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Fernanda Sá

Bond da Conservação: Flávia Miranda

By | gigantes da conservação | No Comments

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar de uma mulher incrível, referência mundial em estudos do grupo dos tamanduás, tatus e preguiças: Flávia Miranda!

 

Foto: João Marcos Rosa

 

Como tudo começou

Criada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Flávia sempre teve um contato e um interesse muito grande pela natureza. Desde nova já observava os animais que passavam perto de sua casa, brincava com lagartos e catalogava insetos, uma verdadeira naturalista mirim! 

Quando adolescente, frequentou o colégio rural no Pantanal. Lá passou a ter um contato mais direto com tamanduás, pois frequentemente um tamanduá-bandeira rondava seu alojamento. Nessa época iniciou suas anotações sobre o comportamento do animal. 

A escolha do curso superior foi cercada de dúvidas, veterinária, biologia ou engenharia florestal, porém, como desde criança brincava de ser veterinária, a decisão acabou sendo certeira. 

 

Foto: João Marcos Rosa

 

A faculdade e os tamanduás

Em seu primeiro ano de faculdade, durante suas férias, Flávia estagiou no Zoológico de Bauru, em São Paulo. Lá cuidou de seu primeiro filhote de tamanduá e foi aprendendo mais sobre a espécie. 

Sempre guiada pelo interesse por estes animais, realizou seu TCC estudando a fisiologia e a anatomia dos tamanduás. Em sua residência, trabalhou no Parque Zoológico de São Paulo, sendo a primeira residente em clínica médica e manejo de animais silvestres do Brasil. Lá atendeu um grande número de animais e adquiriu uma experiência ímpar como veterinária de silvestres, fator primordial para sua carreira. 

No ano de 2005, iniciou seu mestrado em Ecologia Aplicada e foi durante as pesquisas que percebeu a necessidade de maior conhecimento sobre a espécie e seu manejo, principalmente em cativeiro. A partir daí foi desenvolvendo técnicas, gerando conhecimento e melhorando o manejo juntamente com uma equipe multidisciplinar. Suas pesquisas acabaram sendo base para o livro “Manutenção de Tamanduás em Cativeiro”, que é referência no que diz respeito ao manejo das espécies. 

 

Foto: João Marcos Rosa

 

Instituto Tamanduá

Em meio às pesquisas, em 2005, Flávia fundou o Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil. O trabalho desenvolvido transita entre a taxonomia, genética, saúde, medicina da conservação, ecologia e zoogeografia. Tudo, para entender mais sobre as espécies, descrevê-las, monitorá-las e conservá-las. 

As pesquisas levaram Flávia a descobrir e descrever sete espécies de tamanduaís, que até então acreditava-se ser apenas uma única espécie. 

 

Tamanduaí. Foto: João Marcos Rosa

 

Com o conhecimento vem a conservação e é para isso que Flávia, juntamente com sua equipe, lutam todos os dias. 

O pioneirismo, paixão e a veia naturalista exploradora de Flávia são de admirar! Esperamos que muitas descobertas sejam feitas ainda por essa pesquisadora tão singular! 

 

Texto por Anna Luisa Michetti 

Revisado por Fernanda Sá

 

 

Dia da Conscientização sobre os Répteis – 21 de Outubro

By | Datas comemorativas | No Comments

Hoje, dia 21 de Outubro, é o Dia da Conscientização sobre os Répteis! Com aproximadamente 11.570 espécies ao redor do mundo, o grupo é dividido em quatro linhagens: Testudines, Crocodilianos, Squamata e Rhynchocephalia. 

 

O grupo é composto por animais escamados, de quatro membros, ectotérmicos, com fecundação interna e desenvolvimento direto, ou seja, mantém a mesma forma ou estrutura do nascimento até a idade adulta. 

O Brasil possui uma grande diversidade de répteis, contando com 795 espécies, sendo considerado o terceiro país com maior riqueza destes animais, ficando atrás apenas do México (942) e Austrália (1057).

Possuindo ampla distribuição geográfica, são encontrados em diversas localidades, inclusive, no meio aquático, como por exemplo, as tartarugas marinhas. 

Apesar das tartarugas marinhas viverem no ambiente marinho, elas possuem respiração pulmonar. Desta forma necessitam ir à superfície respirar, além de dependerem do ambiente terrestre para a reprodução. 

 

Foto: Domínio Público

 

As quatro linhagens

Testudines 

Os testudines ou quelônios são representados pelas tartarugas, cágados e jabutis. O grupo conta com 361 espécies, estando 36 delas presentes no Brasil.

Uma característica extremamente marcante dos quelônios é a presença de um casco formado por uma carapaça dorsal, constituída por uma camada externa de queratina e interna óssea e pelo plastrão ventral. A camada interna da carapaça é formada pela junção de costelas, vértebras e ossos dérmicos. Então não tem como tirar a tartaruga de dentro do casco como vemos nos desenhos, ok? 

 

Foto: Domínio Público

 

Também não apresentam dentes, mas suas mandíbulas possuem placas de queratina que formam um bico córneo. Sua audição não é boa, mas em contrapartida, possuem um bom olfato e visão, podendo inclusive perceber cores!

Na reprodução, todos os testudines enterram seus ovos no solo, não havendo cuidado parental. O sexo dos filhotes é definido pela temperatura do ninho. Baixas temperaturas durante a incubação determinam o nascimento de machos, já altas temperaturas, de fêmeas.

 

Crocodilianos

Jacarés, caimãs, crocodilos e gaviais. Estes são os representantes do grupo dos crocodilianos. Com 26 espécies ao redor do globo, nós, no Brasil, temos 6 em nosso território.

Os crocodilianos possuem um crânio alongado e robusto. A musculatura é forte e associada a mandíbula, permitindo um fechamento rápido e potente, além de uma grande abertura da boca.

 

Foto: Domínio Público

 

Crocodilos tendem a ser maiores e mais agressivos, atacando grandes animais como bovinos, antílopes e até humanos. Jacarés geralmente são menos agressivos e menores, mas ainda assim podem atacar humanos que os ameacem. 

Assim como as tartarugas, as fêmeas de crocodilianos enterram seus ovos, porém, possuem cuidado parental, ficando nas redondezas do ninho defendendo seus pequenos de possíveis predadores e, após os ovos eclodirem, auxiliam os filhotes na sobrevivência e permanência juntos por cerca de dois anos. Durante a incubação dos ovos, a temperatura também é um fator determinante, mas no caso dos crocodilianos, temperaturas altas produzem somente machos e temperaturas baixas somente fêmeas. 

