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Bond da Conservação: Dian Fossey

By Bond da Conservação, gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis e heroínas que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar da mãe dos gorilas-da-montanha, mulher que foi fundamental para a conservação desses animais: Dian Fossey!

Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

 

 

Quem foi Dian Fossey? 

Dian Fossey, foi uma norte-americana, nascida na Califórnia em 1932 e já possuía um grande carinho pelos animais desde pequena. Aos 6 anos, inclusive já cursava aulas de equitação. Mas, embora gostasse tanto deles, ela acabou se formando em outra área, Terapia Ocupacional e trabalhou em vários hospitais. 

Ao se mudar para uma fazenda próxima ao hospital que trabalhava na época, ajudou nas atividades que envolviam os animais e a sua paixão por eles, aflorou novamente, principalmente, após o retorno de uma amiga que havia feito uma viagem para África. Isso foi o suficiente para Dian decidir, que precisava viajar e conhecer a diversidade de animais de lá. Determinada, por anos juntou recursos e programou sua primeira viagem. 

Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

 

Conhecendo a África

Em 1963… finalmente, a sua primeira viagem para África! Na verdade, um tour no qual ela visitou vários países. Os dois últimos foram o Congo, onde, 4 anos antes, o zoólogo George Schaller havia feito o primeiro estudo com os gorilas-da-montanha. E a Tanzânia, onde visitou o Louis Leakey, que plantou a semente em seu coração para trabalhar com grandes primatas. Louis contou sobre Jane Goodall e seu trabalho com chimpanzés e também, sobre as ameaças que os grandes primatas sofriam. 

De volta à América do Norte, Dian voltou a trabalhar no hospital. Até que, o destino levou Louis a dar palestras próximo à região em que ela morava. É claro que Dian foi falar com ele e assim surgiu a oportunidade de liderar um projeto com gorilas na África. E aí, o grande trabalho de sua vida começou!

 

Queridos Gorilas 

Em seu primeiro encontro com os gorilas, nas montanhas de Virunga, Dian se apaixonou. Como ela disse em sua autobiografia (livro: Gorillas in the Mist) “Foi sua individualidade combinada com a timidez de seu comportamento que permaneceu a impressão mais cativante desse primeiro encontro com o maior dos grandes macacos”. 

Um tempo depois, iniciou seus estudos na região. Com o passar do tempo, os gorilas foram habituando à sua presença, e ela, ia identificando cada gorila pelas marcas em seu focinho. Foram meses de estudos, interrompidos pela intensificação das questões políticas locais. Dian teve que atravessar a fronteira e mudar o local de estudo para o Parque Nacional dos Vulcões, na Ruanda. 

 

Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

 

 

Centro de Pesquisa Karisoke 

Já em Ruanda, fundou em 1967 o Centro de Pesquisa Karisoke. Seu objetivo era estudar a demografia, organização social e ecologia dos gorilas. E ali, começou novamente o longo processo de habituação com os gorilas que ela havia acabado de conhecer.

Centro de Pesquisa de Karisoke. Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

 

Em 1968, a National Geographic Society enviou o fotógrafo Bob Campbell para registrar seu trabalho com os gorilas e com seus belos registros, os gorilas, antes conhecidos como perigosos, passaram aos poucos a serem vistos como animais gentis. Além disso, Dian passou a ser conhecida por seu incrível trabalho.

Cientista

Uma de suas poucas pausas na vida na África foi em 1970, quando se matriculou no departamento de comportamento animal do Darwin College, Cambridge e estudou até obter o seu doutorado. Ela sentia que precisava de uma formação adequada na área para realizar o seu trabalho. 

Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

 

Ameaças aos gorilas

As ameaças aos gorilas ficaram cada vez mais claras. Uma delas eram os caçadores furtivos que colocavam armadilhas no chão, para capturar principalmente antílopes e búfalos, mas que também pegavam os gorilas. Com os gorilas, os caçadores vendiam sua carne ou souvenirs, como cinzeiros feitos das mãos. Ou ainda, vendiam seus filhotes. Outra, eram os criadores de gados, que frequentemente os levavam para o Parque. 

Para combatê-los, Dian tentava de tudo, inclusive enfrentamento cara-a-cara, o que a levou a fazer vários inimigos. Na tentativa de estimular que os guarda-parques também ajudassem, fiscalizando, ela fornecia botas e outros equipamentos de trabalho.

Dian com os filhotes Pucker Puss e Coco. Vinte gorilas de sua família foram mortos para que os filhotes fossem capturados e vendidos. Foto: Robert I.M. Campbell, National Geographic Creative.

 

Todo o esforço não foi suficiente para os caçadores pararem. Inclusive, um dos gorilas mais queridos por ela, o Digit (nome dado devido a um dedo machucado em sua mão), foi esfaqueado e morto. Ele era um dos gorilas mais fotografados por Bob e podemos falar, que era bem conhecido pelo mundo! Sua morte gerou comoção para a causa. E então, Dian criou o Digit Fund para arrecadar dinheiro para ações contra caça-furtiva e outras ameaças. Mais tarde, esse fundo passou a ser chamado de Dian Fossey Gorilla Fund.

 

Livro “Gorillas in the Mist” 

Uma outra pausa em sua vida com os gorilas foi em 1980, quando mudou-se para Nova York, trabalhando como professora visitante associada da Universidade Cornell. Lá, aproveitou para escrever sobre seu trabalho com os gorilas, em seu livro publicado 3 anos depois: Gorillas in The Mist.

Dian e seu livro Gorillas in The Mist. Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

Assassinato 

Após voltar à Ruanda, Dian foi assassinada em sua cabana, com seus quase 54 anos. Infelizmente, o crime tratado como uma vingança pessoal, nunca foi solucionado. Ela foi enterrada ao lado de seus amigos gorilas.

Túmulo de Dian (e de Digit). Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

Em Ruanda, Dian ficou conhecida como Nyiramacibili, a “mulher que vive sozinha na floresta”. E em todo o mundo, ficou conhecida como a mulher que deu tudo de si pela conservação dos gorilas. Uma mulher fantástica, uma conservacionista nata, cheia de determinação, princípios e empatia por esses gigantes da montanha. Uma fonte de inspiração para todos nós! 

Felizmente, nós ainda podemos ajudar suas ações, doando para o Dian Fossey Gorilla Fund. O fundo destina recursos para a proteção dos gorilas e para a educação e sensibilização para a causa das pessoas que moram próximas a eles. 

Caso queira conhecê-la ainda melhor, Dian foi tema do filme: A Montanha dos Gorilas (1988). Caso você não tenha assistido, nós recomendamos, vale muito a pena!

 

 

 

Texto por Jéssica Amaral Lara

Revisado por Gustavo Figueirôa

 

Bond da Conservação: Flávia Miranda

By gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar de uma mulher incrível, referência mundial em estudos do grupo dos tamanduás, tatus e preguiças: Flávia Miranda!

 

Foto: João Marcos Rosa

 

Como tudo começou

Criada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Flávia sempre teve um contato e um interesse muito grande pela natureza. Desde nova já observava os animais que passavam perto de sua casa, brincava com lagartos e catalogava insetos, uma verdadeira naturalista mirim! 

Quando adolescente, frequentou o colégio rural no Pantanal. Lá passou a ter um contato mais direto com tamanduás, pois frequentemente um tamanduá-bandeira rondava seu alojamento. Nessa época iniciou suas anotações sobre o comportamento do animal. 

A escolha do curso superior foi cercada de dúvidas, veterinária, biologia ou engenharia florestal, porém, como desde criança brincava de ser veterinária, a decisão acabou sendo certeira. 

 

Foto: João Marcos Rosa

 

A faculdade e os tamanduás

Em seu primeiro ano de faculdade, durante suas férias, Flávia estagiou no Zoológico de Bauru, em São Paulo. Lá cuidou de seu primeiro filhote de tamanduá e foi aprendendo mais sobre a espécie. 

Sempre guiada pelo interesse por estes animais, realizou seu TCC estudando a fisiologia e a anatomia dos tamanduás. Em sua residência, trabalhou no Parque Zoológico de São Paulo, sendo a primeira residente em clínica médica e manejo de animais silvestres do Brasil. Lá atendeu um grande número de animais e adquiriu uma experiência ímpar como veterinária de silvestres, fator primordial para sua carreira. 

No ano de 2005, iniciou seu mestrado em Ecologia Aplicada e foi durante as pesquisas que percebeu a necessidade de maior conhecimento sobre a espécie e seu manejo, principalmente em cativeiro. A partir daí foi desenvolvendo técnicas, gerando conhecimento e melhorando o manejo juntamente com uma equipe multidisciplinar. Suas pesquisas acabaram sendo base para o livro “Manutenção de Tamanduás em Cativeiro”, que é referência no que diz respeito ao manejo das espécies. 

