principal fonte de renda é a doação e não gera lucro.

Essa crise que estamos enfrentando, tanto na saúde, quanto na política, afeta todo o país financeiramente. Em consequência disso, prejudica o meio ambiente, pois com menos recursos, é impossível seguir com a preservação e conservação do meio.

Uma consequência disso, é o fato do Onçafari ter perdido 40% de sua fonte de recursos só pelo turismo ter parado. O Ecoturismo é um dos pilares mais importantes da Organização.

A natureza nunca para! Sabendo disso, como podemos apoiá-la em tempos de crise?

 

Foto: site Onçafari

 

Em tempos difíceis, é normal sentir medo de ‘investir’ em alguma causa. Mas saiba que todas elas dependem de você e não podem parar, assim como a natureza! É pensar no futuro da vida selvagem, do meio ambiente e no nosso planeta. E mais importante de tudo isso: é um momento de união. Quem tem uma condição melhor, pode apoiar o próximo que está em uma pior e assim por diante.

 

Conhecendo a organização ou projeto/causa

 

Antes de julgar, é importante conhecer! Pesquise, avalie e tome sua decisão. Conheça todos os projetos, encontre notícias sobre o assunto, ações e o que defendem.

Como a SOS Pantanal, por exemplo, que é uma organização não-governamental, privada, sem vínculos partidários ou religiosos e sem fins lucrativos. Tem a missão de informar e promover o diálogo para um Pantanal sustentável.

O Instituto SOS Pantanal depende de parcerias e doações para que possa manter sua estrutura e conduzir suas atividades também!

Aqueles que contribuem, apoiam ações que visam a sustentabilidade social, ambiental e econômica da Bacia do Alto Paraguai, que abriga o Pantanal.

E então, conhecendo um projeto desta forma, seus objetivos e trabalhos, você se sente seguro para doar?

 

Foto: site SOS Pantanal

 

Projetos de conservação e ongs para conhecer

 

Projeto Baleia Jubarte: ong que desenvolve atividades socioeducativas com comunidades litorâneas da região do Banco dos Abrolhos, através da informação e educação ambiental, para proteger a baleia jubarte;

Waita: ong que executa projetos de pesquisa e ações direcionadas, principalmente, para a conservação de espécies vítima do tráfico de animais silvestres;

Instituto Homem Pantaneiro: tem como objetivo proteger as nascentes e áreas de preservação permanente (APPs) da região do Planalto da Bacia do Alto Paraguai (BAP);

Instituto Tamanduá: desenvolve ações de pesquisa, educação e fomento a políticas públicas, visando a conservação de tamanduás, tatus e preguiças em vida livre e cativeiro.

Nós do #Bond reforçamos e apoiamos essa cultura, a fim de conservar e preservar o meio ambiente! Em tempos de crise, a importância é maior ainda, visto que dependem mais, porém recebem menos. Estamos juntos nessa?

Google AD Grants para projetos de conservação

By | Conservação, Educação ambiental, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Projetos de conservação | No Comments

O marketing digital é uma ferramenta poderosa para atrair novas oportunidades e fidelizar os clientes, mas trabalhar com mídias digitais pode ser muito mais difícil do que parece, não é? Temos uma notícia boa pra você! Caso tenha uma ideia ou um projeto mas está sem apoio, o Google tem um programa de incentivo para ela chamado: Google AD Grants. 

O que é e requisitos

O Google AD Grants é um programa criado para ajudar entidades sem fins lucrativos a divulgarem seus trabalhos gratuitamente na internet, visando conseguir doações e até mesmo realizar recrutamentos. Isso tudo é feito pela própria ferramenta do Google, o Google Adwords.

 

Foto: google

 

Além disso, a instituição ganha  $10 mil por mês em créditos para serem usados  no próprio Google Ads, como incentivo. Para participar, as instituições e organizações sem fins lucrativos precisam atender a uma série de critérios exigidos pelo programa, tais como:

  • Associações que operam sem fins lucrativos para benefício público;
  • A certificação de existência e regularidade da instituição junto ao Ministério da Justiça, órgãos estaduais e municipais competentes, no caso de ONGs e Organizações de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP);
  • Entidades de Utilidade Pública Federal – UPF;
  • Organizações Sociais – OS;
  • Entidade Beneficente de Assistência Social detentora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS);
  • No caso de Associações ou Fundações, ser registrada como tal no Cartório de Registro de Pessoas Jurídica;
  • Conformidade com todas as Políticas de Publicidade do Google AdWords;
  • O reconhecimento e a aceitação das políticas adicionais do Google Grants.