 

Foto: GEAS-AM

 

Squamata

Com 11.182 espécies, a ordem Squamata é composta pelas serpentes (3921 espécies), lagartos (7059 espécies) e anfisbenas (202 espécies). Por ter tantas espécies, o grupo é bastante diverso e conta com as mais variadas características.

A maioria das espécies dos escamados possui um crânio com articulações móveis, o que permite que abram a boca e manipulem presas de uma forma muito diferente do restante dos répteis. Por isso, as cobras conseguem comer presas bem maiores que elas sem problema algum.

 

Foto: Domínio Público

 

Os lagartos possuem diferentes formatos, podendo ser arborícolas, terrestres, aquáticos e até mesmo planadores. Alguns, inclusive, possuem a redução dos membros, sendo desprovidos de patas, como o lagarto-de-vidro. 

Já as anfisbenas, são adaptadas a vida fossorial, ou seja, de escavação. Possuem corpo formado por anéis e se movem como minhocas. Possuem uma incrível capacidade de se locomover, com a mesma eficiência, tanto para a frente quanto para trás.

 

Foto: Domínio Público

 

Rhynchocephalia

Por fim, temos o grupo dos Rhynchocephalia, com apenas uma espécie representante: os tuataras. Os tuataras são animais semelhantes a lagartos, encontrados na Nova Zelândia. Devido a perda de habitat, predação por espécies exóticas e um ciclo reprodutivo extremamente lento, os tuataras são vulneráveis e já desapareceram de várias ilhas da região.

 

Foto: Domínio Público

 

Os tuataras demoram de 10 a 20 anos para se tornar sexualmente maduros e apenas produzem ovos a cada quatro anos. Para piorar, os ovos demoram sete meses para chocar! Apesar disso, podem chegar a idades avançadas, passando dos 100 anos.

 

Importância dos Répteis

Além de desempenharem seus papéis nos ecossistemas, sendo predadores topo de cadeia, fazendo controle populacional de pragas e servem de alimento para outros animais. Alguns répteis, como  os jabutis, por exemplo,  possuem grande importância ecológica ao dispersarem sementes, outros, como as serpentes, na produção de soro antiofídico e  medicamentos através da peçonha.  Até mesmo economicamente, devido ao consumo da carne pelo ser humano, como é o caso dos jacarés, eles são importantes. 

 

Foto: Domínio Publico

 

A verdade é que muitas vezes os répteis são ignorados ou até mesmo julgados de forma equivocada por pessoas que desconhecem e os temem. Mas são animais incríveis, extremamente peculiares e que possuem uma importância enorme na teia da vida!

Gostou de conhecer mais sobre eles?

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

Documentários Selvagens

By | Marketing na Conservação | No Comments

Os documentários possuem um grande poder de entretenimento, educação e transformação. A história vai sendo apresentada e, sutilmente, somos cativados e convidados a embarcar na aventura que nos é apresentada. Para a conservação, os documentários são uma arma tão eficiente quanto o storytelling, nos causando identificação, mexendo com nossos sentimentos e até nos incentivando a agir em prol do meio ambiente. 

 

Separamos alguns documentários que valem a pena serem vistos, promovem reflexões e mostram a urgência da conservação.

 

O emocionante documentário retrata a corrida contra o tempo para reverter a atual situação dos corais no mundo, que, devido às mudanças climáticas, estão morrendo. Os corais são uma parte fundamental do ecossistema marinho, sem eles, praticamente não há vida. O aumento da temperatura das águas, a acidificação e a poluição são as principais ameaças aos corais. O momento de agir para reverter a situação é agora. 

 

Foto: Netflix

 

O documentário retrata a poluição ambiental gerada pelo lixo que produzimos, em especial, o plástico. Nele, são retratados os impactos ambientais gerados pelo lixo, como a morte de ecossistemas, animais marinhos e aves e, de que forma, nós, seres humanos, somos afetados. Alternativas para contornar a situação, como mudança de hábitos e tecnologias são apresentadas. Definitivamente é um documentário que nos faz pensar duas vezes antes de continuarmos produzindo a quantidade de lixo que estamos acostumados. 

 

Foto: Netflix

 

O Parque Nacional de Virunga é o único local onde ainda se pode encontrar Gorilas-das-Montanhas. Com um enorme biodiversidade e jazidas minerais, o parque é alvo de diversas ameaças diariamente. O documentário retrata a luta dos guardas que dão a vida pela preservação do parque. Extremamente emocionante, o documentário nos instiga a um sentimento de revolta pela ganância humana, fazendo com que tenhamos vontade de nos juntar aos guardas para defender o que acreditamos.

 

Foto: Netflix

 

Narrada por Sir David Attenborough, a série dividida em oito episódios retrata as belezas do nosso planeta. Explorando desde ambientes congelados a desertos, e mostrando desde pequenos animais até os maiores, a necessidade de conservação é clara, pois todos sofrem com os impactos das mudanças climáticas. 

 

Foto: Netflix

 

Quando vemos um documentário pronto, talvez não tenhamos dimensão das dificuldades e do esforço necessário para ter todas as belas imagens. Desta forma, este documentário retrata os bastidores da produção do “Nosso Planeta”, mostrando a realidade por trás das incríveis imagens. 

 

Foto: Netflix

 

De que forma as cores são usadas na natureza? Camuflagem, atrair parceiros, encontrar alimentos… Neste documentário somos apresentados a um universo cheio de cores, belas imagens e reflexões de como os animais utilizam as cores para sobreviver. 

 

Foto: Netflix

 

Um documentário diferente do que estamos habituados, desta vez, somos levados a conhecer a vida noturna de diversos animais nos mais variados habitats. Seja na natureza, ou no meio urbano, os animais nos surpreendem com suas atividades ao pôr do sol. 

 

Foto: Netflix

 

Um mini documentário de menos de cinco minutos, mas que demonstra como tudo em um ambiente está conectado em uma grande cascata trófica. Uma única espécie consegue mudar toda a dinâmica de um lugar, nos levando a refletir sobre a importância de cada indivíduo na rede da vida.

 

O documentário retrata os primeiros passos do trabalho do Onçafari na habituação e monitoramento das onças-pintadas. 

 

Foto: Onçafari

 

E aí? Vamos maratonar estes documentários? Tem alguma sugestão imperdível? Manda pra gente!!

