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Viagem a Sumatra: um encontro com os orangotangos

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Os orangotangos são grandes primatas de hábito arborícola, pelo avermelhado, um cérebro complexo e com ausência de rabo. Fazem parte do grupo dos antropóides,  macacos com bastante semelhança com humanos, e estão no mesmo grupo dos chimpanzés, gorilas e bonobos.  

Nativos da Indonésia e da Malásia, hoje só são encontrados nas florestas tropicais de Bornéu e Sumatra e seu estado de conservação é extremamente preocupante. Isso se deve a diversas ameaças como a caça e  a destruição de seus hábitats. 

Hoje, no dia mundial dos orangotangos, contaremos um pouco sobre a experiência do nosso biólogo Gustavo Figueroa, no turismo com os Orangotangos-de-Sumatra (Pongo abelii).

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

Nossa história começa com um outro sonho de Gustavo. Ver de perto Dragões de Komodo (Varanus komodoensis) . Estes lagartos só são encontrados nas Ilhas de Komodo e, movido pelo desejo de encontrar estes gigantes, Gustavo planejou sua viagem à Indonésia. Completamente apaixonado pela fauna em geral, Gustavo também incluiu a Sumatra no roteiro, onde poderia observar de orangotangos em vida livre.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

“Comecei procurando um centro de reabilitação de orangotangos, já que lá tem alguns, e aí vi um lugar que é onde eles soltam os orangotangos. Têm os orangotangos já da floresta, uma população já estabelecida… e eles fazem soltura nesse parque nacional que chama Parque Nacional de Gunung Leuser. Entrei em contato com uma agência que fazia esse passeio pelo Parque Nacional e fechei um pacote de cinco dias.”, nos conta Gustavo. 

 

Indo até o destino

O acesso até o parque não é dos mais fáceis. Até chegar ao destino é preciso sair do Brasil e ir até Bali, na Indonésia. De Bali pegar um voo até Medan, capital da província Norte de Sumatra e depois pegar uma “estrada péssima”, de acordo com Gustavo, em um trajeto de cinco horas até chegar em um vilarejo. 

Figueiroa nos conta que nessa estrada, só se vê plantação de palma, a grande responsável por desmatamentos na região e infelizmente pela mortes de muitos orangotangos. Do vilarejo é preciso seguir a pé por mais meia hora até chegar em uma vilazinha e de lá, finalmente, sair em caminhada mata adentro no parque nacional em busca dos bichões. Uma busca que dura  em torno de 3 dias.

E o passeio é uma aventura mesmo, pois nesses três dias você acampa no meio da mata, bebe água e toma banho de rio e as comidas são cozidas lá mesmo, ovo, macarrão e arroz. Claro que têm os guias que irão acompanhar e conduzir durante todo o tempo, mas não é moleza, não viu? E olha que tem passeio que pode durar até 10 dias! Tudo a pé e sem luxo nenhum. Natureza pura!

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

E começa a aventura

Já no primeiro dia, Gustavo e seu grupo, avistaram com pouco menos de uma hora de trilha, um grande macho se alimentando de folhas no alto de uma árvore. “Mais pra frente no caminho, a gente viu um jovenzão que tava lá tirando onda com a gente, ele desceu (da árvore). Alguns desses que foram reintroduzidos, chegam mais próximos dos humanos. Eles já tiveram esse contato então não têm muito medo. Aí ele chegava, descia da árvore e tentava pegar coisa da nossa mochila.”, relata Gustavo. 

 

Foto: Gustavo Figueiroa 

 

O segundo dia foi cheio de encontros e aventuras inusitadas, com direito até a perseguição de orangotangos! 

As trilhas da mata são muito estreitas e não tem outro caminho, que não seja segui-las, pois a floresta é bastante densa. Essas trilhas são utilizadas tanto pelos humanos quanto pelos orangotangos.

“A gente tava passando, estávamos em fila, tinha dez pessoas na nossa turma, contando com os guias, e aí a gente olhou pro lado e tinha uma mãe com um filhote mamando nela. A gente achou muito massa, começou a tirar foto e eu passei na frente, eu e mais três pessoas do grupo, pra pegar um ângulo melhor e nisso a mãe saiu do meio do mato e parou no meio da trilha, dividindo nosso grupo.” Conta Gustavo.

 

Foto: Gustavo Figueiroa 

 

“Aí ela começa a vir na nossa direção com o filhote agarrado nela, parece uma bolsa, e nisso vem outro filhote, que é um jovenzão grandão e ele sai também e vem na nossa direção, ai o guia fica tipo ‘vamo, vamo, corre, corre, corre’ e começamos a correr… Ela começa a vir atrás da gente e a gente com passo acelerado. Andamos por meia hora com nosso grupo separado e os orangotangos no meio e aí tem uma parte que o grupo consegue passar os orangotangos e todo mundo se junta de novo. A gente começa a andar e fala ‘pronto, despistamos eles né’ e então paramos na beira de um riacho para comer.”, Lembra Gustavo.

“Sempre que a gente vai comer, os guias abrem um plástico para colocar no chão para a gente sentar e fazer tipo um piquenique. Na hora que ele abriu o plastiquinho e colocou no chão, quando ele começou a preparar comida, começou a descascar os tomates, o outro guia: ‘ó eles estão vindo, estão vindo’ daí não deu nem tempo. A gente largou as comidas lá. Caí dentro do rio, fui tentar correr e caí dentro do riachinho, era um riachinho pequeno, não era muito fundo. Aí eles já vieram, a mãe já entrou pegando nossa comida. A gente já foi pra dentro do rio porque no rio eles não entram, eles tem medo de água e a gente ficou olhando de lá.”, relata Figueiroa.

Pouco tempo depois, o jovem sobiu em uma árvore e a fêmea em outra. A mãe acabou atravessando para o outro lado  utilizando a árvore, liberando assim o caminho para que o grupo de turistas pudesse correr para longe.

 

Foto: Gustavo Figueiroa 

 

O perrengue continua

“A gente andou umas duas horas sem parar para descansar (…), depois de umas duas horas, a gente sem almoçar, perdeu metade do almoço que eles roubaram, já era umas duas horas da tarde, sete horas andando que nem louco, a gente não aguentava mais, aí falamos ‘vamo parar em algum lugar aqui pra comer pelo amor de Deus’. Aí o guia ‘Não, vamos andar mais’… andamos mais uma hora até chegar em um lugar que o guia falou ‘Acho a gente despistou ela já, dá pra comer.’… A gente parou de novo, ele conseguiu montar o resto da comida, a gente começou a comer, mas ele falou ‘ó fica com as mochilas próximas porque pode ser que ela apareça de novo’. Ai umas amigas minhas largaram as mochilas, elas estavam muito cansadas, e eu com a minha mochila nas costas já. Eu terminei de comer e uma amiga minha não aguentou comer tudo e falou ‘quer o resto?’ e eu como bom taurino falei ‘lógico’. Eu peguei e comecei a comer o troço dela ai o guia ‘mano, eles tão aqui!’ … Só que na hora que ele falou, eles já estavam em cima mesmo, não deu nem tempo. Na hora que ele falou ‘eles estão aqui’ eu levantei pra correr, na hora que eu dei dois passos eu senti minha mão sendo segurada, parecia que eu tinha sido algemado num poste, travou minha mão. Na hora que eu olhei pra trás era a fêmea, a mãe, me segurando. ” Conta Figueiroa.

 

Medo na hora, história de aventura depois

“Foi muito forte, fez marca no meu pulso. Ficou marcado os dedos dela no meu braço. Eu olhei e ela sentada me segurando, olhando pra mim e nisso eu olhei pro lado e só lembro da cena do jovenzão vindo na minha direção… e daí ele segurou a mão que eu estava com a comida (…) ele veio e pegou meu rango, saiu fora e na hora que a mãe viu que ele saiu fora, ela me soltou. Ela segurou pro filho dela pegar minha comida.”, conta Gustavo.  

“Ela me soltou e nisso ela segurou a mão da minha outra amiga que tava comigo e o jovenzão foi lá e também pegou a comida dela. Aí a gente desceu, mas não correu porque eles ficaram com as comidas lá, eles começaram a correr e não vieram mais atrás da gente. Ficamos a uns cinco metros olhando eles comendo e foi muito doido porque minhas amigas deixaram todas as coisas lá e o guia falou ‘vamos indo, vamos indo se não eles vão continuar atrás da gente, depois a gente pega as coisas que vocês deixaram aqui’. Elas deixaram mochila, garrafa d’água, tudo lá.” Relata Gustavo.

