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Fernanda Sá

Estudo aponta que humanidade entrará em um ¨colapso irreversível” em 40 anos.

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Mudanças Climáticas | No Comments

O fim da humanidade está próximo! Parece frase sensacionalista que encontramos pintadas em muros mas, infelizmente, não é. 

Um artigo publicado pela Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo, tem incomodado a comunidade científica.
O estudo em questão é o ¨Deforestation and world population sustainability: a quantitative analysis¨ (Desmatamento e sustentabilidade da população mundial: uma análise quantitativa, em tradução livre), produzido pelos pesquisadores Mauro Bologna e  Gerardo Aquino. Ele faz uma análise quantitativa da sustentabilidade do atual crescimento da população mundial em relação ao processo de desmatamento, do ponto de vista estatístico. Os autores afirmam que se a humanidade mantiver o ritmo atual, a civilização pode caminhar para o “colapso irreversível” numa questão de décadas. 

Para tornar a situação mais preocupante,  inúmeros renomados cientistas comentaram sobre o quão impecável e completo é o estudo.

 

 

O que o estudo levou em consideração? 

Se existe um problema inegável, cheio de evidências e comprovações científicas, é o desmatamento das florestas do nosso planeta. Dos 60 milhões de km² de florestas que existiam, menos de 40 milhões de km² ainda estão de pé.

Mauro Bologna e  Gerardo Aquino, autores do artigo, afirmam que apesar do aquecimento global ser preocupante, jamais sentiremos seus maiores impactos pois, a chance dos nossos ecossistemas colapsarem antes, é maior. 

Grandes florestas, como a Amazônia, já estão bem perto de atingir um limiar de destruição irreversível, tornando o ecossistema incapaz de se auto sustentar. Isso resultará no seu completo desaparecimento. Situações como essa não são novidades e já aconteceram em outros locais do planeta. A retirada da cobertura original em alguns ecossistemas foi tão grande que a paisagem foi totalmente transformada em desertos.

 

Desmatamento da Amazonia. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

 

Modelos matemáticos complexos foram desenvolvidos pelos autores do artigo a fim de mensurar os problemas que estamos causando.

Para as análises, foram levados em conta diversos fatores: 

  • A taxa de crescimento populacional humana, 
  • A taxa de criação e destruição de unidades de conservação ao redor do mundo, 
  • Variações da demanda por madeira,
  • Áreas de pasto ou agrícolas,
  • Previsões de mudanças na taxa de desmatamento
  • Prováveis avanços tecnológicos que poderiam interferir positivamente nesse cenário.

Modelo adotado por Mauro Bologna e Gerardo Aquino.

 

Após diversas análises, utilizando diferentes cenários possíveis, os resultados foram preocupantes.

Caso o ritmo de destruição das florestas se mantenha como atualmente, perderíamos todas as árvores da Terra em apenas 100 ou 200 anos, mas os efeitos dessa catástrofe, obviamente, serão sentidos muito antes da última árvore ser cortada.

Modelos desse tipo já foram utilizados anteriormente para analisar o  ecocídio (extinção da civilização local pela destruição ambiental que elas mesmas causaram) que ocorreu na Ilha de Páscoa e os cientistas afirmam que o que está ocorrendo no planeta é assustadoramente similar.

Mauro Bologna e  Gerardo Aquino ainda citaram em seu artigo o “Paradoxo de Fermi”, que questiona nossa falta de conhecimento de civilizações extraterrestres. Estatisticamente, bilhões de civilizações existem em planetas a nossa volta, apesar de nunca termos encontrado  nenhuma delas. De um ponto de vista teórico, as civilizações podem ser tão complexas que poderiam colonizar grande parte de suas galáxias, mas na prática, isso nunca foi observado por nós. Aí entra “Paradoxo de Fermi”. Ele hipotetiza que pode existir alguma barreira que impeça que essas civilizações atinjam essa complexidade, como, por exemplo, o esgotamento dos recursos de seu planeta natal, resultado em sua própria extinção. Desse modo poderíamos inferir que os outros moradores do universo não são encontrados porque quase todos podem já estar mortos. 

 

Apelidada de “o grande filtro”, essa barreira pode impedir que as civilizações alcancem uma escala interplanetária. Enquanto nossa espécie ultrapassou várias barreiras no passado, não conseguiremos ultrapassar o grande filtro (em vermelho) pois, segundo os autores, esgotaremos nosso planeta antes – Créditos na imagem

 

A que conclusão os autores chegaram?