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

Marketing de Conteúdo

By | Marketing na Conservação | No Comments

O que é o chamado marketing de conteúdo? De que forma ele pode ajudar minha instituição a crescer e se tornar uma referência no meio da conservação? Calma que no blog de hoje iremos explicar e ainda contar um de nossos casos de sucesso!

 

 

O que é Marketing de Conteúdo?

Marketing de conteúdo nada mais é do que uma estratégia de produção de conteúdos relevantes, com o máximo de embasamento possível, direcionados a um público-alvo específico que busca ativamente por informações de qualidade.

Por exemplo: a SOS Pantanal, umas das clientes da Greenbond, tem atuado fortemente no combate e prevenção das queimadas no Pantanal. A equipe de marketing direciona, então,  as escritas dos blogs da instituição para temas relacionados a fogo, queimadas, combate, prevenção, situação das queimadas no Pantanal, dentre outros possíveis assuntos que possam estar relacionados.

Quando uma pessoa, buscar sobre ¨queimadas no Pantanal¨ ou algo similar, além de encontrar sobre a atuação da SOS Pantanal, vai encontrar informações úteis sobre o assunto, fornecida pela mesma instituição que atua na linha de frente. O resultado não poderia ser outro: automaticamente aquela informação vai ser validada pela pessoa, que, além de passar a confiar na instituição, vai creditar a ela o Know-how sobre o temas  e demais temas relacionados e ele.

 

Como funciona?

Nessa técnica, a ¨propaganda¨ que você faz do seu trabalho não acontece de maneira direta e invasiva, mas sim através de uma busca ativa de pessoas que já tem interesse sobre o assunto e que querem obter informações seguras.

Claro! Para essa estratégia de fato funcionar, os textos têm que apostar em linguagens acessíveis, esclarecedoras e que tenham embasamento científico e dados que corroborem com o que ele afirma.

O marketing de conteúdo está inserido no chamado Inbound Marketing, que é a estratégia de marketing em que se busca captar o público de forma não invasiva, deixando que as pessoas venham até sua empresa e permitindo que você passe sua mensagem, também sendo chamado de marketing da atração.

 

 

Porque devemos apostar no marketing de conteúdo?

Alguns dos benefícios do marketing de conteúdo são:

  • Aumento da visibilidade da sua causa na Internet: Quando fazemos alguma pesquisa no Google, damos bastante atenção para os sites da primeira página e principalmente aqueles que estão nas primeiras posições, certo? Isto porque consideramos estes sites como os mais confiáveis e relevantes, sendo autoridade no assunto. Quando o conteúdo de sua instituição está nos primeiros resultados, a chance de creditarmos valor ao trabalho desenvolvido aumenta.
  • Reconhecimento e interação:  Quanto maior o reconhecimento em relação ao trabalho que desenvolve e mais credibilidade a instituição passa,  mais pessoas passam a ser atraídas pela causa e, consequentemente, passam a interagir e apoiar seus projetos.
  • Maior facilidade para alcançar novos objetivos: Uma vez que o tão sonhado reconhecimento e a confiança são alcançados (pontos chaves para o bom desenvolvimento de uma instituição), torna-se muito mais fácil traçar novas metas, conquistar novos parceiros e apoiadores e principalmente alcançar novos objetivos.

 

Um dos nossos casos de sucesso

Um caso de sucesso da Greenbond foi o blog da onça-parda com leucismo. Em 2018, publicamos em nosso blog uma matéria sobre o primeiro registro do mundo de uma Onça-Parda com leucismo. A imagem foi divulgada pelo ICMBio e o registro foi feito no Parque Nacional Serra dos Órgãos (Parnaso), em Petrópolis, por uma armadilha fotográfica. Na publicação, muito além do que apenas relatar o fato, abordamos de maneira detalhada sobre o leucismo e o albinismo, explicando a diferença entre os termos. 

Por ter sido um tema “quente”, com  informações relevantes e embasadas, num momento em que várias pessoas estavam buscando mais informações sobre o assunto, o conteúdo bombou e atingiu diversas pessoas.

A relevância é tamanha que nas buscas do Google sobre o tema, a GreenBond aparece como um dos primeiros resultados. 

Tempos depois, uma pessoa se deparou com um animal que acreditou ser um animal com leucismo e, realizando buscas na internet, encontrou o blog sobre o assunto.

Por ser um dos primeiros textos a aparecer nas buscas da internet, essa pessoa leu o nosso blog e entrou em contato conosco para verificar se o animal em questão era mesmo um animal com leucismo.

Moral da história: um bom texto conferiu a Greenbond o know-how sobre o assunto e ganhou a confiança de vários novos apoiadores.

 

 

E aí? Já conhecia esta estratégia?

Para entender mais sobre o marketing de conteúdo e como implementar, acesse os blogs da Rock Content e da Resultados Digitais

 

Texto por: Anna Luisa Michetti

Revisado por Fernanda Sá

A arte da conservação: Jaguar Parade 

By | Marketing na Conservação | No Comments

Melhor do que ver uma escultura de onça-pintada toda decorada, só vendo uma onça de vida livre, não é mesmo? E é justamente para permitir que continuemos tendo estas gigantes pintadas na natureza, que a Jaguar Parade promove suas exposições.

Com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a necessidade de conservar as onças-pintadas e seu habitat, a Jaguar Parade é um evento que envolve artistas em um mesmo propósito: a conservação. Dezenas de esculturas de onças-pintadas  são customizadas, expostas em lugares públicos de grande circulação, e, posteriormente, leiloadas. O recurso arrecadado é destinado a instituições que se dedicam a esses grandes felinos. 

Não podemos negar que essas onçonas coloridas, cada uma com uma padronagens diferentes chamam atenção por onde passam, não é mesmo?

 

Dama da Noite. Artista: Gigi Wanderley. Foto: Ramon Rodrigues

As onças-pintadas se encontram “Quase Ameaçadas” de extinção, de acordo com a União Internacional para a Conservação (IUCN) e “Vulnerável”, de acordo com o ICMBio-MMA. As principais ameaças que as onças enfrentam são a fragmentação e perda de seu hábitat, devido aos desmatamentos, além de sofrem imensamente com a caça ilegal.

O evento é organizado pela empresa Artery que além de organizar a Jaguar Parade, também é a responsável pela Cow Parade, Ear Parade, Art of Love e a nossa querida Elephant Parade Brasil! 

 

Primeira edição 

A primeira edição da Jaguar Parade foi realizada em São Paulo, no ano de 2019. Foi considerada a maior exposição de arte ao ar livre da cidade, dá pra acreditar!?

