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Resgate de animais silvestres dobra na cidade de São Paulo

By | Animais ameaçados de extinção, Conservação, Educação ambiental | No Comments

Tem aumentado o volume de animais silvestres resgatados nos ambientes das grandes cidades. Pelo menos é o que apontam os números da cidade de São Paulo nos últimos anos, influenciados por alguns fatores que ajudam a entender como viver nos centros urbanos é também se relacionar com a conservação.

Milhares de aves foram resgatas em São Paulo – Foto: Cecioka CC

Nos últimos cinco anos, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente atendeu 29 mil animais silvestres a partir de diferentes motivos, como tráfico de animais, acidentes ou mesmo telefonemas de moradores. E o número dobrou nesse período: saltou de pouco mais de 4 mil em 2014 para 8,5 mil em 2018.

O levantamento, divulgado pela Folha de S. Paulo, aponta que o avanço dos animais no perímetro urbano se deu pelas obras de infraestrutura (principalmente o Rodoanel), o tráfico de animais pela internet e a popularização do serviço municipal de resgate de animais após o surto de febre amarela em 2017-18.

A reportagem conta a história, por exemplo, de um imenso jabuti encontrado no baú de um caminhão. Resgatado, ele foi para um centro de manejo e conservação onde vive com mais de 700 animais.

Um inspetor conta também que investigou casos em que as pessoas trocavam carros por pássaros de até R$150 mil. Há ainda a história de uma píton-burmesa de mais de dois metros que foi encontrada com mais de 200 animais na casa de um criador clandestino – trata-se de uma das cinco maiores espécies de cobras do mundo.

Enfim, exemplos que mostram que, mesmo morando nas grandes metrópoles, a atenção à conservação da fauna é permanente. Todos estão sujeitos a estar próximos de casos como os citados.

O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre

By | Conservação, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Notícias | No Comments

O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre, essa frase e imagens impactantes de animais sendo asfixiados por plástico fazem parte da campanha que a ONG Sea Shepherd Conservation Society (SSCS), em parceria com as agências de publicidade Tribal Worldwide Sao Paulo e DDB Guatemala, lançou para chamar a atenção para a gravidade da poluição dos oceanos no planeta.

Os números são alarmantes. Segundo a ONU, 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos e são responsáveis pela morte de mais de um milhão de aves marinhas, 100 mil mamíferos marinhos e incontáveis peixes todos os anos Um estudo realizado pela Universidade de Exeter, Laboratório Marinho de Plymouth e Greenpeace apontou que o plástico é encontrado em todas as espécies de tartarugas marinhas do planeta. Projeções divulgadas no Fórum Econômico Mundial de Davos em 2016 apontam que os oceanos terão mais plásticos do que peixes em 2050.

Infelizmente, uma ação pequena e impensada em nossa vida diária pode causar danos enormes à natureza sem que a gente perceba. Nesta campanha, pretendemos remediar isso alcançando o maior número possível de pessoas, conscientizando o público para o fato de que, com passos pequenos e fáceis, podemos garantir que cenas terríveis como essa não aconteçam”, afirma Guiga Giacomo, diretor executivo de criação da Tribal Worldwide São Paulo.

A campanha da Sea Shepherd também apresenta sugestões para a redução do consumo de plástico na rotina diária. Parar de usar canudos, colherinhas de café, copos, pratos e talheres descartáveis, sacolas e garrafas plásticas, comprar a granel, são algumas sugestões da ONG para evitar o consumo de embalagens. Cada um de nós precisa fazer a sua parte para termos oceanos mais limpos.

Ave ameaçada inspira criação de reserva e modelo de negócio para conservação

By | Animais ameaçados de extinção, Conservação, Notícias, Projetos de conservação | No Comments

Bicudinho-do-brejo fêmea (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

O bicudinho-do-brejo é uma ave ameaçada de extinção que serviu de inspiração para a criação de uma reserva em uma região reconhecida pela ONU como Área Úmida de Importância Internacional e para a criação de um ateliê que usa a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza.