“Antes de ir embora eu lembro que eu vi a cena da fêmea que pegou uma garrafa d’agua da minha amiga e era de rosquear, ai ela ficou olhando, tentou puxar, não conseguiu e depois ela desrosqueou o bagulho e tomou água da garrafa!!!!! Falei ‘noooossa, não acredito velho’… Aí a gente teve que ir embora pra eles não continuarem indo atrás da gente, mas foi muito doido, foi uma experiência f*dástica! A gente continuou andando e chegou até o acampamento que a gente ia dormir na beira do rio. (…)  A gente chegou no rio para tomar banho, era um rio grande que tinha lá, mas não era muito fundo não, era um rio de pedra. Na hora que a gente tava tomando banho lá a gente viu um lagarto monitor descendo e vindo atrás de peixinhos e moluscos para comer e eu, todo ensaboado, sai do rio para ficar olhando ele.”, completa Gustavo.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

Último dia 

A trilha na mata é apenas de ida. A volta é por meio do rio, onde cada um desce em boias com suas coisas. “Você anda três dias e no último dia, no último acampamento, (…) a gente volta boiando em umas bóias de pneu de caminhão pelo rio. E é um rio de corredeiras, tem umas partes que são meio tensas”, conta Gustavo. 

Com mais essa aventura aquática, os amigos retornaram para a vilazinha, que fica na beira do Parque Nacional e lá avistaram ainda mais dois orangotangos, para fechar com chave de ouro o passeio!

Por essa história, percebemos que não é um programa para qualquer um. Não é como um safári em que os animais estão habituados aos carros e você vai embora caso não goste. É uma aventura no meio da floresta vivendo todas as experiências possíveis, ciente de que caso aconteça algo com você, a responsabilidade é toda sua. Justamente por isso, antes mesmo de embarcar nessa aventura, é necessário assinar um termo assumindo sua responsabilidade frente aos acontecimentos. É um ambiente nada controlado em que há tigres, ursos, primatas e diversos outros animais selvagens. Claro que tem os guias para orientar e guiar os turistas da melhor forma possível, além de kits de primeiros socorros, porém acidentes podem acontecer.

 

Foto: Gustavo Figueiroa 

 

Outros avistamentos

Além de encontrar os orangotangos e o lagarto monitor em seu percurso pelo Parque Nacional, Gustavo também viu algumas espécies de aves, cobras e Gibão Preto, que inclusive pegou uma banana da mochila de sua amiga.

 

Impactos 

Querendo ou não, este turismo acaba causando impactos ambientais, pois há a interferência humana e, como os orangotangos acabam pegando comida dos turistas, eles podem contrair algum tipo de doença. Mas analisando todos os fatos, o impacto positivo é muito maior, como nos contou Gustavo, “é um local muito pobre que sofre uma pressão gigante para desmatar. É o lugar que foi mais desmatado do mundo, venceu a Amazônia… e é muito menor que ela, então está em uma taxa absurda de desmatamento lá. 

Fora que animal lá é tratado que nem lixo por grande parte da população, então eles estão em uma situação muito vulnerável, realmente o negócio é desesperador e esse tipo de turismo é o que mantém aquilo ali, o que mantém aquela vila. O turismo para conhecer o parque, para ver os orangotangos é o que mantém aquela vila então eu vejo como essencial.”

O que ajuda a preservar a região é esse ecoturismo pois “Quando você gera renda para a população local, se vem alguém querendo desmatar, o cara pode pensar duas vezes e falar ‘não, mas

eu  vivo disso aqui, tô de boa’, agora se o cara não ganha nada com aquilo, vem alguém e oferece uma grana para derrubar aquilo ali ele fala ‘então vai’. Então você conhecendo dessa forma, você tá fazendo parte dessa cadeia que tá mantendo a floresta de pé”, conta Gustavo.

Conhecer um animal que pode ser extinto nas próximas décadas, já que eles estão muito ameaçados de extinção, e em vida livre ainda por cima, é de uma relevância muito grande. Principalmente porque passamos a valorizar ainda mais o animal e a querer que eles estejam aqui preservados. Começamos a entender mais sobre eles e sobre as ameaças que estão enfrentando, que são muitas.

 

Foto: Gustavo Figueiroa 

 

Por fim…faria diferente

Apesar de ter gostado muito e achado uma experiência incrível, Gustavo nos contou que faria diferente…mas calma que não é um diferente ruim, é um diferente bom! Ele nos contou hoje, com certeza, aumentaria o tempo do passeio, escolhendo um pacote de até 10 dias na floresta! Imagina? 

Mas a verdade é que essa aventura não é pra todo mundo, eu mesma depois desses causos, pensei duas vezes antes de querer fazer esse tipo de turismo. Mas assim …quem sabe um dia, né? 

Para isso, precisamos, antes de ludo, lutar para a conservação dos orangotangos e evitar que eles sejam extintos.

E aí? Curtiu a história? Você já fez algum ecoturismo assim? Conta pra gente!

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

 

 

A trajetória por trás das lentes: a vida e carreira de João Paulo Krajewski e Roberta Bonaldo

By | gigantes da conservação, Não categorizado | No Comments

Quem nunca quis ser documentarista ou cinegrafista ao assistir um documentário de vida selvagem, que atire a primeira pedra! Estar em lugares exuberantes, com a mais diversa vida ao redor, e poder registar para tudo isso, parece sonho, mas essa é a realidade de João Paulo Krajewski e sua esposa Roberta Bonaldo.

Admirados pelo trabalho dos documentaristas, a GreenBond foi atrás do casal para uma conversa sobre a vida, trajetória e os bastidores da profissão.

 

Foto: Edson Faria Junior

Amor a primeira natureza

Nascido em Campinas, João Paulo sempre foi apaixonado pela natureza. Aos quatro anos já adorava ver programas de TV e documentários sobre o mundo selvagem. “Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer eu respondia ‘eu quero trabalhar com o  Jacques Cousteau’”, conta João. 

 

Foto: Roberta Bonaldo

 

A paixão e admiração pela biologia e pelo mar já eram evidentes e João ainda contava com o apoio e incentivo de seus pais: “eu falava para minha mãe que gostava de bichos e ela, professora de Geografia, falava para as colegas da Biologia, que me mandavam livros. Eu criancinha tinha aqueles livros mostrando abelhas, células haplóides, diplóides, um monte de coisa de zoologia e genética. Eu ficava viajando, era louco por isso”, relembra João.

Cada vez ficava mais fissurado por estar na natureza, ir atrás dos bichos, conhecer, assistir documentários. Aos 15/16 anos João começou a se interessar mais pela fotografia e andar para cima e para baixo com uma camerazinha. Sua forma de curtir a natureza passou a ser mais pela contemplação: “hoje minha grande paixão pela natureza, mesmo passando por calor, frio, algum incômodo, é quando eu estou parado ali curtindo; observar o mundo natural me fascina”, diz JP.

Roberta também cresceu no interior de São Paulo e seu maior contato com a natureza era no jardim da casa de seus pais. A área verde limitada não impediu Roberta de se apaixonar pela natureza, sendo sempre uma criança curiosa que adorava insetos e desenhos sobre a vida animal.

“Uma das minhas lembranças mais antigas desse encantamento com a biologia foi um desenho animado que eu assisti, que mostrava que as lagartas viravam borboletas. Eu fiquei em choque! Como assim, lagartas e borboletas eram o mesmo bicho?! Então fui no jardim da casa dos meus pais e peguei todas as lagartas que encontrei porque eu queria vê-las virando borboleta. Fiquei maravilhada com aquilo! Depois, fui ao meu guarda-roupas  e enchi uma das gavetas de folhas, já que eu vi no desenho que era o que elas comiam. Depois, coloquei as lagartas na gaveta e fiquei esperando, até o dia em que minha mãe foi guardar minhas roupas, abriu a gaveta e quase teve um treco!” conta Roberta, rindo.

 

Foto: João Paulo Krajewski

 

A vida acadêmica e os encontros

A paixão pela área ambiental levou João e Roberta a cursarem Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde se conheceram. E é claro que meu espírito de Maria Fifi quis saber quando foi que eles começaram a se relacionar, então  perguntei pois não sou de pedra, né?

Eis o que João e Roberta nos contaram sobre a primeira semana de aula deles na faculdade: “Na sexta-feira chega ela, sentou do meu lado e eu pensei ‘nossa menina nova e tal, sentou do meu lado’. Já fiquei super interessado, batendo papo e fui pra casa feliz da vida. Tinha feito amizade nova, conversei a manhã inteira com ela. Chegou segunda-feira eu, de novo na Unicamp, vi a Roberta. Já fui conversar, mas cheguei lá e ela não sabia quem eu era, não se lembrava de mim.” conta João enquanto Roberta cai na risada. “Fui falar com ela, ela olhou meio assim…e perguntou ‘Te conheço?’. Fiquei ‘nossa, cara, a gente conversou sexta-feira a manhã inteira!’ esse negócio de amor à primeira vista é uma baita mentira”, completa João.