O programa possui algumas regras para quem quer participar. Algumas entidades não são permitidas, como: entidades governamentais, sindicatos, hospitais, creches, universidades, partidos e instituições políticas.

Que presentão para as organizações, não é? 

Segundo o próprio Google: “Seja você experiente ou não na pesquisa por anúncios, o Google Ad Grants facilita o lançamento de campanhas, com soluções de publicidade criadas para organizações sem fins lucrativos de todos os tipos.”

Google AD Grants para projetos de conservação

Tem uma ideia ou projeto de conservação? Então é esse o apoio que você precisa! O Google investe em ideias e projetos que estão iniciando e precisam de apoio. Além do investimento, disponibiliza serviços para sua organização, podendo ser gratuito ou pago.

 

Foto: google/anúncio da Onçafari no Google

 

Os anúncios do Google ajudam a impulsionar seu projeto de conservação: eles aparecem ao lado dos resultados de pesquisa do Google quando as pessoas realizam a pesquisa, além de incluir ferramentas poderosas para ajudar você a criar, segmentar e otimizar suas campanhas. Então você sempre terá controle total sobre suas campanhas!

Vantagens

O objetivo do programa, além do incentivo, é mudar o mundo: “Vamos mudar o mundo. Mais visibilidade. Mais doações. Mais voluntários. Esse é o resultado alcançado quando você compartilha sua mensagem com pessoas que querem ajudar.”

Segundo Ping Lo, da ‘The Fred Hollows Foundation, “O Google Ad Grants nos ajudou a entrar em contato com milhares de colaboradores de todo o país e isso criou mudanças por meio da conscientização.”

Para seu projeto de conservação, você poderá entrar em contato com pessoas mais importantes, exibindo anúncios a quem está pesquisando no Google assuntos relacionados à sua especialidade. Vai permitir doações para a sua causa de conservação! E uma dica: quanto mais fácil o processo de doação, mais contribuições as pessoas farão, ok? E por último, a ferramenta permite personalizar a informação para anúncios mais inteligentes. Através do Google Analytics, é possível rastrear as conversões, para saber sobre o desempenho dos anúncios, além do usuário poder definir as palavras-chaves mais fortes para a busca.

Como participar?

Participar é fácil, basta acessar o site do Google AD Grants, ir em ‘Inscreva-se’ e acessar com a sua conta do Google. Se não tiver, pode ficar tranquilo, pois a criação da conta é rápida e fácil, podendo ser feita na mesma página. Depois, basta seguir o passo a passo e começar a usar!

Nós do #Bond utilizamos e participamos do programa em 2018. O resultado? A captação de clientes, como: SOS Pantanal, Onçafari, Instituto Mamirauá, Documenta Pantanal e Biofaces 😉

Humanização: conheça as principais tendências de marketing para 2020

By | GreenBond, Marketing na Conservação, Projetos de conservação | No Comments

No contexto de um mercado extremamente saturado, com bombardeio de informações por todos os lados, a inovação no marketing deixa de ser um “plus” para tornar-se uma necessidade. Ou você se reinventa na hora de passar sua mensagem, ou ela ficará esquecida entre as outras milhares. 

Em 2020, acreditamos que o principal passo para a inovação deve ser dado em outra direção: para trás. Antes de pensar de forma desenfreada no uso de tecnologias, estratégias de venda e lucro abundante, pense em pessoas. Pense no mundo em que vive, nas necessidades sociais e ambientais presentes em todos os processos. Essa é a verdadeira inovação para o futuro. 

Felizmente, a GreenBond não está sozinha neste pensamento. A primeira pesquisa Global Marketing Trends 2020 da Delloite revelou dados importantes sobre a expectativa dos consumidores no próximo ano.

Conexão humana, esse é o ponto-chave. De acordo com a pesquisa, muitas empresas ainda colocam energia apenas em novas tecnologias e esquecem o lado humano. 

As novas tendências de marketing vêm para mudar essa realidade:  

 

1- Propósito – por que a sua empresa existe?

Não é de hoje que a GreenBond vem batendo nessa tecla. Nós atuamos com propósito desde o primeiro dia de existência da empresa e, por pensar dessa forma, só nos conectamos a parceiros que também tenham o mesmo propósito: conservação da biodiversidade. 

