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Parques Nacionais

Radar anti-caça salva rinocerontes na África do Sul

By | Animais ameaçados de extinção, Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Parques Nacionais | No Comments

Meerkat: Tecnologia de vigilância a favor da conservação

 

O Parque Nacional Kruger, que fica na África do Sul, o maior parque nacional do país, e um dos maiores do mundo, mostrou que é possível usar tecnologia a favor da conservação. O chamado ‘Meerkat’ (Suricato, em português) está agindo para proteger os rinocerontes da região e o melhor de tudo: movido a energia solar!

 

Código Postal Meerkat/Foto CNN

 

Esse mix de câmeras e sensores estão ajudando a proteger os rinocerontes e outros animais de caçadores furtivos. O aparelho é inteligente a ponto de conseguir distinguir entre movimento humano e animal e até inclui um sensor infravermelho, para detectar caçadores noturnos e alertar os guardas florestais sobre sua presença. Esse sistema é conhecido como “Código Postal Meerkat”, tem quase um metro e meio de altura. É capaz de acionar a equipe de segurança com muito mais rapidez, que vão até o local de helicóptero. Desde que a Meerkat foi introduzida, as atividades de caça reduziram em 95%!

 

Foto CNN/Rinocerontes no Parque Nacional Kruger

 

Um pouco sobre os rinocerontes

 

Existem 5 espécies de rinocerontes no mundo, mas na África do Sul, apenas o rinoceronte-branco (Ceratotherium-simum) e o rinoceronte-negro (Diceros-bicornis) ocorrem. Por fazer parte do “Big Five” animais do safári, é um grande atrativo para os turistas, junto com os búfalos, elefantes, leões e leopardos.

Segundo Tumelo Matjekane, da Peace Parks Foundation, uma organização que trabalha para conectar áreas de conservação no sul da África, os parques são um grande gerador de receita para a África do Sul. “Eles atraem turistas de todo o mundo. Se não formos capazes de conservar isso, essas pessoas não virão aqui e o impacto disso nos meios de subsistência, nas comunidades ao redor dos parques e em nossa economia não é mensurável”, ressaltou  Matjekane.

Atualmente, o rinoceronte-branco é considerado como quase ameaçado, ou ‘Near threatened’ (NT) e o rinoceronte-negro como criticamente em perigo, ou Critically Endangered (CR), segundo a IUCN.

 

Rinoceronte-branco – Foto de H. Zell/Wikimedia Commons

 

Rinoceronte-negro – Foto de Yathin S Krishnappa/Wikimedia Commons

 

O problema da caça

 

Infelizmente, em alguns países asiáticos, os chifres dos rinocerontes são erroneamente considerados como medicamentos alternativos para tratamento de doenças. Para acompanhar esse mercado e atender à demanda, os rinocerontes estão sendo dizimados dos locais onde eles ainda existem, criando um cenário de guerra entre caçadores e guarda-parques. 

De acordo com os Parques Nacionais da África do Sul, 421 rinocerontes foram mortos em Kruger em 2018. Uma pesquisa de 2016 descobriu que havia entre 7.000 e 8.000 rinocerontes em Kruger, mas o vasto tamanho do parque torna difícil mantê-los seguros.

Segundo Mark McGill, diretor de tecnologia dos Parques Nacionais da África do Sul: Kruger é aproximadamente do tamanho do país de Gales. É difícil encontrar uma pessoa lá fora e prendê-la.

Contudo, acreditamos que toda tecnologia que seja a favor da conservação é muito bem vinda. Tal atitude do parque é um exemplo para muitos outros no mundo, incentivando na utilização de tecnologias como estas e outras.

Imersão no maior projeto de conservação da Amazônia

By | Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Parques Nacionais, Projetos de conservação | No Comments

Entre os dias 14 e 21 de janeiro, a GreenBond realizou uma viagem para conhecer um dos maiores projetos de conservação da Amazônia: o Instituto Mamirauá. Nosso objetivo era mergulhar de cabeça no projeto e vivenciarmos o dia a dia do nosso parceiro, a fim de buscar as melhores alternativas para trabalhar em conjunto no ano de 2020.