Os números são chocantes: aproximadamente 10 milhões de pessoas viram as esculturas nas ruas e parques de SP e 100 milhões foram alcançadas pelas mídias! 

Foto: Jaguar Parade

 

E quem a Jaguar Parede apoia?

Na edição de São Paulo, o leilão beneficente arrecadou  R$ 631.500,00 e essa arrecadação beneficiou o instituições como o Onçafari, SOS Pantanal, Ampara Animal e Panthera

 

Onça monitorada pelo Onçafari. Foto: Gustavo Figueiroa

 

Jaguar Parade 2021: Belo Horizonte

A edição de 2021 está acontecendo em Belo Horizonte, Minas Gerais. A exposição teve início no começo de Setembro e a primeira etapa está ocorrendo no Shopping Pátio Savassi, onde as esculturas estão espalhadas pelos três pisos do shopping e algumas sendo pintadas ao vivo! 

Serão mais de 25 obras pintadas do dia 8 de Setembro ao dia 5 de Outubro! Então, se você quiser ver como é o processo ao vivo e a cores, o momento é agora! 

 

Esculturas de onças que serão pintadas. Foto: Anna Luisa Michetti

 

A edição deste ano conta com 60 obras e 50% do valor arrecadado será destinado ao Onçafari. 

Todas as esculturas ficarão expostas no Pátio Savassi até o dia 15 de Novembro. Após esta data, as onças irão invadir as ruas, praças, parques e avenidas de Belo Horizonte e ficarão expostas ao ar livre! 

 

Quanto custa? Artista: Darlene Carvalho. Foto: Anna Luisa Michetti

 

Que tal fazermos juntos um check list das onças encontradas pela cidade?  Ao encontrar uma escultura, tire uma foto, poste com a hashtag #JaguarParadeBH2021 e marque o Instagram oficial do evento (@jaguar.parade) e a gente! 

Vamos juntos procurar onças por BH?

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

Bond da Conservação: Mario Haberfeld

By | Personagens da conservação | No Comments

Você conhece as grandes personalidades da conservação? Ao longo dos anos, pudemos contar com alguns heróis que deram início a grandes ideias ou tiveram papéis importantes em determinados projetos de proteção ao meio ambiente. Seus princípios e histórias de vida são uma inspiração para nós, que formamos uma enorme corrente a favor da natureza.  

Vamos explorar a história desses gigantes aqui em nosso blog. A informação é nossa principal arma. Por meio dela, desejamos munir a população de conhecimento, inspirar cidadãos comuns e trazer o maior número de pessoas  para o “lado verde da força”.

Hoje vamos falar de um homem que saiu das pistas de Kart para correr em prol da conservação no Pantanal: o presidente e co-fundador do Onçafari, Mario Haberfeld!

 

Foto: Acervo Mario Haberfeld.

 

Mario Haberfeld nasceu no dia 25 de Janeiro de 1976, em São Paulo. Desde muito novo, o mundo das corridas fez parte da sua realidade, pois, além da influência de seu pai, Mario teve a presença constante de Nelson Piquet, um grande corredor de Fórmula 1, amigo próximo da família.

 

A vida de corredor

Haberfeld começou nas corridas de Karts sendo campeão pan-americano em 1992 e campeão paulista em 1993. Em 1994, Mario competiu na Fórmula Ford brasileira, onde correu algumas vezes até se mudar, em 1995, para a Inglaterra e competir na modalidade inglesa.

Em 1996, competiu na Fórmula Renault e, logo em seguida na Fórmula 3 inglesa, nos anos de 1997 e 1998, em que foi campeão. Em 1999 ingressou na F-3000 com a McLaren e, inclusive, foi piloto de teste na Fórmula 1 com a equipe.  Nos anos seguintes, Mario passou por outras equipes e chegou a participar de corridas de stock car.

 

Foto: Acervo Mario Haberfeld.

 

Paixão fora das pistas

Além de ser apaixonado pelas corridas, Mario sempre teve uma grande admiração pela vida selvagem.

A paixão pela conservação começou por volta de seus 12 anos, quando teve a oportunidade de ir com com seu pai para a África realizar um safári. Passou 15 dias na caçamba de um caminhão pelo Serengeti, acampando no meio dos animais e tomando banho de cachoeira. Essa experiência mudou a vida de Mario e sua relação com a vida selvagem.

Mario sempre soube que, ao se aposentar, trabalharia com conservação e, após finalizar os seus quase 20 anos de automobilismo, tirou um tempo para viajar ao redor do mundo e ver, na natureza, todos os animais que tinha vontade.

Viu gorilas na Uganda, ursos-polares no norte do Canadá, tigres na Índia, pandas na China, leopardos, leões e muitos outros. Em todos esses lugares, queria saber o que estava sendo feito para a conservação desses animais e entender como funcionavam as mais diversas práticas de ecoturismo pelo mundo. 

 

Foto: Acervo Mario Haberfeld.

 

O modelo sustentável de turismo

Na África do Sul, Mario encontrou um modelo que acreditou ser o mais sustentável de turismo e decidiu trazer esse esquema para o Brasil. O safari com espécies habituadas. 

John Varty foi um dos pioneiros, na década de 70 e 90, a habituar leopardos e transformar uma realidade de matança dessa espécie, em um modelo sustentável, onde os animais vivos valiam mais do que mortos.

 

Onçafari

Seguindo os passos de John, Mario começou a estudar formas de aplicar o modelo no Brasil, mas com onças-pintadas. 

Em 2011, fundou o Onçafari, com o objetivo de conservar a biodiversidade, fazer com que as onças fossem vistas na natureza pelas pessoas, desenvolvendo o ecoturismo e as comunidades locais.

Foi no Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal, que as atividades do Onçafari se iniciaram. As onças-pintadas da região foram sendo monitoradas e habituadas lentamente aos carros da equipe e consequentemente sendo mais avistadas por turistas.

 

Mario durante o monitoramento de onça-pintada. Foto: Onçafari.

 

A paixão e dedicação de Mario foram fundamentais para que o projeto desse tão certo. Hoje em dia, quase 100% dos hóspedes avistam onças nos passeios e o Onçafari desenvolveu outras cinco frentes além do ecoturismo – Ciência, Educação, Reintrodução, Social e Florestas.

Além disso, a conservação dos animais pela instituição expandiu para outros biomas, como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica além de hoje envolver diversas outras espécies.

 

Onça com colar para monitoramento. Foto: Caiman Pantanal.

