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Aléxia Ferraz

Medalha do Mérito Indigenista… Hã???

By Datas comemorativas, Notícias

Hoje, 19 de abril, comemora-se o Dia dos Povos Indígenas. Uma data importante para fazermos memória da trajetória que os índios de toda a América trilharam para conquistar os seus direitos. Diante de tantas ameaças e desrespeito, trouxemos as principais informações que vocês precisam saber para viver esse dia de uma maneira diferente, mais reflexiva. Continue acompanhando para saber mais!

O Primeiro Congresso Indigenista

Entre os dias 14 a 24 de abril de 1940, foi realizado o Primeiro Congresso Indigenista Americano em Patzcuaro, no México. Ele teve por objetivo, a reunião de importantes líderes indígenas de diferentes regiões do continente americano para colaborarem na criação de instrumentos eficazes que permitissem o acesso desses povos às instituições de ensino. 

A Constituição brasileira prevê o respeito à diversidade e especificidades da cultura indígena nas escolas. Foto: internet

Esse encontro soou como um reconhecimento de que os problemas dos indígenas abrangem toda a América e, por isso, devem ser reconhecidos e elucidados em cada jurisdição, a fim de que novas práticas integrem a vida deles ao continente americano.

História do Dia do Índio

Inspirado nas pautas do congresso, Getúlio Vargas, em 1943, por meio do Decreto-Lei nº 5.540, instituiu a data 19 de abril como “Dia do índio”. Essa foi uma marca memorável da luta desse povo pela educação e, hoje, uma data de conscientização e respeito por todas essas ricas culturas.

No final de 2021, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que propõe a alteração do nome “Dia do Índio” para “Dia dos Povos Indígenas”. A deputada Joenia Wapichana, autora da proposta, frisou que durante essa comemoração, é importante ressaltar o valor de todos os povos indígenas da sociedade brasileira e não só a imagem do índio como um indivíduo isolado e estigmatizado.

A Medalha do Mérito Indigenista

No ano de 1972, o presidente Emílio Médici, por meio do Decreto n° 71.258, instituiu a Medalha do Mérito Indigenista, como uma honraria oferecida a brasileiros ou estrangeiros que se destacam pela prestação de serviços relevantes relacionados ao bem-estar, proteção e defesa das comunidades indígenas do país. 

Condecoração de 2020: Jair Bolsonaro?

Anualmente, são escolhidas algumas personalidades para serem homenageadas pelo Ministro de Estado do Interior por meio da indicação e aprovação do Conselho Indigenista da Fundação Nacional do Índio (Funai). E, em 2022, uma das pessoas aprovadas para tal honraria foi o nosso atual presidente, Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro, recebe a medalha pelas mãos do Ministro da Justiça, Anderson Torres. Foto: Clauber Cleber Caetano

Tal feito repercutiu negativamente pelas redes sociais (com toda a razão), uma vez que o governo Bolsonaro tem tomado decisões prejudiciais a todas as conquistas relacionadas à cultura e segurança dos povos indígenas.

Não faltam provas para exemplificar essa afirmação, a começar pelo ano de 1988, quando na Câmera dos Deputados, queixou-se sobre a incompetência da cavalaria portuguesa no que toca à dizimação dos povos indígenas no Brasil.

Enquanto presidente, não acrescentou sequer 1 cm a mais às propriedades de reserva indígena. Pelo contrário, idealizou o mais recente Projeto de Lei 191/20 que regulamenta a exploração de recursos naturais dentro dessas áreas protegidas para suprir a necessidade de minerais como potássio para produção de fertilizantes – mais uma vez, favorecendo a bancada ruralista.

Sem dúvida, os atos praticados pelo atual presidente não se relacionam positivamente com o objetivo e significado da medalha, por isso, muitos daqueles que foram homenageados nos anos anteriores se sentiram extremamente ofendidos, a começar por Sydney Possuelo.

