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Ficha animal: Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

By | Animais ameaçados de extinção, Conservação | No Comments

O lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul. Sua família inclui os cães, lobos e raposas.

Seu nome científico (Chrysocyon brachyurus) significa cachorro vermelho de cauda curta. O próprio nome popular, Guará, de origem tupi-guarani, remete ao seu tom avermelhado de pelagem.

 

Lobo-Guará

Lobo-guará. Foto: todamateria.com

 

Características

Grande parte da pelagem dos lobos-guarás é laranja-avermelhada. Suas pernas são pretas e longas, a garganta e a ponta da cauda são brancas e a crina preta. Possuem excelente olfato e audição. As orelhas bem compridas, desproporcionais ao tamanho da cabeça, amplificam os sons e ajudam a localizar as presas.

É um animal alto e esguio, com os maiores machos alcançando até um metro de altura nos ombros e máximo de 40 kg e podem viver de 12 a 15 anos.

 

Entre carros e plantações, lobo-guará luta para sobreviver no que resta do Cerrado | National Geographic

Lobo-guará. Foto: Adriano Gamarini

 

Onde ocorrem

É um animal típico do Cerrado. 

Além do Brasil, pode ser encontrado em regiões da Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru e Uruguai.

 

Distribuição geográfica do lobo guará

Ocorrência do lobo-guará. Fonte: todamateria.com

 

Hábitos

Ao contrários de outras espécies de lobo que vivem em matilha, o lobo-guará é um animal de hábito solitário. É avistado, normalmente, em grandes campos nos fins de tardes e durante as noites.

São animais tímidos, preferindo manter distância de populações humanas, mas devido a degradação do hábitat que vivem, acabam se aproximando de centros urbanos em busca de alimentos.

 

Alimentação

O lobo-guará é um animal onívoro, podendo se alimentar tanto de plantas, quanto de animais. Suas presas variam desde roedores, tatus, aves, lagartos, cobras, artrópodes e vários frutos. Um dos principais alimentos do lobo-guará é a lobeira (Solanum lycocarpum), uma fruta é típica do Cerrado. Ao se alimentar da lobeira, o lobo-guará ajuda a dispersar as sementes da frutinha em suas fezes.

 

Lobo-Guará - Que Bicho é Esse?

lobo-guará se alimentando. Foto: Bichos curiosos

 

Reprodução

Por ser um animal solitário, os encontros entre macho e fêmeas ocorrem apenas em períodos reprodutivos, entre abril e junho. Os nascimentos dos filhotes ocorrem entre junho e setembro e a gestação dura de 56 a 67 dias.

Em cada ninhada podem nascer de um a sete filhotes, que nessa fase possuem a pelagem escura. Eles permanecem em todas escavadas pelas mãe por cerca de sete semanas. 

 

Lobo-Guará

Filhote de lobo-guará. Foto: todamateria.com

 

Ameaças

Mundialmente reconhecidos como ameaçados de extinção, os lobos vem sofrendo bastante com ações humanas.

O desmatamento é um dos principais problemas enfrentados pela espécie,  reduzindo sua área de vida e forçando-os a migrar para outros locais, principalmente em busca de alimento. 

Por estarmos expandindo cada vez mais as cidades, e invadindo o espaço natural da espécie, os lobos podem ocasionalmente predar animais domésticos (como galinhas e patos), causando uma série de conflitos com humanos, que podem levar até ao abate do indivíduo. Devido ao desconhecimento da população, acabam sendo visto como grandes e perigoso predadores. 

Pelo fato de ter uma área de vida grande (que pode chegar a mais de 100 km²) o lobo frequentemente cruza estradas, somado ao fato de que os lobos podem se alimentar de carcaças de animais na beiras das estradas, é muito comum o atropelamento desses animais.  

Atropelamento-Lobo-guara

Lobo-guará atropelado. Foto: FUNBIO

 

Os lobos-guarás são realmente animais incríveis, não são? Então vamos ajudar a preservá-los!

 

Texto por: Fernanda Sá

 

 

 

Marketing aplicado na conservação em tempos de coronavírus

By | Conservação, Educação ambiental, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente | No Comments

Caos. Essa é, provavelmente, a primeira palavra que vem à nossa mente quando pensamos em coronavírus. Notícias ruins aparecem de todos os lados: saúde, educação, segurança, economia e sociedade. O mundo contemporâneo está vivendo experiências nunca antes vistas, sofrendo consequência impensáveis e sendo obrigado a se reinventar. Então, no meio de tantos acontecimentos negativos, essa é a notícia boa: o mundo está sendo obrigado a se reinventar.

