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Marketing na Conservação

Humanização: conheça as principais tendências de marketing para 2020

By | GreenBond, Marketing na Conservação, Projetos de conservação | No Comments

No contexto de um mercado extremamente saturado, com bombardeio de informações por todos os lados, a inovação no marketing deixa de ser um “plus” para tornar-se uma necessidade. Ou você se reinventa na hora de passar sua mensagem, ou ela ficará esquecida entre as outras milhares. 

Em 2020, acreditamos que o principal passo para a inovação deve ser dado em outra direção: para trás. Antes de pensar de forma desenfreada no uso de tecnologias, estratégias de venda e lucro abundante, pense em pessoas. Pense no mundo em que vive, nas necessidades sociais e ambientais presentes em todos os processos. Essa é a verdadeira inovação para o futuro. 

Felizmente, a GreenBond não está sozinha neste pensamento. A primeira pesquisa Global Marketing Trends 2020 da Delloite revelou dados importantes sobre a expectativa dos consumidores no próximo ano.

Conexão humana, esse é o ponto-chave. De acordo com a pesquisa, muitas empresas ainda colocam energia apenas em novas tecnologias e esquecem o lado humano. 

As novas tendências de marketing vêm para mudar essa realidade:  

 

1- Propósito – por que a sua empresa existe?

Não é de hoje que a GreenBond vem batendo nessa tecla. Nós atuamos com propósito desde o primeiro dia de existência da empresa e, por pensar dessa forma, só nos conectamos a parceiros que também tenham o mesmo propósito: conservação da biodiversidade. 

Aparentemente, essa não é uma necessidade só nossa, mas do mercado como um todo. Os consumidores estão em busca de transparência – fato também revelado na Pesquisa Carreira dos Sonhos 2019 – realizada pela Companhia de Talentos. Eles querem saber qual é o objetivo da empresa, o que, de fato, ela veio solucionar, como ela contribui com a sociedade e onde ela quer chegar. 

No caso dos projetos de conservação, é importante deixar clara a missão do projeto. Qual é seu objetivo? Por quê sua atuação naquele ambiente se faz necessária? De que forma o projeto contribui para o meio ambiente e/ou para a sociedade? Todas essas perguntas devem ser respondidas em sua comunicação e, claro, estar alinhadas ao DNA da organização. 

 

2- Experiência humana – conexões que vão além do digital

O estudo da Deloitte também alerta sobre a evolução da tecnologia, como a aparição dos chatbots, que ensinam o público a ser cada vez mais exigente. Essas mesmas interações tecnológicas acabam inibindo as interações humanas, construindo comportamentos isolados e automatizados.

Dessa forma, a experiência humana se torna ausente, gerando um déficit de conexão a longo prazo. Ou seja, a tecnologia manterá sua empresa ativa, porém, depender apenas dela pode afetar a fidelização dos clientes.

Os projetos de conservação ambiental têm o campo como grande aliado. A experiência em campo, como ecoturismo, por exemplo, oferece experiências humanas únicas. Além de aproximar as pessoas, causa um impacto positivo muito grande e torna o objetivo de educação ambiental mais efetivo. 

O relatório também convida os profissionais a investirem na empatia e na inclusão como valores essenciais para a humanização das marcas e criação de conexão com os consumidores. 

 

3- Confiança – você sabe construí-la?

Relações mais humanas exigem transparência e honestidade. O relatório da Delloite também reafirma essa necessidade. 

De acordo com o estudo, o público espera honestidade, coesão e políticas transparentes das corporações. E na era digital, agora os consumidores também exigem segurança no que diz respeito aos seus dados e informações movimentadas na internet. 

Conforme citado anteriormente, os projetos devem entregar, de forma honesta e transparente, o destino dos recursos captados. As pessoas querem saber como a doação delas está sendo utilizada, de que forma elas estão contribuindo para a melhora do meio ambiente e da sociedade. 

 

4- Pertencimento – participação de pessoas nos processos

Segundo o relatório, as pessoas querem se sentir parte da empresa com as quais se relacionam. Por isso, a sugestão para 2020 é que as marcas invistam em trazer o público final para mais perto de decisões e ações da organização. 

O mesmo vale para o ambiente profissional. Líderes e gestores devem incentivar suas equipes a participarem mais das ações internas, descentralizando o poder e ampliando a rede de opiniões e sugestões para as equipes.

Pensando nisso, dependendo da forma de atuação dos projetos de conservação, é possível incluir voluntários e parceiros nas ações. Trazê-los para perto e torná-los parte dos planos de mudança pode ser uma ideia muito interessante para a organização. 

