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Por que as abelhas são tão importantes para o planeta?

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As abelhas nos oferecem muito mais do que o doce do mel, elas atuam em um importante fenômeno ecológico: a polinização. Portanto, colocá-las sob ameaça, como estamos fazendo hoje, é colocar em risco a nossa própria sobrevivência. 

Infelizmente, as abelhas estão desaparecendo do planeta – algumas espécies correm risco de extinção global! O cenário é tão grave que organizações como a ONU já alertam para os perigos de escassez de alimentos por conta da mortalidade em massa dos insetos polinizadores. E, quando pensamos no contexto nacional, a previsão é igualmente preocupante, pois prevê-se que a população de abelhas e outros polinizadores possam diminuir em 13% até 2050, segundo análise da Universidade de São Paulo! 

 

(Foto: Creative Commons)

 

PEQUENOS GRANDES AGENTES AMBIENTAIS 

Além de polinizar frutas e legumes consumidos por nós diariamente, como tomate, berinjela, café e cacau, as abelhas também contribuem fortemente na manutenção das florestas. Se elas forem extintas, a reprodução de plantas silvestres ficará comprometida, visto que mais de 90% das espécies de vegetação tropical com flores e cerca de 78% das espécies de zonas temperadas dependem da polinização desses insetos.

 

(Foto: Creative Commons)

 

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS AMEAÇAS ÀS ABELHAS? 

A extinção de agentes polinizadores é um dos mais graves desastres globais emergentes. A tragédia impacta diretamente a quantidade e a qualidade dos alimentos produzidos, em um mundo já desarranjado quando se trata de comida na mesa.

Desmatamento, poluição e mudanças climáticas são algumas das ameaças já conhecidas, não só para as abelhas, mas para a fauna como um todo. No entanto, você sabia que os agrotóxicos também são grandes vilões para os insetos polinizadores? O glifosato, por exemplo, pode afetar o comportamento das abelhas, alterando sua sensibilidade por açúcar e habilidade de navegação, o que prejudica sua busca por alimentos e retorno à colônia.

 

É POSSÍVEL TER VIDA HUMANA SEM OS AGENTES POLINIZADORES? 

Assim como Einstein já dizia, “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”.

É difícil afirmar que a vida humana não existiria sem as abelhas, mas que a diminuição da espécie impactaria profundamente na existência de vida, isso com certeza. As abelhas estão totalmente inseridas no nosso dia a dia, mesmo que de forma muito sutil. Dois terços, aproximadamente, de alimentos ingeridos são produzidos pela ajuda da polinização das abelhas. 

Esses pequenos insetos são pequenos no tamanho, mas de uma importância gigante para o planeta. Sem as abelhas, o mel acabaria e junto dele os produtos agrícolas. Além do mais, também afetaria a produção de animais para consumo, que sofreria grandes perdas, já que são herbívoros. Enfim, a vida selvagem em um geral sofreria sem elas, já que a vegetação seria reduzida de modo excessivo, e assim a acabaria a existência do planeta como um todo. 

 

(Foto: Creative Commons)

Entenda o atual cenário da política ambiental no Brasil

By | Conservação, Educação ambiental, Meio Ambiente | No Comments

Retrocesso. Essa é a palavra que define o  cenário ambiental brasileiro nos últimos anos. Já há tempos que o governo enxerga o meio ambiente como um impasse e não como um aliado na evolução do Brasil. E, ao contrário do que se pensa, não é de agora que as políticas ambientais recebem os menores investimentos possíveis; são utilizadas como moeda de troca e deixadas para último plano. 

No entanto, com o governo atual, temos uma dinâmica negativa que aponta para o pior cenário deste século. Segundo alguns pesquisadores e ambientalistas, o enfraquecimento das políticas do meio ambiente e aumento do desmatamento ameaçam retroceder o país a níveis preocupantes! 