Um ato de ofensa a muitos brasileiros!

Sydney Possuelo, ex-presidente da Funai e um dos maiores indigenistas do Brasil, para demonstrar a sua indignação, foi até o Ministério da Justiça para devolver a medalha que recebeu em 1987. Junto a ela, deixou uma carta que expressava a razão desse protesto:

Há 35 anos, vivi a honra de receber a medalha do Mérito Indigenista. E, como é de público conhecimento, delegou-me, em 1991, o coronel Jarbas Passarinho, então ministro da Justiça, a tarefa de demarcar, em nome do governo brasileiro, a Terra Indígena Yanomami. Meus companheiros e eu, da Fundação Nacional do Índio – Funai, a cumprimos. E disso nos orgulhamos.

Entendo, senhor ministro, que a concessão do Mérito Indigenista ao senhor Jair Bolsonaro é um flagrante, descomunal, ostensiva contradição em relação a tudo que vivi e a todas as convicções cultivadas por homens da estatura dos irmãos Villas-Boas.

Por essas razões, senhor ministro, devolvo ao governo brasileiro, por seu intermédio, a honraria que, no meu juízo de valores, perdeu toda a razão pela qual, em 1972, foi criada pelo Presidente da República. 

Sydney Ferreira Possuelo

Sertanista 

Ofendido, um dos maiores indigenistas do Brasil, Sydney Possuelo, devolve a medalha que ganhou em 1987. Foto: Minervino Junior.

O que você pode fazer?

O governo Bolsonaro tem sido marcado por muitos desfavores ambientais, além de, como você viu, atos prejudiciais e desrespeitosos aos povos originários. Por isso, na eleição deste ano, não deixe de estudar bem o histórico do seu candidato e claro, analisar detalhadamente as suas propostas. Não podemos mais nos omitir nestas questões e muito menos, eleger candidatos que propaguem o retrocesso de conquistas já realizadas! 

Vamos fazer diferente!

 

Texto por: Aléxia Ferraz

Revisado por: Diego Rugno

Bond da Conservação: Arnaud Desbiez

By Bond da Conservação, gigantes da conservação, Personagens da conservação, Projetos de conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje iremos conversar sobre Arnaud Léonard Jean Desbiez, um zoólogo PhD em Manejo de Biodiversidade pelo Instituto de Conservação e Ecologia de Durnell (DICE), Universidade de Kent, UK. Ou ainda: o homem por trás de um dos maiores projetos de conservação do Brasil, o Programa de Conservação do Tatu-Canastra.

Arnauld é um conservacionista associada à RZSS desde 2007. Foto: RZSS Conservation

Se você leu esse nome e estranhou a escrita, você está no caminho certo: Arnaud não é brasileiro! Na verdade, ele é parisiense. Que chique, não? Apesar de ter nascido na França, ele relata que frequentemente se mudava junto a sua família para Nova York , e por isso, tem o francês e o inglês como língua nativa.

A primeira escolha: a sua paixão!

Independente do lugar em que estava, ele não consegue se lembrar de querer outra coisa na vida a não ser trabalhar com animais. E foi assim que, em 1995, decidiu-se pela graduação de Zoologia na McGill University no Canadá, sendo esse o seu primeiro grande passo para a vida de renomado biólogo conservacionista. 

Iniciou a sua vida de zoólogo trabalhando como tratador de zoológico, mas após alguns anos, sentiu pulsar em seu coração uma imensa vontade de trabalhar com animais livres na própria natureza, “o que me levou a embarcar em uma jornada que me levou por seis diferentes países para trabalhar com uma diversidade de espécies, comunidades e crenças.” 

Depois de ter feito paradas em países como Argentina, Belize e Nepal, em 2002, aos 28 anos, chegou ao Mato Grosso do Sul do Brasil, onde reside há mais de 20 anos. E, claro, onde tem feito muita história em prol da conservação.