 

Foto: João Marcos Rosa

 

Instituto Tamanduá

Em meio às pesquisas, em 2005, Flávia fundou o Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil. O trabalho desenvolvido transita entre a taxonomia, genética, saúde, medicina da conservação, ecologia e zoogeografia. Tudo, para entender mais sobre as espécies, descrevê-las, monitorá-las e conservá-las. 

As pesquisas levaram Flávia a descobrir e descrever sete espécies de tamanduaís, que até então acreditava-se ser apenas uma única espécie. 

 

Tamanduaí. Foto: João Marcos Rosa

 

Com o conhecimento vem a conservação e é para isso que Flávia, juntamente com sua equipe, lutam todos os dias. 

O pioneirismo, paixão e a veia naturalista exploradora de Flávia são de admirar! Esperamos que muitas descobertas sejam feitas ainda por essa pesquisadora tão singular! 

 

Texto por Anna Luisa Michetti 

Revisado por Fernanda Sá

 

 

Bond da Conservação: Sylvia Earle

By gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos conversar sobre uma das maiores referências mundiais em vida marinha. Vamos falar sobre Sylvia Earle.

 

Foto: Bates Littlehales/National Geographic

 

Descobrindo a paixão pelo mar

Nascida no ano de 1935 em Nova Jersey, Estados Unidos, Sylvia Earle cresceu sendo uma criança bastante interessada pela natureza. Sempre com o hábito de curtir a própria companhia, desde nova adquiriu o costume de brincar e explorar a natureza, passando às vezes, um dia inteiro fora.

Aos doze anos, mudou-se para a Flórida com sua família, onde se apaixonou pelo mar. O Golfo do México era seu quintal onde podia ser parte de toda aquela imensidão azul. Procurava os pequenos animais e se encantava pelas algas que chegavam na areia. Sentia como se aquele fosse seu zoológico particular. 

Na escola, sempre foi uma aluna aplicada e no documentário “Mission Blue” (2014), Sylvia conta que: “sempre quis fazer o que os cientistas fazem”. 

Uma das primeiras figuras que encantaram Earle foi William Beebe, um naturalista e explorador, que através do livro “Half Mile Down” descreve a experiência de mergulhar 800 metros abaixo da superfície utilizando uma batisfera (uma esfera oca de aço com uma janela para observação).  Jacques Cousteau foi outro personagem chave que influenciou Sylvia a querer mergulhar e ver todo aquele mundo cheio de vida na vastidão azul. 

 

Batisfera. Foto: Wikipédia.

 

Respirando embaixo d’água

O primeiro equipamento de mergulho SCUBA, aquele em que utiliza um cilindro de ar comprimido permitindo a respiração subaquática, foi inventado por Jacques Cousteau. Essa invenção tornou o mergulho e a exploração do mar mais simples. 

Quando entrou na faculdade de biologia marinha em 1953, Sylvia teve acesso a um desses equipamentos de mergulho através de um professor. A cada mergulho, a estudante queria ficar mais tempo submersa e chegar cada vez mais fundo. Considerava o mar uma galáxia subaquática.

 

Foto: Acervo Sylvia Earle Twitter

 

Quando formada, não demorou para ingressar no mestrado na Duke University, onde se especializou em botânica, pois Sylvia acreditava que entender a vegetação era o primeiro passo para entender o ecossistema.

Iniciou seu doutorado também na universidade de Duke, estudando as algas do Golfo do México. Na universidade conheceu John Taylor com quem se casou e teve uma filha, nesse tempo deu uma pausa nos estudos.

 

Foto: Tyrone Turner—National Geographic Image Collection/Alamy

 

A primeira de muitas expedições

Em 1964 Slyvia recebeu um convite único para integrar a Expedição Internacional ao Oceano Índico. Como uma boa cientista curiosa e com ânsia de explorar o azul, ela não deixaria essa oportunidade de ouro passar, mesmo que isso significasse deixar seu marido e seus dois filhos (uma de quatro e o outro de dois anos), por seis semanas. 

A expedição contava com setenta homens e apenas Sylvia de mulher, mas isso não a intimidava. 

A expedição tinha como objetivo documentar a natureza marinha e explorar o que havia debaixo d’água em regiões ainda não visitadas. O resultado foi 7.250 kg de peixe, 90 kg de camarão e quase uma tonelada de caranguejos coletados para estudos. 

Pouco tempo após retornar, mais uma oportunidade de participar de outra expedição surgiu, dessa vez para o sudeste do Pacífico e claro que Sylvia não negou, porém isso significou o fim de seu casamento.

 

Foto: Acervo Sylvia Earle Twitter

 

Nesse mesmo ano, continuou sua tese com as algas. Coletava, registrava, catalogava. Queria entender quem vivia ali, o que eram e registrar todas aquelas que não tinham sido registradas ainda.  Em 1966 recebeu seu título de doutora.

Sua coleção de algas acabou ficando tão grande que Sylvia doou parte delas, cerca de 20 mil espécimes, para o Instituto Smithsonian Museu Nacional de História Natural de Washington, D.C.

Mais uma expedição à vista! Desta vez para as Ilhas Galápagos. Sylvia e mais 11 cientistas iriam mergulhar em águas onde ninguém havia mergulhado antes. Earle havia se tornado uma grande cientista e exploradora. Quando não estava mergulhando estava na academia.

 

Base Tektite II

Um dia, quando estava em Harvard em 1969, Sylvia viu uma chamada no quadro de avisos para passar duas semanas nas águas do caribe mergulhando nas Ilhas Virgens. O projeto de pesquisa consistia em viver na base subaquática de pesquisa, Tektite II, durante quatorze dias para mergulhar e explorar a área e os seres viventes. 

Sylvia, sem pensar duas vezes, se inscreveu para vaga e depois de muitas ponderações por parte dos contratantes, pelo fato de ser mulher, foi selecionada para liderar a equipe do projeto. Para surpresa de Sylvia, lhe surgiu uma exigência: A equipe deveria ser composta inteiramente por mulheres, para evitar a convivência entre homens e mulheres na base. Sylvia aproveitou essa  exigência como uma ótima oportunidade e liderou com maestria uma equipe composta por mais quatro mulheres.

As pesquisadoras ficavam na água de 10 a 12 horas por dia, “Eu me sentia uma criança em uma loja de doces, só que tudo era vivo”, conta Earle no documentário “Mission Blue”. Essa experiência mudou bastante a perspectiva de Sylvia em relação aos oceanos e as criaturas que nele vivem. A pesquisadora estava começando a compreender mais a fundo a dinâmica e peculiaridades ali existentes.

 

Da esquerda para direita: Ann Hartline, Alina Szmant, Peggy Lucas, Renate True, Sylvia Earle, as cientistas da Tektite II. Foto: Bettmann/CORBIS

 

Entra a cientista, sai a figura pública

Quando o projeto da base Tektite II terminou e as cientistas voltaram para a superfície, elas se tornaram uma espécie de celebridades. Saíram em um desfile pelas ruas de Chicago e receberam a chave da cidade pelo próprio prefeito. Agora estavam na mídia, mostrando que mulheres podiam ser cientistas, mergulhadoras, que podiam ocupar lugares que antes eram exclusivamente masculinos. 

Os holofotes também serviram para que Sylvia pudesse agir em defesa dos oceanos e da pesquisa, buscando conscientizar as pessoas sobre os danos que causamos a eles, além de poder mostrar ao público, por meio de filmes e livros,  um pouco sobre a diversidade marinha.

 

Traje JIM

Em 79, Sylvia teve a oportunidade de mergulhar utilizando um traje pressurizado, o traje JIM, que permitia mergulhar em grandes profundidades e voltar à superfície sem precisar passar horas em descompressão. 

Ninguém havia ainda passado de 300 metros de profundidade, mas para uma exploradora como Sylvia, não há desafios que ela não aceite. 

Descendo a 380 metros, Earle caminhou por duas horas e meia em solo submarino, descobrindo diversas criaturas que no completo escuro brilhavam e “soltavam faíscas”.

Sempre interessada em ir cada vez mais fundo, Sylvia começou a colaborar com engenheiros, planejar seus próprios submarinos e chegou até a fundar sua própria empresa.

 

Traje JIM. Foto: Phil Nuyeten /Cortesia Rolex/O Globo

 

Indo a luta

Em 1990, Sylvia foi nomeada cientista chefe da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (NOAA), onde supervisionou a pesca e as águas do litoral dos Estados Unidos. 

Foi uma grande oportunidade para Sylvia, uma vez que ao estar em um grande cargo, poderia fazer grandes mudanças, lutar pelo que acreditava. Pelo mesmo era no que acreditava.

Foi quando Sylvia se deparou com uma situação bastante incômoda. Muito do que falava como cientista, os dados de impactos ambientais e as medidas que teriam que ser tomadas para mudar a realidade, não eram bem recebidos e, muitas vezes, pediam para que ela não falasse tais coisas. Frustrada, Sylvia decidiu sair do cargo. Para a cientista, se não pudesse falar o que queria e precisava, não valia a pena ocupar aquele cargo. Estando do lado de fora, tinha a liberdade de lutar pelo que acreditava e pensava.