 

5- Valorização – foco nos talentos

Por fim, o relatório também convida as organizações a olharem com mais “carinho” para seus talentos. Líderes e gestores devem focar, estimular, reconhecer e valorizar os talentos sob seus comandos, ajudando no desenvolvimento deles. 

Mas, muito além do escritório fechado, a valorização de talentos também deve ser ampliada para o lado de fora. O estudo propõe que as organizações também valorizem seus embaixadores – influenciadores, fãs e clientes fiéis – criando conexões mais profundas e ajudando na evolução de cada um. 

 

DIANTE DESTE CENÁRIO, COMO FICA O DIGITAL? 

 

O foco em pessoas não significa a anulação do marketing digital, de forma alguma. Nós acreditamos no potencial do online para ampliar o alcance da mensagem, propagar sua ideia e seu propósito com maior efetividade.

O marketing pode ser digital e humanizado ao mesmo tempo. É possível usar inovações tecnológicas a favor das conexões humanas. O ponto é justamente esse: não podemos pensar em uma coisa separada da outra. Não devemos olhar apenas para a tecnologia e esquecer que ela faz parte da vida das pessoas. Ou seja, quem as controla são pessoas. Que devem ser olhadas e tratadas como tal. 

Por isso, devemos continuar inovando tecnologicamente. Podemos continuar propondo e apostando em estratégias de mídias digitais – redes sociais, blog, site, e-mkt, Google, etc. Continuar apostando em inteligência artificial, chatbots, busca por voz e automatizações no geral. Mas, antes de qualquer uma dessas propostas, lembre-se da sua missão, do seu propósito e das pessoas envolvidas em cada um dos processos. 

Dê um passo para trás. Confirme – ou reafirme – a honestidade, transparência, coerência e compromisso da organização com necessidades sociais, ambientais e econômicas. Esse é o insight de ouro para 2020. 

Mudança de mentalidade: ferramentas poderosas para combater o tráfico de animais selvagens

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Um artigo recente publicado na “Nature Conservation apontou os principais desafios e oportunidades para reduzir a demanda por animais ilegais. Tirando a responsabilidade do combate ao tráfico das mãos do governo, as principais sugestões consistem em formas de influenciar a mudança de comportamento da sociedade como um todo. 

Segundo Kenneth E. Wallen e Elizabeth Daut, que são as autoras do artigo, “A conservação da biodiversidade depende do gerenciamento do comportamento humano e, às vezes, da mudança do mesmo. Isso é particularmente relevante para o comércio ilegal de animais e/ou produtos silvestres, tanto da flora quanto da fauna.”

 

Resgate de animais traficados. (Foto: CETAS-BH)

 

Explorando diversos setores, como a influência social, insights comportamentais, marketing social e abordagens centradas no ser humano, as autoras sugerem uma forte tendência à reestruturação dos comportamentos naturais em sociedade, com a finalidade de reduzir a frequência de crimes ambientais. 

 

PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS PARA INFLUENCIAR A MUDANÇA DE COMPORTAMENTO 

 

Marketing Social 

Hoje, é possível utilizar táticas que integrem conceitos, princípios e métodos de marketing, encorajando comportamentos sociais que beneficiem a comunidade. O objetivo primário do marketing social é transformar a mentalidade das pessoas e algumas estruturas sociais, utilizando-se de processos efetivos, justos e sustentáveis. 

Design centrado no ser humano 

Outra sugestão é utilizar o “Design Centrado no Ser Humano”. Para tal, é preciso desenvolver estratégias de trabalho que estimulem a mudança de comportamento por meio de soluções colaborativas, ou seja, nas quais as pessoas possam participar de todos os processos. Fazer reflexões empáticas e ter um feedback de todos os envolvidos são pontos imprescindíveis no diagnóstico e resolução dos problemas.

 

Teoria da mudança

Segundo o Projeto Draft, a Teoria da Mudança é um método direcionador que permite que as organizações voltem aos seus objetivos iniciais, analisem o resultado dos impactos socioambientais e corrijam processos, sempre que necessário. 

 

MÉTODOS EFETIVOS DE COMUNICAÇÃO

 

Educação e Awareness

Ao propagar um conteúdo relevante por canais efetivos, é possível divulgar informação e educar as pessoas de acordo com o seu objetivo. Quanto mais pessoas informadas e engajadas com a causa, maior é o seu potencial de alcance, visto que cada uma delas se torna um “novo canal” de comunicação.

Nem todo mundo entende a gravidade de um crime ambiental. Muitos não sabem o processo criminoso por trás de uma ave ou réptil à venda no mercado. Por isso a importância da informação. 

