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Cientistas afirmam: contato com a natureza pode evitar depressão e estresse

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Contato com áreas naturais reduz as chances de desenvolver ansiedade, depressão e estresse – Foto: Pixabay

Pesquisas comprovam que o contato com a natureza traz benefícios para a saúde. Praticar atividades ao ar livre, em lugares afastados de centros urbanos, reduzem as chances de desenvolver ansiedade, depressão, estresse, previnem contra doenças cardíacas e precisam ser incorporadas na rotina das pessoas como forma de tratamento preventivo.

Uma pesquisa da Universidade de Chiba, no Japão, reuniu 168 voluntários, colocou metade para passear em florestas e o grupo restante para andar em centros urbanos. As pessoas que tiveram contato com a natureza mostraram, em média, uma diminuição de 16% no cortisol (hormônio do estresse), 4% na frequência cardíaca e 2% na pressão arterial.

Segundo Mário Negrão, neurologista e psicoterapeuta cognitivo, é possível notar uma melhora significativa no aparelho digestivo, nas alergias e na resistência a bactérias e infecções. Porém, o mais importante é a sensação de bem-estar.

A agitação dos grandes centros urbanos prejudica a saúde física e mental. As poluições sonora, visual e atmosférica somadas ao enclausuramento do dia a dia contribuem com o desencadeamento de problemas pulmonares, cardíacos e emocionais.  “Quando você coloca um indivíduo em uma cidade sem muita natureza, você está colocando-o em um ecossistema hostil, onde tudo que o rodeia é artificial. É comprovado que isso gera um impacto imenso na saúde”, relata Negrão.

Na Austrália, um estudo produzido na Universidade Deakin mostra que a natureza oferece momentos de liberdade e relaxamento às pessoas, possui um impacto positivo no estado mental dos indivíduos e reduzir sintomas de ansiedade e depressão.

Fotografia é um dos hobbies mais buscados por amantes da natureza.

Na Holanda, pesquisadores do Centro Médico Universitário de Amsterdã constataram que pessoas que vivem próximas da natureza reduzem em 21% as chances de desenvolverem depressão. Os benefícios também envolvem melhora na qualidade do sono, no desenvolvimento cognitivo, na imunidade, nos problemas cardíacos e pulmonares, além de uma redução na ansiedade, na tensão muscular e na possibilidade de desenvolver doenças como obesidade e diabetes.

Para Teresa Magro, doutora em Ciências Florestais e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a sensação de bem-estar também está relacionada ao que fazemos no ambiente natural. “Só o fato de olhar uma paisagem, fazer um passeio em um parque ou em uma área com menos barulho, já nos dá uma sensação de relaxamento”, afirma.

“Os benefícios fornecidos pela natureza – como ar puro, água, regulação microclimática, redução de partículas poluentes, relaxamento mental e físico, entre outros – e sua conexão com a saúde das pessoas devem ser vistos pela sociedade e pelo poder público como uma prioridade. Ter espaços verdes acessíveis e bem cuidados próximos da população estimula a visitação e a prática de atividades, o que resulta em indivíduos mais relaxados e produtivos”, completa a gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Leide Takahashi.

Saltos do Rio PReto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - Foto: Fábio Paschoal

Saltos do Rio PReto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Foto: Fábio Paschoal

GreenBond a empresa que arrecada recursos para projetos de conservação

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Gustavo (na frente) e Diego (atrás), fundadores da GreenBond, no Pantanal – Foto: Gustavo Figueiroa

Fundada por um veterinário especialista em marketing digital e um biólogo conservacionista, a GreenBond é uma empresa de impacto socioambiental que usa estratégias de comunicação para captar recursos para projetos de conservação através de leis de incentivo, produções de eventos e campanhas de crowdfunding. “O grande diferencial da GreenBond é selecionar projetos de conservação de acordo com as metodologias mais utilizadas em relação à governança, transparência, e credibilidade das Ongs” diz Diego Rugno Arruda, o veterinário especialista em marketing digital.

A equipe da GreenBond analisa os projetos de conservação, monta e executa estratégias para otimizar a captação de recursos e busca possíveis apoiadores que se identificam com as instituições. “Quando entendemos como a Ong funciona e qual o trabalho que ela executa, conseguimos fazer um “match” para o tipo de pessoa física ou o tipo de pessoa jurídica mais adequada”, diz Diego.

“Um dos nossos objetivos é fomentar uma lei que permita abater impostos para financiar projetos de conservação. Uma Lei Rouanet para a área ambiental”, diz Gustavo Figueiroa, o biólogo conservacionista. “Nós queremos estimular um ambiente onde as pessoas tenham vontade de trabalhar pela conservação, tanto pela paixão quanto pela remuneração.”