Ao longo de sua carreira, escreveu muitos livros, matérias para revistas como a National Geographic, ministrou diversas palestras ao redor do mundo defendendo a proteção dos oceanos, participou de diversas expedições e mergulhou por mais de sete mil horas.

Sempre lutando pela conservação, ganhou diversos prêmios como o prêmio TED (2009), conferido a personalidades que são capazes de provocar mudanças

 

Foto: James Duncan Davidson/TED

 

Com o apoio da organização TED, Sylvia fundou a organização Mission Blue, que tem como objetivo explorar, conservar e proteger os oceanos por meio da criação de áreas protegidas, chamadas de pontos de esperança. 

 

Entrevistas e filmes

Ver Sylvia falando sobre o oceano e sobre conservação é extremamente inspirador. A luta, perseverança e esperança nos dão força para nos juntarmos à causa.

Deixo aqui algumas entrevistas e filmes com Sylvia Earle que valem a pena ver.

Entrevista para a National Geographic: aqui 

Entrevista para a Rolex: aqui

Entrevista para O Globo: aqui

Mission Blue Organização: aqui

Filme Mission Blue (Netflix): aqui

Filme Seaspiracy (Netflix): aqui

Filme Plastic Ocean (Netflix): aqui

 

Texto por: Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

 

 

A trajetória por trás das lentes: a vida e carreira de João Paulo Krajewski e Roberta Bonaldo

By gigantes da conservação

Quem nunca quis ser documentarista ou cinegrafista ao assistir um documentário de vida selvagem, que atire a primeira pedra! Estar em lugares exuberantes, com a mais diversa vida ao redor, e poder registar para tudo isso, parece sonho, mas essa é a realidade de João Paulo Krajewski e sua esposa Roberta Bonaldo.

Admirados pelo trabalho dos documentaristas, a GreenBond foi atrás do casal para uma conversa sobre a vida, trajetória e os bastidores da profissão.

 

Foto: Edson Faria Junior

Amor a primeira natureza

Nascido em Campinas, João Paulo sempre foi apaixonado pela natureza. Aos quatro anos já adorava ver programas de TV e documentários sobre o mundo selvagem. “Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer eu respondia ‘eu quero trabalhar com o  Jacques Cousteau’”, conta João. 

 

Foto: Roberta Bonaldo

 

A paixão e admiração pela biologia e pelo mar já eram evidentes e João ainda contava com o apoio e incentivo de seus pais: “eu falava para minha mãe que gostava de bichos e ela, professora de Geografia, falava para as colegas da Biologia, que me mandavam livros. Eu criancinha tinha aqueles livros mostrando abelhas, células haplóides, diplóides, um monte de coisa de zoologia e genética. Eu ficava viajando, era louco por isso”, relembra João.

Cada vez ficava mais fissurado por estar na natureza, ir atrás dos bichos, conhecer, assistir documentários. Aos 15/16 anos João começou a se interessar mais pela fotografia e andar para cima e para baixo com uma camerazinha. Sua forma de curtir a natureza passou a ser mais pela contemplação: “hoje minha grande paixão pela natureza, mesmo passando por calor, frio, algum incômodo, é quando eu estou parado ali curtindo; observar o mundo natural me fascina”, diz JP.

Roberta também cresceu no interior de São Paulo e seu maior contato com a natureza era no jardim da casa de seus pais. A área verde limitada não impediu Roberta de se apaixonar pela natureza, sendo sempre uma criança curiosa que adorava insetos e desenhos sobre a vida animal.

“Uma das minhas lembranças mais antigas desse encantamento com a biologia foi um desenho animado que eu assisti, que mostrava que as lagartas viravam borboletas. Eu fiquei em choque! Como assim, lagartas e borboletas eram o mesmo bicho?! Então fui no jardim da casa dos meus pais e peguei todas as lagartas que encontrei porque eu queria vê-las virando borboleta. Fiquei maravilhada com aquilo! Depois, fui ao meu guarda-roupas  e enchi uma das gavetas de folhas, já que eu vi no desenho que era o que elas comiam. Depois, coloquei as lagartas na gaveta e fiquei esperando, até o dia em que minha mãe foi guardar minhas roupas, abriu a gaveta e quase teve um treco!” conta Roberta, rindo.

 

Foto: João Paulo Krajewski

 

A vida acadêmica e os encontros

A paixão pela área ambiental levou João e Roberta a cursarem Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde se conheceram. E é claro que meu espírito de Maria Fifi quis saber quando foi que eles começaram a se relacionar, então  perguntei pois não sou de pedra, né?

Eis o que João e Roberta nos contaram sobre a primeira semana de aula deles na faculdade: “Na sexta-feira chega ela, sentou do meu lado e eu pensei ‘nossa menina nova e tal, sentou do meu lado’. Já fiquei super interessado, batendo papo e fui pra casa feliz da vida. Tinha feito amizade nova, conversei a manhã inteira com ela. Chegou segunda-feira eu, de novo na Unicamp, vi a Roberta. Já fui conversar, mas cheguei lá e ela não sabia quem eu era, não se lembrava de mim.” conta João enquanto Roberta cai na risada. “Fui falar com ela, ela olhou meio assim…e perguntou ‘Te conheço?’. Fiquei ‘nossa, cara, a gente conversou sexta-feira a manhã inteira!’ esse negócio de amor à primeira vista é uma baita mentira”, completa João.

Logo em seguida, Roberta se defende: “Em minha defesa, era meu primeiro dia de aula. Eu tinha conhecido muita gente, estava atordoada, era muita informação, estava perdida…” Mas um mês depois depois desse início “traumatizante”, de acordo com JP, eles já estavam namorando, muito felizes e desde então não se separaram mais.

 

 

Quando iniciou a graduação, Roberta pensou que estudaria insetos, mas começou a mergulhar com João e se encantou pela biologia marinha. Ainda na graduação, fez pesquisa de Iniciação Científica sob orientação do Prof. Ivan Sazima sobre o comportamento alimentar do peixe borboleta listrado (Chaetodon striatus) em Ilhabela.

Formados, João e Roberta fizeram Mestrado em ecologia e comportamento de peixes marinhos em Fernando de Noronha, orientados pelo Professor Ivan Sazima. João também fez o doutorado na mesma instituição, sob orientação da Prof Fosca Leite. Já Roberta fez seu doutorado na Universidade James Cook, na Austrália. sob a orientação do Prof. David Bellwood. Sua pesquisa foi sobre como os peixes-papagaios influenciam comunidades de algas e corais em recifes coralíneos.

 

Foto: Stacey Emiliou/Roberta Bonaldo em Fernando de Noronha

 

Das telinhas das câmeras para o mundo

Uma das primeiras experiências profissionais do casal para a televisão foi durante o mestrado em Fernando de Noronha. Nessa época, uma equipe do programa Terra da Gente, da EPTV Campinas, uma afiliada da Globo, foi gravar as pesquisas feitas pelo grupo do Professor Sazima, do qual João e Roberta faziam parte. “As histórias eram incríveis, peixes que mudam de cor, um que segue o outro, peixes que viram de ponta cabeça para pedir limpeza para o outro… tínhamos histórias muito bonitas”, conta João. As imagens submarinas foram  feitas por JP e Roberta, já que possuíam conhecimento de biologia, mergulho e fotografia.

A partir daí, João viu que o sonho de fazer imagens para a TV era possível. Quando Roberta foi para a Austrália, João entrou em contato com a equipe da EPTV para gravarem um Globo Repórter no país. A associação com a EPTV foi fundamental para conseguirem realizar mais trabalhos até que, em 2009, João recebeu o convite para apresentar o Domingão Aventura, um quadro do Domingão do Faustão. As imagens mostradas no programa foram do Dragão de Komodo (Varanus komodoensis) e a aceitação foi tão grande que, logo depois, João foi contratado para produzir material e apresentar o quadro.

 

Foto: Yano Sakul/Roberta Bonaldo Instagram

 

“Desse momento em diante, foi viagem atrás de viagem, ganhando conhecimento, aprendendo… foi fantástico, uma escola sem igual”, fala JP.

Em 2015 outro momento sem igual: o primeiro trabalho com a BBC. João nos conta que seu primeiro contato com a produtora foi um um festival de filmes na Inglaterra, onde contou algumas de suas histórias em Fernando de Noronha. Depois disso, ele foi chamado para trabalhar com equipe do grande diretor Miles Barton.

“A gente foi para Fernando de Noronha para gravar uma história que depois até virou trailer da série Planeta Azul II, que é a sequência de uma moreia que salta para fora da água para caçar caranguejos. Foi a primeira vez que trabalhei com a BBC; como consultor e guia da equipe. Eles fizeram a maioria das imagens, mas acabei contribuindo com algumas também. Isso foi o sonho do sonho do sonho… Um trabalho que eu amava ver, que quando eu era moleque eu achava que era coisa de outro planeta, que eu jamais chegaria lá. (…) Eu nunca pensei que conseguiria fazer qualquer imagem assim, achava que era uma realidade distante da minha, da Inglaterra. De repente, eu estava vendo imagens minhas narradas pelo Sir David Attenborough, que para mim é a figura mais querida e impressionante da minha área, que mais me inspira no mundo”, conta João.