As estatísticas recentemente divulgadas de desmatamento na Amazônia (aumento de 88% em junho de 2019 , em relação ao mesmo período do ano passado) e a bagunça do Ministério do Meio Ambiente mostram que o Brasil caminha para seu pior cenário ambiental, o que pode custar até US$ 5 trilhões ao país!

A RECENTE HISTÓRIA POLÍTICO-AMBIENTAL BRASILEIRA

Encontro de ex-ministros do Meio Ambiente no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo. 08/05/2019 (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Especialistas definem três recortes da História recente do país: 

Antes de 2005: quando o desmatamento foi alto, e a governança, fraca; 

De 2005 a 2011: período considerado, por estudiosos, de boa governança, com políticas de controle que resultaram em redução do desmate;

De 2012 a 2017: com governança intermediária, quando se mantiveram medidas de controle e, ao mesmo tempo, sinais de estímulo a práticas negativas para as florestas (caso também de 2018).

PREVISÕES PARA O FUTURO 

Ricardo Salles, atual ministro do Meio Ambiente. ( Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Infelizmente, as previsões para o futuro do meio ambiente não são das melhores. Além das consequências que o aumento do desmatamento pode trazer para a vida no Planeta, o que já é preocupante por si só, no setor político também não temos estimativa de boas notícias num futuro próximo. 

Para André Lucena, da Coppe/UFRJ, se o Brasil de fato retroceder ao pior cenário, “não há chance alguma de cumprir as metas do Acordo de Paris “. Nosso objetivo é reduzir 37% da emissão de carbono até 2025, mas hoje, somos o sétimo maior emissor do mundo! Os números não estão do nosso lado. 

E, como se já não bastasse, ainda firmamos o compromisso de manter o aumento de temperatura abaixo dos 2 graus. Para isso, o país pode emitir uma quantidade específica de carbono até 2050. Mas se o desmatamento acaba com esse “crédito” de carbono, outros setores da economia vão ter que fazer um esforço enorme para compensar.

Temos casos de sucesso no passado, mas as condições também foram favoráveis. Entre 2005 e 2012 o país conseguiu reduzir as emissões em 54%, mas em grande parte, foi por conta da redução do desmatamento (em 78%). Todavia, no momento atual, “é grande a probabilidade de o desmatamento em 2019/2020 ser bem superior ao de 2018/2019”, avalia Raoni Rajão, professor da UFMG e co-autor dos estudos. 

 

Então, entendendo um pouco melhor sobre o cenário político no qual o meio ambiente se encontra, você será capaz de opinar e defender os melhores planos de governo para a natureza, mas mais do que isso, exigir que eles sejam cumpridos! Nós temos uma riqueza imensa no Brasil, que pode gerar recursos, mas que para isso precisa ser monitorada, cuidada, recuperada e vista como uma das prioridades, afinal, sem meio ambiente, não existe vida. 

Agricultura 4.0: o encontro entre tecnologia e meio ambiente

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Você já deve ter ouvido falar que a agricultura é um dos maiores vilões do meio ambiente. Mas graças à evolução da tecnologia, essa afirmação virou coisa do passado! Com a nova era da agricultura, o produtor consegue aumentar a produtividade fortalecendo o próprio solo, e não mais exaurindo seus recursos.

 

AGRICULTURA 4.0

A tecnologia é o ponto chave desta revolução, empregando ferramentas de informação e comunicação, métodos computacionais de alto desempenho, rede de sensores, comunicação para máquina (M2M), conectividade entre dispositivos móveis, computação em nuvem e muitos outros. Trabalhando também com soluções analíticas para processar um amplo volumes de dados e sistemas de suporte à tomada de decisões de planejamento e manejo em toda cadeia de valor da agricultura. 

Segundo a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Maria Massruhá, “A Agro 4.0 contribuirá para elevar os índices de produtividade, da eficiência do uso de insumos, da redução de custos com mão de obra, melhorar a qualidade do trabalho e a segurança dos trabalhadores e diminuir os impactos ao meio ambiente.”