 

Foto: Stephanie Keith/Getty Images

 

O que pode ser mais a cara do marketing do que a necessidade de “reinvenção”? O que nós, profissionais da área, aprendemos o tempo todo? Aprendemos a inovar! Pois bem, é em momentos como este que o nosso dom floresce, nossas estratégias se fortalecem e os resultados ganham significados ainda mais importantes. Com o marketing aplicado na conservação não seria diferente. 

 

Olhos voltados aos animais silvestres  

 

Infelizmente, a origem do COVID-19 está muito mais atrelada à não conservação da fauna do que gostaríamos. As hipóteses mais debatidas são pautadas em experiências que envolvem o consumo de animais silvestres. Entre eles: morcego, pangolim, etc. Segundo algumas – ou muitas – fontes científicas, a ingestão direta desses animais pode ter ocasionado a contaminação de seres humanos na China, visto que são iguarias apreciadas na culinária local. O que antes era um problema regional, acabou tomando proporções exacerbadas e tornou-se uma pandemia. 

 

Foto: REUTERS/Kham/File Photo/Reuters

 

Apesar de ser um acontecimento bastante triste, ele trouxe à tona um assunto pouco visto e que precisa, sim, ser debatido: a caça e o tráfico de animais silvestres. Infelizmente, os homens precisaram sentir na pele os riscos desta prática para dá-la um pouco mais de atenção. É diante deste cenário que o marketing, principalmente focado na conservação, se faz necessário. A divulgação da mensagem, informação e educação ambiental caem como uma luva para a situação.  

Os animais selvagens existem para viverem livres na natureza, não para serem caçados, exibidos como troféu e muito menos apreciados na culinária. Os seres vivos e ecossistemas precisam coexistir de forma a respeitar seu ciclo natural. Qualquer interferência indevida pode causar grandes estragos. É essa mensagem que a comunicação deve disseminar. 

 

Fortalecimento do digital

 

Apesar de parecer o fim do mundo, momentos críticos também afloram um sentimento lindo dentro dos seres humanos: a solidariedade. Para salvar uns aos outros, boa parte da população mundial assumiu o compromisso de ficar em suas casas, diminuindo as chances de propagação do vírus. Mas, mesmo que fique cada um na sua, a comunicação entre pessoas não pode simplesmente desaparecer. Por isso, todos aumentamos consideravelmente o uso da internet. Invenção, essa, que nos permite sentir um pouco mais conectados aos que estão longe.

 

Foto: Reprodução

 

Já que estão todos na internet, qual é a melhor forma de disseminar a minha causa? Isso mesmo, na internet! O momento é ótimo para apostar em marketing digital e explorar ferramentas que antes não faziam tanto sentido. Informação relevante é sempre bem-vinda, principalmente quando ela aparece “na nossa cara” sem precisar de esforço. 

Se possível, transmita mensagens leves, positivas e entregue ao seu público um momento de “respiro” diante de tanta notícia ruim. Frequência e consistência também são fundamentais. 

 

Captação de recursos 

 

Dentre todas as janelas de oportunidade abertas, uma mais antiga acabou se fechando temporariamente: a captação de recursos. A crise na economia pode prejudicar significamente o setor de doações nos projetos de conservação. Será preciso repensar os métodos de arrecadação, o destino do capital obtido e aparar algumas arestas. 

No entanto, ao contrário do que se pensa, a comunicação não deve ser uma dessas arestas aparadas. Ela pode parecer menos importante num primeiro momento, mas se analisarmos com racionalidade, é ela quem vai manter seu projeto de pé para arrecadar recursos suficientes quando a economia se reerguer. Manter uma comunicação sólida, frequente e impactar seu público-alvo com informações relevantes durante esse tempo, vai fortalecer sua causa na mente das pessoas. Quando o caos terminar e eles sentirem que precisam fazer mais pelo mundo, lembrarão de você na mesma hora.  

Enfim, a necessidade de reinvenção está em alta, todos – ou pelo menos a maioria – estão com tempo o suficiente para repensar alguns hábitos de suas vidas. A busca por um propósito e por formas de melhorar o mundo se faz cada dia mais forte. Essa é a nossa chance de mostrar a eles que a conservação pode E DEVE virar prioridade. Agarre a oportunidade com unhas e dentes!