Tudo começou na primavera de 1995, dois ornitólogos, Bianca Reinert e Marcos Bornschein armaram as redes para capturar aves em um brejo no litoral do Paraná. O objetivo era estudar o comportamento do carretão, um pássaro típico da Mata Atlântica. Eles já faziam o trabalho há quatro anos e já conheciam praticamente todas as espécies da região. Foi então que um pequeno passarinho passou por baixo da rede. O animal era diferente de tudo o que eles já haviam observado naquele local. Poderia ser uma descoberta? Era muito difícil, pois ninguém descrevia uma espécie nova de ave no Brasil há muitos anos.

Bicudinho-do-brejo macho (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

Os biólogos começaram uma busca pela ave misteriosa. Mas o animal era tão pequeno que passava entre os buracos da rede ou desviava do obstáculo. Demoraram algumas semanas até conseguirem capturar o bicho. Foi então que veio a confirmação. Eles tinham nas mãos uma espécie de ave que nunca havia sido descrita pela ciência. Reinert e Bornschein descreveram o bicudinho-do-brejo (Formicivora acutirostris), uma ave encontrada em áreas alagadas, endêmica da região meridional litorânea do Paraná e do nordeste de Santa Catarina.

Porém, desde sua descoberta, a espécie já estava ameaçada de extinção. Algumas áreas de habitat foram reduzidas por incêndios, loteamentos e aterros sanitários. Além disso, perturbações por tráfego de barcos durante a época de reprodução, extração de areia das margens dos rios, substituição da vegetação nativa por braquiária (uma grama da África) e a pecuária são outros problemas enfrentados pelo bicudinho.

Mirante da Reserva Bicudinho-do-brejo. Foto: Hudson Garcia/ Reprodução do Facebook

Para tentar mudar essa história, em 2009, Reinert, Bornschein e mais três amigos – Christoph Hrdina, Iracema Suassuna, e Ricardo Lopes (marido de Reinert) – criaram a Reserva Bicudinho-do-brejo em Guaratubá, Paraná. A região foi reconhecida pela ONU como uma Área Úmida de Importância Internacional, em parte devido ao brejo, onde o bicudinho ocorre, funcionar como um filtro para a água dos rios e berçário para peixes e animais aquáticos.

No entanto, em 2016, Bianca não conseguia mais trabalhar no campo por conta de um câncer. Ela começou a fazer colares de argila. Foi quando Ricardo se interessou pelo trabalho e modelou um passarinho de cerâmica. Naquele momento, eles decidiram criar o Ateliê Bicudinho-do-brejo.

Bianca Reinert encontrou na arte uma nova forma de homenagear o bicudinho-do-brejo – Foto: Ricardo Lopes

Com a ideia de utilizar a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza, Bianca e Ricardo passaram a confeccionar peças de cerâmica que remetem à biodiversidade brasileira e o mundo dos animais. “Iniciamos esse trabalho pensando somente na renda que teríamos para ajudar no projeto da reserva. Do valor arrecadado, uma parte fica para o projeto e outra para as despesas do ateliê. Nessa iniciativa sempre fomos eu e ela[Bianca], mas contamos com a ajuda de algumas pessoas que embarcaram nessa jornada com a gente”, conta Lopes. A venda dos produtos é realizada pelas redes sociais e em algumas lojas de aromaterapia.

Para Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário, apoiadora do projeto, negócios também podem e devem gerar formas de conservação da natureza. “Está mais do que na hora de entendermos que a conservação não deve contar apenas com recursos de caráter filantrópico, mas também com recursos privados. No caso do bicudinho, a reserva tem potencial de captar recursos e o ateliê apoia na sensibilização de atores de outras áreas do conhecimento para a causa.”

