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Datas comemorativas

Medicina Veterinária além dos animais

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Médicos veterinários atuam em diversas áreas e enganam-se aqueles que pensam que os trabalhos se restringem a consultórios, zoológicos ou fazendas atendendo a animais. Na realidade, veterinários atuam, inclusive, na saúde humana e ambiental, como no controle de zoonoses, por exemplo.

Hoje, nesse dia do veterinário, queremos mostrar o quão diversa pode ser essa profissão e, ninguém melhor para isso do que nosso co-fundador e médico veterinário, Diego Arruda.

 

Foto: Diego Arruda

 

Medicina veterinária, empreendedorismo, marketing, comunicação e consultoria. Estas são apenas algumas das áreas que Diego atua e concilia harmoniosamente, tendo como eixo central, a conservação da biodiversidade.

Não é de agora que Di tem essa paixão pelos animais. Desde sempre foi fissurado pelos bichos e já tinha em sua cabeça de menino, que era com eles que queria trabalhar. Sempre teve muito contato com a natureza e viajava bastante para o interior nas férias, onde tinha muita conexão com cavalos. Devido a isso, entrou na faculdade pensando em trabalhar com estes animais. 

Para sua surpresa, a visão que Diego tinha sobre o que era trabalhar com cavalos era bastante diferente do que lhe foi apresentado na prática e jovem estudante e acabou se encontrando na nutrição. Ainda no segundo período da faculdade, entrou na Iniciação Científica nesta área e permaneceu nela até o último ano do curso. 

 

A nutrição e o Marketing

Di conseguiu uma oportunidade muito boa para estagiar na Tortuga, atual DSM Nutrição e Saúde Animal, que era a maior empresa de nutrição de animais de produção do Brasil, onde trabalhava no setor de marketing técnico e atendimento técnico ao cliente.

Foi naquele estágio que a veia do marketing surgiu na vida do nosso veterinário. Di participou de campanhas, criação de pesquisas de mercado, reuniões e criou o programa “Tortuga Universitário” em que recrutava novos talentos e divulgava a empresa, já que em São Paulo a área de produção não era tão acentuada quanto a clínica de pequenos. Lá dentro cresceu, aprendeu e permaneceu até o estágio obrigatório. A visão de poder trabalhar com o marketing no futuro ainda não era muito clara para Di, mas a experiência que ganhou em seu trabalho, tornou o marketing parte de sua essência. 

 

Nem só de marketing vive um homem

No período em que estagiava na Tortuga, Di aproveitava as férias e oportunidades que surgiam para fazer estágios em clínicas de ruminantes, trabalhar com gado de leite em fazendas, mais focado na produção. A clínica de pequenos animais nunca o atraiu muito, apesar de amar cães e gatos. 

Foto: Diego Arruda 

E chega ao fim do estágio obrigatório

Diego estava realmente muito bem adaptado ao seu estágio, porém não podia continuar por mais de três anos na mesma empresa e então teve que sair da sua zona de conforto e finalizar seus últimos três meses de estágio obrigatório em outro local.

Na época, Di já conhecia Carolina Lorieri, sua atual parceira de trabalho na Conservare Consultoria. Carol trabalhava com animais silvestres e movido pela curiosidade, Di foi estagiar no zoológico e acabou se apaixonando pela área. 

Com seu jeitão exótico de ser, Diego logo se encantou pelos répteis. “O que mais me marcou foi a primeira vez que eu pulei em cima de um jacaré-de-papo-amarelo para fazer contenção e quando eu fiz contenção de serpentes.”, conta Di. 

 

Foto: Diego Arruda

 

Diego trabalhou  no zoológico apenas um mês, mas foi o suficiente para querer trabalhar com silvestres no futuro.

Nos seus outros dois meses, Di estagiou no Instituto Butantan, onde trabalhava com serpentes peçonhentas, aracnídeos, macacos Rhesus e outros animais.

 

Foto: Instituto Butantan

 

Residência

Por ter se apaixonado pelo Butantan, Di prestou a residência para trabalhar lá e conseguiu. Nesse período, estudou bastante para prestar um trabalho de excelência durante os dois anos da residência e inclusive, foi no Butantan que Diego conheceu nosso biólogo Gustavo Figueiroa. 

Di era responsável pelo berçário, monitorando, alimentando e cuidando dos filhotes, juntamente com seu estagiário Gustavo. Lá Diego começou a se interessar pela clínica de répteis e a veia empreendedora começou a saltar.

Pensava em abrir clínica, projetou um zoológico de répteis que, inclusive, chegou a apresentar a ideia para o secretário do meio ambiente de São José dos Campos. Não queria ficar parado, tinha ideias a todo vapor.

Se especializou em clínica e cirurgia de animais silvestres e após a conclusão da residência começou a atuar nessa área porém, algo ainda não estava certo. Não era bem aquilo que Diego queria para sua vida.

 

Foto: Diego Arruda

 

Um caminho com altos e baixos

Como nem tudo nessa vida são flores, Diego passou por momentos de “início de um sonho/deu tudo errado”, assim como todos nós. 

Surgiu uma oportunidade muito boa de trabalho com serpentes no exército. Di queria muito que desse certo, mas quando terminou sua especialização, não conseguiu o certificado de conclusão a tempo da segunda fase e, devido a isso, não pode continuar o processo. Foi um momento difícil para ele, mas mesmo assim, não desistiu. No ano seguinte, prestou mais um ano de concurso, mas eram apenas quatro vagas no Brasil todo e mais uma vez, não deu certo. 