 

Foto: Roberta Bonaldo/Fernando de Noronha

 

Figuras importantes na jornada

Durante nossa conversa, Roberta e João citaram várias pessoas queridas e que foram peças importantes na trajetória.

Roberta nos conta que seu lado de divulgadora científica foi bastante aflorado porque seu orientador, Prof. Ivan Sazima, sempre fez questão de incentivar a publicação de materiais de divulgação científica, além dos artigos científicos. Desta forma, os resultados do trabalho realizado poderia alcançar mais pessoas. Ivan acredita que tão importante quanto publicar é divulgar a ciência. João também cita o Professor Sazima como uma peça fundamental na sua formação, já que com ele desenvolveu muitas das suas habilidades de observação de comportamento animal e história natural.

Outra figura bastante importante foi o produtor Miles Barton. Roberta conta que durante as gravações em Noronha, sempre o observava trabalhando: “no campo, o Miles agia o de um cientista, um naturalista mesmo. Ele ia com um caderninho de campo, anotava, observava, era super criterioso tanto com a parte estética quanto com a parte do conteúdo, então eu enxerguei muito do que eu fazia na atividade dele.”

João conta que, na Inglaterra, Barton levou o casal para conhecer o prédio da BBC: “Foi um sonho! Miles mostrou várias salas para nós, inclusive em que o Attenborough gravou narração de muitos filmes que tenho aqui em casa e já assisti muitas dez vezes… Os nomes e os posters de todas as produções da BBC. E Miles sempre nos fez sentir um pedaço daquilo (…). Foi uma figura que mostrou ‘João você é parte disso, a gente tem um respeito por vocês’ e foi incrível.”.

O Terra da Gente não ficou de fora das citações: “o Terra da gente mostrou que eu era capaz de fazer aquilo (gravar imagens para a televisão).”, diz João.

O casal também não economizou agradecimentos à equipe do Domingão do Faustão. João trabalhou para o Domingão Aventura durante 11 anos e Roberta durante 5 anos como pesquisadora, produtora, cinegrafista e em 2018 iniciou como apresentadora do quadro.

 

Foto: João Paulo Krajewski Instagram

 

Todas essas pessoas na trajetória de João Paulo e Roberta foram muito importantes para eles se reconhecerem como profissionais, para mostrar que eles estavam no páreo e tinham capacidade de ir longe. E foram!

 

Produções a todo vapor

Os trabalhos e as oportunidades não param de surgir na vida de João e Roberta. JP já realizou várias produções com a BBC, Netflix, Animal Planet, ……. assim como Roberta que também participou na parte de making-of, produção e checagem de conteúdo científico. 

 

Algumas das produções são: 

  • Vida em Cores com David Attenborough (2021)

A série produzida pela Humble Bee Films para a BBC e Netflix conta com três episódios em que Sir David Attenborough explora como os animais utilizam suas cores. No Brasil, a série está em exibição na Netflix. Clique aqui para assistir na Netflix. Clique aqui para assistir no site da BBC One.

 

  • Vida no Azul (2020)

Série de 12 episódios produzida pela Natural History Brazil sobre a vida marinha ao redor do mundo. Os episódios mostram as particularidades de diferentes regiões dos oceanos. Em exibição no Animal Planet. Clique aqui para a página da série.

 

Foto: Roberta Bonaldo/João Paulo Instagram

 

  • Florestas Animais (2016)

Série de cinco episódios, produzida por João Paulo Krajewski, que explora as diferenças das principais regiões de florestas tropicais do mundo. A série atualmente está disponível no canal do YouTube de João Paulo Krajewski. Clique aqui para ver os episódios.

 

  • Primatas (2020)

Série produzida pela BBC de três episódios sobre primatas. Clique aqui para ir para a página oficial da série.

 

  • Sete Mundos, Um Planeta

Narrada por Sir David Attenborough e produzida pela BBC, a série mostra a enorme diversidade de vida e as peculiaridades de cada continente. Clique aqui para o trailer da serie. Clique aqui para ir para a página da série.

 

Foto: João Paulo Krajewski

 

  • Planeta Azul II/ Blue Planet II (2018)

Série de sete episódios produzida pela BBC sobre a vida marinha. João trabalhou como consultor científico e gravou algumas imagens de caranguejos, moreias e polvos em Fernando de Noronha. Clique aqui para ver a gravação.

 

  • Grandes rios da Terra (2018)

Série da BBC sobre os rios Amazonas, Nilo e Mississipi, em exibição no Animal Planet. Clique aqui para a página da série.

 

Foto: Acervo João Paulo Krajewski

 

  • Rotadores de Noronha (2016)

O documentário mostra a vida dos golfinhos rotadores de Fernando de Noronha e o trabalho de conservação realizado pelo Projeto Golfinho Rotador. Clique aqui para assistir ao documentário.

 

Um giro pelo mundo

Para que todas essas produções fossem feitas, João e Roberta passaram por muitas cidades e países diferentes. Dos mais quentes aos mais frios, João já visitou mais de 60 países enquanto Roberta está na faixa dos 40. E olha que esse número só não aumentou devido à pandemia.

 

Acervo João Paulo Krajewski

 

Com tantas experiências e lugares diferentes, fica até difícil escolher qual o país que mais gostou e qual o momento mais emocionante, mas João logo se prestou a responder: “Têm dois países que eu acho incríveis no mundo, Brasil e Indonésia. Eu acho que são dois países mais fantásticos porque é uma questão de gosto pessoal: eu gosto de floresta tropical. O Brasil tem a Mata Atlântica e a Amazônia. A Amazônia é a floresta mais impressionante, mais imponente que existe no mundo. Os rios da Amazônia deixam qualquer coisa do mundo no chinelo, não tem comparação. Você navegar num rio da Amazônia, no meio da floresta, você se sente um nada ali. Fora a fauna que é incrível, é maravilhosa”, conta João.

“A Mata Atlântica, em termos cênicos, é a floresta mais bonita do mundo. Parece que um jardineiro passou colocando cada bromélia e orquídea em um lugar especial… e os riachos são todos verdadeiras obras de arte. Eu costumo brincar dizendo quando vejo uma coisa bonita  “nossa, isso aí é mais bonito que riacho da Mata Atlântica”, completa João.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Amazônia durante a noite

 

“Na Indonésia você tem a junção de duas coisas incríveis que são as florestas…na verdade várias coisas, mas a floresta tropical como a nossa aqui, mas com espécies totalmente diferentes, como as aves do paraíso, calaus, orangotango… E a Indonésia tem ainda os recifes de corais mais ricos do mundo, o que para um biólogo marinho, como eu, é fascinante. Então, você tem um país como essas duas coisas, mais de 17 mil ilhas. Fora isso, têm vulcões, o que para nós é muito diferente. É fascinante!”. Conta João.

¨São tantos atrativos e espécies endêmicas… e a Indonésia fez parte também de uma história que eu sou fascinado, que é a do explorador Alfred Russell Wallace, que ficou anos na região. A Indonésia, inclusive, foi uma das grandes inspirações para a descoberta de Wallace, que chegou à mesma conclusão de Darwin, independentemente, sobre a evolução. É um país fascinante e as pessoas são incríveis. A gente sempre se diverte muito lá”, conta João.

“São países em que a gente se sente em casa de verdade: o Brasil, obviamente, e a Indonésia. A gente tem uma admiração pela cultura e pelo jeito do povo. As pessoas são muito queridas. Isso nos lugares em que a gente foi, porque como disse o João, são 17 mil ilhas e fica difícil generalizar… mas é muito legal”, acrescenta Roberta.

Roberta ainda inclui na lista de países preferidos a Noruega. Quando foi convidada para visitar a Noruega, Roberta achou que não gostaria da viagem, por ser extremamente friorenta. Mergulhar nas águas geladas seria um pesadelo, mas João insistiu pois eles iriam filmar orcas. E foi uma grande surpresa: “Eu pirei, aurora boreal, foi uma experiência fantástica. Tenho um carinho muito especial pelas viagens que eu fiz pra Noruega.”, conta Roberta.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Aurora Boreal na Noruega

 

O casal não abre mão de admirar o Brasil e contam que, após começarem a viajar para o exterior, perceberam ainda mais o quanto o Brasil é maravilhoso e diverso. Foi comparando com o de fora, que perceberam que o que nós temos é inigualável.

 

Momentos emocionantes

Se já não é fácil escolher o país que mais gostou, imagina escolher o momento que mais os emocionou. Chamaremos este momento de “eu poderia morrer agora e morreria feliz”.