 

Mario é um grande exemplo de que você não precisa ser de uma área ambiental para atuar na conservação e principalmente fazer a diferença. Com a vontade de atuar e a perseverança, conseguimos ir longe. 

 

Texto por Anna Luísa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

O Poder do Storytelling para a Conservação

By | Marketing na Conservação | No Comments

Quando falamos de conservação, falamos de união. Não se faz conservação sozinho, não se muda o mundo sozinho. É preciso que diversas pessoas se engajem na causa para que as ações tenham impacto. 

Mas como convencer as pessoas a se juntarem na luta pela conservação? Como mostrar que realmente é necessário e urgente? Como podemos aproximar a ciência das pessoas de forma atrativa? Como não ser “ecochato’’?

Sabemos que diversas vezes, apresentar dados, notícias e os fatos em si, não gera nenhuma comoção. Na realidade, a sensação é de que as informações que passamos para as pessoas, entram em um ouvido e saem pelo outro. Porém, quando os dados são acompanhados de uma boa história, geralmente, o comportamento é outro. 

O chamado storytelling é justamente o ato de contar histórias, porém, mais do que isso, é a arte de transmitir uma mensagem, se conectar emocionalmente com o ouvinte. Uma história bem contada tem o poder de prender a atenção, causar identificação, mexer com nossos sentimentos, perdurar em nossa memória e até provocar mudanças. E é justamente aí, que o storytelling entra como uma arma poderosa na luta pela conservação.

 

A propaganda é a alma do negócio

Quando queremos vender algum produto a alguém, temos duas opções: 1) Fazer um anúncio simples e esperar que dê certo ou 2) Fazer toda uma propaganda mostrando que a pessoa precisa adquirir aquele produto e que, com a aquisição, ela, de alguma forma, será mais feliz. 

A segunda opção é a mais utilizada ao redor do mundo e, por isso, somos bombardeados por propagandas assim o tempo inteiro. Da forma mais direta, até a mais sutil, são as propagandas que vendem os produtos. 

 

Arte: Anna Luisa Michetti Alves/Greenbond

 

O chamado para a conservação nada mais é do que vender um produto, no caso, a preservação dele. Para aqueles mais engajados na causa, não é preciso um “a” para que ocorra a adesão na luta, mas como eu disse, não se faz conservação sozinho, é preciso que diversas pessoas se juntem. Quando eu digo “diversas”, quero dizer diversas mesmo. O máximo que conseguirmos. De todas as classes, de todas as profissões, de todos os cantos do mundo, do mais simples ao mais pomposo, do pequeno ao grande. 

É um pouco difícil fazer uma propaganda tão abrangente assim, você não acha? Mas se tem uma coisa que une todas as tribos, como foi o Norvana, essa coisa é a história. 

 

Publicação no Twitter de Dinho Ouro Preto que virou meme pela frase cômica.

 

Cada história é única e poderosa

Ao utilizar do storytelling para a conservação, você apresentará dados que estão comumente na mídia, mas de forma única por meio da sua história. Desta forma, o ouvinte terá um outro olhar sobre o assunto

O ouvinte será levado a vivenciar por meio da sua história as experiências que estão sendo contadas, se colocando na posição do personagem principal, experimentando os sentimentos e situações vividas. 

A identificação e as emoções são primordiais para transformar e sensibilizar as pessoas. Quando você consegue passar para o público o que você sente e acredita, elas passam a querer lutar pelo mesmo que você. Querem poder vivenciar elas mesmas e querem que outras pessoas também possam passar por essa experiência. 

Desta forma, conservar passa a ser não parte de uma obrigação, mas sim uma vontade genuína de fazer parte do mundo maravilhoso que o ouvinte foi levado por meio da sua história. 

 

Alan Rabinowitz. Foto: Kris Krug/Flickr

 

Storytelling para a conservação

Um exemplo incrível de storytelling para a conservação é o de Alan Rabinowitz. Em uma história intitulada “Man and Beast” (Homem e Fera). Alan conta sua história de conservação de onças-pintadas e, ao final, você está determinado a seguir seus passos. Clique aqui para ouvir a história.

Podemos perceber que o storytelling tem um grande poder de provocar mudanças e é justamente disso que precisamos no meio da conservação. 

Você conhece algum caso de storytelling na conservação? Compartilha com a gente! Vamos juntos mudar o mundo, de pouquinho em pouquinho, de preferência regado a uma boa história! 

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

Medicina Veterinária além dos animais

By | Datas comemorativas | No Comments

Médicos veterinários atuam em diversas áreas e enganam-se aqueles que pensam que os trabalhos se restringem a consultórios, zoológicos ou fazendas atendendo a animais. Na realidade, veterinários atuam, inclusive, na saúde humana e ambiental, como no controle de zoonoses, por exemplo.

Hoje, nesse dia do veterinário, queremos mostrar o quão diversa pode ser essa profissão e, ninguém melhor para isso do que nosso co-fundador e médico veterinário, Diego Arruda.

 

Foto: Diego Arruda

 

Medicina veterinária, empreendedorismo, marketing, comunicação e consultoria. Estas são apenas algumas das áreas que Diego atua e concilia harmoniosamente, tendo como eixo central, a conservação da biodiversidade.

Não é de agora que Di tem essa paixão pelos animais. Desde sempre foi fissurado pelos bichos e já tinha em sua cabeça de menino, que era com eles que queria trabalhar. Sempre teve muito contato com a natureza e viajava bastante para o interior nas férias, onde tinha muita conexão com cavalos. Devido a isso, entrou na faculdade pensando em trabalhar com estes animais. 

Para sua surpresa, a visão que Diego tinha sobre o que era trabalhar com cavalos era bastante diferente do que lhe foi apresentado na prática e jovem estudante e acabou se encontrando na nutrição. Ainda no segundo período da faculdade, entrou na Iniciação Científica nesta área e permaneceu nela até o último ano do curso. 

 

A nutrição e o Marketing

Di conseguiu uma oportunidade muito boa para estagiar na Tortuga, atual DSM Nutrição e Saúde Animal, que era a maior empresa de nutrição de animais de produção do Brasil, onde trabalhava no setor de marketing técnico e atendimento técnico ao cliente.

Foi naquele estágio que a veia do marketing surgiu na vida do nosso veterinário. Di participou de campanhas, criação de pesquisas de mercado, reuniões e criou o programa “Tortuga Universitário” em que recrutava novos talentos e divulgava a empresa, já que em São Paulo a área de produção não era tão acentuada quanto a clínica de pequenos. Lá dentro cresceu, aprendeu e permaneceu até o estágio obrigatório. A visão de poder trabalhar com o marketing no futuro ainda não era muito clara para Di, mas a experiência que ganhou em seu trabalho, tornou o marketing parte de sua essência. 