 

Divulgação, construção de relacionamento e confiança 

O diálogo é a melhor forma de construir uma relação. Por isso, é importante que o emissor da mensagem comunique-se e mantenha os canais sempre abertos, para todos os grupos envolvidos. Qualquer ação ou decisão deve ser tomada com o máximo de transparência e empatia. 

 

Influência social 

O ideal é que a propagação da mensagem permita interações, questionamentos e debates, além de apoiar-se em percepções de outros indivíduos e/ou grupos sociais, seus sentimentos, crenças, comportamentos, etc. 

Entender a particularidade do outro (seja ele parte do processo ou consumidor final) é essencial para encontrar soluções completas. Se o objetivo é provocar uma mudança de pensamento coletiva, você precisa conhecer e se comunicar com cada um no seu mundo particular. 

 

Percepções comportamentais prévias 

Aproximações que compreendem bases cognitivas, limitações, etc., costumam ser mais efetivas na tentativa de mudança. Saber os padrões dos comportamentos pode ser útil na previsão e convencimento em momentos de decisão. 

Entender o padrão de comportamento atual das pessoas envolvidas te ajuda a prevê-los e trabalhar uma possível mudança futura. 

 

APLICAÇÃO PRÁTICA 

Existem diversos métodos inovadores, principalmente na área da comunicação, capazes de otimizar os esforços de conservação da vida selvagem. Mas, focando especialmente no combate ao tráfico de animais silvestres, como podemos aplicá-los?

Pensando nas principais características dos recursos apresentados, chegamos à conclusão de que essas ferramentas podem ser utilizadas para envolver a sociedade e impulsionar uma mudança de mentalidade coletiva. Por meio das estratégias de marketing, por exemplo, você consegue propagar a mensagem de conservação, engajar o público na causa e convencê-los a não alimentar/compactuar com o mercado de animais ilegais. Ou seja, com a redução da demanda final, seja pela compra de animais legalizados seja pela diminuição da demanda em adquiri-los, aos poucos o mercado ilegal vai ficando enfraquecido. 

Ave vítima do tráfico de animais. (Foto: CETAS-BH)

 

O design centrado em seres humanos e a teoria da mudança podem vir como estratégias complementares, estimulando o envolvimento de todas as partes inseridas no processo. No caso do tráfico, seria interessante a busca por uma solução pensada de todos os pontos de vista: da pessoa que captura o animal, de quem vende, quem compra, das organizações de fiscalização, das instituições conservacionistas e pessoas que defendem a causa. A solução perfeita deve atingir todos os pontos envolvidos, causando uma reestruturação completa desta cadeia. 

I Workshop de Reabilitação, Monitoramento e Conservação de Fauna Silvestre

By | Conservação, Eventos de Conservação, GreenBond, Marketing na Conservação, Projetos de conservação | No Comments

Nos dias 22 e 23 no novembro, a WAITA Instituto de Pesquisa e Conservação realizou o I Workshop de Reabilitação, Monitoramento e Conservação de Fauna Silvestre. O evento contou com a presença de diferentes instituições e profissionais conservacionistas, que trocaram experiências de forma inovadora e construtiva. Com espaços abertos para estudantes e comunidade geral, a iniciativa promoveu ciência de maneira democrática e progressiva. 

Nós tivemos a honra de participar do evento, dando palestras e ouvindo os demais. Contamos nossas experiências, como GreenBond e como nossos clientes, mas também dialogamos e absorvermos diversas vivências de instituições que lutam pela conservação, assim como nós. Foram trocas muito ricas!

 

ONÇAFARI 

Comunicação é o principal pilar da GreenBond. Nós acreditamos no poder da comunicação e tentamos fazê-la de forma 360, abordando todos os pontos de contato de nossas instituições parceiras.

Por isso, vestimos a camisa do Onçafari, um dos nossos maiores parceiros, e comunicamos o incrível trabalho de reintrodução realizado por eles durante o Workshop. 

Além de ministrar a palestra “Onçafari Rewild: Reintroduzindo Onças-pintadas na natureza”, que contou detalhadamente como foi o processo de reintrodução de todas as onças que já passaram pelo Rewild: Fera e Isa (Pantanal), Vivara e Pandora (Amazônia) e Jatobazinho (Argentina), o nosso biólogo Gustavo Figueirôa também participou das mesas de debate sobre Reabilitação e Monitoramento, trocando experiências com instituições que realizam o mesmo trabalho. 

Momento de soltura da Vivara, na Amazônia. (Foto: Onçafari)

ESPAÇO DE DISCUSSÃO SOBRE REABILITAÇÃO 

A reabilitação de animais silvestres é um processo fundamental para devolvê-los à natureza de forma saudável. O espaço de discussão permitiu a troca de informações, vivências (que deram certo e também que não deram), compartilhamento de técnicas e soluções de problemas encontrados pelas instituições, com o intuito de otimizar ainda mais todo esse processo. 