Logo em seguida, Roberta se defende: “Em minha defesa, era meu primeiro dia de aula. Eu tinha conhecido muita gente, estava atordoada, era muita informação, estava perdida…” Mas um mês depois depois desse início “traumatizante”, de acordo com JP, eles já estavam namorando, muito felizes e desde então não se separaram mais.

 

 

Quando iniciou a graduação, Roberta pensou que estudaria insetos, mas começou a mergulhar com João e se encantou pela biologia marinha. Ainda na graduação, fez pesquisa de Iniciação Científica sob orientação do Prof. Ivan Sazima sobre o comportamento alimentar do peixe borboleta listrado (Chaetodon striatus) em Ilhabela.

Formados, João e Roberta fizeram Mestrado em ecologia e comportamento de peixes marinhos em Fernando de Noronha, orientados pelo Professor Ivan Sazima. João também fez o doutorado na mesma instituição, sob orientação da Prof Fosca Leite. Já Roberta fez seu doutorado na Universidade James Cook, na Austrália. sob a orientação do Prof. David Bellwood. Sua pesquisa foi sobre como os peixes-papagaios influenciam comunidades de algas e corais em recifes coralíneos.

 

Foto: Stacey Emiliou/Roberta Bonaldo em Fernando de Noronha

 

Das telinhas das câmeras para o mundo

Uma das primeiras experiências profissionais do casal para a televisão foi durante o mestrado em Fernando de Noronha. Nessa época, uma equipe do programa Terra da Gente, da EPTV Campinas, uma afiliada da Globo, foi gravar as pesquisas feitas pelo grupo do Professor Sazima, do qual João e Roberta faziam parte. “As histórias eram incríveis, peixes que mudam de cor, um que segue o outro, peixes que viram de ponta cabeça para pedir limpeza para o outro… tínhamos histórias muito bonitas”, conta João. As imagens submarinas foram  feitas por JP e Roberta, já que possuíam conhecimento de biologia, mergulho e fotografia.

A partir daí, João viu que o sonho de fazer imagens para a TV era possível. Quando Roberta foi para a Austrália, João entrou em contato com a equipe da EPTV para gravarem um Globo Repórter no país. A associação com a EPTV foi fundamental para conseguirem realizar mais trabalhos até que, em 2009, João recebeu o convite para apresentar o Domingão Aventura, um quadro do Domingão do Faustão. As imagens mostradas no programa foram do Dragão de Komodo (Varanus komodoensis) e a aceitação foi tão grande que, logo depois, João foi contratado para produzir material e apresentar o quadro.

 

Foto: Yano Sakul/Roberta Bonaldo Instagram

 

“Desse momento em diante, foi viagem atrás de viagem, ganhando conhecimento, aprendendo… foi fantástico, uma escola sem igual”, fala JP.

Em 2015 outro momento sem igual: o primeiro trabalho com a BBC. João nos conta que seu primeiro contato com a produtora foi um um festival de filmes na Inglaterra, onde contou algumas de suas histórias em Fernando de Noronha. Depois disso, ele foi chamado para trabalhar com equipe do grande diretor Miles Barton.

“A gente foi para Fernando de Noronha para gravar uma história que depois até virou trailer da série Planeta Azul II, que é a sequência de uma moreia que salta para fora da água para caçar caranguejos. Foi a primeira vez que trabalhei com a BBC; como consultor e guia da equipe. Eles fizeram a maioria das imagens, mas acabei contribuindo com algumas também. Isso foi o sonho do sonho do sonho… Um trabalho que eu amava ver, que quando eu era moleque eu achava que era coisa de outro planeta, que eu jamais chegaria lá. (…) Eu nunca pensei que conseguiria fazer qualquer imagem assim, achava que era uma realidade distante da minha, da Inglaterra. De repente, eu estava vendo imagens minhas narradas pelo Sir David Attenborough, que para mim é a figura mais querida e impressionante da minha área, que mais me inspira no mundo”, conta João.

 

Foto: Roberta Bonaldo/Fernando de Noronha

 

Figuras importantes na jornada

Durante nossa conversa, Roberta e João citaram várias pessoas queridas e que foram peças importantes na trajetória.

Roberta nos conta que seu lado de divulgadora científica foi bastante aflorado porque seu orientador, Prof. Ivan Sazima, sempre fez questão de incentivar a publicação de materiais de divulgação científica, além dos artigos científicos. Desta forma, os resultados do trabalho realizado poderia alcançar mais pessoas. Ivan acredita que tão importante quanto publicar é divulgar a ciência. João também cita o Professor Sazima como uma peça fundamental na sua formação, já que com ele desenvolveu muitas das suas habilidades de observação de comportamento animal e história natural.

Outra figura bastante importante foi o produtor Miles Barton. Roberta conta que durante as gravações em Noronha, sempre o observava trabalhando: “no campo, o Miles agia o de um cientista, um naturalista mesmo. Ele ia com um caderninho de campo, anotava, observava, era super criterioso tanto com a parte estética quanto com a parte do conteúdo, então eu enxerguei muito do que eu fazia na atividade dele.”

João conta que, na Inglaterra, Barton levou o casal para conhecer o prédio da BBC: “Foi um sonho! Miles mostrou várias salas para nós, inclusive em que o Attenborough gravou narração de muitos filmes que tenho aqui em casa e já assisti muitas dez vezes… Os nomes e os posters de todas as produções da BBC. E Miles sempre nos fez sentir um pedaço daquilo (…). Foi uma figura que mostrou ‘João você é parte disso, a gente tem um respeito por vocês’ e foi incrível.”.

O Terra da Gente não ficou de fora das citações: “o Terra da gente mostrou que eu era capaz de fazer aquilo (gravar imagens para a televisão).”, diz João.

O casal também não economizou agradecimentos à equipe do Domingão do Faustão. João trabalhou para o Domingão Aventura durante 11 anos e Roberta durante 5 anos como pesquisadora, produtora, cinegrafista e em 2018 iniciou como apresentadora do quadro.

 

Foto: João Paulo Krajewski Instagram

 

Todas essas pessoas na trajetória de João Paulo e Roberta foram muito importantes para eles se reconhecerem como profissionais, para mostrar que eles estavam no páreo e tinham capacidade de ir longe. E foram!

 

Produções a todo vapor

Os trabalhos e as oportunidades não param de surgir na vida de João e Roberta. JP já realizou várias produções com a BBC, Netflix, Animal Planet, ……. assim como Roberta que também participou na parte de making-of, produção e checagem de conteúdo científico. 

 

Algumas das produções são: 

  • Vida em Cores com David Attenborough (2021)

A série produzida pela Humble Bee Films para a BBC e Netflix conta com três episódios em que Sir David Attenborough explora como os animais utilizam suas cores. No Brasil, a série está em exibição na Netflix. Clique aqui para assistir na Netflix. Clique aqui para assistir no site da BBC One.

 

  • Vida no Azul (2020)

Série de 12 episódios produzida pela Natural History Brazil sobre a vida marinha ao redor do mundo. Os episódios mostram as particularidades de diferentes regiões dos oceanos. Em exibição no Animal Planet. Clique aqui para a página da série.

 

Foto: Roberta Bonaldo/João Paulo Instagram

 

  • Florestas Animais (2016)

Série de cinco episódios, produzida por João Paulo Krajewski, que explora as diferenças das principais regiões de florestas tropicais do mundo. A série atualmente está disponível no canal do YouTube de João Paulo Krajewski. Clique aqui para ver os episódios.

 

  • Primatas (2020)

Série produzida pela BBC de três episódios sobre primatas. Clique aqui para ir para a página oficial da série.

 

  • Sete Mundos, Um Planeta

Narrada por Sir David Attenborough e produzida pela BBC, a série mostra a enorme diversidade de vida e as peculiaridades de cada continente. Clique aqui para o trailer da serie. Clique aqui para ir para a página da série.

 

Foto: João Paulo Krajewski

 

  • Planeta Azul II/ Blue Planet II (2018)

Série de sete episódios produzida pela BBC sobre a vida marinha. João trabalhou como consultor científico e gravou algumas imagens de caranguejos, moreias e polvos em Fernando de Noronha. Clique aqui para ver a gravação.