Com base nas taxas atuais de consumo de recursos e na melhor estimativa de crescimento da taxa tecnológica, o estudo aponta que, a humanidade tem uma probabilidade de menos de 10% de sobreviver sem enfrentar um colapso catastrófico. Isso na perspectiva mais otimista e em um prazo máximo de 40 anos

Isso resultaria na completa aniquilação da humanidade pela destruição massiva das florestas do planeta e, consequentemente, em um colapso sistêmico dos principais ecossistemas. As secas extremas ocasionadas pelo fim das florestas impossibilitariam a produção da comida e isso seria o fim da humanidade.

Esse mesmo cenário também explicaria o Paradoxo de Fermi, uma vez que civilizações tendem a se autodestruir antes de expandir para outros planetas.

 

Já podemos no preparar para o pior?

A situação é extremamente preocupante sim, e, apesar de cenários estatísticos serem extremamente teóricos, os modelos testados neste artigo foram extremamente embasados e completos, além de muito elogiados por outros cientistas, indicando que essas previsões podem estar certas. 

Se não mudarmos drasticamente a nossa forma de consumo nossa civilização irá acabar  muito em breve.

Para nossa infelicidade, a hora da mudança é AGORA e, mesmo como todas as evidências e provas científicas, nem todas as pessoas e governantes estão dispostas a elas.

Dia Nacional do Controle da Poluição Industrial

By | Aquecimento Global, Desastre Ambiental, Mudanças Climáticas | No Comments

Em 14 de agosto, é comemorado mundialmente  o “Dia do Controle a Poluição Industrial”. 

Neste dia, o mundo inteiro se propõe a refletir sobre os efeitos nocivos da poluição atmosférica decorrente das indústrias e fábricas e, principalmente, sobre as ações que podem ser tomadas para diminuir essa emissão.

As indústrias, devido às suas inúmeras atividades, são o segmento de maior contribuição à dispersão de poluentes no ar, água e solo, causando inúmeros danos ao meio ambiente.

Por muito tempo acreditou-se que a poluição industrial era um problema local. Ou seja, cada cidade ou país que tome suas decisões e que lide com sua ¨bagunça¨. Ledo engano de quem pensa assim. A poluição industrial, assim como a tecnologia, também se globalizou, cruzando fronteiras geográficas e afetando diretamente a vida de toda a população mundial. 

Para entender melhor, é só pensar por um instante em um exemplo simples. Um poluente lançado por uma indústria em São Paulo, afeta a qualidade do ar da própria cidade, das cidades vizinhas e até de outros países. Além disso, pode contaminar o solo que produz alimentos para exportação, águas de rios afetando os pescados e contribui com o aumento do efeito estufa. 

O problema está longe de pequeno e pontual.

Poluição industrial. Foto: allgasbrasil

 

A diminuição da poluição mundial devido ao COVID-19 

 

O mundo inteiro está em luto pelas vidas perdidas pela pandemia, mas o meio ambiente que respirou aliviado. 

A diminuição das atividades industriais, circulação de carros e atividades gerais ao nível global, levou a uma grande queda de emissões de poluentes, podendo conferir ao ano de 2020 a maior queda já registrada por ano

Longe de ser um motivo de comemoração é importante refletirmos fortemente sobre como estamos destruindo diariamente nosso planeta e principalmente, sobre como já vivemos em uma crise ambiental a anos.

Mesmo com essa alta taxa de redução em 2020,  ainda estamos muito longe da redução necessária que precisa acontecer para evitar mudanças climáticas perigosas

A situação é perigosa e os líderes mundiais não agirem rapidamente, enfrentar outras crises futuras somadas a essa que já vivemos será muito mais difícil e poderá ser mortal para a humanidade. 

 

Dados de satélite mostrando as emissões de dióxido de nitrogênio sobre o norte da Itália em 7 de março (esquerda) e 8 de fevereiro (direita). Imagem: Sam Gassó

 

Medidas de combate a poluição

Como podemos então combater a poluição?

Já vimos que a poluição não respeita fronteiras e, desse modo, as ações de combate a mesma devem ser mundiais. Primeiramente, é fundamental o desenvolvimento de estudos apontem soluções e alternativas para a mitigação da emissão de poluentes pelas indústrias. Os resultados de tais pesquisas devem fundamentar planos de ações a nível global. A criação de políticas públicas globais, nacionais e regionais que visem a redução da poluição e o aumento da fiscalização por parte do governo é o ponto chave.

Também se faz necessário um fortalecimento das relações entre empresas, ONGs, órgãos ambientais e governo para discutir este problema e  criar metas e o comprometimento da organização na redução significativa de poluentes, apresentando os menores índices possíveis.

Mas e nós? Sabemos que podemos reduzir a emissão de poluentes no dia, mas não podemos fazer nada maior Podemos e devemos.  Escolher bem os nossos governantes, prestando atenção em suas pautas ambientais, e cobrar dos eleitos uma postura mais justa com o meio ambiente já é um ótimo primeiro passo, não acham. Talvez até o mais importante.