Após esse período conturbado, Diego foi morar na África durante 4 meses. Ao retornar, decidiu colocar sua vida no eixo. “Preciso trabalhar, preciso saber o que eu vou fazer. Clínica não é minha praia, não é o que eu quero, eu precisava voltar pro mercado que eu tinha capacidade e que eu sabia que ia poder ter um pouco mais de conforto.”, conta Di.

 

Foto: Diego Arruda

 

Diego voltou para a parte de nutrição e vendas, mas sempre com aquela vontade de trabalhar com estratégias de marketing e comunicação.

Durante quatro anos, Di trabalhou com vendas. Começou em uma empresa pequena, foi crescendo, conquistando empresas maiores, multinacionais, até que surgiu a oportunidade de trabalhar na Hill’s, uma empresa de nutrição animal da Colgate, onde permaneceu três anos, trabalhando com marketing e vendas.

 

Ideias a todo vapor.

Como nosso querido veterinário não fica parado, durante o tempo na Hill’s, Diego começou seu MBA em Marketing Digital. Em uma das matérias, a proposta era a criação de uma empresa a partir de uma ideia que você gostasse. Como além de empreendedor, Di também é alucinado pela natureza e conservação, nascia ali o projeto da GreenBond. 

Naquela hora, o propósito que Diego estava buscando chegou esmurrando a porta, com os dois pés no peito, gritando “É ISSO AQUI, MEU ANJO, FOCA AQUI QUE É SUCESSO E REALIZAÇÃO PROFISSIONAL E PESSOAL”.

Por ter vários amigos do meio da conservação e por saber das dificuldade de realizar um projeto, arrecadar recursos e de fazer de fato acontecer, Di foi cauteloso.  Depois de muitas conversas e lapidar bem a ideia, convocou seu amigo Gustavo Figueiroa para essa empreitada de marketing, comunicação e conservação. Gu, sem nem saber bem do que se tratava ainda, aceitou prontamente.

 

Diego e Gustavo. Foto: Diego Arruda.

 

Solta o verbo, Di!

Hoje, Diego tem diversos projetos, como a GreenBond, Wildingtone e a Conservare Wild Consulting, e tem uma visão muito ampla em todos eles. É um profissional que caminha em diversos setores, mas consegue costurar tudo, de forma que não deixa uma ponta solta. E o principal, é extremamente feliz no que faz.

Uma das principais razões por Di ser o que é hoje é devido ao amor e a veterinária. O amor pelos animais, pela natureza, pelas novidades, por arriscar. 

As diversas áreas, todas de alguma forma interligadas a veterinária, juntamente com a vontade de mudança, moldaram o profissional único que Diego é hoje. 

 

Diego e Gustavo. Foto: Frico Guimarães/Edson Vandeira

 

“A veterinária é uma profissão maravilhosa, é uma profissão incrível. (…) A veterinária explora um lance de investigação, de você ir mais a fundo, de você estudar, se aprofundar, que é muito próprio dela. Só que ao mesmo tempo, a veterinária é muito ampla, tem um leque enorme. Você pode trabalhar com inspeção de alimentos, trabalhar com produção de carne, produção de leite, (…) com a parte clínica e cirúrgica de cada animal diferente (…), pode ser veterinário de projetos de conservação, trabalhar com pesquisa, pode ser burocrata, trabalhar com venda de produtos veterinários para outros veterinários, treinamento de outros veterinários (…). A veterinária é muito ampla e isso é apaixonante.”, finaliza Di.

Neste Dia do Veterinário queremos parabenizar a todos os médicos veterinários formados e aos futuros profissionais. Aqueles que possuem suas certezas e os que possuem suas dúvidas. Os da clínica e os de fora dela. A todos que amam o que fazem e são únicos! Para aqueles que possuem sonhos: confia e vai! Faça igual ao nosso #Bond e trilhe seu próprio caminho! 

 

Feliz dia do médico veterinário!

Conhecendo o maior primata das Américas – Dia Nacional dos Muriquis

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Hoje, dia 27 de Agosto, é dia deles! Deles, que são os maiores primatas das Américas, amam abraçar e possuem um quinto membro! Bom, se você pensou nos muriquis, está completamente correto! Caso você não o conheça, vem comigo que eu te apresento! 

Os muriquis são primatas endêmicos da mata atlântica brasileira, isto é, ocorrem apenas naquela região. Eles pertencem ao gênero Brachyteles e são divididos em duas espécies: o Muriqui-do-Norte (Brachyteles hypoxanthus) e Muriqui-do-Sul (Brachyteles arachnoides).

Os muriquis-do-norte ocorrem na Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, enquanto que os muriquis-do-sul ocorrem nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. 

 

Muriqui-do-norte. Foto: Marilha Mardegan.

 

Diferenciando os muriquis-do norte e dos muriquis-do-sul  

Os muriquis-do-norte e do muriquis-do-sul possuem algumas características que nos permite diferenciá-los. Além de ocorrerem em locais distintos, os muriquis-do-norte possuem uma despigmentação no rosto e na genitália, pêlos mais claros e possuem nas mãos, um dedão vestigial, enquanto os do muriquis-do-sul possuem o rosto preto, assim como a genitália, pêlos mais escuros e não possuem nenhum vestígio de dedão. 

 

Muriqui-do-sul e muriqui-do-norte. Imagem: Stephen D. Nash.

 

Uma característica comum, super importante para as duas espécies, é a presença da cauda. A cauda dos muriquis é preênsil, ou seja, adaptada para envolver e segurar. Devido a isso, a cauda dos muriquis funciona como um quinto membro, com capacidade de sustentar todo o peso do corpo deles! 