 

  • Grandes rios da Terra (2018)

Série da BBC sobre os rios Amazonas, Nilo e Mississipi, em exibição no Animal Planet. Clique aqui para a página da série.

 

Foto: Acervo João Paulo Krajewski

 

  • Rotadores de Noronha (2016)

O documentário mostra a vida dos golfinhos rotadores de Fernando de Noronha e o trabalho de conservação realizado pelo Projeto Golfinho Rotador. Clique aqui para assistir ao documentário.

 

Um giro pelo mundo

Para que todas essas produções fossem feitas, João e Roberta passaram por muitas cidades e países diferentes. Dos mais quentes aos mais frios, João já visitou mais de 60 países enquanto Roberta está na faixa dos 40. E olha que esse número só não aumentou devido à pandemia.

 

Acervo João Paulo Krajewski

 

Com tantas experiências e lugares diferentes, fica até difícil escolher qual o país que mais gostou e qual o momento mais emocionante, mas João logo se prestou a responder: “Têm dois países que eu acho incríveis no mundo, Brasil e Indonésia. Eu acho que são dois países mais fantásticos porque é uma questão de gosto pessoal: eu gosto de floresta tropical. O Brasil tem a Mata Atlântica e a Amazônia. A Amazônia é a floresta mais impressionante, mais imponente que existe no mundo. Os rios da Amazônia deixam qualquer coisa do mundo no chinelo, não tem comparação. Você navegar num rio da Amazônia, no meio da floresta, você se sente um nada ali. Fora a fauna que é incrível, é maravilhosa”, conta João.

“A Mata Atlântica, em termos cênicos, é a floresta mais bonita do mundo. Parece que um jardineiro passou colocando cada bromélia e orquídea em um lugar especial… e os riachos são todos verdadeiras obras de arte. Eu costumo brincar dizendo quando vejo uma coisa bonita  “nossa, isso aí é mais bonito que riacho da Mata Atlântica”, completa João.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Amazônia durante a noite

 

“Na Indonésia você tem a junção de duas coisas incríveis que são as florestas…na verdade várias coisas, mas a floresta tropical como a nossa aqui, mas com espécies totalmente diferentes, como as aves do paraíso, calaus, orangotango… E a Indonésia tem ainda os recifes de corais mais ricos do mundo, o que para um biólogo marinho, como eu, é fascinante. Então, você tem um país como essas duas coisas, mais de 17 mil ilhas. Fora isso, têm vulcões, o que para nós é muito diferente. É fascinante!”. Conta João.

¨São tantos atrativos e espécies endêmicas… e a Indonésia fez parte também de uma história que eu sou fascinado, que é a do explorador Alfred Russell Wallace, que ficou anos na região. A Indonésia, inclusive, foi uma das grandes inspirações para a descoberta de Wallace, que chegou à mesma conclusão de Darwin, independentemente, sobre a evolução. É um país fascinante e as pessoas são incríveis. A gente sempre se diverte muito lá”, conta João.

“São países em que a gente se sente em casa de verdade: o Brasil, obviamente, e a Indonésia. A gente tem uma admiração pela cultura e pelo jeito do povo. As pessoas são muito queridas. Isso nos lugares em que a gente foi, porque como disse o João, são 17 mil ilhas e fica difícil generalizar… mas é muito legal”, acrescenta Roberta.

Roberta ainda inclui na lista de países preferidos a Noruega. Quando foi convidada para visitar a Noruega, Roberta achou que não gostaria da viagem, por ser extremamente friorenta. Mergulhar nas águas geladas seria um pesadelo, mas João insistiu pois eles iriam filmar orcas. E foi uma grande surpresa: “Eu pirei, aurora boreal, foi uma experiência fantástica. Tenho um carinho muito especial pelas viagens que eu fiz pra Noruega.”, conta Roberta.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Aurora Boreal na Noruega

 

O casal não abre mão de admirar o Brasil e contam que, após começarem a viajar para o exterior, perceberam ainda mais o quanto o Brasil é maravilhoso e diverso. Foi comparando com o de fora, que perceberam que o que nós temos é inigualável.

 

Momentos emocionantes

Se já não é fácil escolher o país que mais gostou, imagina escolher o momento que mais os emocionou. Chamaremos este momento de “eu poderia morrer agora e morreria feliz”.

Desta vez foi a vez de Roberta responder com prontidão: “Foi uma viagem que a gente fez para as Ilhas Salomão (…) a gente ficou numa pousada que era só nós dois de hóspedes. Em outros lugares, geralmente você vai mergulhar e têm outros barcos, outros turistas. Lá não, era só a gente, então era aquela sensação de lugar inexplorado. Eu lembro que nós dois mergulhamos com câmera. A gente caiu na água e logo nos primeiros segundos de mergulho vimos tubarão, baleia piloto, peixes maravilhosa e um recife lindo… Eu lembro que em um dado momento que eu baixei a câmera e olhei para o João, que estava com a câmera baixa também, e a gente ficou assistindo a aquele espetáculo… era tão bonito que eu pensei ‘gente, se eu morrer aqui, já está bom’… era tão bonito, que experiência maravilhosa”, conta Roberta. “E essa sensação de vastidão e de isolamento… Eu já tinha visto recifes bonitos em outros lugares, mas assim, de ser só a gente mais o piloteiro, que era uma pessoa que morava nas ilhas, foi muito especial, foi muito comovente mesmo”, completa.

 

Acervo Roberta Bonaldo/Ilhas Salomão

 

João cita a primeira vez que foi a Uganda ver os gorilas-da-montanha, quando teve alguns momentos muito marcantes. Em um deles, João acordou às 5:00 da manhã e deu de cara com um grupo de gorilas nos arredores do hotel, a menos de 200m de seu quarto: “Eu fui bem devagar e fiquei de longe, olhando. Foi um momento em que eu fiquei sozinho com os gorilas, era a mesma família que eu tinha visitado, em um tour, no dia anterior, com 19 gorilas (…) o bicho é um gigante gentil super dócil, e eu vendo sozinho aquilo foi algo comovente(…). Anos depois, quando fui a Ruanda para ver os gorilas-das-montanhas novamente, vi a maior família de gorilas que se podia visitar, na época com 32 gorilas, incluindo dois gêmeos, o que é raríssimo. E o mais incrível é que ambos os gêmeos sobreviveram, o que é mais raro ainda (…) esse grupo tinha também três silverbacks, que são os grandes machos. Teve um momento em que a gente foi num riacho e ao lado dele havia um barranco íngrime… A gente não percebeu porque tava no meio da mata, mas o grupo de gorilas havia se dividido: metade tinha ficado pra trás de nós e a outra metade estava à nossa frente.  Estávamos no meio do caminho! O jeito foi nos espremermos contra o barranco para permitir a passagem dos gorilas que estavam atrás de nós. Os bichos passaram literalmente encostando na gente, uns 6, 7 gorilas, inclusive um dos machos daqueles . Eu pus a câmera contra o peito para dar espaço. Foi incrível”, conta JP.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Gorilas em Uganda

 

Momentos emocionantes definitivamente não faltam na vida desses dois, daria para escrever um livro!

 

Perrengue chique

Pra mim, os perrengues desses dois enquadram em perrengues chique, pois acontecem enquanto eles estão fazendo trabalhos fantásticos em lugares incríveis.

João nos contou de quando estavam na Amazônia e passaram por uma tempestade de raios no meio de um rio: “Era um raio por segundo, a gente não tinha para onde ir. Navegamos em direção à pousada e uma árvore estourou do nosso lado. Uma tempestade que veio do nada, uma mega tempestade. Batia água por todo lado e raio estourando, era um por segundo, não estou exagerando”, conta João.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Amazônia

 

“No Pantanal esse ano a gente estava filmando e um enxame de abelhas pousou do nosso lado. Foi muito tenso. Elas desceram com a rainha a uns 5 metros da gente.  A gente ficou em silêncio e saiu do local…”, diz JP.

Por sempre respeitarem os animais, o espaço deles e sempre agirem com cautela durante seus trabalhos, Roberta e João nunca tiveram grandes problemas em campo. Ainda bem, né?

 

O caminho é longo, mas a recompensa é grande

Não foi de um dia para o outro que JP e Roberta se tornaram os profissionais que são hoje; eles precisaram de muito esforço, dedicação, humildade de reconhecer que sempre precisam melhorar, coragem de ir atrás dos sonhos e muita paciência.

As amizades que fizeram pelo caminho e as pessoas que conheceram e que contribuíram de alguma forma também foram de extrema importância. O respeito pelos colegas e pelo trabalho dos outros profissionais com certeza é uma chave que abre portas para uma grande rede de compartilhamento de informação e confiança.