Desta vez foi a vez de Roberta responder com prontidão: “Foi uma viagem que a gente fez para as Ilhas Salomão (…) a gente ficou numa pousada que era só nós dois de hóspedes. Em outros lugares, geralmente você vai mergulhar e têm outros barcos, outros turistas. Lá não, era só a gente, então era aquela sensação de lugar inexplorado. Eu lembro que nós dois mergulhamos com câmera. A gente caiu na água e logo nos primeiros segundos de mergulho vimos tubarão, baleia piloto, peixes maravilhosa e um recife lindo… Eu lembro que em um dado momento que eu baixei a câmera e olhei para o João, que estava com a câmera baixa também, e a gente ficou assistindo a aquele espetáculo… era tão bonito que eu pensei ‘gente, se eu morrer aqui, já está bom’… era tão bonito, que experiência maravilhosa”, conta Roberta. “E essa sensação de vastidão e de isolamento… Eu já tinha visto recifes bonitos em outros lugares, mas assim, de ser só a gente mais o piloteiro, que era uma pessoa que morava nas ilhas, foi muito especial, foi muito comovente mesmo”, completa.

 

Acervo Roberta Bonaldo/Ilhas Salomão

 

João cita a primeira vez que foi a Uganda ver os gorilas-da-montanha, quando teve alguns momentos muito marcantes. Em um deles, João acordou às 5:00 da manhã e deu de cara com um grupo de gorilas nos arredores do hotel, a menos de 200m de seu quarto: “Eu fui bem devagar e fiquei de longe, olhando. Foi um momento em que eu fiquei sozinho com os gorilas, era a mesma família que eu tinha visitado, em um tour, no dia anterior, com 19 gorilas (…) o bicho é um gigante gentil super dócil, e eu vendo sozinho aquilo foi algo comovente(…). Anos depois, quando fui a Ruanda para ver os gorilas-das-montanhas novamente, vi a maior família de gorilas que se podia visitar, na época com 32 gorilas, incluindo dois gêmeos, o que é raríssimo. E o mais incrível é que ambos os gêmeos sobreviveram, o que é mais raro ainda (…) esse grupo tinha também três silverbacks, que são os grandes machos. Teve um momento em que a gente foi num riacho e ao lado dele havia um barranco íngrime… A gente não percebeu porque tava no meio da mata, mas o grupo de gorilas havia se dividido: metade tinha ficado pra trás de nós e a outra metade estava à nossa frente.  Estávamos no meio do caminho! O jeito foi nos espremermos contra o barranco para permitir a passagem dos gorilas que estavam atrás de nós. Os bichos passaram literalmente encostando na gente, uns 6, 7 gorilas, inclusive um dos machos daqueles . Eu pus a câmera contra o peito para dar espaço. Foi incrível”, conta JP.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Gorilas em Uganda

 

Momentos emocionantes definitivamente não faltam na vida desses dois, daria para escrever um livro!

 

Perrengue chique

Pra mim, os perrengues desses dois enquadram em perrengues chique, pois acontecem enquanto eles estão fazendo trabalhos fantásticos em lugares incríveis.

João nos contou de quando estavam na Amazônia e passaram por uma tempestade de raios no meio de um rio: “Era um raio por segundo, a gente não tinha para onde ir. Navegamos em direção à pousada e uma árvore estourou do nosso lado. Uma tempestade que veio do nada, uma mega tempestade. Batia água por todo lado e raio estourando, era um por segundo, não estou exagerando”, conta João.

 

Foto: João Paulo Krajewski/Amazônia

 

“No Pantanal esse ano a gente estava filmando e um enxame de abelhas pousou do nosso lado. Foi muito tenso. Elas desceram com a rainha a uns 5 metros da gente.  A gente ficou em silêncio e saiu do local…”, diz JP.

Por sempre respeitarem os animais, o espaço deles e sempre agirem com cautela durante seus trabalhos, Roberta e João nunca tiveram grandes problemas em campo. Ainda bem, né?

 

O caminho é longo, mas a recompensa é grande

Não foi de um dia para o outro que JP e Roberta se tornaram os profissionais que são hoje; eles precisaram de muito esforço, dedicação, humildade de reconhecer que sempre precisam melhorar, coragem de ir atrás dos sonhos e muita paciência.

As amizades que fizeram pelo caminho e as pessoas que conheceram e que contribuíram de alguma forma também foram de extrema importância. O respeito pelos colegas e pelo trabalho dos outros profissionais com certeza é uma chave que abre portas para uma grande rede de compartilhamento de informação e confiança.

 

Acervo Roberta Bonaldo Instagram

 

Fazendo parte do #Bond!

Nesse ano, João Paulo e Roberta começaram a fazer parte do nosso Bond. Perguntamos a eles sobre o que estão achando de ter uma empresa especializada em comunicação e marketing dando apoio na divulgação do trabalho que realizam.

“Eu fico até me sentindo culpado por antes, porque o trabalho que eu faço é divulgar natureza, é fazer imagens. E claro, eu trabalho para documentários e isso acaba saindo na TV (…) mas eu tenho muito material guardado, com muitas histórias. Quando converso com as pessoas, elas querem saber, se encantam e aprendem… e eu percebi que muito do que eu tinha estava guardado nos meus arquivos… Eu me senti até egoísta, sabe?… E vocês (da GreenBond) falando que queriam ver, aprender, saber, ver os bichos, as histórias… aí pensei ‘puxa, fazer isso de uma maneira profissional, legal, acompanhada por gente boa, que vai colocar isso de uma maneira bonita, você está mandando uma mensagem legal para as pessoas, que é aquilo que você acredita, está deixando de ser egoísta, de prender aquilo só para você e criando uma rede de pessoas que, espero, se empolgue com isso e venha a fazer isso no futuro. Acho que hoje é um sentimento de mais do que estar na rede social ou as pessoas estarem só conhecendo meu trabalho, você de repente está criando algo maior, instigando e influenciando pessoas a seguirem um caminho parecido”, conta João.

“Hoje é fundamental a gente dividir um pouco das nossas experiências, do nosso conhecimento. É uma maneira de agradecer todo mundo. Eu trabalho para o público, seja apresentando documentários, escrevendo, fazendo imagens… E hoje na internet é, na hora que a gente publica, o mundo inteiro pode ver… e espero com isso instigar, estimular muita gente a gostar de natureza, a respeitar e conhecer um pouquinho mais da natureza”, relata João.

 

Foto: Arlaine Francisco/Roberta Bonaldo Instagram

 

Roberta ainda conta que com o apoio da GreenBond já percebeu mudanças: “O pessoal tem se engajado mais e a comunicação com as pessoas está mais frequente e direta… Então está bem legal.”, conta Roberta.

O apoio da GreenBond tem sido importante na troca de conhecimentos, no maior contato com o público e no gerenciamento de redes, principalmente quando o casal está em suas viagens. Esperamos que esta parceria seja proveitosa e duradoura!

 

Nossa admiração por João e Roberta, que já era enorme, só aumentou! Desejamos muito sucesso pra esse casal incrível e, nós aqui, aguardamos ansiosamente pelos lançamentos dos próximos trabalhos!

 

Quer conhecer mais sobre a trajetória profissional do João Paulo Krajewski e da Roberta Bonaldo?

Instagram:

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Site:

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Roberta – clique aqui

Natural History Brazil – clique aqui

YouTube:

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Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

Bond da Conservação: Neiva Guedes

By gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

 

Hoje vamos falar de uma mulher incrível que mudou a história das araras-azuis e segue lutando pela conservação das espécies. A bióloga, pesquisadora e professora Neiva Guedes!

 

Foto: João Marcos Rosa

 

Neiva Guedes nasceu no dia 10 de Dezembro de 1962, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Inicialmente, sua vontade era a de cursar medicina e ser pediatra, mas, por precisar trabalhar para ajudar sua família em casa, acabou optando por um curso noturno e optou pela biologia. O que ela não sabia era que isso mudaria para sempre toda a sua vida e a de muitas outras pessoas.

 

Amor a primeira arara 

Foi em 1987, na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que Neiva se formou bióloga. Pouco tempo depois, realizou um curso de Conservação da Natureza, no qual conheceu o amor da sua vida: a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus). 

Em entrevista concedida para o podcast “Alumnicast”, Neiva conta que, durante o curso, se deparou com uma árvore seca com um grupo de mais ou menos 30 araras e ficou maravilhada, porém, o professor deu a triste notícia de que elas estavam ameaçadas de extinção e poderiam desaparecer em pouco tempo. Neste momento a paixão e a luta pela conservação se iniciou. 

 

 

Foto: Ronaldo Francisco

 

Neiva iniciou suas pesquisas com a espécie em 1990, desenvolvendo seu mestrado intitulado “Biologia Reprodutiva da Arara-Azul (Anodorhynchus hyacinthinus) no Pantanal”. Nascia então o “Projeto Arara Azul” que hoje completa mais de 30 anos na ativa. 

Neiva foi pioneira nos estudos sobre as araras-azuis e sua reprodução e estava determinada a impedir o seu desaparecimento. Entendeu que, além do tráfico de animais silvestres, a falta a e disputa por cavidades em troncos de árvores, que é o local em que as araras fazem seus ninhos, também era um fator determinante que ameaçava a reprodução da espécie. 