Aparentemente, essa não é uma necessidade só nossa, mas do mercado como um todo. Os consumidores estão em busca de transparência – fato também revelado na Pesquisa Carreira dos Sonhos 2019 – realizada pela Companhia de Talentos. Eles querem saber qual é o objetivo da empresa, o que, de fato, ela veio solucionar, como ela contribui com a sociedade e onde ela quer chegar. 

No caso dos projetos de conservação, é importante deixar clara a missão do projeto. Qual é seu objetivo? Por quê sua atuação naquele ambiente se faz necessária? De que forma o projeto contribui para o meio ambiente e/ou para a sociedade? Todas essas perguntas devem ser respondidas em sua comunicação e, claro, estar alinhadas ao DNA da organização. 

 

2- Experiência humana – conexões que vão além do digital

O estudo da Deloitte também alerta sobre a evolução da tecnologia, como a aparição dos chatbots, que ensinam o público a ser cada vez mais exigente. Essas mesmas interações tecnológicas acabam inibindo as interações humanas, construindo comportamentos isolados e automatizados.

Dessa forma, a experiência humana se torna ausente, gerando um déficit de conexão a longo prazo. Ou seja, a tecnologia manterá sua empresa ativa, porém, depender apenas dela pode afetar a fidelização dos clientes.

Os projetos de conservação ambiental têm o campo como grande aliado. A experiência em campo, como ecoturismo, por exemplo, oferece experiências humanas únicas. Além de aproximar as pessoas, causa um impacto positivo muito grande e torna o objetivo de educação ambiental mais efetivo. 

O relatório também convida os profissionais a investirem na empatia e na inclusão como valores essenciais para a humanização das marcas e criação de conexão com os consumidores. 

 

3- Confiança – você sabe construí-la?

Relações mais humanas exigem transparência e honestidade. O relatório da Delloite também reafirma essa necessidade. 

De acordo com o estudo, o público espera honestidade, coesão e políticas transparentes das corporações. E na era digital, agora os consumidores também exigem segurança no que diz respeito aos seus dados e informações movimentadas na internet. 

Conforme citado anteriormente, os projetos devem entregar, de forma honesta e transparente, o destino dos recursos captados. As pessoas querem saber como a doação delas está sendo utilizada, de que forma elas estão contribuindo para a melhora do meio ambiente e da sociedade. 

 

4- Pertencimento – participação de pessoas nos processos

Segundo o relatório, as pessoas querem se sentir parte da empresa com as quais se relacionam. Por isso, a sugestão para 2020 é que as marcas invistam em trazer o público final para mais perto de decisões e ações da organização. 

O mesmo vale para o ambiente profissional. Líderes e gestores devem incentivar suas equipes a participarem mais das ações internas, descentralizando o poder e ampliando a rede de opiniões e sugestões para as equipes.

Pensando nisso, dependendo da forma de atuação dos projetos de conservação, é possível incluir voluntários e parceiros nas ações. Trazê-los para perto e torná-los parte dos planos de mudança pode ser uma ideia muito interessante para a organização. 

 

5- Valorização – foco nos talentos

Por fim, o relatório também convida as organizações a olharem com mais “carinho” para seus talentos. Líderes e gestores devem focar, estimular, reconhecer e valorizar os talentos sob seus comandos, ajudando no desenvolvimento deles. 

Mas, muito além do escritório fechado, a valorização de talentos também deve ser ampliada para o lado de fora. O estudo propõe que as organizações também valorizem seus embaixadores – influenciadores, fãs e clientes fiéis – criando conexões mais profundas e ajudando na evolução de cada um. 

 

DIANTE DESTE CENÁRIO, COMO FICA O DIGITAL? 

 

O foco em pessoas não significa a anulação do marketing digital, de forma alguma. Nós acreditamos no potencial do online para ampliar o alcance da mensagem, propagar sua ideia e seu propósito com maior efetividade.

O marketing pode ser digital e humanizado ao mesmo tempo. É possível usar inovações tecnológicas a favor das conexões humanas. O ponto é justamente esse: não podemos pensar em uma coisa separada da outra. Não devemos olhar apenas para a tecnologia e esquecer que ela faz parte da vida das pessoas. Ou seja, quem as controla são pessoas. Que devem ser olhadas e tratadas como tal. 

Por isso, devemos continuar inovando tecnologicamente. Podemos continuar propondo e apostando em estratégias de mídias digitais – redes sociais, blog, site, e-mkt, Google, etc. Continuar apostando em inteligência artificial, chatbots, busca por voz e automatizações no geral. Mas, antes de qualquer uma dessas propostas, lembre-se da sua missão, do seu propósito e das pessoas envolvidas em cada um dos processos. 