Para conseguir arrecadar recursos para projetos de conservação, a GreenBond trabalha em diferentes frentes:

  • Estabelecimento de uma estratégia de comunicação (com enfoque em mídias sociais), específica para cada projeto, com o objetivo de criar uma relação mais próxima entre pessoas, empresas, governo e Ongs e estimular parcerias entre o setor privado e o terceiro setor.
  • Produção e promoção de produtos e eventos que voltem recursos para a conservação
  • Criação de campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding) que promovam causas ambientais

A ideia é que a GreenBond se torne uma referência no mundo da conservação da biodiversidade. “A gente deseja criar uma boa relação com as empresas para que elas percebam que vale a pena investir no meio ambiente. Hoje os consumidores estão cada vez mais ávidos por consumir produtos sustentáveis e arrecadar recursos pra esses projetos via marketing de causa é algo muito interessante e ainda pouco explorado no Brasil”, diz Diego.

Uma perspectiva pessoal

Meu primeiro contato com a GreenBond foi no Pantanal, o lugar que mais amo nesse planeta e onde conheci Diego e Gustavo. Eu estava guiando um grupo do Onçafari, o primeiro cliente da empresa. Eles estavam produzindo conteúdo e conhecendo a equipe do projeto.

Por uma feliz coincidência fui escalado para guiá-los durante um dia na maior planície inundável do mundo. Conversamos um pouco e percebi que compartilhávamos a mesma paixão pela conservação e a mesma vontade de fazer a diferença por um mundo mais sustentável.

Eu (à esquerda, fora do carro) no dia que conheci o Diego (à direita, sem chapéu ou boné) e o Gustavo (autor da foto)

Sou biólogo e jornalista e fui repórter e editor de National Geographic Brasil por 5 anos. A conservação sempre fez parte do meu trabalho, mas desde que saí da revista essa pauta andava afastada da minha vida. Assim que voltei pra São Paulo me encontrei com o Diego e o Gustavo e, após uma rápida reunião, me juntei ao Bond.

Hoje meu coração bate mais forte porque eu respiro conservação todos os dias. Faço produção de conteúdo, com enfoque nos blogs dos nossos clientes, e sinto que cada linha que eu escrevo é cheia de significado. O trabalho e o prazer estão juntos novamente porque eu tenho a certeza de que a Greenbond faz a diferença para a construção de um mundo melhor.

Saltos do Rio PReto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - Foto: Fábio Paschoal

5 atrações imperdíveis na Chapada dos Veadeiros

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Se você gosta de cachoeiras, belas paisagens e contato próximo com a natureza, a Chapada dos Veadeiros certamente vai te conquistar. Localizada em Goiás, abrange vários municípios. Muitos atrativos ficam em propriedades privadas espalhadas por Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e São Jorge, mas o Parque Nacional também oferece diversos passeios com a vantagem de ter entrada gratuita. O clima da região é bem definido: a temporada de seca vai de maio até setembro e a de chuvas de outubro até abril.

O lugar é um dos principais destinos turísticos de Goiás, tem muitas opções de passeios e é difícil saber por onde começar. Por isso, fizemos uma lista com 5 atrações imperdíveis na Chapada dos Veadeiros para facilitar a sua vida:

Cachoeira Santa Bárbara, Comunidade Kalunga do Engenho II, Cavalcante, Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

1. Cachoeira Santa Bárbara

A cachoeira mais bonita da Chapada dos Veadeiros ganhou fama devido suas águas em tons de azuis e verdes que lembram o mar do Caribe. A queda de 35 metros deságua em um poço excelente para banho e, quando o sol bate na água, as cores se transformam e o lugar parece mágico. A atração fica no Povoado Kalunga do Engenho II, em Cavalcante e é administrada pelos próprios kalungas, povo descendente de quilombolas que vive na região.

A entrada custa R$ 20 (o preço de todas as atrações desse post foram checadas em janeiro de 2019) e dá acesso às cachoeiras Santa Bárbara, Santa Barbarinha e Capivara. Há um limite de 300 pessoas por dia. É obrigatório contratar um guia da comunidade que cobra a diária de R$ 100 por grupo, mas se você estiver sozinho é possível montar um grupo com quem estiver na fila. Também é preciso pagar pelo transporte (pau de arara) que te leva da sede da comunidade até a entrada da trilha (R$ 10 por pessoa ida e volta).

 

Cachoeira do Carrossel no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás - Foto: Fábio Paschoal

Cachoeira do Carrossel no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

 

2. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Com 240.611 hectares de Cerrado, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 2001. Há a possibilidade de fazer quatro trilhas com diferentes níveis de dificuldade:

  • Travessia das Sete Quedas: dura de 2 a 3 dias. Nível: muito pesada (é necessário fazer agendamento e pagar uma taxa pelo pernoite)
  • Trilha dos Saltos, Carrossel e Corredeiras: 11 km ida e volta ou 12 km passando pelo mirante e poço do Carrossel. Nível: Pesado (se for só o trecho das corredeiras o nível é moderado)
  • Trilha dos Cânions e Cariocas: 12 km ida e volta. Nível: moderado superior
  • Trilha da Seriema (800m ida e volta, ideal para quem quer levar crianças).