 

Acervo Roberta Bonaldo Instagram

 

Fazendo parte do #Bond!

Nesse ano, João Paulo e Roberta começaram a fazer parte do nosso Bond. Perguntamos a eles sobre o que estão achando de ter uma empresa especializada em comunicação e marketing dando apoio na divulgação do trabalho que realizam.

“Eu fico até me sentindo culpado por antes, porque o trabalho que eu faço é divulgar natureza, é fazer imagens. E claro, eu trabalho para documentários e isso acaba saindo na TV (…) mas eu tenho muito material guardado, com muitas histórias. Quando converso com as pessoas, elas querem saber, se encantam e aprendem… e eu percebi que muito do que eu tinha estava guardado nos meus arquivos… Eu me senti até egoísta, sabe?… E vocês (da GreenBond) falando que queriam ver, aprender, saber, ver os bichos, as histórias… aí pensei ‘puxa, fazer isso de uma maneira profissional, legal, acompanhada por gente boa, que vai colocar isso de uma maneira bonita, você está mandando uma mensagem legal para as pessoas, que é aquilo que você acredita, está deixando de ser egoísta, de prender aquilo só para você e criando uma rede de pessoas que, espero, se empolgue com isso e venha a fazer isso no futuro. Acho que hoje é um sentimento de mais do que estar na rede social ou as pessoas estarem só conhecendo meu trabalho, você de repente está criando algo maior, instigando e influenciando pessoas a seguirem um caminho parecido”, conta João.

“Hoje é fundamental a gente dividir um pouco das nossas experiências, do nosso conhecimento. É uma maneira de agradecer todo mundo. Eu trabalho para o público, seja apresentando documentários, escrevendo, fazendo imagens… E hoje na internet é, na hora que a gente publica, o mundo inteiro pode ver… e espero com isso instigar, estimular muita gente a gostar de natureza, a respeitar e conhecer um pouquinho mais da natureza”, relata João.

 

Foto: Arlaine Francisco/Roberta Bonaldo Instagram

 

Roberta ainda conta que com o apoio da GreenBond já percebeu mudanças: “O pessoal tem se engajado mais e a comunicação com as pessoas está mais frequente e direta… Então está bem legal.”, conta Roberta.

O apoio da GreenBond tem sido importante na troca de conhecimentos, no maior contato com o público e no gerenciamento de redes, principalmente quando o casal está em suas viagens. Esperamos que esta parceria seja proveitosa e duradoura!

 

Nossa admiração por João e Roberta, que já era enorme, só aumentou! Desejamos muito sucesso pra esse casal incrível e, nós aqui, aguardamos ansiosamente pelos lançamentos dos próximos trabalhos!

 

Quer conhecer mais sobre a trajetória profissional do João Paulo Krajewski e da Roberta Bonaldo?

Instagram:

João Paulo – clique aqui

Roberta – clique aqui

Natural History Brazil – clique aqui

Site:

João Paulo – clique aqui

Roberta – clique aqui

Natural History Brazil – clique aqui

YouTube:

João Paulo – clique aqui 

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

Turismo da Conservação: Observação de Baleias

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O inverno chegou e com ele a temporada de avistamento de baleias! 

São nos meses de Junho a Novembro, que temos o prazer de ter em nossas águas as Baleias Jubarte (Megaptera novaeangliae) e as Baleias Franca Austral (Eubalaena australis). Vindas dos polos, que é onde se alimentam, as baleias chegam nas regiões tropicais e subtropicais para acasalar e dar à luz a seus filhotes. Aiiii que lindooooooo!

A observação de baleias, ou whalewatching, é uma prática que vem crescendo e atraindo cada vez mais turistas ao longo dos anos. Devido à proibição da caça às baleias, as populações têm aumentado e, como consequência, os avistamentos também. Seja por terra ou no mar, esta forma de turismo movimenta cerca de dois bilhões de dólares por ano a nível mundial. 

 

Foto: Projeto Baleia Jubarte 

 

O objetivo do turismo de observação de baleias, além de maravilhar e deixar todos de boca aberta, é a conscientização e sensibilização acerca da conservação das baleias e de outros seres marinhos. Claro que, para essa prática ser de fato ecológica, algumas normas precisam ser seguidas a fim de garantir uma observação segura para nós e para as baleias.

 

Foto: Projeto Baleia Jubarte 

 

Normas de Avistagem

As normas de avistagem são definidas pela Portaria nº 117, de 16 de dezembro de 1996 do IBAMA (Alterada pela Portaria n° 24, de 8 de fevereiro de 2002) e estabelecem que as embarcações que operam em águas jurisdicionais brasileiras são proibidas de:

  • Aproximar-se de qualquer espécie de baleia com o motor engrenado a menos de 100 metros de distância. O motor deve permanecer desligado ou em neutro. 
  • Perseguir, com motor ligado, qualquer baleia por mais de 30 minutos, mesmo que respeitando as regras de distanciamento. 
  • Tentar alterar o curso, interromper ou dispersar um indivíduo ou grupo de qualquer espécie de cetáceo.
  • Produzir ruídos excessivos, mesmo que seja da própria embarcação, a menos de 300 metros de distância.
  • Despejar qualquer tipo de material, substância ou detrito no ambiente.
  • Aproximar-se de um mesmo indivíduo ou grupo que já tenha duas embarcações próximas.
  • Mergulhar ou nadar, com ou sem equipamentos, a uma distância inferior a 50 metros de qualquer baleia.
  • Aproximar qualquer aeronave do animal em altitude inferior a 100 metros em relação ao nível do mar. 

 

Foto: Instituto Australis

 

 

Locais para a observação de baleias

Os locais de maior incidência de avistamento de Baleias Jubarte é na Bahia, sendo Caravelas/Abrolhos e Praia do Forte os principais. Também é possível a observação em Vitória, no Espírito Santo e até no Rio de Janeiro.

Já as Baleias Franca Austral são mais avistadas em Santa Catarina, indo de Florianópolis até o município de Balneário Rincão e principalmente na APA da Baleia Franca.

Além do turismo de observação, é possível visitar alguns projetos de conservação como o Instituto Baleia Jubarte e o Instituto Australis

 

Foto: Projeto Baleia Jubarte

 

Instituto Baleia Jubarte

Com sede na Praia do Forte/BA e em Vitória/ES, o Instituto Baleia Jubarte é uma organização que trabalha com projetos de conservação e pesquisa, como o Projeto Baleia Jubarte, e realiza ações de educação e informação ambiental. O Instituto conta com um centro de visitantes que possui réplicas de baleias jubarte em tamanho real, esqueleto de uma baleia adulta e vários painéis educativos. Desta forma os visitantes podem conhecer ainda mais sobre a biologia e conservação das baleias. 

 

Foto: Projeto Baleia Jubarte 

 

Instituto Australis 

O Instituto Australis está localizado em Imbituba, Santa Catarina, no Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca. O Instituto se dedica a pesquisa, monitoramento e proteção das Baleias Franca, além de educação e sensibilização ambiental para fins de conservação. Seu centro de visitantes possui um deck para observação de baleias, uma réplica de um filhote de baleia franca em tamanho real e o Espaço Australis onde está sendo montado um esqueleto de um adulto de baleia franca.

 

Foto: Instituto Australis

 

Não podemos negar que as baleias desempenham um papel incrível e super importante. Seja nos encantando ou desenvolvendo serviços ecossistêmicos, elas não passam despercebidas nesse mundão. 

 

Para que os avistamentos continuem, precisamos conservar e proteger não somente elas, mas o oceano como um todo. Neste blog eu te dou umas dicas de como podemos começar. E aí, você vem comigo? 

 

Você já avistou alguma baleia? Como foi a experiência? Conta pra gente!!! 

 

Texto por Anna Luísa Michetti

Revisado por Fernanda Sá

Dia Mundial dos Oceanos – 8 Junho

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Hoje, dia 8 de Junho, é celebrado o Dia Mundial dos Oceanos. A data passou a ser comemorada durante a Rio-92 e nos chama a atenção para a proteção e importância dos Oceanos. 

 

 

Gigantes azuis

Além de ocuparem aproximadamente ⅔ da superfície da Terra, os gigantes azuis podem chegar a profundidades de quase 11.000m. Só para você ter ideia, o ponto mais alto do mundo em relação ao nível do mar é o Monte Everest, e ele conta com 8.848m, ou seja, cabe um Monte Everest no ponto mais profundo conhecido e ainda sobra 2.152m!!! Reparem que eu disse “ponto mais profundo conhecido”. Isso porque nós conhecemos menos de 10% dos nossos oceanos, dá para acreditar? 