 

Muriqui-do-sul. Foto: Mariana Landis/Associação Pró Muriqui.

 

Hábitos

Os muriquis vivem em grupos que podem passar de 90 membros e se deslocam por grandes distâncias à procura de alimento. Por vezes se deslocam em fila, passando pelas mesmas árvores para evitar quedas.

Sua alimentação é totalmente vegetariana, comendo folhas, frutos, flores e até brotos de bambu. Por comerem frutos, acabam sendo ótimos dispersores de semente, tendo assim uma importante função ecológica de restaurar a mata! 

 

Muriqui-do-norte. Foto: Adriano Gambarini.

 

Os muriquis são primatas pacíficos, tendo poucas ocorrências de agressões e disputas violentas. Um comportamento afiliativo muito marcante da espécie é o abraço. Ele serve tanto para fortalecer o laço entre os integrantes de um mesmo grupo, quanto para confundir predadores e parecerem maiores para outros grupos. 

 

Muriqui-do-norte. Foto: Fernanda Tabacow.

Ameaças

Devido a perda de habitat, fragmentação da mata atlântica e caça, o estado de conservação da espécie é bastante preocupante, sendo listados como “criticamente em perigo de extinção”. Para vocês terem ideia, restam menos de 1000 indivíduos de muriquis-do-norte na natureza e cerca de 1.300 muriquis-do-sul.

Devido a isso, várias instituições desenvolvem projetos importantíssimos em prol da conservação dos muriquis e, inclusive, em nosso blog, já falamos de uma personalidade super importante, que a mais de 38 anos se dedica a pesquisa e conservação dos muriquis-do-norte, a Dra. Karen Strier.

 

Muriqui-do-norte. Foto: Marilha Mardegan.

 

Conservação

Uma das instituições de conservação dos muriquis-do-norte é a MIB: Muriquis Instituto de Biodiversidade, que possui diversos projetos envolvendo o muriquis-do-norte. 

Para conhecer mais sobre o MIB e seus projetos, acesse suas redes sociais! 

Site do MIB: clique aqui

Instagram do MIB: clique aqui 

Já uma instituição que trabalha com a conservação dos muriquis-do-sul é a Associação Pró Muriqui e para conhecer mais sobre o trabalho, clique aqui! Instagram do Pró Muriqui: clique aqui.

 

Você já conhecia esses animais incríveis? Vem com a gente na conservação dos muriquis! 

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

 

Viagem a Sumatra: um encontro com os orangotangos

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Os orangotangos são grandes primatas de hábito arborícola, pelo avermelhado, um cérebro complexo e com ausência de rabo. Fazem parte do grupo dos antropóides,  macacos com bastante semelhança com humanos, e estão no mesmo grupo dos chimpanzés, gorilas e bonobos.  

Nativos da Indonésia e da Malásia, hoje só são encontrados nas florestas tropicais de Bornéu e Sumatra e seu estado de conservação é extremamente preocupante. Isso se deve a diversas ameaças como a caça e  a destruição de seus hábitats. 

Hoje, no dia mundial dos orangotangos, contaremos um pouco sobre a experiência do nosso biólogo Gustavo Figueroa, no turismo com os Orangotangos-de-Sumatra (Pongo abelii).

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

Nossa história começa com um outro sonho de Gustavo. Ver de perto Dragões de Komodo (Varanus komodoensis) . Estes lagartos só são encontrados nas Ilhas de Komodo e, movido pelo desejo de encontrar estes gigantes, Gustavo planejou sua viagem à Indonésia. Completamente apaixonado pela fauna em geral, Gustavo também incluiu a Sumatra no roteiro, onde poderia observar de orangotangos em vida livre.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

“Comecei procurando um centro de reabilitação de orangotangos, já que lá tem alguns, e aí vi um lugar que é onde eles soltam os orangotangos. Têm os orangotangos já da floresta, uma população já estabelecida… e eles fazem soltura nesse parque nacional que chama Parque Nacional de Gunung Leuser. Entrei em contato com uma agência que fazia esse passeio pelo Parque Nacional e fechei um pacote de cinco dias.”, nos conta Gustavo. 

 

Indo até o destino

O acesso até o parque não é dos mais fáceis. Até chegar ao destino é preciso sair do Brasil e ir até Bali, na Indonésia. De Bali pegar um voo até Medan, capital da província Norte de Sumatra e depois pegar uma “estrada péssima”, de acordo com Gustavo, em um trajeto de cinco horas até chegar em um vilarejo. 

Figueiroa nos conta que nessa estrada, só se vê plantação de palma, a grande responsável por desmatamentos na região e infelizmente pela mortes de muitos orangotangos. Do vilarejo é preciso seguir a pé por mais meia hora até chegar em uma vilazinha e de lá, finalmente, sair em caminhada mata adentro no parque nacional em busca dos bichões. Uma busca que dura  em torno de 3 dias.

E o passeio é uma aventura mesmo, pois nesses três dias você acampa no meio da mata, bebe água e toma banho de rio e as comidas são cozidas lá mesmo, ovo, macarrão e arroz. Claro que têm os guias que irão acompanhar e conduzir durante todo o tempo, mas não é moleza, não viu? E olha que tem passeio que pode durar até 10 dias! Tudo a pé e sem luxo nenhum. Natureza pura!

