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Bond da Conservação: Mario Haberfeld

By | Personagens da conservação | No Comments

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar de um homem que saiu das pistas de Kart para correr em prol da conservação no Pantanal: o presidente e co-fundador do Onçafari, Mario Haberfeld!

 

Foto: Acervo Mario Haberfeld.

 

Mario Haberfeld nasceu no dia 25 de Janeiro de 1976, em São Paulo. Desde muito novo, o mundo das corridas fez parte da sua realidade, pois, além da influência de seu pai, Mario teve a presença constante de Nelson Piquet, um grande corredor de Fórmula 1, amigo próximo da família.

 

A vida de corredor

Haberfeld começou nas corridas de Karts sendo campeão pan-americano em 1992 e campeão paulista em 1993. Em 1994, Mario competiu na Fórmula Ford brasileira, onde correu algumas vezes até se mudar, em 1995, para a Inglaterra e competir na modalidade inglesa.

Em 1996, competiu na Fórmula Renault e, logo em seguida na Fórmula 3 inglesa, nos anos de 1997 e 1998, em que foi campeão. Em 1999 ingressou na F-3000 com a McLaren e, inclusive, foi piloto de teste na Fórmula 1 com a equipe.  Nos anos seguintes, Mario passou por outras equipes e chegou a participar de corridas de stock car.

 

Foto: Acervo Mario Haberfeld.

 

Paixão fora das pistas

Além de ser apaixonado pelas corridas, Mario sempre teve uma grande admiração pela vida selvagem.

A paixão pela conservação começou por volta de seus 12 anos, quando teve a oportunidade de ir com com seu pai para a África realizar um safári. Passou 15 dias na caçamba de um caminhão pelo Serengeti, acampando no meio dos animais e tomando banho de cachoeira. Essa experiência mudou a vida de Mario e sua relação com a vida selvagem.

Mario sempre soube que, ao se aposentar, trabalharia com conservação e, após finalizar os seus quase 20 anos de automobilismo, tirou um tempo para viajar ao redor do mundo e ver, na natureza, todos os animais que tinha vontade.

Viu gorilas na Uganda, ursos-polares no norte do Canadá, tigres na Índia, pandas na China, leopardos, leões e muitos outros. Em todos esses lugares, queria saber o que estava sendo feito para a conservação desses animais e entender como funcionavam as mais diversas práticas de ecoturismo pelo mundo. 

 

Foto: Acervo Mario Haberfeld.

 

O modelo sustentável de turismo

Na África do Sul, Mario encontrou um modelo que acreditou ser o mais sustentável de turismo e decidiu trazer esse esquema para o Brasil. O safari com espécies habituadas. 

John Varty foi um dos pioneiros, na década de 70 e 90, a habituar leopardos e transformar uma realidade de matança dessa espécie, em um modelo sustentável, onde os animais vivos valiam mais do que mortos.

 

Onçafari

Seguindo os passos de John, Mario começou a estudar formas de aplicar o modelo no Brasil, mas com onças-pintadas. 

Em 2011, fundou o Onçafari, com o objetivo de conservar a biodiversidade, fazer com que as onças fossem vistas na natureza pelas pessoas, desenvolvendo o ecoturismo e as comunidades locais.

Foi no Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal, que as atividades do Onçafari se iniciaram. As onças-pintadas da região foram sendo monitoradas e habituadas lentamente aos carros da equipe e consequentemente sendo mais avistadas por turistas.

 

Mario durante o monitoramento de onça-pintada. Foto: Onçafari.

 

A paixão e dedicação de Mario foram fundamentais para que o projeto desse tão certo. Hoje em dia, quase 100% dos hóspedes avistam onças nos passeios e o Onçafari desenvolveu outras cinco frentes além do ecoturismo – Ciência, Educação, Reintrodução, Social e Florestas.

Além disso, a conservação dos animais pela instituição expandiu para outros biomas, como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica além de hoje envolver diversas outras espécies.

 

Onça com colar para monitoramento. Foto: Caiman Pantanal.

 

Mario é um grande exemplo de que você não precisa ser de uma área ambiental para atuar na conservação e principalmente fazer a diferença. Com a vontade de atuar e a perseverança, conseguimos ir longe. 

 

Texto por Anna Luísa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá