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Incêndios na Austrália: entenda a gravidade

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas | No Comments

A Austrália é hoje o foco das atenções do mundo devido às catástrofes climáticas que vem enfrentando. Há meses, incêndios florestais devastam áreas enormes de florestas por todo o país, sendo considerada a pior onda de incêndio da história para os australianos.

 

Helicóptero despejando água durante o incêndio. Fonte: Reprodução G1

Causas do incêndio

 

Diferente do Brasil, a maioria dos incêndios na Austrália são provocados por causas naturais, surgindo da combinação de temperaturas acima dos 40 graus, ventos fortes e tempo muito seco. Lá, os incêndios são comuns e acontecem todos os anos. Porém, a situação tem ficado mais complicada com o passar dos anos, devido ao efeito direto das mudanças climáticas do aquecimento global.

 

Canguru fugindo do incêndio. Fonte: G1

 

Dois dos principais fenômenos que controlam o clima, tem influência direta nos incêndios. Os fenômenos são conhecidos como: DOI (Dipolo do Oceano Índico) e MAS (Modo Anular Sul).

O DOI é a oscilação de temperatura no mar ao leste e oeste do oceano Índico. Quando a combinação da diferença na temperatura da superfície do mar indicam índices positivos, significa que haverá menos chuvas na Austrália. Já o MAS, é o movimento norte-sul do cinturão de ventos. Quando os índices são negativos, também significa menos chuvas na região.

Em 2019, o cenário foi uma combinação de DOI (+) e MAS (-), ou seja, os extremos para pouca chuva. Somado às altas temperaturas, geraram este cenário desolador. É um efeito raro, porém foi intensificado pelo aquecimento global.

 

Números da catástrofe

 

Nestes 4 meses de fogo contínuo, autoridades e pesquisadores estimam que:

  • Cerca de 500 milhões de animais morreram (entre mamíferos, anfíbios, aves, répteis…);
  • 1/3 da população de coalas foi dizimada;
  • Mais de 100.000 pessoas desalojadas de suas casas;
  • Mais de 25 pessoas mortas;
  • Mais de 8 milhões de hectares queimados.

 

Canguru carbonizado após passagem do fogo. Fonte: Internet

Diferença entre a Austrália e o Brasil

 

Incêndios florestais não são um problema apenas na Austrália. Recentemente, passamos por um período grave de focos de fogo por todo o país. As queimadas ficaram mais evidentes na Amazônia, mas também afetaram gravemente o Pantanal e Cerrado.

No Brasil, a maior parte dos incêndios registrados foram na Amazônia, uma mata úmida que não pega fogo naturalmente. Aqui, a maioria dos incêndios são criminosos, colocados para a limpeza de área previamente desmatadas. Ou seja, boa parte dos incêndios na Amazônia ocorreram em áreas onde as árvores já foram derrubadas.

Já na Austrália, os incêndios consomem florestas em pé – lembrando que o desmatamento é a principal causa do aquecimento global. A maior parte das queimadas acontecem por causas naturais, assim como no Cerrado brasileiro. Porém, estão sendo intensificadas e mais extensas devido às alterações climáticas dos últimos anos.

 

Entenda melhor a diferença nesta arte criada pelo Hugo Fernandes, do Instagram @hugofernandesbio

 

A situação na Austrália é gravíssima! A tendência é que os próximos anos sejam mais perigosos, pois a cada ano que passa, as condições para o fogo tem ficado mais propícias. As mudanças climáticas não estão batendo em nossa porta, estão invadindo e devastando tudo pela frente. Não há mais tempo para negacionismo, precisamos agir já!

 

O olhar da GreenBond sobre as queimadas no Pantanal

By | GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Não categorizado, Notícias | No Comments

Esse foi um mês bem movimentado para nós da GreenBond. Incêndios assolaram o Pantanal, atingindo boa parte dos projetos para os quais trabalhamos e mobilizou nossa equipe intensamente para fazer o melhor trabalho de comunicação. 

