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Personagens da conservação

Personagens da conservação: Karen Strier

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Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar de uma mulher incrível que guiou e guia os passos de muitas conservacionistas por aí: Karen Strier.

Mulheres na conservação: Karen Strier | CicloVivo

Karen Strier. Foto: CicloVivo

 

A primatóloga Karen Strier encanta e surpreende pela sua longa e linda carreira. São mais de 38 anos de pesquisa sobre o muriqui-do-norte, espécie ameaçada de extinção e meticulosamente estudada por Karen desde que ela veio pela primeira vez ao Brasil. Foi amor a primeira vista e Karen nunca mais conseguiu abandonar os maiores macacos das américas. 

 

Como tudo começou

Aos 19 anos a cientista partiu para o Quênia realizar um projeto com babuínos, onde desenvolveu uma enorme paixão pelos primatas. Ao voltar tomou a decisão de fazer um pós-doutorado no Brasil, trabalhando com os muriquis-do-norte.

 

Karen Strier is elected president of International Primatological Society

Karen Strier. Foto: news.wisc.edu

 

O amor pelos muriquis-do-norte

Karen chegou ao Brasil em1983, financiada pela universidade de Harvard e passou 14 meses embrenhada nas matas da Fazenda Montes Claros onde estudou e desenvolveu metodologias de pesquisas que até hoje são referência para a espécie.  

Karen aprendeu a identificar cada indivíduos, reconhecer seus hábitos e comportamentos e muito do que se conhece sobre a espécie hoje, devemos a essa ela.

 

Como esta cientista trabalha para reabilitar o maior e mais raro macaco das Américas

Muriquis-do-norte. Foto: João Marcos Rosa

 

Hoje, Karen não reside mais no Brasil, mas isso não a impede de orientar, mesmo que a distância, inúmeros estudantes que sonham em absorver um pouquinho do conhecimento que ela adquiriu.

Todos os anos, Karen vem ao Brasil orientar os bolsistas do projeto Muriquis de Caratinga, no Vale do Rio Doce, interior de Minas Gerais e coordenar o projeto que criou com tanto carinho. 

 

A importância do trabalho de Karen

Karen desenvolve um dos mais antigos e importantes estudo sobre primata em área neotropical. Além de todo o tempo que se doou para o estudo em campo, mergulhada diariamente na mata por meses, Karen também se dedica a treinar pessoas em um país tropical no estudo de uma espécie tão relevante para a conservação.

“Eu gosto de pensar que eu consigo fazer isso de uma forma ou de outra, pelo treinamento, pela produção científica, por minhas palavras. Porque é fascinante o que a gente está fazendo com os muriquis. Eu  mostro que é possível: se tiver interesse , se tiver paixão, você consegue seguir seus  sonhos.” : Karen Strier

 

Mulheres na conservação: Karen Strier | CicloVivo

Karen Strier e outras pesquisadoras em campo. Foto: CicloVivo

 

14 meses na mata

Karen conta que apesar de todas as dificuldades e a solidão de estar na mata constantemente, ficar entre os muriquis era mais fácil para ela do que entre as pessoas com as quais não conseguia se comunicar, devido as limitações linguísticas.

Com o tempo foi aprendendo a se aproximar dos muriquis, se comportar na presença deles e a reconhecer suas diferenças.

 

Anthropology professor Karen Strier recognized as prominent primate conservationist in Brazil

Karen Strier. Foto: news.wisc.edu

 

Um longo projeto que só cresce e ganha novos membros

Depois dos 14 meses de imersão em sua pesquisa, Karen conseguiu um financiamento para fazer uma visita ao Brasil, quando conheceu um estudante da USP interessado em trabalhar com os muriquis. Karen o treinou para fazer o reconhecimento dos indivíduos e quando ele saiu, treinaram uma nova equipe, que treinou uma nova equipe e assim segue até os dias de hoje.

“Já treinamos 75 pessoas, 52% são mulheres.

Quanto mais pessoas envolver, melhor. Os dados que nós estamos acumulando são superinteressantes, fundamentais. Mas ficam mais interessantes ainda se pudermos comparar.” Karen Strier.

 

O reconhecimento de tanto trabalho

Com tanto tempo de dedicação não é de se espantar que Karen já tenha ganhado muitos prêmios, publicado muitos livros e artigos científicos e contribuído imensamente para a ciência e conservação dessa espécie que amamos tanto. 

 

2013 – Membro-honorário, conferido pela Sociedad Latinoamericana de Primatologia (SLAPrim)

2013 – Cidadão Honorário de Caratinga, conferido pela Câmara Municipal de Caratinga – MG

2013 – Pesquisadora Visitante Especial, programa da CAPES – Brasil (bolsa de três anos)

2011 – Membro-honorário, conferido pela Sociedade Brasileira de Primatologia

2010 – Prêmio Notável Primatólogo de 2010, conferido pela Sociedade Americana de Primatólogos (EUA)

2009 – Eleita membro da Academia Americana de Artes e Ciências (EUA)

2006 – Doutorado em Ciência Honorário, conferido pela Universidade de Chicago (EUA)

2005 – Membro da Academia Nacional de Ciências (EUA)

1989 – Prêmio Presidential Young Investigator, conferido pela Fundação Nacional de Ciências (EUA)

Karen publicou um livro que para mim, é mais que uma inspiração, é uma história de amor. O nome é Faces da floresta e indico a leitura a todos os amantes da natureza. Uma verdadeira aula de ciência e respeito!