No painel estiveram presentes as seguintes instituições: WAITA, Onçafari, MIB, Pró-tapir, Refauna, IPRAM, Muriquis do Caparaó, CRAX, UFOP, TamdanduASAS, Amigos do Lobo, CETAS-BH.

 

ESPAÇO DE DISCUSSÃO SOBRE MONITORAMENTO

A melhor maneira de confirmar o sucesso de reintrodução dos animais, obtendo dados dados confiáveis de comportamento é por meio do monitoramento. Então, o Espaço Monitoramento abordou as diferentes técnicas, tecnologias, metodologias e problemáticas dos monitoramentos ativos e/ou remotos, promovendo uma troca de experiências enriquecedora. 

No painel estiveram presentes as seguintes instituições: WAITA, Onçafari, MIB, Pró-tapir, Refauna, IPRAM, Muriquis do Caparaó, CRAX, UFOP, TamanduASAS, Amigos do Lobo, CETAS-BH e Centro de Conservação dos Saguis da Serra. 

 

GREENBOND 

Representando a GreenBond, o nosso especialista em marketing digital Diego Arruda ministrou uma palestra sobre o papel do marketing na conservação, focando principalmente em estratégias para captação de recursos. 

Após alguns estudos de mercado, nós percebemos que o marketing ainda não é prioridade no modelo de negócio dos projetos de conservação. Apesar de compreenderem a necessidade de investimento em comunicação, a maioria dos projetos não a faz, principalmente por questões financeiras. 

Por isso, ministramos uma palestra que ensina a importância da comunicação, principalmente para reverter esse quadro: a falta de recursos. Divulgar a causa é de extrema importância para alcançar e tocar pessoas, trazendo mais adeptos e, consequentemente, mais recursos para auxiliar na luta. 

Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário gastar caminhões de dinheiro para fazer uma comunicação bem feita. Atualmente, principalmente por conta da internet, já é possível alcançar milhões de pessoas, provocando um impacto positivo de forma rápida e barata. E foi isso que ensinamos ao público presente no Workshop. 

ESPAÇO DE DISCUSSÃO SOBRE MARKETING 

O espaço Marketing para a conservação discutiu a utilização de estratégias e ferramentas adotadas no universo do marketing, com o objetivo de comunicar e mobilizar o maior número de pessoas à favor de uma causa em comum: salvar o planeta.

Foram abordados temas como redes sociais, sites, planejamento, execução e desenvolvimento de campanhas, captação de recurso, estratégias, dentro outros.

Para debater o tema, estiveram presentes no painel: GreenBond, Sair do Casulo, Bocaina e Instituto Vida Livre. 

 

VISÃO GERAL DO EVENTO 

No geral, o I Workshop de Reabilitação, Monitoramento e Conservação de Fauna Silvestre foi bastante enriquecedor para nós. Pudemos divulgar nosso trabalho, as causas nas quais acreditamos e o mais importante: aprender com pessoas que fazem parte da mesma luta. A troca de experiências foi fundamental, principalmente neste fim de ano, para repensar e colocar em prática alguns aprendizados para 2020. 

Agradecemos a WAITA pelo convite e os parabenizamos pela incrível iniciativa! 

Sistema B: a união entre lucro e sustentabilidade 

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Diante de um contexto sócio-ambiental cada vez mais negativo por todo o mundo, por que a maioria das empresas ainda considera apenas o lucro como um indicador de sucesso? É partindo dessa premissa que surge o conceito de “empresas B”. 

Acredite, seja de pequeno, médio ou grande porte, qualquer modelo de negócio pode substituir a máxima do “lucro acima de tudo” pelo “lucro com benefícios sócio-ambientais”. 

COMO SURGIU A IDEIA? 

Em 2009, um trio de empresários americanos reparou que a valuation (valor de uma empresa para investidores) de seu negócio não considerava a consciência social e ambiental dos fundadores. Ou seja, na teoria eles valiam tanto quanto um concorrente qualquer.

Então, Jay Coen Gilbert, Bart Houlahan e Andrew Kassoy dedicaram-se à criação de um selo de identificação para companhias que tivessem um impacto positivo, algo que permitisse que elas fossem reconhecidas e valoradas não só pelo lucro, mas por cumprirem metas sociais, ambientais e de transparência.

Com o objetivo de criar um movimento concreto, fundaram o B Lab e desenvolveram uma metodologia própria que inclui o índice Global Impact Investing Rating System (GIIRS) e um processo de avaliação composto por 160 indicadores.