Os tatus-canastra fazem tocas de até 6 metros de profundidade em cerca de 20 a 30 minutos. Foto: WFN

Depois de peregrinar tanto por esse mundo, você sabe o que fez Arnaud se instalar por aqui? O Tatu-Canastra!

Aliás, você já ouviu falar sobre esse animal? Se sim, pode ter certeza que foi por causa do trabalho árduo dele e sua equipe.

Início do projeto

Em 2010, o Dr. Arnaud Desbiez deu início ao Projeto de Conservação do Tatu-Canastra – núcleo financiado pela Royal Zoological Society of Scotland (RZSS) – estabelecendo um estudo pioneiro de longo prazo sobre a ecologia e biologia da espécie, além de buscar compreender a sua função ecológica.

Mas quem é o Tatu-Canastra?

Arnaud gosta de chamá-lo de “fóssil vivo”,  pois são cobertos por uma armadura dura e robusta como uma canastra – daqui vem o nome – e são enormes, medindo cerca de 1,5 m da ponta do nariz até a ponta da cauda, além de pesarem, em média, 50 kg. Uma característica que o intriga ainda mais, é o comprimento de sua garra, que pode chegar a até 15 cm, maior do que as garras de um urso!

Apesar de seu corpo e tamanho impressionantes e sua ampla distribuição pela América do Sul, é muito difícil encontrar esse animal andando por aí, pois ele possui o hábito de se manter entocado durante o dia em buracos de até 6 metros de profundidade, saindo apenas durante a noite.

Quando capturam um indivíduo, estudam sua saúde do animal e o monitoram por cerca de 2 anos. Foto: ICAS

Antes do início do projeto, o tatu-canastra era um animal completamente desconhecido, ” […] nem o dono da fazenda onde funciona nossa base, que nasceu e foi criado aqui, tinha visto um desses animais antes de iniciarmos o projeto.”

Esse desconhecimento da espécie foi um motivo especial para que ele e a equipe se determinassem a trabalhar incansavelmente para revelar os mistérios desse animal. Para isso, equipamentos de transmissão de rádio, armadilhas fotográficas, levantamentos de tocas, monitoramento de recursos, mapeamento de recursos e entrevistas com a população local foram imprescindíveis para o surgimento dos primeiros resultados. 

O empenho e determinação de Arnauld possibilitaram o conhecimento da importância ecológica da espécie, revelando-se como engenheira do ecossistema, uma vez que quando abandona as suas tocas, elas servem de abrigo e refúgio para outras 30 espécies. 

Arnaud trabalhou junto com os cineastas para capturar boas imagens para seu documentário. Foto: WFN

A emoção de sonhar junto com colaboradores

Falando em resultados iniciais, Arnaud tem um carinho especial pela instituição do Chester Zoo, pois ela foi um dos primeiros zoológicos a apoiar o projeto quando ele era apenas um sonho, quando a equipe nem tinha certeza que seria capaz de encontrar o animal. Esse financiamento foi importantíssimo para que se desenvolvessem e alcançassem resultados tão prósperos hoje. 

Um desses resultados visíveis é o reconhecimento da espécie Tatu-canastra como uma das 5 espécies indicadoras para a criação de áreas protegidas. O que significa que, após 5 anos do início do projeto, uma espécie até então misteriosa, passou a defender medidas de conservação de habitat. Incrível, não é?

O sorriso de quem ama o que faz! Foto: Cincinnati Zoo

Indo muito mais além…

Frente aos incríveis resultados obtidos na descrição da espécie de tatu, Dr. Arnaud e sua equipe voltaram a atenção para uma outra espécie icônica e muito ameaçada: o tamanduá-bandeira, lançando a iniciativa “Bandeiras e Rodovias”. Esse projeto visa a avaliação do impacto das estradas do Cerrado nas populações dessa espécie, esperando que o acompanhamento da espécie e futuros resultados forneçam informações importantes para uma reformulação das estratégias de gerenciamento de estradas no Brasil. Mais uma vez, é ele quem se encontra responsável pela coordenação geral desse programa de conservação.