 

 

Galáxia de Vida

Abrigando cerca de 230.000 espécies, os oceanos possuem uma das maiores biodiversidades do planeta, inclusive, estima-se que existam mais de um milhão de espécies marinhas! Com diferentes tamanhos, cores e formas, os seres vivos formam um verdadeiro paraíso subaquático. 

 

No meio dessa biodiversidade toda, encontramos os fitoplânctons, seres microscópicos fotossintetizantes que, apesar do pequeno tamanho, desempenham um grande e fundamental papel para a vida na Terra: produzem mais da metade do oxigênio que respiramos. Vivendo na superfície das águas, os fitoplânctons formam a base da cadeia alimentar marinha, além de auxiliarem no ciclo do carbono e também na diminuição da temperatura do planeta.

 

A importância dos oceanos e seus moradores é inegável, eles nos fornecem oxigênio, alimento, absorvem CO², regulam o clima e amparam várias atividades econômicas. 

Mesmo se mostrando tão indispensável para nossa existência, a cada dia que passa os oceanos sofrem mais e mais ameaças. Seja por poluição, pesca excessiva, alteração do habitat… Nossas águas pedem socorro.

 

 

Ameaças

Derramamento de petróleo, resíduos de embarcações, produtos químicos, agrotóxicos, lixo, esgoto, restos de redes de pesca, plásticos e mais plásticos e por aí vai… 

A poluição dos oceanos vem de diversas frentes e não afeta somente a vida marinha, mas também a terrestre. Estamos afetando desde a base da cadeia alimentar, até o topo. Matamos nossa fauna por infecções, intoxicação, falta de oxigênio, estrangulamentos, falta de alimento…. Matamos os corais, acabamos com os habitats, pescamos mais do que a capacidade de suporte, alteramos a acidez e temperatura da água com o aquecimento global…. Simplesmente estamos agindo sem pensarmos que estamos nos matando juntos. 

 

Nossa forma de produção e consumo é insustentável, precisamos mudar e lutar por mudanças. Precisamos mais do que nunca salvar o que nos resta e tentar reverter essa situação crítica. 

 

 

Indo a Luta

Gostaria muito que fosse simples e rápido promover enormes mudanças que tivessem um grande impacto no mundo, mas enquanto não é possível, vou fazendo a minha parte. Você também pode fazer a sua, vou te dar umas ideias! 

 

Apoie organizações de conservação, assinando petições, fazendo doações,  participando dos projetos propostos e compartilhando informações! 

 

Repense, reutilize, reduza, recuse e recicle.

Pode parecer bobo, mas a partir do momento que tomamos consciência sobre a forma como estamos consumindo e os resíduos que geramos, percebemos que sendo mais cuidadosos, podemos sim fazer alguma diferença. 

Neste artigo da NatGeo você encontrará 10 práticas que o ajudarão a reduzir o consumo de plástico, mas pode aplicar essas ideias para outros materiais também!

 

Dê preferência a produtos sustentáveis ou invista em uma vida mais sustentável.

Nas redes sociais vemos muitas lojinhas com produtos sustentáveis, produtores locais e orgânicos e perfis que dão dicas para uma vida mais amiga do meio ambiente. Precisa de um ponto de partida? Este post do eCycle pode te ajudar! 

Deixo aqui também sugestões de dois documentários que valem a pena assistir nesse dia de reflexão!

Em Busca Dos Corais (2017) – Netflix 

Oceanos de Plástico (2016) – Netflix 

 

Como você vai começar a mudar sua realidade eu não sei, mas precisamos começar de algum lugar, não é mesmo? Vamos juntos? Compartilhe aqui com a gente como você cuida dos nossos oceanos.

 

Texto por Anna Michette

Revisado por Fernanda Sá

WAITA realiza o II Workhop: Reabilitação, Monitoramento e Conservação da fauna silvestre a Greenbond embarcou nessa!

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Você é do time da conservação? Trabalha ou se interessa pela reabilitação e monitoramento de animais silvestres? Então esse recado é pra você!

A equipe do WAITA Instituto de Pesquisa e Conservação, iniciou no ano passado, uma tradição que promete perdurar por anos, devido a sua originalidade e importância para conservação: O  Workhop: Reabilitação, Monitoramento e Conservação da fauna silvestre (#RMC).

 

#RMC2019. Foto: WAITA

 

#RMC2019

Em outubro de 2019 o WAITA realizou o I Workhop: Reabilitação, Monitoramento e Conservação da fauna silvestre. O #RMC2019.

Diferente dos eventos já conhecidos, o WAITA propôs uma ideia inovadora que surpreendeu participantes e ouvintes. Além das tradicionais palestras, o evento contou com espaços de discussão riquíssimos, onde várias instituições, ao mesmo tempo,  puderam trocar experiências e vivências sobre temas que atuam. 

O objetivo do evento foi promover a integração entre as instituições, fortalecer e criar parcerias, discutir ações em prol da conservação, traçar metas, trocar conhecimentos e tudo isso de uma maneira muito leve e divertida. Objetivo este, alcançado com louvor.  

Foram 16 palestras, mais de 25 instituições, seis espaços de discussão, quase 250 participantes e muitas, muitas novas experiências e aprendizados.

 

#RMC2019. Foto: WAITA

 

#RMC2020 – 10 Anos de WAITA

O resultado do #RMC2019 foi tão positivo que a equipe do WAITA, mesmo com a pandemia ocasionada pelo COVID-19, se sentiu na obrigação de repetir a dose e, esse ano o evento contará com um toque mais que especial, comemoração dos 10 anos do WAITA. 

O II workshop de Reabilitação Monitoramento e Conservação da Fauna Silvestre, será  realizado na próxima semana nos dias 09, 10 e 11 de dezembro de 2020 (programação completa).

Na sua segunda edição, o #RMC2020 ocorrerá inteiramente ONLINE, GRATUITO e com entrega de CERTIFICADO. 

Essa foi a forma que a equipe do WAITA encontrou de democratizar o acesso ao conhecimento técnico e científico em tempos de pandemia e se consolidar como um importante fórum nacional sobre a conservação da fauna silvestre. 

O evento reunirá 18 palestras, 5 espaços de discussão de alto nível e 37 diferentes instituições do Brasil todo. 

Pesquisadores, funcionários de agências ambientais e ONGs conservacionistas, além de ministrar palestras inspiradoras, se dividirão entre 5 eixos temáticos para trocar muitas figurinhas. São eles: Espaço Reabilitação de animais silvestres, Espaço Monitoramento de animais silvestres, Espaço tráfico de animais silvestres, Espaço marketing para a conservação e educação ambiental, e Espaço Medicina veterinária no manejo, conservação e em desastres envolvendo fauna silvestres.

Além de tudo isso, esse ano o #RMC contará com concurso de desenho e de fotografia da fauna silvestre! Tem como não se inscrever? Impossível né!

Com certeza, o sucesso deste segundo encontro está garantido!

A Greenbond e o #RMC2020

 

A Greenbond foi convidada pelo WAITA para participar da produção deste evento lindo! Assumimos a produção de artes, edição de vídeos e suporte técnico em mídias sociais. O resultado está ficando incrível e promete muitas surpresas para essa edição especial.

Claro que nós não ficaríamos de fora dessa, né? Falou em conservação, falou da Greenbond. Estamos ansiosos!

Quem ainda não fez inscrição, clica aqui que ainda dá tempo! Você não perde por esperar!

Fakebook.eco: luta contra fake news ambientais ganha aliado de peso

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Aparentemente, as fake news que envolvem o meio ambiente estão com os dias contados! O Fakebook.eco, uma iniciativa do Observatório do Clima (OC), promete combater a desinformação ambiental por meio de uma plataforma novíssima na internet. Trata-se de uma união entre dois projetos mais antigos: o Fakebook, feito em colaboração pelo OC, Greenpeace e o ClimaInfo em 2019; junto do Agromitômetro, outra iniciativa de verificação de informações ambientais do OC, que existe desde 2018. 

 

MITO OU VERDADE? 

A plataforma surgiu com o intuito de unir e sistematizar informações sobre os principais mitos, distorções e mal-entendidos acerca do meio ambiente no Brasil. Os organizadores deixam bem claro, desde o início, que não pretendem trazer e/ou impor verdades absolutas, mas se comprometem com a junção do método jornalístico de verificação de fatos e as melhores referências científicas disponíveis. Dessa forma, esperam disseminar informações mais claras e verídicas.