Dê um passo para trás. Confirme – ou reafirme – a honestidade, transparência, coerência e compromisso da organização com necessidades sociais, ambientais e econômicas. Esse é o insight de ouro para 2020. 

A importância da comunicação para projetos sócio-ambientais

By | Educação ambiental, GreenBond, Projetos de conservação | No Comments

Recentemente, o pessoal do Nossa Causa realizou uma pesquisa interessantíssima sobre a efetividade do marketing e comunicação no Terceiro Setor. O estudo analisou não só a importância da comunicação para as organizações, mas também tentou entender o que já está sendo feito, a relação do marketing com a captação de recursos e quais são as tendências para os próximos anos. 

A primeira e mais importante percepção foi que, apesar de compreenderem a necessidade de investimento em comunicação, a maiorias das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) não a faz, principalmente por questões financeiras. E, até por conta dos recursos escassos, também foi possível confirmar uma clara tendência ao meio digital, ou seja, utilização e valorização de canais online (como as redes sociais, que proporcionam maior alcance para um público personalizado, com menor investimento). 

Porém, mais do que apenas explorar tendências, foi importante confirmar o potencial do Terceiro Setor em utilizar estratégias inteligentes de mercado para transformar a realidade sócio-ambiental do país, focando na capacidade de conexão humana da comunicação. 

 

CENÁRIO ATUAL 

Sobre os times de marketing, em 50% das organizações a área de comunicação é composta por somente uma pessoa, 15% não têm alguém responsável e outros 15% têm uma equipe de voluntários. 

Mas, na contramão da realidade, quando questionadas sobre a importância da comunicação e marketing, as OSCs responderam a uma escala de 5 pontos (em que 1 representava “nada importante” e 5 “muito importante”). A pontuação média foi de 4,1 pontos, mostrando que a maioria considera comunicação e marketing importantes, apesar de não ter uma estrutura sólida para a realização do trabalho. 

E não para por aí, ainda existem mais números contraditórios. Apesar de 93% das organizações estarem presentes nas redes sociais (principalmente no Facebook), 82% delas não possui site próprio e muitas outras possuem site com baixíssima qualidade, o que pode ser bastante prejudicial para a imagem pública de cada uma delas.  

Então, podemos confirmar uma preocupação das organizações com a comunicação, uma transição considerável para o meio digital, o que são ótimas descobertas, mas que, na prática, não está sendo feito de maneira correta. Ou seja, o intuito é bom, mas a execução, nem tanto.

 

A RELAÇÃO ENTRE O MARKETING E A CAPTAÇÃO DE RECURSOS

Quando questionadas sobre as principais necessidades dentro de cada organização, a Captação de Recursos apareceu logo em segundo lugar, atrás apenas de Recursos Humanos para realização das atividades.

 

Ou seja, as organizações sabem da importância da captação de recursos, porém muitas delas não entendem que o marketing pode influenciar bastante no resultado final.

Utilizando novamente uma escala de 1 a 5 pontos, as organizações foram questionadas sobre a influência da comunicação e do marketing na captação de recursos e na geração de impacto social. Apesar da captação de recursos ser de mais fácil mensuração do que a avaliação de impactos, o resultado mostrou que a percepção de influência na geração de impacto social é ligeiramente maior (3,9 pontos) do que na captação (3,7 pontos).

 

TENDÊNCIAS PARA UM FUTURO PRÓXIMO

A pesquisa revelou uma clara tendência ao uso das redes sociais, visto que são canais flexíveis, com grande alcance e custo relativamente baixo. Mas, é importante frisar que não basta apenas estar presente no Facebook e Instagram. 

O universo digital é amplo, oferece diversos canais e milhões de possibilidades. Para que ele seja utilizado de forma correta, a fim de converter (que no fim das contas, é o principal objetivo de todos nós), você precisa ENTENDER O SEU PÚBLICO. Se fazer, além de presente, relevante. Ou seja, produzir conteúdo de qualidade, que informe, entretenha e convença o seu público-alvo. Utilizar os canais corretos, seja ele Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn, Site, E-mail Marketing, ou qualquer outro canal de valor para o público. Não basta fazer por fazer, é preciso planejar, executar e mensurar

 

CASES DE SUCESSO NO UNIVERSO DOS PROJETOS AMBIENTAIS

No ranking dos “cases de sucesso”, encontramos três projetos ambientais: Greenpeace, SOS Mata Atlântica e WWF. Mas, o que eles fazem de diferente para se sobressair diante dos outros? Será que suas causas são mais importantes? Seus conteúdos são mais relevantes? 