Nosso veterinário e especialista em marketing, Diego Arruda, no Instituto Mamirauá. (Foto: Arquivo pessoal – Diego Arruda)

 

O projeto

 

O projeto foi criado em abril de 1999 e recebeu o nome de Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). O curioso é que a palavra Mamirauá tem origem indígena e significa ‘filhote de peixe boi’, o que também dá nome à Reserva Mamirauá.  

A Organização Social é fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Desde que foi criada, sempre desenvolveu seus projetos  por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social.

Seu objetivo é aplicar a ação de ciência, tecnologia e inovação na adoção de estratégias e políticas públicas de conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica. Além disso, abrange na aplicação e consolidação de modelos para o desenvolvimento econômico e social de pequenas comunidades ribeirinhas.

 

Principais linhas de trabalho

 

A IDSM possui uma linha de pesquisa que foi criada em 2004, com o objetivo de reunir pesquisadores, estudantes e técnicos. Esses grupos de pesquisa são divididos em: Análise Geoespacial, Arqueologia, Primatas, Ecovert (ecologia de vertebrados), Peixes, Felinos, Mamíferos Aquáticos, Ecologia Florestal, Inovação, Territorialidades, Quelônios e Jacarés.

Você pode aprofundar o conhecimento em cada uma das frentes por meio do site institucional.

 

Áreas de atuação

 

Com o intuito de ampliar a atuação em mais áreas, nos últimos anos, o Instituto Mamirauá vem se concentrando inicialmente nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no estado do Amazonas, seja por meio da execução de atividades em outras áreas da Amazônia, seja pela replicação dos métodos de conservação implementados na região. Uma reserva funciona como uma área de conservação protegida pela legislação brasileira, com grande importância ecológica, com ecossistemas ricos e complexos. 

Todas as atividades desenvolvidas em Mamirauá e Amanã funcionam como grande experimento de conservação e desenvolvimento social sustentável.

 

A viagem

 

O que rolou durante esses 7 dias? Nossa ida teve a intenção de consolidar a parceria para os próximos dois anos. Além de conhecer as dependências da Instituição, analisar os grupos de trabalho e consolidar os objetivos, principalmente em relação à captação de recursos para 2020. Nós também pudemos conhecer um pouco mais desse bioma tão encantador.

 

Na foto estão: Glauco (guia da pousada), Deuzanir (gerente da pousada) e Diego

 

A Amazônia é capaz de proporcionar uma verdadeira experiência antropológica. Além de vivenciar e apreciar a biodiversidade local, nós percebemos o quão interessante pode ser o aprofundamento nos modos de vida da população amazonense. Ao conhecer a relação do Instituto com o seu povo, nós conseguimos traçar estratégias ainda mais efetivas para a comunicação do projeto. 

Já no município de Tefé, onde está localizada a sede do Instituto, fizemos uma visita na prefeitura da cidade e fomos muito bem recebidos. O desenvolvimento sustentável da região precisa unir políticas públicas, projetos/ações socioambientais e a população. Por isso, a importância de manter os laços sempre bem apertados.  

Agora, falando sobre o cliente. Nossa missão nesta parceria com o Mamirauá é trabalhar, principalmente, a captação de recursos. Aliado à comunicação, os esforços de captação arrecadam fundos para que o projeto continue atuando com efetividade na conservação da Amazônia. Presencialmente, foi possível alinhar as expectativas e planejar melhor nossas ações de arrecadação em 2020. 

Os resultados de 2019 são nosso melhor guia de boas práticas, por isso fizemos questão de apresentá-los à equipe do Mamirauá. Com tempo suficiente para conseguir uma amostra de dados, nós pudemos apresentar ao Instituto uma análise embasada e cases de sucesso repletos de insights para as próximas ações. O começo de qualquer trabalho deve ser sempre visto como um fase de testes, onde observamos o que pode ou não funcionar para o parceiro a ser trabalhado.

 

Diego Arruda apresentando os resultados de 2019 e a GreenBond à equipe do Mamirauá. (Foto: Arquivo pessoal – Diego Arruda)

 

Durante nossa estadia, também pudemos conhecer o Projeto Providence. Ele surgiu na Reserva Mamirauá, com o intuito de auxiliar, monitorar e registrar a vida animal da área. Todos esses dados são enviados para uma equipe responsável por desenvolver pesquisas e acompanhar os animais estudados, gerando maior conhecimento científico sobre a fauna local.