Bicudinhos-do-brejo de cerâmica são cuidadosamente esculpidos por Ricardo – Foto: Ricardo Lopes

Infelizmente, em setembro de 2018, Bianca faleceu devido à doença. “Ela foi uma lutadora sem igual, uma lição de força, coragem e perseverança, tanto na sua vida pessoal quanto na sua dedicação pela proteção do bicudinho-do-brejo”, escreveu seu marido.

No mesmo ano, a Reserva quase fechou as portas devido a dificuldades financeiras, mas com ações para arrecadar recursos – como venda de artesanato e livros e participações em exposições e eventos – Ricardo conseguiu manter o projeto. Hoje, o marido de Bianca continua na busca de parcerias para continuar a luta pela conservação do bicudinho-do-brejo.

Se você se interessou pelo trabalho com o bicudinho-do-brejo, acesse a campanha de financiamento coletivo Eu Meto o Bico e ajude uma espécie ameaçada de extinção. Mas corra, porque a campanha se encerra no dia 17/03/2019.

Fragata-de-trindade: a luta para salvar uma espécie criticamente ameaçada de extinção

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Fragata-de-trindade (Fregata trinitatis). Com uma população de menos de 30 indivíduos, a espécie endêmica da Ilha da Trindade está criticamente ameaçada de extinção – Foto: Divulgação

Na remota Ilha da Trindade, no Espírito Santo, as últimas aves da espécie Fregata trinitatis lutam pela sobrevivência. Nos últimos 500 anos navegadores que utilizavam o local como ponto de parada entre a América e a África queimaram árvores e trouxeram animais como ratos, cabras e porcos. A vegetação foi destruída, as aves terrestres que dependiam de plantas para a alimentação foram totalmente extintas. A fragata-de-trindade se alimenta de peixes e é capaz de voar grandes distâncias sem pousar em terra firme, por isso conseguiu resistir. O problema é que ela depende de árvores para se reproduzir. Sem um lugar para construir ninhos, a população começou a diminuir. Hoje existem menos de 30 indivíduos e a espécie se encontra criticamente ameaçada de extinção.

Para tentar mudar essa história, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, desenvolveram ninhos artificiais com uma plataforma para as aves pousarem e colocarem gravetos. Eles serão instalados na Ilha da Trindade em postes que irão simular o papel das árvores. Alguns dos ninhos terão fragatas-de-trindade empalhadas e emitirão sons da espécie acasalando para estimular a reprodução das aves reais.

A ideia é que as fragatas se sintam atraídas pelos sons, cheguem perto para investigar, vejam as aves empalhadas e percebam que elas podem utilizar os postes para a construção de ninhos sem nenhum problema.

Aves empalhadas serão utilizadas em alguns ninhos artificiais para tentar fazer com que as fragatas-de-trindade reais usem os ninhos artificiais – Foto: Patrícia Serafini

Projetos com ninhos artificiais para fragatas já tiverem sucesso em outras partes do mundo, mas essa é a primeira tentativa no Brasil. Para a analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, Patricia Serafini, essa pode ser a última chance da espécie. “Nós precisávamos de uma estratégia rápida e acabamos optando pelos ninhos artificiais. É a primeira vez que esse projeto é testado no país, então, ainda não sabemos qual será a taxa de eficiência. Iremos adaptar de acordo com o comportamento das aves”, explica.

Outras aves como a fragata-grande, a noivinha, o petrel-de-trindade e o atobá-de-pé-vermelho também serão beneficiadas pelo programa. Para a pesquisadora, a forma ideal de garantir a continuidade das espécies seria por meio de uma restauração da vegetação natural, com translocação de mudas. Porém, o processo poderia demorar décadas e só estaria pronto quando as aves possivelmente já estivessem extintas. Mesmo assim, enquanto ornitólogos tratam das aves, botânicos e outros cientistas trabalham na recuperação da flora local, com a transposição de mudas para as ilhas. Segundo Serafini, as cabras foram retiradas da região em 2005, mas outras espécies invasoras, como os ratos, ainda são um desafio.