 

AS EMPRESAS B 

As Empresas B aproveitam seus modelos de negócio para auxiliar no desenvolvimento de comunidades, redução da pobreza, além da busca por soluções para problemas ambientais, em especial de mudanças climáticas.

Hoje, há mais de 950 companhias – 75 delas na América Latina – em 30 países e 60 setores. No Brasil, esse conceito chegou há pouco tempo, liderado pelo Comitê para Democratização da Informática (CDI) em parceria com o Sistema B, representante do movimento na América Latina, e já possui 46 empresas com o certificado. Entre as brasileiras, se destacam a Natura e Danone

Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, fundadores da Natura, recebem o certificado de Empresa B. (Foto: Projeto Draft)

 

MISSÃO E VALORES DO SISTEMA B: 

1- Resolver problemas sociais e ambientais a partir dos produtos e serviços oferecidos pelas próprias empresas; e nas práticas laborais e socioambientais, atender as comunidades, os fornecedores e os públicos de interesse;

2- Um rigoroso processo de certificação, que examina todos os aspectos da empresa e que deve atender aos padrões de desempenho mínimos, além de ter um forte compromisso com a transparência no relatar publicamente seu impacto socioambiental;

3- Também fazer as mudanças legais para proteger sua missão ou finalidade comercial e, portanto, combinar o interesse público com o privado. Isso também irá construir uma confiança com os cidadãos, clientes, colaboradores e novos investidores.

 

POR QUE AS EMPRESAS DEVEM ADERIR AO MOVIMENTO? 

Além de tornar-se um negócio oficialmente engajado com a sustentabilidade em seu ramo de atividade, promovendo um desenvolvimento sustentável da empresa e da comunidade ao redor, também existem outros benefícios igualmente atraentes, como: economia nos serviços de acesso (CRM, e-commerce etc), atração de investidores ligados à economia solidária (empreendedores sociais) e participação em campanhas publicitárias criadas pela B-Corp, o que aumenta significativamente o seu nível de conhecimento e relevância no mercado. 

 

Acesse o site oficial e conheça todos os benefícios. 

III Fórum de Marketing Relacionado à Causa

By | Marketing na Conservação, Projetos de conservação | No Comments

No último dia 24, nós estivemos presentes no III Fórum de Marketing Relacionado à Causa, que aconteceu na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. O evento contou com o apoio do Instituto Ayrton Senna, Cause, Ipsos, ESPM e Visa

Dentre os convidados especiais, estavam representantes dos institutos apoiadores, pequenos empreendedores, empresários e profissionais de comunicação. Os painéis de debate, intercalados com apresentações, fomentaram argumentações bastante interessantes, com diálogos embasados, além da inclusão de inúmeros cases de sucesso. 

 

APRESENTAÇÃO 

A apresentação deu-se pela exposição de conteúdo dos principais apoiadores do evento. Cada um com o viés mais voltado à sua área de atuação, souberam colocar de forma clara e objetiva como o marketing relacionado à causa se associa à cada um deles. 

A apresentação da Cause foi bastante interessante, trazendo pontos instigantes e agregando conhecimento sobre o tema. O principal ensinamento do dia foi: causa é o ponto de intersecção entre o propósito da organização e as demandas da sociedade. Ou seja, para que o marketing de causa seja feito de forma correta, ele precisa estar estreitamente alinhado com o DNA da empresa e as necessidades da comunidade. 

A execução da proposta de causa deve sustentar-se em quatro principais pilares: convicção, coerência, consistência e criatividade. Não adianta vender uma ideia e praticar o completo oposto dentro da organização. Por isso, a necessidade de alinhamento com o seu DNA. 

 

DADOS DO MARKETING DE CAUSA 2019 

A primeira apresentação temática do evento trouxe à tona um tesouro para nós, profissionais da comunicação: dados. A Ipsos, que é uma empresa focada em pesquisa de mercado, realizou um estudo sobre marketing relacionado à causa e apresentou os resultados durante o evento. 

Em resumo, ficou estatisticamente provado que o momento é excelente para as empresas se posicionarem, encontrarem uma causa coerente com seu core business, e investirem em comunicação voltada a este tema. O público jovem, que está transformando o mercado de consumo, vai muito além de uma mera avaliação dos produtos/serviços desejados, mas avaliam a marca como um todo. 

Além do preço, os consumidores levam a credibilidade e relevância da empresa em consideração. Dentre os principais fatores que motivam adesão à uma causa, estão “estar alinhada aos valores da empresa” e “ser apoiada por uma ONG que eu confio”. Ou seja, a causa virou um um bom motivador de compra. 

 

PAINEL 1: COMO AS MARCAS PODEM ABRAÇAR CAUSAS? 