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

E começa a aventura

Já no primeiro dia, Gustavo e seu grupo, avistaram com pouco menos de uma hora de trilha, um grande macho se alimentando de folhas no alto de uma árvore. “Mais pra frente no caminho, a gente viu um jovenzão que tava lá tirando onda com a gente, ele desceu (da árvore). Alguns desses que foram reintroduzidos, chegam mais próximos dos humanos. Eles já tiveram esse contato então não têm muito medo. Aí ele chegava, descia da árvore e tentava pegar coisa da nossa mochila.”, relata Gustavo. 

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

O segundo dia foi cheio de encontros e aventuras inusitadas, com direito até a perseguição de orangotangos! 

As trilhas da mata são muito estreitas e não tem outro caminho, que não seja segui-las, pois a floresta é bastante densa. Essas trilhas são utilizadas tanto pelos humanos quanto pelos orangotangos.

“A gente tava passando, estávamos em fila, tinha dez pessoas na nossa turma, contando com os guias, e aí a gente olhou pro lado e tinha uma mãe com um filhote mamando nela. A gente achou muito massa, começou a tirar foto e eu passei na frente, eu e mais três pessoas do grupo, pra pegar um ângulo melhor e nisso a mãe saiu do meio do mato e parou no meio da trilha, dividindo nosso grupo.” Conta Gustavo.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

“Aí ela começa a vir na nossa direção com o filhote agarrado nela, parece uma bolsa, e nisso vem outro filhote, que é um jovenzão grandão e ele sai também e vem na nossa direção, ai o guia fica tipo ‘vamo, vamo, corre, corre, corre’ e começamos a correr… Ela começa a vir atrás da gente e a gente com passo acelerado. Andamos por meia hora com nosso grupo separado e os orangotangos no meio e aí tem uma parte que o grupo consegue passar os orangotangos e todo mundo se junta de novo. A gente começa a andar e fala ‘pronto, despistamos eles né’ e então paramos na beira de um riacho para comer.”, Lembra Gustavo.

“Sempre que a gente vai comer, os guias abrem um plástico para colocar no chão para a gente sentar e fazer tipo um piquenique. Na hora que ele abriu o plastiquinho e colocou no chão, quando ele começou a preparar comida, começou a descascar os tomates, o outro guia: ‘ó eles estão vindo, estão vindo’ daí não deu nem tempo. A gente largou as comidas lá. Caí dentro do rio, fui tentar correr e caí dentro do riachinho, era um riachinho pequeno, não era muito fundo. Aí eles já vieram, a mãe já entrou pegando nossa comida. A gente já foi pra dentro do rio porque no rio eles não entram, eles tem medo de água e a gente ficou olhando de lá.”, relata Figueiroa.

Pouco tempo depois, o jovem sobiu em uma árvore e a fêmea em outra. A mãe acabou atravessando para o outro lado  utilizando a árvore, liberando assim o caminho para que o grupo de turistas pudesse correr para longe.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

O perrengue continua

“A gente andou umas duas horas sem parar para descansar (…), depois de umas duas horas, a gente sem almoçar, perdeu metade do almoço que eles roubaram, já era umas duas horas da tarde, sete horas andando que nem louco, a gente não aguentava mais, aí falamos ‘vamo parar em algum lugar aqui pra comer pelo amor de Deus’. Aí o guia ‘Não, vamos andar mais’… andamos mais uma hora até chegar em um lugar que o guia falou ‘Acho a gente despistou ela já, dá pra comer.’… A gente parou de novo, ele conseguiu montar o resto da comida, a gente começou a comer, mas ele falou ‘ó fica com as mochilas próximas porque pode ser que ela apareça de novo’. Ai umas amigas minhas largaram as mochilas, elas estavam muito cansadas, e eu com a minha mochila nas costas já. Eu terminei de comer e uma amiga minha não aguentou comer tudo e falou ‘quer o resto?’ e eu como bom taurino falei ‘lógico’. Eu peguei e comecei a comer o troço dela ai o guia ‘mano, eles tão aqui!’ … Só que na hora que ele falou, eles já estavam em cima mesmo, não deu nem tempo. Na hora que ele falou ‘eles estão aqui’ eu levantei pra correr, na hora que eu dei dois passos eu senti minha mão sendo segurada, parecia que eu tinha sido algemado num poste, travou minha mão. Na hora que eu olhei pra trás era a fêmea, a mãe, me segurando. ” Conta Figueiroa.

 

Medo na hora, história de aventura depois

“Foi muito forte, fez marca no meu pulso. Ficou marcado os dedos dela no meu braço. Eu olhei e ela sentada me segurando, olhando pra mim e nisso eu olhei pro lado e só lembro da cena do jovenzão vindo na minha direção… e daí ele segurou a mão que eu estava com a comida (…) ele veio e pegou meu rango, saiu fora e na hora que a mãe viu que ele saiu fora, ela me soltou. Ela segurou pro filho dela pegar minha comida.”, conta Gustavo.  

“Ela me soltou e nisso ela segurou a mão da minha outra amiga que tava comigo e o jovenzão foi lá e também pegou a comida dela. Aí a gente desceu, mas não correu porque eles ficaram com as comidas lá, eles começaram a correr e não vieram mais atrás da gente. Ficamos a uns cinco metros olhando eles comendo e foi muito doido porque minhas amigas deixaram todas as coisas lá e o guia falou ‘vamos indo, vamos indo se não eles vão continuar atrás da gente, depois a gente pega as coisas que vocês deixaram aqui’. Elas deixaram mochila, garrafa d’água, tudo lá.” Relata Gustavo.