 

Foto: Edson Diniz

 

O início do fim…da extinção

Em seu primeiro ano de pesquisa, Neiva cadastrou 54 ninhos de araras para serem monitorados. Andou a pé, pegou carona, andou a cavalo e de trator. Aprendeu a subir nas mais altas árvores e a andar no mato sem nenhuma referência que não fosse a própria natureza. Conversava com peões, cientistas, tomava cafezinho nas fazendas e estava sempre determinada no seu trabalho. Era a verdadeira “mulher das araras” como é chamada na região.

Empenhada em solucionar o problema dos ninhos, Neiva iniciou testes de instalação de cavidades artificiais na região habitada pelas araras e o resultado não poderia ser melhor! Essas cavidades, ou ninhos artificiais, foram aceitos pelas araras e utilizados para a reprodução. 

Por não ter carro ainda, Neiva não tinha toda a autonomia que gostaria para seu deslocamento, porém,  após apresentarem seu projeto para a Toyota, a bióloga virou piloto de teste da marca e passou a dirigir um jipe.  Agora, além de bióloga, alpinista e motorista, Neiva também era piloto de teste. 

Mesmo após finalizar o mestrado, as pesquisas de Neiva não cessaram, continuou com sua missão de aumentar a população de araras-azuis, conservar e entender mais sobre a espécie e suas relações com o meio. 

 

Foto: Cezar Correa

 

Com a união se faz a força

Além das pesquisas, monitoramentos e observações científicas, Neiva sempre contou com o apoio da população local. Vários moradores se sensibilizaram  pela causa e passaram a plantar árvores em suas propriedades, que passariam a serviriam de ninho para as araras no futuro no futuro. Além disso,  passaram a fazer questão de implementar ninhos artificiais em suas propriedades e informar sobre novos ninhos ou novidades que acontecem quando não há pesquisadores em campo. Claro que esse trabalho iniciado pela Neiva só poderia ter rendido bons frutos  ao longo dos anos . A população de araras-azuis, que era de 1.500 indivíduos nos anos 80, passou para 6.500 indivíduos em 2019! 

 

Foto: Instituto Arara Azul

 

Instituto Arara Azul

Em 2003 foi fundado o Instituto Arara Azul, uma ONG presidida por Neiva Guedes que apoia a realização de diversos projetos, inclusive o Projeto Arara Azul. 

O Instituto tem sede em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e tem como missão “Promover a conservação da biodiversidade, buscando a utilização racional dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida.” 

Clique aqui para conhecer mais sobre o Instituto e os projetos apoiados.

 

Foto: João Marcos Rosa/NITRO

Por fim…doutora

Em 2009 Neiva se torna doutora em Zoologia pela Universidade Estadual Paulista defendendo a tese intitulada   “Sucesso reprodutivo, mortalidade e crescimento de filhotes de araras azuis Anodorhynchus hyacinthinus (Aves, Psittacidae) no Pantanal, Brasil.”

 

Fotos: Instituto Arara Azul

 

A realidade é que só temos a agradecer ao universo por  Neiva ter feito biologia e se apaixonado pelas araras-azuis.

A relevância dessa mulher na conservação não está escrita! A quantidade de material inédito produzido, informações que contribuíram para a salvação da espécie da extinção, a visão de que conservação se faz com várias mãos e pensando no ambiente como um todo… Sinceramente? Acho que no dia que a ver pessoalmente, é provável que eu chore de emoção, isso sim! 

Deixamos aqui nossa admiração e agradecimento por tanto! 

 

Foto: Fernanda Fountoura

 

Gostou e quer saber mais? Deixarei para vocês alguns links que possam interessar! 

 

Instagram Neiva: instagram.com/neivaguedes_

 

Instagram Instituto Arara Azul: instagram.com/institutoararaazuloficial

 

Site Instituto Arara Azul: institutoararaazul.org.br

 

Podcast “Mulheres Na Conservação”: O amor desta bióloga pelas araras salvou uma espécie da extinção

 

 

Texto por Anna Michette 

Revisado por Fernanda Sá

Bond da conservação: Guy Marcovaldi

By gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

No blog de hoje vamos falar sobre o oceanógrafo Guy Marcovaldi foi Guy Marcovaldi, um dos fundadores do projeto Tamar.

Guy Marcovaldi. Foto: Istoe sergipe

Nascido no Rio de Janeiro em 1954, filho de pai comerciante e mãe dona de casa, Guy Marcovaldi viveu uma infância bastante agitada dividindo sua diversão entre os dias na praia e na fazenda em Belford Roxo, onde fica a indústria do pai. 

 

O amor pelo mar

Apaixonado pelo mar, não demorou para Guy Marcovaldi iniciar suas atividades no mergulho.  Aos seis anos de idade, já tinha um pé-de-pato, uma máscara e um respirador e já mergulhava para pescar siris debaixo de pedras.

Aos 15 anos realizou um curso de mergulho de garrafa pela Fundação Estudos do Mar, no Rio de Janeiro e inspirado por profissionais que atuavam na área já nessa época nasceu dentro dele a certeza de sua profissão: Oceanógrafo

 

Faculdade de oceanografia 

Decidido a estudar o mar,  Marcovaldi e seu pai fizeram várias pesquisas a fim de encontrar uma faculdade que oferecesse oceanografia e, dentre tantas opções no exterior, encontraram a Faculdade de Oceanografia de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, para a qual Guy decidiu se inscrever facilidades financeiras e por estar mais próximo da família.

Guy rapidamente se adaptou a faculdade e ao sul criando fortes laços no local. Embora não fosse um super fã dos estudos, o então estudante sabia dos rumos que aquela faculdade poderia tomar na vida e absorveu o máximo que podia.

 

Foto: Projeto Tamar

 

Viagens para mergulho

Fugindo do frio  e das tentativas mal sucedidas de mergulho no Sul, devido à baixa temperatura e turbidez da água, Guy  e seus amigos sempre aproveitavam o verão para organizar viagens para o Nordeste para ilhas onde pudessem mergulhar. O Museu Oceanográfico, aproveitando-se da oportunidade de ter jovens dispostos a realizar viagens e coletas a baixo custo, passou a incentivar financeiramente essas viagens em troca do grupo trazer conchas, moluscos, de outras praias do Brasil, para compor o acervo do Museu do Rio Grande. 

 

Máquina do Tempo Dia do Meio Ambiente, 1979. Guy Marcovaldi

Guy Marcovaldi. Foto: Tamar

 

Onde tudo começou

Em uma dessas viagens, em que o grupo estava no Atol das Rocas, os estudantes presenciaram algo que não acreditaram ser possível. Eles notaram que durante as noites os pescadores iam até a praia e ao amanhecer a areia se encontrava bem revirada e com buracos, mas não sabiam o motivo.

Ainda não era descrita a desova de tartarugas-marinhas no Brasil, então os estudantes não levantaram nenhuma hipótese relacionada a isso.

Foi quando uma das estudantes que acompanhava o grupo acordou durante a noite e surpreendeu os pescadores matando várias tartarugas na praia. 

O grupo então decidiu registrar aquele momento e foi uma das fotos, de uma tartaruga marinha com a barriga aberta cheia de ovos, uma das responsáveis pela criação do Projeto Tamar. 

Foi o primeiro registro de reprodução de tartarugas marinhas em território Brasileiro.

 

O paradeiro das fotos

As fotos foram parar na mão do Renato Petry Leal, diretor da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul que logo após veio a assumir a Divisão de Proteção à Fauna Silvestre do Instituto Brasileiro de Florestas, O IBDF.

Em uma reunião sobre as responsabilidades do Brasil como signatário da CITES, Convenção Internacional de Tráfego de Espécies ameaçadas de extinção, foi discutida a necessidade do país desenvolver um projeto na área de conservação e Renato lembrou das fotos e da necessidade de criação de projeto de conservação de tartarugas marinhas. Eis o nome dos ¨estudantes viajantes¨, foi levantado e vários membros do grupo foram convidados para trabalhar no IBAMA fazendo parte do Programa Nacional de Conservação Marinha, cujo objetivo era realizar levantamento da costa Brasileira e identificar as áreas prioritárias para conservação.

Guy e seus companheiros passaram a percorrer todos os estados brasileiros visitando litoral por litoral a fim de fazer este levantamento. 

 

O diagnóstico 

O levantamento de todo o litoral Brasiliro durou dois anos e ao terminar essa etapa, os pesquisadores fizeram um triste diagnóstico em relação a reprodução das tartarugas marinhas no Brasil, que explicava a sua inexistência na literatura embora eles e as comunidades locais soubesses de sua existência: Todas as tartarugas que chegavam ao Brasil para reproduzir ou eram mortas ou seus ovos eram coletados. 

A reprodução no Brasil estava interrompida pela ação do homem e era necessário proteger as praias para fazer com que ficassem seguras para as tartarugas se reproduzirem.