O meio ambiente agradece! 

Poluição do ar mata 6,5 milhões de pessoas por ano. Foto: PEXELS

A importância da autossuficiência no terceiro setor: o e-commerce como fonte de renda

By | e-commerce, Marketing na Conservação | No Comments

Certamente você já ouviu várias vezes a afirmação de que as instituições do terceiro setor não tem fins lucrativos, certo? Também já deve ter se questionado se é correto, ou se é legal, incluir a venda de produtos nas suas atividades. Se não podemos ter lucro, não podemos ter vendas, não é mesmo?

Errado! Essa é uma dúvida que rodeia muita gente e vamos explicar o porquê a venda de produtos pode ser uma boa opção para a sua instituição!

De fato as ONGs não podem ter lucro. Isso significa que todo dinheiro que entra na instituição deverá ser utilizado para a manutenção e atividades das mesmas. Ou seja, no balanço final, tudo que entra, sai e o saldo final ficará zerado. 

Em muitas instituições a maior parte do recurso necessário para pagar contas, executar atividade, contratar funcionários, dentre outros gastos é proveniente de doações e eventos solidários, mas existe um lado negativo nessa história. 

Com toda a renda sendo proveniente de terceiros, a ONG não possui a tão falada auto sustentabilidade, ficando totalmente dependente dos parceiros e doadores. Caso ocorra alguma mudança inesperada nessa arrecadação, poderá ter suas atividades comprometidas e até mesmo paralisadas, pois sabemos que as contas não esperam.

Uma outra forma bastante comum de arrecadação, principalmente para projetos de conservação é através da aprovação de projetos em editais. Além de ser uma forma bastante trabalhosa e dos editais serem bastante concorridos, todo o recurso deve ser destinado a rubricas específicas do projeto submetido, não podendo ser utilizado para a instituição em si.

Uma ótima maneira de contornar essas arrecadações e que tem sido cada vez mais implementada pelas ONGs são os projetos de geração de renda. Esses projetos são focados na geração de receita para a instituição, principalmente através da venda de produtos ou serviços. 

As entidades sem fins lucrativos podem utilizar o comércio como forma de arrecadação de recursos para aplicação nos objetivos sociais de seu estatuto e esta prática é completamente legal.

Produção de camisetas do Projeto Tamar Fonte: Projeto Tamar

 

Vantagens de possuir sua própria fonte de renda

A geração de receita através da venda de produtos apresenta um grande auxílio à sustentação financeira da organização, provendo uma receita desvinculada  de projetos, as quais podem ser aplicados livremente, tanto no operacional como em investimentos da instituição. Convenhamos que todos nós sabemos quantos gastos extras podem surgir no dia a dia e ter um recurso disponível para isso é imprescindível. 

Além disso, existe grande um valor de marketing agregado as vendas, uma vez que normalmente os produtos levam a logo da instituição e acabam gerando uma maior visibilidade para a mesma.

Copos menos 1 lixo- WAITA Fonte: WAITA

Como escolher seus produtos

Já sabemos que vender produtos oferece várias vantagens, mas como escolher o que vender?

Primeiramente escolha produtos que tenham uma ligação com a organização e sua missão. Lembre-se que  junto com os produtos e serviços, se vende uma causa. É fundamental para o sucesso de vendas que os produtos sejam capazes de contar uma história. Aposte em produtos que levem uma mensagem, em etiquetas informativas e abuse da criatividade e inovação.

Outro fator que deve ser levado em consideração é que seu produto seja condizente com sua causa. É importante se preocupar com a origem de seu produto, com o material, com a linha de produção, com o tipo de embalagem, dentre outros fatores.

Se a sua instituição é conservacionista, por exemplo, opte por produtos ecologicamente corretos, favoreça pequenos comerciantes, favoreçam o empoderamento de mulheres e evite o uso desnecessário de descartáveis, inclusive nas embalagens.

Produto Onçafari Fonte: Onçafari

E-commerce

A aposta do momento para a venda de produtos são as lojas virtuais. 

Mesmo antes do COVID-19, pesquisas já apontavam a tendência da migração das lojas físicas para o digital. Além de apresentarem todas as ferramentas de vendas necessárias, o  e-commerce pode levar  a instituição a atingir um maior número de pessoas e expandir muito a área potencial de vendas.

2020 está apresentando uma mudança significativa no comércio global com uma forte tendência de que a maior parte das compras de varejo sejam feitas online. E esses dados, só irão aumentar.

 

Chaveiro da loja Pró-tapir Fonte: Pró-tapir

 

Depois de todos esses argumentos, você não vai mais perder tempo né? Selecione os produtos que são a cara da sua instituição, monte sua lojinha e se prepare para expandir seus horizontes.