“Antes de ir embora eu lembro que eu vi a cena da fêmea que pegou uma garrafa d’agua da minha amiga e era de rosquear, ai ela ficou olhando, tentou puxar, não conseguiu e depois ela desrosqueou o bagulho e tomou água da garrafa!!!!! Falei ‘noooossa, não acredito velho’… Aí a gente teve que ir embora pra eles não continuarem indo atrás da gente, mas foi muito doido, foi uma experiência f*dástica! A gente continuou andando e chegou até o acampamento que a gente ia dormir na beira do rio. (…)  A gente chegou no rio para tomar banho, era um rio grande que tinha lá, mas não era muito fundo não, era um rio de pedra. Na hora que a gente tava tomando banho lá a gente viu um lagarto monitor descendo e vindo atrás de peixinhos e moluscos para comer e eu, todo ensaboado, sai do rio para ficar olhando ele.”, completa Gustavo.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

Último dia 

A trilha na mata é apenas de ida. A volta é por meio do rio, onde cada um desce em boias com suas coisas. “Você anda três dias e no último dia, no último acampamento, (…) a gente volta boiando em umas bóias de pneu de caminhão pelo rio. E é um rio de corredeiras, tem umas partes que são meio tensas”, conta Gustavo. 

Com mais essa aventura aquática, os amigos retornaram para a vilazinha, que fica na beira do Parque Nacional e lá avistaram ainda mais dois orangotangos, para fechar com chave de ouro o passeio!

Por essa história, percebemos que não é um programa para qualquer um. Não é como um safári em que os animais estão habituados aos carros e você vai embora caso não goste. É uma aventura no meio da floresta vivendo todas as experiências possíveis, ciente de que caso aconteça algo com você, a responsabilidade é toda sua. Justamente por isso, antes mesmo de embarcar nessa aventura, é necessário assinar um termo assumindo sua responsabilidade frente aos acontecimentos. É um ambiente nada controlado em que há tigres, ursos, primatas e diversos outros animais selvagens. Claro que tem os guias para orientar e guiar os turistas da melhor forma possível, além de kits de primeiros socorros, porém acidentes podem acontecer.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

Outros avistamentos

Além de encontrar os orangotangos e o lagarto monitor em seu percurso pelo Parque Nacional, Gustavo também viu algumas espécies de aves, cobras e Gibão Preto, que inclusive pegou uma banana da mochila de sua amiga.

 

Impactos 

Querendo ou não, este turismo acaba causando impactos ambientais, pois há a interferência humana e, como os orangotangos acabam pegando comida dos turistas, eles podem contrair algum tipo de doença. Mas analisando todos os fatos, o impacto positivo é muito maior, como nos contou Gustavo, “é um local muito pobre que sofre uma pressão gigante para desmatar. É o lugar que foi mais desmatado do mundo, venceu a Amazônia… e é muito menor que ela, então está em uma taxa absurda de desmatamento lá. 

Fora que animal lá é tratado que nem lixo por grande parte da população, então eles estão em uma situação muito vulnerável, realmente o negócio é desesperador e esse tipo de turismo é o que mantém aquilo ali, o que mantém aquela vila. O turismo para conhecer o parque, para ver os orangotangos é o que mantém aquela vila então eu vejo como essencial.”

O que ajuda a preservar a região é esse ecoturismo pois “Quando você gera renda para a população local, se vem alguém querendo desmatar, o cara pode pensar duas vezes e falar ‘não, mas

eu  vivo disso aqui, tô de boa’, agora se o cara não ganha nada com aquilo, vem alguém e oferece uma grana para derrubar aquilo ali ele fala ‘então vai’. Então você conhecendo dessa forma, você tá fazendo parte dessa cadeia que tá mantendo a floresta de pé”, conta Gustavo.

Conhecer um animal que pode ser extinto nas próximas décadas, já que eles estão muito ameaçados de extinção, e em vida livre ainda por cima, é de uma relevância muito grande. Principalmente porque passamos a valorizar ainda mais o animal e a querer que eles estejam aqui preservados. Começamos a entender mais sobre eles e sobre as ameaças que estão enfrentando, que são muitas.

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

Por fim…faria diferente

Apesar de ter gostado muito e achado uma experiência incrível, Gustavo nos contou que faria diferente…mas calma que não é um diferente ruim, é um diferente bom! Ele nos contou hoje, com certeza, aumentaria o tempo do passeio, escolhendo um pacote de até 10 dias na floresta! Imagina? 

Mas a verdade é que essa aventura não é pra todo mundo, eu mesma depois desses causos, pensei duas vezes antes de querer fazer esse tipo de turismo. Mas assim …quem sabe um dia, né? 

Para isso, precisamos, antes de ludo, lutar para a conservação dos orangotangos e evitar que eles sejam extintos.

E aí? Curtiu a história? Você já fez algum ecoturismo assim? Conta pra gente!

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

 

 

Dia Mundial dos Oceanos – 8 Junho

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Hoje, dia 8 de Junho, é celebrado o Dia Mundial dos Oceanos. A data passou a ser comemorada durante a Rio-92 e nos chama a atenção para a proteção e importância dos Oceanos. 

 

 

Gigantes azuis

Além de ocuparem aproximadamente ⅔ da superfície da Terra, os gigantes azuis podem chegar a profundidades de quase 11.000m. Só para você ter ideia, o ponto mais alto do mundo em relação ao nível do mar é o Monte Everest, e ele conta com 8.848m, ou seja, cabe um Monte Everest no ponto mais profundo conhecido e ainda sobra 2.152m!!! Reparem que eu disse “ponto mais profundo conhecido”. Isso porque nós conhecemos menos de 10% dos nossos oceanos, dá para acreditar? 

