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Animais ameaçados de extinção

FICHA ANIMAL: lobo-guará

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Parente dos lobos selvagens e dos cachorros domésticos, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul, podendo atingir até um metro de altura e impressionantes 30 quilos! O animal é típico do Cerrado e, além de ocorrer no Brasil, também podem ser encontrados em territórios argentinos, bolivianos, paraguaios, peruanos e uruguaios. 

Extremamente esguio e considerado até mesmo elegante, o animal também é conhecido como lobo-de-crina, lobo-vermelho, aguará, aguaraçu e jaguaperi, todos nomes atrelados a sua bela pelagem laranja-avermelhada. Na natureza, vive aproximadamente 15 anos.

 

HÁBITOS 

Apesar do porte imponente e da alcunha de “lobo”, essa espécie é mais tímida, solitária e praticamente inofensiva, preferindo manter distância de populações humanas. É avistado normalmente circulando por grandes campos nos fins de tardes e durante as noites.

Logo-guará vivendo de forma solitária. (Foto: Creative Commons)

 

ALIMENTAÇÃO 

O lobo-guará usa suas presas para se alimentar de pequenos animais, como roedores, tatus e perdizes, além de frutos típicos do Cerrado, como o araticum e a lobeira (Solanum lycocarpum). 

 

REPRODUÇÃO 

A cada gestação, que dura pouco mais de dois meses, nascem em média dois filhotes. O Guará costuma dar à luz no mês de junho e, quando nascem os filhotes, a fêmea não sai da toca e é alimentada pelo macho. Os filhotinhos nascem pretos, com a ponta da cauda branca. 

Filhotes de lobo-guará vistos na Fazenda Trijunção. (Fotos: Valquiria Cabral)

 

AMEAÇAS DE EXTINÇÃO 

No Brasil, o lobo-guará aparece na lista de animais ameaçados de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com estado de conservação vulnerável. Isso porque, segundo estudiosos, há uma grande possibilidade do animal estar extinto em 100 anos! Mas, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o animal está na red list de animais quase ameaçados de extinção. 

(Foto: Edu Fragoso/Fazenda Trijunção)

 

ONÇAFARI E SEU ESFORÇO NA CONSERVAÇÃO DO LOBO-GUARÁ 

Além de trabalhar com a conservação de onças-pintadas, o Onçafari também realiza um incrível trabalho com os lobos-guarás. Os esforços de proteção do animal acontecem na Fazenda Trijunção, no Cerrado e na Fazenda Paineiras, na Mata Atlântica. Lá, equipes especializadas monitoram e estudam esses incríveis canídeos. 

No caso da Fazenda Trijunção, os resultados do trabalho já pode ser vivenciado por meio do ecoturismo, onde é possível avistar lobos 100% selvagens, no seu habitat natural. 

Lobo flagrado na Fazenda Trijunção. (Foto: Edu Fragoso)

Por que as abelhas são tão importantes para o planeta?

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As abelhas nos oferecem muito mais do que o doce do mel, elas atuam em um importante fenômeno ecológico: a polinização. Portanto, colocá-las sob ameaça, como estamos fazendo hoje, é colocar em risco a nossa própria sobrevivência. 

Infelizmente, as abelhas estão desaparecendo do planeta – algumas espécies correm risco de extinção global! O cenário é tão grave que organizações como a ONU já alertam para os perigos de escassez de alimentos por conta da mortalidade em massa dos insetos polinizadores. E, quando pensamos no contexto nacional, a previsão é igualmente preocupante, pois prevê-se que a população de abelhas e outros polinizadores possam diminuir em 13% até 2050, segundo análise da Universidade de São Paulo! 

 

(Foto: Creative Commons)

 

PEQUENOS GRANDES AGENTES AMBIENTAIS 

Além de polinizar frutas e legumes consumidos por nós diariamente, como tomate, berinjela, café e cacau, as abelhas também contribuem fortemente na manutenção das florestas. Se elas forem extintas, a reprodução de plantas silvestres ficará comprometida, visto que mais de 90% das espécies de vegetação tropical com flores e cerca de 78% das espécies de zonas temperadas dependem da polinização desses insetos.

