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Estudo aponta que humanidade entrará em um ¨colapso irreversível” em 40 anos.

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Mudanças Climáticas | No Comments

O fim da humanidade está próximo! Parece frase sensacionalista que encontramos pintadas em muros mas, infelizmente, não é. 

Um artigo publicado pela Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo, tem incomodado a comunidade científica.
O estudo em questão é o ¨Deforestation and world population sustainability: a quantitative analysis¨ (Desmatamento e sustentabilidade da população mundial: uma análise quantitativa, em tradução livre), produzido pelos pesquisadores Mauro Bologna e  Gerardo Aquino. Ele faz uma análise quantitativa da sustentabilidade do atual crescimento da população mundial em relação ao processo de desmatamento, do ponto de vista estatístico. Os autores afirmam que se a humanidade mantiver o ritmo atual, a civilização pode caminhar para o “colapso irreversível” numa questão de décadas. 

Para tornar a situação mais preocupante,  inúmeros renomados cientistas comentaram sobre o quão impecável e completo é o estudo.

 

 

O que o estudo levou em consideração? 

Se existe um problema inegável, cheio de evidências e comprovações científicas, é o desmatamento das florestas do nosso planeta. Dos 60 milhões de km² de florestas que existiam, menos de 40 milhões de km² ainda estão de pé.

Mauro Bologna e  Gerardo Aquino, autores do artigo, afirmam que apesar do aquecimento global ser preocupante, jamais sentiremos seus maiores impactos pois, a chance dos nossos ecossistemas colapsarem antes, é maior. 

Grandes florestas, como a Amazônia, já estão bem perto de atingir um limiar de destruição irreversível, tornando o ecossistema incapaz de se auto sustentar. Isso resultará no seu completo desaparecimento. Situações como essa não são novidades e já aconteceram em outros locais do planeta. A retirada da cobertura original em alguns ecossistemas foi tão grande que a paisagem foi totalmente transformada em desertos.

 

Desmatamento da Amazonia. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

 

Modelos matemáticos complexos foram desenvolvidos pelos autores do artigo a fim de mensurar os problemas que estamos causando.

Para as análises, foram levados em conta diversos fatores: 

  • A taxa de crescimento populacional humana, 
  • A taxa de criação e destruição de unidades de conservação ao redor do mundo, 
  • Variações da demanda por madeira,
  • Áreas de pasto ou agrícolas,
  • Previsões de mudanças na taxa de desmatamento
  • Prováveis avanços tecnológicos que poderiam interferir positivamente nesse cenário.

Modelo adotado por Mauro Bologna e Gerardo Aquino.

 

Após diversas análises, utilizando diferentes cenários possíveis, os resultados foram preocupantes.

Caso o ritmo de destruição das florestas se mantenha como atualmente, perderíamos todas as árvores da Terra em apenas 100 ou 200 anos, mas os efeitos dessa catástrofe, obviamente, serão sentidos muito antes da última árvore ser cortada.

Modelos desse tipo já foram utilizados anteriormente para analisar o  ecocídio (extinção da civilização local pela destruição ambiental que elas mesmas causaram) que ocorreu na Ilha de Páscoa e os cientistas afirmam que o que está ocorrendo no planeta é assustadoramente similar.

Mauro Bologna e  Gerardo Aquino ainda citaram em seu artigo o “Paradoxo de Fermi”, que questiona nossa falta de conhecimento de civilizações extraterrestres. Estatisticamente, bilhões de civilizações existem em planetas a nossa volta, apesar de nunca termos encontrado  nenhuma delas. De um ponto de vista teórico, as civilizações podem ser tão complexas que poderiam colonizar grande parte de suas galáxias, mas na prática, isso nunca foi observado por nós. Aí entra “Paradoxo de Fermi”. Ele hipotetiza que pode existir alguma barreira que impeça que essas civilizações atinjam essa complexidade, como, por exemplo, o esgotamento dos recursos de seu planeta natal, resultado em sua própria extinção. Desse modo poderíamos inferir que os outros moradores do universo não são encontrados porque quase todos podem já estar mortos. 

 

Apelidada de “o grande filtro”, essa barreira pode impedir que as civilizações alcancem uma escala interplanetária. Enquanto nossa espécie ultrapassou várias barreiras no passado, não conseguiremos ultrapassar o grande filtro (em vermelho) pois, segundo os autores, esgotaremos nosso planeta antes – Créditos na imagem

 

A que conclusão os autores chegaram?