Antes de tudo, saiba que não existe causa mais ou menos importante. Todas são igualmente necessárias na luta pela salvação do nosso planeta. Então, definitivamente, não é isso que as torna melhores no meio digital. A diferença principal é que estas instituições souberam contar sua história de uma maneira simples, onde grande parte do público que está lendo consegue entender.

A próxima grande barreira que projetos de conservação devem quebrar no futuro é a da comunicação. Por mais que o trabalho em campo seja impecável e gere resultados expressivos, se não houver uma comunicação clara na hora de contar isso para as pessoas, o impacto pode não ser tão grande. A comunicação é crucial para engajar mais pessoas na causa, amplificar o barulho que a organização já faz e para atingir novos públicos.

 

Quando mais gente ajudando, melhor! Por isso, COMUNIQUE A SUA CAUSA! 

 

Se você se interessou pela pesquisa e gostaria de aprofundar seu conhecimento sobre o tema, basta acessar este link

Ave ameaçada inspira criação de reserva e modelo de negócio para conservação

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Bicudinho-do-brejo fêmea (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

O bicudinho-do-brejo é uma ave ameaçada de extinção que serviu de inspiração para a criação de uma reserva em uma região reconhecida pela ONU como Área Úmida de Importância Internacional e para a criação de um ateliê que usa a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza.

Tudo começou na primavera de 1995, dois ornitólogos, Bianca Reinert e Marcos Bornschein armaram as redes para capturar aves em um brejo no litoral do Paraná. O objetivo era estudar o comportamento do carretão, um pássaro típico da Mata Atlântica. Eles já faziam o trabalho há quatro anos e já conheciam praticamente todas as espécies da região. Foi então que um pequeno passarinho passou por baixo da rede. O animal era diferente de tudo o que eles já haviam observado naquele local. Poderia ser uma descoberta? Era muito difícil, pois ninguém descrevia uma espécie nova de ave no Brasil há muitos anos.

Bicudinho-do-brejo macho (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

Os biólogos começaram uma busca pela ave misteriosa. Mas o animal era tão pequeno que passava entre os buracos da rede ou desviava do obstáculo. Demoraram algumas semanas até conseguirem capturar o bicho. Foi então que veio a confirmação. Eles tinham nas mãos uma espécie de ave que nunca havia sido descrita pela ciência. Reinert e Bornschein descreveram o bicudinho-do-brejo (Formicivora acutirostris), uma ave encontrada em áreas alagadas, endêmica da região meridional litorânea do Paraná e do nordeste de Santa Catarina.

Porém, desde sua descoberta, a espécie já estava ameaçada de extinção. Algumas áreas de habitat foram reduzidas por incêndios, loteamentos e aterros sanitários. Além disso, perturbações por tráfego de barcos durante a época de reprodução, extração de areia das margens dos rios, substituição da vegetação nativa por braquiária (uma grama da África) e a pecuária são outros problemas enfrentados pelo bicudinho.

Mirante da Reserva Bicudinho-do-brejo. Foto: Hudson Garcia/ Reprodução do Facebook

Para tentar mudar essa história, em 2009, Reinert, Bornschein e mais três amigos – Christoph Hrdina, Iracema Suassuna, e Ricardo Lopes (marido de Reinert) – criaram a Reserva Bicudinho-do-brejo em Guaratubá, Paraná. A região foi reconhecida pela ONU como uma Área Úmida de Importância Internacional, em parte devido ao brejo, onde o bicudinho ocorre, funcionar como um filtro para a água dos rios e berçário para peixes e animais aquáticos.

No entanto, em 2016, Bianca não conseguia mais trabalhar no campo por conta de um câncer. Ela começou a fazer colares de argila. Foi quando Ricardo se interessou pelo trabalho e modelou um passarinho de cerâmica. Naquele momento, eles decidiram criar o Ateliê Bicudinho-do-brejo.

Bianca Reinert encontrou na arte uma nova forma de homenagear o bicudinho-do-brejo – Foto: Ricardo Lopes

Com a ideia de utilizar a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza, Bianca e Ricardo passaram a confeccionar peças de cerâmica que remetem à biodiversidade brasileira e o mundo dos animais. “Iniciamos esse trabalho pensando somente na renda que teríamos para ajudar no projeto da reserva. Do valor arrecadado, uma parte fica para o projeto e outra para as despesas do ateliê. Nessa iniciativa sempre fomos eu e ela[Bianca], mas contamos com a ajuda de algumas pessoas que embarcaram nessa jornada com a gente”, conta Lopes. A venda dos produtos é realizada pelas redes sociais e em algumas lojas de aromaterapia.