O primeiro painel foi bem interessante e trouxe a debate ótimas questões e cases de sucesso. Reunindo empreendedores e representantes de empresas envolvidas em causas, foram abordados temas como as “Empresas B”, que aplicam de forma exemplar um sistema de negócio sustentável. Além do mais, também foi discutida a dificuldade de orçamento quando lidamos com o terceiro setor, a busca pelo engajamento interno, ou seja, o o exercícios de engajar primeiro sua equipe e colaboradores, para depois ampliar essa ideia mundo afora, etc.  

Mas, dentre todos os assuntos, o que mais chamou nossa atenção foi uma das tendências de mercado: a união de empresas concorrentes à favor de uma causa. Quando pensamos em grandes empresas, que são concorrentes diretas, e constituem a mesma luta por determinada causa em sua essência, elas podem unir forças à favor dela. Quando lutamos por um mundo ou uma sociedade melhor, toda ajuda é bem-vinda. Nessas horas não existe concorrência, apenas colaboração. 

 

PAINEL 2: UMA NOVA SOCIEDADE, NOVAS OPORTUNIDADES 

O segundo painel abordou os lados positivos e negativos da transformação de consumo e das novas leituras de marca feitas pelo público. Uma das questões debatidas foi a possibilidade de falhar com o marketing de causa, parecendo uma ação oportunista.

De fato, algumas pessoas podem enxergar o anseio corporativo por ajudar uma causa como oportunismo, mas o conselho dos especialistas foi: se for a essência da sua marca, se tiver verdade, comunique! O dilema do oportunismo assombrará os mais diversos negócios, mas o importante é fazer o bem.

Se não quer falhar, lembre-se que o marketing deve servir ao impacto e não o impacto servir ao marketing. A ordem correta é: solidificar a causa no DNA da empresa e depois comunicar com transparência, com verdade, não o contrário. 

 

PAINEL 3: ENGAJANDO PARA O BEM 

O terceiro e último painel foi mais caloroso que os demais, funcionando como um verdadeiro momento para debates, mostrando opiniões divergentes e igualmente capazes de agregar ao público. 

Ativista ambiental e criadora da empresa Menos 1 Lixo, Fê Cortez trouxe um comentário bem intrigante: “As empresas não têm propósito, por isso buscam apoiar quem tem”. Segundo ela, a maioria das empresas são criadas apenas com o objetivo de lucrar, mas lucro não é um propósito. 

Apesar de permitir diversas interpretações, acreditamos que nem todas as empresas conseguem tomar ações efetivas o suficiente para causar impacto no contexto desejado. Por isso, a importância de unir o poder de alcance destas empresas com projetos do terceiro setor. Se a organização possui recursos, sejam eles financeiros ou não, e a vontade de ajudar, por que não aliar-se de forma estratégica à uma ONG? Nós, da GreenBond, acreditamos fortemente no potencial dessas uniões. 

Outro ponto bastante debatido foi a métrica de sucesso utilizada por grandes corporações. Hoje, o lucro ou aumento da fatia de mercado são as principais formas de mensurar sucesso, mas, se quisermos um universo comercial realmente sustentável, essa métrica tem que mudar! As estatísticas de impacto sócio-ambiental devem listar entre os principais resultados alcançados pela empresa anualmente. Por exemplo: em quantos % a organização conseguiu diminuir a geração de lixo, se comparado ao ano anterior? 

 

Por fim, o último painel nos relembrou de uma verdade bem (in)conveniente: o planeta não precisa de nós, somos nós que precisamos dele. Então, de que vale o lucro, as transações financeiras, taxas de retorno, investimos de capital ou qualquer outro termo econômico, se não tivermos um mundo para viver? A sustentabilidade precisa vir à frente dos outros objetivos empresariais. Tornar o ambiente interno e externo melhores são medidas imprescindíveis para o evolução do seu negócio, da sociedade e do planeta.  

 

O olhar da GreenBond sobre as queimadas no Pantanal

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Esse foi um mês bem movimentado para nós da GreenBond. Incêndios assolaram o Pantanal, atingindo boa parte dos projetos para os quais trabalhamos e mobilizou nossa equipe intensamente para fazer o melhor trabalho de comunicação. 

Infelizmente, foi um fenômeno que tomou o Pantanal de forma muito rápida, dando pouco tempo para planejamentos e ações elaboradas. Mas, com uma boa comunicação entre as equipes alocadas em campo e os colaboradores aqui de São Paulo, conseguimos manejar as informações para atualizar o público e usá-las estrategicamente no gerenciamento de crise. 