Com base nas taxas atuais de consumo de recursos e na melhor estimativa de crescimento da taxa tecnológica, o estudo aponta que, a humanidade tem uma probabilidade de menos de 10% de sobreviver sem enfrentar um colapso catastrófico. Isso na perspectiva mais otimista e em um prazo máximo de 40 anos

Isso resultaria na completa aniquilação da humanidade pela destruição massiva das florestas do planeta e, consequentemente, em um colapso sistêmico dos principais ecossistemas. As secas extremas ocasionadas pelo fim das florestas impossibilitariam a produção da comida e isso seria o fim da humanidade.

Esse mesmo cenário também explicaria o Paradoxo de Fermi, uma vez que civilizações tendem a se autodestruir antes de expandir para outros planetas.

 

Já podemos no preparar para o pior?

A situação é extremamente preocupante sim, e, apesar de cenários estatísticos serem extremamente teóricos, os modelos testados neste artigo foram extremamente embasados e completos, além de muito elogiados por outros cientistas, indicando que essas previsões podem estar certas. 

Se não mudarmos drasticamente a nossa forma de consumo nossa civilização irá acabar  muito em breve.

Para nossa infelicidade, a hora da mudança é AGORA e, mesmo como todas as evidências e provas científicas, nem todas as pessoas e governantes estão dispostas a elas.

Incêndios na Austrália: entenda a gravidade

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas | No Comments

A Austrália é hoje o foco das atenções do mundo devido às catástrofes climáticas que vem enfrentando. Há meses, incêndios florestais devastam áreas enormes de florestas por todo o país, sendo considerada a pior onda de incêndio da história para os australianos.

 

Helicóptero despejando água durante o incêndio. Fonte: Reprodução G1

Causas do incêndio

 

Diferente do Brasil, a maioria dos incêndios na Austrália são provocados por causas naturais, surgindo da combinação de temperaturas acima dos 40 graus, ventos fortes e tempo muito seco. Lá, os incêndios são comuns e acontecem todos os anos. Porém, a situação tem ficado mais complicada com o passar dos anos, devido ao efeito direto das mudanças climáticas do aquecimento global.

 

Canguru fugindo do incêndio. Fonte: G1

 

Dois dos principais fenômenos que controlam o clima, tem influência direta nos incêndios. Os fenômenos são conhecidos como: DOI (Dipolo do Oceano Índico) e MAS (Modo Anular Sul).

O DOI é a oscilação de temperatura no mar ao leste e oeste do oceano Índico. Quando a combinação da diferença na temperatura da superfície do mar indicam índices positivos, significa que haverá menos chuvas na Austrália. Já o MAS, é o movimento norte-sul do cinturão de ventos. Quando os índices são negativos, também significa menos chuvas na região.

Em 2019, o cenário foi uma combinação de DOI (+) e MAS (-), ou seja, os extremos para pouca chuva. Somado às altas temperaturas, geraram este cenário desolador. É um efeito raro, porém foi intensificado pelo aquecimento global.

 

Números da catástrofe

 

Nestes 4 meses de fogo contínuo, autoridades e pesquisadores estimam que:

  • Cerca de 500 milhões de animais morreram (entre mamíferos, anfíbios, aves, répteis…);
  • 1/3 da população de coalas foi dizimada;
  • Mais de 100.000 pessoas desalojadas de suas casas;
  • Mais de 25 pessoas mortas;
  • Mais de 8 milhões de hectares queimados.

 

Canguru carbonizado após passagem do fogo. Fonte: Internet

Diferença entre a Austrália e o Brasil

 

Incêndios florestais não são um problema apenas na Austrália. Recentemente, passamos por um período grave de focos de fogo por todo o país. As queimadas ficaram mais evidentes na Amazônia, mas também afetaram gravemente o Pantanal e Cerrado.

No Brasil, a maior parte dos incêndios registrados foram na Amazônia, uma mata úmida que não pega fogo naturalmente. Aqui, a maioria dos incêndios são criminosos, colocados para a limpeza de área previamente desmatadas. Ou seja, boa parte dos incêndios na Amazônia ocorreram em áreas onde as árvores já foram derrubadas.

Já na Austrália, os incêndios consomem florestas em pé – lembrando que o desmatamento é a principal causa do aquecimento global. A maior parte das queimadas acontecem por causas naturais, assim como no Cerrado brasileiro. Porém, estão sendo intensificadas e mais extensas devido às alterações climáticas dos últimos anos.