De acordo com Avay Miranda Junior, que é diretor do Departamento de Estruturação Produtiva do Ministério da Agricultura, do ponto de vista ambiental, todo o processo é constituído por três principais pilares: balanceamento dos minerais do solo, povoamento de micro-organismos do solo e tipo de plantação, que são medidas inteligentes e sustentáveis para o desenvolvimento do agronegócio. 

Ele ainda afirma que, nos últimos anos, o Brasil deixou de ser um importador de tecnologias agrícolas para aparecer entre os líderes em inovação na área. E, tudo isso se deve aos esforços da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e investimento em centros de pesquisas e universidades.

A agricultura 4.0 faz uso da tecnologia para favorecer o agricultor e o meio ambiente. (Foto: Divulgação)

 

NA PRÁTICA, QUAIS SÃO OS IMPACTOS?

Dentre as muitas vantagens desta era da agricultura conectada, podemos evidenciar o fato de que produtores têm a possibilidade de acompanhar remotamente de casa ou da sede da fazenda, pelo computador, tablet ou smartphone, o desempenho de suas máquinas nas lavouras por telemetria, a transmissão automática de dados via sinal de telefonia celular. Além do mais, com apoio destas tecnologias, o produtor, cooperativas e até mesmo o governo podem tomar decisões mais certeiras e, com isso, melhoram a produção agrícola com uso sustentável dos recursos naturais e insumos, diminuindo os custos e triplicando a produtividade no campo.

 

Fonte: EBC (Agência Brasil) 

Cinema e meio ambiente: cinco documentários imperdíveis

By | Conservação, Educação ambiental, Meio Ambiente | No Comments

É tempo de Mostra Ecofalante, com mais de 100 filmes gratuitos exibidos na cidade de São Paulo até 12 de junho. É a oitava edição do evento, um dos mais importantes do calendário dos festivais de cinema no Brasil.

Tradicionalmente, a Ecofalante tem suas competições de longas e curtas latino-americanos, com uma série de estreias brasileiras. E também programas temáticos com programação internacional: Cidades, Economia, Povos e Lugares, Recursos Naturais, Saúde, Sociobiodiversidade, Trabalho. Tem também retrospectivas e homenagens, e a programação completa está no site da Mostra.

Já que estamos falando de cinema com pegada ambiental, vamos indicar cinco documentários disponíveis na internet para quem curte essa ideia de juntar a sétima arte com importantes pautas do ativismo social e ambiental ao redor do mundo:

 

– O Veneno Está na Mesa (2011) / O Veneno Está na Mesa II (2014)

 

Silvio Tendler, um dos grandes nomes do documentário político e social no Brasil, abre a cabeça para o uso de agrotóxicos no país, tanto para quem trabalha no campo quanto para quem consome os produtos agrícolas. Na segunda parte, o cineasta vai atrás de alternativas viáveis para produção de alimentos saudáveis e que respeitem a natureza. Duas aulas. No Youtube, gratuito.

 

– Ser Tão Velho Cerrado (2018)

 

Filme do diretor André D’Ellia que promove uma grande campanha em defesa do Cerrado a partir da luta de alguns moradores da Chapada dos Veadeiros que se mobilizam para salvar a natureza. Um grande tratado sobre o bioma. No Youtube (pago). No Netflix (assinatura).

 

– The Cove (2009)

Vencedor do Oscar de melhor documentário em 2010, o filme dirigido por Louie Psihoyos questiona a caça de baleias e golfinhos no Japão. Os animais são vendidos a aquários e parques marinhos, e a o documentário expõe imagens da matança. Angustiante e corajoso. Na Amazon (pago).

 

– Virunga (2014)

Indicato ao Oscar de documentários em 2015, o filme anglo-congolense de Orlando von Einsiedel mostra a luta pela conservação do Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo. O filme acompanha quatro pessoas nessa batalha contra todas as ameaças ao parque: as guerras civis, os caçadores de gorilas e a exploração de petróleo. Forte. No Netflix (assinatura).