 

(Foto: Creative Commons)

 

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS AMEAÇAS ÀS ABELHAS? 

A extinção de agentes polinizadores é um dos mais graves desastres globais emergentes. A tragédia impacta diretamente a quantidade e a qualidade dos alimentos produzidos, em um mundo já desarranjado quando se trata de comida na mesa.

Desmatamento, poluição e mudanças climáticas são algumas das ameaças já conhecidas, não só para as abelhas, mas para a fauna como um todo. No entanto, você sabia que os agrotóxicos também são grandes vilões para os insetos polinizadores? O glifosato, por exemplo, pode afetar o comportamento das abelhas, alterando sua sensibilidade por açúcar e habilidade de navegação, o que prejudica sua busca por alimentos e retorno à colônia.

 

É POSSÍVEL TER VIDA HUMANA SEM OS AGENTES POLINIZADORES? 

Assim como Einstein já dizia, “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”.

É difícil afirmar que a vida humana não existiria sem as abelhas, mas que a diminuição da espécie impactaria profundamente na existência de vida, isso com certeza. As abelhas estão totalmente inseridas no nosso dia a dia, mesmo que de forma muito sutil. Dois terços, aproximadamente, de alimentos ingeridos são produzidos pela ajuda da polinização das abelhas. 

Esses pequenos insetos são pequenos no tamanho, mas de uma importância gigante para o planeta. Sem as abelhas, o mel acabaria e junto dele os produtos agrícolas. Além do mais, também afetaria a produção de animais para consumo, que sofreria grandes perdas, já que são herbívoros. Enfim, a vida selvagem em um geral sofreria sem elas, já que a vegetação seria reduzida de modo excessivo, e assim a acabaria a existência do planeta como um todo. 

 

(Foto: Creative Commons)

FICHA ANIMAL: mico-leão-dourado

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Símbolo da fauna nativa, o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é um primata endêmico aqui do Brasil, ou seja, só nós temos a sorte de abrigar uma espécie com tamanha grandeza para a biodiversidade. Ele ocorre exclusivamente na Mata Atlântica, mais especificamente no estado do Rio de Janeiro. 

O bicho chama atenção pela “juba” e pêlos com cores fortes, que variam do laranja ao vermelho-dourado. E, assim como outros micos e saguis da família Callitrichidae, seu pequeno porte, traços delicados e agilidade para se locomover, fazem do mico-leão-dourado um dos animais mais simpáticos e queridos da nossa fauna. 

Mico-leão-dourado, espécie endêmica do Brasil. (Foto: Creative Commons)

HÁBITOS 

O mico-leão-dourado vive cerca de oito anos. Mantém hábitos diurnos e costuma ser extremamente ativo durante as primeiras horas do dia. À noite, gosta de dormir em ocos de árvores ou emaranhados de cipós e bromélias.

ALIMENTAÇÃO 

São animais onívoros, ou seja, se alimentam de frutos, invertebrados e pequenos vertebrados na estação chuvosa; e de néctar, na estação seca. 

Alguns estudos mostram que o mico-leão-dourado come mais de 60 espécies de plantas e, depois de digeri-las, auxilia na dispersão de sementes pelo ambiente, o que traz para si uma grande responsabilidade no equilíbrio da natureza.

REPRODUÇÃO 

Os animais costumam se reproduzir uma ou duas vezes por ano e os períodos de reprodução vão de setembro a novembro; e de janeiro a março. 

Não há diferenciação de cor e/ou tamanho entre machos e fêmeas e, quando nascem os filhotes, que geralmente são gêmeos, tanto o pai quanto a mãe ajudam na criação. 

AMEAÇAS DE EXTINÇÃO 

Desde os anos 1970, o mico-leão-dourado é um dos símbolos da luta pela conservação da biodiversidade. Isso porque o animal está há muito tempo ameaçado de extinção! 

A destruição da Mata Atlântica, causada pela intensa ocupação da zona costeira no estado, acompanhada de extração de madeira e atividades agropecuárias, quase dizimou toda a população de micos. Pois, apesar de serem pequenos (cerca de 60 cm), os primatas necessitam de bastante espaço para sobreviver. Eles convivem em grupos de cerca de 8 indivíduos, podendo chegar a 14, e cada grupo ocupa em média 110 hectares. 