 

Entenda melhor a diferença nesta arte criada pelo Hugo Fernandes, do Instagram @hugofernandesbio

 

A situação na Austrália é gravíssima! A tendência é que os próximos anos sejam mais perigosos, pois a cada ano que passa, as condições para o fogo tem ficado mais propícias. As mudanças climáticas não estão batendo em nossa porta, estão invadindo e devastando tudo pela frente. Não há mais tempo para negacionismo, precisamos agir já!

 

Entenda o atual cenário da política ambiental no Brasil

By | Conservação, Educação ambiental, Meio Ambiente | No Comments

Retrocesso. Essa é a palavra que define o  cenário ambiental brasileiro nos últimos anos. Já há tempos que o governo enxerga o meio ambiente como um impasse e não como um aliado na evolução do Brasil. E, ao contrário do que se pensa, não é de agora que as políticas ambientais recebem os menores investimentos possíveis; são utilizadas como moeda de troca e deixadas para último plano. 

No entanto, com o governo atual, temos uma dinâmica negativa que aponta para o pior cenário deste século. Segundo alguns pesquisadores e ambientalistas, o enfraquecimento das políticas do meio ambiente e aumento do desmatamento ameaçam retroceder o país a níveis preocupantes! 

As estatísticas recentemente divulgadas de desmatamento na Amazônia (aumento de 88% em junho de 2019 , em relação ao mesmo período do ano passado) e a bagunça do Ministério do Meio Ambiente mostram que o Brasil caminha para seu pior cenário ambiental, o que pode custar até US$ 5 trilhões ao país!

A RECENTE HISTÓRIA POLÍTICO-AMBIENTAL BRASILEIRA

Encontro de ex-ministros do Meio Ambiente no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo. 08/05/2019 (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Especialistas definem três recortes da História recente do país: 

Antes de 2005: quando o desmatamento foi alto, e a governança, fraca; 

De 2005 a 2011: período considerado, por estudiosos, de boa governança, com políticas de controle que resultaram em redução do desmate;

De 2012 a 2017: com governança intermediária, quando se mantiveram medidas de controle e, ao mesmo tempo, sinais de estímulo a práticas negativas para as florestas (caso também de 2018).

PREVISÕES PARA O FUTURO 

Ricardo Salles, atual ministro do Meio Ambiente. ( Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Infelizmente, as previsões para o futuro do meio ambiente não são das melhores. Além das consequências que o aumento do desmatamento pode trazer para a vida no Planeta, o que já é preocupante por si só, no setor político também não temos estimativa de boas notícias num futuro próximo. 

Para André Lucena, da Coppe/UFRJ, se o Brasil de fato retroceder ao pior cenário, “não há chance alguma de cumprir as metas do Acordo de Paris “. Nosso objetivo é reduzir 37% da emissão de carbono até 2025, mas hoje, somos o sétimo maior emissor do mundo! Os números não estão do nosso lado. 

E, como se já não bastasse, ainda firmamos o compromisso de manter o aumento de temperatura abaixo dos 2 graus. Para isso, o país pode emitir uma quantidade específica de carbono até 2050. Mas se o desmatamento acaba com esse “crédito” de carbono, outros setores da economia vão ter que fazer um esforço enorme para compensar.

Temos casos de sucesso no passado, mas as condições também foram favoráveis. Entre 2005 e 2012 o país conseguiu reduzir as emissões em 54%, mas em grande parte, foi por conta da redução do desmatamento (em 78%). Todavia, no momento atual, “é grande a probabilidade de o desmatamento em 2019/2020 ser bem superior ao de 2018/2019”, avalia Raoni Rajão, professor da UFMG e co-autor dos estudos. 

 

Então, entendendo um pouco melhor sobre o cenário político no qual o meio ambiente se encontra, você será capaz de opinar e defender os melhores planos de governo para a natureza, mas mais do que isso, exigir que eles sejam cumpridos! Nós temos uma riqueza imensa no Brasil, que pode gerar recursos, mas que para isso precisa ser monitorada, cuidada, recuperada e vista como uma das prioridades, afinal, sem meio ambiente, não existe vida. 