Sinais de fogo na Fazenda Caiman. (Foto: Onçafari)

 

AS QUEIMADAS NA FAZENDA CAIMAN/ONÇAFARI

No dia 9 de setembro, começou o primeiro foco de queimada numa fazenda em Miranda, vizinha do Refúgio Ecológico Caiman, que é o principal ponto de trabalho do nosso parceiro Onçafari. O fogo atravessou o rio Aquidauana e atingiu a fazenda, já colocando toda a equipe do projeto em alerta.

Incêndio que devastou o Pantanal no mês de setembro. (Foto: Onçafari)

 

Preocupados com os bichos locais e com as estruturas que abrigam colaboradores, hóspedes e animais, a equipe tomou decisões rápidas e acertadas, colocando a segurança de todos os seres ali presentes como prioridade. 

A primeira ação foi resgatar o Jatobazinho, onça residente do recinto de reintrodução, que estava passando por um período de treinamento para voltar à natureza. O felino foi rapidamente transportado para a Fazenda Vera Lúcia, onde acontece o projeto Onças do Rio Negro. Lá ele ficou protegido  e continuou sendo monitorado. 

 

Jatobazinho, a onça resgatada no incêndio pela equipe do Onçafari. (Foto: Leonardo Gomes)

 

Após o resgate, os colaboradores do Onçafari continuaram acompanhando o aparecimento das outras onças monitoradas, contabilizando uma a uma todas que estavam saudáveis e seguras. Até o momento, já foram confirmadas 9 onças, sendo 2 filhotinhos. 

O mais importante de toda essa mobilização foi a junção de diversos profissionais para salvar o Pantanal e mais do que isso, para comunicar e atualizar a população sobre cada passo durante a tragédia.

 

TRABALHO JUNTO DO SOS PANTANAL 

Um dos nosso parceiros é o SOS Pantanal, que auxilia de diversas formas no desenvolvimento sustentável do bioma. Junto deles, conseguimos ter um panorama mais fiel dos danos causados pelo fogo e traçar estratégias adequadas ao cenário. 

De acordo com as estimativas, foram mais de 1,5 milhões de hectares consumidos pelo incêndio (mais de 2 milhões de campos de futebol). Os pesquisadores detectaram cerca de 2.400 focos de incêndios só no mês de agosto, ultrapassando de forma considerável os números do ano passado. Ou seja, o retrato de queimadas de 2019 foi realmente assustador

A primeira ação tomada pelo SOS foi colocar profissionais em campo para mapear o estrago. Com fotos, vídeos e algumas informações mais profundas, pudemos comunicar com mais clareza o ocorrido, além de compor um relatório capaz de auxiliar no planejamento de soluções. O susto já passou, mas os trabalhos para recuperar o Pantanal estão apenas começando. 

 

Profissionais analisaram todos os dados coletados para salvar o máximo de recursos possível. (Foto: Onçafari)

 

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO EM MOMENTOS DELICADOS 

A GreenBond desempenhou um papel importante diante desta terrível tragédia. Comunicar o que está acontecendo com transparência, imparcialidade e clareza é imprescindível para disseminar a informação, promovendo a educação ambiental. Explorar o assunto abordando causas, consequências e medidas protetivas, estimula o senso de conservação e pode até mesmo prevenir futuras ações catastróficas. 

 

Parte da equipe alocada para trabalhar no Pantanal durante os incêndios. (Foto: Onçafari)

 

Além da comunicação, nós também auxiliamos na criação da campanha de financiamento coletivo ancorada pelo Onçafari. A arrecadação servirá para reformar o recinto de reintrodução de onças-pintadas e recuperação dos recursos hídricos, além do cuidado com a flora local. E, quanto maior o número de pessoas impactadas pela causa, maior será o investimento na regenaração do Pantanal, por isso aplicamos muito tempo e esforço na divulgação da campanha. 

 

Marketing na Conservação: passado, presente e futuro

By | Conservação, Marketing na Conservação | No Comments

Os problemas ambientais são resultado da ação do homem. Logo, a solução para esses problemas também deve partir da modificação, cessão ou renovação das atividades humanas, principalmente as que prejudicam diretamente o meio ambiente. Pensando neste contexto, é quase natural a utilização de estratégias e ferramentas adotadas no universo do marketing, com o objetivo de comunicar e mobilizar o maior número de pessoas à favor de uma causa em comum: salvar o planeta. 

Falando de forma superficial, o conceito de marketing consiste no processo de planejar e executar o desenvolvimento, valor, distribuição e promoção de produtos, serviços e/ou ideias, com o intuito de criar trocas benéficas para ambos os lados. De maneira geral, ele foca na construção de relacionamentos e narrativas, que são qualidades inatas dos seres humanos. Por isso, a ideia de aplicar o marketing na conservação reuniu esforços para influenciar o comportamento dos homens na adoção de alternativas sustentáveis, que pudessem mudar aos poucos os hábitos cotidianos. 