O antigo Lixão da Estrutural, em Brasília, era o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina. Foi fechado em 2018 para recebimento de resíduos domésticos, mas continua recebendo entulhos da construção civil - Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Creative Commons

Brasil é o 4 º maior produtor de lixo plástico no mundo

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O antigo Lixão da Estrutural, em Brasília, era o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina. Foi fechado em 2018 para recebimento de resíduos domésticos, mas continua recebendo entulhos da construção civil - Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Creative Commons

O antigo Lixão da Estrutural, em Brasília, era o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina. Foi fechado em 2018 para recebimento de resíduos domésticos, mas continua recebendo entulhos da construção civil – Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Creative Commons

O Brasil é o 4 º maior produtor de lixo plástico no mundo. É o que aponta o levantamento realizado pelo WWF com base nos dados do Banco Mundial. O país produz 11,3 milhões de toneladas e fica atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia em matéria de produção. 91 % desse total, 10,3 milhões de toneladas, são coletadas (91%). Porém, apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas, número muito abaixo da média global de reciclagem plástica (9%) e um dos piores índices indicados pela pesquisa.

A maior parte do lixo plástico brasileiro, 7,7 milhões de toneladas, vai para aterros sanitários e 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartados de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto.

O estudo analisou a relação com o plástico em mais de 200 países, e apontou que o Brasil produz, em média, aproximadamente 1 quilo de lixo plástico por habitante a cada semana.


“É hora de mudar a maneira como enxergamos o problema: há um vazamento enorme de plástico que polui a natureza e ameaça a vida. O próximo passo para que haja soluções concretas é trabalharmos juntos por meio de marcos legais que convoquem à ação os responsáveis pelo lixo gerado. Só assim haverá mudanças urgentes na cadeia de produção de tudo o que consumimos”, afirma Mauricio Voivodic, Diretor Executivo do WWF-Brasil, no site da instituição.

Escala global

Segundo a pesquisa do WWF, o volume de plástico que chega aos oceanos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano, o que equivale a 60 aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos dias. Nesse ritmo, até 2030, haverá 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2 e mais de 104 milhões de toneladas de plástico poluindo nossos ecossistemas.

“Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza”, afirma Marco Lambertini, Diretor-Geral do WWF-Internacional, no site da instituição.

A ingestão de plástico já foi registrada em mais de 240 espécies. A maior parte dos animais desenvolve úlceras e bloqueios digestivos que resultam em morte, uma vez que o plástico muitas vezes não consegue passar por seu sistema digestivo. Na foto, uma tartaruga Verde (Chelonia mydas) com um saco de plástico próximo a boca, no recife de Moore, Austrália. A sacola foi removida pelo fotógrafo antes que a tartaruga tivesse a chance de comê-la – Foto: Troy Mayne/ WWF/ Divulgação

O estudo também traz conclusões alarmantes: “O plástico não é inerentemente nocivo. É uma invenção criada pelo homem que gerou benefícios significativos para a sociedade. Infelizmente, a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável de uso único transformou esta inovação em um desastre ambiental mundial.

Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000. Este problema tem apenas algumas décadas e, ainda assim, 75% de todo o plástico já produzido já foi descartado.”

Soluções possíveis

O estudo do WWF também aponta possíveis soluções para estimular a criação de uma cadeia circular de valor ao plástico. Os cuidados necessários propostos oferecem uma orientação para os setores público e privado, indústria de reciclagem e consumidor final, de modo que todos consumam menos plástico virgem (o plástico novo) e estabeleçam uma cadeia circular completa.

As principais sugestões do relatório seguem abaixo:

  • Cada produtor ser responsável pela sua produção de plástico – O valor de mercado do plástico virgem não é real pois não quantifica os prejuízos causados ao meio ambiente e também não considera os investimentos em reúso ou reciclagem. É necessário haver mecanismos para garantir que o preço do plástico virgem reflita seu impacto negativo na natureza e para a sociedade, o que incentivaria o emprego de materiais alternativos e reutilizados.