6 consequências do desmatamento na Amazônia

By | Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Não categorizado | No Comments

Você sabia que as florestas são essenciais para conservar a biodiversidade do planeta? Elas suprem a necessidade de abrigo, água e sustento para milhares de pessoas! E pensando nisso, podemos dizer que a Amazônia é o coração pulsante do nosso planeta, ou seja, é vital para equilibrar o clima global. A mata armazena bilhões de toneladas de carbono, um volume maior de água doce do que qualquer outro lugar do mundo, além de uma grande variedade de plantas e animais. Também é o lar de milhares de pessoas, incluindo povos indígenas e comunidades locais.

Mas, no momento, toda essa riqueza está ameaçada: o desmatamento na Amazônia cresceu 88% em relação ao mesmo período do ano passado! Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), essa destruição já atingiu 920 quilômetros quadrados dentro do bioma. As estatísticas e o descaso do governo com políticas ambientais preocupam, não apenas pelo bioma em si, mas pelas consequências irreversíveis que essas agressões podem trazer para o planeta. 

O desmatamento na Amazônia cresce em escala alarmante. (Foto: PAULO WHITAKER/Reuters)

Confira algumas consequências da ação humana na nossa natureza:

1. Devastação da biodiversidade  

Com a derrubada da mata, o habitat de muitos animais torna-se escasso ou até mesmo inexistente. Por isso, diversas espécies endêmicas, ou seja, que só existem nesta determinada região, como Uacari-Branco (Cacajao calvus), mico-de-cheiro (Saimiri vanzolinii), ave Formigueiro-ferrugem (Myrmeciza ferruginea), etc., ficam sob risco de extinção à medida que o abate nas florestas da Amazônia avançam. Hoje, já existem 124 espécies endêmicas ameaçadas! 

2. Erosão e empobrecimento dos solos 

Sem cobertura vegetal, o solo fica desprotegido, sendo facilmente atingido por agentes erosivos como água da chuva, água do rio, vento, etc. Tal impacto ocasiona a erosão, que nada mais é do que o desprendimento, transporte e depósito de sedimentos de um local para o outro, trazendo e levando elementos indesejados, além de empobrecer consideravelmente o solo.

3. Diminuição dos índices pluviométricos 

Se você acha que o desmatamento da Amazônia impacta apenas a vida no próprio bioma, está muito enganado. A ação humana sobre a natureza da região influencia a falta de água sentida em outras regiões mais populosas do país, incluindo o Sudeste! 

Estudos apontam que a diminuição da quantidade de árvores na Amazônia impede o fluxo de umidade entre o Norte e o Sul do país. 

4. Mudanças climáticas 

Muitas florestas contribuem para a formação de umidade no ambiente, além de absorver o calor do sol para fazer a fotossíntese, de forma que sua retirada pode prejudicar o equilíbrio climático do local. No caso da Amazônia, já existem alguns estudos prevendo que até o ano 2050, as temperaturas aumentarão entre 2º C e 3°C! Como se não bastasse, a diminuição das chuvas pode prolongar os períodos de seca, deixando-os ainda mais severos. 

O mais preocupante é que essas alterações trazem graves consequências, como mudanças substanciais na sazonalidade, com impactos sobre plantas, animais e seres humanos.

5. Desertificação 

Estudos revelam que, se o desmatamento chegar a 50% da área original da Amazônia, o processo de desertificação pode transformar a região leste da floresta em savana. Tal feito estabeleceria um novo estado de equilíbrio, dando ao bioma uma configuração de destruição irreversível, ou seja, não teríamos chances de salvar o “ar condicionado” do país. 

6. Aumento de pragas e doenças 

A relação entre desmatamento e doenças já vem sendo debatida há algum tempo por cientistas e ambientalistas. Mas, recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concretizou um estudo inédito relacionando o desflorestamento da Amazônia e doenças como malária e leishmaniose.

Repositora de serviços ecológicos e ambientais, a floresta Amazônica, quando conservada em volume e biodiversidade, é, para os pesquisadores Nilo Saccaro, Lucas Mation e Patrícia Sakowski, a forma de conter o aumento destas doenças.

 

Essas são as principais e mais preocupantes consequências da recorrente agressão à natureza aqui no Brasil. Os números de destruição só crescem, o governo, na contramão da necessidade, segue flexibilizando as leis ambientais do país e com isso, colocamos nossa própria existência em risco. 

Então, repense suas atitudes. Consulte planos de governo antes das eleições, procure por intenções e propostas de conservação do meio ambiente, cobre das autoridades mais rigor em relação às leis ambientais e lute você também pela existência da biodiversidade.