As duas principais vertentes do site são: “Falácias frequentes”, onde desmistificam alguns erros constantes sobre o tema, como por exemplo, a teoria errônea de que o clima da Terra sempre mudou. Os assuntos são divididos em: clima, florestas, uso da terra e energia. 

Foto: Nicolaj Larsen/Shutterstock

A outra vertente é o “Verificamos”, área do site na qual a plataforma expõe suas verificações rápidas das declarações de autoridades ou fake news ambientais. Um exemplo é a constatação de que o programa de pagamento por serviços ambientais anunciado pelo governo Bolsonaro não é o “maior do mundo”

 

COLABORAÇÃO É A ALMA DO NEGÓCIO

O melhor de tudo é que a plataforma é colaborativa! Você pode ajudar no combate à desinformação sugerindo algumas pautas ou enviando notícias para verificação. Há uma página dentro do site que recebe propostas do público sobre conteúdos ambientais estranhos achados na internet,  informações de cunho duvidoso recebidos daquele tio no grupo de zap da família ou discursos possivelmente distorcidos de autoridades. 

Outra forma de ajudar é comunicando possíveis erros nas verificações. Por mais que a intenção seja a melhor possível, todos estão sujeito à falhas. Por isso, a plataforma também disponibiliza um formulário para que o público possa indicar erros nos textos produzidos pela equipe do Fakebook.eco.

 

COMO TUDO COMEÇOU? 

Nossos leitores envolvidos com música já devem estar familiarizados com o termo “fake book”. Trata-se de compilações das informações básicas de algumas canções – acordes, melodia e letra – para que os profissionais pudessem improvisar livremente a partir delas. Eram muito tradicionais entre os músicos de jazz do século XX e lhes garantiam sucesso em qualquer apresentação musical. 

De acordo com declarações da equipe expostas no site, “Quando nós começamos a checar as fake news mais frequentes do governo de Jair Bolsonaro na área ambiental, não imaginávamos que o resultado seria um libreto de 35 páginas. Ele acabou ganhando o nome de “Fakebook” – um trocadilho com seu conteúdo – porque também fornecia um roteiro mínimo a jornalistas, investidores, membros de governos e organizações internacionais que precisassem lidar com o discurso do governo sem ter conhecimento prévio da situação ambiental do Brasil.”

O site foi lançado no último dia 8 de junho, aniversário do atual ministro do meio ambiente Ricardo Salles. A “coincidência” foi estrategicamente pensada para provocar a autoridade que, ao invés de proteger nossa natureza, se mostra cada dia mais contra os princípios da conservação ambiental. 

Nós, da GreenBond, admiramos e apoiamos a iniciativa. Acreditamos no poder da disseminação de informação correta para combater as adversidades ambientais. Estamos juntos!

Mudanças Climáticas e Coronavírus: qual a relação entre os dois?

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Não categorizado | No Comments

No dia 16 de março, celebramos o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. Este dia foi criado com o objetivo de chamar atenção das pessoas para os riscos associados às alterações no clima, assim como para as ações que devemos tomar para reduzir ao máximo os impactos dessas mudanças em nosso planeta. A única certeza que temos até agora, é que as mudanças já estão causando efeitos catastróficos em algumas partes do mundo, e causarão ainda mais. A conta já está alta e uma hora vai chegar com maior força. Cabe a nós decidirmos o quão grande será a conta que virá.

Fonte: Imagem da internet

 

Causas e efeitos do aquecimento global

Já é comprovado há tempos pela ciência que a ação humana tem intensificado e acelerado essas mudanças diretamente. A principal fonte causadora do aquecimento global é o aumento da emissão de gases de efeito estufa (GEEs), como o metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e primariamente o dióxido de carbono (CO2), entre outros.  A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, perda de biodiversidade e uso irracional dos recursos naturais, são as maiores causas de emissão desses gases na atmosfera. No Brasil, a maior parte das emissões de GEEs é causada pelo desmatamento, seja por meio do corte ou queimada de árvores.

Emissão de gases do efeito estufa na atmosfera. Fonte: Internet

 

O aumento da temperatura média da Terra já está mostrando efeitos diretos em diferentes cenários, como os níveis recordes de derretimento de geleiras nos polos, aumento do nível dos oceanos,  tempestades mais intensas, períodos de secas mais prolongados, entre outros fatores que influenciam a vida de bilhões de pessoas no mundo. Cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), já comprovaram que a temperatura do planeta está 0,8 grau mais quente, e que, se nada for feito para interromper o ciclo das mudanças climáticas, esse aumento pode atingir alarmantes 1,5 graus.

Comparativo da cobertura de gelo no polo norte entre 1984 e 2016. Fonte: Internet

 

Coronavírus X Mudanças Climáticas

Por coincidência, a data caiu bem em meio a uma crise mundial de saúde, a pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Você deve estar se perguntando o porquê de citarmos a pandemia no meio de um texto sobre mudanças climáticas. Bom, a relação aqui vem em um nível de estrutura societária. Entenda, o surto de coronavírus é grave, porém a previsão dos cientistas é que dentro de 4 meses tudo comece a voltar ao normal. Mesmo assim, o surto está levando ao fechamento de aeroportos e fronteiras, esvaziamento das prateleiras em supermercados, cancelamento de grandes eventos, além da superlotação de hospitais.

Fonte: Internet

Imagine agora, caso o nível do mar suba mais ainda e milhares de cidades costeiras fiquem inabitáveis. Isso geraria uma migração em cadeia de centenas de milhões de pessoas para o interior dos continentes, podendo causar uma ruptura nas estruturas sociais que existem hoje. Recursos ficariam escassos, espaço para moradias seriam ainda mais disputados e a ordem pública entraria em grave risco.

 

Faça sua parte!

Neste Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, deixamos o nosso alerta, nosso tijolo em um muro que está sendo construído há anos por cientistas que, muitas vezes, não são ouvidos. As ações para diminuir a intensidade das mudanças climáticas devem ser tomadas já, não há mais tempo para prorrogação. Você pode fazer a sua parte.

Utilize os recursos naturais de forma mais consciente. Reduza o consumo de matérias-primas, reutilize todo o material que for possível ser reaproveitado. Escolha produtos e serviços de empresas que respeitam e se preocupam com a saúde do meio ambiente. Nós acreditamos na mudança!

 

 

O olhar da GreenBond sobre as queimadas no Pantanal

By | GreenBond, Marketing na Conservação, Meio Ambiente, Não categorizado, Notícias | No Comments

Esse foi um mês bem movimentado para nós da GreenBond. Incêndios assolaram o Pantanal, atingindo boa parte dos projetos para os quais trabalhamos e mobilizou nossa equipe intensamente para fazer o melhor trabalho de comunicação. 

Infelizmente, foi um fenômeno que tomou o Pantanal de forma muito rápida, dando pouco tempo para planejamentos e ações elaboradas. Mas, com uma boa comunicação entre as equipes alocadas em campo e os colaboradores aqui de São Paulo, conseguimos manejar as informações para atualizar o público e usá-las estrategicamente no gerenciamento de crise. 

Sinais de fogo na Fazenda Caiman. (Foto: Onçafari)

 

AS QUEIMADAS NA FAZENDA CAIMAN/ONÇAFARI

No dia 9 de setembro, começou o primeiro foco de queimada numa fazenda em Miranda, vizinha do Refúgio Ecológico Caiman, que é o principal ponto de trabalho do nosso parceiro Onçafari. O fogo atravessou o rio Aquidauana e atingiu a fazenda, já colocando toda a equipe do projeto em alerta.

Incêndio que devastou o Pantanal no mês de setembro. (Foto: Onçafari)

 

Preocupados com os bichos locais e com as estruturas que abrigam colaboradores, hóspedes e animais, a equipe tomou decisões rápidas e acertadas, colocando a segurança de todos os seres ali presentes como prioridade. 

A primeira ação foi resgatar o Jatobazinho, onça residente do recinto de reintrodução, que estava passando por um período de treinamento para voltar à natureza. O felino foi rapidamente transportado para a Fazenda Vera Lúcia, onde acontece o projeto Onças do Rio Negro. Lá ele ficou protegido  e continuou sendo monitorado. 

 

Jatobazinho, a onça resgatada no incêndio pela equipe do Onçafari. (Foto: Leonardo Gomes)

 

Após o resgate, os colaboradores do Onçafari continuaram acompanhando o aparecimento das outras onças monitoradas, contabilizando uma a uma todas que estavam saudáveis e seguras. Até o momento, já foram confirmadas 9 onças, sendo 2 filhotinhos. 