Karen, muito obrigada! É o que podemos dizer por tanto conhecimento compartilhado!

Informações retiradas da matéria publicada no site ciclovivo.com

Texto por Fernanda Sá

Personagens da conservação: Peter Crawshaw

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Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

 

Hoje vamos conversar sobre uma das maiores inspirações para quem trabalha com mamíferos e conservação no Brasil. Vamos falar sobre Peter Crawshaw.

Peter formou-se em Ciências Biológicas no ano de 1977 pela Unisinos (RS), onde fez estágio em um zoológico – neste estágio já tinha grande admiração pelos felinos do local. Fez mestrado e doutorado pela Universidade da Flórida. Trabalhou no IBDF, no IBAMA e aposentou em 2012, como analista ambiental do Cenap, centro especializado do ICMBio. Atualmente continua participando de projetos de conservação de felinos e mora em Passo de Torres, SC.

 

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Peter Crawshaw no programa do Jô.

 

O história por trás da história

Nascido no Sudeste de São Paulo, no município de São Vicente, Petter teve seu primeiro contato com a fauna devido às atividades de caça exercidas pelo pai e seu grupo de amigos. As caças eram diversas, variando desde catetos, queixadas e até muriquis.
Petter conta que em uma das caçadas do grupo, uma fêmea de muriqui foi morta, deixando um filhote órfão. O pai de Peter acabou levando o filhote para casa, que permaneceu com a família até uma morte prematura, possivelmente por causas alimentares.

Com 10 anos de idade, o menino passou também a caçar, mas o que mais o encantava, eram as atividades que rodeavam a prática, como acampar.

 

Trajetória

Com o tempo, toda a família foi deixando esse hábito para trás.

Em 1966 eles se mudaram para o Rio Grande do Sul, onde tiveram, por dois anos, uma vida bem rural. Após esse período mudaram-se para Porto Alegre, onde Petter cursou a faculdade.

Um pouco antes de se formar, recebeu uma carta de uma amiga que falava que George Schaller, estava indo ao Brasil e que estava procurando uma área para estudar onças-pintadas no Pantanal. George é um importante zoólogo, pioneiro no estudo em campo de várias espécies carismáticas como tigre-asiático, leão, leopardo-das-neves, gorila-das-montanhas, dentre outros. 

Peter enviou uma carta a George falando do seu interesse em trabalhar com ele. Se conheceram em Brasília, onde George fez um convite para que Petter o visitasse no Pantanal. Petter não perdeu a oportunidade e fez uma proveitosa visita de 10 dias que incluiu muito campo e estreitamento de laços. Em janeiro de 1977 foi contratado para iniciar o trabalho com Geroge. Desde 1978, mediante um convênio entre o IBDF e a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), o projeto no Pantanal contou com a participação de Peter Crawshaw.

Quando George e Peter chegaram ao Pantanal, acompanharam indiretamente a população de onças moradoras da fazenda de estudo através de rastros.

O objetivo era colocar colares de monitoramento, aparelho recente, testado até então, somente com urso-pardo e puma-americano nos Estados Unidos. Mas ainda, nunca tinham conseguido pegar as onças com armadilha, para colocar o colar.

Com isso, o projeto contratou outro pesquisador, que tinha experiência com armadilhas e eles conseguiram capturar uma fêmea de onça-pintada em uma fazenda vizinha.

Ao total, duas fêmeas de onças-pintadas e também um macho de onça-parda foram marcados entre abril de 1977 e maio de 1978.

Até que, em julho de 1978, o trabalho no local foi interrompido, quando empregados da fazenda, por ordem do administrador do local, devido a conflitos econômicos/culturais e predação de gado, matou duas onças do local de estudo que ainda não haviam sido marcadas.

Em 1980, conseguiram uma nova área de estudo de onças no Pantanal, retomando as pesquisas. Neste ano, George foi para a China estudar o panda-gigante e o biólogo americano Howard Quigley veio, ficando com Peter até 1984, quando finalizaram o estudo. Entre 1980 e 1984, sete onças foram monitoradas.

Desde 1978, através de um convênio entre o IBDF e a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), o projeto no Pantanal contou com a participação de Peter. 

Da esquerda para a direita: George Schaller, Peter Crawshaw e Ana Rafaela D’Amico, em expedição no rio Roosevelt, em 2015. Foto: Arquivo Pessoal George Schaller – Oeco

Uma lenda vida

Há mais de 30 anos Peter Crawshaw é uma referência, na verdade uma lenda, em trabalhos com onças no Brasil, 

Foi ele o responsável pela primeira foto já feita no mundo todo de uma onça-pintada em armadilha fotográfica.

 

Nenhuma descrição de foto disponível.

primeira foto já feita no mundo todo de uma onça-pintada em armadilha fotográfica.

 

Esta foto histórica marca a trajetória de uma vida dedicada à conservação de felinos.

Petter também foi o responsável por capturar a primeira onça no Parque Nacional do Iguaçu, fez os primeiros estudos na região e  criou o projeto Carnívoros do Iguaçu. Hoje ele ajuda na elaboração de um planejamento estratégico para cinco anos do Projeto Onças do Iguaçu.

 

Petter é uma referência na consolidação da pesquisa e conservação de carnívoros no Brasil! Só temos a agradecer, por todas as suas contribuições.