Para Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário, apoiadora do projeto, negócios também podem e devem gerar formas de conservação da natureza. “Está mais do que na hora de entendermos que a conservação não deve contar apenas com recursos de caráter filantrópico, mas também com recursos privados. No caso do bicudinho, a reserva tem potencial de captar recursos e o ateliê apoia na sensibilização de atores de outras áreas do conhecimento para a causa.”

Bicudinhos-do-brejo de cerâmica são cuidadosamente esculpidos por Ricardo – Foto: Ricardo Lopes

Infelizmente, em setembro de 2018, Bianca faleceu devido à doença. “Ela foi uma lutadora sem igual, uma lição de força, coragem e perseverança, tanto na sua vida pessoal quanto na sua dedicação pela proteção do bicudinho-do-brejo”, escreveu seu marido.

No mesmo ano, a Reserva quase fechou as portas devido a dificuldades financeiras, mas com ações para arrecadar recursos – como venda de artesanato e livros e participações em exposições e eventos – Ricardo conseguiu manter o projeto. Hoje, o marido de Bianca continua na busca de parcerias para continuar a luta pela conservação do bicudinho-do-brejo.

Se você se interessou pelo trabalho com o bicudinho-do-brejo, acesse a campanha de financiamento coletivo Eu Meto o Bico e ajude uma espécie ameaçada de extinção. Mas corra, porque a campanha se encerra no dia 17/03/2019.

GreenBond a empresa que arrecada recursos para projetos de conservação

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Gustavo (na frente) e Diego (atrás), fundadores da GreenBond, no Pantanal – Foto: Gustavo Figueiroa

Fundada por um veterinário especialista em marketing digital e um biólogo conservacionista, a GreenBond é uma empresa de impacto socioambiental que usa estratégias de comunicação para captar recursos para projetos de conservação através de leis de incentivo, produções de eventos e campanhas de crowdfunding. “O grande diferencial da GreenBond é selecionar projetos de conservação de acordo com as metodologias mais utilizadas em relação à governança, transparência, e credibilidade das Ongs” diz Diego Rugno Arruda, o veterinário especialista em marketing digital.

A equipe da GreenBond analisa os projetos de conservação, monta e executa estratégias para otimizar a captação de recursos e busca possíveis apoiadores que se identificam com as instituições. “Quando entendemos como a Ong funciona e qual o trabalho que ela executa, conseguimos fazer um “match” para o tipo de pessoa física ou o tipo de pessoa jurídica mais adequada”, diz Diego.

“Um dos nossos objetivos é fomentar uma lei que permita abater impostos para financiar projetos de conservação. Uma Lei Rouanet para a área ambiental”, diz Gustavo Figueiroa, o biólogo conservacionista. “Nós queremos estimular um ambiente onde as pessoas tenham vontade de trabalhar pela conservação, tanto pela paixão quanto pela remuneração.”

Para conseguir arrecadar recursos para projetos de conservação, a GreenBond trabalha em diferentes frentes:

  • Estabelecimento de uma estratégia de comunicação (com enfoque em mídias sociais), específica para cada projeto, com o objetivo de criar uma relação mais próxima entre pessoas, empresas, governo e Ongs e estimular parcerias entre o setor privado e o terceiro setor.
  • Produção e promoção de produtos e eventos que voltem recursos para a conservação
  • Criação de campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding) que promovam causas ambientais

A ideia é que a GreenBond se torne uma referência no mundo da conservação da biodiversidade. “A gente deseja criar uma boa relação com as empresas para que elas percebam que vale a pena investir no meio ambiente. Hoje os consumidores estão cada vez mais ávidos por consumir produtos sustentáveis e arrecadar recursos pra esses projetos via marketing de causa é algo muito interessante e ainda pouco explorado no Brasil”, diz Diego.

Uma perspectiva pessoal

Meu primeiro contato com a GreenBond foi no Pantanal, o lugar que mais amo nesse planeta e onde conheci Diego e Gustavo. Eu estava guiando um grupo do Onçafari, o primeiro cliente da empresa. Eles estavam produzindo conteúdo e conhecendo a equipe do projeto.

Por uma feliz coincidência fui escalado para guiá-los durante um dia na maior planície inundável do mundo. Conversamos um pouco e percebi que compartilhávamos a mesma paixão pela conservação e a mesma vontade de fazer a diferença por um mundo mais sustentável.