Gostaríamos de agradecer à toda equipe do Instituto Mamirauá pela experiência incrível! Para nós, é muito gratificante poder trabalhar em conjunto com o maior projeto da conservação da Amazônia. Muito obrigado!

Saltos do Rio PReto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - Foto: Fábio Paschoal

5 atrações imperdíveis na Chapada dos Veadeiros

By | Conservação, Ecoturismo, Parques Nacionais | No Comments

Se você gosta de cachoeiras, belas paisagens e contato próximo com a natureza, a Chapada dos Veadeiros certamente vai te conquistar. Localizada em Goiás, abrange vários municípios. Muitos atrativos ficam em propriedades privadas espalhadas por Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e São Jorge, mas o Parque Nacional também oferece diversos passeios com a vantagem de ter entrada gratuita. O clima da região é bem definido: a temporada de seca vai de maio até setembro e a de chuvas de outubro até abril.

O lugar é um dos principais destinos turísticos de Goiás, tem muitas opções de passeios e é difícil saber por onde começar. Por isso, fizemos uma lista com 5 atrações imperdíveis na Chapada dos Veadeiros para facilitar a sua vida:

Cachoeira Santa Bárbara, Comunidade Kalunga do Engenho II, Cavalcante, Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

1. Cachoeira Santa Bárbara

A cachoeira mais bonita da Chapada dos Veadeiros ganhou fama devido suas águas em tons de azuis e verdes que lembram o mar do Caribe. A queda de 35 metros deságua em um poço excelente para banho e, quando o sol bate na água, as cores se transformam e o lugar parece mágico. A atração fica no Povoado Kalunga do Engenho II, em Cavalcante e é administrada pelos próprios kalungas, povo descendente de quilombolas que vive na região.

A entrada custa R$ 20 (o preço de todas as atrações desse post foram checadas em janeiro de 2019) e dá acesso às cachoeiras Santa Bárbara, Santa Barbarinha e Capivara. Há um limite de 300 pessoas por dia. É obrigatório contratar um guia da comunidade que cobra a diária de R$ 100 por grupo, mas se você estiver sozinho é possível montar um grupo com quem estiver na fila. Também é preciso pagar pelo transporte (pau de arara) que te leva da sede da comunidade até a entrada da trilha (R$ 10 por pessoa ida e volta).

 

Cachoeira do Carrossel no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás - Foto: Fábio Paschoal

Cachoeira do Carrossel no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

 

2. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Com 240.611 hectares de Cerrado, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 2001. Há a possibilidade de fazer quatro trilhas com diferentes níveis de dificuldade:

  • Travessia das Sete Quedas: dura de 2 a 3 dias. Nível: muito pesada (é necessário fazer agendamento e pagar uma taxa pelo pernoite)
  • Trilha dos Saltos, Carrossel e Corredeiras: 11 km ida e volta ou 12 km passando pelo mirante e poço do Carrossel. Nível: Pesado (se for só o trecho das corredeiras o nível é moderado)
  • Trilha dos Cânions e Cariocas: 12 km ida e volta. Nível: moderado superior
  • Trilha da Seriema (800m ida e volta, ideal para quem quer levar crianças).

Cachoeira das Cariocas, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

O Parque é aberto à visitação todos os dias e conta com trilhas bem sinalizadas, com setas coloridas pintadas nas rochas, e não é necessário guia. Porém, às segundas-feiras só aceita grupos acompanhados por condutores com exceção dos meses de janeiro e julho, quando visitas sem condutores são permitidas todos os dias. O acesso é pelo distrito de São Jorge e funciona das 8h até as 18h, mas a entrada acontece só até às 12h. Para enriquecer a experiência dos visitantes e manejar os impactos sobre os ecossistemas, a visitação é limitada por trilha. A capacidade total é de 810 pessoas por dia.

O estacionamento custa R$ 15 por veículo e a entrada é gratuita. Mas fique de olho porque um contrato de concessão do Parque foi assinado em 18 de dezembro de 2018 com as empresas Parquetur Participações e Socicam Terminais Rodoviários e Representações. O ICMBio continuará fazendo parte da administração, mas é possível que a entrada passe a ser cobrada.