O mais importante de toda essa mobilização foi a junção de diversos profissionais para salvar o Pantanal e mais do que isso, para comunicar e atualizar a população sobre cada passo durante a tragédia.

 

TRABALHO JUNTO DO SOS PANTANAL 

Um dos nosso parceiros é o SOS Pantanal, que auxilia de diversas formas no desenvolvimento sustentável do bioma. Junto deles, conseguimos ter um panorama mais fiel dos danos causados pelo fogo e traçar estratégias adequadas ao cenário. 

De acordo com as estimativas, foram mais de 1,5 milhões de hectares consumidos pelo incêndio (mais de 2 milhões de campos de futebol). Os pesquisadores detectaram cerca de 2.400 focos de incêndios só no mês de agosto, ultrapassando de forma considerável os números do ano passado. Ou seja, o retrato de queimadas de 2019 foi realmente assustador

A primeira ação tomada pelo SOS foi colocar profissionais em campo para mapear o estrago. Com fotos, vídeos e algumas informações mais profundas, pudemos comunicar com mais clareza o ocorrido, além de compor um relatório capaz de auxiliar no planejamento de soluções. O susto já passou, mas os trabalhos para recuperar o Pantanal estão apenas começando. 

 

Profissionais analisaram todos os dados coletados para salvar o máximo de recursos possível. (Foto: Onçafari)

 

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO EM MOMENTOS DELICADOS 

A GreenBond desempenhou um papel importante diante desta terrível tragédia. Comunicar o que está acontecendo com transparência, imparcialidade e clareza é imprescindível para disseminar a informação, promovendo a educação ambiental. Explorar o assunto abordando causas, consequências e medidas protetivas, estimula o senso de conservação e pode até mesmo prevenir futuras ações catastróficas. 

 

Parte da equipe alocada para trabalhar no Pantanal durante os incêndios. (Foto: Onçafari)

 

Além da comunicação, nós também auxiliamos na criação da campanha de financiamento coletivo ancorada pelo Onçafari. A arrecadação servirá para reformar o recinto de reintrodução de onças-pintadas e recuperação dos recursos hídricos, além do cuidado com a flora local. E, quanto maior o número de pessoas impactadas pela causa, maior será o investimento na regenaração do Pantanal, por isso aplicamos muito tempo e esforço na divulgação da campanha. 

 

6 consequências do desmatamento na Amazônia

By | Desastre Ambiental, Meio Ambiente, Não categorizado | No Comments

Você sabia que as florestas são essenciais para conservar a biodiversidade do planeta? Elas suprem a necessidade de abrigo, água e sustento para milhares de pessoas! E pensando nisso, podemos dizer que a Amazônia é o coração pulsante do nosso planeta, ou seja, é vital para equilibrar o clima global. A mata armazena bilhões de toneladas de carbono, um volume maior de água doce do que qualquer outro lugar do mundo, além de uma grande variedade de plantas e animais. Também é o lar de milhares de pessoas, incluindo povos indígenas e comunidades locais.

Mas, no momento, toda essa riqueza está ameaçada: o desmatamento na Amazônia cresceu 88% em relação ao mesmo período do ano passado! Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), essa destruição já atingiu 920 quilômetros quadrados dentro do bioma. As estatísticas e o descaso do governo com políticas ambientais preocupam, não apenas pelo bioma em si, mas pelas consequências irreversíveis que essas agressões podem trazer para o planeta. 

O desmatamento na Amazônia cresce em escala alarmante. (Foto: PAULO WHITAKER/Reuters)

Confira algumas consequências da ação humana na nossa natureza:

1. Devastação da biodiversidade  

Com a derrubada da mata, o habitat de muitos animais torna-se escasso ou até mesmo inexistente. Por isso, diversas espécies endêmicas, ou seja, que só existem nesta determinada região, como Uacari-Branco (Cacajao calvus), mico-de-cheiro (Saimiri vanzolinii), ave Formigueiro-ferrugem (Myrmeciza ferruginea), etc., ficam sob risco de extinção à medida que o abate nas florestas da Amazônia avançam. Hoje, já existem 124 espécies endêmicas ameaçadas! 

2. Erosão e empobrecimento dos solos 

Sem cobertura vegetal, o solo fica desprotegido, sendo facilmente atingido por agentes erosivos como água da chuva, água do rio, vento, etc. Tal impacto ocasiona a erosão, que nada mais é do que o desprendimento, transporte e depósito de sedimentos de um local para o outro, trazendo e levando elementos indesejados, além de empobrecer consideravelmente o solo.

3. Diminuição dos índices pluviométricos 

Se você acha que o desmatamento da Amazônia impacta apenas a vida no próprio bioma, está muito enganado. A ação humana sobre a natureza da região influencia a falta de água sentida em outras regiões mais populosas do país, incluindo o Sudeste! 

Estudos apontam que a diminuição da quantidade de árvores na Amazônia impede o fluxo de umidade entre o Norte e o Sul do país. 

4. Mudanças climáticas 

Muitas florestas contribuem para a formação de umidade no ambiente, além de absorver o calor do sol para fazer a fotossíntese, de forma que sua retirada pode prejudicar o equilíbrio climático do local. No caso da Amazônia, já existem alguns estudos prevendo que até o ano 2050, as temperaturas aumentarão entre 2º C e 3°C! Como se não bastasse, a diminuição das chuvas pode prolongar os períodos de seca, deixando-os ainda mais severos. 

O mais preocupante é que essas alterações trazem graves consequências, como mudanças substanciais na sazonalidade, com impactos sobre plantas, animais e seres humanos.

5. Desertificação 

Estudos revelam que, se o desmatamento chegar a 50% da área original da Amazônia, o processo de desertificação pode transformar a região leste da floresta em savana. Tal feito estabeleceria um novo estado de equilíbrio, dando ao bioma uma configuração de destruição irreversível, ou seja, não teríamos chances de salvar o “ar condicionado” do país. 

6. Aumento de pragas e doenças 

A relação entre desmatamento e doenças já vem sendo debatida há algum tempo por cientistas e ambientalistas. Mas, recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concretizou um estudo inédito relacionando o desflorestamento da Amazônia e doenças como malária e leishmaniose.

Repositora de serviços ecológicos e ambientais, a floresta Amazônica, quando conservada em volume e biodiversidade, é, para os pesquisadores Nilo Saccaro, Lucas Mation e Patrícia Sakowski, a forma de conter o aumento destas doenças.

 

Essas são as principais e mais preocupantes consequências da recorrente agressão à natureza aqui no Brasil. Os números de destruição só crescem, o governo, na contramão da necessidade, segue flexibilizando as leis ambientais do país e com isso, colocamos nossa própria existência em risco. 

Então, repense suas atitudes. Consulte planos de governo antes das eleições, procure por intenções e propostas de conservação do meio ambiente, cobre das autoridades mais rigor em relação às leis ambientais e lute você também pela existência da biodiversidade. 

Considerada extinta, subespécie de felino raro é vista pela primeira vez em 30 anos

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Considerada uma espécie vulnerável a extinção, a pantera-nebulosa é um dos felinos mais enigmáticos do mundo. Recentemente uma subespécie endêmica da ilha de Taiwan, considerada extinta há mais de 5 anos, não vista desde 1983, a Pantera-nebulosa Formosa (Neofelis nebulosa brachyura) pode ter sido avistada nas dependências da ilha.

Pantera-nebulosa, espécie considerava vulnerável pela IUCN. Fonte: Ltshears (Creative commons)

Em 2013, após mais de 13 anos de pesquisa cientifica com câmeras trap espalhadas pelas florestas de Taiwan, inúmeras armadilhas e horas de campo sem nenhum registro da pantera-nebulosa formosa na ilha, cientistas concluíram que a subespécie podia ser considerada extinta na natureza. Um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Chiang Po-jen, afirma acreditar que alguns animais ainda existam na região, porém em números insignificantes. Chiang afirma ainda :

“Uma floresta com panteras-nebulosas é diferente de uma floresta sem panteras-nebulosas. Uma floresta sem panteras é uma floresta morta”

Porém, alguns aldeões e moradores de regiões remotas de Taiwan dizem ter visto o animal caçando cabras na região e até caminhando próximos à estrada. O diretor do distrito da Floresta Taitung, afirma que tem esperanças de confirmar os boatos, por isso novas pesquisas serão realizadas na área a fim de confirmar cientificamente a existência do felino no local.

Apesar de nao ser vista há décadas, pesquisadores relutam em colocar a espécie oficialmente como extinta.
Foto: Khaled Azam Noor/Shutterstock

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, especialista em manejo e conservação de fauna.