    ●      Zero vazamento de plástico nos oceanos – O custo da reciclagem é afetado pela falta de coleta e por fatores como lixo não confiável, ou seja, misturado ou contaminado. As taxas de coleta serão maiores se a responsabilidade pelo descarte correto for colocada em empresas produtoras dos produtos de plástico e não apenas no consumidor final, uma vez que serão encorajadas a buscar materiais mais limpos desde seu design até o descarte.

    ●      Reúso e reciclagem serem base para o uso de plástico – A reciclagem é mais rentável quando o produto pode ser reaproveitado no mercado secundário. Ou seja, o sucesso desse processo depende de que valor esse plástico é negociado e seu volume (que permita atender demandas industriais). Preço, em grande parte, depende de qualidade do material, e essa qualidade pode ser garantida quando há poucas impurezas no plástico, e quando ele é uniforme em geral, oriundo de uma mesma fonte. Um sistema de separação que envolva as empresas produtoras do plástico ajuda a viabilizar esta uniformidade e volume, ampliando a chance de reúso.

    ●      Substituir o uso de plástico virgem por materiais reciclados. Produtos de plástico oriundo de uma única fonte e com poucos aditivos reduzem os custos de gerenciamento desses rejeitos e melhoram a qualidade do plástico para uso secundário. Por isso o design e o material de um produto são essenciais para diminuir esse impacto, e cabe às empresas a responsabilidade por soluções. “Criar uma cadeia circular de valor para o plástico requer melhorar os processos de separação e aumentar os custos por descarte, incentivando o desenvolvimento de estruturas para o tratamento de lixo”, afirma Gabriela Yamaguchi, Diretora de Engajamento do WWF-Brasil, no site da WWF.

Para saber mais faça o download do estudo completo em português https://promo.wwf.org.br/solucionar-a-poluicao-plastica-transparencia-e-responsabilizacao?_ga=2.237901189.465206353.1553859541-1926107061.1528726091

O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre

By | Conservação, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Notícias | No Comments

O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre, essa frase e imagens impactantes de animais sendo asfixiados por plástico fazem parte da campanha que a ONG Sea Shepherd Conservation Society (SSCS), em parceria com as agências de publicidade Tribal Worldwide Sao Paulo e DDB Guatemala, lançou para chamar a atenção para a gravidade da poluição dos oceanos no planeta.

Os números são alarmantes. Segundo a ONU, 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos e são responsáveis pela morte de mais de um milhão de aves marinhas, 100 mil mamíferos marinhos e incontáveis peixes todos os anos Um estudo realizado pela Universidade de Exeter, Laboratório Marinho de Plymouth e Greenpeace apontou que o plástico é encontrado em todas as espécies de tartarugas marinhas do planeta. Projeções divulgadas no Fórum Econômico Mundial de Davos em 2016 apontam que os oceanos terão mais plásticos do que peixes em 2050.

Infelizmente, uma ação pequena e impensada em nossa vida diária pode causar danos enormes à natureza sem que a gente perceba. Nesta campanha, pretendemos remediar isso alcançando o maior número possível de pessoas, conscientizando o público para o fato de que, com passos pequenos e fáceis, podemos garantir que cenas terríveis como essa não aconteçam”, afirma Guiga Giacomo, diretor executivo de criação da Tribal Worldwide São Paulo.

A campanha da Sea Shepherd também apresenta sugestões para a redução do consumo de plástico na rotina diária. Parar de usar canudos, colherinhas de café, copos, pratos e talheres descartáveis, sacolas e garrafas plásticas, comprar a granel, são algumas sugestões da ONG para evitar o consumo de embalagens. Cada um de nós precisa fazer a sua parte para termos oceanos mais limpos.