 

 

Galáxia de Vida

Abrigando cerca de 230.000 espécies, os oceanos possuem uma das maiores biodiversidades do planeta, inclusive, estima-se que existam mais de um milhão de espécies marinhas! Com diferentes tamanhos, cores e formas, os seres vivos formam um verdadeiro paraíso subaquático. 

 

No meio dessa biodiversidade toda, encontramos os fitoplânctons, seres microscópicos fotossintetizantes que, apesar do pequeno tamanho, desempenham um grande e fundamental papel para a vida na Terra: produzem mais da metade do oxigênio que respiramos. Vivendo na superfície das águas, os fitoplânctons formam a base da cadeia alimentar marinha, além de auxiliarem no ciclo do carbono e também na diminuição da temperatura do planeta.

 

A importância dos oceanos e seus moradores é inegável, eles nos fornecem oxigênio, alimento, absorvem CO², regulam o clima e amparam várias atividades econômicas. 

Mesmo se mostrando tão indispensável para nossa existência, a cada dia que passa os oceanos sofrem mais e mais ameaças. Seja por poluição, pesca excessiva, alteração do habitat… Nossas águas pedem socorro.

 

 

Ameaças

Derramamento de petróleo, resíduos de embarcações, produtos químicos, agrotóxicos, lixo, esgoto, restos de redes de pesca, plásticos e mais plásticos e por aí vai… 

A poluição dos oceanos vem de diversas frentes e não afeta somente a vida marinha, mas também a terrestre. Estamos afetando desde a base da cadeia alimentar, até o topo. Matamos nossa fauna por infecções, intoxicação, falta de oxigênio, estrangulamentos, falta de alimento…. Matamos os corais, acabamos com os habitats, pescamos mais do que a capacidade de suporte, alteramos a acidez e temperatura da água com o aquecimento global…. Simplesmente estamos agindo sem pensarmos que estamos nos matando juntos. 

 

Nossa forma de produção e consumo é insustentável, precisamos mudar e lutar por mudanças. Precisamos mais do que nunca salvar o que nos resta e tentar reverter essa situação crítica. 

 

 

Indo a Luta

Gostaria muito que fosse simples e rápido promover enormes mudanças que tivessem um grande impacto no mundo, mas enquanto não é possível, vou fazendo a minha parte. Você também pode fazer a sua, vou te dar umas ideias! 

 

Apoie organizações de conservação, assinando petições, fazendo doações,  participando dos projetos propostos e compartilhando informações! 

 

Repense, reutilize, reduza, recuse e recicle.

Pode parecer bobo, mas a partir do momento que tomamos consciência sobre a forma como estamos consumindo e os resíduos que geramos, percebemos que sendo mais cuidadosos, podemos sim fazer alguma diferença. 

Neste artigo da NatGeo você encontrará 10 práticas que o ajudarão a reduzir o consumo de plástico, mas pode aplicar essas ideias para outros materiais também!

 

Dê preferência a produtos sustentáveis ou invista em uma vida mais sustentável.

Nas redes sociais vemos muitas lojinhas com produtos sustentáveis, produtores locais e orgânicos e perfis que dão dicas para uma vida mais amiga do meio ambiente. Precisa de um ponto de partida? Este post do eCycle pode te ajudar! 

Deixo aqui também sugestões de dois documentários que valem a pena assistir nesse dia de reflexão!

Em Busca Dos Corais (2017) – Netflix 

Oceanos de Plástico (2016) – Netflix 

 

Como você vai começar a mudar sua realidade eu não sei, mas precisamos começar de algum lugar, não é mesmo? Vamos juntos? Compartilhe aqui com a gente como você cuida dos nossos oceanos.

 

Texto por Anna Michette

Revisado por Fernanda Sá

Dia 01 de dezembro – Dia de doar

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O Dia de Doar é um movimento nacional com intuito de incentivar a doação no Brasil. 

 

 

A ideia da mobilização é estabelecer ligações entre pessoas e causas, provendo ações generosas e solidárias. O Brasil infelizmente é um país cuja a cultura de realizar doações é muito pouco difundida. Essa ação anual, apoiada por diversas instituições, busca modificar essa realidade.

No Brasil, o Dia de Doar começou em 2013. A partir de 2014 o Brasil passou a fazer parte do movimento global. Hoje 72 países fazem parte desse movimento.

 

 

Em 2020, o dia de doar será dia 01 de dezembro, terça-feira. Milhares de organizações de diversas partes do Brasil já estão se organizando para receber doações. Uma das maneiras dos brasileiros de demonstrar o seu apoio e sua doação nesse momento tão importante é usando a hashtag #diadedoar nas mídias sociais.

O Dia de Doar é realizado pelo Movimento por uma Cultura de Doação, uma coalização de organizações e indivíduos que buscam incentivar a participação das pessoas com as causas e organizações, por meio de doações. 

Em 2019 R$2,3 milhões de reais foram arrecadados por doações, sendo estas doações onlines e de campanhas próprias de organizações e empresas. 30 campanhas comunitária foram realizadas e 100 histórias de doação foram compartilhadas.

 

diadedoar photo

Fonte: Dia de doar.

 

Incentivar as pessoas a doar e contar sobre essas ações é importantíssimo para colaborar com a disseminação da cultura de doação no nosso país, inspirando assim outras pessoas a fazer o bem e compartilhar essa experiência tão rica.