 

Nem só de marketing vive um homem

No período em que estagiava na Tortuga, Di aproveitava as férias e oportunidades que surgiam para fazer estágios em clínicas de ruminantes, trabalhar com gado de leite em fazendas, mais focado na produção. A clínica de pequenos animais nunca o atraiu muito, apesar de amar cães e gatos. 

Foto: Diego Arruda 

E chega ao fim do estágio obrigatório

Diego estava realmente muito bem adaptado ao seu estágio, porém não podia continuar por mais de três anos na mesma empresa e então teve que sair da sua zona de conforto e finalizar seus últimos três meses de estágio obrigatório em outro local.

Na época, Di já conhecia Carolina Lorieri, sua atual parceira de trabalho na Conservare Consultoria. Carol trabalhava com animais silvestres e movido pela curiosidade, Di foi estagiar no zoológico e acabou se apaixonando pela área. 

Com seu jeitão exótico de ser, Diego logo se encantou pelos répteis. “O que mais me marcou foi a primeira vez que eu pulei em cima de um jacaré-de-papo-amarelo para fazer contenção e quando eu fiz contenção de serpentes.”, conta Di. 

 

Foto: Diego Arruda

 

Diego trabalhou  no zoológico apenas um mês, mas foi o suficiente para querer trabalhar com silvestres no futuro.

Nos seus outros dois meses, Di estagiou no Instituto Butantan, onde trabalhava com serpentes peçonhentas, aracnídeos, macacos Rhesus e outros animais.

 

Foto: Instituto Butantan

 

Residência

Por ter se apaixonado pelo Butantan, Di prestou a residência para trabalhar lá e conseguiu. Nesse período, estudou bastante para prestar um trabalho de excelência durante os dois anos da residência e inclusive, foi no Butantan que Diego conheceu nosso biólogo Gustavo Figueiroa. 

Di era responsável pelo berçário, monitorando, alimentando e cuidando dos filhotes, juntamente com seu estagiário Gustavo. Lá Diego começou a se interessar pela clínica de répteis e a veia empreendedora começou a saltar.

Pensava em abrir clínica, projetou um zoológico de répteis que, inclusive, chegou a apresentar a ideia para o secretário do meio ambiente de São José dos Campos. Não queria ficar parado, tinha ideias a todo vapor.

Se especializou em clínica e cirurgia de animais silvestres e após a conclusão da residência começou a atuar nessa área porém, algo ainda não estava certo. Não era bem aquilo que Diego queria para sua vida.

 

Foto: Diego Arruda

 

Um caminho com altos e baixos

Como nem tudo nessa vida são flores, Diego passou por momentos de “início de um sonho/deu tudo errado”, assim como todos nós. 

Surgiu uma oportunidade muito boa de trabalho com serpentes no exército. Di queria muito que desse certo, mas quando terminou sua especialização, não conseguiu o certificado de conclusão a tempo da segunda fase e, devido a isso, não pode continuar o processo. Foi um momento difícil para ele, mas mesmo assim, não desistiu. No ano seguinte, prestou mais um ano de concurso, mas eram apenas quatro vagas no Brasil todo e mais uma vez, não deu certo. 

Após esse período conturbado, Diego foi morar na África durante 4 meses. Ao retornar, decidiu colocar sua vida no eixo. “Preciso trabalhar, preciso saber o que eu vou fazer. Clínica não é minha praia, não é o que eu quero, eu precisava voltar pro mercado que eu tinha capacidade e que eu sabia que ia poder ter um pouco mais de conforto.”, conta Di.

 

Foto: Diego Arruda

 

Diego voltou para a parte de nutrição e vendas, mas sempre com aquela vontade de trabalhar com estratégias de marketing e comunicação.

Durante quatro anos, Di trabalhou com vendas. Começou em uma empresa pequena, foi crescendo, conquistando empresas maiores, multinacionais, até que surgiu a oportunidade de trabalhar na Hill’s, uma empresa de nutrição animal da Colgate, onde permaneceu três anos, trabalhando com marketing e vendas.

 

Ideias a todo vapor.

Como nosso querido veterinário não fica parado, durante o tempo na Hill’s, Diego começou seu MBA em Marketing Digital. Em uma das matérias, a proposta era a criação de uma empresa a partir de uma ideia que você gostasse. Como além de empreendedor, Di também é alucinado pela natureza e conservação, nascia ali o projeto da GreenBond. 

Naquela hora, o propósito que Diego estava buscando chegou esmurrando a porta, com os dois pés no peito, gritando “É ISSO AQUI, MEU ANJO, FOCA AQUI QUE É SUCESSO E REALIZAÇÃO PROFISSIONAL E PESSOAL”.

Por ter vários amigos do meio da conservação e por saber das dificuldade de realizar um projeto, arrecadar recursos e de fazer de fato acontecer, Di foi cauteloso.  Depois de muitas conversas e lapidar bem a ideia, convocou seu amigo Gustavo Figueiroa para essa empreitada de marketing, comunicação e conservação. Gu, sem nem saber bem do que se tratava ainda, aceitou prontamente.

 

Diego e Gustavo. Foto: Diego Arruda.

 

Solta o verbo, Di!

Hoje, Diego tem diversos projetos, como a GreenBond, Wildingtone e a Conservare Wild Consulting, e tem uma visão muito ampla em todos eles. É um profissional que caminha em diversos setores, mas consegue costurar tudo, de forma que não deixa uma ponta solta. E o principal, é extremamente feliz no que faz.

Uma das principais razões por Di ser o que é hoje é devido ao amor e a veterinária. O amor pelos animais, pela natureza, pelas novidades, por arriscar. 

As diversas áreas, todas de alguma forma interligadas a veterinária, juntamente com a vontade de mudança, moldaram o profissional único que Diego é hoje. 

 

Diego e Gustavo. Foto: Frico Guimarães/Edson Vandeira

 

“A veterinária é uma profissão maravilhosa, é uma profissão incrível. (…) A veterinária explora um lance de investigação, de você ir mais a fundo, de você estudar, se aprofundar, que é muito próprio dela. Só que ao mesmo tempo, a veterinária é muito ampla, tem um leque enorme. Você pode trabalhar com inspeção de alimentos, trabalhar com produção de carne, produção de leite, (…) com a parte clínica e cirúrgica de cada animal diferente (…), pode ser veterinário de projetos de conservação, trabalhar com pesquisa, pode ser burocrata, trabalhar com venda de produtos veterinários para outros veterinários, treinamento de outros veterinários (…). A veterinária é muito ampla e isso é apaixonante.”, finaliza Di.