Muro de Trump trará consequências irreparáveis para o meio ambiente

By | Conservação, Meio Ambiente, Notícias | One Comment

Já existem 56 postos de controle e barreiras em quase 1/3 dos quase 3,2 mil quilômetros da fronteira dos EUA com o México. Esse trecho mostra cerca que separa o povoado de Tijuana, no México (à direita) de San Diego, nos Estados Unidos   – Foto: Domínio Público

O presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, pediu a liberação de US$ 5,7 bilhões (R$ 21,5 bilhões) ao congresso americano (de maioria democrata) para a expansão do muro na fronteira entre o México e os EUA com o objetivo de impedir a entrada de imigrantes ilegais pelo sul do país. Como o plano não foi aprovado, Trump se recusava a assinar qualquer medida que não incluía recursos para o projeto. Esse impasse durou 35 dias, a mais longa paralisação parcial do governo americano na história.

Em janeiro, o presidente cedeu e assinou uma lei que permitia financiar o governo federal até a próxima sexta-feira (15) que não incluía recursos para a construção do muro. Agora, republicanos e democratas fizeram um novo acordo provisório que prevê uma verba de aproximadamente 1,3 bilhões de dólares para construir 88,5 quilômetros de muro, bem longe da proposta inicial do presidente.

Carro da polícia americana faz patrulha beirando o muro na fronteira de EUA e México na dunas de Algodones, Califórnia – Foto: Domínio público

No entanto, além dos problemas de imigração, que estão sendo muito discutidos, uma questão está sendo deixada de lado: Quais as consequências que o muro traria para o meio ambiente?

“Independentemente do que for construído, será prejudicial ao habitat natural” disse Bob Dreher, advogado que lidera os programas de conservação Defenders of Wildlife, em entrevista para a National Geographic

Ameaças ao meio ambiente

Com mais de 3 mil quilômetros a fronteira dos Estados Unidos com o México é uma região rica em biodiversidade que inclui 6 biomas diferentes, composta por desertos, bosques e pântanos de água doce e de água salgada. Os muros representam uma barreira para animais e plantas nativos, aumentam a erosão do solo, alteram os fluxos hídricos naturais e os padrões de queimadas, atuam como represas e causam enchentes durante a temporada de chuvas

As onças-pintadas costumavam andar pelas margens do Rio Grande, mas praticamente desapareceram do Texas: en:User:Cburnett/Creative Commons

Cerca de 115 espécies encontradas nos EUA ficariam separadas de 50% ou mais de seu habitat ao sul da fronteira, segundo artigo da revista científica Bioscience. Essa divisão física separa populações, limita a capacidade de animais circularem para procurar alimentos, água e parceiros. Além disso, o muro impede que animais selvagens escapem de queimadas, inundações ou ondas de calor e atrapalham migrações de mamíferos que circulam entre os dois países.

A impossibilidade de cruzar a fronteira fragmentou populações de antilocapras e diminuiu as chances de restabelecimento das colônias de lobos-cinzentos, onças-pintadas e jaguatiricas no lado norte-americano. Chris Bugbee, pesquisador sênior do CATalyst, disse na página do grupo no Facebook. “Se alguma vez existisse uma barreira física sólida que abrangesse toda a fronteira, como planejado por nossa atual administração, seria game over para onças-pintadas e jaguatiricas neste país. Esse destino é inaceitável.”

A construção do muro pode levar à extinção da jaguatirica nos EUA – Foto: United States Fish and Wildlife Service/ Domínio público

A limitação da migração também impacta a dispersão de sementes de algumas espécies e, em alguns casos, a germinação ficaria prejudicada, já que algumas sementes  precisam passar pelo sistema digestório de animais para se desenvolver.

Presidente dos EUA, Donald Trump, visitando protótipos de muro de fronteira em San Diego em março de 2018 – Foto: Domínio público

Acreditava-se que o Rio Gande, a fronteira oficial entre México e EUA era um obstáculo natural à construção de uma barreira. O canal do rio muda de tempos em tempos e, caso os EUA optassem por construir o muro ao norte, cederiam o controle das terras que ficariam ao sul para o México, isolando propriedades de cidadãos americanos do lado do país vizinho.

