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Plano de conservação da onça-pintada é lançado durante a COP 14

By | Conservação, Notícias | No Comments

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas. No entanto, 50% do território original da espécie foi perdido devido à caça ilegal, ao conflito com humanos e à perda e fragmentação do habitat – Foto: en:User:Cburnett – Own work/ CC BY-SA 3.0

As principais organizações internacionais de conservação e 14 países que fazem parte do território da onça-pintada se uniram para lançar o Jaguar 2030 Conservation Roadmap for the Americas (Plano de Conservação da Onça-pintada para as Américas 2030), um plano regional para salvar a espécie e os ecossistemas onde ela é encontrada. O documento foi apresentado durante a Conferência das Partes (COP 14) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) que começou no sábado (17) e vai até 29 de novembro.

As principais populações de onça-pintada estão conectadas através de uma série de corredores biológicos e genéticos em uma unidade ecológica única e de larga escala conhecida como Corredor da Onça-Pintada. O Jaguar 2030 tem o objetivo de fortalecer esse Corredor em todos os países, garantindo 30 áreas prioritárias de conservação do felino até 2030.

A intenção é promover o desenvolvimento sustentável, reduzir o conflito homem x onça-pintada, estimular o ecoturismo e o desenvolvimento das comunidades locais, aumentar a segurança e a conectividade das paisagens protegidas e atender globalmente metas de conservação da biodiversidade. “O Jaguar 2030 representa o tipo de parceria inovadora que é essencial para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirmou Midori Paxton, Chefe de Biodiversidade e Ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em matéria publicada no site da ONU. “Ao unir os governos dos países onde o felino se encontra, o setor privado, a sociedade civil e parceiros internacionais, o Plano ajudará a proteger os corredores-chave da onça-pintada de forma a fortalecer a subsistência sustentável das comunidades locais e abrir novas oportunidades de negócios para o ecoturismo e agricultura sustentável.”

A onça-preta e a onça-pintada são animais da mesma espécie (Panthera onca), a diferença é que a versão escura tem mais melanina – Foto: Lucas Leite

Esse plano de conservação permite conhecer as distribuições do felino e os desafios que a espécie enfrenta com maior velocidade e promove avanços nas ferramentas de conservação da onça-pintada. Além disso, o Jaguar 2030 integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (florestas manejadas de forma sustentável, interrupção da degradação da terra e perda de biodiversidade e produção responsável) com a conservação da onça-pintada e enfatiza a importância de incorporar o felino nos planos de desenvolvimento para a expansão de energia, agricultura e transporte com o objetivo de não haver perdas para a espécie nem para a biodiversidade.

Os olhos das onças-pintadas, assim como de outros felinos, refletem facilmente a luz graças à uma membrana chamada tapetum lucidum, que os ajuda a enxergar de noite. Foto: Gustavo Figueirôa

Dr. John Polisaro, coordenador do Programa de Conservação da Onça-Pintada na WCS (Wildlife Conservation Society), afirmou no blog de National Geographic: “Neste momento, o impulso por trás do Jaguar 2030 Conservation Roadmap for the Americas está crescendo em todo o território da onça-pintada. Está ganhando força por meio de compromissos nacionais unificados e visões transfronteiriças para alcançar a coexistência bem-sucedida dos seres humanos com o poder do mundo selvagem – a onça. Ambos serão beneficiados”, Estamos torcendo para que ele esteja certo.

Safári no Brasil: Uma alternativa para a conservação

By | Conservação | 4 Comments

Safári, é o termo usado para nomear expedições por terra em lugares selvagens, tipicamente viagens de caça ou turismo pela África. 

Muita gente já ouviu falar sobre os famosos safáris na África, e ao mencionar este termo quase sempre vem à mente uma cena clássica: Turistas vestidos com roupas “à la” Indiana Jones, sentados na caçamba de um daqueles altos caminhões de safári, enquanto cortam a savana africana avistando e fotografando leões, rinocerontes, elefantes, búfalos e leopardos.

Antigamente eram muito mais comuns os safáris de caça, porém de algumas décadas pra cá, o cenário mudou e os safáris para turismo de observação de animais aumentaram muito!

Pessoas vestidas “à la” Indiana Jones em meio a um safári na África do Sul

Para alguns, apenas um sonho distante de ser atingido, seja por falta de dinheiro, por falta de conhecimento ou até mesmo por acreditar que é muito perigoso se aventurar em terras africanas. Para outros, uma experiência que está na lista de “coisas para fazer antes de morrer”.