Cachoeira das Cariocas, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

O Parque é aberto à visitação todos os dias e conta com trilhas bem sinalizadas, com setas coloridas pintadas nas rochas, e não é necessário guia. Porém, às segundas-feiras só aceita grupos acompanhados por condutores com exceção dos meses de janeiro e julho, quando visitas sem condutores são permitidas todos os dias. O acesso é pelo distrito de São Jorge e funciona das 8h até as 18h, mas a entrada acontece só até às 12h. Para enriquecer a experiência dos visitantes e manejar os impactos sobre os ecossistemas, a visitação é limitada por trilha. A capacidade total é de 810 pessoas por dia.

O estacionamento custa R$ 15 por veículo e a entrada é gratuita. Mas fique de olho porque um contrato de concessão do Parque foi assinado em 18 de dezembro de 2018 com as empresas Parquetur Participações e Socicam Terminais Rodoviários e Representações. O ICMBio continuará fazendo parte da administração, mas é possível que a entrada passe a ser cobrada.

Mirante da Janela com visão dos Saltos do Rio Preto no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Foto: Fábio Paschoal

3. Mirante da Janela

Um dos atrativos mais famosos da Chapada dos Veadeiros é o Mirante da Janela, um lugar em que as pedras formam uma moldura para os Saltos do Rio Negro. É o típico local em que todo o mundo quer ser fotografado. Durante férias e feriados prolongados uma fila se forma no lugar. Comecei a trilha às 8h e não tinha ninguém quando cheguei lá. Mas quando saí, a fila já começava a se formar.

A trilha tem 8 km de extensão (ida e volta) e não é muito bem sinalizada. A contratação de guia não é obrigatória, mas é recomendada. O trajeto começa com uma descida íngreme, passa pela Cachoeira do Abismo, que só tem água (incluindo um poço para banho) durante a temporada de chuvas. Depois você passa por um vale e começa a subir. No final não tem nenhuma indicação de como chegar até a janela e sem guia pode ser um pouco mais difícil de encontrar o lugar.

O acesso é por São Jorge. Placas indicam como chegar até o estacionamento e a entrada da trilha. No começo parece meio estranho porque não tem ninguém para cobrar estacionamento nem a entrada na trilha, mas após andar por mais ou menos 1 km chega-se na portaria onde você paga R$ 15 por pessoa para continuar. Fique atento com o horário. Após às 15h não é mais permitido fazer a trilha.

Vale da Lua, na estrada entre São Jorge e Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, Goiás – Foto: Fábio Paschoal

4. Vale da Lua

O Vale da Lua é um lugar diferente de qualquer cachoeira da Chapada dos Veadeiros. A rocha sedimentar de cor cinza é composta principalmente por carbonato que é dissolvido pelas águas do rio São Miguel formando crateras, túneis e superfícies irregulares que fazem lembrar o solo lunar. Piscinas naturais para banho permitem um mergulho refrescante nessa paisagem surreal.

Muita gente se decepciona devido ao tamanho do Vale da Lua. Então é importante saber que são apenas 400 metros com esse cenário de outro planeta. Outra informação essencial: é a segunda atração mais visitada da Chapada dos Veadeiros, perdendo somente para o Parque Nacional. Então chegue bem cedo ou no finalzinho da tarde em dias de grande fluxo, como férias e feriados prolongados.

O acesso fica a 9 km de São Jorge na estrada GO-239 em direção a Alto Paraíso de Goiás (uma grande placa indica a estrada de terra que leva à atração). Fica aberto das 7h30 até Às 17h30, o ingresso custa R$ 20 e não necessita de guia para percorrer a trilha de 600m. Como o passeio é curto, normalmente é combinado com outras atrações próximas, como a Fazenda São Bento (Cachoeiras Almécegas I, II e São Bento), Cachoeira dos Cristais ou Cachoeira dos Loquinhas.

Jardim de Maytrea na estrada entre São Jorge e Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros – Foto: Fábio Paschoal

5. Jardim de Maytrea e matula no Rancho do Waldomiro

Após um dia de passeio, se você estiver voltando de São Jorge para Alto Paraíso pela estrada GO-239 ou vice-versa, vale a pena parar no Jardim de Maytrea e ver o pôr do sol. O lugar é visível somente da estrada e é um pouco difícil achar um lugar para estacionar (tem um puxadinho improvisado onde é possível parar o carro e tirar uma foto).

Antes disso, passe no Rancho do Waldomiro, também na mesma estrada, para provar a matula, que não é sinônimo de marmita em Goiás. Trata-se de um tutu feito de feijão-branco ou mulatinho com pimenta-verde, alho, pedaços de linguiça e carne de sol de lata curada em banha de porco, engrossado com farinha de mandioca. A receita teve origem nas viagens que tocadores de gado faziam pelo interior do estado entre o fim do século 19 e o início do 20. No restaurante simples do seu Waldomiro, um dos poucos que ainda servem a receita, a matula é acompanhada por mandioca frita, abóbora, paçoca, arroz, além de pedaços das carnes que entram no preparo do feijão.