 

O projeto Tamar

O projeto Tamar foi criado em 1980 com foco na proteção de tartarugas marinhas e tornou-se referência mundial e sem dúvidas é uma inspiração para todos os conservacionistas do Brasil.

 

Tamar completa 40 anos na conservação de espécies de tartaruga marinha na  costa brasileira | Agência Petrobras

Foto: Projeto Tamar

 

O principais parceiros do Tamar: A comunidade

Após obter um diagnóstico tão duro em relação às tartarugas-marinhas no litoral Brasileiro, foi percebido que proteger apenas as áreas não seria suficiente. Era preciso aliar-se às pessoas e às comunidades locais. Os moradores que mais coletavam ovos, foram convidados para integrar a equipe do projeto e com isso, além de deixarem de ser predadores para as espécies, passaram a ser importantes fontes de conhecimento e ajuda na conservação.

Hoje o Tamar tem mais de mil funcionários e a maioria é morador das comunidades costeiras onde tem bases do Tamar. Essa parte social também foi um dos pilares do projeto.

“Um programa de natureza não se constrói sem dedicação. O maior resultado do Tamar é a recuperação de cinco espécies de tartarugas e a confiança que elas depositam em nós. No início, elas fugiam, hoje, elas confiam na gente”, disse Marcovaldi, em seu discurso.

 

Itapuã, Brasil: um estudo de caso para engajamento urbano na conservação de  tartarugas

Foto: Projeto Tamar

 

E ai? Também ficou encantado com a história do Guy Marcovaldi e com um pedacinho da história do Tamar? Falar sobre o Tamar em si já é assunto para outro blog, porque haja história linda.

 

Parabéns por essa garra e por esse lindo trabalho Guy! Nosso planeta agradece e nossos corações também!

 

Texto por Fernanda Sá

Informações extraídas do Museu da pessoa e O Eco 

Bond da conservação: Peter Crawshaw

By gigantes da conservação, Personagens da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

 

Hoje vamos conversar sobre uma das maiores inspirações para quem trabalha com mamíferos e conservação no Brasil. Vamos falar sobre Peter Crawshaw.

Peter formou-se em Ciências Biológicas no ano de 1977 pela Unisinos (RS), onde fez estágio em um zoológico – neste estágio já tinha grande admiração pelos felinos do local. Fez mestrado e doutorado pela Universidade da Flórida. Trabalhou no IBDF, no IBAMA e aposentou em 2012, como analista ambiental do Cenap, centro especializado do ICMBio. Atualmente continua participando de projetos de conservação de felinos e mora em Passo de Torres, SC.

 

Resultado de imagem para peter crawshaw

Peter Crawshaw no programa do Jô.

 

O história por trás da história

Nascido no Sudeste de São Paulo, no município de São Vicente, Petter teve seu primeiro contato com a fauna devido às atividades de caça exercidas pelo pai e seu grupo de amigos. As caças eram diversas, variando desde catetos, queixadas e até muriquis.
Petter conta que em uma das caçadas do grupo, uma fêmea de muriqui foi morta, deixando um filhote órfão. O pai de Peter acabou levando o filhote para casa, que permaneceu com a família até uma morte prematura, possivelmente por causas alimentares.

Com 10 anos de idade, o menino passou também a caçar, mas o que mais o encantava, eram as atividades que rodeavam a prática, como acampar.

 

Trajetória

Com o tempo, toda a família foi deixando esse hábito para trás.

Em 1966 eles se mudaram para o Rio Grande do Sul, onde tiveram, por dois anos, uma vida bem rural. Após esse período mudaram-se para Porto Alegre, onde Petter cursou a faculdade.

Um pouco antes de se formar, recebeu uma carta de uma amiga que falava que George Schaller, estava indo ao Brasil e que estava procurando uma área para estudar onças-pintadas no Pantanal. George é um importante zoólogo, pioneiro no estudo em campo de várias espécies carismáticas como tigre-asiático, leão, leopardo-das-neves, gorila-das-montanhas, dentre outros. 

Peter enviou uma carta a George falando do seu interesse em trabalhar com ele. Se conheceram em Brasília, onde George fez um convite para que Petter o visitasse no Pantanal. Petter não perdeu a oportunidade e fez uma proveitosa visita de 10 dias que incluiu muito campo e estreitamento de laços. Em janeiro de 1977 foi contratado para iniciar o trabalho com Geroge. Desde 1978, mediante um convênio entre o IBDF e a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), o projeto no Pantanal contou com a participação de Peter Crawshaw.

Quando George e Peter chegaram ao Pantanal, acompanharam indiretamente a população de onças moradoras da fazenda de estudo através de rastros.

O objetivo era colocar colares de monitoramento, aparelho recente, testado até então, somente com urso-pardo e puma-americano nos Estados Unidos. Mas ainda, nunca tinham conseguido pegar as onças com armadilha, para colocar o colar.

Com isso, o projeto contratou outro pesquisador, que tinha experiência com armadilhas e eles conseguiram capturar uma fêmea de onça-pintada em uma fazenda vizinha.

Ao total, duas fêmeas de onças-pintadas e também um macho de onça-parda foram marcados entre abril de 1977 e maio de 1978.

Até que, em julho de 1978, o trabalho no local foi interrompido, quando empregados da fazenda, por ordem do administrador do local, devido a conflitos econômicos/culturais e predação de gado, matou duas onças do local de estudo que ainda não haviam sido marcadas.

Em 1980, conseguiram uma nova área de estudo de onças no Pantanal, retomando as pesquisas. Neste ano, George foi para a China estudar o panda-gigante e o biólogo americano Howard Quigley veio, ficando com Peter até 1984, quando finalizaram o estudo. Entre 1980 e 1984, sete onças foram monitoradas.

Desde 1978, através de um convênio entre o IBDF e a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), o projeto no Pantanal contou com a participação de Peter. 

Da esquerda para a direita: George Schaller, Peter Crawshaw e Ana Rafaela D’Amico, em expedição no rio Roosevelt, em 2015. Foto: Arquivo Pessoal George Schaller – Oeco

Uma lenda vida

Há mais de 30 anos Peter Crawshaw é uma referência, na verdade uma lenda, em trabalhos com onças no Brasil, 

Foi ele o responsável pela primeira foto já feita no mundo todo de uma onça-pintada em armadilha fotográfica.

 

Nenhuma descrição de foto disponível.

primeira foto já feita no mundo todo de uma onça-pintada em armadilha fotográfica.

 

Esta foto histórica marca a trajetória de uma vida dedicada à conservação de felinos.

Petter também foi o responsável por capturar a primeira onça no Parque Nacional do Iguaçu, fez os primeiros estudos na região e  criou o projeto Carnívoros do Iguaçu. Hoje ele ajuda na elaboração de um planejamento estratégico para cinco anos do Projeto Onças do Iguaçu.

 

Petter é uma referência na consolidação da pesquisa e conservação de carnívoros no Brasil! Só temos a agradecer, por todas as suas contribuições. 

Bond da conservação: José Márcio Ayres

By gigantes da conservação

 

Ano novo, vida nova e novos personagens da conservação para vocês!

 

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

 

O blog de hoje é sobre José Márcio Ayres, um grande biólogo que uniu duas grandes missões em sua vida. A conservação da Floresta Amazônica e o desenvolvimento sustentável das comunidades que nela habitam.

José com o macaco Uacari nas costas. Fonte: Internet

José Márcio Ayres

 

Brasileiro, nascido em 21 de fevereiro de 1954, José Marcio se formou pela Universidade de São Paulo (USP) em 1976  em Ciências Biológicas. Realizou seu mestrado em 1981,no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) com ênfase em primatologia e se tornou doutor em Ecologia de Florestas Tropicais em 1986 pela universidade de Cambridge. 

 

Sua história com a conservação e com o desenvolvimento sustentável na Amazônia.

 

Muito mais do que dedicado somente às questões relacionadas à biologia em si, Ayres demonstrou profunda dedicação e preocupação  com o bem-estar das comunidades da Amazônia.

Fonte: Internet

Em 1996, Jose Márcio, preocupado com o desmatamento ilegal e a pesca intensiva que estavam ocorrendo na reserva ecológica de Mamirauá, na Floresta Amazônica, através de suas ações, conseguiu estabelecer, numa área de 2.600 km², uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável – a primeira desse tipo na América do Sul.

 

Em maio de 1999, Ayres, junto com outros ambientalistas e pesquisadores, fundaram o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). Uma Organização Social fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que desenvolve há mais de 20 anos programas de pesquisa, manejo e assessoria técnica nas áreas das Reservas Mamirauá e Amanã, na região do Médio Solimões, Estado do Amazonas. 

 

Essas duas reservas juntas totalizam  5,7 milhões de hectares, se tornando a maior área florestal protegida do mundo. Por intermédio de convênios com o Governo do Estado do Amazonas, o Instituto Mamirauá apóia a gestão destas reservas.