Mirante da Janela com visão dos Saltos do Rio Preto no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Foto: Fábio Paschoal

3. Mirante da Janela

Um dos atrativos mais famosos da Chapada dos Veadeiros é o Mirante da Janela, um lugar em que as pedras formam uma moldura para os Saltos do Rio Negro. É o típico local em que todo o mundo quer ser fotografado. Durante férias e feriados prolongados uma fila se forma no lugar. Comecei a trilha às 8h e não tinha ninguém quando cheguei lá. Mas quando saí, a fila já começava a se formar.

A trilha tem 8 km de extensão (ida e volta) e não é muito bem sinalizada. A contratação de guia não é obrigatória, mas é recomendada. O trajeto começa com uma descida íngreme, passa pela Cachoeira do Abismo, que só tem água (incluindo um poço para banho) durante a temporada de chuvas. Depois você passa por um vale e começa a subir. No final não tem nenhuma indicação de como chegar até a janela e sem guia pode ser um pouco mais difícil de encontrar o lugar.

O acesso é por São Jorge. Placas indicam como chegar até o estacionamento e a entrada da trilha. No começo parece meio estranho porque não tem ninguém para cobrar estacionamento nem a entrada na trilha, mas após andar por mais ou menos 1 km chega-se na portaria onde você paga R$ 15 por pessoa para continuar. Fique atento com o horário. Após às 15h não é mais permitido fazer a trilha.

Vale da Lua, na estrada entre São Jorge e Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

4. Vale da Lua

O Vale da Lua é um lugar diferente de qualquer cachoeira da Chapada dos Veadeiros. A rocha sedimentar de cor cinza é composta principalmente por carbonato que é dissolvido pelas águas do rio São Miguel formando crateras, túneis e superfícies irregulares que fazem lembrar o solo lunar. Piscinas naturais para banho permitem um mergulho refrescante nessa paisagem surreal.

Muita gente se decepciona devido ao tamanho do Vale da Lua. Então é importante saber que são apenas 400 metros com esse cenário de outro planeta. Outra informação essencial: é a segunda atração mais visitada da Chapada dos Veadeiros, perdendo somente para o Parque Nacional. Então chegue bem cedo ou no finalzinho da tarde em dias de grande fluxo, como férias e feriados prolongados.

O acesso fica a 9 km de São Jorge na estrada GO-239 em direção a Alto Paraíso de Goiás (uma grande placa indica a estrada de terra que leva à atração). Fica aberto das 7h30 até Às 17h30, o ingresso custa R$ 20 e não necessita de guia para percorrer a trilha de 600m. Como o passeio é curto, normalmente é combinado com outras atrações próximas, como a Fazenda São Bento (Cachoeiras Almécegas I, II e São Bento), Cachoeira dos Cristais ou Cachoeira dos Loquinhas.

Jardim de Maytrea na estrada entre São Jorge e Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros – Foto: Fábio Paschoal

5. Jardim de Maytrea e matula no Rancho do Waldomiro

Após um dia de passeio, se você estiver voltando de São Jorge para Alto Paraíso pela estrada GO-239 ou vice-versa, vale a pena parar no Jardim de Maytrea e ver o pôr do sol. O lugar é visível somente da estrada e é um pouco difícil achar um lugar para estacionar (tem um puxadinho improvisado onde é possível parar o carro e tirar uma foto).

Antes disso, passe no Rancho do Waldomiro, também na mesma estrada, para provar a matula, que não é sinônimo de marmita em Goiás. Trata-se de um tutu feito de feijão-branco ou mulatinho com pimenta-verde, alho, pedaços de linguiça e carne de sol de lata curada em banha de porco, engrossado com farinha de mandioca. A receita teve origem nas viagens que tocadores de gado faziam pelo interior do estado entre o fim do século 19 e o início do 20. No restaurante simples do seu Waldomiro, um dos poucos que ainda servem a receita, a matula é acompanhada por mandioca frita, abóbora, paçoca, arroz, além de pedaços das carnes que entram no preparo do feijão.