 

OS PRIMEIROS PASSOS DO MARKETING NA CONSERVAÇÃO

 

O Conservation Marketing surge nos EUA, a partir de um despertar geral de consciência ecológica na população. O primeiro registro oficial de campanha publicitária utilizada para beneficiar o meio ambiente foi o famoso Smokey Bear, um personagem americano criado para ajudar no combate aos incêndios florestais.

Smokey Bear 

Criada em 1944, a campanha “Smokey Bear Wildfire Prevention” é a mais longa campanha publicitária de serviço público da história dos EUA, educando gerações de americanos sobre seu papel na prevenção de incêndios florestais. Como um dos personagens mais reconhecíveis do mundo, a imagem de Smokey é protegida pela lei federal dos EUA e é administrada pelo Serviço Florestal do USDA, pela National Association of State Foresters e pelo Conselho de Anúncios. Apesar do sucesso da campanha ao longo dos anos, a prevenção de incêndios florestais continua sendo uma das questões mais críticas que afetam o país. A mensagem de Smokey é tão relevante e urgente hoje, quanto era em 1944! 

Campanha do Smokey Bear lançada em 1944.

 

COMO FAZEMOS HOJE? 

 

Apesar do crescente interesse em unir marketing social com biodiversidade, quando analisamos a execução de fato, o crescimento foi bem discreto, se comparado à outras aplicações da disciplina: 

Fonte: Artigo publicado no Social Marketing Quarterly

 

Atualmente, existem muitos esforços sendo feitos, principalmente fora do Brasil, para aumentar o conhecimento científico e geração de conteúdo sobre biodiversidade. Além disso, estudiosos da área de marketing se dedicam a fazer análises, estudar comportamentos e elaborar teorias para auxiliar na união da comunicação com os objetivos conservacionistas. No entanto, é preciso reconhecer que ainda existem grandes desafios para o uso do marketing aliado à políticas sociais, especialmente no que diz respeito a junção entre hábitos humanos e vida natural. 

O maior obstáculo encontrado hoje pelos pesquisadores é no que chamamos de “recompensa”. Os benefícios da preservação nem sempre são sentidos de forma imediata pelo público, em sua grande maioria são observados a longo prazo, o que os torna menos palpáveis e persuasivos. 

Quando olhamos para o cenário brasileiro, o panorama pode ficar um pouco pior. Além dos obstáculos naturais enfrentados pelo Conservation Marketing, ainda sofremos com a falta de estrutura, investimento e recursos para lidar com a comunicação. Uma pesquisa feita pelo Nossa Causa, confirmou o que já vínhamos suspeitando há tempos: os projetos de conservação reconhecem a importância da divulgação, mas não a fazem por questões financeiras ou por não saberem aplicar as estratégias e ferramentas adequadas ao orçamento. 

 

O QUE PODEMOS ESPERAR PARA O FUTURO? 

 

A primeira grande expectativa é a profissionalização dos colaboradores e processos envolvidos na comunicação das causas, ou terceirização da produção de conteúdo. Quanto mais embasadas em pesquisas e teorias, mais planejadas e estratégicas forem as campanhas, maior é a expectativa para os resultados, tanto na arrecadação de recursos, quanto na mobilização para a conservação da biodiversidade. 

Outra tendência para um futuro próximo é a integração das ciências comportamentais com esferas políticas e empresariais, aumentando a visibilidade para áreas como economia comportamental e design thinking. Ainda não há artigos ou estudos sobre o uso dessas práticas no marketing de conservação, mas existem diversas ferramentas que podem ser utilizadas e bem aproveitadas, sem necessidade de grandes mudanças na estrutura ou orçamento dos planejamentos. 

Pensando num cenário do “mundo ideal”, onde os projetos tivessem verba o suficiente para investir no setor de marketing, ainda seria possível utilizar recursos como Inteligência Artificial, Robôs, IOT (Internet das Coisas), Machine Learning e outras diversas inovações tecnológicas capazes de otimizar todos os processos. Mesmo que ainda tenhamos muitos outros desafios a serem superados antes de atingir tamanha evolução, é importante reforçar que a conservação tem um grande “oceano azul” para ser trabalhado. Temos alguns casos de sucesso, como WWF e Greenpeace, mas existem milhares de outros esforços igualmente incríveis sendo feitos, que precisam ser otimizados e comunicados da melhor forma. 

Inteligência Artificial capaz de detectar o rosto de primatas. (Foto: Divulgação)

 

Fontes: Social Marketing Quarterly Vol. 24, Vol. 25, Elsevier Ocean & Coastal Management.