Eu (à esquerda, fora do carro) no dia que conheci o Diego (à direita, sem chapéu ou boné) e o Gustavo (autor da foto)

Sou biólogo e jornalista e fui repórter e editor de National Geographic Brasil por 5 anos. A conservação sempre fez parte do meu trabalho, mas desde que saí da revista essa pauta andava afastada da minha vida. Assim que voltei pra São Paulo me encontrei com o Diego e o Gustavo e, após uma rápida reunião, me juntei ao Bond.

Hoje meu coração bate mais forte porque eu respiro conservação todos os dias. Faço produção de conteúdo, com enfoque nos blogs dos nossos clientes, e sinto que cada linha que eu escrevo é cheia de significado. O trabalho e o prazer estão juntos novamente porque eu tenho a certeza de que a Greenbond faz a diferença para a construção de um mundo melhor.

Instituto de Sebastião Salgado já recuperou 2000 nascentes no Vale do Rio Doce

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Fazenda Bulcão, antes (2001), e depois de ser transformada em RPPN e passar por reflorestamento com plantas nativas da Mata Atlântica (2019) – Foto: Facebook do Instituto Terra

1998. Aimorés, Minas Gerais. O casal Sebastião Salgado e Lélia Wanick estava muito triste com o cenário de degradação ambiental em que se encontrava a antiga fazenda da família. Na Fazenda Bulcão, o córrego havia secado, restavam pouquíssimas árvores, o solo era pobre e os animais já não frequentavam o lugar. “Era tão degradante. Nós ficamos tão tristes e nós choramos”, comenta Lélia durante uma entrevista ao programa Sempre um Papo. “Ali, naquela hora me veio uma ideia que, francamente, acho que foi a melhor ideia que eu tive na minha vida. Eu falei: vamos plantar uma floresta aqui! A gente fechou o olho e viu tudo verdinho. Sebastião, na mesma hora, adorou a ideia e a gente começou a trabalhar pra ver como a gente ia plantar essa floresta.”

Eles mobilizaram parceiros, captaram recursos e fundaram o Instituto Terra, uma organização com a missão de contribuir para o processo de recuperação ambiental e o desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica, em especial na região do Vale do Rio Doce.

Lélia Wanick e Sebastião Salgado na RPPN Fazenda Bulcão – Foto: Facebook do Instituto Terra

Desde o início, o instituto tinha o objetivo de despertar a conscientização ambiental sobre a necessidade de restaurar e conservar a floresta. “Nós destruímos tudo. Hoje nós não temos mata ciliar, nós não temos cobertura que permita as nascentes sobreviverem… Não tem milagre! Se a gente quiser sobreviver na sociedade que temos hoje, nós temos que refazer uma parte do que nós destruímos”, diz Salgado em uma entrevista ao programa Sempre um Papo.

Eles transformaram a propriedade da família na Reserva Natural do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Bulcão, com 609 hectares. As primeiras mudas foram plantadas em dezembro de 1999 e, ano após ano, com o apoio de associados, foi possível plantar mais de dois milhões de árvores de mais de 290 espécies nativas da Mata Atlântica. Com a restauração da cobertura vegetal, voltaram os cursos d’água e os animais.

RPPN Fazenda Bulcão – Foto: Facebook do Instituto Terra

Dessa iniciativa surgiu o Programa Olhos D’Água que tem o objetivo de resgatar os recursos hídricos da Bacia do Rio Doce. Aproximadamente 2 mil nascentes foram recuperadas. 1.022 famílias de pequenos produtores rurais receberam gratuitamente assistência técnica, materiais para construção de cercas e para a instalação de miniestações de tratamento de esgoto, além de mudas para reflorestamento das áreas.

Com ações de reflorestamento no Vale do Rio Doce, o instituto plantou 6 milhões de mudas de árvores de aproximadamente 300 espécies nativas da Mata Atlântica e recuperou uma área de 21,1 milhões de metros quadrados, o equivalente à soma de 2.995 campos de futebol. A maior parte dessas mudas foi produzida no viveiro do próprio instituto, que tem capacidade de produzir 1 milhão de mudas por ano.

Logo do Instituto Terra – Foto: Facebook do Instituto Terra

Eles também criaram o Centro de Educação e Recuperação Ambiental (CERA), onde mais de 70 mil pessoas (professores, alunos, produtores rurais, técnicos agrícolas, ambientais e florestais) já receberam algum tipo de treinamento da ONG desde sua fundação.