Preparar um campanha de doação para sua instituição no dia de doar, além de contribuir para a mudança de mentalidade dos brasileiros incentivando as doações frequentes, é uma ótima alternativa de arrecadação de fundos, uma vez que em datas como essas as pessoas tendem a ficar mais sensibilizadas.

A campanha Dia de Doar disponibiliza materiais gratuitos para campanhas. Basta baixar no site

E aí? Já planejou a sua ação?

Os bastidores do evento: #UmDiaNoParque

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A algum tempo atrás postamos aqui sobre um evento incrível que acontece todos os anos em diferentes parques nacionais do Brasil, se lembram?

O Um Dia no Parque é um movimento criado para celebrar a natureza brasileira. Um momento proposto para refletir sobre a importância dos parques, unidades de conservação e reservas existentes no Brasil e, mais do que isso, um momento para enaltecer  a nossa conexão com a natureza.

Unidades de Conservação do Brasil todo se mobilizam em uma data única para comemorar esse movimento lindo e cheio de respeito.  Não acompanhou? Confere aqui rapidinho pra entender do que se trata.

 

 

Pois bem! O Um dia no Parque 2020 aconteceu no dia 18 de outubro de 2020 e foi um enorme sucesso.  Devido a pandemia do COVID-19, este ano o evento aconteceu online, mas nem por isso deixou de ser maravilhoso. Tá tudinho gravado, quem não pode ver na hora, clica aqui que ainda dá tempo.

 

 

Mais de 170 parques nacionais participaram do movimento, várias instituições,  artistas e pessoas se engajaram e apoiaram a causa gravando depoimentos lindos sobre sua conexão com a natureza. Foi realmente um dia que vai ficar na memória.

O que você pode nem imaginar é que, para isso tudo dar certo, muita água rolou nos bastidores.

 

 

A equipe da Greenbond foi convidada para ser a responsável pela estratégia de comunicação, gestão das mídias sociais e transmissões das lives do evento e topou esse grande desafio com unhas e dentes.

 

 

 

Foram dois meses intensos de muito trabalho duro desde a criação da identidade visual do Um dia do Parque 2020 até a transmissão do evento final. 

Foram inúmeras reuniões, 87 posts de Instagram e Facebook criados, mais 170 stories, 3 vídeos editados para Youtube, 10 banner e capas produzidas, 4 gestões de lives, mais de 25 uploads de vídeos, além é claro de toda a gestão da live no dia do evento.

Ufa… Muita coisa! Mas o mais importante é o resultado que conseguimos alcançar juntamente com a equipe do evento. Quando o trabalho é feito com dedicação, o resultado sempre é incrível!

 

A Greenbond agradece pela oportunidade oferecida pela organização do Um dia No Parque e pela confiança no nosso trabalho!

Que venha o Um dia Parque 2021 e que dessa vez, possamos voltar a fazer tudo do jeitinho que gostamos. No meio do mato!

 

 

Dia 11 de setembro: Dia do Cerrado, a caixa d´água do Brasil

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No dia 11 de setembro é comemorado o dia do cerrado, um dia especial dedicado à reflexão e mobilização em sua defesa.

Mas o que exatamente precisa ser defendido? Quem não conhece bem o Cerrado, não tem ideia do tesouro que tem ali escondido.

Vem com a gente que vamos te contar tudinho.

 

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). Foto: O eco

 

O que ó o Cerrado?

Cerrado é o nome dado às savanas brasileiras caracterizadas por árvores baixas de troncos retorcidos  folhas grossas, arbustos espaçados e gramíneas. A paisagem do Cerrado é bem característica e mesmo sem saber que era, acredito que você já teve o prazer de topar com esse lindo bioma.

 

Cachoeira do tabuleiro. Fonte: clubedecicloturismo.com.br

 

Digo isso porque o cerrado é o segundo maior bioma brasileiro com cerca de 2 milhões de km². Se estende em área contínua por 11 estados brasileiros: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, São Paulo e Tocantins. 

 

 

Cerrado: a caixa d’água do Brasil

O Cerrado é considerado a  caixa d’água do Brasil.

Sua área abriga nascentes e leitos de rios das oito principais bacias hidrográficas dentre as doze que existem no país, revelando seu primeiro tesouro, de suma importância socioambiental.

Lista dos mais importantes rios que possuem nascentes no Cerrado:

Dados da WWF Brasil mostram que nove em cada dez brasileiros consomem eletricidade gerada por águas do Cerrado. Mesmo grandes usinas encontradas em outras regiões, como a hidrelétrica de Itaipu são abastecidas pelas águas das nascentes existentes no cerrado, e não sobreviveriam sem ele.  Mais do que sua importância pelos recursos hídricos, o bioma também é responsável pelo potencial hidrelétrico do país.

 

11 de Setembro: Dia Nacional do Cerrado | WWF Brasil

Foto: Aldem Bourscheit/WWF-Brasil

 

Biodiversidade oculta

Embora muitas vezes menosprezado,  o Cerrado é considerado um hotspot mundial – área que abriga grande diversidade biológica e espécies endêmicas, ou seja, espécies exclusivas deste bioma. 40% da flora do cerrado e 50% das abelhas são espécies endêmicas

As estimativas apontam que existem mais de 6 mil espécies de árvores, 800 de aves, cerca de 199 espécies de mamíferos, 180 espécies de répteis, 150 espécies de anfíbios, cerca de 1200 espécies de peixes e mais de 14 mil espécies de insetos, representando 47% da diversidade de insetos do Brasil. 

Tesouro número dois, revelado. A enorme biodiversidade que o Cerrado carrega.

 

Esquema do Cerrado com alguns exemplares da fauna e flora características. Fonte: Extraído de POR et al, 2005.