Mas esse pensamento mudou e o congresso já aprovou verba para o inicio das obras ao norte do rio. As propostas incluem muros que irão atravessar sete áreas de preservação de vida selvagem no Texas. O Centro Nacional de Borboletas do estado foi notificado de que o muro irá colocar 70% do santuário do lado mexicano.

Mas a principal ameaça é que a construção do muro não precisa atender as exigências de mais de 30 das leis ambientais mais rigorosas dos EUA. A Lei das Espécies em Extinção, a Lei Nacional de Políticas Ambientais, a Lei do Ar Puro e a Lei da Água Limpa não se aplicam nesse caso graças à Lei REAL ID, aprovada pelo Congresso Americano em 2005 em resposta aos ataques terroristas de 11/09. Ela autoriza o Departamento de Segurança Interna a deixar de cumprir qualquer lei em nome da segurança nacional.

Janet Napolitano, ex-governadora do estado de Arizona e secretária de Segurança Interna do Presidente Barack Obama, ficou famosa por sua declaração: “Mostre-me um muro de 15 metros que lhe mostrarei uma escada de 16 metros”. Na foto, dois homens escalam a cerca da fronteira entre México e EUA em Douglas, Arizona – Foto: Domínio público

Caça e Fotografia: A mesma essência, objetivos opostos

By | Conservação | One Comment

Imaginem esta cena:

No meio da floresta em um ambiente selvagem, o sujeito espera pacientemente pelo tão sonhado momento, sentado na caçamba de um carro ou numa plataforma em meio às árvores. Silêncio total, nenhum movimento brusco, apenas o som da própria respiração alternando entre ofegante e controlada apesar da adrenalina aumentar a cada segundo enquanto o animal se aproxima.

É chegado o momento, enfim a criatura silvestre se aproxima.  Espreitando o animal, o sujeito se prepara com seu equipamento municiado. Com o animal posicionado na mira, o dedo vai ao gatilho lentamente, esperando o momento perfeito. Tudo pronto, hora de agir. O dedo pressiona o gatilho e então….  Click! 

 

 

Ué?!

Esta pequena narrativa acima poderia muito bem ser a descrição de um caçador munido de seu rifle, esperando para matar um animal muito cobiçado e levar sua carcaça para casa, assim como também se encaixa perfeitamente na descrição de um fotógrafo amante da natureza, munido de sua super câmera com lente telescópica, fotografando um animal que ele sonhava a anos registrar.

O conceito de ambos os cenários é o mesmo e o repórter do jornal El País, Victor Moriyama, nomeia este elemento em comum entre as 2 atividades de “espírito caçador”. Ou seja, adentrar à mata em busca de um animal específico, seja raro ou não, colocando o homem urbano em contato com a natureza a partir da mira de uma máquina, seja uma câmera fotográfica ou um rifle.

 

Foto 1: Melissa ao lado da caça                     Foto 2: Leão livre por Tamara Jim

A diferença é que em uma das opções o sujeito sai com a cabeça do animal que será empalhada e pendurada na parede de sua casa, enquanto em outra,  ele sai com um belo registro fotográfico que pode ser mostrado para pessoas do mundo todo e inspirá-las a conservar espécies ameaçadas.

Assim como na foto ao lado, onde na esquerda a apresentadora de TV americana Melissa Bachman posa ao lado de seu “troféu”, enquanto na direita, o troféu é a maravilhosa foto tirada por Tamara Jim, do maior predador da África, vivo.

 

 

Caça esportiva para conservação

 

A “caça esportiva” é utilizada em alguns países (como África do Sul, Zimbábue, Estados Unidos) como uma fonte alternativa de renda para a conservação, onde de uma forma legalizada e controlada por autoridades governamentais, caçadores pagam grandes quantias de dinheiro para caçar legalmente um animal (Diferente da caça furtiva ou seja, ilegal). Parte deste dinheiro vai para as comunidades locais e financiam ações para a conservação de espécies. Porém, este conceito é ainda muito controverso, e diversos estudos apontam que essa prática pode não estar ajudando na conservação quanto deveria.