Graças a inúmeros esforços na conservação e reprodução dessa espécie, a população passou de 146 indivíduos há 25 anos, para mais de 3.200 indivíduos em liberdade atualmente, mas ainda há muito trabalho a ser feito. 

Ameaçado de extinção há décadas, o mico-leão-dourado virou símbolo da conservação de fauna brasileira.
(Foto: Creative Commons)

ASSOCIAÇÃO MICO-LEÃO-DOURADO 

Atualmente, a Associação Mico-Leão-Dourado faz um trabalho magnífico na conservação da espécie. 

Com o objetivo de atingir, até o ano de 2025, uma população mínima viável de pelo menos 2.000 micos-leões-dourados vivendo livremente em cada 25.000 hectares de florestas protegidas e conectadas, o projeto une cientistas, educadores, gestores públicos, conservacionistas e as comunidades locais para cuidar não apenas da própria espécie, mas proteger e aumentar a área de Mata Atlântica, a fim de oferecer um habitat de qualidade aos animais. 

A Associação Mico-Leão-Dourado une esforços para proteger os pequenos primatas.
(Foto: Andreia F. Martins)

 

Fontes: WWF, SOS Mata Atlântica

Resgate de animais silvestres dobra na cidade de São Paulo

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Tem aumentado o volume de animais silvestres resgatados nos ambientes das grandes cidades. Pelo menos é o que apontam os números da cidade de São Paulo nos últimos anos, influenciados por alguns fatores que ajudam a entender como viver nos centros urbanos é também se relacionar com a conservação.

Milhares de aves foram resgatas em São Paulo – Foto: Cecioka CC

Nos últimos cinco anos, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente atendeu 29 mil animais silvestres a partir de diferentes motivos, como tráfico de animais, acidentes ou mesmo telefonemas de moradores. E o número dobrou nesse período: saltou de pouco mais de 4 mil em 2014 para 8,5 mil em 2018.

O levantamento, divulgado pela Folha de S. Paulo, aponta que o avanço dos animais no perímetro urbano se deu pelas obras de infraestrutura (principalmente o Rodoanel), o tráfico de animais pela internet e a popularização do serviço municipal de resgate de animais após o surto de febre amarela em 2017-18.

A reportagem conta a história, por exemplo, de um imenso jabuti encontrado no baú de um caminhão. Resgatado, ele foi para um centro de manejo e conservação onde vive com mais de 700 animais.

Um inspetor conta também que investigou casos em que as pessoas trocavam carros por pássaros de até R$150 mil. Há ainda a história de uma píton-burmesa de mais de dois metros que foi encontrada com mais de 200 animais na casa de um criador clandestino – trata-se de uma das cinco maiores espécies de cobras do mundo.

Enfim, exemplos que mostram que, mesmo morando nas grandes metrópoles, a atenção à conservação da fauna é permanente. Todos estão sujeitos a estar próximos de casos como os citados.

A volta da ararinha-azul!

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Ótima notícia para os defensores da fauna brasileira: a espécie ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), que estava extinta desde 2000, volta para seu bioma da caatinga! Após um acordo firmado entre o Instituto brasileiro Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) e a organização não-governamental alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), cerca de 50 exemplares da ave devem chegar ao Brasil, repatriadas da Alemanha.

Ararinha-azul, que estava extinta da natureza no Brasil desde 2000. (Foto: Milano/Divulgação)

 

SOBRE A ARARINHA-AZUL

Espécie rara, a ararinha-azul foi descoberta no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix, e era encontrada exclusivamente na região da caatinga brasileira. Devido principalmente à caça e coleta ilegal, a espécie foi considerada oficialmente extinta na natureza em outubro de 2000, quando desapareceu o último exemplar. Até hoje não foi possível descobrir se a última ave morreu ou foi capturada por caçadores.