 

Mas se o Cerrado possui tantas riquezas. Porque um dia dedicado à reflexão e mobilização em sua defesa?

Aqui vão alguns fatos tristes:

  1. Ameaça de extinção de espécies

20% das espécies nativas e endêmicas não ocorrem em áreas protegidas e pelo menos 137 espécies da fauna estão ameaçadas de extinção.

  1. Exploração humana

O Cerrado é o segundo  bioma brasileiro mais explorado por atividades humanas.  A área com vegetação íntegra do bioma já foi reduzida a cerca de 20% de sua cobertura original e, infelizmente, essa porcentagem continua caindo.

  1. Poucas áreas protegidas

O Cerrado, junto com a Caatinga, é a área menos protegida pelo poder público. Apenas 8,21% de seu território é protegido por unidades de conservação.

 

Cerrado-brasileiro

Cerrado. Foto: http://www.ambientelegal.com.br/

 

Agora que conhecemos a riqueza do nosso Cerrado e todos os problemas que vem enfrentando, fica um questionamento: Não deveríamos estar investindo em mais ações para conservação do ambiente natural e de todos os serviços ecossistêmicos que ele oferece?

5 de setembro: Dia da Amazônia

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A Amazônia é um dos biomas mais valiosos de toda a humanidade abrigando a maior reserva natural do planeta. Possui cerca de sete milhões de quilômetros quadrados, sendo cinco milhões e meio de florestas. Abrange nove países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela), sendo que o território brasileiro guarda 60 % da floresta. 26% da sua área protegida também se encontra aqui.

Bioma Amazônico. Fonte: BBC

Biodiversidade 

Devido a sua grande variedade de ecossistemas, com características únicas e peculiares, a Amazônia é refúgio para cerca de 40 mil espécies vegetais, 427 espécies de mamíferos, 1.294 de aves, 378 de répteis, 400 de anfíbios e 3 mil de peixes de água doce, além das mais de 100 mil espécies de invertebrados. O bioma Amazônico possui cerca de 30% das espécies existentes no planeta, sendo o mais biodiverso de todos os biomas. Muitas dessas espécies são endêmicas da região e outras muitas se encontram ameaçadas de extinção.

Foto: conexaoplaneta

Rios voadores

A Amazônia é fundamental para o equilíbrio ambiental e climático do planeta e a conservação dos recursos hídricos. Os cursos d’água dos rios da Amazônia são grandiosos e fundamentais para a manutenção da vida silvestre, e não é somente a local, não.

A floresta ocupa uma área de aproximadamente 6,7 milhões de quilômetros quadrados — Foto: Arquivo TG

Cerca de 17 bilhões de litros de água da Bacia Hidrográfica Amazônica vão para os oceanos e, aproximadamente, 500 litros de água são produzidos diariamente por cada uma das árvores da floresta e lançados para atmosfera, formando os rios voadores, responsáveis pelas chuvas das regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

Os  rios voadores são imensos volumes de vapor de água com cerca de três quilômetros de altura, algumas centenas de largura e milhares de extensão. Eles não podem ser vistos, por estarem em forma de vapor d’água, mas tem uma importantíssima função na regulação do clima. 

Fotografia aérea de uma pequena parte da Amazônia brasileira próxima a Manaus, Amazonas Imagem editada e redimensionada de Neil Palmer

Ameaças 

A Amazônia tem uma inegável importância ambiental para o nosso planeta.  São habitat de inúmeras espécies, fonte de matérias-primas alimentares, florestais, medicinais e minerais, regulam o clima dentre inúmeras outras contribuições.  Mesmo sabendo disso tudo, esse bioma tão rico tem sido constantemente ameaçada por inúmeras atividades humanas:

  • Extração de madeira
  • Mineração
  • Agricultura
  • Obras de infraestrutura
  • Queimadas
  • Desmatamento
  • Pecuária predatória

Vamos dar uma atenção maior neste momento ao desmatamento que bateu recordes no primeiro semestre de 2020. 

Árvores caídas em área desmatada da Amazônia em Itaituba, no Pará — Foto: Ricardo Moraes/Reuters/Arquivo

Desmatamento na Amazônia dispara mais em 2020

No primeiro semestre de 2020, dados do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicaram alerta de devastação em 3.069,57 km² da Amazônia, aumento de 25% em comparação ao primeiro semestre de 2019. Em agosto do mesmo ano, o Inpe apresentou novos dados, indicando uma aumento de 34% no desmatamento nos últimos 12 meses.

Os dados indicam que o crime ambiental continua ocorrendo, mesmo no período em que o país enfrenta uma pandemia ocasionada pelo coronavírus.

Devido a esses dados assustadores, o Brasil vem enfrentando pressão do mundo inteiro para que os índices de desmatamento diminuam e, apesar do governo federal afirmar que o Brasil está buscando diminuir esse índice, os números mostram  um aumento na tendência de desmate. 

“Enquanto o Planalto se esforça para tentar enganar o mundo de que preserva a Amazônia, a realidade dos números revela a verdade: o governo Bolsonaro está destruindo a maior floresta tropical do planeta. Sob Bolsonaro, vivemos o pior momento da agenda ambiental de nosso país”, afirma Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, que reúne 26 instituições.

 

Hoje, mais do que comemorar toda a vida que esse bioma carrega, deixamos um convite para refletirmos sobre o rumo que estamos tomando. A Amazônia é nossa! é nosso dever cuidar e cobrar de nossos governantes medidas sérias de proteção aos nossos biomas.