Do Tatu-Canastra ao Bandeira! Foto: National Geographic

Fundação do ICAS

Para dar suporte administrativo a esses dois projetos que coordena, Arnauld fundou, em 2018, a ONG ICAS – Instituto de Conservação de Animais Silvestres. Diante da seriedade e reconhecimento dos projetos coordenados por esse homem, essa instituição já conta com o apoio de 40 zoológicos e aquários do mundo todo!

Reconhecimento mundial

Em 2015, ele foi reconhecido como um grande nome da conservação mundial, sendo premiado com o Whitley Award –  um Oscar da conservação – pelas mãos da princesa Anne da Inglaterra, em cerimônia na Royal Geographical Society, em Londres. Mas não para por aí, porque além disso, seu trabalho foi apresentado na National Geographic, BBC Nature e recentemente, ganhou espaço em um documentário de 60 minutos na PBS.

Princesa Anne da Inglaterra entregando o Whitley Award para Arnaud. Foto: Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ)

Fala sério… que história impressionante e inspiradora! O nosso muito obrigado por tamanho empenho e dedicação na conservação de nossos animais simpáticos. Sabemos que, com certeza, houve muitos desafios, mas a sua perseverança ganhou uma visibilidade internacional e o nosso eterno carinho.

 

Texto por Aléxia Ferraz

Revisado por Jéssica Amaral Lara

 

Um comércio com rastro de sangue: o tráfico de aves no Brasil

By Animais ameaçados de extinção, Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Notícias

Você sabia que cerca de 37.937.619 milhões de aves são mantidas nas casas dos brasileiros? Esses dados foram coletados a partir da Pesquisa Nacional de Saúde em parceria com o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013. Provavelmente o número deve ser maior atualmente, quase 10 anos depois.

Destas quase 40 milhões de aves, grande parte foi obtida através do tráfico de animais silvestres. Venha entender quão fundo é este problema no texto que fizemos.

 

A beleza e riqueza do nosso país tropical

Foto: Eduardo Fragoso

O Brasil sempre é lembrado quando os assuntos são biodiversidade e beleza das aves, isso porque, dentre todas as espécies aviárias espalhadas pelo mundo, 10% delas estão abrigadas neste país.

A variedade e abundância de espécies silvestres, unidas à ineficiência e fraude da fiscalização e à baixa condição de vida de certas populações, atraem pessoas ao tráfico e comércio de animais, tornando-o, assim, um dos mercados mais lucrativos do mundo.

 

As maiores vítimas desse comércio

Estimar o volume do tráfico de fauna no Brasil é uma tarefa muito difícil, visto que os dados mantidos pelos órgãos governamentais competentes são, muitas vezes, imprecisos, desatualizados e fragmentados.

Um estudo recente adotou uma metodologia de estimativa baseada no número de apreensões feitas pela força policial ao longo de algumas décadas, que levou à constatação de que dentre as 30 espécies mais confiscadas do tráfico, 24 delas são aves, o que corresponde a 80% do comércio de animais silvestres para fins domésticos.

 

Mas por que esse comércio é tão lucrativo e utilizado?

A maioria dos caçadores e coletores provém de famílias pobres, que encontram neste comércio uma fonte de renda extra. Por isso, sujeitam-se a fornecer os animais aos pequenos e médios traficantes por um preço baixíssimo, buscando maiores quantidades para aumentar o lucro.

Os traficantes, por sua vez, cientes de todas as possibilidades de corrupção e desvio de fiscalização, fazem com que esses animais cheguem até os principais consumidores (que, no Brasil, se encontram principalmente nas regiões Sul e Sudeste), contribuindo para que essa comercialização de aves alcance a marca de cerca de 7 a 23 bilhões de dólares por ano. 