Infelizmente, foi um fenômeno que tomou o Pantanal de forma muito rápida, dando pouco tempo para planejamentos e ações elaboradas. Mas, com uma boa comunicação entre as equipes alocadas em campo e os colaboradores aqui de São Paulo, conseguimos manejar as informações para atualizar o público e usá-las estrategicamente no gerenciamento de crise. 

Sinais de fogo na Fazenda Caiman. (Foto: Onçafari)

 

AS QUEIMADAS NA FAZENDA CAIMAN/ONÇAFARI

No dia 9 de setembro, começou o primeiro foco de queimada numa fazenda em Miranda, vizinha do Refúgio Ecológico Caiman, que é o principal ponto de trabalho do nosso parceiro Onçafari. O fogo atravessou o rio Aquidauana e atingiu a fazenda, já colocando toda a equipe do projeto em alerta.

Incêndio que devastou o Pantanal no mês de setembro. (Foto: Onçafari)

 

Preocupados com os bichos locais e com as estruturas que abrigam colaboradores, hóspedes e animais, a equipe tomou decisões rápidas e acertadas, colocando a segurança de todos os seres ali presentes como prioridade. 

A primeira ação foi resgatar o Jatobazinho, onça residente do recinto de reintrodução, que estava passando por um período de treinamento para voltar à natureza. O felino foi rapidamente transportado para a Fazenda Vera Lúcia, onde acontece o projeto Onças do Rio Negro. Lá ele ficou protegido  e continuou sendo monitorado. 

 

Jatobazinho, a onça resgatada no incêndio pela equipe do Onçafari. (Foto: Leonardo Gomes)

 

Após o resgate, os colaboradores do Onçafari continuaram acompanhando o aparecimento das outras onças monitoradas, contabilizando uma a uma todas que estavam saudáveis e seguras. Até o momento, já foram confirmadas 9 onças, sendo 2 filhotinhos. 

O mais importante de toda essa mobilização foi a junção de diversos profissionais para salvar o Pantanal e mais do que isso, para comunicar e atualizar a população sobre cada passo durante a tragédia.

 

TRABALHO JUNTO DO SOS PANTANAL 

Um dos nosso parceiros é o SOS Pantanal, que auxilia de diversas formas no desenvolvimento sustentável do bioma. Junto deles, conseguimos ter um panorama mais fiel dos danos causados pelo fogo e traçar estratégias adequadas ao cenário. 

De acordo com as estimativas, foram mais de 1,5 milhões de hectares consumidos pelo incêndio (mais de 2 milhões de campos de futebol). Os pesquisadores detectaram cerca de 2.400 focos de incêndios só no mês de agosto, ultrapassando de forma considerável os números do ano passado. Ou seja, o retrato de queimadas de 2019 foi realmente assustador

A primeira ação tomada pelo SOS foi colocar profissionais em campo para mapear o estrago. Com fotos, vídeos e algumas informações mais profundas, pudemos comunicar com mais clareza o ocorrido, além de compor um relatório capaz de auxiliar no planejamento de soluções. O susto já passou, mas os trabalhos para recuperar o Pantanal estão apenas começando. 

 

Profissionais analisaram todos os dados coletados para salvar o máximo de recursos possível. (Foto: Onçafari)

 

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO EM MOMENTOS DELICADOS 

A GreenBond desempenhou um papel importante diante desta terrível tragédia. Comunicar o que está acontecendo com transparência, imparcialidade e clareza é imprescindível para disseminar a informação, promovendo a educação ambiental. Explorar o assunto abordando causas, consequências e medidas protetivas, estimula o senso de conservação e pode até mesmo prevenir futuras ações catastróficas. 

 

Parte da equipe alocada para trabalhar no Pantanal durante os incêndios. (Foto: Onçafari)

 

Além da comunicação, nós também auxiliamos na criação da campanha de financiamento coletivo ancorada pelo Onçafari. A arrecadação servirá para reformar o recinto de reintrodução de onças-pintadas e recuperação dos recursos hídricos, além do cuidado com a flora local. E, quanto maior o número de pessoas impactadas pela causa, maior será o investimento na regenaração do Pantanal, por isso aplicamos muito tempo e esforço na divulgação da campanha.