Para uma recuperação total é preciso proteger a vida marinha ao redor das ilhas. Hoje o arquipélago é uma Área de Proteção Ambiental, restringindo a pesca em determinadas regiões consideradas essenciais para o desenvolvimento das espécies, visando um equilíbrio ecológico. Atualmente, as atividades na região são fiscalizadas pela Marinha brasileira.

De acordo com o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Robson Capretz, ações de conservação da ilha já foram iniciadas no passado, mas no momento são necessárias estratégias para garantir a presença das espécies endêmicas no futuro. “Trabalhar com ilhas é super importante porque o fato de estarem isoladas pelo mar torna aqueles ecossistemas muito frágeis. Por isso, um grande trabalho de fiscalização deve ser feito por governo, Marinha e pesquisadores, para proteger esses ecossistemas nas unidades de conservação recém-criadas. Ainda assim é preciso fazer um diagnóstico da vegetação, dos ninhos e das aves para garantir a reprodução e a sobrevivência das espécies”, ressalta.

Essa iniciativa é essencial para melhorar a situação das fragatas-de-trindade e retirar a espécie da categoria criticamente ameaçada de extinção. Estamos torcendo para dar certo.

Caça e Fotografia: A mesma essência, objetivos opostos

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Imaginem esta cena:

No meio da floresta em um ambiente selvagem, o sujeito espera pacientemente pelo tão sonhado momento, sentado na caçamba de um carro ou numa plataforma em meio às árvores. Silêncio total, nenhum movimento brusco, apenas o som da própria respiração alternando entre ofegante e controlada apesar da adrenalina aumentar a cada segundo enquanto o animal se aproxima.

É chegado o momento, enfim a criatura silvestre se aproxima.  Espreitando o animal, o sujeito se prepara com seu equipamento municiado. Com o animal posicionado na mira, o dedo vai ao gatilho lentamente, esperando o momento perfeito. Tudo pronto, hora de agir. O dedo pressiona o gatilho e então….  Click! 

 

 

Ué?!

Esta pequena narrativa acima poderia muito bem ser a descrição de um caçador munido de seu rifle, esperando para matar um animal muito cobiçado e levar sua carcaça para casa, assim como também se encaixa perfeitamente na descrição de um fotógrafo amante da natureza, munido de sua super câmera com lente telescópica, fotografando um animal que ele sonhava a anos registrar.

O conceito de ambos os cenários é o mesmo e o repórter do jornal El País, Victor Moriyama, nomeia este elemento em comum entre as 2 atividades de “espírito caçador”. Ou seja, adentrar à mata em busca de um animal específico, seja raro ou não, colocando o homem urbano em contato com a natureza a partir da mira de uma máquina, seja uma câmera fotográfica ou um rifle.

 

Foto 1: Melissa ao lado da caça                     Foto 2: Leão livre por Tamara Jim

A diferença é que em uma das opções o sujeito sai com a cabeça do animal que será empalhada e pendurada na parede de sua casa, enquanto em outra,  ele sai com um belo registro fotográfico que pode ser mostrado para pessoas do mundo todo e inspirá-las a conservar espécies ameaçadas.

Assim como na foto ao lado, onde na esquerda a apresentadora de TV americana Melissa Bachman posa ao lado de seu “troféu”, enquanto na direita, o troféu é a maravilhosa foto tirada por Tamara Jim, do maior predador da África, vivo.

 

 

Caça esportiva para conservação

 

A “caça esportiva” é utilizada em alguns países (como África do Sul, Zimbábue, Estados Unidos) como uma fonte alternativa de renda para a conservação, onde de uma forma legalizada e controlada por autoridades governamentais, caçadores pagam grandes quantias de dinheiro para caçar legalmente um animal (Diferente da caça furtiva ou seja, ilegal). Parte deste dinheiro vai para as comunidades locais e financiam ações para a conservação de espécies. Porém, este conceito é ainda muito controverso, e diversos estudos apontam que essa prática pode não estar ajudando na conservação quanto deveria.