Neste Dia do Veterinário queremos parabenizar a todos os médicos veterinários formados e aos futuros profissionais. Aqueles que possuem suas certezas e os que possuem suas dúvidas. Os da clínica e os de fora dela. A todos que amam o que fazem e são únicos! Para aqueles que possuem sonhos: confia e vai! Faça igual ao nosso #Bond e trilhe seu próprio caminho! 

 

Feliz dia do médico veterinário!

Me deparei com uma onça, e agora?

By | Onça-pintada | No Comments

Imagine só: você está andando pelo mato, a trabalho ou apenas por lazer, quando de repente você avista duas onças-pintadas deitadas a 20 metros de onde você está. O que fazer? Correr? Sair de fininho? Assustá-las? Bom, isso é o que nosso biólogo Gustavo Figueiroa vivenciou em um dos seus trabalhos no Pantanal e hoje, ele nos contará qual a atitude correta frente a situações como essas. 

 

Onça-pintada e onça-parda

Antes de tudo é importante dizer que, no Brasil, temos duas espécies de onças. A onça-pintada (Panthera onca) e a onça-parda (Puma concolor). A onça-pintada é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, podendo chegar a mais de 100 kg!  São animais carnívoros e predadores topo de cadeia, se alimentando desde animais pequenos a grandes antas e jacarés. Ocorrem em quase todos os biomas do Brasil, porém possuem populações maiores e mais estáveis no Pantanal e na Amazônia, uma vez que são áreas maiores, mais preservadas e com menor ocupação humana. 

 

Áreas de ocorrência da Onça Pintada. Imagem: IUCN

 

Devido a caça e a perda de habitat gerada pelo desmatamento, as onças-pintadas são consideradas “Vulneráveis” de acordo com o ICMBio-MMA e “Quase Ameaçada” pela IUCN. 

 

As onças-pintadas possuem pelagem amarelo-dourada e pintas pretas na cabeça, pescoço e patas. No resto do corpo possuem rosetas com pintas dentro, assim como mostrado no destaque. Foto: Gustavo Figueiroa

 

Já as onças-pardas, ou suçuaranas, são menores que as onças-pintadas, pesando entre 50 a 72 kg e possuem uma distribuição bem mais ampla, tendo populações bem estabelecidas por todo o país. Assim como as onças-pintadas, são estritamente carnívoras, mas apresentam uma dieta mais generalista, podendo comer até lagartos, aves e insetos. 

Áreas de ocorrência da onça-parda. Imagem: IUCN

 

Além de sofrerem com a caça, perda e fragmentação do habitat, também sofrem com atropelamentos. Devido a isso, seu status de conservação é “Vulnerável” pelo ICMBio-MMA, mas “Pouco preocupante” de acordo com a IUCN. 

As onças-pardas possuem cores que vão do cinza claro até um marrom avermelhado. Seus filhotes são bege/pardo com listras.

 

Foto: Milan Zygmunt / Shutterstock.com

 

Mas afinal, se elas são carnívoras, então estamos no cardápio delas? 

Para a glória e alívio de todos, não! Os seres humanos não fazem parte do cardápio da onça-pintada e nem da onça-parda.

 

Arte: Anna Luisa Michetti Alves/Greenbond. 

Então por que elas nos atacam? 

Bom, na verdade existem poucos registros de ataques de onças-pintadas a humanos no Brasil e de onça-parda não há nenhum. Basicamente, todos os ataques acontecem devido a conduta errada do ser humano, como por exemplo: aproximar de uma fêmea com filhote, aproximar-se enquanto uma onça se alimenta, durante o acasalamento ou encurralá-las. Nesses casos, elas podem atacar em uma tentativa de defender sua prole, sua comida ou elas mesmas.

 

O que fazer caso encontre uma onça  

Nosso biólogo Gustavo nos explicou tudinho sobre como nos portar e o que fazer em uma situação cara a cara com o perigo.

Primeiro de tudo: mantenha a calma. Isso evita que façamos alguma besteira. Segundo, fique parado e pareça maior. Podem ser levantados os braços, por exemplo. Vá se afastando devagar da onça, sempre de frente para ela. Observá-la enquanto se afasta é importante. Por fim, tome uma distância segura e siga seu caminho. Caso a onça se aproxime, levante os braços e grite. 

 

Arte: Anna Luisa Michetti Alves/Greenbond. 

 

O que NÃO fazer caso encontre uma onça

Não se aproxime mais. 

Não faça movimentos bruscos. 

Não se abaixe, não engatinhe, não se agache. 

Não vire de costas e não corra! 

Esses comportamentos são os de presa e não queremos que ela nos confunda com uma presa, não é mesmo? 

 

Arte: Anna Luisa Michetti Alves/Greenbond. 

 

E funciona mesmo? Nem tô botando fé…

Gu nos contou alguns relatos em que esteve cara a cara com onças-pintadas e agiu segundo as recomendações. Em todos os casos teve sucesso. 

 

“Ela tava muito perto de mim mesmo, a 4 metros. Era um pulo. É uma zona que a gente fala que é “a zona mortal”

Gus tinha começado seu trabalho monitorando onças no Pantanal havia pouco tempo. Ele e a equipe ficaram sabendo que uma onça-pintada havia matado um boi na região e arrastado a carcaça para uma área de mata fechada. O plano era pegar a carcaça e levar para uma região aberta a fim de atrair a onça à noite, quando eles voltariam. Início da execução do plano, aparentemente tudo tranquilo. Nenhum barulho, nenhum sinal de onça. Gustavo entrou na mata para amarrar uma corda no pé do boi e puxar com a caminhonete, quando ao tocar no animal, ouviu o esturro da onça que estava atrás de uma moita a apenas 4 metros de onde ele estava. “Ela tava muito perto de mim mesmo, a 4 metros. Era um pulo. É uma zona que a gente fala que é ‘a zona mortal’, não tem o que fazer (…) tem que confiar nas técnicas que eu falei”, relata Gustavo. 