Desde que foi classificada como Criticamente em Perigo (CR) e possivelmente Extinta na Natureza (EW), as poucas aves que restaram foram usadas para reproduzir a espécie em cativeiro. Segundo o analista ambiental Hugo Vercilo, do ICMBio, existem 166 exemplares vivendo em coleções particulares. Além dos 13 no Brasil, há 147 na Alemanha, dois na Bélgica e quatro em Singapura, países que participam do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul.

 

CONSERVAÇÃO DAS NOVAS HABITANTES NO BRASIL

Os indivíduos, que devem chegar em novembro, serão levados ao Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, unidade de conservação fixada em Curaçá, na Bahia. O local já tem um histórico positivo, pois era o habitat natural da espécie antes de entrar em extinção.

Após o período de adaptação no viveiro, as ararinhas serão soltas na natureza, selando um acontecimento único e grandioso. Os responsáveis pelo  Projeto de Reintrodução da Ararinha-Azul já almejavam essa conquista há anos e, com o auxílio de parceiros no Brasil e exterior, conseguiram alcançar, beneficiando consideravelmente os interesses de preservação da nossa biodiversidade.

 

Fonte: ICMBio

Um milhão de espécies de plantas e animais estão ameaçadas de extinção

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Um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas da extinção. Esse é o dado conclusivo divulgado no relatório de 1.800 páginas pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES), da Organização das Nações Unidas (ONU). O levantamento teve a participação de 145 pesquisadores espalhados por 50 países, e está sendo considerado o mais complexo e abrangente estudo sobre perdas do meio ambiente.

O leopardo-das-neves é uma das espécies mais raras de felinos do mundo, também em risco de extinção. Foto: Abujoy/ Creative commons

Analisando mais de 15 mil pesquisas científicas e dados governamentais, foram identificados os cinco principais motivos para tamanho impacto sobre a vida de tantas espécies: perda do habitat natural, exploração dos recursos naturais, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.

Entre os números apontados estão a queda de 20%, desde 1900, na média de espécies nativas nos principais habitats do planeta – atualmente, mais de um terço dos mamíferos marinhos estão ameaçados, por exemplo; e a duplicação das emissões de gás carbônico no mundo desde 1980, o que elevou a temperatura média do planeta.

Com dificuldades para conseguir caçar focas, ursos-polares podem morrer de fome – Foto: Andreas Weithpolar/ Creative Commons

O estudo também alerta, entre outros temas, para a pesca desenfreada: segundo o relatório, em 2015, 33% da vida dos mares estava sendo pescada em nível insustentável. E outros vários pontos importantes, como a poluição causada pelos plásticos, que
aumentou dez vezes desde 1980, e a influência dos fertilizantes em áreas costeiras, que já produziram uma área de “zona morta” oceânica maior que o Reino Unido.

A ingestão de plástico já foi registrada em mais de 240 espécies.  Na foto, uma tartaruga Verde (Chelonia mydas) com um saco de plástico próximo a boca, no recife de Moore, Austrália. A sacola foi removida pelo fotógrafo antes que a tartaruga tivesse a chance de comê-la.
Foto: Troy Mayne/ WWF/ Divulgação

No fim, se resta um caminho de otimismo, o estudo indica que há caminhos objetivos e reais para um trabalho que implemente regras e conceitos de produção mais sustentável. Por exemplo, uma agricultura mais planejada e a redução do desperdício
de alimentos, o que já impactaria vários dos pontos levantados como problemáticos.

Uma certeza nós temos: só temos este planeta, se não cuidarmos dele agora, pode ser tarde demais no futuro.

Quitridiomicose: doença causada por fungo dizima 501 espécies de anfíbios

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Sapo da espécie Atelopus limosus morto pela quitridiomicose, doença causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis – Foto: Brian Gratwicke/ Creative Commons

A quitridiomicose é causada por fungos do gênero Batrachochytrium e é responsável pela maior perda de biodiversidade atribuível a um único patógeno (organismo causador de doença) em toda a história, afirmaram cientistas na revista Science no mês passado.

Nos últimos 50 anos, pelo menos 501 espécies de anfíbios sofreram declínios em suas populações provocadas pelo microrganismo. Em alguns casos as espécies ficaram restritas a 10% de sua distribuição original e os pesquisadores acreditam que 91 foram completamente extintas.