Guepardo avistado por turistas durante Safári

 

Porém o que poucos sabem, é que safáris também podem ser feitos aqui no Brasil, mais perto do que se imagina… E não, não estou falando do Zoo Safári do Zoológico de São Paulo (antigo Simba Safári), mas sim de uma verdadeira expedição meio a um ambiente selvagem, para avistar animais selvagens em seu habitat natural.

 

Safáris no Pantanal:

 

No Pantanal, fazendas que mesclam a pecuária com o ecoturismo, encontraram uma oportunidade única para fazer da conservação de espécies ameaçadas e áreas protegidas, uma fonte de renda importante. Às vezes por conta própria, as vezes em parceria com projetos de conservação da biodiversidade.

Pantanal alagado no Refúgio Ecológico Caiman. Foto: Leonardo Sartorello

 

Refúgio Ecológico Caiman/Onçafari:

Um exemplo de parceria com projetos de conservação, é o que acontece entre o Refúgio Ecológico Caiman e o Onçafari.

Turistas avistando Onça-pintada no Refúgio Ecológico Caiman através do Onçafari.

 

O Onçafari é uma iniciativa privada, sem fins lucrativos, que através da habituação de onças-pintadas tornou muito mais fácil a visualização destes felinos que até pouco tempo atrás eram praticamente fantasmas nas florestas.

Onça-pintada avistada pelo Onçafari. Foto: Adam Bannister

 

A habituação nada mais é do que acostumar animais à presença dos veículos de safári, através de técnicas bem estruturadas, onde o animal começa a perceber o carro com os turistas como se fosse uma árvore e sabe que não lhe causará mal nenhum. Portanto, continuam agindo normalmente como se os turistas e pesquisadores não estivessem lá! Lembrando que habituação é diferente de domesticação! As onças continuam 100% selvagens e o avistamento só pode ser feito de dentro do carro, seguindo normas de segurança rígidas.

Fera, uma das Onças monitoradas pelo Onçafari sendo avistada. Foto: Carlos Eduardo Fragoso

O Refúgio Ecológico Caiman é uma fazenda na zona rural de Miranda, MS, e recebe hóspedes que vão em busca de conexão com a natureza e férias em um lugar genuinamente selvagem. Assim, a parceria com o Onçafari, causou um aumento significativo no aumento de avistamentos de onças, consequentemente um aumento expressivo no número de hóspedes.

Fazenda San Francisco

 

Um outro exemplo, é a Fazenda San Francisco, também localizada em Miranda, MS.

 

Ao mesmo tempo que possuem lavouras de arroz e criação de gado, a fazenda é conhecida mesmo pela pousada e por passeios turísticos que remetem aos visitantes um verdadeiro estilo de vida pantaneiro.

Safári fotográfico na Fazenda San Francisco

A fazenda aceita hóspedes do mundo todo, tanto para passarem a noite, quanto para apenas passarem o dia em suas dependências. Durante o dia, safáris fotográficos levam os visitantes para o meio das planícies alagadas da fazenda para o avistamento da mais rica fauna que o Pantanal pode oferecer: Jacarés, ariranhas, jaguatiricas, sucuris, tuiuiús, araras (uma infinidade de espécies de aves), além de é claro, a rainha das matas, a Onça-pintada.

Onça-pintada avistada na fazenda San Francisco.     Foto: Gustavo Figueirôa

Passeios de chalana em um braço do Rio Miranda, passeios à cavalo, trilhas… enfim, uma infinidade de opções para quem quer uma aventura real no Pantanal. Porém é de noite que as chances são maiores de ver os grandes felinos!

Passeio de chalana por um braço do Rio Miranda

Para os hóspedes que escolhem a pernoite, um safári noturno acontece, onde as chances de ver animais com hábitos noturnos aumenta, como corujas, urutaus, jaguatiricas e onças-pintadas.

Ecoturismo como chave para conservação

 

Esta atividade gera um valor real para as áreas onde estão inseridas, tanto social quanto financeiro. O ecoturismo gera empregos para as comunidades locais, atrai turistas para conhecer as belezas de nosso país e além de tudo, ajuda a preservar áreas de mata e espécies ameaçadas de extinção!

Imagem retirada da internet

 

Para finalizar, é importante ressaltar que o ecoturismo para dar certo como ferramenta de conservação, deve ser feito com muita responsabilidade, respeitando sempre os limites impostos pela natureza.

Já pensou em fazer um safári? Que tal começar pelo Brasil?

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre

Cofundador na GreenBond