Foto: internet

 Ayres lutou pela implementação de métodos conservacionistas que incentivassem as populações locais a permanecer em suas terras na região amazônica, em vez de procurar emprego nas metrópoles brasileiras. Defendendo uma gestão responsável dos recursos naturais da região por meio do ecoturismo e de outros programas, ele contribuiu para que os povos nativos obtivessem um meio de sustento. 

 

Uma breve mais linda história

 

O jovem José Márcio Ayres, faleceu aos 49 anos e dedicou toda a sua vida (cerca de 30 anos), ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. 

Como forma de homenagear sua breve mas tão produtiva história, em 2008 foi inaugurado o memorial Márcio Ayres na sede da IDSM, em Tefé. Lá você encontra fotos, livros, equipamentos, a vida e a cronologia detalhadas de José Márcio Ayres. Também é possível encontrar grande parte do material que se encontra no museu disponível no site do IDSM.

 

José navegando pelos rios da Amazônia. Foto: Luiz Cláudio Marigo

 

Prêmio

O exímio trabalho desenvolvido pelo pesquisador rendeu-lhe o Prêmio Rolex de empreendedorismo. Um projeto que apoia indivíduos com projetos inovadores que visam melhorar a vida do nosso planeta, expandir conhecimento, solucionar novos desafios ou preservar o patrimônio cultural, ou social para as gerações futuras.

As verbas recebidas foram utilizadas na ampliação do projeto Mamirauá para a reserva vizinha de Amanã, criando a maior área protegida do mundo dentro de uma floresta tropical.

 

Que sua história seja honrada e continue gerando frutos por muitas  e muitas gerações! 

 

Texto por: Fernanda Sá

Gigantes de conservação: Jane Goodall

By gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar de uma das principais primatólogas do mundo. Inspiração com profissional e como mulher. Jane Goodall.

 

20 Questions with Dr. Jane Goodall : Never Apart

Fonte: neverapart.com

 

No mundo da primatologia, com certeza ela é a grande estrela.  

Jane Goodall, a primatologista que mudou o conhecimento humano sobre os chimpanzés, com certeza é inspiração e exemplo de coragem e dedicação.

 

A garra e determinação de uma guerreira

Nascida em 3 de abril de 1934, a britânica Valerie Jane Morris-Goodall, sempre teve um sonho: Conhecer a África. Jane se matriculou em um curso de secretariado e com o dinheiro que economizou de seus empregos e, em 1960, comprou uma passagem para o Quênia.

Logo em sua chegada, Jane foi então contratada para ser secretária de um famoso paleontólogo, Louis Leakey e, por ser profundamente interessada nas pesquisas sobre os Homo sapiens que o mesmo desenvolvia, chamou atenção do pesquisador. Leakey então tomou uma importante decisão que iria mudar  não somente a vida de Jane mas os conhecimentos sobre a primatologia no mundo. 

Ainda no  mesmo ano da chegada de Jane na África, Leakey a enviou para uma expedição no Gombe Stream National Park, Tanzânia, e se tornou mentor em uma pesquisa revolucionária com chimpanzés. 

 

Fonte: nationalgeographic.org

 

Importantes descobertas sobre os chimpanzés

 

Jane se mostrou extremamente habilidosa e dedicada com sua pesquisa e, mesmo sem formação na área, fez importantes descobertas sobre os chimpanzés do Parque Nacional de Gombe:

  • Descobriu que, contrariando a ideia de que os chimpanzés eram vegetarianos, eles se alimentavam de carne;
  • Descobriu a capacidade da espécie do uso de ferramentas;
  • Descobriu que os chimpanzés podem cometer canibalismo;
  • Dentre várias outras observações sobre o comportamento e ecologia da espécie

 

Fonte: britannica.com

 

 

De uma pesquisadora sem diploma a doutora na Universidade de Cambridge

Como reconhecimento da excelente pesquisadora que era, Jane foi aceita no programa de doutorado da Universidade de Cambridge, se tornando posteriormente PhD em etologia (ciência que estuda o comportamento animal).
Claro que mesmo com todo esse primoroso esforço e trabalho, por ser jovem e ser mulher, Jane não foi bem aceita pela comunidade científica, o que lhe custou muito preconceito e descrenças.

 

Pesquisadora da National Geographic

Jane foi financiada por muitos anos  pela National Geographic e, apesar de não gostar de divulgação, em sua estadia no parque nacional de Gombe, a cientista recebeu um fotógrafo  da marca para acompanhá-la. Fotógrafo esse que veio a se tornar seu marido, mais tarde.

 

Fonte: nationalgeographic.org

 

Não somente pesquisadora, ativista ambiental 

Em 1977, Jane fundou o Jane Goodall Institute, dando continuidade à sua pesquisa sobre chimpanzés e levantando a pauta da proteção animal e conservação ambiental.

Jane também inaugurou a Roots & Shoots is Founded, uma instituição que tem como objetivo auxiliar jovens na Tanzânia a criarem soluções para os problemas ambientais enfrentados pelo país.  

Em 2004, Jane Goodall foi nomeada Mensageira da Paz pelas Nações Unidas.

 

Fonte: britannica.com

 

O que temos a dizer a você Jane? Você é pura inspiração! Continue brilhando!

Bonde da conservação: Suzana Padua

By gigantes da conservação

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

 

Hoje vamos falar de uma mulher incrível que é referência nacional e internacional na área da Educação Ambiental: Suzana Machado Padua. 

 

Mulheres de ImPACTO - Suzana Padua - Blog do IPÊ

Foto: Blog do IPE

 

Doutora em desenvolvimento sustentável e mestra em educação ambiental, Suzana é uma das fundadora do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas onde atualmente é presidente. 

 

A história por trás dessa grande pesquisadora 

Suzana Padua desenvolveu o seu amor pela natureza cedo. Filha de pai caçador, ficava intrigada e incomodada com as razões que o leva a exercer tal atividade. Tantos questionamentos a fizeram gostar e se importar com a natureza e com o que nós, humanos, estamos fazemos como ela. ¨ Nós, brasileiros, temos um patrimônio natural inigualável e precisamos acordar para a riqueza que herdamos antes de nos tornarmos pobres ou mesmo órfãos desse legado¨ Suzana Padua.

 A história de Suzana com a educação ambiental não foi planejada. Ao acompanhar seu marido, Claudio Padua, na coleta de seus dados de doutorado, cujo foco era o mico-leão preto,  espécie endêmica de São Paulo, Suzana acabou convivendo intensamente com a comunidade de Pontal do Paranapanema e notou uma falta de sensibilidade e valor associado à natureza pelos moradores. 

Disposta a mudar essa perspectiva, Susana iniciou um trabalho de educação ambiental com a comunidade com o objetivo de sensibilizar as pessoas e torná-las aliadas na árdua missão de conservação da rica fauna e flora local, principalmente destacando a importância de se preservar as espécies endêmicas da região.   

Esse foi o início de uma linda história de amor com a educação ambiental que não parou nunca mais. 

Quando perguntada em uma entrevista concedida para a Revista EA sobre o que é Educação Ambiental e sua importância, Suzana respondeu: ¨celebração da vida – Estamos acostumados a nos colocar no centro de todas as decisões e assim nos posicionamos como a espécie que merece destaque sobre todas as demais que habitam nosso planeta. A educação ambiental pode inspirar o respeito e essa admiração profunda pelas maravilhas que existem na natureza, inclusive em outros seres humanos que nem sempre são tão considerados por nossa sociedade como merecedores de atenção. Por isso, a educação ambiental trata do socioambiental de uma maneira indissociável, integrada, propiciando um ambiente harmônica para gente e natureza ¨.

 

Claudio e Suzana: marido e mulher em prol da natureza. Foto: Claudio Rossi

 

Carreira profissional

Suzana Padua criou e coordenou por três anos, um programa de educação ambiental no Pontal do Paranapanema (SP) e desenvolve diversas pesquisas na área de educação ambiental. Como resultado de seu trabalho, publicou diversos trabalhos no Brasil e no exterior. 

Ministra cursos para professores e profissionais de diversos campos de interesse e ajudou a construir o centro educacional do IPÊ, na qual é presidente e que hoje congrega cursos livres, Mestrado e MBA, na Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade – ESCAS. Suzana é fellow Ashoka, líder Avina e empreendedora socioambiental da Folha de São Paulo. 

 

Líder de ONG quer construir campus para semear sustentabilidade

Foto: Catraca Livre

 

Premiações

Como era de se esperar, Suzana recebeu prêmios nacionais e internacionais pelo seu excelente trabalho. Alguns deles são , o Prêmio Claudia, em 2002, Prêmio Mulheres mais Influentes do Brasil pela Forbes, Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil, em 2005, o Prêmio Ford Motor Company de Conservação Ambiental, em 2006,  Prêmio Empreendedores Sociais da Folha de São Paulo e Fundação Schwab, em 2009.

 

Suzana, agradecemos imensamente pelos seus serviços prestados a natureza e a humanidade e que seu trabalho gere ainda mais frutos positivos!