Benjamin Scheele, pós-doutorando na Australian National University, na Austrália, e primeiro autor do artigo disse em entrevista à Agência FAPESP que esses números são conservadores, porque é provável que o patógeno tenha causado o declínio de muitas outras espécies ainda desconhecidas pela ciência. “Esse fenômeno pode ser particularmente relevante na região neotropical [que compreende a América Central, incluindo parte do México e dos Estados Unidos, todas as ilhas do Caribe e a América do Sul], onde há muitas espécies não descritas”.

O fungo se aloja na pele de anfíbios adultos, prejudica a respiração e leva a morte por parada cardíaca. Quando se instala em girinos, parasita a região da boca e dos dentículos, dificulta a alimentação e compromete o crescimento.

O Brasil possui 50 espécies com populações afetadas: 38 sofreram declínio e 12 foram extintas. Algumas populações mostram indícios de recuperação, enquanto outras permanecem desaparecidas.

Histórico

A doença só foi descoberta em 1998, mas o pico dos declínios populacionais ocorreu nos anos 1980. Isso prejudicou os trabalhos de mensuração de impacto. As regiões tropicais da Austrália e das Américas Central e do Sul foram as mais afetadas. Ásia, África, Europa e América do Norte apresentam declínios populacionais relativamente baixos.

A maior parte dos especialistas defende que uma linhagem virulenta do fungo, originária da Ásia, chegou à América Central e se espalhou em direção à América do Sul. É provável que esse processo foi favorecido pelo transporte de anfíbios para consumo humano ou para o mercado de animais de estimação.

Combate à doença

Novas pesquisas e monitoramento intensivo da quitridiomicose com tecnologias emergentes são necessários para identificar mecanismos de recuperação de espécies afetadas e para desenvolver ações de combate ao fungo.

Para os autores do estudo, políticas de biossegurança efetivas e a redução imediata no tráfico de animais silvestres são medidas essenciais para reduzir o risco de disseminação de novas doenças em um mundo globalizado.

O artigo Amphibian fungal panzootic causes catastrophic and ongoing loss of biodiversity, de Ben C. Scheele et al, pode ser lido em http://science.sciencemag.org/cgi/doi/10.1126/science.aav0379.

Ave ameaçada inspira criação de reserva e modelo de negócio para conservação

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Bicudinho-do-brejo fêmea (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

O bicudinho-do-brejo é uma ave ameaçada de extinção que serviu de inspiração para a criação de uma reserva em uma região reconhecida pela ONU como Área Úmida de Importância Internacional e para a criação de um ateliê que usa a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza.

Tudo começou na primavera de 1995, dois ornitólogos, Bianca Reinert e Marcos Bornschein armaram as redes para capturar aves em um brejo no litoral do Paraná. O objetivo era estudar o comportamento do carretão, um pássaro típico da Mata Atlântica. Eles já faziam o trabalho há quatro anos e já conheciam praticamente todas as espécies da região. Foi então que um pequeno passarinho passou por baixo da rede. O animal era diferente de tudo o que eles já haviam observado naquele local. Poderia ser uma descoberta? Era muito difícil, pois ninguém descrevia uma espécie nova de ave no Brasil há muitos anos.

Bicudinho-do-brejo macho (Formicivora acutirostris). A espécie está na categoria ameaçada de extinção na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Lopez

Os biólogos começaram uma busca pela ave misteriosa. Mas o animal era tão pequeno que passava entre os buracos da rede ou desviava do obstáculo. Demoraram algumas semanas até conseguirem capturar o bicho. Foi então que veio a confirmação. Eles tinham nas mãos uma espécie de ave que nunca havia sido descrita pela ciência. Reinert e Bornschein descreveram o bicudinho-do-brejo (Formicivora acutirostris), uma ave encontrada em áreas alagadas, endêmica da região meridional litorânea do Paraná e do nordeste de Santa Catarina.