Caçador posa ao lado de elefante recém-abatido

O argumento utilizado pelos defensores da caça como instrumento de conservação é de que fazendeiros podem manter grandes áreas de floresta preservadas, e não cederem ao desmatamento para agricultura, se receberem dinheiro por animais mortos por caça esportiva em sua propriedade.

 

Não entrarei no mérito de efetividade ou não desta prática neste post, pois isso demanda uma discussão mais aprofundada. Como foi citado acima, existem estudos pró-caça, mostrando dados positivos em relação ao dinheiro que a caça esportiva gera, assim como estudos mostrando dados e impactos negativos.

 

 

O objetivo deste post é comparar uma prática alternativa, assim como coloco a seguir mostrando o que a fotografia pode fazer pela conservação.

 

 

 

 

Fotografia e ecoturismo para conservação

 

Como citado acima, o argumento de atribuir um valor comercial à espécies silvestres a fim de convencer um fazendeiro preservar suas terras, pode ser aplicado igualmente ao ecoturismo.

Safári fotográfico no Pantanal – Fazenda San Francisco

E se ao invés de receber dinheiro de caçadores para sustentar-se, esse dinheiro viesse de fotógrafos e turistas do mundo todo que vão atrás de fotos incríveis de espécies ameaçadas?

Um exemplo prático de que pode dar certo, é o que vem sendo realizado no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda – MS, Pantanal Sul pelo Onçafari.

Onças-pintadas avistadas pela equipe do Onçafari. Foto: Gustavo Figueirôa

O projeto trabalha com a conservação e habituação de onças-pintadas para que possam ser avistadas mais facilmente por hóspedes e amantes da fotografia no mundo todo, aumentando drasticamente o fluxo de hóspedes na pousada. Desde que o Onçafari iniciou seus trabalhos na fazenda, o número de hóspedes cresceu 80%, assim como os avistamentos de onça-pintada, que cresceu 120% nos último 7 anos.

 

Foto: Adriano Gambarini

Um estudo realizado pelo biólogo e pesquisador Fernando Tortato, da ONG Panthera (Organização internacional que estuda grandes felinos no mundo todo), comprovou cientificamente os benefícios do ecoturismo.

 

O estudo concluído em 2017 aponta que em um intervalo de 1 ano, cerca de 6,8 milhões de dólares foram arrecadados através do turismo de observação de Onças, contra a perda hipotética de 120 mil dólares para o prejuízo que as onças causam por atacar animais de criação.

 

 

Atualmente, existem sites dedicados exclusivamente à fotografia de natureza, como o Biofaces. O site reúne fotógrafos profissionais e amadores, de todas as idades, gêneros, etnias e países, todos com ao menos duas características em comum: O amor pela natureza e fotografia.

Print da tela do site Biofaces.com

Conclusão

 

Da mesma forma que a caça pode gerar renda para ser investida em conservação, também podem a fotografia e o ecoturismo, de uma maneira muito mais limpa e menos egoísta.

O assunto é complexo, diversos pontos cabem dentro da discussão. Porém, o que é claro e indiscutível é o fato de que matar um animal por puro prazer não pode ser considerado um esporte e não cabe no perfil de uma população supostamente evoluída do século XXI.

Para finalizar, quero induzir à uma reflexão interessante.

Em um trecho retirado do livro do Comandante H. Pereira da Cunha, um conhecido caçador da época de 1950, o próprio autor e caçador cita:

O prazer da caça não consiste, de modo algum, apenas em matar os animais. Realmente, a morte do animal, seja ele pacífico ou agressivo,é a última das coisas que importa e talvez sem ela fosse a caçada ainda mais interessante”.

Livro caçando em África e olhando o mundo – Comandante H. Pereira da Cunha

 

Pois bem…. Se o prazer consiste na busca, na adrenalina de andar pela mata para encontrar o animal, porque não então trocar o covarde e frio rifle por uma bela e imponente câmera fotográfica?

 

 

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre

Cofundador da GreenBond