Foto: Crueldade à venda

 

Quais são as aves mais contrabandeadas do mundo?

Listamos agora 5 das principais espécies indevidamente comercializadas:

 

1 – Canário da Terra

Sicalis flaveola (Linnaeus, 1766)

Foto: Alejandro Bayer

Esta espécie pertence à ordem Passeriformes e família Thraupidae, sendo mais frequentemente encontrada em regiões secas do território brasileiro. Caracteriza-se pela coloração amarelo-olivácea, tamanho médio de 13,5 cm de comprimento e cerca de 20g de peso. Além, é claro, do seu belo e forte canto, motivo pelo qual a faz estar entre as 5 espécies mais traficadas do Brasil.

Está categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

2 – Coleirinho

Sporophila caerulescens (Vieillot, 1823)

Foto: Claudio Cesar

Esse passeriforme da família Thraupidae recebe esse nome devido ao inconfundível colar de penas brancas e negras presente na região do pescoço. Está distribuído ao longo de grande parte do território brasileiro, com exceção da Região Amazônica e Nordeste.

Ele se tornou alvo da captura indiscriminada devido à sua habilidade cantora, estando categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

3 – Trinca-ferro

Saltator similis (D’Orbigny & Lafresnaye, 1837)

Foto: Frodoaldo Budke

Este é um outro passeriforme da família Thraupidae apreciado pelos brasileiros devido ao seu canto. E seu som é tão marcante que faz com que seja frequentemente submetido a competições e torneios de cantos por seus donos.

Embora esteja categorizado como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção, há evidências de que possa estar ameaçado localmente em algumas regiões de sua ocorrência, situação resultante do tráfico.

 

4 – Pássaro-preto

Gnorimopsar chopi (Leverkühn, 1889)

Foto: Guia Animal

Também conhecido como Chopim, este passeriforme faz parte da família Icteridae e pode ser encontrado em todas as regiões brasileiras, com exceção da Amazônia. Possui uma beleza ímpar com a sua coloração negra brilhante, além de ser considerado o pássaro canoro mais melodioso do país.

É categorizada como Menos Preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção.

 

5 – Papagaio-verdadeiro

Amazona aestiva (Linnaeus, 1758) – NT

Foto: Octavio Campos Salles

O Papagaio-verdadeiro é um psittaciforme da família Psittacidae e encontra-se entre os animais mais popularmente procurados para a domesticação, isso se dá devido à sua capacidade de imitar a voz humana, beleza e comportamento dócil.

Para que possam chegar nas mãos dos consumidores, esses animais passam por situações extremamente estressantes, como a ingestão obrigatória de bebidas alcoólicas para impedir que façam barulho e contenção total em tubos de PVC para transporte em malas.

Sua classificação no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada em Extinção como Quase Ameaçado (NT) está diretamente relacionada ao grande volume do comércio da espécie.

 

Um perigo iminente

Como foi possível ver, muitas dessas espécies não estão categorizadas em estados preocupantes de conservação, entretanto, a pressão exploratória exercida sobre essas espécies é praticamente insustentável. As capturas são feitas com frequência e sem critério algum, além de se concentrarem nas épocas reprodutivas.

Por fim, é importante destacar que o impacto ecológico não se dá somente pela eliminação da espécie de seu ambiente natural, mas também na redução das populações, que leva ao desaparecimento de interações ecológicas significativas em um ecossistema.

Como em toda extinção existe um começo, não seria surpreendente o fato de que no futuro  essas espécies entrem para a lista de animais em risco de extinção, caso medidas eficientes para o combate ao tráfico não sejam colocadas em prática.

 

Não faça parte disso!

Não contribua você também com esse comércio que deixa rastros de sangue, lembre-se: Silvestre não é pet. Há muitas formas de admirar a beleza dessas espécies sem privá-las de sua liberdade.

 

Texto por Aléxia Ferraz

Revisado por Gustavo Figueirôa