Caçador posa ao lado de elefante recém-abatido

O argumento utilizado pelos defensores da caça como instrumento de conservação é de que fazendeiros podem manter grandes áreas de floresta preservadas, e não cederem ao desmatamento para agricultura, se receberem dinheiro por animais mortos por caça esportiva em sua propriedade.

 

Não entrarei no mérito de efetividade ou não desta prática neste post, pois isso demanda uma discussão mais aprofundada. Como foi citado acima, existem estudos pró-caça, mostrando dados positivos em relação ao dinheiro que a caça esportiva gera, assim como estudos mostrando dados e impactos negativos.

 

 

O objetivo deste post é comparar uma prática alternativa, assim como coloco a seguir mostrando o que a fotografia pode fazer pela conservação.

 

 

 

 

Fotografia e ecoturismo para conservação

 

Como citado acima, o argumento de atribuir um valor comercial à espécies silvestres a fim de convencer um fazendeiro preservar suas terras, pode ser aplicado igualmente ao ecoturismo.

Safári fotográfico no Pantanal – Fazenda San Francisco

E se ao invés de receber dinheiro de caçadores para sustentar-se, esse dinheiro viesse de fotógrafos e turistas do mundo todo que vão atrás de fotos incríveis de espécies ameaçadas?

Um exemplo prático de que pode dar certo, é o que vem sendo realizado no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda – MS, Pantanal Sul pelo Onçafari.

Onças-pintadas avistadas pela equipe do Onçafari. Foto: Gustavo Figueirôa

O projeto trabalha com a conservação e habituação de onças-pintadas para que possam ser avistadas mais facilmente por hóspedes e amantes da fotografia no mundo todo, aumentando drasticamente o fluxo de hóspedes na pousada. Desde que o Onçafari iniciou seus trabalhos na fazenda, o número de hóspedes cresceu 80%, assim como os avistamentos de onça-pintada, que cresceu 120% nos último 7 anos.

 

Foto: Adriano Gambarini

Um estudo realizado pelo biólogo e pesquisador Fernando Tortato, da ONG Panthera (Organização internacional que estuda grandes felinos no mundo todo), comprovou cientificamente os benefícios do ecoturismo.

 

O estudo concluído em 2017 aponta que em um intervalo de 1 ano, cerca de 6,8 milhões de dólares foram arrecadados através do turismo de observação de Onças, contra a perda hipotética de 120 mil dólares para o prejuízo que as onças causam por atacar animais de criação.

 

 

Atualmente, existem sites dedicados exclusivamente à fotografia de natureza, como o Biofaces. O site reúne fotógrafos profissionais e amadores, de todas as idades, gêneros, etnias e países, todos com ao menos duas características em comum: O amor pela natureza e fotografia.

Print da tela do site Biofaces.com

Conclusão

 

Da mesma forma que a caça pode gerar renda para ser investida em conservação, também podem a fotografia e o ecoturismo, de uma maneira muito mais limpa e menos egoísta.

O assunto é complexo, diversos pontos cabem dentro da discussão. Porém, o que é claro e indiscutível é o fato de que matar um animal por puro prazer não pode ser considerado um esporte e não cabe no perfil de uma população supostamente evoluída do século XXI.

Para finalizar, quero induzir à uma reflexão interessante.

Em um trecho retirado do livro do Comandante H. Pereira da Cunha, um conhecido caçador da época de 1950, o próprio autor e caçador cita:

O prazer da caça não consiste, de modo algum, apenas em matar os animais. Realmente, a morte do animal, seja ele pacífico ou agressivo,é a última das coisas que importa e talvez sem ela fosse a caçada ainda mais interessante”.

Livro caçando em África e olhando o mundo – Comandante H. Pereira da Cunha

 

Pois bem…. Se o prazer consiste na busca, na adrenalina de andar pela mata para encontrar o animal, porque não então trocar o covarde e frio rifle por uma bela e imponente câmera fotográfica?

 

 

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, Esp. em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre

Cofundador da GreenBond