Ao receber o aviso mais do que claro de soltar a caça, Gu largou o boi, se levantou calmamente e foi se afastando olhando em direção a moita e a carcaça, pois ele ainda não havia avistado a onça. Conseguiu se afastar até uma distância segura e voltou para o carro, vivo.  Tremendo mais que vara verde, mas vivo. 

 

Foto: Gustavo Figueiroa

 

Outra situação foi durante a temporada de captura de onças, que é quando os pesquisadores capturam onças para avaliá-las e colocar colares GPS para monitorá-las. Para as capturas são utilizadas armadilhas de laço, que ficam escondidas no chão. 

Na temporada em questão, ainda não haviam capturado nenhuma onça e, em uma das idas a campo, avistaram uma onça que tinha acabado de matar um jacaré. A onça se assustou com o carro e fugiu, deixando a caça para trás. A equipe então planejou usar o jacaré como isca e armar a armadilha ali perto, de modo que quando a onça retornasse para comer, fosse capturada para a pesquisa. 

E começa o processo… Enquanto o veterinário da equipe estava montando a armadilha, Gu foi pegar o jacaré para poder colocar como isca. Eis que a onça resolveu voltar e deu de cara com Gustavo carregando a presa que tinha acabado de caçar. Imagina a cena: o veterinário agachado montando a armadilha a menos de 10 metros da onça. Gustavo com o jacaré nos braços também a menos de 10 metros. A onça indo em direção dos dois, agachada, em posição de ataque. Tudo certo para dar errado. 

Mas é claro que nosso biólogo ia sair dessa. Imediatamente soltou o jacaré. O veterinário ao ver a cena, entendeu o que estava acontecendo e se levantou. A onça, que estava indo na direção deles, parou e os dois começaram a se afastando devagar, sempre de frente para ela, até chegar ao carro, que não estava muito distante.

 

Foto: Ailton Lara

 

Então o Gustavo que é um sortudo de ter saído ileso?

Não, ele apenas seguiu todas as recomendações para evitar um ataque e conseguir sair das situações em que entrou. É super importante ter em mente que a nossa resposta frente a ameaça é o que irá definir o resultado final. Se tivermos a resposta adequada, possivelmente sairemos ilesos. 

 

Foto: Paula Dias Ho

 

Outra informação importante: ao avistar uma onça, em uma uma distância segura, não esqueça de tirar uma foto bem bonita, porque é um privilégio, viu! 

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá

Conhecendo o maior primata das Américas – Dia Nacional dos Muriquis

By | Datas comemorativas | No Comments

Hoje, dia 27 de Agosto, é dia deles! Deles, que são os maiores primatas das Américas, amam abraçar e possuem um quinto membro! Bom, se você pensou nos muriquis, está completamente correto! Caso você não o conheça, vem comigo que eu te apresento! 

Os muriquis são primatas endêmicos da mata atlântica brasileira, isto é, ocorrem apenas naquela região. Eles pertencem ao gênero Brachyteles e são divididos em duas espécies: o Muriqui-do-Norte (Brachyteles hypoxanthus) e Muriqui-do-Sul (Brachyteles arachnoides).

Os muriquis-do-norte ocorrem na Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, enquanto que os muriquis-do-sul ocorrem nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. 

 

Muriqui-do-norte. Foto: Marilha Mardegan.

 

Diferenciando os muriquis-do norte e dos muriquis-do-sul  

Os muriquis-do-norte e do muriquis-do-sul possuem algumas características que nos permite diferenciá-los. Além de ocorrerem em locais distintos, os muriquis-do-norte possuem uma despigmentação no rosto e na genitália, pêlos mais claros e possuem nas mãos, um dedão vestigial, enquanto os do muriquis-do-sul possuem o rosto preto, assim como a genitália, pêlos mais escuros e não possuem nenhum vestígio de dedão. 

 

Muriqui-do-sul e muriqui-do-norte. Imagem: Stephen D. Nash.

 

Uma característica comum, super importante para as duas espécies, é a presença da cauda. A cauda dos muriquis é preênsil, ou seja, adaptada para envolver e segurar. Devido a isso, a cauda dos muriquis funciona como um quinto membro, com capacidade de sustentar todo o peso do corpo deles! 

 

Muriqui-do-sul. Foto: Mariana Landis/Associação Pró Muriqui.

 

Hábitos

Os muriquis vivem em grupos que podem passar de 90 membros e se deslocam por grandes distâncias à procura de alimento. Por vezes se deslocam em fila, passando pelas mesmas árvores para evitar quedas.

Sua alimentação é totalmente vegetariana, comendo folhas, frutos, flores e até brotos de bambu. Por comerem frutos, acabam sendo ótimos dispersores de semente, tendo assim uma importante função ecológica de restaurar a mata! 

 

Muriqui-do-norte. Foto: Adriano Gambarini.

 

Os muriquis são primatas pacíficos, tendo poucas ocorrências de agressões e disputas violentas. Um comportamento afiliativo muito marcante da espécie é o abraço. Ele serve tanto para fortalecer o laço entre os integrantes de um mesmo grupo, quanto para confundir predadores e parecerem maiores para outros grupos. 

 

Muriqui-do-norte. Foto: Fernanda Tabacow.

Ameaças

Devido a perda de habitat, fragmentação da mata atlântica e caça, o estado de conservação da espécie é bastante preocupante, sendo listados como “criticamente em perigo de extinção”. Para vocês terem ideia, restam menos de 1000 indivíduos de muriquis-do-norte na natureza e cerca de 1.300 muriquis-do-sul.

Devido a isso, várias instituições desenvolvem projetos importantíssimos em prol da conservação dos muriquis e, inclusive, em nosso blog, já falamos de uma personalidade super importante, que a mais de 38 anos se dedica a pesquisa e conservação dos muriquis-do-norte, a Dra. Karen Strier.

 

Muriqui-do-norte. Foto: Marilha Mardegan.

 

Conservação

Uma das instituições de conservação dos muriquis-do-norte é a MIB: Muriquis Instituto de Biodiversidade, que possui diversos projetos envolvendo o muriquis-do-norte. 

Para conhecer mais sobre o MIB e seus projetos, acesse suas redes sociais! 

Site do MIB: clique aqui

Instagram do MIB: clique aqui 

Já uma instituição que trabalha com a conservação dos muriquis-do-sul é a Associação Pró Muriqui e para conhecer mais sobre o trabalho, clique aqui! Instagram do Pró Muriqui: clique aqui.

 

Você já conhecia esses animais incríveis? Vem com a gente na conservação dos muriquis! 

 

Texto por Anna Luisa Michetti Alves

Revisado por Fernanda Sá