Porém, desde sua descoberta, a espécie já estava ameaçada de extinção. Algumas áreas de habitat foram reduzidas por incêndios, loteamentos e aterros sanitários. Além disso, perturbações por tráfego de barcos durante a época de reprodução, extração de areia das margens dos rios, substituição da vegetação nativa por braquiária (uma grama da África) e a pecuária são outros problemas enfrentados pelo bicudinho.

Mirante da Reserva Bicudinho-do-brejo. Foto: Hudson Garcia/ Reprodução do Facebook

Para tentar mudar essa história, em 2009, Reinert, Bornschein e mais três amigos – Christoph Hrdina, Iracema Suassuna, e Ricardo Lopes (marido de Reinert) – criaram a Reserva Bicudinho-do-brejo em Guaratubá, Paraná. A região foi reconhecida pela ONU como uma Área Úmida de Importância Internacional, em parte devido ao brejo, onde o bicudinho ocorre, funcionar como um filtro para a água dos rios e berçário para peixes e animais aquáticos.

No entanto, em 2016, Bianca não conseguia mais trabalhar no campo por conta de um câncer. Ela começou a fazer colares de argila. Foi quando Ricardo se interessou pelo trabalho e modelou um passarinho de cerâmica. Naquele momento, eles decidiram criar o Ateliê Bicudinho-do-brejo.

Bianca Reinert encontrou na arte uma nova forma de homenagear o bicudinho-do-brejo – Foto: Ricardo Lopes

Com a ideia de utilizar a arte como ferramenta para promover a conservação da natureza, Bianca e Ricardo passaram a confeccionar peças de cerâmica que remetem à biodiversidade brasileira e o mundo dos animais. “Iniciamos esse trabalho pensando somente na renda que teríamos para ajudar no projeto da reserva. Do valor arrecadado, uma parte fica para o projeto e outra para as despesas do ateliê. Nessa iniciativa sempre fomos eu e ela[Bianca], mas contamos com a ajuda de algumas pessoas que embarcaram nessa jornada com a gente”, conta Lopes. A venda dos produtos é realizada pelas redes sociais e em algumas lojas de aromaterapia.

Para Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário, apoiadora do projeto, negócios também podem e devem gerar formas de conservação da natureza. “Está mais do que na hora de entendermos que a conservação não deve contar apenas com recursos de caráter filantrópico, mas também com recursos privados. No caso do bicudinho, a reserva tem potencial de captar recursos e o ateliê apoia na sensibilização de atores de outras áreas do conhecimento para a causa.”

Bicudinhos-do-brejo de cerâmica são cuidadosamente esculpidos por Ricardo – Foto: Ricardo Lopes

Infelizmente, em setembro de 2018, Bianca faleceu devido à doença. “Ela foi uma lutadora sem igual, uma lição de força, coragem e perseverança, tanto na sua vida pessoal quanto na sua dedicação pela proteção do bicudinho-do-brejo”, escreveu seu marido.

No mesmo ano, a Reserva quase fechou as portas devido a dificuldades financeiras, mas com ações para arrecadar recursos – como venda de artesanato e livros e participações em exposições e eventos – Ricardo conseguiu manter o projeto. Hoje, o marido de Bianca continua na busca de parcerias para continuar a luta pela conservação do bicudinho-do-brejo.

Se você se interessou pelo trabalho com o bicudinho-do-brejo, acesse a campanha de financiamento coletivo Eu Meto o Bico e ajude uma espécie ameaçada de extinção. Mas corra, porque a campanha se encerra no dia 17/03/2019.

Considerada extinta, subespécie de felino raro é vista pela primeira vez em 30 anos

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Considerada uma espécie vulnerável a extinção, a pantera-nebulosa é um dos felinos mais enigmáticos do mundo. Recentemente uma subespécie endêmica da ilha de Taiwan, considerada extinta há mais de 5 anos, não vista desde 1983, a Pantera-nebulosa Formosa (Neofelis nebulosa brachyura) pode ter sido avistada nas dependências da ilha.