O Instituto Terra transformou uma antiga fazenda de gado, totalmente degradada, em uma floresta rica, onde as nascentes voltaram a jorrar e os animais conseguem achar abrigo. Sebastião e Lélia mostraram ao mundo que é possível recuperar a Mata Atlântica. Só depende de nós.

Fragata-de-trindade: a luta para salvar uma espécie criticamente ameaçada de extinção

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Fragata-de-trindade (Fregata trinitatis). Com uma população de menos de 30 indivíduos, a espécie endêmica da Ilha da Trindade está criticamente ameaçada de extinção – Foto: Divulgação

Na remota Ilha da Trindade, no Espírito Santo, as últimas aves da espécie Fregata trinitatis lutam pela sobrevivência. Nos últimos 500 anos navegadores que utilizavam o local como ponto de parada entre a América e a África queimaram árvores e trouxeram animais como ratos, cabras e porcos. A vegetação foi destruída, as aves terrestres que dependiam de plantas para a alimentação foram totalmente extintas. A fragata-de-trindade se alimenta de peixes e é capaz de voar grandes distâncias sem pousar em terra firme, por isso conseguiu resistir. O problema é que ela depende de árvores para se reproduzir. Sem um lugar para construir ninhos, a população começou a diminuir. Hoje existem menos de 30 indivíduos e a espécie se encontra criticamente ameaçada de extinção.

Para tentar mudar essa história, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, desenvolveram ninhos artificiais com uma plataforma para as aves pousarem e colocarem gravetos. Eles serão instalados na Ilha da Trindade em postes que irão simular o papel das árvores. Alguns dos ninhos terão fragatas-de-trindade empalhadas e emitirão sons da espécie acasalando para estimular a reprodução das aves reais.

A ideia é que as fragatas se sintam atraídas pelos sons, cheguem perto para investigar, vejam as aves empalhadas e percebam que elas podem utilizar os postes para a construção de ninhos sem nenhum problema.

Aves empalhadas serão utilizadas em alguns ninhos artificiais para tentar fazer com que as fragatas-de-trindade reais usem os ninhos artificiais – Foto: Patrícia Serafini

Projetos com ninhos artificiais para fragatas já tiverem sucesso em outras partes do mundo, mas essa é a primeira tentativa no Brasil. Para a analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, Patricia Serafini, essa pode ser a última chance da espécie. “Nós precisávamos de uma estratégia rápida e acabamos optando pelos ninhos artificiais. É a primeira vez que esse projeto é testado no país, então, ainda não sabemos qual será a taxa de eficiência. Iremos adaptar de acordo com o comportamento das aves”, explica.

Outras aves como a fragata-grande, a noivinha, o petrel-de-trindade e o atobá-de-pé-vermelho também serão beneficiadas pelo programa. Para a pesquisadora, a forma ideal de garantir a continuidade das espécies seria por meio de uma restauração da vegetação natural, com translocação de mudas. Porém, o processo poderia demorar décadas e só estaria pronto quando as aves possivelmente já estivessem extintas. Mesmo assim, enquanto ornitólogos tratam das aves, botânicos e outros cientistas trabalham na recuperação da flora local, com a transposição de mudas para as ilhas. Segundo Serafini, as cabras foram retiradas da região em 2005, mas outras espécies invasoras, como os ratos, ainda são um desafio.

Para uma recuperação total é preciso proteger a vida marinha ao redor das ilhas. Hoje o arquipélago é uma Área de Proteção Ambiental, restringindo a pesca em determinadas regiões consideradas essenciais para o desenvolvimento das espécies, visando um equilíbrio ecológico. Atualmente, as atividades na região são fiscalizadas pela Marinha brasileira.

De acordo com o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Robson Capretz, ações de conservação da ilha já foram iniciadas no passado, mas no momento são necessárias estratégias para garantir a presença das espécies endêmicas no futuro. “Trabalhar com ilhas é super importante porque o fato de estarem isoladas pelo mar torna aqueles ecossistemas muito frágeis. Por isso, um grande trabalho de fiscalização deve ser feito por governo, Marinha e pesquisadores, para proteger esses ecossistemas nas unidades de conservação recém-criadas. Ainda assim é preciso fazer um diagnóstico da vegetação, dos ninhos e das aves para garantir a reprodução e a sobrevivência das espécies”, ressalta.

Essa iniciativa é essencial para melhorar a situação das fragatas-de-trindade e retirar a espécie da categoria criticamente ameaçada de extinção. Estamos torcendo para dar certo.