Pantera-nebulosa, espécie considerava vulnerável pela IUCN. Fonte: Ltshears (Creative commons)

Em 2013, após mais de 13 anos de pesquisa cientifica com câmeras trap espalhadas pelas florestas de Taiwan, inúmeras armadilhas e horas de campo sem nenhum registro da pantera-nebulosa formosa na ilha, cientistas concluíram que a subespécie podia ser considerada extinta na natureza. Um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Chiang Po-jen, afirma acreditar que alguns animais ainda existam na região, porém em números insignificantes. Chiang afirma ainda :

“Uma floresta com panteras-nebulosas é diferente de uma floresta sem panteras-nebulosas. Uma floresta sem panteras é uma floresta morta”

Porém, alguns aldeões e moradores de regiões remotas de Taiwan dizem ter visto o animal caçando cabras na região e até caminhando próximos à estrada. O diretor do distrito da Floresta Taitung, afirma que tem esperanças de confirmar os boatos, por isso novas pesquisas serão realizadas na área a fim de confirmar cientificamente a existência do felino no local.

Apesar de nao ser vista há décadas, pesquisadores relutam em colocar a espécie oficialmente como extinta.
Foto: Khaled Azam Noor/Shutterstock

 

 

 

Por: Gustavo Figueirôa

Biólogo, especialista em manejo e conservação de fauna.

 

Aquecimento global: ursos-polares famintos invadem arquipélago russo

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Ursos-polares famintos reviram o lixo em busca de comida no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia – Foto: The Sun/Reprodução

Ursos-polares invadiram e deixaram a pequena cidade de Belushya Guba, localizada no arquipélago de Nova Zembla, na Rússia, em estado de emergência. Os animais estavam famintos, reviravam lixeiras e vasculhavam prédios à procura de comida (veja o vídeo do The Guardian abaixo).

Mais de 50 ursos foram avistados na região, deixando os 2.500 moradores do vilarejo assustados e com medo de sair nas ruas e mandar seus filhos para a escola.

Os animais começaram a chegar em dezembro. Cercas foram colocadas ao redor de alguns locais para proteção. No entanto, os ursos não se intimidam mais com policias, cachorros e sirenes que eram utilizados para afastá-los anteriormente.

Especialistas foram enviados ao local para sedar os animais e retirá-los do vilarejo, já que a caça de ursos é proibida na Rússia, e a agência federal de Meio Ambiente negou autorizações para abatê-los. Porém, segundo as autoridades locais, no caso de todas as medidas falharem, o abate pode ser a única solução.

O urso-polar (Ursus maritimus) é considerado vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) e se tornou o grande símbolo na luta dos conservacionistas contra o aquecimento global – Foto: Schliebe, Scott/ Domínio público

Ursos-polares x Aquecimento global

Classificado como vulnerável segundo a Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), o urso-polar sofre cada vez mais com o aquecimento global. Atualmente, o mar congela cada vez mais tarde e derrete cada vez mais cedo. Isso faz com que os animais tenham menos tempo para caçar focas, seu principal alimento.

Com menos tempo sob o gelo, os ursos são forçados a nadar distâncias cada vez maiores até encontrar uma foca descansando na superfície. Com isso, eles perdem mais energia caçando do que ganham ao se alimentarem e são forçados a procurar outras formas de se alimentarem. Esses desequilíbrio energético pode ser fatal e, se o degelo continuar, o destino da espécie pode ser a extinção.

Com dificuldades para conseguir caçar focas, ursos-polares podem morrer de fome – Foto: Andreas Weithpolar/ Creative Commons

Com objetivo de chamar a atenção para os desafios enfrentados pelos ursos-polares num Ártico cada vez mais quente, a Polar Bear International (Urso Polar Internacional) organiza o Dia Internacional do Urso-Polar (International Polar Bear Day), celebrado em 27 de fevereiro.

A ong estimula as pessoas a usar menos energia produzida por combustíveis fósseis porque reduzir as emissões de carbono pode retardar e até impedir o aquecimento global e salvar o gelo marinho que os ursos polares necessitam para caçar com eficiência.

Segundo relatório da ONU sobre as mudanças climáticas, é preciso reduzir nossas emissões de carbono ou as pessoas terão que enfrentar desastres naturais, desde secas e inundações até grandes tempestades. Ou seja, enfrentar o aquecimento global não é só benéfico para nós, mas é essencial para a humanidade.